A nova vida que Junho me trouxe

Dia 30 de maio chegamos em Zurich com mala e cuia, mais 55 caixas e todos os móveis. Foi um dos dias mais cansativos de que tenho memória, e que me fez pensar que eu não mudo tão cedo desse apartamento simplesmente porque não tenho saúde pra isso. Os primeiros dias do mês foram de adaptação contínua: estamos num bairro super gostoso, mas badalado rs. Badalado o suficiente pra eu, caipira de Berna, ter passado meus primeiros dias meio overwhelmed, e questionando a nossa "escolha". Com muitas aspas, porque não foi bem uma escolha, foi o apartamento que a gente conseguiu, nesse mercado imobiliário doido que é Zurich. 

Passamos os primeiros dias arrumando a casa, deixando tudo com cara de lar, mesmo que com muitos ajustes. Eu não consigo sossegar enquanto não tiver o mínimo de organização em volta de mim. O caos e a bagunça me tiram do centro, e então em coisa de 3 dias, a nossa casa já estava bem organizadinha, e toda a bagunça restante devidamente escondida no quarto de visitas com a porta fechada rs. 

Também começamos a dar umas voltas e explorar Zurich como moradores. Eu conheço um pouquinho mais a cidade, por estar vindo aqui diariamente há quase dois anos, mas Mati conhecia bem pouco. Então passamos alguns dias caminhando pelo nosso bairro, e dando uns roles de bike, o tipo de coisa que a gente adora. Fizemos várias rotas por lugares que nenhum de nós conhecia, e tivemos aquele feeling de descobrir a cidade juntos. O verão chegando trouxe dias lindos propícios pra isso, inclusive.

O lago de Zurich num fim do dia em Kusnacht, na costa dourada 

Diversão no Limmat com a cidade antiga ao fundo

E por aqui também tem diversão na bóia

E então, dia 22, acordamos bem cedinho e fomos até a fronteira com a Áustria buscar o novo integrante da família, que veio sendo planejado há anos. Junho trouxe também Carlito, o cachorro mais fofo e amoroso que se tem notícias rs. Em um post separado eu vou contar sobre o processo de adoção por aqui. Mas já adianto que apesar da fofisse, nem tudo são rosas, e confesso que nunca ninguém me avisou que poderia rolar um puerpério canino rs... só que rolou. De qualquer forma, por ora vamos superando tudo. 

E foi assim que Junho de 2020 foi um mês de grandes mudanças: novo normal com tudo, cidade nova, casa nova, e um novo habitante. Terminei o mês na melancolia de uma crise existencial, que também explorarei mais pra frente, quando eu mesma tiver plena claridade do que tem passado na minha cabeça e acontecido no meu corpo. 2020, o ano das dificuldades inesperadas. 

Que julho traga sol, calor, amor e paz, porque eu to precisando. 

Maio e o "novo normal"

Maio foi um mês bem especial. Enquanto o corona seguia assombrando boa parte do mundo, a vida começou a retomar alguma normalidade aqui na Suíça. O mês começou com uma pequena abertura para salões e lojas de diy, e terminou com bares, restaurantes e parques abertos ao público. Se a princípio eu fiquei meio ressabiada, no final eu já tava bem a vontade rs... Fomos em vários restaurantes, e aproveitamos ai vinte dias pra nos despedir de Berna. Enquanto a gente ia se entendendo com os dilemas de 2020 - encontrar ou não amigos? Precisa vestir máscara? Ir ou não ir no bar? - uma primavera linda ia florescendo na Suíça. 
Primeira escapada em semanas
Nas despedidas de Bern, conhecendo Schwellenmätteli, um restaurante na beira da água

