Um fim de semana em Paris

Não tem jeito, eu sou mesmo uma grande fã de voltar a lugares que já conheço. E se for em boa companhia, então... eu nem preciso pensar muito. Quando minha amiga Emilia resolveu passar um feriado em Paris, rapidinho eu dei um jeito de me enfiar na viagem dela haha. Eu adoro a ideia do trem pra Paris, porque ele é rápido e prático - em 4h você está lá, no meio da cidade - mas ele é também caro, e se não comprar com bastante antecedência, fica meio inviável. Mas tem a HOP!, low cost da família da Air France, que viaja de Basel, e mesmo com pouca antecedência é possível encontrar com eles passagens pagáveis. Voilà, tínhamos um plano. Sexta-feira depois do trabalho peguei o avião e ~EMOÇÃOOO~ jantei com minhas amigas de infância em Paris. Quem via a gente comendo barro juntas com 5 anos de idade jamaaais imaginaria que a gente estaria bem phynas em Paris um dia, nénon?
Ficamos no Ibis na região da L'Opera e eu indico muito. Primeiro porque Ibis é Ibis, não tem surpresa, é um padrãozão e você sabe o que vai encontrar em qualquer lugar do mundo. O preço era bom, e a localização, ótima. Saímos andando de lá para muitos lugares, e para ir e voltar do Charles de Gaule também é bem fácil usando o Roissy Bus, um ônibus que sai do aeroporto e para direto lá na L'Opera, na frente das chiquérrimas Galeries Lafayette. O ônibus funciona desde as 6h da manhã até meia noite, e sai de 20 em 20 minutos. Custa 12 euros. 
A vista da nossa janela :)
E sabe qual é a beleza de voltar? É ter zero compromisso com "turistagens pesadas". Nós três já conhecíamos Paris e pudemos nos dedicar a conhecer um lado menos badalado e mais francês da cidade. A Emília achou um guia muuuito legal, que dá umas dicas interessantes e menos batidas, e resolvemos seguir um dos passeios de lá, na região do Canal de St. Martin. Passamos a manhã inteira andando por vielas, encontrando lojinhas fofinhas, parando para fazer people watch e tomar uns drinks nuns lugares fofinhos. O dia estava ensolarado bem lindo, e somado a esse slow pacing, é minha definição de alegria nas férias <3
Canal de St. Martin



E esse guia, além de nos apresentar essa área linda, ainda deu a melhor ideia haha... Na Bassin de la Villete, uma bacia na sequência do Canal de St. Martin, há uma pequena marina onde é possível alugar barcos elétricos e você mesmo dirigir e fazer um mini cruise. Você pode alugar por hora, ou fazer um passeio maior saindo da bacia. Optamos por comprar uns queijos e vinhos e ficar pela bacia mesmo, só na curtição e sem preocupação. Foi um dos pontos altos do fim de semana, porque a gente se divertiu muito com o conceito, dirigindo o barco, passando pelas outras pessoas. É bem fácil, não é perigoso, e eu recomendo muito. A Marina chama Marin D'Eau Douce

Tremidas porém felizes
A área ali é bem legal, cheia de bares, restaurante, gente fazendo atividades ao ar livre. Passamos o fim do nosso dia fazendo picnic na beira do canal e pingando de bar em bar. Não poderia ter sido mais perfeito :)


Nosso domingo começou beem devagar e cheio de ressaca rs. Ninguém peregrina de bar em bar até as 2h da manhã impune, não é? Resolvemos fazer um tour por Montmartre, e começamos com um belíssimo café da manhã no Cafe Marlette. Recomendo muito também. Um ambiente super fofinho, bolos deliciosos, um café realmente bom. De lá seguimos andando pelas ruazinhas do bairro, passamos pelo Café des 2 Moulines, o Café da Amelie Poulain e seguimos até chegarmos na Sacre C'Ouer, pra mim um dos pontos mais belos da já muito bela Paris. 
Café Marlette

As ruazinhas de Montmartre

Terminamos o nosso dia, e a nossa viagem, passando pelo Trocadero e beira do Sena. Eu nunca tinha ido ao Trocadero, e achei que seria uma boa ter uma vista diferente da Torre Eiffel. Caminhamos por quase três horas só curtindo um sol, apreciando a cidade, com algumas paradinhas para comer, para beber, e para se curtir, até chegar no hotel, onde nos despedimos. Foi uma viagem muito, mas muito gostosa mesmo, que só me faz querer repetir mais e mais. Lugares, fins de semana com pessoas queridas, tudo que é bom e faz bem. Recomendo. 





