01/12: Janeiro de 2023

Janeiro foi eterno.. e ainda bem que foi. É claro que a gente vai vendo o salário se esticando pelo mês, aquela sensação de que não acaba nunca. Mas não é absurdo pensar que um mês de 2023 já ficou pra trás? 

Eu comecei janeiro no Brasil, do jeito que eu mais gosto: de frente pro mar, pulando ondas, vendo fogos, passando calor e lavando o ano velho com água salgada. Isso me recarrega as baterias de um jeito que eu nem sei explicar. Foram dias deliciosos, de muita preguiça, descanso, zero festa. Em São Paulo ainda reencontrei a família pra um último abraço antes de voltar pra gelada Suíça. Fomos buscar Carlito na creche, fui reencontrando amigos, voltamos ao trabalho, e aproveitamos os fins de semana para esquiar. Também fiz um detox de duas semanas que consistiu em ser completamente vegana (spoiler: não curti, e não é algo que levarei pra vida rs). Alias, já que comecei a falar... eu queria dar uma limpada nos excessos de fim de ano e férias, e encontrei uma pessoa que fazia entrega de refeições veganas em casa. Resolvi fazer por duas semanas. Não é que comi mal, muito pelo contrário. A maioria das refeições era saborosa, e todas muito nutritivas. Mas eu senti muita falta de proteína animal, ovos principalmente. E num dado momento, comecei a me sentir não muito bem disposta. Acho que talvez tenha sido uma virada de chave muito radical pra mim. Em todo caso, tirei dessa experiência a idéia de comer menos carne, e ser mais criativa na cozinha. 

Enquanto estava no Brasil fui vendo as notícias do Natal mais quente da história da Suíça: temperaturas beirando os 20 graus em Zurich no final de dezembro. Mas chegamos aqui na virada desse tempo, e fez foi muito frio - tivemos dias batendo em -14. Além de tudo, Zurich fica super cinzenta, um clima que pra mim é deprê. Então a energia saiu de começar a buscar as metas do ano. Eu e marido fomos nos rematricular na academia, e a gente começou a ir junto de vez em quando. Também comecei a fazer uns planos pro ano: viagens, mudanças de decoração e outras coisas. Isso tudo me repõe o gás que o inverno me tira rs. 

Algumas imagens de janeiro, antes de passar pras metas: 


Brasil dispensa legendas, né?!

Dando pontapé na temporada de esqui em Flumserberg

Encerrando o detox vegano com belo ovo estalado rs

Dias cinzas pela cidade

David Shrigley

Tirando um descanso em Engelberg

Vamos ao balanço das metas: 
- Priorizar o exercicio na minha rotina: estou ainda entrando no embalo. Não segui ainda a rotina de exercício que eu quero, mas já fiz mais do que em muitos meses do ano passado rs. Ainda tem espaço pra melhora. 

- Fazer um programa cultural por mês: fomos numa quinta feira na Kunstalle de Zurich. É um prédio onde funcionava antes uma cervejaria, e hoje é cheio de galerias e um museu. Às quintas a entrada é gratuíta e as galerias ficam abertas. Demos sorte porque uma das galerias estava com uma exposição bem legal do David Shrigley, e uma outra tava inaugurando uma mostra babado de uma artista belga que eu não conhecia, mas que me impactou, Berlinde de Bruyckere. Foi um rolê diferente, depois do trabalho, um fim relaxante e cheio de belezas pra um dia cansativo. Gostei muito! 

- Fazer um curso na minha área profissional - não, não cumpri essa meta ainda rs.. mas ela em si é um processo, né? E eu comecei esse mês fazendo pesquisas, vendo possibilidades, e agora marquei de conversar com uma pessoa cuja opinião é relevante pra mim, pra me ajudar na tomada de decisão. Ou seja, há progresso. 

- Conhecer lugares novos na Europa - como disse, tenho começado a pensar em viagens, mas ainda nada concreto. No entanto nesse mês já conhecemos um lugar novo na Suíça. Queríamos passar um fim de semana na montanha, e a princípio eu ia bookar uma estação que já fomos e gostamos. Mas aí no espírito de coisas novas, fomos esquiar em Engelberg, uma vila alpina perto de Luzern. A cidade é super pequena, mas o resort de esqui é grande, e aproveitamos bem. No entanto, achei as pistas bem difíceis, não é bem pro meu bico, e me cansou mais do que deveria. Provavelmente não vai entrar na lista dos lugares que a gente tenta ir todo ano rs.  