Ainda no clima de mudança, resolvemos fazer um passeio pela região do Jura, uma área que é mais próxima de Berna, mas já na fronteira com a França. O destino foi Le Locle e La Chaux de Fonds, as duas cidades que, juntas, são a sede da famosa relojoaria suíça. A gente sabia que não tem muito o que fazer por lá, e que depois de mudados, teríamos dificilmente motivo para dirigir mais de 2 horas até lá. E realmente... Além de passar pelos prédios de marcas famosas, como Rolex, Tag Heuer, Tissot, Cartier, etc, não tem muito o que fazer. Le Locle, a 8 quilômetros da França, é especialmente sem graça, rs.. La Chaux de Fonds ainda tem um centro antigo bonitinho. O ponto turístico da região, um mirante sobre o rio Doubs, a divisa entre a Suíça e a França, estava fechado por conta da pandemia. Então pra gente sobrou comer um kebab na praça, pensar nos relógios que nunca compraremos, e dirigir pra casa. Mas no caminho tinha Neuchatel, e de lá eu gosto muito. Pra completar, estava ensolarado. Resumindo, paramos por lá e curtimos um fim de tarde maravilhoso na beira do lago. 
As casinhas coloridas na beira do lago em Neuchatel
Fazendo jus a blogueirisse rs

Maio é também o mês dos feriados: aqui na Suíça é celebrada a ascenção de Cristo e o Pentecostes, feriados do calendário cristão, que variam conforme carnaval e Páscoa. E com esses feriados veio a lembrança dos planos que a pandemia não concretizou: iríamos dirigir até Nice e passar um feriado no Riviera Francesa. Mas não aconteceu, e resolvemos fazer acontecer por aqui mesmo. Durante o feriado teve picnic na beira do rio, teve encontro - a distancia - com amigos queridos, e demos uma volta de bike em que bati meu novo recorde: 29 quilômetros, vendo Berna quase que de cabo a rabo rs. Foi bonito terminar nosso último fim de semana em Berna sentados na varanda do Sternen, o hotel em que ficamos por uma semana na nossa chegada. 
Pedalando brom Bremgarten bei Bern

E pelos campos de Sttetlen

Na beira do Aare

<3

E foi assim, com uma vibe lá em cima, num clima de verão, de vida recomeçando, de esperança pela luz no fim do túnel, que a gente encerrou esse capítulo da vida na Suíça. Berna, valeu, foi bom, adeus :) 

Mais de Bern

To bem sem assunto, pra falar a verdade. Estamos aqui preparando a mudança para o próximo fim de semana, tenho trabalhado bastante e tivemos um feriado no meio do caminho. Apesar da vida aos poucos ir se encaminhando para a "normalidade", não tem muito o que contar por aqui. E foi assim que eu resolvi fazer meu tributo final a essa cidade que vai ser sempre tão importante na minha história. Selecionei algumas das minhas fotos favoritas nesses anos, e deixo aqui, uma declaração definitiva do meu amor e gratidão por Bern. 

A piscina de Munsingen, e uma das minhas primeiras imagens do verão Suíço

Os telhados mágicos de Bern e a Munster

A vista mais bonita da cidade, diretamente do terraço do Parlamento

Food Festival na Grosse Schanze, um dos meus programas favoritos

Bern diretamente do Rosengarten, de tirar o fôlego nas quatro estações do ano

Old town, onde eu deixo um pedacinho do meu coração

Quase quatro anos depois...

... eu resolvi olhar esse post aqui, meu primeiro sobre a minha então vida de recém chegada na Suíça, e em Bern. Eu estou entrando num momento bem nostálgico, que é deixar nossa vida em Bern pra trás. Tanta coisa mudou desde que chegamos aqui, e acho que é bem interessante olhar o que eu achava quando estava aqui há somente uma semana. Vamos lá!

- as pessoas misturam as línguas
Misturam médio. Na verdade, o suíço alemão rouba muitas palavras do francês, mas na época eu não sabia (e nem notava algumas diferenças), então fiquei achando que era uma mega mistureba. Por exemplo, eles falam Saliiiii (bem cantado) quando encontram alguém. É claro que é uma referência ao Salut francês, mas é diferente. Mesma coisa o adieu, que eu mencionei no texto da época. É na verdade ade. Tem várias palavras aqui que são usadas em francês: poulet pra frango (Hähnchen em alemão da Alemanha), velo pra bicicleta (Fahrrad), spital para hospital (Krakenhaus), etc. Agora o italiano, embora seja língua oficial no país, só aparece mesmo pro ciao haha. 