Ps - faço esses posts de viagens no esquema bem diário mesmo, que é pra ficar de recordação pra mim. Mas no meio do texto faço questão de botar nomes, links e outras informações que possam ser úteis, assim além de recomendação, o post fica informativo pra quem tem interesse :)

Advogada na Suíça?

Esse post pode ser bem chato para quem não tem interesse no assunto. Mas resolvi mexer nesse vespeiro porque essa é uma pergunta que escuto com certa constância. Voilà. 

Para quem é de fora da área, o Direito ainda segue parecendo um tema muito pouco transferível de um país pro outros. Já vi em vários blogs, canais e afins, quando estão falando sobre exercer profissão fora do país, que "em algumas áreas, como o Direito, é impossível". Essas pessoas sempre são de outras áreas, e tem em mente um Direito bem antigo. Aquele em que só existia família, criminal, tributário, trabalhista e previdenciário. Aquele em que advogado ou ta trabalhando na porta de cadeia ou fazendo divórcio, e que precisa recitar a letra da lei. Bom, há muito tempo o Direito é bem mais amplo do que isso. Sempre foi, claro, mas há uns bons 20 anos, com globalização e afins, o Direito também se globalizou. E é aí que as portas podem ter se aberto um pouco para quem pensa em exercer a profissão fora do país de origem.

Para quem tem experiência com M&A (ou fusões e aquisições), compliance, operações cross border, tributação internacional, contratos internacionais, direito migratório, é bem mais fácil trabalhar em outros países (e veja bem, digo trabalhar, porque arrumar emprego é sempre difícil né). Nos últimos quatro anos da minha carreira no Brasil eu trabalhei em multinacionais, participando da negociação global de contratos e depois adaptando esses contratos globais para a legislação brasileira. Também trabalhei com a implementação de controles de compliance seguindo padrões europeus e de FCPA (e aqui, para quem não é da área, num resumo bem resumidinho, compliance é conformidade e hoje em dia as empresas tem departamento específico que atua para garantir que a empresa segue à risca todas as regras internas e externas. Há procedimentos de padrão internacional de compliance, que podem certificar uma empresa. Já o FCPA que mencionei é a lei americana anti corrupção. Empresas americanas colocam em contrato que a outra parte deve seguir controles de compliance para obediência da FCPA). Em menor escala, fiz trabalhos voltados para M&A. Ou seja, tenho alguma experiência que torna meu perfil mais internacional. 

É claro que ter uma faculdade no país em que se quer trabalhar, tirar a OAB local, vai aumentar a sua chance de encontrar algo em muitos porcentos, pois é qualificação extra, e ainda por cima aumenta seu campo de procura, certo?! Você abre suas possibilidades para além das multinacionais. Mas eu cheguei na Suíça sem intenção de, a princípio, me qualificar. Primeiro porque são anos de estudo e eu precisava trabalhar, e segundo porque tem a questão da língua. Sabe-se lá quando eu teria condições de prestar uma prova técnica como a "OAB"(que aqui chama SAV) em alemão, francês ou italiano, as línguas oficiais do país. Além do mais, aqui na Suíça tem muitas, mas MUITAS, multinacionais. A minha ideia era, desde o princípio, encontrar uma posição em que eu pudesse usar o conhecimento que tenho, me apoiar na minha experiência, para aprender mais e evoluir. 

