Pra ser feliz em 2015

O mar de esperança que me invade todo ano novo ainda não chegou. É que eu preciso estar na praia para ser alcançada por ele, e hoje é dia útil. Com certeza invadirá em 24 horas. Mas achei bom aproveitar justamente a onda realista, antes da onda otimista, pra estabelecer aqui algumas metas para 2015. Não quero nada que me consuma, mas sim coisas que me motivem. Depois de muito pensar, vamos lá.
1- Voltar a estudar. Um curso curto, uma pós, tanto faz. Aprender alguma coisa nova é o que eu quero.
2- Fazer mais exercícios. Estava indo bem, mas preciso focar mais nisso.
3- Ler mais livros. Li mais em 2014 do que em 2013, mas tá pouco. Usei meu vale compras de Natal do trabalho na Saraiva e comprei um número de livros já maior do que li este ano, pra impulsionar o desafio. Ler todos eles já é um começo.
4- Triplicar o valor que eu tenho guardado em conta. Tenho alguns planos grandes para o futuro, e planos grandes demandam orçamento grande.
5- Voltar à Europa. Eu sei que é complicado triplicar a poupança de um lado, e ir pra Europa com o Euro quase em R$4 do outro, mas essa é a grande beleza da vida: se virar nos 30 e fazer acontecer.
6- Não fazer compras por impulso. É uma tarefa árdua pra mim, mas ajudará e muito nos itens 4 e 5. E eu preciso mostrar praquele guarda roupa quem manda nessa bagaça, hahaha.
7- Fazer voluntariado. Esse ano fiz várias pesquisas sobre instituições, participei de algumas ações, mas quero algo mais concreto e efetivo.
8- Conhecer algum lugar novo no Brasil. O Brasil é tão rico, tem tanta coisa, e a gente aí, sempre fazendo mais do mesmo. O Rio de Janeiro é lindo e eu amo ele, mas eu preciso dar meus feriados para algum outro lugar.
9- ter (ainda) mais filtro. Antes eu queria consertar o mundo, e já passei dessa fase. Agora, me limito a dar minha opinião quando é solicitada. Ainda assim, preciso lembrar de guarda-la para quem de fato está interessado nela.
10- keep positive. É o principal. Esse ano, apesar de tudo que passei, me mantive sempre positiva e ó, faz uma diferença inacreditável. 
Feliz 2015!

Amsterdam (e a vontade de férias)

To com saudade de férias... MUITA saudade! Vai chegando dezembro, e tudo que eu queria era ter 15 anos de novo e passar a vida no mais delicioso dolce far niente.
Pra matar essa saudade (já que férias mesmo, acho que só em junho), vou fazer aqui uma série de posts sobre algumas viagens que fiz. Mais uma vez, importante lembrar que não sou uma viajante profissional e não tenho pretensão de ser uma blogueira de viagens, até mesmo porque acho que não tenho repertório pra isso. Mas escrevo esse blog como um arquivo de memórias, e as viagens são doces memórias que amo reviver. Além disso, eu me diverti pencas lembrando da minha viagem pra Polônia (e ainda serve pra responder aquela pergunta que sempre fazem "como foi a viagem?" e que você não sabe nem por onde começar a falar). Voilà.
***
Amsterdam foi a porta por onde entrei na Europa a primeira vez (e curiosamente, na segunda também). A primeira vez que fui, fiquei na casa de um amigo, que estava me esperando no aeroporto. A Europa sempre foi um sonho pra mim, e ir vendo a cidade no nosso caminho até o centro me deu muita vontade de chorar de alegria feat. emoção. Como não era um amigo super próximo, segurei a onda. Chegamos em casa, mal deixei as malas e ele já tava pronto pra gente ganhar a rua. Eu estava tão mais empolgada do que cansada, que nem me liguei que não tinha tomado nem banho depois de 14h de trânsito. Eu fui, e essa foi a primeira foto que tirei:
Não tem como não se apaixonar muito por Amsterdam. É uma cidade em sépia, gente, hahaha... Apesar de venderem muito como a cidade da porralouquice, eu acho uma cidade extremamente romântica. Meu amigo andou muito comigo, me mostrou vários pontos turísticos, como a casa da Anne Frank, o Red Light District, a pequena Chinatown que tem por ali, a Centraal Station (que eu acho divina de linda), o colossal estacionamento de bicicletas, alguns coffee Shops, a Dam Plein, o Iamsterdam. Me levou pra comer comida local, me joguei nas bitterballs e fui a loucura com o stroopwafel. Também me deu algumas dicas de turismo avançado em Amsterdam, tal como fazer check in e check out com o bilhete no transporte público, para pagar somente o preço equivalente ao trecho percorrido e não o preço cheio. Fomos em baladas, e eu passei dias incríveis por lá. Como ainda estava engatinhando nessa vida de viagens e achava que nunca mais voltaria lá, me ative, em 95% do tempo, em programas para turistas facilmente encontrados em qualquer guia. Nos outros 5% do tempo, ele me levou pra um programa incrível: fomos a Zaanse Schans, em Zaandam.
Zaandam é uma cidadezinha coisa de 20 minutos de Amsterdam. Tem inclusive um ônibus que saí da Centraal Station (91 de acordo com o Google). Nela tem Zaanse Schans, que é um museu a céu aberto, coisa mais linda. Um campo com inúmeros moinhos, fábrica de queijos, fábrica de tamancos, fazendinha pra crianças, aluguel de bicicletas, e eu nem sei explicar a lindeza que é olhar aquilo.

Passei horas incríveis no maior sossego. Era um domingo de sol em janeiro, não estava muito frio e não estava cheio. Tinha muitos holandeses com os filhos, e me pareceu um programa bem fora da rota turística. Alias, para ver moinho, vale muito mais a pena do que aquele que tem no meio da cidade. Voltamos para a cidade, meu amigo foi pros afazeres dele, eu fui fazer um boat tour e olha... só recomendo se estiver chovendo, ou caso tenha (muito) pouco tempo na cidade, tipo algumas horas de conexão. A cidade é pequena, e da pra cobrir todos os pontos que o tour mostra a pé, podendo tirar fotos mais belas, no seu tempo, sabe? Eu fiquei encantada com o aspecto "casa de boneca" das construções por lá, mas mais encantada ainda eu fiquei com as casas-barco. Durante o boat tour, passei por um casal mais velho tomando café da manhã num barquinho, e eu decidi que era missão de vida morar numa casa daquelas.
Pois bem... em 2012 eu voltei para Amsterdam (pra quem achava que nunca mais voltaria, voltei bem rápido), e morei numa casa barco por 3 maravilhosos dias.

Sabe aquela varandinha ali no canto direito?

Pois é. Em 2012 fiz uma viagem, que até agora considero a melhor viagem da vida (intercâmbio é intercâmbio, não é viagem, rs), acompanhada de grandes amigas. Depois de ficar muito passada com o preço dos hotéis (que eram muito caros e com avaliações que iam de bedbugs até ratos) e dos hostels, lembrei que era hora de realizar aquele sonho. Recomendo fortemente. Nossa casinha ficava num dos principais canais no Jordaam, o Prinsengracht. O Jordaam é um bairro mega charmoso, cheio dos cafés, restaurantes e holandeses. Sério.. é até sofrido, porque você quer ficar em casa vendo a vida passar pela janelinha, mas quer sair porque né.. está em Amsterdam. Outra parte interessante da experiência foi provar um pouco da falta de privacidade das casas holandesas. Eles vivem com as cortinas abertas, acho incrível que você anda pela calçada e vê a família inteira jantando na moral, com as cortinas abertas, hahaha... Na nossa casa tinha umas janelinhas no nível da rua, e obviamente umas criaturas enfiaram a cara lá, né. Eu tenho um pouco de irritação com lugar apinhado de turista, e o Jordaam é um bairro um pouco mais sossegado.
Ruas do Jordaam
Por ali fomos no restaurante com a melhor torta de maçã que eu já comi. A dica é quentíssima, anote: Winkel 43. O restaurante é puro charme, a comida é muito gostosa (comi uma carne bem delícia) e essa torta... é o sonho em forma de torta. O restaurante fica na pracinha do Noordermarkt onde, às segundas tem um mercado muito legal, com muita roupa, quinquilharias interessantes, discos, tecidos, coisa de babar. Aos sábados na mesma praça tem um farmers market bem animado também.