- o transporte de uma cidade tão pequena é maravilhoso
É mesmo. Não tenho um pingo pra criticar. O transporte de Bern é incrível, super conectado, pontual, capilar, chega em qualquer lugar. Aos finais de semana tem o Moonliner, que é o transporte noturno. A estação de trem é uma das principais do país, então tem trem para todo canto, muitas conexões, e é tudo prático. Não sei se comentei, mas no verão passado compramos um carro, para fazer viagens, principalmente pra fora do país. E até começar a crise do corona, realmente só usamos o carro pra isso. Aqui em Bern o carro nunca foi uma necessidade, tirando ir na Ikea rs (mas até lá você chega de transporte tranquilamente). 
Os charmosos trams de Bern

- bikes everywhere 
Mais uma percepção verdadeira. A galera de Bern pedala muito, ainda mais se considerar que metade da cidade é pirambeira rs. No inverno claro que as bikes reduzem, mas ainda assim, tem bastante. A grande diferença mesmo se vê em dias de chuva ou neve, é quando tem menos bike na rua. O frio não assusta os berninos (?!?!), mas a água é outra história rs. Claro que tem gente que se aventura na água, mas é bem menos. E claro que Bern não se compara com Amsterdam ou Copenhagen, mas de novo... essas cidades são flat né? 

- Suíços simpáticos no verão 
Mais uma meia verdade. A real é que embora no verão a Europa inteira fique mais feliz, como eu vim a aprender, o bernino (adotei a denominação rs) é simpático o ano inteiro. As pessoas aqui dão bom dia para desconhecidos no mercado, no transporte, nas trilhas, em qualquer lugar. Não, eles não querem ser seu amigo, e não querem nada mais do que isso: ser simpático, ser agradável, ser educado. Algumas semanas depois que escrevi aquele post, eu comprei um livro chamado Swiss Watching, escrito por um inglês morando em Bern há anos, e ele falava disso, como o povo aqui era mais simpático do que os suíços em média. E é uma verdade que não se aplica só no verão. 
Simpáticos e aglomerados num verão pré corona

- o interior é logo ali
BEM verdade. Inclusive eu falei de Worb, mas não precisa ir nem 25 minutos do centro pra achar roça e cheiro de merda de vaca rs. Quandoa  gente morava a 10 minutos do centro de Berna, tinha pasto e vaca quase do lado de casa. Hoje eu vivo no centro da cidade, mas o cheirão de bosta bate forte aqui de vez em quando rs... 
Pedalando e no meio do mato, mas a 10 minutos do centro

- a cidade e o país são caros 
Continua sendo verdade, mas minha perspectiva mudou um pouco. A Suíça é um país sabidamente caro, isso é indiscutível. Mas os salários aqui são muito bons. Acredito que em qualquer lugar do mundo, é difícil para duas pessoas viverem bem com um salário, a menos que tenha riqueza, herança, ou salários extraordinários envolvidos. Aqui não é diferente. Acho que quando se chega na Suíça com padrões de qualquer outro lugar do mundo, fica difícil não se assustar com os preços. Mas é o mesmo com remuneração: a princípio, você cai pra trás com qualquer oferta de salário. Porque no fim, é isso, um país que paga bem e por isso cobra mais. Claro que para quem ta vindo fazer turismo, pra quem não ganha salário daqui, é uma paulada. E isso vai ser assim... mas como residente, eu passei a aceitar esse custo. Inclusive, passei a consumir mais aqui (antes eu consumia muito mais em nossas viagens ao EUA), porque entendo que eu só recebo o salário que recebo, para girar essa economia aqui, que cobra esses preços. Inclusive, passei a observar que, proporcionalmente, minha vida era mais cara no Brasil. Me acompanhem aqui no raciocínio: imagine que você ganha 2.500 reais. Uma blusinha na Zara custa entre 100 e 250 reais. Agora aqui, imagine que você ganha 2.500 francos. Uma blusinha na Zara custa entre 40 e 80 francos (eu poderia ir além e falar de restaurante, de aluguel, e de tudo mais, porque essa conta se aplica. Mas fiquei com brusinha da Zara porque é meu tipo de moeda rs). Uma outra questão é que com o tempo você aprende a consumir melhor: hoje a gente conhece sites de coisas usadas que vendem bicicletas (pra ficar no exemplo que dei em 2016) por valores muito menores do que pagamos na época, aprendemos onde é mais fácil achar coisa em conta, etc.