E aí a pergunta... MAS E NÃO PRECISA DA OAB? Não necessariamente. Vou resumir novamente de forma bem simplista. Para quem quer atuar como advogado com poderes para atuar em Cortes, para representar legalmente clientes diante de autoridades e afins, é necessária a OAB sim. Mas há uma outra infinidade de possibilidades dentro da área: analista/gerente de contratos ou de compliance, consultor em qualquer das áreas que mencionei, auditoria, paralegal (que é uma posição abaixo de advogado, mas que mexe com contratos, com documentos corporativos, etc), etc. São posições nas quais você usa o seu conhecimento jurídico, mas não necessariamente irá assinar como advogado. E deixo um exemplo: estou trabalhando no departamento de contratos de uma empresa, e não no departamento jurídico. Quando é necessário o sign off de um advogado, eu encaminho a questão para o jurídico. 

E tem bastante vaga nesse perfil. Claro que tem também muita vaga que pede a OAB local. Mas honestamente, o mercado é bem mais aberto aqui do que eu esperava. Nesses dois anos que não trabalhei, não foi por causa de vaga. Já comentei por aqui que eu tinha um problema de visto, e em todas as entrevistas que fiz, a conversa acabava aí. Mas veja só... tinha vaga, tinha entrevista. Portanto, se você é da área e acha que vai ser impossível encontrar algo aqui na Suíça, não é não. Tampouco é fácil, é verdade. Mas em outra hora eu escrevo aqui sobre como funciona a busca por emprego aqui.

Enfim, esse texto é zero profundo, e não tinha a intenção de inventar a roda com ele. Mas sei que é uma dúvida frequente das pessoas da área, uma curiosidade das pessoas fora da área, e já cansei de revirar os olhos vendo informação errada por aí. 

A internet, a exposição e o que vem depois

Uns tempos atrás deixei o blog fechado por dez dias, e o motivo me fez refletir bastante sobre o quanto nos expomos voluntariamente na internet. Não estou falando de exposição como se fosse algo ruim, mas simplesmente como um fato. É isso, hoje em dia a gente mostra muito mais de nós, a gente se expõe, e isso tem impactos de várias formas. 

O impacto imediato - e o melhor - é a rede de conexões que criamos. Aqui pelo blog conheci várias pessoas - várias que também tem blogs - e por ler seus comentários aqui (bem como seus blogs), criei uma identificação. Segui-las em outras redes acabou revelando ainda mais coisas em comum, ou coisas que acho interessante, relevante, o que me fez gostar muito delas, pessoas essas que nunca nem vi. Alias, algumas até conheci :) Enfim, resultado é que conheci pessoas incríveis e fiz algumas amizades, laços esses que são puro impacto da exposição, minha e delas, na internet. E isso é fantástico!

Por outro lado, veja só... Eu me candidatei pra uma vaga de emprego bem interessante aqui na Suíça, o processo começou a andar e, depois de algumas entrevistas por telefone, fui convidada a ir à sede da empresa fazer uma entrevista pessoalmente com quatro pessoas. Quando me passaram os nomes, rapidamente, notei que um deles era brasileiro. Ao vivo percebi que uma das outras três pessoas, um gringo, era MUITO "xereta". Ele foi checando meio ao vivo tudo que eu ia falando. Abriu o site das empresas em que eu trabalhei ali na lata, fez perguntas sobre, abriu o google maps para discutir o meu commute, até o site do projeto onde faço voluntariado ele abriu e notou que eu não estava na foto de capa. Ao sair de lá me deu um certo pânico de que o cara achasse o blog e desse pro brasileiro traduzir. E veja bem, eu não falo nada demais aqui, não há nada de que eu me envergonhe, mas falo da minha vida, deixo claras algumas opiniões políticas, falo palavrão, falo merda, enfim... sou quem eu sou fora do horário comercial (e dentro dele quando acho que cabe rs). A real, é que eu não sei qual é a das pessoas, e não quero que elas saibam qual é a minha antes da hora, sabe?! 

Enfim, por isso fechei o blog enquanto esse processo se desenrolava, e a ideia era deixar fechado até que acabasse. Depois de uns dias eu comecei a relaxar, porque é isso, o blog mostra em estado bruto o que sou, não tem muito como fugir. Se for pra me negarem um emprego por causa disso, paciência. Reabri o blog antes de saber o que tinha rolado com o emprego (confesso que ter pintado outra vaga no horizonte ajudou nessa relaxada). 