Fomos ao Van Gogh (missão que eu havia falhado miseravelmente um ano antes). Era segunda de tarde, e não tinha fila. Achei impressionante tanto o acervo quanto a beleza do museu, que fica na Museumplein, praça com os grandes museus de Amsterdam. É lá também que fica o letreiro Iamsterdam e tiramos todas as fotos necessárias para que não confiscassem nossa carteirinha de turista. Depois sentamos na pracinha e eu comi Stroopwafel feito na hora, quentinho, e quase chorei de emoção. Ali do ladinho tem o Vondelpark, o parque mais famoso e gigantesco da cidade. Lá é bem lindo, e tem uma mistura bacana de turista e holandeses fazendo picnic.
Indo pra outra ponta da cidade, à esquerda da Centraal Station, fomos na Openbare Biblioteek Amsterdam - OBA, a maravilhosa biblioteca pública de Amsterdam. Na minha primeira ida li a respeito do observatório no 6º andar, e gostei muito quando fui. Já que estava lá, vamos repetir, né? A biblioteca tem 5 andares de muito entretenimento, com livros, áreas de estudo, brinquedoteca para os pequenos etc. No último andar, tem um restaurante com comidas mais em conta (Amsterdam é bem carinha) e um terraço com uma bela vista:

Nesse pedaço tem esse restaurante oriental flutuante, que não sei dizer se é bom mas é bonito, vai, e também o Nemo, que é um museu científico. Tem ainda o museu do mar que é em forma de barco, que também não fui mas to mencionando para quem se interessar se programar pra visitar tudo de uma vez. Esse museu do mar deve ser interessante, se pensar que a Holanda briga com o mar desde que o mundo é mundo. Taí, acho que preciso ir lá ver com meus olhos.   
Fomos a diversos coffeeshops e cafés (o café é bar, coffeeshop são aqueles, que não vendem bebida), andamos muito, vimos várias lojinhas de mimos e todos os dias voltávamos felizes pra casa, pra ver os nossos patos de estimação no canal. Sério, apareceu até um cisne na nossa varandinha... Estar num lugar desses com duas melhores amigas é uma coisa inexplicável. Como eu disse, é a cidade da porralouquice, então a gente tomou umas (muitas) biritas, dançou pros barquinhos que passavam na nossa varanda (como eu passei um ano antes) e várias dessas merdas que amigas fazem quando se reúnem. Foi ainda mais especial porque uma das minhas amigas tinha se mudado 6 meses antes para Berlim, e foi nossa primeira reunião. Imagine o grau da idiotice das garotas né?

Amsterdam só me traz memórias incríveis, e por ser o primeiro lugar, foi o início de duas belas jornadas. Não tem como não morrer de amores. Quanto mais eu olho essas fotos, mais eu escuto a música (sim, porque sempre tem um músico na rua tocando algo que faz você se sentir num filme com trilha sonora e tudo), e me sinto romântica. É isso, Amsterdam traz uma sensação de estar apaixonada sem estar, de que você está vivendo um filme europeu da melhor espécie. Já passou da hora de voltar.

Em 2014 eu...

... comecei o ano assim, e um ano que começa desse jeito não tem como ser ruim, né?

Mas fato é que foi um ano muito diferente, e acho que o mais marcante dos últimos tempos, porque tive grandes impactos tanto na vida pessoal como profissional. Passei por coisas extremamente dolorosas, mas por outras muito deliciosas.

Reconheci que estava sofrendo assédio moral no trabalho, que não eram as pressões do cargo, que não eram coisas do mundo corporativo. Uma coisa que nunca imaginei passar na minha vida, de certa forma achava que nem existia. Foi frustrante, me deixou marcas profundas, mas me deu força para dar o maior salto da minha carreira: em 2014 eu virei Gerente.

Na minha casa, as mudanças não poderiam ser melhores. Uma das minhas melhores amigas veio morar comigo, e tudo funcionou lindamente. Trouxe leveza para os meus dias, fortaleceu ainda mais a parceria, e não poderia ter sido melhor. Fiz as mudanças que queria, arrumei um quarto novo, e hoje adoro estar em casa.


Eu viajei até que bem... sempre menos do que eu gostaria, é verdade, mas não posso reclamar. Passei um final de semana em Detroit e uma semana no México por conta de trabalho, fui a Buenos Aires com mamãe, e finalmente tirei férias... foram 15 dias incríveis em NYC, cercada das melhores amigas e excelente energia. Conheci Holambra, um cantinho (muito) holandês a 2 horas de São Paulo. Fui ao Rio algumas vezes, e não tem erro... quanto mais eu vou, mais eu quero ir. Que saudade do carnaval... ahhhh que saudade! 

Eu superei medinhos. Perdi peso (o peso que tinha ganhado durante esse ano, e nem foi tudo, mas ta valendo, né?), voltei a fazer atividade física, fui a dois lugares que ainda não conhecia, não comprei nenhum biquíni, fui ao médico e fiz os exames. A parte que mais gostei dessa listinha? Elogiar as pessoas... botei em prática, e me senti feliz. Como é bom fazer um elogio sincero, né? É de se pensar como a gente sempre tem uma crítica na ponta da língua quando alguém faz merda, mas fica silenciosamente admirada quando alguém manda bem. Esse ano exercitei meu lado elogioso, e me fez muito bem (e tenho certeza que aos elogiados, também). Prática para manter em 2015. Eu também cumpri outra promessa feita no blog, virei uma poupadora. Vá lá que poupei menos do que gostaria, hahaha.. mas é um começo, vai.
Percebi que meus pais estão envelhecendo e sofri. Mas ao olhar a vida que eles viveram, e que ainda vivem com tanta alegria, senti um imenso orgulho de tudo que construíram, da educação que me deram. Família é assim... a gente briga, a gente se ressente, mas é o que de mais valioso que a gente tem. Eu passei bons momentos com meus pais, e melhorei muito o relacionamento com meus irmãos. Sofremos todos juntos a partida do Vô, e acho que, ainda que silenciosamente, saímos todos vitoriosos de 2014.

Conheci a pessoa mais especial que já cruzou o meu caminho. Uma pessoa que só soma e que me fez descobrir as melhores nuances do meu "eu". Uma pessoa que escuta Beattles de manhã comigo, que tem os sonhos mais doces, que gosta das gororobas que eu cozinho, que dança esquisito comigo na balada, que defende um mundo igualitário, e que fez a minha vida mais feliz. Junto com ele, um grande desafio: me tornei "madrasta". Entrei num relacionamento que está longe de ser simples, mas que me recompensa todos os dias. Me sinto feliz, me sinto amada, me descobri madura, responsável e capaz de encarar uma pedreira. 
   
Agradeci todos os dias por ter as amigas que tenho. Vi - do altar - minha primeira amiga de infância a se casar. Vi minhas amigas realizarem seus sonhos, darem a volta ao mundo, viverem dias difíceis, sofrerem perdas, se procurarem, algumas se encontraram, outras ainda estão na luta... mas todas juntas, sempre juntas. Não me faltaram em um minuto, e eu também não faltei. Estiveram do meu lado durante tudo que eu disse aí pra cima. Foi um ano em que todas vivemos intensamente, umas mais perto, outras mais longe, cada uma trilhando seu caminho, todas lado a lado. 

