Retrospectiva

Em 2013 eu:
- arrumei um emprego novo;
- fiz poucos - e bons - amigos. Beijo Aga!
- voltei aos EUA depois de 6 anos;
- reencontrei - em circunstâncias completamente diferentes - o meu favorito;
- sai menos de balada;
- aprendi a fazer stand up paddle;
- não tive férias;
- aproveitei muito os meus finais de semana e feriados;
- fiz uma tatuagem;
- fiquei com poucos caras;
- cortei franja;
- me preocupei menos com o que os outros pensam;
- não sofri nenhum "acidente" (medo de colocar isso aqui, tendo em vista que ainda estamos no dia 15!);
- arrumei paquera virtual;
- fui guinchada pela primeira vez;
- fui muito sedentária;
- voltei a usar biquini "brasileiro";
- descobri que meus pais não são mais tão jovens;
- dormi melhor que nunca - graças ao final da obra ao lado!
- revi neve;
- fiquei satisfeita com a pessoa que eu me tornei. 

Não foi um ano fácil, muito menos foi leve. Mas apesar de todo o meu mimimi, foi um ano bom. Não foi ótimo, não foi horrível. Foi bom. Me diverti bastante, e tenho ótimas histórias pra contar... Sempre podia ser mais, mas até aí... é importante lembrar que saúde não faltou. 

* ouvindo um bom David Bowie

Ó vida, ó céus...

Passando por um momento de carência profunda, daqueles poucas vezes visto antes. Aí você começa a repassar a agenda de telefone, a lembrar dos affairs passados, a pensar onde foi que alguma coisa deu errado com fulano, ou será que vale a pena ligar pra aquele outro, e aí se agarra com força no bolo de chocolate, depois vira um uma lata de Coca num gole só, emenda num Danette, e por fim come umas fatias de abacaxi porque é digestivo. Vai dormir de noite com mais gordura na bunda, mas com a dignidade intacta - ufa, não liguei pra ninguém. 

*postado ao som do me novo vício: ouvir música que não entendo.

Can you hear me?

Indo de um canto pra outro aqui na internet achei esse artigo no site da Oprah (pois é, hahaha). Algumas personalidades olharam pra trás, e deram alguns conselhos pra elas mesmas, aos 25 anos. Eu parei pra pensar, e se tem uma "young me" que precisa ouvir o que eu tenho a falar, é a de 21 anos. Não faz tanto tempo assim (graças), mas acho que tem seu valor.

Gabi, 

Eu sei que tudo parece uma merda. Eu sei que parece que não tem solução. Mas me escute, por favor: tem sim. Eu te prometo que as coisas vão melhorar. Então, aproveita... 

Depois da tempestade, você vai se divertir pra caralho. Sério... Brace yourself. O mundo é enorme, e você cair nele com gosto, nas melhores companhias. Além do mais, chorar por homem vai sair total do seu repertório. Vai ter um dia aí muito engraçado, que você vai querer chorar pensando num fulano qualquer, vai armar o maior bico e depois que perceber que não tem lágrima pra sair, vai cair na gargalhada. 

Estude mais, tente não dormir na aula de Direito do Trabalho. Pois é... sem querer te decepcionar, você vai precisar. Ah é! Tem isso também... eu sei que você acha o Direito um horror. Mas você vai encontrar o seu caminho. As aulas de prática jurídica são o cão, e você vai brigar com todo mundo, e nem ligue... pode soltar o verbo na japonesa mesmo, porque ela é uma folgada. Mais vai leve no Silvestrini, porque ele é um querido. Vocês vão perder o contato no futuro, mas o carinho vai ficar pra sempre. Depois da formatura tudo vai mudar. O seu brilho no olho, inclusive... Então, eu sei que o Mackenzie parece uma areia movediça, haha.. mas uma hora acaba. Alias, a festa vai ser maravilhosa, mas vê se corre pra achar o Tio Paulinho antes do fim da valsa. 