Nessa reflexão sobre minha auto exposição, percebi que hoje em dia é meio que inevitável ter um extenso footprint na internet. Por exemplo: isso tudo aconteceu na mesma semana que uns imbecis fizeram um vídeo ultra misógino na Rússia assediando uma moça, vocês devem se lembrar. Os caras foram super expostos, alguns perderam emprego, enfim... E não postaram o vídeo no instagram, nem facebook, nada. Esse vídeo foi enviado para amigos "do mundo real" por whatsapp, e vejam a proporção que tomou. Quantas vezes isso não aconteceu? A nossa vida hoje em dia não se divide mais entre on e offline. Ta tudo junto, ações do mundo offline reverberam no online para então sofrer consequências na vida offline. 

Não consegui chegar à uma conclusão, mas pensei muito e tenho certeza que não tenho vontade de fechar o blog e deixa-lo somente para "convidados". Nos últimos meses eu recebi vários emails de pessoas que se mudaram, ou que moram na Suíça, e que tinham algumas dúvidas. Achei muito legal poder ajudar de alguma forma, tirar dúvidas, dar umas ideias. Alias, mais engraçado: um parente distante me encontrou aqui enquanto procurando subsídios para a cidadania italiana dele, e eu pude ajudar também. Não é muito bacana?!

Por essas e outras, por hora tenho sim consciência de que devo prestar atenção no "oversharing" (aqui, em todas as redes e na vida), mas que a experiência no geral é muito positiva. O blog é meu hobby favorito, é onde eu registro as mudanças da vida, o que meus olhos veem, e muito do que meu coração sente. De quebra, é onde conheci pessoas muito legais, e onde nesses dois anos de Suíça ainda me senti fazendo alguma diferença. Não quero nem vou abrir mão disso aqui por uma privacidade online que acho que nem existe mais. 

Conexões: NYC e Washington

Compramos a nossa passagem para as férias com a United. Era a melhor opção de preço para sair de Zurich, ir até Minneapolis, depois para São Paulo, e voltar pra cá. O grande problema eram as conexões. Foram várias. Entre Zurich e Minneapolis paramos por 10h em NYC, a noite. Não tinha muito o que fazer senão dormir no aeroporto. Entre Minneapolis e SP tivemos outras 10h em NYC, dessa vez de dia. E depois entre SP e Zurich tivemos 12h em Washington, também de dia. E é dessas duas últimas conexões que e vou falar. 

10h em NYC 
Descemos em Newark, e o trajeto de lá pra Manhattan é bem fácil (bem mais fácil do que saindo do JFK, por exemplo). É só pegar o trem interno do aeroporto, trocar na estação final para um trem que vai direto para a Penn Station, no coração de NY. O trajeto todo dura cerca de 40 minutos e custa 13 dólares o trecho (26 ida e volta). Considerando o tempo que demoramos pra sair do aeroporto e chegar na cidade, o tempo para voltar e a antecedência com que tínhamos que estar no aeroporto (e filas de segurança no verão), sobravam 5 horas em Manhattan. Chegamos debaixo do maior calor, umidade, duro de aguentar. Como já tínhamos explorado o Brooklyn e East Side numa outra conexão longa uns anos atrás, dessa vez planejei ficar pelo West Side. O plano era andar da Penn Station até o High Line, encontrar as amigas lá, e por ele ir até o Chelsea Market, onde almoçaríamos, e depois veríamos se sobrava tempo para mais alguma coisa. O problema foi que quando pisamos no High Line, começou a chover MUITO, tipo... passando um twister em NYC hahaha. Chuva pesada, de vento, que durou horas, fechou aeroportos e causou transtornos na cidade (uma pequena ideia do que rolou aqui). Acabamos pegando um taxi até o Chelsea Market, onde passamos cinco horas comendo, bebendo e passeando. Uma pena não ter visto mais coisa, mas quem tem amigos tem tudo, e foi bem gostoso <3 
No ar, o prenúncio do apocalipse que chegaria em alguns minutos hahaha
12h em Washington
A chegada em Washington foi bem tranquila. Acho que de todas as vezes em que fiz imigração nos EUA, essa foi a mais suave. Menos fila, mais organizada. Em menos de uma hora estávamos nos preparando para sair do aeroporto. Para chegar ao centro da cidade é só pegar a Silver Line (que sai do aeroporto em forma de ônibus, e na estação Wiehle-Reston East você troca para o metrô). O custo é 11 dólares por trecho, e é bem fácil. Fomos até South Capitol Hill, e o trajeto durou uma hora e meia.
As estações da Silver Line são quase todas assim
A área de South Capitol Hill já me surpreendeu porque é muito mais fofinha do que eu esperava rs. Casinhas de tijolo antigo em que da vontade de morar, sabe? Vários predinhos fofos. Paramos numa Starbucks pra repor as energias, e então seguimos para a Biblioteca do Congresso. A Library of Congress é um desbunde de linda, e a entrada é gratuita. Você pode andar pelos salões principais, e ter uma vista do salão de leitura, onde só é permitido entrar com registro. Ainda no salão de entrada tem somente a Bíblia de Gutemberg, e eu fiquei :0 
Não é uma graça?