As melhores da minha vida. E tem gente que não ta nas fotos, mas tá no coração <3 

Acho que é isso... saio de 2014 com o coração preenchido, uma tatuagem nova, mais histórias pra contar e com a sensação de ano bem vivido. Que 2015 seja positivo assim :)

Com amor, para o Velho Oeste

Hoje li um texto aí de uma menina falando da paz, da tranquilidade que ela tem em sua cidade natal. A forma com que ela descreveu as coisas, o carinho com que falou da sua cidade me deu certa tristeza no coração, porque apesar de eu ter amado a minha infância lá, eu não sinto essa paz interior, esse carinho pela minha cidade. Temos uma relação bem conturbada, e eu acho que é coisa de terapia. Eu vou pouco, e quando vou, gosto muito de estar na casa dos meus pais. Eu me sinto feliz lá. Mas lá dentro. Dentro da casa que cresci, que tem a cara deles em tudo, e só. Eu adoro os meus amigos que ainda moram lá, mas poderia encontrar com eles em qualquer outro lugar do mundo. Não sinto qualquer identificação com todo o resto, tenho uma aversão à certas ideias que correm tão soltas, ao julgamento pronto que todo mundo tem pra tudo. E acho triste não sentir apego algum por um lugar onde morei 17 anos da minha vida, onde foi construída a base do que sou hoje.
Mas aí eu lembrei que eu tenho sim um lugar que me cheira infância, que desperta as minhas melhores memórias, que não tem ressentimento, que cheira biscoito de champagne...
Ahhh o velho oeste!! A cidade que eu passava os meses contando pra me jogar, pra encontrar minhas primas, pra brincar de tudo.. eu tenho tanta coisa boa pra lembrar. O vô sentado na calçada, a gente dançando na "chuva" do caminhão de veneno (para desespero do mesmo vô que tava sentado na calçada), pescaria no corgo, esconde-esconde no cafezal, suspiro da Tia Hélia, sexta de cinema do Cine Santo Antônio, sorvetes e mais sorvetes na Cherry, a chuva de gotas grandes no fim do dia que desperta o calor mais infernal do chão, aquele horizonte... O vô ensinando a gente a pescar, o vô cortando cana pra gente chupar, o vô derramando tubaína Funada na mesa e botando a culpa em mim, o vô, o vô, o vô... O cheiro da fábrica de biscoito de champagne as 4h, que soltava aquela fornada crocante, a vó de bobes, a YellowBox, papelaria com todas as borrachinhas e clipes coloridos que uma garota de 10 anos pode sonhar, os incontáveis shows do Chitãozinho e Xororó, aquela cantoria sofriiiida de Evidências.. Que lembranças maravilhosas que Adamantina me traz. Que esse quintal aqui me traz. 

E se tem um motivo pelo qual dezembro é o meu mês favorito do ano, é porque é pra lá que eu vou.  Mesmo que não tenha mais biscoito de champagne, nem corgo, nem chuva de veneno, nem Cine Santo Antônio, e nem o vô. Eu vou deitar naquela rede, vou olhar pra essas flores, vou ver o calango subindo pelo muro e vou me sentir a pessoa mais feliz do mundo. Segura velho oeste, segura que eu to chegando.

Juízo

Lembro que quando meus dentes de leite começaram a cair, eu ficava meio apavorada. Meu pai vinha com o fio dental, amarrava uma ponta no dente mole, a outra na fechadura, e eu ficava lá choramingando que não queria sentir dor. No primeiro minuto de distração, meu pai, acidentalmente, fechava a porta, e *blam!* - era uma vez um dente na boca. Rápido, indolor e DE GRAÇA.
 
Agora estou aqui, inchada e morta de dor depois de tirar a última dupla de sisos.. e não bastasse isso, alguns milhares de reais mais pobre. Sério.. quando você já tem certeza que era feliz e não sabia, ainda vem essa pá de cal.
 
Só queria minha banguelisse marota de volta...
 
 

Polôôôônia

Essa semana uma amiga veio me perguntar coisas sobre a Polônia, e eu senti uma saudade daquela viagem...
Começando do começo: quando morei nos EUA, fiz muitos amigos do leste europeu. Basicamente muitos ucranianos e poloneses, alguns lituanos e eslovacos, e duas búlgaras muito especiais. Em dezembro de 2010, a Jéssica, amiga americana que nessas alturas estava morando na Europa, comentou que ia organizar um encontro da galera do WI em Poznan, na Polônia, em meados de janeiro. Primeiro eu fiquei com dor no coração de não poder participar.. depois eu lembrei de 13o, férias vencidas, e saí correndo pra me organizar e ir.
Foi minha primeira ida à Europa, e eu não sabia muito bem por onde começar, já que teria 15 dias, e no final de semana do meio deveria estar em Poznan. Enfim, aprendi muito sobre "viagens" com essas férias, mas isso é assunto pra outro post. Eu só queria lembrar o quanto eu gostei da Polôôôônia (piadinha pra quem fez Anglo, hehe), mesmo no frio desgraçado de janeiro, debaixo de muita neve.
Poznan

É uma cidade relativamente grande - grande para os padrões poloneses. Universitária, cheia de gente nova, já foi capital do País. É lá onde vários dos meus amigos fizeram faculdade. Tem uma praça medieval bem fofa, com uma igreja bonita, e tinha um violinista tocando que depois fui saber que é um músico famosíssimo, toca na Sinfônica de Viena, e sim... estava lá sentado na praça, juntando umas moedas em seu chapéu, tomando um sol no frio de janeiro. Eu cheguei em Poznan num fim de tarde de sexta de trem, vindo de Berlim - coisa de 2h de viagem. E apesar de ser universitária, fiquei passada com a fauna local que quase não falava inglês. Tirando isso, posso dizer que a vodka embaralha um pouco minhas memórias da cidade. Lembro de ter pingado de balada em balada na sexta, de ter comido kebab, de ter dançado na praça, e de nem saber como voltei pro hostel. Sábado fomos passear pela cidade, foi quando vi a tal cena do músico, mas aí era a ressaca que atrapalhava. Passamos em praças e parques bem bonitos, e paramos num shopping (a Polônia é bem barata, e deu pra me jogar de leve nas compritas). De noite, mais balada, mais vodka, mais blur... Domingo passeamos um pouco, almoçamos pra tirar a nhaca, e de noite sentamos num pub pra beber vinho quente e cerveja rosa, coisas que os poloneses gostam muito no inverno.
Foi um final de semana muito intenso, de muita nostalgia, danças malucas, muitas risadas... como foi incrível reencontrar meus amigos depois de 4 anos. E não tinha jeito de melhor de ir chegando na Polônia. Diria que foi amor ao primeiro shot.


Obs - meus pais foram à Poznan alguns anos depois, no verão, e acharam a cidade demais, cheia de bares com gente pro lado de fora, música na rua, puro agito. Recomendo.

Cracóvia

Ou Kraków para os íntimos. Eu já estava com princípio de paixonite pela Polônia, e foi aqui que meu coração se rendeu de vez. Que cidade maravilhosa! Mais uma vez cheguei arrastando mala na neve atrás do hostel perdido, mas dessa vez pelo menos as pessoas falavam inglês. Fui de trem e tive que fazer um caminho meio burro, mas era o que tinha possível - Poznan - Varsóvia - Cracóvia.
A praça medieval é a maior da Europa, com um mercado lindo. Muito cristal a venda... Muitos restaurantes servindo ótimos pierogis com vinho.

