Pronta pros 30?

Eu tenho 28 anos. Embora eu sinta a maturidade, perceba que estou "envelhecendo", eu não sou ridícula de falar que sou velha, eu sei que sou nova. Mas volta e meia fico com a sensação de que a vida ta passando, e eu tenho tanto o que fazer...
E toda vez que vejo uma listinha do tipo "100 coisas de fazer antes de casar", "50 cidades para conhecer antes de morrer", e coisas do tipo, eu fico ansiosíssima pra saber onde eu estou. É óbvio que isso não dita a vida de ninguém, mas eu gosto de saber.
E aí que eu me deparei com essa lista aqui: 10 coisas que você deve fazer antes dos 30. E vá lá que ela é toda genérica, né... porque essa de experimentar coisas diferentes, se você falar pra c e r t a s p e s s o a s que eu conheço, vai dizer que é beber cerveja, hahaha.... Mas eu fiquei admirada porque é isso, de acordo com essa criatura que eu não conheço e fez essa lista, faltando 6 meses pra fazer 29, to prontinha pros 30. EEEEEE!!!!!!!!!!
 
 
Enfim, vamos pegar uma tacinha, ligar esse sonzinho que eu dançava loucamente aos 25 (meio da década e tals), e bora dar uma olhada nessa maravilhosa dessa vida?
 
1 - Morar Sozinho
Essa é fácil... no texto ele diz aí no sentido de morar sem pais, ser responsável pela sua higiene e limpeza, e isso eu faço desde antes dos 20. Check.
 
2 - Experimentar coisas diferentes
Não tem como falar muito disso aqui sem expor coisas que não devem ser expostas (eu acho que ninguém lê esse blog, mas aí, é só falar coisa que não deve pra se ter desagradáveis surpresas). Mas fato é que um dia eu decidi (i) ir morar no Wisconsin para (ii) experimentar uma cultura diferente (iii) num inverno de -30 graus (iv) ganhando a vida como Lifeguard de parque aquático.
 
3 - Viajar para o exterior
Quando fiz 20 anos, conhecia apenas o maravilhoso Brasil. Hoje conheço Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Polônia, Republica Tcheca, Inglaterra, México e Argentina. Não viajei nem um décimo do que eu gostaria de ter viajado, e tem muito chão pra comer, mas já deixei minha pegada por aí.
 
4 - Dominar um idioma.
Eu sempre sonhei ser poliglota. Ainda não consegui nem dizer que sou trilíngue, mas graças aos meus anos de dedicação forçada (obrigada mãe <3 ) sou fluente em inglês.
 
5 - Curtir a vida adoidado
Meu. Deus. Se não da pra falar das coisas diferentes, disso aqui dá ainda mais medo. Enfim, um dia eu vou fazer o tributo que a minha vida de solteira merece, mas eu posso dizer que eu curti (e continuo curtindo, graças) MUITO. Eu vivo a vida que eu quero, tive incontáveis ressacas, tive uns causos "românticos" extremamente divertidos, nadei pelada no mar, sambei na frente de uma torcida (vai Curintia), corri uma Maratomba de cerveja, vi o sol nascer deitada na praia, fiz amigos pelo mundo, dancei no palco da balada, dancei em cima da mesa de bar, deitei na rua em São Paulo, cantei no karaokê,  participei de campeonato de barrigada, chorei por rapazes, ri da cara deles, e não paro de gargalhar toda vez que sento com as amigas pra falar das delícias dessa vida. É bonita, é bonita e é bonitaaa.. 
 
6 - Construir hábitos saudáveis
Foi aqui que eu quase derrapei. Mas hoje faço ioga com regularidade, tento ir a academia com alguma frequência também, corro de vez em quando e me alimento ok - saladas são sempre mais benvindas. Aprendi a usar filtro solar, a dormir cedo durante a semana e a tomar 2 litros de água por dia. To bem.
 
7 - Levar o trabalho a sério
Minha carreira vai muito bem, obrigada. Eu, que detestava o Direito, achei meu nicho, hoje sou relativamente feliz no trabalho (digo relativamente, porque só a Megasena me traz um brilho ridículo no olhar). Levo a sério e colho os resultados.
 
