Existe amor em SP

Que eu amo São Paulo desde sempre não é novidade. Desde o dia que vim morar aqui, sempre soube que era o meu lugar. Amei ser mais uma na multidão, poder ir no mercado às 3h da manhã, achar cinema passando todo tipo de filme, restaurante com todo tipo de comida, os mais variados eventos culturais, o fato de você poder ser e fazer o que quiser.
Mas me incomodava um pouco o tanto que o centro era excluído, como a gente só circulava pelas mesmas áreas, o quanto interagíamos pouco com a cidade em si, como arriscávamos pouco, como tentávamos todos ser iguais, o quanto todo mundo era igual podendo ser tão diferente.
Chicago foi a primeira cidade grande que estive fora do Brasil e me fascinou. Eu fiquei louca com aquelas pessoas todas vestidas com muita personalidade, cada um de um jeito, tinha rapper, clubber, boys de ternos super bem cortados, todo mundo andando no trem. Tinha arte por tudo, e eu fui à loucura mesmo. Voltei pro Brasil dizendo que era a minha cidade favorita no mundo, porque as pessoas eram livres.
Vieram outras viagens, e cada vez mais eu ficava desapontada com a capacidade que tínhamos de jogar toda nossa personalidade fora. Como a gente ignorava aquele centro maravilhoso? Por que todo mundo só andava de jeans e blusa preta? Por que tanta gente odeia o metrô que nunca andou? É óbvio que isso é uma visão geral, e gente estilosa e lugares bacanas sempre existiram, mas por que olhando o geral, era tudo tão igual?
Pois bem.. São Paulo está se tornando o turbilhão que sempre mereceu ser. A cidade está aflorando como nunca... agora tem arte por tudo, as pessoas estão mais na rua, a interação entre o cidadão e a cidade está tão linda.
Elza no Ibirapuera, by Gabriela Milan
Temos shows nas ruas com muito mais frequência, festas no centro, as tão faladas ciclovias, os espaço públicos estão cada vez mais públicos. Os museus estão lotados, não param de chegar exposições. Claro que tem o fator econômico, o fato de o Brasil ter se tornado estável. Mas tem, acima de tudo, a vontade do Paulistano de encontrar a personalidade da cidade. Eu vejo assim...

Tem muita coisa importada de fora? Claro que tem. E é bom assim... temos que trazer as ideias boas, temos que trazer pra perto de nós tudo o que gostamos de ver fora (inclusive a civilidade, né.. mas é papo pra outro post). Parque Augusta, by Gabriela Milan
 As pessoas estão pedindo parques, áreas verdes, usando praças, estão preterindo a cultura do condomínio. Eu sei que não estou falando dos 10 milhões que vivem na cidade. Mas estou falando de uma onda crescente que eu estou vendo por aí. A foto ao lado é uma manifestação pacífica pela construção do Parque Augusta, quando num domingo um grupo fez um grande picnic na Rua Augusta, em frente ao terreno que querem transformar em mais torres de escritórios e apartamentos. Tinha música, tinha cartaz, tinha criança, e tinha a imensa vontade de ver a cidade mais bonita e mais verde.
 Também começaram agora com a onda dos foodtrucks, que eu acho uma palhaçada o nome e tal, porque nada mais é do que o bom e velho carrinho do cachorro quente, né... Mas a ideia é a de comer com mais informalidade, de sentar na mesa coletiva, do paulistano parar de querer ser podre de chic a todo custo o tempo todo. Eu acho tão bacana um povo que não se leva tão a sério... Isso não quer dizer chegar atrasado em todo compromisso, mas é saber que não precisa estar de salto e com barba feita para ser elegante.
Eu, que sempre quis morar fora, que contava os dias pra me formar e deixar o país, fui ficando, e fui ficando, cada vez menos sinto essa urgência, porque estou começando a encontrar aqui tudo que mais admiro lá fora.
Grafitti em SP, by Gabriela Milan

Food Park, by Gabriela Milan

Victor Civita, by Gabriela Milan

Ainda tem o que melhorar? Ô se tem... A gente tem muito o que caminhar, principalmente enquanto cidadãos, precisamos alinhar nossas prioridades, precisamos querer ser cada vez mais aqui o que gostamos de ver lá fora. Precisamos cuidar dos espaços públicos, precisamos pensar mais coletivamente, precisamos olhar mais uns pelos outros, deixar de julgar tanto o próximo. As pessoas precisam cada vez mais se sentir confortáveis na pele que tem, em vestir o que quiser, em ir onde quiser, dançar como quiser. Mas eu estou muito crente de que estamos no caminho certo... Sério, SP, eu te amo cada vez mais e mais.

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