Foto da praça no verão tirada do Wikipédia
As ruas da cidade são mágicas, com muitas coisas históricas, eu andava meio abestalhada achando que tinha voltado no tempo. Tem muita gente nova, e apesar de ser inverno (peguei -10 graus), achei a cidade muito viva. Tem vários passeios pra fazer, fiquei 3 dias e achei foi pouco. De lá saem os ônibus para visitar Auschwitz, que vale um post próprio - até mesmo porque é carregado de tristeza, e a lembrança que me fez escrever agora é outra. Tem o bairro judeu (Kazimierz) que é puro charme misturado com história adicionando um sem número de cafés e bares. Tem praças e mais praças, tem um castelo onde a Familia Real polonesa morava quando existia, e vale a visita pelas instalações do castelo em si, e pela vista do rio e da cidade. Tem Papa João Paulo II pra tudo que é lado. Tem um jardim que corta o centro da cidade e é a coisa mais linda. E tem vodka digo baladas. 
Viajei sozinha, e por isso procurei um hostel que tivesse áreas comuns para socializar e conhecer umas pessoas. Pois bem... eu, um americano e um mexicano resolvemos fazer um pub crawl numa terça-feira. Achei que somando dia de semana com inverno seria sossegado... ledo engano. Um casal de irlandeses se juntou a nós, e a guia polonesa fui levando a gente de bar em bar, de pub em pub, de shot em shot.


Lá pelas tantas, acabamos num prédio muito velho meio caindo aos pedaços, onde cada apartamento era uma balada diferente e era a coisa mais incrível do incrível mundo das baladas incríveis. Eu nem me lembro como foi que tudo aconteceu, só sei que quando percebi, era 4h da manhã, eu e o americano estávamos comendo um kebab e tentando entender um mapa de ponta cabeça no meio da praça. E aparentemente tínhamos perdido irlandeses e mexicano (a guia polonesa já tinha escapulido propositalmente há muito tempo). E tudo isso era terça-feira invernal. Ou seja... se a ideia é ferver na night sem gastar todos os dinheiros da sua vida, pode pegar o próximo trem/avião/cipó para Cracóvia.
Importante adicionar aqui que 6 meses depois li que o tal prédio foi interditado porque metade dele desabou, rs.. Sinto muito por aqueles que jamais saberão o que é estar lá dentro. Pelo pouco que me lembro, foi uma experiência de vida.

Varsóvia

Fiquei pouco. Na verdade, os poloneses maldisseram tanto a capital, que só acabei incluindo ela porque encontrei um voo barato para ir de lá pra Praga. Fiquei hospedada na casa da minha amiga Anna, e meu único dia lá começou chuvisquento. Me lembro de estar perdida da silva pelas redondezas da Anna, quando tentei puxar um papo maroto com umas senhorinhas que pareciam saídas de um filme sobre o comunismo. Meu. Deus. Foram 5 minutos de puro divertimento, elas riam, me davam tapinhas nas costas, e eu não faço a mais puta ideia do assunto da nossa conversa. Peguei um ônibus, e contei 14 stops, como a Anna mandou. Desci num pequeno paraíso, conhecido como Royal Baths - um parque gigantesco e lindo no centro de Varsóvia, com um palacete.



Uma imensidão de árvores peladas cobertas de neve, uma coisa pitoresca. E fria. De lá, segui o conselho da Anna, e segui para o museu Copérnico. Desci do tram na paradinha indicada - uma antes do rio, onde dava pra ver o estádio que estava sendo erguido pra Eurocopa 2012. Pra ir do ponto do tram até o museu, eu precisava descer uma escadaria e atravessar uma avenida. E aí que no meio da escadaria eu fui surpreendida por um mendigo com a bunda de fora, que virou seu esguicho de xixi em minha direção. Graças a dio, tive o reflexo de correr antes de ser atingida e, limpinha, decidi que aquilo era um sinal divino pra eu sair fora de museu e ir bater pernocas pela cidade velha. No tram de volta, um cara puxou papo comigo, e me disse que era ator, que a Polônia era só o começo, e logo eu veria ele em Hollywood. Quando eu desci, ele desceu comigo, e fomos batendo papo ao longo da principal avenida da cidade. Lá pelas tantas, coisa de 5 quadras e 10 minutos depois, ele me ofereceu cocaína. Eu demorei 1 minuto pra entender a oferta, e assim que a ficha caiu, bati rapidamente em retirada. Confesso que meu amor pela Polônia era mais forte que nunca... tenho um certo fascínio por gente genuinamente doida, e o país não estava deixando a desejar. Andei mais um pouco, fui ao Palácio da Cultura (obra mais faraônica que já botei os olhos, suprassumo do comunismo por aquelas bandas). Acabei parando para comer mais pierogis, e nessa hora, chegaram Anna e Piotr para me fazer companhia. Andamos pela cidade velha inteira, rodeamos a muralha, passamos pela casa do Presidente, pelo memorial aos soldados mortos e não identificados, pela praça medieval - que como as outras, era também muito bonita. Me levaram pro que sobrou Gueto de Varsóvia e, de carro, fomos andar na parte underground e pobre da cidade, o bairro de Praga, que é sim bem pobre, cheio de prédios velhos, abandonados, com marcas de bala. Talvez de lá pra cá esteja melhor, a Polônia está economicamente muito bem, e o estádio fica no bairro, coisa que ajuda a dar um up. Ao final do dia estava exausta. Fomos pra casa, e as 6h da manhã segui pro aeroporto rumo à Praga - a cidade.

Foi uma semana. Uma grande semana... Não tenho intenção de ser blogueira de viagens, de me sentir expert no assunto, mas se pudesse dar um conselho, seria "abra seu coração pra Polônia". Que país delicioso... Historicamente muito rico, com um povo que sofreu tanto, mas é extremamente divertido, alegre. E se não sai vodka das torneiras, é quase isso. Foi uma das grandes surpresas da minha vida. Como eu não conheço a Itália, a França, a Espanha, muita gente me pergunta o que é que eu fui fazer na Polônia. Mas tenho certeza que o meu sorriso (devidamente escondido na foto abaixo) responde a pergunta.



Pronta pros 30?

Eu tenho 28 anos. Embora eu sinta a maturidade, perceba que estou "envelhecendo", eu não sou ridícula de falar que sou velha, eu sei que sou nova. Mas volta e meia fico com a sensação de que a vida ta passando, e eu tenho tanto o que fazer...
E toda vez que vejo uma listinha do tipo "100 coisas de fazer antes de casar", "50 cidades para conhecer antes de morrer", e coisas do tipo, eu fico ansiosíssima pra saber onde eu estou. É óbvio que isso não dita a vida de ninguém, mas eu gosto de saber.
E aí que eu me deparei com essa lista aqui: 10 coisas que você deve fazer antes dos 30. E vá lá que ela é toda genérica, né... porque essa de experimentar coisas diferentes, se você falar pra c e r t a s p e s s o a s que eu conheço, vai dizer que é beber cerveja, hahaha.... Mas eu fiquei admirada porque é isso, de acordo com essa criatura que eu não conheço e fez essa lista, faltando 6 meses pra fazer 29, to prontinha pros 30. EEEEEE!!!!!!!!!!
 
 
Enfim, vamos pegar uma tacinha, ligar esse sonzinho que eu dançava loucamente aos 25 (meio da década e tals), e bora dar uma olhada nessa maravilhosa dessa vida?
 
1 - Morar Sozinho
Essa é fácil... no texto ele diz aí no sentido de morar sem pais, ser responsável pela sua higiene e limpeza, e isso eu faço desde antes dos 20. Check.
 
2 - Experimentar coisas diferentes
Não tem como falar muito disso aqui sem expor coisas que não devem ser expostas (eu acho que ninguém lê esse blog, mas aí, é só falar coisa que não deve pra se ter desagradáveis surpresas). Mas fato é que um dia eu decidi (i) ir morar no Wisconsin para (ii) experimentar uma cultura diferente (iii) num inverno de -30 graus (iv) ganhando a vida como Lifeguard de parque aquático.
 
3 - Viajar para o exterior
Quando fiz 20 anos, conhecia apenas o maravilhoso Brasil. Hoje conheço Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Polônia, Republica Tcheca, Inglaterra, México e Argentina. Não viajei nem um décimo do que eu gostaria de ter viajado, e tem muito chão pra comer, mas já deixei minha pegada por aí.
 