O Hall de entrada é tão absurdo que é difícil fazer uma foto boa... mas taí uma tentativa

Salão de leitura
Quando saímos de lá acusamos o golpe: estava muito calor, e muito úmido. Mas seguimos andando mais algumas quadras até chegarmos em frente da Suprema Corte. É possível entrar e visitar, mas como não tínhamos muito tempo, preferimos fazer uma visita mais longa no Capitólio, que fica logo em frente. No Capitólio tem visitas guiadas gratuitas todos os dias, que saem de 10 em 10 minutos e não é preciso reservar com antecedência. Você chega lá e tira uma senha. Foi super fácil e rápido. A visita foi bacana, começa com um vídeo num auditório, que mostra as raízes do Estado americano (e é uma propaganda deslavada que não teve rolar de olho suficiente rs) e termina com um passeio guiado por alguns dos salões principais. Nosso guia falava muitooo rápido, e esperava que as pessoas conhecessem bem a história americana, pois fazia referências que nem Mati entendia, imaginem eu... Acabei ficando meio cansada. Mas valeu a pena mesmo assim! 
Suprema Corte Americana
Chegando no Capitólio
E sua cúpula maravilhosa
No fim ficamos sentados por lá aproveitando o ar condicionado, e criando coragem para ir pra fora. Washington (e boa parte da costa leste) fica em cima de um pântano, o que faz a umidade do ar ser absurda. Mesmo a temperatura estando em torno dos 33 graus, que pra um brasileiro convenhamos que não é impossível, a sensação térmica é brutal. Estava muito difícil ficar andando por uma cidade de concreto naquele calor todo. Mas seguimos para um restaurante de comida chifa - uma mistura de culinária chinesa e peruana - chamado China Chilcado, e que acerto... Comi um ceviche de chorar de emoção. Depois fomos andando por uma das principais avenidas da cidade, cheia de lojas, hoteis e bares, até chegarmos na Casa Branca. Eu já tinha lido em várias situações que ela é menor do que se imagina, então acabei achando ela até grande hahaha... e tinha bastante gente na frente, tirando fotos, protestando, ouvindo música. Toda uma ceninha rolando rs.


Nessa hora aí eu já estava morta. Muito cansada, meio desanimada com a perspectiva de entrar num voo de oito horas com aquela roupa podre de suada que eu estava usando, exausta de carregar mochila, e das coisas que queríamos ver só sobrava o Lincoln Memorial, que fica há uns 30 minutos andando da Casa Branca. Resolvi capitular e seguir em frente, porque embora Washington seja uma cidade mais interessante do que eu tenha imaginado, a chance de eu voltar lá é bem pequena. Fomos andando na calçada de um parque que começa nos fundos da Casa Branca, até chegarmos meio que de frente para o Obelisco. Do outro lado há o Memorial da Segunda Guerra, e lá no fundo o Lincoln Memorial. A vista dali é aquela clássica de Washington, e bem linda. Valeu muito a caminhada! Apesar do alto verão, imagino eu que até por causa do calor, o Memorial não estava tão cheio quando eu esperava. Foi possível ver o Lincoln gigante bem de perto. Depois de apreciar um pouco a vista, estava na nossa hora de voltar pro aeroporto. Pegamos a Silver Line em Foggy Bottom, umas sete estações abaixo de onde chegamos. Por isso a volta foi um pouco mais rápida e durou uma hora. 