Você vai fazer umas viagens animais e vai reencontrar ~algumas pessoas. Pois é. Ele mesmo. E ó.. senta aí um pouquinho: ele vai ta casado. E né, não é com você. E antes que seu mundo acabe agora, me escuta um minutinho. Você vai ver que ele não é nada disso... Ele não é aquele cara divertido, ele não tem mais autenticidade, ele simplesmente não é mais quem você conheceu. E você vai ficar extremamente decepcionada, você vai dar o choro final. E o assunto vai ser encerrado ali, no caminho pro castelo de Praga. Chic, né? Pois é ;)

Tem muita coisa pra acontecer, e sim, você vai amar a sua vida. Força e paciência é tudo que te peço. Te adianto que vai valer a pena! E quanto às lágrimas e à toda essa incompreensão que você está sentindo agora, elas fazem parte do processo. Pra você vir até mim, infelizmente, você vai ter que tirar o melhor delas. 

Um beijo, 
Gabi (a de 27)

Aquele amor...


A expectativa de reencontrar um grande e velho amor é assim mesmo... Amolece as pernas, tira o sono, o sossego, uma ansiedade que só passa quando eu coloco os meus olhos em você. E aí eu lembro de tudo que já passamos, e tudo que eu sonhei pra nós, e penso que não era pra ser. Mas você foi meu primeiro amor, daqueles grandes mesmo, e por isso eu não consigo te abandonar por inteiro. Você, de um jeito ou de outro, passa todos os dias pela minha cabeça. É um filme, uma foto, uma lembrança, um comentário, e eu me lembro o quanto poderíamos ser felizes. 
Então eu não perco uma oportunidade de te lembrar que eu existo. Eu não te esqueço, e não vou deixar você me esquecer. Eu passo pra dar aquele oi, descompromissado, mas cheio de significado. Vai que um dia a gente acerta os ponteiros, né... Quem sabe a hora chega, e eu volto pra sua vida, você volta pra minha, e a gente vive tudo aquilo que eu sonhei.

O dia que for pra ser, vai ser. Enquanto não é, a gente vai se encontrando, você vai me seduzindo, eu vou me entregando, voltando a ser cada dia mais louca por você. Chicago, see you soon... and yes, I love you!

Millenium, by Gabriela Milan

Expectativas, pra que tê-las?

Eu sei e todo mundo sabe: criar expectativas é o primeiro passo pra decepção. E eu ainda não estou 100% preparada pra não cair nessa armadilha. Sim, eu crio expectativas. Com relação à algumas coisas mais do que outras. Eu não crio expectativas pra viagens, festas, filmes, histórias. But when it comes to love... Pois é. Quando se trata de amor, a minha vida é um loop eterno daquela cena clássica de 500 dias com ela.




Eu tento, eu tento muito aprender, mas ainda não cheguei lá. Esse mundo virtual bicolunado, entre o que foi e o que deveria ter sido continua rolando, e eu pergunto: como parar? Quem tiver dicas, eu sou toda ouvidos, porque se for pra minha vida ser um filme, não é bem esse tipo de drama que eu quero não.

...try and take over the world!!

Eu sou da teoria que a evolução de Darwin se aplica às amizades: apenas as fortes sobrevivem. Seguindo essa linha, eu acabei me afastando de muita gente e ficando cada vez mais devota das minhas amigas de verdade. 
E foi assim que ela, que sempre foi minha amiga até debaixo d´água, desde os 5, 6 anos de idade, virou a minha companheira número um. Aquela que você divide tudo, que ta sempre pronta, que pode passar o dia dando uma conversadinha, que o assunto nunca acaba. E quando acaba, não tem cerimônia, não tem tchau...só tem um tempo até ele aparecer de novo, nunca tem despedida. 
A gente passava hoooras olhando uma pra cara da outra e dando risada das coisas mais bestas, inventando palavras, e filosofando sobre o nada, ou planejando nos mínimos detalhes como dominaríamos o mundo. 