Tirando as metas escritas pra 2023, acho válido dizer que li 3 livros muito bons esse ano, todos de autores brasileiros: A Natureza da Mordida e Véspera, ambos da Carla Madeira (escritora do Tudo é Rio). Que escrita, meus amigos, que escrita! Só recomendo muito. Também li Feliz Ano Velho, clássico juvenil dos anos 80 rs, mas que eu ainda não tinha lido. Foi uma grata surpresa ver como um livro escrito por um homem brasileiro nos anos 80 pode envelhecer bem, e se manter tão atual. 

É isso, acho que janeiro foi um bom começo pra esse ano, e seguimos :)

O desafio para 2023

Já há alguns anos tenho focado em fazer poucas resoluções de ano novo, para que sejam mais objetivas, quantificáveis, possíveis e à prova de frutração braba rs. Tem funcionado, e no geral tenho me saído bem (e os posts com as retrospectivas de 2022 e 2021 estão aqui). E aí que depois de bastante refletir, venho aqui colocar minhas metas para o novo ano, e já inicio dizendo que, se esse ano não estou colocando meta sobre ler livros, fazer hikes e conhecer bares novos, é porque esses hábitos já estão bem inseridos na minha rotina, e quero mantê-los. Mas vamos lá:


- Priorizar o exercício físico na minha rotina: eu não sou apaixonada por academia, exercício e afins. E justamente por isso, assim que falta algum espacinho na minha agenda, é ele que cai fora. Mas isso vai ter que mudar. Quero ser aquela pessoa que fala só posso ir depois do pilates rs.


- Fazer um programa cultural por mês: embora tenha conhecido muito de Zurich pelos últimos anos, a verdade é que fiz pouco programa cultural aqui. Em dezembro, dois anos e meio morando na cidade, fui conhecer um museu rs, e eu acho é vergonhoso. Eu já fui uma pessoa enlouquecida por mostra, cinema, show, etc. Então vamos de compromisso. E pra ficar mais interessante, fiz o bofe incluir essa meta nas dele também.


- Fazer um curso na minha área profissional: não sei se saudade de estudar é a melhor forma de descrever o que sinto rs.. Mas me sinto uma esponja com tudo que é sobre recursos humanos, minha nova área de atuação. Ao longo de 2022 fiz muitos cursos rápidos, e achei tudo muito interessante. Então fica aí essa idéia de começar um curso mais intenso na área. 


- Conhecer lugares novos pela Europa: Com a pandemia e suas limitações, a gente acabou acostumando a viajar bastante de carro - e tendo um cachorro, é bem mais conveniente. Mas isso também acabou limitando um pouco nossos passeios aos países vizinhos. A Suíça é muito bem localizada e tem muitos vizinhos rs, então isso não foi necessariamente ruim. Mas até dent ro desses países vizinhos a gente repetiu bastante destino (Oi Alsace rs), porque eu sou uma pessoa que gosta de repetir destinos. Mas em 2023 eu quero sentir mais aquele friozinho na barriga de conhecer lugares 100% novos. Não vou colocar um target numérico aqui, mas espero ao fim do ano ter adicionado algum país novo no meu repertório, algumas cidades novas dentro dos países que conheço, e até lugares novos pela Suíça, por que não? É isso aí. 


 Let the fun begin :)  

*(e essa foto é só porque as metas de 2023 foram gestadas debaixo desse guarda-sol e regadas à água de coco)

Um balanço de 2022

Ola Ola... mais um ano por aqui, e mais uma vez desejando um ano lindíssimo pra gente, pra quem lê, pra quem não lê, e pra quem jamais leu rs. Estou aqui cheia de esperanças e boas idéias pra 2023, mas antes de olhar pra frente, eu queria tirar um tempinho pra fazer minha reflexão do ano que passou. Um exercício que me trás satisfação, e que quase sempre me deixa grata. 