4 - Dominar um idioma.
Eu sempre sonhei ser poliglota. Ainda não consegui nem dizer que sou trilíngue, mas graças aos meus anos de dedicação forçada (obrigada mãe <3 ) sou fluente em inglês.
 
5 - Curtir a vida adoidado
Meu. Deus. Se não da pra falar das coisas diferentes, disso aqui dá ainda mais medo. Enfim, um dia eu vou fazer o tributo que a minha vida de solteira merece, mas eu posso dizer que eu curti (e continuo curtindo, graças) MUITO. Eu vivo a vida que eu quero, tive incontáveis ressacas, tive uns causos "românticos" extremamente divertidos, nadei pelada no mar, sambei na frente de uma torcida (vai Curintia), corri uma Maratomba de cerveja, vi o sol nascer deitada na praia, fiz amigos pelo mundo, dancei no palco da balada, dancei em cima da mesa de bar, deitei na rua em São Paulo, cantei no karaokê,  participei de campeonato de barrigada, chorei por rapazes, ri da cara deles, e não paro de gargalhar toda vez que sento com as amigas pra falar das delícias dessa vida. É bonita, é bonita e é bonitaaa.. 
 
6 - Construir hábitos saudáveis
Foi aqui que eu quase derrapei. Mas hoje faço ioga com regularidade, tento ir a academia com alguma frequência também, corro de vez em quando e me alimento ok - saladas são sempre mais benvindas. Aprendi a usar filtro solar, a dormir cedo durante a semana e a tomar 2 litros de água por dia. To bem.
 
7 - Levar o trabalho a sério
Minha carreira vai muito bem, obrigada. Eu, que detestava o Direito, achei meu nicho, hoje sou relativamente feliz no trabalho (digo relativamente, porque só a Megasena me traz um brilho ridículo no olhar). Levo a sério e colho os resultados.
 
8 - Considerar a carreira acadêmica
Considerei, e desconsiderei logo em seguida. Não é pra mim.
 
9 - Construir bons relacionamentos
Eu tenho bons amigos. Eu diria que são os melhores do mundo, do meu mundo. Em quantidade, são muito menos do que eu imaginava que seriam nessa altura da vida, mas em qualidade, eles são muito melhores do que eu poderia pedir. São aqueles pra tudo. Pra toda hora. Pra agora, pra sempre.
 
10 - Apaixonar-se de verdade
Eu já me apaixonei muito nessa vida.. mas amar, acho que é a primeira vez. Pois é, eu estou amando. E sou correspondida. E isso é lindo.
 

Buenos Dias

Eu não sei se já falei por aqui, mas a minha mãe é a criatura mais fofa desse mundo. É compreensiva, calma, de bem com a vida, calma, bem resolvida, calma, um docinho, de tudo! E ela gosta muito de viajar. Me preenche a alma ver a carinha de felicidade dela, a curiosidade em olhar tudo, em andar por tudo, em esquecer a idade que tem, o pé que dói, e querer conhecer tudinho, tim tim por tim tim. Em ver ela parar para olhar florzinhas, tirar foto sem saber exatamente do que, se ajoelhar com fé em cada igreja, bater papo com gringos desconhecidos em português, querer comer as coisas diferentes do cardápio, se jogar na cama no final do dia e cair na gargalhada.
Passei 4 dias por aí viajando com mamãe. To com a alma que transborda de tanta doçura! 

A tal da endometriose

Hoje, 20 minutos após abrir um exame, por coincidência topei com uma reportagem sobre endometriose que saiu na Maire Claire. A matéria é bem completa e esclarecedora, mas mostra um lado da doença que eu, como portadora, nunca senti.
A vida toda senti cólicas horrorosas, menstruava um volume bizarro - tinha anemia de tanto sangue que perdia - sofria muito mesmo. Me lembro de, aos 15 anos, ter feito uma conta de quantas menstruações eu ainda teria ao longo da vida, e ter chorado ao ver o número final, hahaha...
Durante a adolescência, o ginecologista falou algumas vezes sobre ovário policístico, mas ficou nisso.  Em 2006, com 20 anos, tive uma crise de dor aguda no meio da rua (ou melhor, dentro do ônibus), com direito a desmaio e resgate por carro de polícia. Acabei indo parar no Pronto Socorro do HC, e Senhores, garanto, vocês não querem saber. Enfim, depois de muita onda, tomei um Buscopan e voltei pro aconchego do lar.
As cólicas continuaram, a recomendação pelo uso da pílula também. Tentamos de tudo, pílula contínua, baixa dosagem, etc. Em março de 2011, uma nova síncope. Mais uma crise de dor, mais uma visita ao hospital, que dessa vez resultou em internação de 3 dias e o diagnóstico preciso da endometriose. A minha médica então sugeriu um acompanhamento por 6 meses, com alteração na pílula. Após esse período, constatamos que o nódulo que crescia no meu ovário esquerdo tinha aumentado, e muito. A cirurgia seria o próximo passo. Como ela não operava, eu de início à caçada do médico que faria a minha cirurgia.
À época eu tinha um convênio muito bom, e acabei chegando até a Dra. Rosa Neme, super autoridade no assunto. A Dra. Rosa acho que foi a responsável pela minha tranquilidade com a minha doença - tranquilidade tanta, que esse texto é a primeira referência que faço na vida a uma "doença". Nunca me senti doente, nunca me senti preocupada.
Em outubro de 2011 fiz a cirurgia por vídeo laparoscopia, que acabou sendo um pouco longa porque eu já tinha aderências no ovário, fundo do útero, e algumas em torno do intestino. O pós operatório foi relativamente tranquilo - eu que nunca tinha feito cirurgia, e vejo esse povo indo pra faca por qualquer coisinha, achava que seria um passeio no parque, e não é exatamente isso. Mas ok, superável. Na mesma cirurgia, foi colocado em mim o Mirena, DIU que, em 90% das mulheres, cessa a menstruação, e por isso ajuda a combater a endometriose. Eu não tive essa cessação e hoje estou num momento de fazer exames e descobrir se estou com o problema de volta.
 
Acabei contando a história toda pra expor o quanto a forma que você vai lidar com tudo depende do seu médico. De ele conhecer o problema, de saber expor o problema pra você, de dar as alternativas possíveis, de ter a sensibilidade para lidar com uma doença hormonal. Em momento algum me foi dito que isso traria dificuldades para engravidar. Sempre me foi falado o seguinte: doença, como todas as outras, precisa de tratamento e cuidado. Nas vezes em que eu questionei sobre essa dificuldade, a resposta que me foi dada é de que a fertilidade é afetada por inúmeras coisas, e que eu devia focar no meu tratamento. Outro conselho valioso que a Dra. Rosa me deu foi de não olhar ao Google. Ela me disse: Gabriela, não vá. Se proíba de ir até o Google e digitar "endometriose". Você vai se desesperar e me ligar chorando. Confie em mim. E eu confiei.
O que vi muito no relato das mulheres da reportagem foi uma angústia, uma ansiedade e um sofrimento latente, que acabou por prejudicar ainda mais o processo. É claro que o fato de eu ainda não querer engravidar me ajuda a relaxar.. talvez se quisesse, a conversa seria outra. Mas a Dra. Rosa sempre me fez acreditar que aquilo era um problema removível, que ela ia me ajudar a tratar, e tudo ficaria bem. Eu sempre acreditei que tudo deu certo - mesmo agora, que os focos talvez tenham crescido novamente. Sei que faz parte do que é a endometriose, e me sinto bem para começar tudo de novo. Penso que talvez eu seja inconsequente e evite pensar na parte grave da coisa... Pode ser, mas acho que se for isso mesmo, me foi benéfico no tratamento. Mesmo quando já internada, e na sala de pré cirurgia, eu não estava nervosa, fiquei sossegada o tempo todo.
 