Sim...nós sempre tivemos PLANOS, no maior estilo Cebolinha de infalibilidade. Cada final de semana era um capítulo novo do livro, aquele que a gente vem batalhando faz 10 anos, e que nunca saiu do papel porque todas as histórias seriam impublicáveis. Ela me consolou quando eu chorei porque o vestido da primeira comunhão era feio, e eu a defendi com unhas e dentes quando falaram que ela não tinha pai. Ela estava xeretando ali do lado quando eu dei o meu primeiro beijo. Eu estava esperando com brigadeiro quando ela levou o primeiro pé na bunda. Estávamos abraçadinhas no primeiro porre..e em todos os outros que vieram depois. E foi assim que em mais de 20 anos nunca estivemos longe. Fomos fazer intercâmbio na mesma época, e vivíamos as duas as novidades de ser estrangeira, cada um no seu canto. Ela escolheu Europa, eu escolhi os EUA. Ela era muito low profile, e eu era muito junkie food. A gente era tão, mas tããããão besta, que fizemos uma sessão de fotos na rua com folhas velhas intitulada "Outono em Nova York". 


E agora pra ela é outono, ela foi pra Nova York. Pela primeira vez estamos definitivamente uma em cada canto do mundo. E eu não parei pra pensar que domingo que vem nós não vamos almoçar no Pé, e nem jantar caldinho do Genésio. E eu não vou dormir no sofá dela com máscara da AirFrance. Alias, ela nem me deixou nenhuma máscara da AirFrance de lembrança. Nós também não vamos sentar na Benedito e ficar rindo das mesmas coisas sem falar nada. E, provavelmente, vai demorar muito até que a gente consiga se juntar numa balada bem lama. 

Mas eu estou tão feliz por ela, que eu não consegui pensar nisso ainda. Nós começamos o ano pedindo sucesso, e não tem como não pensar nela agora e não ver isso: S U C E S S O! A alegria dela é minha, a realização dela é minha, e eu sei que tudo vai continuar igual. Nós continuaremos fazendo PLANOS, nós continuaremos sendo idiotas, e o nosso livro vai continuar ganhando capítulos impublicáveis. A grande diferença é que dessa vez nós realmente começamos a dominar o mundo. 


Quem nunca??

Quem nunca entrou no salão pra fazer a unha e saiu de lá com um corte de cabelo que mudou a cara toda? 
Se você nunca, não sabe o favor que isso faz pra auto estima (quando as coisas dão certo, claro, rs). Eu nunca tinha feito uma mudança tão radical no cabelo, e fica aí a lição pra vida: quando tudo estiver uma merda, desapegue e mude! Mude tudo o que você conseguir...corte, pinte, alise, enrole, mude! Você vai se olhar no espelho e se amar, e se amar é exatamente o que você precisa quando tudo está uma merda. 

Dias melhores...

...eu acredito neles. MESMO.

Hoje é dia 17 de julho e 6 anos atrás eu estava chorando largada num aeroporto. Deixando pra trás um dos amores da minha vida (foram tantos, e sobrou nenhum pra contar a história, haha), deixando a vida que eu acreditava ser a minha e que me fazia feliz. Passei muito tempo pensando que eu tinha dado um passo pra trás e que tudo estava perdido. Hoje, quando penso nisso tudo, agradeço por ter sido sensata e voltado a tempo. Os dias melhores, que eu achei que jamais chegariam, chegaram e foram ótimos. Me formei, viajei, dancei, me diverti muito e mudei mais ainda. Eu jamais me perdoaria se estivesse naquela vida até hoje. 
Só que os dias já não estão assim tão bons. Estou passando por algumas provações e sinto que é hora de conquistar coisas novas. Quem sabe investir num novo amor da vida que vai durar 2 meses ou naquele curso de história da moda. Preciso encontrar a força que vai me ajudar a encarar esses tempos ruins e lembrar que aqueles dias tão lindos, que por mais que as vezes eu esqueça, sei que sempre vem, estão ali dobrando a esquina.


* ouvindo Little Wonders, que é cafona, mas que é uma das maiores lembranças daquela vida, que foi minha e me fez muito feliz.