No começo do ano eu fiz um post sobre o que eu queria pra 2022. Tracei ali algumas metas e ao longo dos meses fui vindo aqui prestar contas. Esse é o meu jeitinho de ir acompanhando a minha evolução, mas também um mínimo de accountability - e tivemos aqui altos e baixos. E ali pro fim do ano, mais precisamente em setembro, a coisa desandou na minha rotina de postagem. Eu falei um pouco aqui - sem falar, mas falei rs espero que me entendam. Mas a verdade é que a vida me engoliu, e eu não tentei fugir não. Me deixei ser engolida, fui fazendo o que dava, quando dava. E confesso que o gostinho na boca ficou meio amargo, e explico: com essas metas, estou tentando ter um pouco mais de disciplina, e embora tenha começado bem, desandou legal. Mas ok, ok.. novo ano, novas possibilidades. 


Mas vejam bem, não é que eu fui um desastre. Não fui não. Vejamos: 

- ler ao menos dois livros por mês: foram 30 livros. Fiquei chocada ao fazer essa conta rs. Não somente por, mais uma vez, atingir e sobrar na minha meta. Mas porque eu li realmente muito livro BOM. Falei de vários aqui ao longo dos meses, mas também dei uma pensada e acho que consigo eleger os favoritos do ano: A Pediatra, O Lugar, O Parque das Irmãs Magníficas, O Ano do Pensamento Mágico e Suíte Tóquio. 

- continuar minha busca por uma rotina saudável, com alimentação balanceada, exercício e pouca neura: ih rapaz, foi aqui que a coisa deu um duplo twist carpado. No fim do ano eu tentei correr atrás do preju e dar um gás no exercício, mas fim do ano e alimentação balanceada não combina, né hahaha.. enfim, não acho que fui bem nesse quesito. Mas a terapia ta em dia. 

- voltar a estudar alemão: depois de passar meses vindo aqui falar que essa meta tava esquecida no churrasco, foi lá em setembro que eu resolvi pelo menos começar a fazer duolingo. E embora não seja o que eu tinha em mente quando tracei esse objetivo, tem sido super bom. Desde então não perdi um dia de estudo: as vezes faço mais, as vezes menos, só pra manter a ofensiva rs. Mas pratico, sinto que meu vocabulário está melhorando, e eu to orgulhosa que essa meta aí correu por fora e foi alcançada. 

- fazer 12 hikes: mais uma meta alcançada com sucesso. Foram exatamente 12 rs... mas lugares lindos, paisagens incríveis, e um hábito suíço cada vez mais enraizado nessa brasileira. 

- conhecer um lugar novo por mês em Zurich: mais uma meta alcançada com sucesso. Foram bares, restaurantes, museu, um centro de esportes, e até um spa. Tem mais pra fazer, sempre tem. E eu vou manter essa meta na minha agenda, porque acho que explorar é preciso. 


Enfim, nem foi tudo negativo, muito pelo contrário: no frigir dos ovos, alcancei praticamente todas minhas metas, mas eu sei que A meta pra mim é justamente aquela em que falhei: cuidar de mim. Mas ok, vamos que vamos. 


Mas um ano não é só feito de metas, e esse ano foi bom em muitos aspectos, e eu acho que vale registrar outras nuances, conquistas e coisas das quais me orgulho. 

- uma rede de amizade, amor e apoio: estamos na Suíça já há seis anos, e claro que fizemos muitos amigos. Mas essa vida de imigrante é bem inconstante, e muitos desses amigos já não moram mais no país. Com a nossa mudança pra Zurich, expandimos nosso círculo de amizades para além dos reinos dos professores internacionais (comunidade do marido, que ta sempre em movimento), e hoje temos aqui uma rede de amigos que são a família que todo imigrante precisa ter. Gente que tá junto, que se apoia nos momentos complicados, que festeja as conquistas, que quer estar junto pra assistir TV, pra tomar um café, pra falar merda e pra dar risada. Gente do Brasil, dos EUA, da Espanha, da Italia, da Suíça, das Ilhas Maurício (!!!), do Zimbabwe, da França, de um monte de outros lugares. E isso pra mim é uma consquista imensa, porque fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho e eu acho que todo mundo entendeu essa frase errado. 


- uma carreira que eu gosto e que me realiza: já falei algumas vezes da minha transição do jurídico para o RH, que se consolidou em junho do ano passado quando comecei efetivamente numa vaga dentro do departamento. Terminei 2021 num baque, quando a chefe que apostou em mim e me contratou (apesar da minha falta de experiencia na área) deixou a empresa repentinamente, gerando uma grande insegurança. Comecei o ano tendo que me provar pra uma liderança nova, e termino com um reconhecimento enorme. Sei que confiam em mim, veem meu talento e meu potencial para me consolidar como uma profissional de RH. E é claro que passo muito nervoso e reclamo pra cacete, mas me sinto feliz demais com minhas escolhas, sei que eu finalmente encontrei meu caminho e vejo muitas possibilidades para o futuro. Além disso, trabalho numa empresa que reflete muito dos valores em que acredito, onde me sinto confortável para ser 100% eu e que me remunera dignamente rs. 