Na reportagem da Marie Clair também falam que, pelo fato de ser uma doença nova, muitos convênios não cobrem o tratamento. O meu cobriu todos os exames e me reembolsou por todos os gastos com a cirurgia - todinhos. Me senti amparada, e isso é fundamental para se encarar as coisas com mais leveza. Me sinto privilegiada, e fico angustiada que a maioria das mulheres mal possam ter um diagnóstico. Ainda por cima, ficam colocando como se fosse uma consequência do "egoísmo feminino", de mulheres que colocaram a carreira à frente da família, o "mal da mulher moderna", e esquecem de lembrar do mundo em que estamos vivendo. Me recuso a aceitar essa culpa. Nenhuma mulher deve se sentir culpada por ter uma doença, seja ela qual for, e decorrente do que for.
 
Enfim, acho que o assunto precisa ser abordado de uma forma real, sem o clichê "moderno", e também sem fatalismos. Teve uma novela aí, que a Camila Pitanga pegava o Lázaro Ramos, e falava que "não podia engravidar porque tinha endometriose". Foi na mesma época da cirurgia, e eu fiquei pensando que grandes merdas pra se falar em novela das 9.

É uma luta, é um saco, é um incômodo que pode ser diário... mas acho que o essencial é se manter firme, tranquila e positiva. Força meninas!

Existe amor em SP

Que eu amo São Paulo desde sempre não é novidade. Desde o dia que vim morar aqui, sempre soube que era o meu lugar. Amei ser mais uma na multidão, poder ir no mercado às 3h da manhã, achar cinema passando todo tipo de filme, restaurante com todo tipo de comida, os mais variados eventos culturais, o fato de você poder ser e fazer o que quiser.
Mas me incomodava um pouco o tanto que o centro era excluído, como a gente só circulava pelas mesmas áreas, o quanto interagíamos pouco com a cidade em si, como arriscávamos pouco, como tentávamos todos ser iguais, o quanto todo mundo era igual podendo ser tão diferente.
Chicago foi a primeira cidade grande que estive fora do Brasil e me fascinou. Eu fiquei louca com aquelas pessoas todas vestidas com muita personalidade, cada um de um jeito, tinha rapper, clubber, boys de ternos super bem cortados, todo mundo andando no trem. Tinha arte por tudo, e eu fui à loucura mesmo. Voltei pro Brasil dizendo que era a minha cidade favorita no mundo, porque as pessoas eram livres.
Vieram outras viagens, e cada vez mais eu ficava desapontada com a capacidade que tínhamos de jogar toda nossa personalidade fora. Como a gente ignorava aquele centro maravilhoso? Por que todo mundo só andava de jeans e blusa preta? Por que tanta gente odeia o metrô que nunca andou? É óbvio que isso é uma visão geral, e gente estilosa e lugares bacanas sempre existiram, mas por que olhando o geral, era tudo tão igual?
Pois bem.. São Paulo está se tornando o turbilhão que sempre mereceu ser. A cidade está aflorando como nunca... agora tem arte por tudo, as pessoas estão mais na rua, a interação entre o cidadão e a cidade está tão linda.
Elza no Ibirapuera, by Gabriela Milan
Temos shows nas ruas com muito mais frequência, festas no centro, as tão faladas ciclovias, os espaço públicos estão cada vez mais públicos. Os museus estão lotados, não param de chegar exposições. Claro que tem o fator econômico, o fato de o Brasil ter se tornado estável. Mas tem, acima de tudo, a vontade do Paulistano de encontrar a personalidade da cidade. Eu vejo assim...

Tem muita coisa importada de fora? Claro que tem. E é bom assim... temos que trazer as ideias boas, temos que trazer pra perto de nós tudo o que gostamos de ver fora (inclusive a civilidade, né.. mas é papo pra outro post). Parque Augusta, by Gabriela Milan
 As pessoas estão pedindo parques, áreas verdes, usando praças, estão preterindo a cultura do condomínio. Eu sei que não estou falando dos 10 milhões que vivem na cidade. Mas estou falando de uma onda crescente que eu estou vendo por aí. A foto ao lado é uma manifestação pacífica pela construção do Parque Augusta, quando num domingo um grupo fez um grande picnic na Rua Augusta, em frente ao terreno que querem transformar em mais torres de escritórios e apartamentos. Tinha música, tinha cartaz, tinha criança, e tinha a imensa vontade de ver a cidade mais bonita e mais verde.
 Também começaram agora com a onda dos foodtrucks, que eu acho uma palhaçada o nome e tal, porque nada mais é do que o bom e velho carrinho do cachorro quente, né... Mas a ideia é a de comer com mais informalidade, de sentar na mesa coletiva, do paulistano parar de querer ser podre de chic a todo custo o tempo todo. Eu acho tão bacana um povo que não se leva tão a sério... Isso não quer dizer chegar atrasado em todo compromisso, mas é saber que não precisa estar de salto e com barba feita para ser elegante.
Eu, que sempre quis morar fora, que contava os dias pra me formar e deixar o país, fui ficando, e fui ficando, cada vez menos sinto essa urgência, porque estou começando a encontrar aqui tudo que mais admiro lá fora.
Grafitti em SP, by Gabriela Milan

Food Park, by Gabriela Milan

Victor Civita, by Gabriela Milan

Ainda tem o que melhorar? Ô se tem... A gente tem muito o que caminhar, principalmente enquanto cidadãos, precisamos alinhar nossas prioridades, precisamos querer ser cada vez mais aqui o que gostamos de ver lá fora. Precisamos cuidar dos espaços públicos, precisamos pensar mais coletivamente, precisamos olhar mais uns pelos outros, deixar de julgar tanto o próximo. As pessoas precisam cada vez mais se sentir confortáveis na pele que tem, em vestir o que quiser, em ir onde quiser, dançar como quiser. Mas eu estou muito crente de que estamos no caminho certo... Sério, SP, eu te amo cada vez mais e mais.

Deixe ele entrar

Por muito tempo, mesmo sendo muito feliz sozinha, eu sempre disse que se achasse alguém que fosse meu número, eu ia querer namorar com ele. Alguém que risse das mesmas coisas que eu, que gostasse de dançar até de madrugada, que tivesse mais sonhos além da casa própria, que não se importasse em dirigir um carro velho, que achasse graça nas bobagens que eu e as minhas amigas falamos, que gostasse de cantar música ruim bem alto.
E aí que eu achei essa criatura. Eu acho ele lindo, eu adoro o jeito que ele dança, a gente ri sozinho de pessoas cafonas pela rua, gostamos de dividir os pratos nos restaurantes, em casa ele cozinha e eu lavo a louça, quando eu viajo ele stalkeia pela Infraero onde está meu avião só pra saber o que eu estou vendo pela janela, e todas essas coisas somadas à tantas outras me fazem sentir muito feliz. Que acreditar por todo esse tempo que me diverti com os errados pensando em encontrar o certo valeu mais do que a pena.
Mas como é difícil deixar alguém entrar na nossa vida... Mesmo A pessoa, mesmo ele.
A gente tem hábitos, manias, quer decidir tudo sozinho, quer sair combinando, quer que ele concorde com tudo, quer que ele queira participar de tudo. E não é assim. A gente emburra, e lembra como era mais fácil quando era sozinha... A gente quer planejar as férias, e o outro as vezes não ta nem pensando no jantar de hoje. A gente quer que tudo se resolva, e eles querem deixar rolar.
Eu sei, é bobagem... É princípio básico de relacionamento. Mas em tempos de tantas reflexões sobre os relacionamentos modernos, eu fico pensando que esse é um problema que extrapola o whatsapp, tinder e facebook. É uma questão de estar aberto, de entender que pro outro entrar, a gente tem que abrir a porta e ter espaço. E isso sempre foi assim. Mas quando é com a gente parece tão mais complicado, né?
Nessas eu tenho aprendido muito. É difícil, mas tento ser a pessoa que entende, que conversa e que acredita na decisão conjunta. E são nesses momentos que eu percebo que ele é mesmo o meu par, porque só ele pra resgatar esse lado de mim que vivia tão, mas tão escondido, que eu nunca tinha visto.
* Ouvindo músicas doces, muito doces.

