As dores da partida

Meus pais estiveram aqui pela segunda vez. Foram dez dias maravilhosos... conversamos sobre tudo, mostrei a eles alguns dos meus lugares favoritos em Berna, fomos pro Ticino e também pra Italia, eles viram a primavera explodindo por aqui, e deram sorte com dias lindos e ensolarados. Foi tudo bem gostoso. Mas foi também melancólico. 

Melancólico porque mais uma vez percebi que, ao deixar o Brasil, deixei também a convivência próxima com eles, o contato frequente, um dia a dia que, mesmo distante, é mais perto, e que nos matem acostumados uns com os outros. Além disso, meus pais não são muito jovens, alias, já passam dos setenta. E com a idade, vem manias, teimosias, que talvez sempre estivessem lá, mas que eu nunca me dei conta. Me peguei em vários momentos irritada com besteiras, os criticando por coisas que eu nunca tinha dado atenção, e indo dormir todos os dias mortificada por culpa de não ser uma filha melhor.

São coisas que talvez, se eu ainda vivesse no Brasil, sentiria também. Mas que por não viver, ficam martelando culpa na minha cabeça. Uma culpa que nunca imaginei sentir. Culpa por estar longe, por ter escolhido viver distante, por ser feliz aqui tão longe, por não ser mais presente, e por ter me tornado tão diferente. Por ficara querendo que eles sejam milimetricamente igual à imagem que eu tenho na minha cabeça, por não dar a eles a folga que eu pedi a vida inteira.

De todas as dificuldades de morar fora, essa é a mais difícil. Porque todo o resto é sobre minha minha vida e minha felicidade. Mas essa é também sobre a deles. E apesar de todas as implicâncias, dos cutucões e das diferenças, o que eu tenho de mais forte e profundo dentro de mim, é o amor por eles. Sentir que, ao colocar um oceano entre nós, deixei com que tantas outras coisas entrassem no caminho, é difícil pra mim. No fim, acho que a gente sempre espera que, na relação de pais e filhos, os culpados por tudo sejam eles. Ao me pegar tão culpada por tudo, senti mais que nunca a responsabilidade pelas escolhas que fiz. E tal qual a criança que sempre serei aos olhos deles, não sei lidar com ela. 

TAG - Personalidade

A Ana me indicou pra responder uma TAG, e eu adoro TAG, estilinho caderno de perguntas. Além de tudo, não ando com muita inspiração pra escrever, então é um ótimo jeito de dar movimento nesse blog caído. Voilà.

1. Qual o motivo da tua maior alegria, actualmente? Dias ensolarados. E meus pais, que chegam amanhã <3

2. Qual o motivo da tua maior ansiedade, actualmente? Trabalho, trabalho, trabalho. Eu não sei brincar... Começo a gostar de um emprego e deixo ele dorminar minha vida, meus sonhos de noite, meu estômago, tudo.

3. Como lidas com as criticas? Gostaaaaaar assim, a gente não gosta. Mas tento sempre refletir e ver se faz algum sentido. 

4. Cita duas pessoas que tu ames muito. Tem quatro que eu queria falar. Como manda falar só duas, não vou falar nenhuma hahaha

5. Cita um defeito teu. Ansiosa, impaciente.

6. Cita uma qualidade tua. Lealdade

7. Poucos amigos ou muitos amigos. Tenho bastante amigos.

8. que te faz sentir raiva de verdade. Gente malvada. Ver a maldade tomando forma ali, de propósito.

9. Doce ou salgado? Primeiro salgado e depois doce e depois salgado e depois doce

10. Vingança ou meditação. Tenho preguiça das duas coisas, mas acho que seria mais fácil eu me vingar que meditar hahaha

11. Conta algo obscuro sobre a tua personalidade.  Eu tento fingir que não sou azeda, mas ai vou guardando o azedume, e a hora que ele explode, Mel Dels. Sai de baixo. 