8 - Considerar a carreira acadêmica
Considerei, e desconsiderei logo em seguida. Não é pra mim.
 
9 - Construir bons relacionamentos
Eu tenho bons amigos. Eu diria que são os melhores do mundo, do meu mundo. Em quantidade, são muito menos do que eu imaginava que seriam nessa altura da vida, mas em qualidade, eles são muito melhores do que eu poderia pedir. São aqueles pra tudo. Pra toda hora. Pra agora, pra sempre.
 
10 - Apaixonar-se de verdade
Eu já me apaixonei muito nessa vida.. mas amar, acho que é a primeira vez. Pois é, eu estou amando. E sou correspondida. E isso é lindo.
 

Buenos Dias

Eu não sei se já falei por aqui, mas a minha mãe é a criatura mais fofa desse mundo. É compreensiva, calma, de bem com a vida, calma, bem resolvida, calma, um docinho, de tudo! E ela gosta muito de viajar. Me preenche a alma ver a carinha de felicidade dela, a curiosidade em olhar tudo, em andar por tudo, em esquecer a idade que tem, o pé que dói, e querer conhecer tudinho, tim tim por tim tim. Em ver ela parar para olhar florzinhas, tirar foto sem saber exatamente do que, se ajoelhar com fé em cada igreja, bater papo com gringos desconhecidos em português, querer comer as coisas diferentes do cardápio, se jogar na cama no final do dia e cair na gargalhada.
Passei 4 dias por aí viajando com mamãe. To com a alma que transborda de tanta doçura! 

A tal da endometriose

Hoje, 20 minutos após abrir um exame, por coincidência topei com uma reportagem sobre endometriose que saiu na Maire Claire. A matéria é bem completa e esclarecedora, mas mostra um lado da doença que eu, como portadora, nunca senti.
A vida toda senti cólicas horrorosas, menstruava um volume bizarro - tinha anemia de tanto sangue que perdia - sofria muito mesmo. Me lembro de, aos 15 anos, ter feito uma conta de quantas menstruações eu ainda teria ao longo da vida, e ter chorado ao ver o número final, hahaha...
Durante a adolescência, o ginecologista falou algumas vezes sobre ovário policístico, mas ficou nisso.  Em 2006, com 20 anos, tive uma crise de dor aguda no meio da rua (ou melhor, dentro do ônibus), com direito a desmaio e resgate por carro de polícia. Acabei indo parar no Pronto Socorro do HC, e Senhores, garanto, vocês não querem saber. Enfim, depois de muita onda, tomei um Buscopan e voltei pro aconchego do lar.
As cólicas continuaram, a recomendação pelo uso da pílula também. Tentamos de tudo, pílula contínua, baixa dosagem, etc. Em março de 2011, uma nova síncope. Mais uma crise de dor, mais uma visita ao hospital, que dessa vez resultou em internação de 3 dias e o diagnóstico preciso da endometriose. A minha médica então sugeriu um acompanhamento por 6 meses, com alteração na pílula. Após esse período, constatamos que o nódulo que crescia no meu ovário esquerdo tinha aumentado, e muito. A cirurgia seria o próximo passo. Como ela não operava, eu de início à caçada do médico que faria a minha cirurgia.
À época eu tinha um convênio muito bom, e acabei chegando até a Dra. Rosa Neme, super autoridade no assunto. A Dra. Rosa acho que foi a responsável pela minha tranquilidade com a minha doença - tranquilidade tanta, que esse texto é a primeira referência que faço na vida a uma "doença". Nunca me senti doente, nunca me senti preocupada.
Em outubro de 2011 fiz a cirurgia por vídeo laparoscopia, que acabou sendo um pouco longa porque eu já tinha aderências no ovário, fundo do útero, e algumas em torno do intestino. O pós operatório foi relativamente tranquilo - eu que nunca tinha feito cirurgia, e vejo esse povo indo pra faca por qualquer coisinha, achava que seria um passeio no parque, e não é exatamente isso. Mas ok, superável. Na mesma cirurgia, foi colocado em mim o Mirena, DIU que, em 90% das mulheres, cessa a menstruação, e por isso ajuda a combater a endometriose. Eu não tive essa cessação e hoje estou num momento de fazer exames e descobrir se estou com o problema de volta.
 