Uma coisa que aprendi a valorizar: lojas de segunda mão 

- os restaurantes são ruins
Retiro parcialmente o que disse. Realmente, não se acha comida boa em cada esquina, como em São Paulo por exemplo, rs. Mas quando você aprende a navegar a cidade (e ganha uns dinheiros também rs), começa a ficar mais fácil achar coisas boas. Começamos a achar restaurantes mais escondidos, fora do centro, e fora das rotas convencionais, e lugares com comida boa. Acho também que a nossa régua baixou, não nego, principalmente porque gostamos do social, e resolvemos não desistir diante das primeiras decepções. Mas a verdade é: a maioria dos bons restaurantes são comandados por imigrantes: libanês, tailandês, tamil, etíope, etc. Tem sim lugares de comida boa, inclusive eu achei uma MOQUECA (cara, claro) em Bern e fiquei feliz de comê-la. 

- confiança e segurança
Bern segue sendo o lugar mais seguro onde já morei, mas é claro que o fato da minha casa ter sido saqueada quebrou um pouco da magia suíça rs. Eu sigo achando o máximo você, numa capital de país, poder pendurar a conta, falar que volta depois, não registrar coisas em formulário. A confiança vale muito e eu estava certinha quando cheguei. Se hoje eu deixaria uma chave esperando debaixo do tapete? Nem a pau. Sei que fomos azarados... conheço gente que mora em Bern há 7 anos e nunca trancou a casa. Mas pra mim, esse navio partiu rs... 

Tenho lido meus posts do primeiro ano de Suíça, e achado tudo bem fofo rs. Eu estava muito encantada com tudo aqui, mas hoje vejo que também bem realista. Eu sinto que talvez tivesse sido até mais feliz se tivesse me deslumbrado mais rs. Acho bacana perceber que quase todas as minhas percepções, na primeira semana, eram reais, e eu estava tão atenta a minha volta. Não sei quantos anos mais estaremos pela Suíça, mas acho que vai ser sempre gostoso reler as aventuras do começo. E dos recomeços :) 

O que passou, e o que temos pela frente

Abril foi um mês bem estranho. Talvez o mais estranho da minha vida. Em março por quase metade do mês ainda estávamos sem saber do tamanho do buraco em que se enfiou a humanidade rs. Mas abril... parece até que coube um ano dentro de um mês. Além de passar por todos os estágios do luto pelo mundo como ele foi um dia, eu fiz aniversário, nós dirigimos de carro Suíça afora, curtimos muito nossa casa que amamos tanto, eu trabalhei que nem uma doida, e senti saudade da vida normal como a conhecíamos. Mas em momento algum deixei de me sentir grata por, nesse momento tão difícil, ter saúde, ter emprego, ter uma casa aconchegante pra morar, estar num país onde foi possível manter alguma liberdade, e mais do que nunca, reconheci meus privilégios. Abril foi um mês que talvez tenha me mudado pra sempre... 
Churrasco de aniversário na varanda
E aquela festinha online maravilhosa!
Fim do dia no lago de Biel
E sábado de Páscoa fazendo social distancing no Lago de Genebra, em Nyon
A fofíssima Solothurn
E as coisas lindas do bairro que vai deixar muita saudade

Mas eis que maio chegou e junto com ele, a proximidade cada vez maior do tal "new normal". O governo suíço começou o plano de reabertura gradual, e no dia 11 de maio muitas coisas vão abrir, inclusive restaurantes, museus, etc. Tudo, claro, com regras de higiene e distanciamento. Na empresa em que trabalho, no entanto, eles não estão com pressa para voltar ao escritório, e não há previsão de voltarmos pelo menos até julho. Apesar de sentir saudades do contato humano, das interações e tal, agora que me adaptei BEM adaptada a trabalhar de casa todos os dias, não to com pressa também. 