- uma cidade linda pra chamar de casa: quando eu vou pra Berna, as vezes eu choro de saudades. Berna é linda, e foi nossa primeira casa da Suíça. Moldou nossa vida aqui, nossa integração, foi pano de fundo pra consolidação fortíssima da união de um casal que havia se casado só há poucos meses. Mas eu quis me mudar pra Zurich, eu convenci o marido que valia a pena, e eu recebo confirmações constantes de que fizemos a escolha certa. 2022 foi nosso primeiro ano aqui sem restrições pandemicas, e foi o ano em que vimos Zurich em todo seu potencial. É uma cidade INCRÍVEL pra se morar, em qualquer época do ano. É vibrante, é aconchegante, é pequena mas é grande, é low profile mas te permite ser extravagente, e é belíssima. Não foi uma nem duas vezes que, andando por aí, apertei a mão do bofe bem forte e a gente se olhou como quem sabe que está exatamente onde deveria estar.  


E pra fechar, fica aqui uma pequena retrospectiva em belas imagens desse ano, que não foi feito de metas, mas foi feito de vida, alegrias, viagens incríveis, muito trabalho, amigos FODAS, momentos difícis, muita diversão, muita lágrima, e muito amor! Cheers to 2023!


JANEIRO: Curtindo o inverno e a neve, depois de começar o ano no calor do Brasil



FEVEREIRO: Entre subidas pra montanha, e stress no trabalho, achamos tempo pra ir comemorar o aniversário de marido em Freiburg, na Alemanha


MARÇO: reembalando nas viagens mais distantes depois da pandemia, fomos conhecer o Porto, num dos fins de semana mais legais do ano


ABRIL: Abrimos o que eu chamei o nosso ano francês com uma viagem para a região de Champange


MAIO: Finalmente voltei a Berlin, que uma vez foi minha cidade favorita no mundo. E depois tivemos dias muito felizes com a visita do meu irmão, minha cunhada e sobrinha mais fofa do mundo



JUNHO: O verão pegando fogo em Zurich, e eu recebendo várias amigas queridas aqui em casa. Foi o mês de casa cheia e coração preenchido


JULHO: Começamos o mês visitando Dubrovinik, uma viagem agendada em 2019 rs, e terminamos mais uma vez em território francês, na belíssima Lyon



AGOSTO: mês de férias, de reencontro com mey baby, de passear por Paris, pela Normandia, de ir pra festival, de curtir muito o verão antes dele fugir


SETEMBRO: Um fim de semana na Suíça francesa


OUTUBRO: Férias pelo norte da Itália



NOVEMBRO: Começando o inverno em cima dos alpes, e no aconchego do lar



DEZEMBRO: entre tantas festas, confraternizações e alegrias de fim de ano, fomos recarregar as baterias primeiro no meio da neve, e depois na praia 




Uma semana no norte da Itália: Bolzano, Veneza e Milão

 Comecei falando das férias de outono aqui, com nossos dias nas Dolomitas. Depois de três dias de trilhas intensas, eu estava cansada e pronta pra um city break hehe. Saímos na quinta de manhã, passamos pelo lago de Braies, e seguimos em direção a Bolzano. Bolzano já é o chamado Tirol do Sul (Südtirol em alemão), uma região que pertencia ao império austro-húngaro, e que não fazia parte da Italia até o fim da Primeira Guerra Mundial. E por isso a influência austríaca lá é fortíssima, inclusive as pessoas falam alemão e tudo está escrito nos dois idiomas (Bolzano, em alemão é Bozen). Em nosso caminho pra lá passamos em Bressanone (ou Brixen), uma cidade pequenina mas charmosa, com um centrinho bem animado, e onde, num restaurante completamente aleatório, comi a melhor refeição da viagem rs. 

Centro antigo de Brassanone


E um papardelle ao ragu de cervo, a melhor pasta de uma viagem cheia de pasta incrível!