Acabei contando a história toda pra expor o quanto a forma que você vai lidar com tudo depende do seu médico. De ele conhecer o problema, de saber expor o problema pra você, de dar as alternativas possíveis, de ter a sensibilidade para lidar com uma doença hormonal. Em momento algum me foi dito que isso traria dificuldades para engravidar. Sempre me foi falado o seguinte: doença, como todas as outras, precisa de tratamento e cuidado. Nas vezes em que eu questionei sobre essa dificuldade, a resposta que me foi dada é de que a fertilidade é afetada por inúmeras coisas, e que eu devia focar no meu tratamento. Outro conselho valioso que a Dra. Rosa me deu foi de não olhar ao Google. Ela me disse: Gabriela, não vá. Se proíba de ir até o Google e digitar "endometriose". Você vai se desesperar e me ligar chorando. Confie em mim. E eu confiei.
O que vi muito no relato das mulheres da reportagem foi uma angústia, uma ansiedade e um sofrimento latente, que acabou por prejudicar ainda mais o processo. É claro que o fato de eu ainda não querer engravidar me ajuda a relaxar.. talvez se quisesse, a conversa seria outra. Mas a Dra. Rosa sempre me fez acreditar que aquilo era um problema removível, que ela ia me ajudar a tratar, e tudo ficaria bem. Eu sempre acreditei que tudo deu certo - mesmo agora, que os focos talvez tenham crescido novamente. Sei que faz parte do que é a endometriose, e me sinto bem para começar tudo de novo. Penso que talvez eu seja inconsequente e evite pensar na parte grave da coisa... Pode ser, mas acho que se for isso mesmo, me foi benéfico no tratamento. Mesmo quando já internada, e na sala de pré cirurgia, eu não estava nervosa, fiquei sossegada o tempo todo.
 
Na reportagem da Marie Clair também falam que, pelo fato de ser uma doença nova, muitos convênios não cobrem o tratamento. O meu cobriu todos os exames e me reembolsou por todos os gastos com a cirurgia - todinhos. Me senti amparada, e isso é fundamental para se encarar as coisas com mais leveza. Me sinto privilegiada, e fico angustiada que a maioria das mulheres mal possam ter um diagnóstico. Ainda por cima, ficam colocando como se fosse uma consequência do "egoísmo feminino", de mulheres que colocaram a carreira à frente da família, o "mal da mulher moderna", e esquecem de lembrar do mundo em que estamos vivendo. Me recuso a aceitar essa culpa. Nenhuma mulher deve se sentir culpada por ter uma doença, seja ela qual for, e decorrente do que for.
 
Enfim, acho que o assunto precisa ser abordado de uma forma real, sem o clichê "moderno", e também sem fatalismos. Teve uma novela aí, que a Camila Pitanga pegava o Lázaro Ramos, e falava que "não podia engravidar porque tinha endometriose". Foi na mesma época da cirurgia, e eu fiquei pensando que grandes merdas pra se falar em novela das 9.

É uma luta, é um saco, é um incômodo que pode ser diário... mas acho que o essencial é se manter firme, tranquila e positiva. Força meninas!