Superando medinhos

Sempre tive medo de fazer lista. Lista de metas para o ano que vem, lista de lugares que quero conhecer, lista de coisas a não fazer, etc. Tudo por medinho de não cumprir, de ver o "fracasso" enumerado na minha frente (já falei aqui que só metas profissionais vingam pra mim). Pois bem. Começando o segundo semestre, essa desgraça de semestre sem feriados, sem Copa - volta Podolski!, acho que é apropriado tentar superar alguma coisa aqui, e estabelecer algumas metas a serem cumpridas até 31 de dezembro de 2014. Vão ser poucas e singelas, claro, porque né, não precisa sair se lambuzando...
 
1- perder peso - qualquer tanto, mas PERDER;
2- voltar a fazer alguma atividade física com regularidade;
3- viajar para algum lugar que ainda não fui;
4- não comprar nenhum biquíni;
5- elogiar mais as pessoas;
6- ir aos médicos e fazer os exames que eles pedirem.
 
E vamos acompanhar.  

Povo estranho

Eu não fui a favor da candidatura do Brasil para receber a Copa, e nem das Olimpíadas. Fui bombardeada na época. Todo mundo sabe da minha vontade de morar fora do país, e tudo que eu ouvi foi "você é ridícula, só gosta de coisa de fora".
Eu sempre achei que uma Copa no Brasil seria linda, mas não agora. O Brasil tem um sem número de necessidades e, pra mim, qualquer retorno do oba oba em cima da economia brasileira deveria ser investido em necessidades básicas, principalmente em educação. O investimento massivo em tais setores nos levariam a estar em permanente estado de "oba oba", com a proliferação de bons profissionais, profissionalização do mercado, etc. Também observei que, com exceção da África do Sul, todos os países que recebiam a Copa estavam muito além de nós nesses quesitos: Alemanha, Japão, Itália, EUA, Coreia do Sul. No fim, o Brasil investiria muuuuito, prioritariamente, em coisas que estão longe de ser prioridade.
Fato é que o Brasil foi eleito pros dois maiores eventos esportivos do mundo, todo mundo comemorou muito, eu continuei lá, sendo tachada de ridícula. Até que veio Junho de 2013.
Aí todo mundo resolveu ser contra a Copa. Mas né...povo estranho. Nessas alturas, eu já era a favor.
Não que eu tenha mudado de opinião, não que eu ache virou um bom negócio, ou tenha me rendido aos encantos da Fernanda Lima, Ronaldo e cia. Mas é que a Copa virou realidade. O dinheiro já foi gasto, o Brasil já estava na mira do mundo, e aí, o melhor pra nós é que essa Copa fosse a melhor de todas. E o povo resolveu boicotar... lógica pra que, né?
Agora eu quero que os gringos venham, que se sintam seguros em vir, confortáveis em deixar seus muitos dólares, euros e afins. Que gostem tanto, que voltem depois, e depois e depois de novo. Que a imprensa internacional veja nossas necessidades, mas também as nossas qualidades. Enfim... que essa Copa, que nos foi tão custosa, nos beneficie.
Mas não... O povo ta aí, bagunçando os acessos aos estádios, torcendo pra tudo dar errado, amando odiar a Copa. Vai entender... 

Conta Gotas

* Conheci mais um país. Fui rapidinho ao México a trabalho, e fiquei muito surpreendida. Os mexicanos são uns doces - pessoas de riso fácil, que te recebem bem e fazem você estar falando bobagem depois de 5 minutos. A comida é uma delícia (e não, nunca fui fã de restaurante mexicano aqui no Brasil, e muito menos gosto de pimenta) e farta. Cidade do México é uma São Paulo mais charmosa, com muitos restaurantes gostosos, avenidas largas e arborizadas, prédios baixos, pichações, fiquei mega interessada em voltar. Ah! Lá também me deparei com o meu primeiro terremoto, um belo 6.9 na escala Richter. Uma curta porém intensa experiência.
 
* Tirei férias. Pois é, depois de 2 anos e alguns meses, eu finalmente reencontrei o caminho das férias. Foram 2 dias voando e 15 dias inteirinhos em New York. Gostei muito do que encontrei, mas não sei se entendi bem porque tantos brasileiros gostam de passar todas as férias lá... alias, até entendi, mas estou longe de concordar. Por outro lado, é uma cidade na qual eu moraria: é agitada, o ritmo é frenético, tem mil possibilidades, bebe-se bem, come-se melhor ainda, tem muita programação cultural, e o Lower East Side.. que charme! Você encontra todo tipo de gente, dos mais variados estilos, sentar num banco e ficar observando pessoas (um dos meus programas favoritos) é garantia de diversão. Ainda tem a vantagem de que, tirando um ponto ou outro, os turistas se misturam, e não se sobrepõem aos locais. Então, você sabe que ta cheio de turista por perto, mas escuta inglês, vê o povo que mora lá. Foram dias muito bons de muita caminhada, sol, reencontros, risadas, compras, bons drinks e uma nova tatuagem. Também foram muitos ratos pela rua, metro sujo, contas caras, garçons e taxistas de cara amarrada. Definitivamente é um lugar onde eu moraria, mas para visitar, ta visitada. Só volto em alguma ocasião especial.

* A Copa ta chegando, e com ela o caos está instalado: semana passada, eu não estava aqui, mas ficou público que o trânsito de São Paulo parou e as pessoas quase dormiram na rua. Agora estão tentando arrumar as vias que não arrumaram nos últimos 3 anos, e tá difícil andar pela cidade. Paulista, Rebouças e várias das vias importantes da cidade estão sendo recapeadas - ao mesmo tempo. Você não consegue entrar no carro pra uma viagem de menos de meia hora. Qualquer ida na esquina toma pelo menos isso. Com isso, o bom humor que eu regatei com 2 semanas de férias foram embora com 2 dias de ida e volta à Alphaville. Não tem como ser feliz assim, levando 1 hora pra ir trabalhar, e levando outras 2 pra voltar.

* Estou apaixonada. E sobre isso não falo mais, porque acho que ainda não consigo.
 

Movimenta, meu bem, movimenta

São tempos bem movimentados. Mudei de emprego, estou organizando férias (pois é, haha..mudei de emprego, mas consegui manter as férias que falei aqui), reforma em casa, uma vida quase nova.
Emprego novo é uma coisa. Se ambientar ao lugar, às pessoas, ao ritmo, aos novos assuntos. Chegar numa empresa nova é como chegar no primeiro dia de aula do colégio. O desafio é ótimo, e eu estou muito animada. Mas é tanta informação, tanta coisa pra ler, um negócio novo pra entender, que o cansaço mental derruba. Eu ando meio slow por conta disso. Por outro lado, da um ânimo absurdo ver que tem empresas preocupadas com o bem estar do funcionário, em criar um bom ambiente. Pra mim, é como se fosse um "admirável mundo novo", onde apesar de toda a pressão, a pessoa jurídica enxerga a pessoa física.
Já a casa foi engraçado... faz meses que a Susan Miller bota no meu horóscopo que a atenção de áries estaria voltada para o lar, para a reorganização, decoração e energias que lá circulam. Eu, tem hora que dou bola pra essas coisas, tem hora que não. Mas esse final de semana o bicho da mudança me mordeu com força. Com a ajuda do irmão e da amiga, colocamos quilos de lixo pra fora, jogamos fora muito papel e bagulho que tinha em casa, trocamos o sofá, a mesa, limpamos o quartinho do fundo (quem não tem um quartinho no fundo atolado de inutilidades que atire a primeira pedra), sapatos, bolsas, até uma seca roupas estragada. Foi ótimo ver o espaço se abrindo. Ontem foi dia de comprar tinta, lona, e essa semana a baderna da pintura vai começar. Depois, tem mais pela frente. Serão um ou dois meses de bagunça em casa, mas que vão se pagar. Quando estiver tudo pronto, e lindo, vai ter valido muito a pena.
E FÉRIAS, elas, que eu tanto espero faz mais de dois anos. Estão ali, dobrando a esquina, 12 dias de distância. Nem consigo acreditar. Mas o mais engraçado... a pessoa passa anos esperando, compra a passagem com meses de antecedência, e chega em cima da hora o que ela fez? NADA. Pois é... me falta fazer só tudo: comprar dinheiro, dar uma lida em programas off tourist, organizar documentos necessários, etc etc... tudo por fazer, e assim continuará até um dia antes, quando eu vou sair tacando tudo dentro da mala, e trocando dinheiro no aeroporto com lágrimas nos olhos pelo câmbio zoado.. paciência..