Mein liebe

Já falei sobre meu amor por Berlim aqui. Inclui Berlim numa viagem por questão de conveniência geográfica, não pesquisei absolutamente nada sobre a cidade, e desembarquei lá de trem com tudo que eu lembrava das aulas do colégio. Só. E como dizem por aí, não criar expectativas é uma virtude... Veja bem: se você criar altas expectativas sobre Berlim, elas serão alcançadas, fique tranquilo. Mas cheguei lá sem fazer idéia do que me aguardava, e isso conseguiu deixa-la ainda mais incrível. Me apaixonei instantaneamente pela cidade, pelos bairros, pela vibe, pichações, batida eletrônica, e pela sensação de estar no meio de tudo, na maior paz. Detalhar como ver e viver tudo isso fica pra outro post. Agora, apenas um appetizer...


Ich liebe Berlim <3

Metas: sempre é tempo para mais uma!

Tava aqui, tirando aquelas bolinhas que insistem em surgir na minha meia, quando parei pra pensar: será que eu largo muito do que eu começo pela metade? Comecei a lembrar do ballet, do sapateado, do piano, francês...pois é...tudo que eu larguei pelo caminho. Pensando melhor ainda, fiquei com a impressão de que o que serve pra vida profissional eu levo até o fim, e o que serve pra mim, para o meu gosto pessoal, vai ficando pelo caminho conforme o tempo vai apertando, o dinheiro, a paciência, etc. Acho injusto. Acho injusto que eu leve os meus empregos tão a sério, passe o dia olhando o blackberry pra ver se o chefe mandou e-mail, mas tenha deixado tantas coisas que eu gostava pra trás por falta de tempo. Não que a solução seja tratar a minha vida profissional com desleixo, mas acho que ta na hora de olhar para a minha vida pessoal com o mesmo carinho. É isso, mais uma meta para 2013 :)

Porque juntos somos (mais) fortes

Eu achei que esse dia nunca chegaria. As pessoas no Brasil sempre tiveram mania de achar que discutir política é causar desconforto. Ficavam naquelas de que política, futebol e religião não se discute. Só que essa máxima tem um probleminha: a sua religião é problema seu, o time para o qual você torce, também. Já a política é um problema de todos. É meu, é seu, e precisa ser discutida sim. 

O brasileiro também é conhecido por seu um povo acomodado, não se mexer por nada e é lindo ver uma nação entender que de R$0,20 em R$0,20, engoliu muito desaforo. 



E é por isso que hoje foi um dia histórico, que valeu viver para ver! E por isso também que espero que isso não acabe aqui. O que aconteceu hoje foi uma mostra do nosso poder, de como podemos nos unir, exigir respeito, cobrar nossos direitos, sermos um povo melhor e desejar (e ter) governantes melhores. Eu realmente desejo que essa ânsia do brasileiro por justiça social, por dignidade, por uma vida e um país melhor não acabe, não passe, não descanse. Eu desejo que em outubro do ano que vem, ela esteja mais forte do que nunca!

*ouvindo Patti Smith, People have the Power

As palavras que me faltam sobram aos outros

Eu sempre gostei de escrever, mas isso não significa que escrevo bem. Fui uma criança que tinha uma certa facilidade com para me expressar, e embora tenha seguido uma carreira inclinada à explorar isso, sinto que cada vez mais estou perdendo a habilidade com as palavras. Volta e meia me pego pensando em alguma situação, alguma coisa, que eu não consigo explicar. Fico consumida. E é muito bom quando você encontra alguém que consegue descrever aquilo com perfeição. Da até um alivio: há...não estou sozinha!!

Pois bem. A conversa toda é porque eu achei um texto em um blog de uma pessoa que não conheço, primeira visita, que traduziu perfeitamente uma sensação que toma minha cabeça em certas situações. 
Carmem Guerreiro tirou palavra por palavra da minha mente (e certamente, não só da minha, mas de um monte de gente) e fez um texto claríssimo e sem afetação, o qual eu vou replicar aqui, pra abreviar o assunto:

"A arrogância segundo os medíocres
“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez.
“Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências  quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.
Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.
Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, comente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aquele que a gente conta nos dedos das mãos).
Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.
Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.
Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.
Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!
Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.
O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:
1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.
2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.
3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A viuvinha))
4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.

Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito."