Existe amor em SP

Que eu amo São Paulo desde sempre não é novidade. Desde o dia que vim morar aqui, sempre soube que era o meu lugar. Amei ser mais uma na multidão, poder ir no mercado às 3h da manhã, achar cinema passando todo tipo de filme, restaurante com todo tipo de comida, os mais variados eventos culturais, o fato de você poder ser e fazer o que quiser.
Mas me incomodava um pouco o tanto que o centro era excluído, como a gente só circulava pelas mesmas áreas, o quanto interagíamos pouco com a cidade em si, como arriscávamos pouco, como tentávamos todos ser iguais, o quanto todo mundo era igual podendo ser tão diferente.
Chicago foi a primeira cidade grande que estive fora do Brasil e me fascinou. Eu fiquei louca com aquelas pessoas todas vestidas com muita personalidade, cada um de um jeito, tinha rapper, clubber, boys de ternos super bem cortados, todo mundo andando no trem. Tinha arte por tudo, e eu fui à loucura mesmo. Voltei pro Brasil dizendo que era a minha cidade favorita no mundo, porque as pessoas eram livres.
Vieram outras viagens, e cada vez mais eu ficava desapontada com a capacidade que tínhamos de jogar toda nossa personalidade fora. Como a gente ignorava aquele centro maravilhoso? Por que todo mundo só andava de jeans e blusa preta? Por que tanta gente odeia o metrô que nunca andou? É óbvio que isso é uma visão geral, e gente estilosa e lugares bacanas sempre existiram, mas por que olhando o geral, era tudo tão igual?
Pois bem.. São Paulo está se tornando o turbilhão que sempre mereceu ser. A cidade está aflorando como nunca... agora tem arte por tudo, as pessoas estão mais na rua, a interação entre o cidadão e a cidade está tão linda.
Elza no Ibirapuera, by Gabriela Milan
Temos shows nas ruas com muito mais frequência, festas no centro, as tão faladas ciclovias, os espaço públicos estão cada vez mais públicos. Os museus estão lotados, não param de chegar exposições. Claro que tem o fator econômico, o fato de o Brasil ter se tornado estável. Mas tem, acima de tudo, a vontade do Paulistano de encontrar a personalidade da cidade. Eu vejo assim...

Tem muita coisa importada de fora? Claro que tem. E é bom assim... temos que trazer as ideias boas, temos que trazer pra perto de nós tudo o que gostamos de ver fora (inclusive a civilidade, né.. mas é papo pra outro post). Parque Augusta, by Gabriela Milan
 As pessoas estão pedindo parques, áreas verdes, usando praças, estão preterindo a cultura do condomínio. Eu sei que não estou falando dos 10 milhões que vivem na cidade. Mas estou falando de uma onda crescente que eu estou vendo por aí. A foto ao lado é uma manifestação pacífica pela construção do Parque Augusta, quando num domingo um grupo fez um grande picnic na Rua Augusta, em frente ao terreno que querem transformar em mais torres de escritórios e apartamentos. Tinha música, tinha cartaz, tinha criança, e tinha a imensa vontade de ver a cidade mais bonita e mais verde.
 Também começaram agora com a onda dos foodtrucks, que eu acho uma palhaçada o nome e tal, porque nada mais é do que o bom e velho carrinho do cachorro quente, né... Mas a ideia é a de comer com mais informalidade, de sentar na mesa coletiva, do paulistano parar de querer ser podre de chic a todo custo o tempo todo. Eu acho tão bacana um povo que não se leva tão a sério... Isso não quer dizer chegar atrasado em todo compromisso, mas é saber que não precisa estar de salto e com barba feita para ser elegante.
Eu, que sempre quis morar fora, que contava os dias pra me formar e deixar o país, fui ficando, e fui ficando, cada vez menos sinto essa urgência, porque estou começando a encontrar aqui tudo que mais admiro lá fora.
Grafitti em SP, by Gabriela Milan

Food Park, by Gabriela Milan

Victor Civita, by Gabriela Milan

Ainda tem o que melhorar? Ô se tem... A gente tem muito o que caminhar, principalmente enquanto cidadãos, precisamos alinhar nossas prioridades, precisamos querer ser cada vez mais aqui o que gostamos de ver lá fora. Precisamos cuidar dos espaços públicos, precisamos pensar mais coletivamente, precisamos olhar mais uns pelos outros, deixar de julgar tanto o próximo. As pessoas precisam cada vez mais se sentir confortáveis na pele que tem, em vestir o que quiser, em ir onde quiser, dançar como quiser. Mas eu estou muito crente de que estamos no caminho certo... Sério, SP, eu te amo cada vez mais e mais.

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