12. Relembre uma surpresa boa que te fizeram. Minha despedida de solteira

13. Esta semana estarias grata pelo quê? Por ter a oportunidade de receber meus pais em casa, mais uma vez. 

14. Um medo que assombra a tua vida... morte, acidente, desgraça. 

15. Tens algum vicio? açúcar e internet

16. Fazes coleção de alguma coisa? Não

17. És sonhadora ou vives apenas o momento? As duas coisas. Adoro ficar viajando na maionese, porém não me descolo da realidade.

18. És calma ou nervosa? hahaha pergunta pro povo que me atura.. vão dizer que sou calmíssima rs.
Meu espírito animal rs
19. Coisas que mudarias na tua personalidade? Mais paciência, com os outros, comigo, com a vida

20. Marca 5 pessoas que gostarias que respondessem a esta TaG: 
Quem queira responder  :)

E la nave va

Já contei aqui um monte de merda que acontece comigo rs... Contei do roubo do carro na primeira semana, do roubo do apartamento na segunda semana na casa nova. Já contei que fui comprar uma lasanha congelada no mercado e voltei com 4 pontos na perna. E tem um monte de coisinhas que vão acontecendo e eu sempre penso "tinha que ser comigo, né...". E toda vez tem alguém pra me chamar de azarada. E toda vez eu fico meio contrariada.

Amanhã eu faço 33 anos, e nessa minha curta existência, eu nasci numa família estruturada, que me deu muito amor e possibilidades. Fiz amigas maravilhosas em todas as fases da minha vida, e mantenho o laço com muitas delas até hoje. Fui bem privilegiada, apesar de só ter me dado conta disso há poucos anos. Mas sim, pude me dedicar aos estudos sem trabalhar, frequentar uma boa faculdade, aprender línguas, fazer um intercâmbio. Tive um irmão que conheceu uma menina numa rave, e ela me indicou pra uma vaga de estágio que abriu, direta ou indiretamente, todas as portas da minha carreira. Fui num Lolapalooza, e naquele mar de gente se achando e mal vestida, encontrei o amor da minha vida e casei com ele.

Entre uma coisa e outra rolou um cóccix quebrado, um assalto a mão armada, um coração partido. Mas azarada? Eu diria que não. Sei que tive sorte em muitos momentos da minha vida, mas em todos os outros tinha eu e minha vontade de ser feliz, ou mais ainda, minha falta de paciência pra ficar pra baixo. Eu sempre tive meus momentos de chorar, descabelar, desopilar, e pronto... bola pra frente. Porque é isso, eu gosto de estar tranquila, sem drama, sem estresse, de viver despreocupada. Felicidade pra mim é isso, é poder viver sem complicação. E acho que posso dizer que, no momento, vivo uma vida bem descomplicada. Estou feliz. Então, parabéns pra mim.

E segue o baile.

Mobility: carro compartilhado na Suíça

Desde que chegamos aqui a gente sempre reparou nos carros vermelhinhos espalhados por Berna. Eles estão por todos os lugares. Mobility é uma cooperativa para compartilhamento de carros e para utiliza-los você pode se tornar um cooperado, pagando uma anuidade, ou pagar somente quando quiser usar. O custo de um aluguel varia com o tempo que você fica com o carro, e com a quilometragem usada. Se você for cooperado, tempo/quilometragem são mais baratos. Eles estão pela Suíça inteira, ouso dizer que por tudo que é bairro das cidades maiores. Os carros são dos mais diversos tamanhos: tem mini, tem compacto, tem perua, tem van, etc. Você escolhe de acordo com a necessidade do dia. A gente não tem carro aqui, e ter a possibildiade do Mobility também nos ajudou a relaxar nesse sentido. A gente quase nunca precisa de carro, mas se precisar, é só recorrer a um vermelhinho (isso no caso de pequenas distâncias, necessidades e passeios curtos. Se a ideia é ir mais longe, ou passar alguns dias, o ideal é fazer aluguel normal mesmo). Como sei que o compartilhamento de carro é uma tendência mundo agora, achei legal vir falar do Mobility e saber como que é em outros lugares. Voilà. 