E eu nunca mais vou precisar tentar entender o que está se passando na minha cabeça quando alguns olhinhos rolarem por aí. 

Aquela Árvore

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é ficar xeretando pela internet, procurando gente interessante. Porque sim, tem muita gente criativa por aí. E essas pessoas fazem os meus dias mais felizes! Eu queria muito ser criativa assim, e olhar para algo tão banal, aparentemente tão trivial, e fazer parecer tão único. Acho que isso é um dom. 



Pois bem, o criativo que alegrou meu dia foi o Mark Hirsch, um fotógrafo de Iowa, que como todo fotógrafo profissional, não achou que a câmera do iPhone fosse lá grandes coisas. Mas aí ele fotografou Aquela Árvore que estava no caminho de todo dia há 19 anos. A partir deste dia, Mark fotografou Aquela Árvore todos os dias, durante 1 ano, com seu iPhone. O resultado é dos mais lindos, e vai virar livro. O site vale - muito - a visita!

Mais gelo, por favor...

As últimas semanas estão sendo complicadas. Estou num momento de questionar minhas escolhas, de parar pra pensar se era isso mesmo que eu desejei quando pulei algumas ondas no meu maravilhoso ano novo. Esse tipo de sentimento é um saco...te põe pra baixo, é aquela deprê do inferno, você só consegue ver as coisas ruins, tudo fica ainda muito pior, e tira a vontade das coisas boas. To nessa bad há uns dias. 
E aí que esse friozinho no final de semana, essa pinta de chuva e tal, não estava me ajudando a tirar a nhaca.  Mas né, hoje é sábado, e eu tenho uma  reputação a zelar. Eu vou é tomar meus bons drinks, por minha botinha zebu pra arrasar, paquerar todos os hipsters barbudos que achar no meu caminho, e voltar pra casa com aquela sensação de guerra perdida pro cartão de crédito (e pra dignidade), mas ganha pra alma!

A desgraça vai começar nos ótimos Vaccines, e vai acabar onde e quando o corpo cansar, porque a vida pode ta uma bosta, mas sábado é sempre sábado, e merece um pouco da nossa dedicação.


She's up there somewhere now

Ontem foi o dia das mães e eu passei o meu dia inteirinho agarrada na minha.
Hoje, depois de chegar morta do trabalho, resolvi assistir um dos meus filmes favoritos, o excelente Adeus, Lenin!
Assisti a primeira vez em 2004, porque o professor do cursinho disse que era um filme que podia ajudar na Fuvest. Fiquei encantada: é um filme muito original, sagaz e fofo...muito fofo! Alguns anos depois eu assisti de novo, e achei ainda mais interessante, os diálogos e as sacadas muito inteligentes. E então eu fui pra Berlim.. e eu me apaixonei por Berlim. E me apaixonei ainda mais pelo filme, em ver Berlim tão linda nele, tão igual e tão diferente dele. E hoje, vendo pela vigésima vez, eu entendi porque eu amo tanto: porque o que move o filme, além de Berlim, é uma mãe. O amor de mãe. E o amor que mãe desperta. E é tão lindo ver tudo o que o Alex faz pela mãe dele, e como ele é feliz de fazer... Não tem jeito. Não importa da onde você vem, em que época viveu... alguns sentimentos, só a mãe da gente faz brotar.


Love is all we need

Nas minhas xeretâncias pela internet, hoje eu achei esse site lindo, The Battle We Didn´t Choose . Um marido, fotógrafo se eu entendi bem, que fotografou a batalha de sua mulher contra o câncer de mama. E que lutou junto. E amou...amou muito. E com o lencinho em punho, depois de muito chorar, eu realizei que é isso que eu quero pra mim: um amor que seja amor até o fim!


Redneck's heart

Quem me conhece sabe que a minha vida se divide em AW/DW: antes do Wisconsin, e depois do Wisconsin.