Só recapitulando: nosso trajeto foi South Capitol Hill - National Library - Supreme Court - Capitol - Almoço - White House - Obelisco - Lincoln Memorial. Parece que fizemos muita coisa, mas acho que se o tempo não estivesse tão quente, poderíamos até ter visto mais. As atrações de Washington são bem concentradas numa área relativamente pequena, e foi possível fazer tudo andando. Em nosso trajeto inclusive vimos outros pontos que seriam interessante de visitar, com o Thomas Jefferson Memorial, o Korean War Veterans Memorial, etc. Isso sem falar nos museus, que em Washington dizem que são espetaculares. Achei a cidade bem mais agradável do que eu esperava, mas eu acho que "ta vista". A menos que seja por outra conexão, acho difícil eu planejar uma viagem de férias para Washington. Para todo mundo que tiver uma conexão longa na cidade, recomendo demais sair do aeroporto e passear pela cidade, ainda mais se não tiver calor (ou frio) demais :)

Um gostinho de Mallorca

Quando achei uma passagem por 27 euros, ida e volta, para Mallorca, comprei sem pestanejar. Não teríamos como aproveitar muito tempo porque já tínhamos outra viagem marcada - e o budget comprometido - mas ainda assim achei válido aproveitar a oportunidade. Com as passagens já compradas comecei a pesquisar e vi que 3 dias em Mallorca é pouco. A ilha é bem maior do que eu estava esperando, e tem muita coisa pra ver e fazer. Além das praias com água absurdamente azul, Mallorca conta com diversos vilarejos charmosos, pequenas vinícolas, e regiões bem distintas. Mas se 3 dias era o que tínhamos, paciência. Pra piorar perdemos o voo, numa das presepadas mais toscas que já fizemos hahaha.. Isso fica pra um post aí sobre perrengues de viagem. Enfim, nossos 3 dias viraram 2 e meio, mas tudo bem. Voilà.
Não dá pra reclamar de nada, né?
Locomoção
Como eu disse, Mallorca é uma ilha bem grande, então a locomoção por lá pode ficar difícil sem carro. Eu li na internet, amigos recomendaram, a gente acabou optando por alugar um e foi muito acertado. As distâncias entre os lugares são grandes, e ter um carro à disposição nos deu liberdade para rodar bastante pela ilha. Retiramos nosso fofíssimo (e baratíssimo) Fiat 500 no aeroporto, e lá devolvemos. Bem fácil.

Hospedagem
Nem vou recomendar onde fiquei porque não curti muito a área. Alias, fica essa dica: Mallorca tem várias áreas, algumas mais caras, outras mais em conta, umas mais festivas, outras mais calmas, etc. A gente ficou em Magaluf, e eu achei muito british trash por lá. Muita gente bêbada gritando pela rua a noite, etc, e eu já passei dessa fase rs. Se eu voltar um dia (o que espero que aconteça), focaria em outras áreas. Das coisas que vi, gostei de Platja de Muro.

Caló des Moro
Acho que é uma das praias mais famosas de Mallorca. É realmente linda, porém pequena e por isso bem cheia. A gente foi até lá porque eu queria muito ver esse desbunde ao vivo, mas acabamos nem descendo nela, e seguimos a trilha até uma praia ao lado. Era toda de pedra, então você tinha que achar um lugar confortável pra deitar, mas beeem gostosa, água na temperatura ideal, e vista linda <3 Chegamos próximo a Caló des Moro de carro, tem estacionamento público, e depois tem que fazer uma pequena trilha, que é fácil para quem não tem problemas de locomoção. Tinha famílias fazendo com crianças numa boa. Embora tivesse um carrinho lá com coisas para vender, recomendo levar a própria água, snacks e tal. Mas é muuuuito cheia, então pra quem quiser curtir a praia efetivamente, acho que vale chegar cedo. Saindo de lá paramos em Santanyí para ver o jogo de Brasil com Mexico, e achei uma boa combinação. A vila é bem bonitinha, tem bares bons, algumas lojinhas de artesanato local, vale a parada.
Caló des Moro, bem maravilhosa