Registro
O registro é feito através do site. Primeiramente você precisa decidir o que vale mais a pena pra você, ser cooperado com taxa anual (pra quem pretende usar o carro com mais frequencia) ou o Click&Drive, que é pra não cooperado, sem taxa e com um valor de aluguel um pouco mais alto. O requerimento básico é ter carta de motorista suíça (sim, turista não usa Mobility rs). Você faz o registro com seus dados pessoais, e anexa a frente e o verso da carta de motorista. Em menos de 1 hora recebi a aprovação do registro, e tava feito. 

Reserva
Através do app da Mobility é possível gerenciar tudo. Ta precisando de um carro? Entra lá, e é possível ver os carros perto de você, ou ainda escolher o tipo de carro que você precisa (tipo um van pra ir na Ikea) e ver onde tem um mais próximo. Então você coloca suas datas, estima o tempo que vai ficar com o carro, e pronto, ta feita a reserva. 

Retirada 
Não sei bem quais as outras possibilidades, mas eu atrelei o Mobility ao meu Swiss Pass, que é o cartão de transporte suíço. Então você vai até o carro reservado, e abre ele colocando o seu Swiss Pass no para-brisa, onde eles indicam. O carro abre automaticamente, e pronto, só sair dirigindo rs. 

Uso
Das grandes vantagens do Mobility: você ta automaticamente segurado, e também não precisa pagar combustível, é só ir num posto Shell credenciado (quase todos que eu vejo, são) e abastacer. Quando você para nos lugares, você tranca e reabre o carro com o Swiss Pass no pára-brisa, super prático.

Devolução
A devolução deve ser feita no mesmo lugar da retirada, e isso as vezes pode ser meio saco. Mas no geral, quem usa retira perto de casa, e devolve também, então ok. Se você quiser devolver mais cedo do que colocou na reserva, é possível no app terminar seu aluguel antecipadamente (e assim economizar uns dinheirinhos). Tem lá a opção Terminate. Se você se atrasou e vai precisar demorar mais, entra lá e arruma o horário de aluguel também fazendo uma alteração na sua reserva. Se tiver alguém agendado pra usar o carro logo depois de você, não é possível fazer alteração, e as multas de atraso são bem caras. Mas se não tiver, eles aceitam a alteração automaticamente.  

Pagamento
Você escolhe o modo de pagamento quando está fazendo seu registro. Tem opção cartão de crédito, smart pay e boleto. Eu, boa brasileirinha que sou, sou chegada num boleto hahaha. 

Acho que no geral, o uso do Mobility é bem simples. No site deles também é possível fazer um cálculo de qualto vai custar o seu aluguel, e aí você pode calcular direitinho e ver o que vale mais a pena. Ah... e falando em mobility, a Suíça ta cheia de shared bike, shared patinete. A hora que usar eu venho aqui contar :)

Esquiando nosTrois Vallées, França

Assim que assinei o contrato de 6 meses de trabalho em julho do ano passado, eu já agendei férias para quando o contrato acabasse rs. O fim do meu contrato coincidia com as férias escolares de Mati (aqui na Suíça, e acho que na Europa em geral, as escolas tem um break em fevereiro). Férias de esqui são caras, e tem que ser planejadas com antecedência, então mesmo em julho eu não consegui achar acomodações baratíssimas. O que quero dizer com isso é que, pra quem ta pensando em tirar um break desse ano que vem, jajá é hora de começar a se planejar. 