Estou amando viver minha casa linda em sua plenitude, e ainda mais, poder pedalar e curtir Berna na luz do dia, sem ter que gastar horas do meu dia em transporte, e aos poucos, ir me despedindo dessa cidade que foi nossa primeira morada na Suíça, e que nos acolheu tão bem. Mais do que isso: Berna me fez viver a vida suíça com muito mais intensidade, e sem dúvidas, me integrei muito mais ao país por estar vivendo aqui. Tínhamos viagens programadas para esse mês, e foi tudo devidamente cancelado, mas eu nem liguei muito. Esse mês será de organizar a mudança, fazer aquele exercício cansativo e necessário de olhar pra cara de tudo que acumulamos desde a última mudança, ver o que precisa ficar, doar o que deve ser doado, vender o que deve ser vendido, empacotar tudo que vai, e no dia 30 de maio, levantar acampamento. 

Sinto que maio será o mês dos recomeços. Que seja bom pra vocês! 

Cycle Chic

Eu nasci e cresci em Pariquera-Açu, interior de SP. Lá, ter uma bicicleta é (ou era, no meu tempo), ter liberdade. Bicicleta era um meio de locomoção como outro qualquer, e eu vivia em cima da minha: pra ir brincar na casa de amigos, ir às aulas de jazz, inglês, kumon, piano, ir ao mercado, ir pra todo lugar. Então quando me mudei pra SP e fazer tudo de bicicleta não era possível, eu meio que esqueci dela. E eu nunca me animava quando amigas me chamavam pra "andar de bicicleta no parque". Sei lá, pra mim andar de bicicleta nunca foi uma atividade em si. Era pra me levar do ponto A ao B. E justamente por isso, pra mim nunca existiu isso de usar roupa de ciclista. Simplesmente porque, sendo a bike um meio de transporte, eu me vestia para onde estava indo, e a bike era só o veículo. 

Corta pra 2012. Eu já estava andando com as bikes do Itaú nos finais de semana, para ir no cinema na Paulista, encontrar amigos em Moema. Um dia eu estava na ciclovia da Faria Lima, de saia e rasteira. Passou uma ciclista toda paramentada e num semáforo vermelho que estávamos as duas paradas ela me deu um pito: você não está vestida direito, se sofrer um acidente se machuca toda. E eu só mandei ela cuidar da vida dela e fui embora pensando será que agora só é possível pedalar pronto pra participar de corrida olímpica? Eis que um belo dia, andando pela Livriaria da Vila, eu me deparei com um livro de fotografias: Cycle Chic

Comprei na hora, voltei pra casa e fui atrás do blog. Devorei o livro, o blog, e tudo mais em poucas horas: eu tinha achado minha turma, e tava empolgadíssima rs. O movimento "Cycle Chic" foi fundado por um dinamarquês em 2008, falando exatamente isso, sobre como a bicicleta é o veículo. Eles tinham até um manifesto (!!!):

- I choose to cycle chic and, at every opportunity, I will choose Style over Speed.

- I embrace my responsibility to contribute visually to a more aesthetically pleasing urban landscape.

- I am aware that my mere presence in said urban landscape will inspire others without me being labelled as a 'bicycle activist'.

- I will ride with grace, elegance and dignity.

- I will choose a bicycle that reflects my personality and style.

- I will, however, regard my bicycle as transport and as a mere supplement to my own personal style. Allowing my bike to upstage me is unacceptable.

