There's no free lunch

Desde que eu saí de Pariquera, eu sempre fiz o que eu quis.
Sempre vivi a vida que eu quis (e que eu podia, né, senão estaria divando em Berlim). Festa atrás de festa, porres, ideias erradas, dançando como nunca, rindo, pra mim tudo sempre foi história pra contar. Embora a ressaca doesse, pra mim não tinha nada mais delicioso do que passar o domingo gargalhando das presepadas da semana.
Nunca fui irresponsável (ok, até fui uma vez ou outra, mas quem nunca, né?) e não sou uma perdida da vida. Muito pelo contrário: sou boa filha, respeito as pessoas, me formei em boa faculdade, minha carreira vai muito bem, obrigada. 

Mas eu sempre soube que viver a vida assim, como se ninguém tivesse olhando, deveria ter algum contra. Afinal de contas, se fosse assim, só maravilha, mais gente faria isso, né?! Pois é. Eu não me arrependo. Tanto não me arrependo, que as poucas vezes que eu parei pra pensar que "deveria me conter, o mundo julga, e se eu estou nele, tenho que dançar a música que toca, não importa quão chata seja", não durou 24 horas, porque eu não sei ser de outro jeito. 

Mas isso não significa que eu não pague um preço né... porque mulher com opinião, que não se intimida e não faz a frágil assusta. Assusta homem, assusta chefe, assusta, inclusive, quando chora. E por mais que ninguém diga, é sabido que aquela pessoa boazinha, que ta sempre sorrindo, que não esbraveja pra ninguém, que é super feminina e delicada em cada gesto, acaba agradando mais. Gera menos desconforto ao longo da vida. 

Os anos estão passando, e eu vou vendo que estou pagando com pequenas coisas, dia após dia, por ser exatamente do jeito que eu sou. E por mais que eu não queira viver de outra forma, sempre que eu identifico esse preço na razão de uma partida, confesso que ficou um pouco mais decepcionada com esse mundo. 


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