Na época escolhi a região dos Três Vales - Courchevel, a prima ryca e famosa, Meribel, onde ficamos, e Val Thorens, porque li bastante sobre, e vi que era a maior área de esqui do mundo (600km de pistas no total), com slopes de todos os níveis. Por mais que eu esquie com alguma frequência no inverno aqui, meu nível ainda não é maravilhoso não, e eu prefiro ficar nas pistas azuis (para efeito informativo, o nível das pistas, do mais fácil para o mais difícil, é verde < azul < vermelha < preta). Aqui na Suíça não existe pista verde, os resorts tem pistas azuis, mas tem mais pistas vermelhas, o que dificulta pra mim. Lá na região é possível ir de uma vila pra outra só esquiando por pistas azuis, e esquiar vários dias sem sequer repetir. Ideal. Além de tudo, a viagem de carro aqui de Berna dura mais ou menos 4 horas somente, dependendo do trânsito. A título de informação, o aeroporto mais próximo é o de Genebra, de onde é possível pegar transfers etc. Mas nós alugamos um carro mesmo, e fomos. 

Eu escolhi Meribel por ser o vale do meio, e menos badalado - e caro - que os outros. Achei a escolha acertadíssima, porque a vila é bem fofinha, e sem afetação. No dia que fomos esquiando até Courchevel, já fiquei meio passada com a montação da galera, tanto pra esquiar quanto pra flanar rs. Em Meribel o esquema é mais pé no chão, todo mundo numa pegada mais esportiva mesmo. Por lá os dias começam cedo, todo mundo indo pros lifts por volta das 9h, passando o dia subindo e descendo montanha, tomando uma cervejinha entre uma coisa e outra, curtindo um après ski (a baladinha no fim do dia) e caindo morto na cama no máximo as 10 da noite rs. Claro que pra quem quiser tem balada, mas nem preciso dizer que não chegamos perto haha. 
Fim do dia e nós voltando para Meribel, essa vila embaixo do morro
Pelas ruas de Meribel
Comemos muito bem, em restaurantes pra todos os bolsos. Alguns dias um esquema mais budget, outros normal, e na nossa última noite, um jantar francês bem chique. Meribel tem um pouquinho de tudo. Bebemos muito bem também rs... Quase todos os dias, chegando no hotel, a gente ia ao mercado, comprava umas garrafas de vinho francês, e bebíamos na varanda. Olha que belezinha de fim de dia? 
Ficamos num hotel beeeeem budget, digamos que um patamar acima de hostel, e ele era muito bem localizado, com um bar e restaurante ótimo, mas MUITO barulhento. O vizinhos falavam dentro do quarto deles e eu achava que tinham entrado no nosso quarto. Barulho da rua também, dava pra ouvir tudo. Pra melhorar, eles fizeram algumas baladinhas no bar alguns dias, e não teve plug auricular que desse jeito. Enfim, para o esquema budget que estávamos, em que a outra opção era não viajar rs, recomendo. Mas espero numa próxima poder ficar num lugar com mais paz haha. O nome é La Taverna. Mas sem dúvidas, se voltar a Meribel, voltarei para comer no restaurante deles, comida excelente com precinho justo. 

Mas nós fomos pra esquiar, e nesse quesito foi tudo sucesso. Pegamos dias ensolarados maravilhosos, e a região é um baita acerto. Tem, realmente, muita pista para iniciante e intermediários. Assim, MUITA. Claro que tem também muita gente, mas é tanta pista, que as vezes a gente se pegava sozinho no meio do nada. Passamos 5 dias lá, e esquiamos 4 (um dia fizemos uma pausa porque as dores estavam osso rs), e repetimos pouquíssimas pistas. É possível passar dias por lá só vendo paisagens novas, pingando de vilinha em vilinha. Fomos para Courchevel, St. Martin, Mottaret, etc. Também dá pra ir atrás dos bares animadíssimos pelas montanhas. 
Cap Horn, um dos bares badalados em Courchevel
La Folie Douce, a balada mais cafona e divertida rs
Enfim, eu já falei bastante de esqui pela Suíça, mas se eu pudesse recomendar um lugar pra quem quer aprender a esquiar e curtir, eu recomendaria a região do Trois Vallées com força. Apesar de ainda ser cara (ainda estamos falando dos Alpes franceses, rs), é beeeem mais barato do que na Suíça, e tem muito mais opção de pistas. E pra coroar, a região de Savoya, onde ficam os vales, é também famosa por seus queijos, e por lá da pra comer fondue, raclette, e muita coisa maravilhosa. Se endividar em francos pra que?! 