- I will endeavor to ensure that the total value of my clothes always exceeds that of my bicycle.

- I will accessorize in accordance with the standards of a bicycle culture and acquire, where possible, a chain guard, kickstand, skirt guard, fenders, bell and basket.

- I will respect the traffic laws.

- I will refrain from wearing and owning any form of 'cycle wear'. 

Alguns desses itens eu acho meio engraçados (e entendo também que em algumas cidades tem regras que demandam uma outra postura), mas eu me identifiquei demais com o 6o item: eu vou considerar a minha bicicleta meio meio de transporte e um suplemento ao meu estilo. Enquanto eu lia o livro, e via as cidades em que eles fotografaram, é claro que eu lembrei que as grandes metrópoles brasileiras não são receptivas para com bicicleta e o ciclista. Acho que tinha uma ou duas fotos na orla do Rio, e só. Mas mesmo assim, lembro que desde aquele dia, eu voltei a me sentir menos ET quando andava de bike com SP de saia, e até salto rs. 
De saia e na bicicletinha, indo pro encontro das migues
Desde que mudamos pra Suíça, a bicicleta voltou com tudo pra minha vida. Eu uso a bicicleta como meio de transporte mesmo, e inclusive por três anos aqui, nós nem tivemos carro. Além de ir pra escola, pra casa de amigos, pra bares, happy hours, pra balada, já até carreguei móveis na bicicleta. Verão passado levei uma bike pra Zurich, e comecei a fazer o trajeto entre a estação e o escritório na magrela, o que me rendeu uns belíssimos looks rs. 

Enfim, esse blog não é de moda, é sobre minha vida. Mas eu ontem tava folheando esse livro de novo, e me senti mais uma vez super inspirada, e quis dividir essa inspiração. Resolvi dar uma passada no rolo de câmera e achei umas fotos legais de dias em que eu tava chic na bike, e quis registrar aqui. Mas recomendo super dar uma olhada no blog, e além de ver uns belos looks, viajar por cidades super bike friendly.

E uma das minhas fotos favoritas <3

E abrindo o post, uma foto minha cycling chic em Copenhagen, a cidade onde tudo começou :) 

A vida em quarentena

Já falei aqui como vai a minha vida na Suíça. A real é que eu não moro no pior lugar para se estar nesse momento: embora a Suíça tenha um número bem altos de infectados, a situação aqui na parte alemã nunca saiu de controle e não tivemos restrições completas. É possível sair de casa pra fazer um exercício físico, fazer compras nos mercados, pedalar, as estradas não estão bloqueadas. A gente tem saído no geral uma vez por dia para pedalar ou dirigir, e isso tem me mantido muito bem. O tempo primaveril incrível também ajuda: as temperaturas estão passando dos 20 graus, os dias estão ensolarados e lindos, e assim fica mais fácil manter a sanidade. 

Eu não entrei numa nóia de ser produtiva, de fazer e acontecer nesse período. Mas busquei encontrar coisas que me me façam sentir bem, e se possível, que ajudem esse tempo a passar mais rápido. And here we go: 

* A cozinha tem sido uma bela distração. Fiz alguns bolos, variei receitas, tentei coisas novas, e me divirto bastante. As vezes eu simplesmente não to afim, tipo agora de noite, que eu simplesmente não estava afim de cozinhar, e o bofe tomou a frente da coisa. Ele cozinha melhor do que eu, mas eu tenho tido mais vontade de encarar o fogão. Algumas das experiências: 
Avocado Toast

E esse bolo de banana que ficou mára <3 
* Não é novidade que eu sou meio gastona, e um tanto quando chegada em roupas e fashion items em geral. Nessa quarentena no entanto eu percebi o tanto que eu negligenciei pijamas, lingerie e roupa de ginástica na última década hahaha. Eu ainda estava usando uns pijamas de 2009, e percebi que a última vez que comprei soutien foi em 2014, aém de estar usando camiseta de brinde pra correr. Aproveitei esse tempo para fazer uma limpa. Joguei fora meias e calcinhas velhas, pijamas esgarçados, camisetas com buracos. Acabei também comprando algumas coisas online. Para quem está aqui na Suíça, eu recomendo muito o Zalando. Comprei pela primeira vez na Manor (está com uma promoção babado), mas ainda não chegou então depois conto sobre a experiência. 