Seguimos viagem, e chegamos em Bolzano já no fim do dia, e eu fui surpreendida por uma cidade super movimentada, cheia de gente, de vida, comércio agitado, feira e restaurantes cheios. Acabei parando pra ler o wikipedia rs e descobri que é uma das cidades mais ricas da Itália, com muitos estudantes, cena cultural e gatronômica. Uma grata surpresa! 


Imagens do anoitecer em Bolzano





Ao acordar lá na sexta-feira, demos umas voltas pela cidade, tomamos um café gostoso numa praça cheia de gente, e nos preparamos para seguir viagem. Eu fiquei arrependida de não ter planejando mais tempo na cidade - apesar de termos conhecido todo seu centro, tenho certeza que é uma cidade deliciosa de rodar com a bicicleta, e descobrir cantinhos. Um pouco da nossa manhã por Bolzano:






Seguimos viagem para Veneza, e chegamos lá por volta das 5 da tarde. A viagem de Bolzano para Veneza é em torno de 2,5h, mas demos uma parada para comer um sanduíche. Eu ainda não conhecia Veneza, e pra falar a verdade, tinha pouca expectativa. Lugares em que o turismo se massificou tanto me deixam com o pé bem atrás, e por isso acomodei uma noite na cidade nos nossos planos. Tanto marido quanto a irmã, que estava com a gente, já conheciam a cidade, e era eu quem queria dar esse check na minha lista rs. Mas olha... eu fui mais uma vez surpreendida! Tirando a Praça São Marcos, onde as hordas de turistas tiram a graça de qualquer coisa, fiquei apaixonada pela cidade. Linda, linda e linda, romântica, e fora das ruas principais, tranquila. Mais uma vez, uma cortesia de viajar fora de alta temporada, fora do verão. 

Depois de fazer check in no nosso apto, saímos para jantar, e demos de cara com essa (e outras) vistas

Passamos o nosso sábado inteiro perambulando pela cidade, almoçamos num lugar lindo, e nos permitimos nos perder por todas as vielas. No fim, foram 24h em Veneza, que valeram demais, e realmente, me deixaram com vontade de voltar para uma Bienal. 

Aqui, a Veneza cheia de turista. E nas próximas fotos, a Veneza que optamos por explorar...







No sábado de noite seguimos para Milão, e a gente tava é cansado. Nos limitamos a ir jantar num restaurante MUITO bom e ir dormir. No domingo cedo, minha irmão pegou seu voo para a Sicilia, e nós seguimos de volta pra casa. A viagem de Milão pra Zurich não deveria durar mais que 3,5h, mas por conta do trânsito em vários pontos, acabou durando quase o dobro. Ao todo, paramos em 8 cidades ao longo da viagem, nos hospedamos em quatro acomodações diferentes, comemos imensamente bem (variando de sanduiche que fizemos com produtos locais, a restaurantes chiquetosos), bebemos vinho bom, e fomos muito felizes por uma semana no norte da Italia. Uma viagem que mal planejamos, em que deixamos a vida levar, e em que fizemos tantas memórias gostosas. 

Uma semana no norte da Italia: começando pelas Dolomitas

Vocês sabem que o marido é professor, né? E que isso limita bem os períodos em que podemos tirar umas férias mais estendidas. E todo ano em outubro temos uma semaninha, que são as férias de outono. Ano passado fomos para a Puglia em busca de dias mais quentes e um restinho de verão. Esse ano resolvemos abraçar o outono com força e fomos para o norte da Italia, para conhecer uma região que estava no meu wishlist há um tempo. Vou contar um pouco da nossa viagem, mas no fim deixo também umas dicas mais redondinhas. 

Voilà 
***

Saímos daqui num domingo de manhã em direção a Cortina D'Ampezzo. A viagem é de 450km, e em tese deveria durar cerca de 5 horas, passando por 4 países. Na prática, foi um dia inteiro de viagem porque paramos bastante, olhamos bastante coisa pela janela e nos divertimos. Saímos de Zurich, passamos por Liechtenstein, depois almoçamos em Innsbruck na Áustria e por fim adentramos a região do Tirol do Sul na Italia, chegando em Cortina já de noite.  
Viajamos num dia meio chuvoso, e a vista em Liechtenstein não estava das melhores...

