Pra ser feliz em 2015

O mar de esperança que me invade todo ano novo ainda não chegou. É que eu preciso estar na praia para ser alcançada por ele, e hoje é dia útil. Com certeza invadirá em 24 horas. Mas achei bom aproveitar justamente a onda realista, antes da onda otimista, pra estabelecer aqui algumas metas para 2015. Não quero nada que me consuma, mas sim coisas que me motivem. Depois de muito pensar, vamos lá.
1- Voltar a estudar. Um curso curto, uma pós, tanto faz. Aprender alguma coisa nova é o que eu quero.
2- Fazer mais exercícios. Estava indo bem, mas preciso focar mais nisso.
3- Ler mais livros. Li mais em 2014 do que em 2013, mas tá pouco. Usei meu vale compras de Natal do trabalho na Saraiva e comprei um número de livros já maior do que li este ano, pra impulsionar o desafio. Ler todos eles já é um começo.
4- Triplicar o valor que eu tenho guardado em conta. Tenho alguns planos grandes para o futuro, e planos grandes demandam orçamento grande.
5- Voltar à Europa. Eu sei que é complicado triplicar a poupança de um lado, e ir pra Europa com o Euro quase em R$4 do outro, mas essa é a grande beleza da vida: se virar nos 30 e fazer acontecer.
6- Não fazer compras por impulso. É uma tarefa árdua pra mim, mas ajudará e muito nos itens 4 e 5. E eu preciso mostrar praquele guarda roupa quem manda nessa bagaça, hahaha.
7- Fazer voluntariado. Esse ano fiz várias pesquisas sobre instituições, participei de algumas ações, mas quero algo mais concreto e efetivo.
8- Conhecer algum lugar novo no Brasil. O Brasil é tão rico, tem tanta coisa, e a gente aí, sempre fazendo mais do mesmo. O Rio de Janeiro é lindo e eu amo ele, mas eu preciso dar meus feriados para algum outro lugar.
9- ter (ainda) mais filtro. Antes eu queria consertar o mundo, e já passei dessa fase. Agora, me limito a dar minha opinião quando é solicitada. Ainda assim, preciso lembrar de guarda-la para quem de fato está interessado nela.
10- keep positive. É o principal. Esse ano, apesar de tudo que passei, me mantive sempre positiva e ó, faz uma diferença inacreditável. 
Feliz 2015!

Amsterdam (e a vontade de férias)