Essa mudança toda não se deve a esse pedaço vermelho no mapa em si, mas às pessoas que eu conheci lá, aos interesses que eu passei a ter, à forma de ver o mundo e as pessoas, enfim, à pessoa que eu me tornei lá. Até então, eu sabia que eu gostava de viajar, mas nunca tinha viajado muito propriamente dito, haha. Acho que eu viajava mais na maionese do que pelo mundo. Eu tinha saído há pouco tempo de Pariquera, e ainda era crua aqui em São Paulo... ainda não tinha conhecido as pessoas que de fato eram diferentes de mim, pensavam diferente, tinham sido criadas de outra forma.E cheguei no Wisconsin e conheci aquela gente toda. Americanos, eslovacos, peruanos, poloneses, ucranianos, jamaicanos, russos, chilenos, lituanos, etc... Eu fiz amigos do CAZAQUISTÃO. Além da adaptação à uma (não) cultura diferente e todo o processo de ficar sozinha pelo mundo.

E não interessa se esse crescimento todo poderia ter sido em qualquer outro lugar: na Flórida, na California, em Pequim, Roma ou no próprio Cazaquistão. Foi no Wisconsin. E é por isso que eu amo aquele lugar.

Desde que voltei, todo americano que eu encontro e conto que morei no WI me olha com cara de "WTF?!".  Eu sempre tento explicar, mas mal começo e já desanimo, porque nunca faz total sentido.

Mas toda vez que eu lembro dele, dos lagos, das maçãs, da minha casa, meus amigos, meu carro, os parques, baladas e histórias (felizes ou não), ainda que 6 anos depois, me da uma nostalgia, e aí eu penso: Wisconsin, ninguém precisa entender, mas eu quero que você, com tudo o que tem dentro, fique pra sempre no meu coração.

*Escrito ouvindo: Tame Impala

There's no free lunch

Desde que eu saí de Pariquera, eu sempre fiz o que eu quis.
Sempre vivi a vida que eu quis (e que eu podia, né, senão estaria divando em Berlim). Festa atrás de festa, porres, ideias erradas, dançando como nunca, rindo, pra mim tudo sempre foi história pra contar. Embora a ressaca doesse, pra mim não tinha nada mais delicioso do que passar o domingo gargalhando das presepadas da semana.
Nunca fui irresponsável (ok, até fui uma vez ou outra, mas quem nunca, né?) e não sou uma perdida da vida. Muito pelo contrário: sou boa filha, respeito as pessoas, me formei em boa faculdade, minha carreira vai muito bem, obrigada. 

Mas eu sempre soube que viver a vida assim, como se ninguém tivesse olhando, deveria ter algum contra. Afinal de contas, se fosse assim, só maravilha, mais gente faria isso, né?! Pois é. Eu não me arrependo. Tanto não me arrependo, que as poucas vezes que eu parei pra pensar que "deveria me conter, o mundo julga, e se eu estou nele, tenho que dançar a música que toca, não importa quão chata seja", não durou 24 horas, porque eu não sei ser de outro jeito. 

Mas isso não significa que eu não pague um preço né... porque mulher com opinião, que não se intimida e não faz a frágil assusta. Assusta homem, assusta chefe, assusta, inclusive, quando chora. E por mais que ninguém diga, é sabido que aquela pessoa boazinha, que ta sempre sorrindo, que não esbraveja pra ninguém, que é super feminina e delicada em cada gesto, acaba agradando mais. Gera menos desconforto ao longo da vida. 

Os anos estão passando, e eu vou vendo que estou pagando com pequenas coisas, dia após dia, por ser exatamente do jeito que eu sou. E por mais que eu não queira viver de outra forma, sempre que eu identifico esse preço na razão de uma partida, confesso que ficou um pouco mais decepcionada com esse mundo. 


But if the stars shouldn't shine...

I can give it all on the first date
I don't have to exist outside this place
And dear know that I can change

But if stars, shouldn't shine
By the very first time
Then dear it's fine, so fine by me
'Cos we can give it time
So much time
With me

And I can draw the line on the first date
I'll let you cross it
Let you take every line I've got
When the time gets late

But if stars, shouldn't shine
By the very first time
Then dear it's fine, so fine by me
'Cos we can give it time
So much time
With me

If you want me
Let me know
Where do you wanna go
No need for talking
I already know
If you want me
Why go

I can give it all on the first date
I don't have to exist outside this place
And dear know that I can change

But if stars, shouldn't shine
By the very first time
Then dear it's fine, so fine by me
'Cos we can give it time
So much time
With me


Ahhh o verão...