... e a paradinha para almoço em Innsbruck


Cortina é uma vila alpina que no inverno é focada em esqui - aliás, sediarão os próximos Jogos Olímpicos - e é bem grandinha, então tem bastante estrutura de hotéis, restaurantes, etc. Alugamos um apartamento um pouco fora da cidade (coisa de 5 minutos de carro), mas que tinha uma vista absolutamente espetacular, uma cozinha bem equipada e rodeado de muita natureza (todo dia a noite viamos uma família de viadinhos, muuuito fofos). Em cada um dos dias que passamos lá, acordamos de manhã, passamos o dia fazendo trilha e fomos jantar no fim do dia completamente cansados. 
Alugamos um apto pelo booking, que era super simples e aconchegante, com ESSA vista

Fizemos 3 trilhas: 

- Cinque Torri: uma trilha bem fácil, mas que num momento fica um pouco mais técnica por conta das pedras. Tem vistas incríveis das montanhas da região, e dos refúgios usados por soldados das guerras mundiais. É bizarro ver o tanto de cabana e disfarce escondido nas montanhas, e ainda mais se pensar que alguns deles foram construídos há mais de 100 anos. 
A trilha começa bem tranquila, por uma estrada pavimentada...

.., chegando decara para as cinco torres...

... aqui os esconderijos do exército italiano, todos encravados nas rochas e completamente disfarçados...

... e vai terminando assim, com mais pedras.


- Tre Cime: a trilha mais famosa da região, absolutamente espetacular (e cheia). Embora seja mais turistona, valeu cada minuto. A primeira parte é mais fácil e acessível, então é ainda mais cheia. Se você segue para dar a volta nos três cumes as vistas vão mudando, vai exigindo mais das pernas rs, mas vale a pena demais, porque além de linda, tem menos gente. 
Começando a trilha dos três cumes...

... a paisagem mais icônica das Dolomitas...

... surra de beleza...

... e terminando um dia com cafezinho e apfelstrudel!


- Croda da Lago: uma trilha em meio a floresta, com partes mais puxadas, mas no geral bem tranquila, e que te leva até um lago lindíssimo. Foi a mais vazia de todas, acho que ao todo encontramos 8 pessoas ao longo da trilha. 
O começo da trilha...

... conforme vai subindo, você tem vista das Cinque Torri (lá da primeira trilha)...

... chegando no refúgio, onde almoçamos...

... e o lago, lindíssimo!


Essa época é baixa temporada, os refúgios de montanha (com restaurante, banheiros, etc) estão em sua maioria fechados, então tem que levar comida, e se preparar. Mas achei muito bom porque, tirando a Tre Cime, estivemos sozinhos praticamente as trilhas todas, só ouvindo os barulhos da natureza. Só tivemos um restaurante aberto da Croda da Lago, e aí pra variar almoçamos lá. Nos outros dias, nos planejamos pra fazer picnic. 

Na cidade as coisas estão abertas, e tem uma variedade boa de restaurantes. Passamos no mercado e compramos coisas de café da manhã, coisas de picnic, e petiscos pro fim do dia, mas quase todos os dias jantamos em restaurantes (os meus favoritos foram o Dolom'eats para jantar, e o L.P 26 para comer petiscos e tomar vinho). 

Se fossemos ficar mais dias, teria valido a pena mudar a base para Val Gardena. A região das Dolomitas tem vários vales, e dirigir de um pra outro pode demorar mais de hora, então nós focamos nas atividades que eram mais perto de Cortina, mas tem várias outras trilhas e paisagens incríveis em outras áreas. Val Gardena seria uma boa base - quem sabe numa próxima. Depois de três dias inteiros ali, nós encerramos nossa viagem nas Dolomitas e seguimos para Bolzano. No caminho, paramos no Lago di Braies, que foi muito recomendado por um monte de gente. É sim um lago bonito, rodeado de montanhas, e tem bastante infra-estrutura (ótimo para quem ta com crianças): aluguem de barcos, parquinho, restaurantes. Tomamos um café, curtimos um pouco a vista e seguimos viagem... e vou fazer uma segunda parte. 
Mais uma manhã normal no apto belíssimo que escolhemos :)

E o Lago de Braies, também belíssimo

Se as Dolomitas valem o passeio? DEMAIS! Recomendo muito, e imagino que seja um lugar pra aproveitar nas quatro estações do ano. Seja esquiando no inverno, ou aproveitando as trilhas nas outras estações. Já quero voltar!

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