To com saudade de férias... MUITA saudade! Vai chegando dezembro, e tudo que eu queria era ter 15 anos de novo e passar a vida no mais delicioso dolce far niente.
Pra matar essa saudade (já que férias mesmo, acho que só em junho), vou fazer aqui uma série de posts sobre algumas viagens que fiz. Mais uma vez, importante lembrar que não sou uma viajante profissional e não tenho pretensão de ser uma blogueira de viagens, até mesmo porque acho que não tenho repertório pra isso. Mas escrevo esse blog como um arquivo de memórias, e as viagens são doces memórias que amo reviver. Além disso, eu me diverti pencas lembrando da minha viagem pra Polônia (e ainda serve pra responder aquela pergunta que sempre fazem "como foi a viagem?" e que você não sabe nem por onde começar a falar). Voilà.
***
Amsterdam foi a porta por onde entrei na Europa a primeira vez (e curiosamente, na segunda também). A primeira vez que fui, fiquei na casa de um amigo, que estava me esperando no aeroporto. A Europa sempre foi um sonho pra mim, e ir vendo a cidade no nosso caminho até o centro me deu muita vontade de chorar de alegria feat. emoção. Como não era um amigo super próximo, segurei a onda. Chegamos em casa, mal deixei as malas e ele já tava pronto pra gente ganhar a rua. Eu estava tão mais empolgada do que cansada, que nem me liguei que não tinha tomado nem banho depois de 14h de trânsito. Eu fui, e essa foi a primeira foto que tirei:
Não tem como não se apaixonar muito por Amsterdam. É uma cidade em sépia, gente, hahaha... Apesar de venderem muito como a cidade da porralouquice, eu acho uma cidade extremamente romântica. Meu amigo andou muito comigo, me mostrou vários pontos turísticos, como a casa da Anne Frank, o Red Light District, a pequena Chinatown que tem por ali, a Centraal Station (que eu acho divina de linda), o colossal estacionamento de bicicletas, alguns coffee Shops, a Dam Plein, o Iamsterdam. Me levou pra comer comida local, me joguei nas bitterballs e fui a loucura com o stroopwafel. Também me deu algumas dicas de turismo avançado em Amsterdam, tal como fazer check in e check out com o bilhete no transporte público, para pagar somente o preço equivalente ao trecho percorrido e não o preço cheio. Fomos em baladas, e eu passei dias incríveis por lá. Como ainda estava engatinhando nessa vida de viagens e achava que nunca mais voltaria lá, me ative, em 95% do tempo, em programas para turistas facilmente encontrados em qualquer guia. Nos outros 5% do tempo, ele me levou pra um programa incrível: fomos a Zaanse Schans, em Zaandam.
Zaandam é uma cidadezinha coisa de 20 minutos de Amsterdam. Tem inclusive um ônibus que saí da Centraal Station (91 de acordo com o Google). Nela tem Zaanse Schans, que é um museu a céu aberto, coisa mais linda. Um campo com inúmeros moinhos, fábrica de queijos, fábrica de tamancos, fazendinha pra crianças, aluguel de bicicletas, e eu nem sei explicar a lindeza que é olhar aquilo.

Passei horas incríveis no maior sossego. Era um domingo de sol em janeiro, não estava muito frio e não estava cheio. Tinha muitos holandeses com os filhos, e me pareceu um programa bem fora da rota turística. Alias, para ver moinho, vale muito mais a pena do que aquele que tem no meio da cidade. Voltamos para a cidade, meu amigo foi pros afazeres dele, eu fui fazer um boat tour e olha... só recomendo se estiver chovendo, ou caso tenha (muito) pouco tempo na cidade, tipo algumas horas de conexão. A cidade é pequena, e da pra cobrir todos os pontos que o tour mostra a pé, podendo tirar fotos mais belas, no seu tempo, sabe? Eu fiquei encantada com o aspecto "casa de boneca" das construções por lá, mas mais encantada ainda eu fiquei com as casas-barco. Durante o boat tour, passei por um casal mais velho tomando café da manhã num barquinho, e eu decidi que era missão de vida morar numa casa daquelas.
Pois bem... em 2012 eu voltei para Amsterdam (pra quem achava que nunca mais voltaria, voltei bem rápido), e morei numa casa barco por 3 maravilhosos dias.

Sabe aquela varandinha ali no canto direito?

Pois é. Em 2012 fiz uma viagem, que até agora considero a melhor viagem da vida (intercâmbio é intercâmbio, não é viagem, rs), acompanhada de grandes amigas. Depois de ficar muito passada com o preço dos hotéis (que eram muito caros e com avaliações que iam de bedbugs até ratos) e dos hostels, lembrei que era hora de realizar aquele sonho. Recomendo fortemente. Nossa casinha ficava num dos principais canais no Jordaam, o Prinsengracht. O Jordaam é um bairro mega charmoso, cheio dos cafés, restaurantes e holandeses. Sério.. é até sofrido, porque você quer ficar em casa vendo a vida passar pela janelinha, mas quer sair porque né.. está em Amsterdam. Outra parte interessante da experiência foi provar um pouco da falta de privacidade das casas holandesas. Eles vivem com as cortinas abertas, acho incrível que você anda pela calçada e vê a família inteira jantando na moral, com as cortinas abertas, hahaha... Na nossa casa tinha umas janelinhas no nível da rua, e obviamente umas criaturas enfiaram a cara lá, né. Eu tenho um pouco de irritação com lugar apinhado de turista, e o Jordaam é um bairro um pouco mais sossegado.
Ruas do Jordaam
Por ali fomos no restaurante com a melhor torta de maçã que eu já comi. A dica é quentíssima, anote: Winkel 43. O restaurante é puro charme, a comida é muito gostosa (comi uma carne bem delícia) e essa torta... é o sonho em forma de torta. O restaurante fica na pracinha do Noordermarkt onde, às segundas tem um mercado muito legal, com muita roupa, quinquilharias interessantes, discos, tecidos, coisa de babar. Aos sábados na mesma praça tem um farmers market bem animado também.