Eine Pause für das reale Leben

Há 10 dias eu vim aqui toda felizona contar como a vida ia ficando cada vez melhor. E assim foi, sábado de manhã fomos de férias para a França. E o que aconteceu na nossa segunda noite por lá? Um filha da puta resolveu arrombar a porta da minha casa e roubar meu apartamento. Pois é. Na Suíça, é mole?! E se em 2015 eu tive que fazer uma pausa para a vida real, em terras germânicas eu precisei de eine Pause für das reale Leben rs. 

Na segunda-feira pela manhã acordei com uma ligação da Polícia. Quando o policial se identificou, eu meio desorientada de sono, tendo que falar em alemão, só pensava "puta merda, o que será que a gente fez de errado". Até que ele desembuchou, falou tudo, e me caiu a ficha... nosso apartamento novinho, para onde tínhamos nos mudado há 15 dias somente, tinha sido arrombado e saqueado. Eu sou bem prática nessas horas, entro em modo automático, e resolvo tudo que tenho pra resolver. Em meia hora tinha resolvido com a polícia como trancar a porta para manter o apartamento seguro até o nosso retorno, avisado a seguradora, a administradora do prédio, informado meu trabalho que levaram o laptop, o trabalho de Mati. Fomos tomar café da manhã, e resolvemos fingir demência e sair esquiando, rs. Foi só umas 12 horas depois que caiu a minha ficha que alguém tinha estado, maliciosamente, dentro da nossa casa, tocando nas nossas coisas, e então eu desabei a chorar. 

Mas é isso. Não tem sonho, não tem vida perfeita, não tem felicidade que dure muito. A realidade sempre tem que bater na porta e te mostrar que o mundo é bem escroto. E que se rodear de amor, de pessoas queridas, de gente que te cuida, é o que nos resta, para viver em sanidade e enfrentar esses momentos de merda.

Chegamos em casa sexta-feira, fomos à Polícia. Eu já tinha ouvido dizer que em Berna tem dois crimes: roubo de bicicleta e de apartamentos quando ninguém está dentro. A Polícia confirmou que é isso mesmo, que acontece muito, e ainda mais no bairro onde nos mudamos, onde tem muito estudante que volta pra casa de fim de semana. E nesses cinco dias entre recebermos a má notícia e chegarmos em casa, a gente especulou muito o que teria sido roubado (além dos computadores que a polícia já tinha confirmado que não estavam aqui). Eu me preparei para chegar aqui e me deparar com araras vazias, rs. E no fim, acabou que levaram menos coisas do que a gente esperava. Tivemos algumas perdas que serão reparadas pelo seguro, e algumas coisas que são insubstituíveis, com muito valor afetivo. 

O pior mesmo foi a invasão de privacidade, a sensação de que nossa casa não é segura. É um sentimento que me acompanhou aqui nos meus primeiros meses de Suíça, porque em SP tínhamos porteiro, câmeras, um monte de coisa que passa uma falsa sensação de segurança. Cheguei aqui e fiquei me sentindo muito vulnerável numa casa sem portaria, rs. Mas aí depois de um tempo passou. E agora voltou com força. Porém eu quero achar que foi um grande azar e que essa sensação vai passar. Realidade, por favor, seja gentil. 