* Voltei a fazer aula de alemão, agora online. Eu parei de fazer alemão há dois anos, quando comecei a fazer um curso na Universidade. O curso era caro, e eu não conseguia ficar pagando as duas coisas. Também, estava bem de saco cheio da escola, não gostava da turma. Alguns meses depois eu comecei a trabalhar e em Zurich, então voltar pras aulas saiu de questão. Tinha os planos de voltar pras aulas quando mudássemos pra Zurich, mas depois de um mês de quarentena, resolvi antecipar. Não ta sendo fácil.. depois de bastante tempo parada, meu vocabulário está bem capenga. Mas estou feliz de estar de volta :) 

* Eu tinha imaginado passar meus últimos meses em Berna retornando a lugares queridos, curtindo a cidade, visitando lugares que ainda não conheço, comendo nos restaurantes que eu gosto. Por enquanto, esse plano está on hold. Mas para dar uma força pro comércio local, e aproveitar um pouco dessas coisas daqui que a gente adora, temos pedido delivery uma vez por semana. Assim comemos algo diferente, e de quebra eu "mato a saudade" de alguns lugares que a gente gosta aqui. O destaque por enquanto ficou com o hamburguer to The Butcher, que chegou aqui muito maravilhoso e nem parecia que tinha viajado na garupa de uma bicicleta. Mas o melhor: pudemos ticar alguns itens dos nossos lugares para conhecer em Berna que não são, por assim dizer, pontos turísticos. Um deles é um prédio residencial que tem uma arquitetura moderna, e é todo verde de plantas por fora. Como ainda estava frio, quando fomos o verde não estava lá e as fotos não ficaram muito boas. A foto abaixo é do site do escritório de arquitetura responsável. Eu descobri sobre esse prédio lendo um artigo do Buzzfeed sobre prédios de design, e fiquei passada que tinha um em Berna e eu nunca nem tinha ouvido falar.
Foto por Bucher Bründler Architekten
Também pedalamos até o aeroporto da cidade. Acho que já comentei aqui que nesses anos a gente nunca usou esse aeroporto, porque ele é bem pequeno e limitado, e quase não tem voos comerciais (e por isso, os poucos que tem são caros). Desde que a pandemia começou a tomar força, está inclusive fechado. O aeroporto fica na beira do rio, e mais parece uma rodoviária rs. Estamos indo embora sem nunca ter entrado em seu micro terminal. Mas foi interessante ver onde fica, e a rusticidade do aeroporto da capital da Suíça.
Descobrindo Berna, ainda
* E em meio a essa loucura coronática, eu fiz 34 anos. Definitivamente não foi o aniversário que sonhei, mas não me queixo. Foi um dia muito ensolarado, e pela primeira vez pude colocar os pezinhos pra fora das meias e botas. Comecei meu dia com um pão de queijo, e terminei com churrasco e caipirinha. Dancei funk na sacada, recebi ligação dos amigos queridos, chorei as 3h da madrugada com vídeo surpresa, e fui dormir agradecendo todo o amor que recebi, que recebo, a saúde dos meus, e o cara incrível que ta dividindo mais essa comigo.
Pão de queijo
Uma foto ruim mas que tem muita coisa boa envolvida
E nós <3
E assim seguimos. Aqui na Suíça a previsão é que a partir do dia 26 de abril, eles comecem a afrouxar o confinamento. Os casos de corona vem caindo, mas somente em umas 10 ou 15 dias veremos se os esforços do governo em manter as pessoas em distanciamento social mesmo com o tempo bom terão surtido efeito. Se sim, prevejo que teremos verão. E tem tudo pra ser o melhor da vida <3 

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