Fomos ao Van Gogh (missão que eu havia falhado miseravelmente um ano antes). Era segunda de tarde, e não tinha fila. Achei impressionante tanto o acervo quanto a beleza do museu, que fica na Museumplein, praça com os grandes museus de Amsterdam. É lá também que fica o letreiro Iamsterdam e tiramos todas as fotos necessárias para que não confiscassem nossa carteirinha de turista. Depois sentamos na pracinha e eu comi Stroopwafel feito na hora, quentinho, e quase chorei de emoção. Ali do ladinho tem o Vondelpark, o parque mais famoso e gigantesco da cidade. Lá é bem lindo, e tem uma mistura bacana de turista e holandeses fazendo picnic.
Indo pra outra ponta da cidade, à esquerda da Centraal Station, fomos na Openbare Biblioteek Amsterdam - OBA, a maravilhosa biblioteca pública de Amsterdam. Na minha primeira ida li a respeito do observatório no 6º andar, e gostei muito quando fui. Já que estava lá, vamos repetir, né? A biblioteca tem 5 andares de muito entretenimento, com livros, áreas de estudo, brinquedoteca para os pequenos etc. No último andar, tem um restaurante com comidas mais em conta (Amsterdam é bem carinha) e um terraço com uma bela vista:

Nesse pedaço tem esse restaurante oriental flutuante, que não sei dizer se é bom mas é bonito, vai, e também o Nemo, que é um museu científico. Tem ainda o museu do mar que é em forma de barco, que também não fui mas to mencionando para quem se interessar se programar pra visitar tudo de uma vez. Esse museu do mar deve ser interessante, se pensar que a Holanda briga com o mar desde que o mundo é mundo. Taí, acho que preciso ir lá ver com meus olhos.   
Fomos a diversos coffeeshops e cafés (o café é bar, coffeeshop são aqueles, que não vendem bebida), andamos muito, vimos várias lojinhas de mimos e todos os dias voltávamos felizes pra casa, pra ver os nossos patos de estimação no canal. Sério, apareceu até um cisne na nossa varandinha... Estar num lugar desses com duas melhores amigas é uma coisa inexplicável. Como eu disse, é a cidade da porralouquice, então a gente tomou umas (muitas) biritas, dançou pros barquinhos que passavam na nossa varanda (como eu passei um ano antes) e várias dessas merdas que amigas fazem quando se reúnem. Foi ainda mais especial porque uma das minhas amigas tinha se mudado 6 meses antes para Berlim, e foi nossa primeira reunião. Imagine o grau da idiotice das garotas né?

Amsterdam só me traz memórias incríveis, e por ser o primeiro lugar, foi o início de duas belas jornadas. Não tem como não morrer de amores. Quanto mais eu olho essas fotos, mais eu escuto a música (sim, porque sempre tem um músico na rua tocando algo que faz você se sentir num filme com trilha sonora e tudo), e me sinto romântica. É isso, Amsterdam traz uma sensação de estar apaixonada sem estar, de que você está vivendo um filme europeu da melhor espécie. Já passou da hora de voltar.

Em 2014 eu...

... comecei o ano assim, e um ano que começa desse jeito não tem como ser ruim, né?

Mas fato é que foi um ano muito diferente, e acho que o mais marcante dos últimos tempos, porque tive grandes impactos tanto na vida pessoal como profissional. Passei por coisas extremamente dolorosas, mas por outras muito deliciosas.