O verão é aquela época de ano capaz de animar qualquer povo, por mais frio que seja. Todo mundo se anima, sai sorridente pela rua, vestindo roupas menores, leves, coloridas. As calçadas dos bares lotam, todo mundo no maior flerte, combinando as baladas da praia no final de semana, só corpos bronzeados.

São Paulo, 07 de fevereiro de 2013. 13h. 19 graus, chuvisco fino, pessoas de cardigan e cara amarrada pela rua. Cade o verão que tava aqui?!

Bons tempos

E aí que como eu disse eu ando numa fase toda alegrinha, né. Toda otimista, e tal... Música fossa, de cantar de olho fechado, chorando e escorregando pelo box, aquela coisa Regina Duarte meets Manoel Carlos, anda passando longe do meu iPod.
To numa pegada toda alegria e ousadia indie feliz!
Então eu resolvi fazer uma mini-playlist desse momento abestalhado, pra vir olhar quando o bater aquela deprezinha, e a cabeça da gente só pensar "never mind I fiiiind someone like yooou".

O aquecimento começa no clima Woodstock, toda home is when I'm in love with you. Só pegar a cerveja na mão e sair crente que ta indo direto pros 70s...


E pra manter uma pegada meio vintage, essa delicinha, que já vai começando a dar o clima do bate cabelo...


Agarra outra cerveja, e vai seguindo na malemolência indie...




E da-lhe dancinha pela sala... 


Aí vai chegando a hora de jogar o bracinho pra cima...


E nessa você, que já ta com as mãos pro alto, fecha o olho e vai cantando, bota pra fora toda aquela angústia dançante que só Morrisey nos proporciona...


Aí você já mei alcolizada, aproveita o embalo dos Smiths, e resolve fazer o Tom Hansen, cata o controle remoto e dá aquela cantadinha


E aí, quando você está cansando de fazer aloka sozinha pela casa, manda aquela calminha, bonitinha, pra sossegar a bacurinha os ânimos e já ir tomando o rumo da cama.


É... Quando esses bons ventos batem, é bom aproveitar e dançar sozinha pela casa MESMO, porque daqui a pouco vem inferno astral, você conhece um idiota, quebra a cara, e aí, não tem jeito: o coração da gente só aquece com Adelão!

2013

Sempre fui muito fã de ano novo. Eu, pessoa claramente pessimista que sou, fico tomada de uma esperança por dias melhores, de mudanças positivas, viro Poliana mesmo. Só que todo ano quando chega dia 2, 3, no máximo 5 de janeiro, eu já caio na real, paro de ser tonta e entendo que é só mais um ano, como todos os outros. Que será bom por vários motivos, e será um saco por tantos outros.

Pois é...estamos no dia 8 e eu estou ainda mais otimista.

Eu não sei se minha carreira vai dar a guinada que eu venho sonhando, eu não sei se eu vou fazer alguma das viagens que eu tanto planejo,  eu não sei se eu vou finalmente encontrar o amor, e nem se eu vou me divertir o tanto que eu imagino...mas a impressão que tenho é que será um ano de mudanças. Boas.

2012 também foi um ano de mudanças, mas de muitas mudanças internas. Eu sai da zona de conforto, aceitei alguns defeitos, lutei contra outros, entendi que certas coisas são como são e não mudarão, e acabei o ano me enxergando exatamente do jeito que estou, com tudo de bom e ruim que tem dentro do pacote. E acho que esse conhecimento todo a meu respeito me deu tranquilidade pra entender o rumo que as coisas vão tomar daqui pra frente. Pra entender porque as coisas acontecem e saber lidar com elas.

E eu acho que é por isso que 2013 vai ser um bom ano. Porque depois que a casa ta arrumada por dentro, chega a hora de por as flores na janela. Feliz ano novo!!!

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