E a praia onde ficamos. Estendemos nossa canga embaixo dessas árvores e boa
Santonyí, bem gracinha
Tapas e sangria, quero mais nada da vida
Platja de Muro
Uma praia beeem comprida, mais no estilo do que estamos acostumados aqui no Brasil, com faixa de areia larga e bares e restaurantes na beirada. Uma delícia! Ela fica ainda melhor chegando pros lados de Picafort (eu nem tenho maturidade pra esse nome hahaha), quando adquire toda uma vibe vilinha, com casinhas fofas, onde se tem a impressão que locais das antigas residem.
Chegando

Por do sol mara
Valldemossa
Eu fui meio a contragosto porque estava sedenta por praia. Chegando lá, só pude enfiar o rabo no meio das pernas e agradecer Mati por ser sempre insistente comigo. Uma vila com pinta medieval no topo de uma serra, Valldemossa é uma graça. Passamos a manhã andando pelas vielas, entrando em lojinhas, tomando cafezinho, curtindo a vista. Recomendo muito, e recomendo também chegar cedo, pois lá é parada de tours maiores. Quando já estávamos nos preparando para sair, chegaram grupos de chineses e americanos. 
Valldemossa vista da estrada
Pelas ruas da vila

Fomos ainda em umas outras duas praias que não achei dignas de nota, e não conseguimos ir a outras que foram super bem recomendadas. No fim, 2, 3 dias em Mallorca é nada, a ilha requer pelo menos 5 dias. Para se ter ideia, teve dias em que no fim, contabilizamos 160 km rodados. Ou seja, gasta-se tempo na estrada e tal. Se me arrependo de ter feito uma visita relâmpago? De jeito nenhum. Me deu vontade de voltar com as amigas (que curtam muita praia, já que o digníssimo se cansa depois de poucas horinhas rs).

Com relação aos preços, claro que comparado à Suíça é tudo barato, rs. Mas não achei Mallorca cara, considerando que é um destino turístico de férias - e fomos no alto verão. A comida pode ser maravilhosa, mas também tem uns lugarzinhos pega turista rs. Comemos extremamente bem na maioria dos lugares, mas por exemplo, achamos um bar pra ver um dos jogos da copa, e a comida era de chorar de ruim rs. Agora a parte mais interessante mesmo da coisa, é que Mallorca é de fato um pedaço perdido da Alemanha haha. Eu já tinha ouvido dizer que era o último Estado, mas não imaginava que era tanto. Os alemães são apaixonados pela ilha, ocupam ela com força, e a língua é quase que o idioma oficial. Fiquei passada rs... Mas no geral, adorei Mallorca, voltarei e recomendo para quem se interessa por praia, vilas mediterrâneas e boa comida :)

Quase um ano novo

Em alguns posts por aqui falei sobre a questão do visto que eu tinha, como dificultava para eu encontrar um emprego, e as perspectivas de que em julho desse ano tudo se resolveria. Me resignei a ficar 2 anos fora do mercado e segui a vida: comecei um curso, segui curtindo a Suíça e programei férias bem longas. A idéia era ter essa questão do visto resolvida, e em algum momento do segundo semestre começar a trabalhar - e nessa vida de escritório, férias de 5 semanas acho que nunca mais rs. 

Pois bem. Lá pra maio, mesmo sem ter 100% de certeza de que o visto ía rolar, eu comecei a mandar currículos. Deixei meu CV bem redondinho no formato que aprendi que o mercado suíço gosta, comecei a caprichar muito nas cartas de motivação (que odeio, diga-se de passagem hehe), comprei umas roupas para entrevista, passava horas do dia fuçando o Linkedin, entrei no modo fight, sabe como é?! E comecei a ter um retorno bem legal. Fui chamada para algumas entrevistas, e um processo começou a engrenar. 