A colheita

Se por um lado parece que foi ontem que eu estava em êxtase por voltar a trabalhar, por outro parece que couberam 6 anos nesses 6 meses. Por questões estratégicas, por feeling, por um monte de coisas que eu poderia contar outra hora em outro post, optei por aceitar a vaga temporária de estagiária que me ofereceram, mesmo tendo uma oferta de emprego permanente e bem remunerado na outra mão. Eu sempre tomei decisões estratégicas na minha carreira, decisões que algumas pessoas não compreendiam muito, mas que pra mim faziam sentido no longo prazo. Não foi diferente dessa vez.

Só que pra um estágio fazer sentido nessas alturas da vida, eu tinha que fazer ele render muito. Eu tinha que me mostrar muito, mostrar tudo que aprendi nessa vida, e que eu era uma estagiária "diferenciada". Depois daquela primeira semana que é sempre meio marasmo, eu comecei a me jogar de cabeça no trabalho. Me enfiar em tudo que é reunião, puxar qualquer coisa pra mim, botando a cara no sol rs... Acabei ganhando um projeto de presente, e aos poucos fui criando meu espacinho. Comecei a mostrar para as chefes (sim, ainda tem isso, entrei numa equipe feminina muito incrível :) que eu conseguia fazer muita diferença. E começou a dar certo.

Terça-feira encerrei meu estágio com um contrato de especialista assinado :) Ainda não é uma vaga permanente de emprego, mas um contrato atrelado ao projeto que estou liderando, até dezembro. Se tudo correr como previsto, e o projeto decolar, a gente vê como fica depois. Mas eu estou com um orgulho que não cabe em mim. Por ter seguido minha intuição mais uma vez (e num ambiente tão desfavorável, vamos combinar), por ter conseguido provar meu valor, por estar de volta com tudo nesse mundo corporativo do qual tanto falo mal mas ao qual sou bem apegada rs. Some-se tudo isso que eu estou curtindo muito a empresa, sou liderada por mulheres inspiradoras, aprendo muito, conheço muita gente interessante. 

E por fim, mas não sou hipócrita de dizer que é menos importante: financeiramente entramos numa nova fase aqui. Não que a gente vá ficar rico, porque eu ainda sou empregada, não a dona da empresa hahaha, mas vamos ter um respiro. Nos dois anos em que não trabalhei nos descapitalizamos muito. A Suíça é cara, nós temos Baby que mora em outro país, e tínhamos economias em Reais. A gente não sabia desse problema do visto quando viemos (uma cortesia do RH do emprego de Mati, que nos informou incorretamente), e estávamos preparados para uma eventual demora para eu encontrar emprego, mas pensávamos em coisa entre 6 meses e um ano, mas não dois anos sem poder nem procurar. Eu encontrar um emprego o quanto antes (depois da novela do visto) era imperativo para continuarmos na Suíça. Tínhamos alguns planos B, C, etc, que ao invés de dar conforto, me tiravam o sono à noite. A verdade é que eu gosto muito, mas muito mesmo, de morar aqui e sair desse país sem ao menos ter tido a oportunidade de experimentar o mercado de trabalho era um cenário que me deixava deprimida. E ainda que o estágio não me pagasse um baita salário, ele já possibilitou que a gente refizesse um pouquinho as nossas economias. E agora, voltando a exercer um cargo de profissional graduada, a gente meio que entra numa "vida normal", como seria no Brasil, ou em qualquer outro lugar em que estivéssemos. 

Entre um contrato e outro eu pedi férias. Va lá que são não remuneradas rs, porque um contrato terminou e o outro não começou. Mas tudo bem. Passei os últimos dias dando um tapa na casa nova, que ta uma ligeira bagunça rs, e sábado vamos para uma semana de férias nas montanhas. Na volta eu ainda tenho um tempo para curtir minha Berna, relembrar meus dias de absoluta folga por essa cidade (dos quais, não nego, sinto certa saudade, porque o ser humano é um bicho complicado mesmo), tomar todos os cafés com minhas amigas, para retornar ao trabalho zerada. O futuro, ele chegou :)

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