Vida que vai se desenrolando da melhor forma possível... talvez tenha sido tudo isso que eu pedi pulando as minhas ondas de ano novo.

Mais um dia

Aqui quem vos fala é uma gastadora. Sim, eu confesso, sou uma bela duma gastona.
Mas estou vindo aqui assumir, publicamente (embora esse blog não seja divulgado, ninguém conheça, e ninguém leia - eu entendo como compromisso público, haha), o compromisso de melhorar esse aspecto da minha vida.
Já fui pior, já tive mês de gastar o que não tinha, mas essa fase já passou. Hoje trabalho com o possível, mas confesso que tenho preguicinha de pensar no futuro e fazer economias pensando em comprar carro, apartamento, etc. Acho que isso me remete à vida adulta, e né, embora esteja bem perto dos 30, ainda não me considero uma - síndrome de Peter Pan é foda.
De qualquer forma, comecei a pensar que preciso ter meus fundinhos para, pelo menos, poder mandar chefe escroto pro inferno, caso um desses me apareça pelo caminho novamente.
E é isso - a partir de agora, teremos Gabi poupadora. Dentro de alguns meses, volto pra contar como está esse projeto.

Its like coming of age...

Dizem que que de 7 em 7 anos algum planeta ai completa uma volta em torno do sol, ou dele mesmo, não sei, mas que isso influencia diretamente na nossa vida, nas mudanças que sentimos, nos questionamentos, e que os 7, 14, 21, 28 e por aí em diante, costumam ser anos difíceis. 
Eu acabei de virar os 28, e o que posso dizer, é que não podia estar mais feliz. As mudanças estão chegando, e eu estou lidando muito bem - como eu disse aqui, eu me preparei pra elas. 
A vida não está maravilhosa. Eu perdi o meu avô, eu tive que abrir mão de um trabalho que quis tanto por motivos injustos, etc... Mas estou me sentindo otimista. 
Consigo enxergar que meu avô foi pro céu que ele rezou a vida inteira pra merecer, arrumei outro emprego melhor, tenho força pra obedecer minhas vontades. 
Na semana do meu aniversário, passei 3 dias descansando, olhando o mar, e de certa forma, sentindo um orgulho imenso de ser quem sou. Óbvio, tem muito o que melhorar, sempre. 
Mas me senti feliz por ter corrido atrás do meu futuro ao invés de ficar reclamando diante da insatisfação, por ter entendido que ficar frustrada é normal, viver em estado permanente de frustração, não. Me diverti sozinha, mergulhei, engoli cada caloria com a maior satisfação, sem pensar muito, encontrei pessoas divertidas, estabeleci novas amizades, ouvi música, e agradeci, agradeci muito. 
Foi tudo delicioso, e eu só consigo olhar o futuro com muita empolgação - embora o inverno esteja chegando, e todo mundo sabe o quanto eu odeio inverno. Eu estou pronta. 


Meu Xanduisci

Já fez um mês, e volta e meia me pego pensando que o mundo seria muito melhor se tivessem mais Zé Trentinos por aí. Meu vô sempre foi a pessoa mais doce e mais tranquila do mundo. Era tudo na calma, observando, pensando tanto pra falar que dava tempo de esquecer. Foi o avô mais companheiro, que me levava pra "surfar", que levava a gente pro fundo no mar, que tentava ensinar a pescar, e que quando o circo pegava fogo na briga da primaiada, só fazia dar risada. Tinha devoção pela minha avó, e não saiu um minuto do lado dela em momento nenhum. Me fez acreditar que amor pode ser pra sempre, e que você pode ser muito apaixonado aos 88 anos de idade. Meu vô também me mostrou que o importante é ter flores no jardim, gostar da sua casa, ter um lugar pra pendurar uma rede e tomar a fresca na calçada quando o sol baixar. O meu vô falava que queria comer xanduisci. E eu ria toda vez... durante quase 28 anos. Ele era meu herói. Porque era de verdade, de carne, osso e barriga. E eu vou sentir saudade das nossas férias todos os dias, porque o mundo poderia ter muito mais Zecas, mas já não tem mais nenhum. 


Aproveite o Reino dos Céus, Vô, porque se tem um anjo que merece muito estar aí, é você.

Do Futuro

Ando meio brigada com o cinema. Nem sei porquê, mas ando fugindo de ficar umas horinhas na sala fechada. Enfim.. deve ter a ver com o momento mimimizento que eu to vivendo, e eu não quero parar um minuto, porque se parar, eu penso na vida. E a vida ta meio bosta. Enfim. 
E aí que eu tenho visto eventos pré Oscar, Globo de Ouro, teasers e o escambau a quatro, e até agora, nada me fez querer sossegar o faixo e ir lá, no bendito do cinema. Rola até aquela vergonhazinha quando as pessoas falam "ai, ta cheio de filme maravilhoso no cinema", ou "meniiina, veja tal filme, incrível", e eu só pensando em que horas vai passar o próximo bloquinho de carnaval, que horas posso ir comprar ovo de páscoa ou correntes de neve pra pregar no meu carro que jamais sairá do Brasil. 
Masssss.. pra tudo tem uma exceção. E ai meu bem... colocaram Wagner Moura, Berlim e David Bowie num clipe. E pronto! Quero por tudo assistir essa belezura. Chega dia 1o de maio.


Os olhos seus

Se você gosta de fotografia, você vai ficar feliz de ver. Se você gosta de cores, pessoas, lugares, beleza, diversidade, também. Mas se você gosta de olhos, e da genuinidade que só um olhar passa, então você vai amar... e vai passar horas se deliciando, e vai querer ver beleza nesse mundo que ele viu . Bravo, Steve McCurry!


Run, baby, run!

A gente fica naquelas de que o ano só começa depois do Carnaval e vai se perdendo, porque essa historinha nada mais é que isso: uma historinha. Se o Carnaval for no começo de março, ainda por cima... 
Fato é que 2014 começou, e com ele, alguns desafios: manter o peso, chefe novo, reforminha de leve no apto, controlar o budget, planejar férias, etc. 

Opa opa opa..alguém falou em planejar FÉRIAS???????
Pois é! Finamente ela, aquela amiga sumida, que eu achei que nunca mais encontraria, que me abandonou 2 anos atrás..aquela coisa fofa, aquela alegria, aquela maravilha, AQUELAS FÉÉÉRIASSSSSSSSSSS!!!!!!! 

Quem vê pensa que eu vou sair amanhã.. não, ainda faltam alguns bons meses, mas o que importa é que elas vem, e se tem algo que eu ame mais que planejar férias, é viver elas..então, serão meses felizes e contentes de muito planejamento, leitura (pra chegar lá e não fazer nada do que eu li, rs), economias, etc etc... E muito pedido pro tempo passar rápido - pra depois implorar pra ele passar devagarinho!


I am coming, my friend, I am coming!

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