Nesse meio tempo fui ao Departamento de Imigração para tentar saber com mais certeza o que aconteceria no meu processo. Me mandaram na Gemeinde, a comuna. Fiquei que nem barata tonta rodando por aí e rolou muita frustração, mas sobre esse processo vou contar num post a parte. Fui ao trabalho de Mati e rodei uma pequena baianinha lá no RH. As coisas estavam em via de começar a acontecer pra mim, e tudo que eu não queria era que desse alguma merda por conta do visto. 

Quando eu estava certa de que ia fechar com uma empresa, apareceu uma outra vaga, e numa entrevista pá pum, fui com a cara da chefe, a chefe foi com a minha cara, rolou aquele match tinderesco maravilhoso, e eu, que passei dois anos desempregada choramingando pelos cantos, de repente tinha duas ofertas na mesa. 
Acabei optando pela vaga que, embora temporária e com uma remuneração inferior agora, tem mais potencial para o futuro. Foi uma aposta, e exatamente o tipo de desafio que eu sempre curti pra minha carreira. Ontem comecei a trabalhar e a vida está toda diferente. Vou para Zurich todo dia, toda fantasiada de advogada rs. Para quem saia das cama 10h da manhã e andava xexelenta o dia inteiro, já dá um impacto, né? hahaha... Além disso, rola toda uma diferença de não ter meu tempo inteiro só pra mim rs. Estou ainda pensando em como adaptar essa nova rotina às necessidades do dia a dia, mas com o tempo chego lá. Eu estava preparada para em algum momento do segundo semestre começar a trabalhar, mas nem nos meus melhores sonhos imaginei que eu sairia de férias já empregada e começaria logo depois do retorno.
Toda travestida de advogada, mas e a cara de mamona, como lidar?! hahahaha
Mas o principal mesmo foi o alívio de tirar esse grande obstáculo na frente, o tal do visto. A nossa vida aqui agora muda por uma série de coisas:
- deixamos de nos sentir temporários, deixamos de sentir como se não tivéssemos propriamente assentados aqui. Nosso visto agora é de RESIDENTE, assim somos considerados, e assim podemos nos sentir; 
- temos a segurança de que agora ficamos na Suíça. A gente já há um tempo tinha a certeza de que queríamos ficar, mas era insustentável se eu não tivesse um emprego, por questões emocionais e financeiras, claro; 
- com o visto posso dar entrada na cidadania italiana aqui, e ela saindo, ficamos atrelados a mim, e não ao trabalho de Mati. Ou seja, mais segurança para nós.

E por que "quase ano novo"? Porque eu to sentindo como se tivesse vivendo um grande recomeço. O alívio, a alegria, de conseguir esse visto foi absurdo. O trabalho nem se fala. E agora eu estou começando a viver a vida que eu sempre sonhei por aqui. É uma nova fase, e eu to celebrando como tal. Eu precisava desse rito. Sendo assim, feliz ano novo pra mim, e pra vocês!

Voltei!

Mas não é que até as férias infinitas acabam? Pois é. Minhas cinco semanas de férias ACABARAM, e eu nem me preparei para esse evento chamado volta à realidade hahaha. Foi tudo muuuuito bom, descansei bastante, curti família, cansei também - afinal de contas, pingar de canto em canto cansa, comi tudo que tinha direito (e o que nem tinha muito também), e voltei de baterias recarregadas para recomeçar. A chegada foi cansativa, com casa imunda, plantas mortas, roupas sujas e um monte de BO pra resolver, porque o mundo não para só porque a gente tá de férias, né?! Mas é isso aí... em breve venho aqui blablablar mais, contar as mudanças da vida e dar umas dicas de coisas bacanas que vimos por aí :) 

Enquanto isso, segue um resumão do que eu vi nessas cinco semanas:
Mallorca é linda assim <3
Em Minneapolis
E a belezinha que é Newport Beach, na California
Disneyland
Santa Monica
Lagoa Seca, onde meu pai nasceu, em Adamantina/SP


E SP maravilhosa, que dispensa legendas e merece duas fotos 

Meu Bom Jesus de Iguape
Na Caverna do Diabo, em Eldorado/SP

E a última conexão, em Washington DC
Não da pra reclamar, né? Acabaram, mas deixaram lembranças maravilhosas. E agora, um novo capítulo!

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