Reconheci que estava sofrendo assédio moral no trabalho, que não eram as pressões do cargo, que não eram coisas do mundo corporativo. Uma coisa que nunca imaginei passar na minha vida, de certa forma achava que nem existia. Foi frustrante, me deixou marcas profundas, mas me deu força para dar o maior salto da minha carreira: em 2014 eu virei Gerente.

Na minha casa, as mudanças não poderiam ser melhores. Uma das minhas melhores amigas veio morar comigo, e tudo funcionou lindamente. Trouxe leveza para os meus dias, fortaleceu ainda mais a parceria, e não poderia ter sido melhor. Fiz as mudanças que queria, arrumei um quarto novo, e hoje adoro estar em casa.


Eu viajei até que bem... sempre menos do que eu gostaria, é verdade, mas não posso reclamar. Passei um final de semana em Detroit e uma semana no México por conta de trabalho, fui a Buenos Aires com mamãe, e finalmente tirei férias... foram 15 dias incríveis em NYC, cercada das melhores amigas e excelente energia. Conheci Holambra, um cantinho (muito) holandês a 2 horas de São Paulo. Fui ao Rio algumas vezes, e não tem erro... quanto mais eu vou, mais eu quero ir. Que saudade do carnaval... ahhhh que saudade! 

Eu superei medinhos. Perdi peso (o peso que tinha ganhado durante esse ano, e nem foi tudo, mas ta valendo, né?), voltei a fazer atividade física, fui a dois lugares que ainda não conhecia, não comprei nenhum biquíni, fui ao médico e fiz os exames. A parte que mais gostei dessa listinha? Elogiar as pessoas... botei em prática, e me senti feliz. Como é bom fazer um elogio sincero, né? É de se pensar como a gente sempre tem uma crítica na ponta da língua quando alguém faz merda, mas fica silenciosamente admirada quando alguém manda bem. Esse ano exercitei meu lado elogioso, e me fez muito bem (e tenho certeza que aos elogiados, também). Prática para manter em 2015. Eu também cumpri outra promessa feita no blog, virei uma poupadora. Vá lá que poupei menos do que gostaria, hahaha.. mas é um começo, vai.
Percebi que meus pais estão envelhecendo e sofri. Mas ao olhar a vida que eles viveram, e que ainda vivem com tanta alegria, senti um imenso orgulho de tudo que construíram, da educação que me deram. Família é assim... a gente briga, a gente se ressente, mas é o que de mais valioso que a gente tem. Eu passei bons momentos com meus pais, e melhorei muito o relacionamento com meus irmãos. Sofremos todos juntos a partida do Vô, e acho que, ainda que silenciosamente, saímos todos vitoriosos de 2014.

Conheci a pessoa mais especial que já cruzou o meu caminho. Uma pessoa que só soma e que me fez descobrir as melhores nuances do meu "eu". Uma pessoa que escuta Beattles de manhã comigo, que tem os sonhos mais doces, que gosta das gororobas que eu cozinho, que dança esquisito comigo na balada, que defende um mundo igualitário, e que fez a minha vida mais feliz. Junto com ele, um grande desafio: me tornei "madrasta". Entrei num relacionamento que está longe de ser simples, mas que me recompensa todos os dias. Me sinto feliz, me sinto amada, me descobri madura, responsável e capaz de encarar uma pedreira. 
   
Agradeci todos os dias por ter as amigas que tenho. Vi - do altar - minha primeira amiga de infância a se casar. Vi minhas amigas realizarem seus sonhos, darem a volta ao mundo, viverem dias difíceis, sofrerem perdas, se procurarem, algumas se encontraram, outras ainda estão na luta... mas todas juntas, sempre juntas. Não me faltaram em um minuto, e eu também não faltei. Estiveram do meu lado durante tudo que eu disse aí pra cima. Foi um ano em que todas vivemos intensamente, umas mais perto, outras mais longe, cada uma trilhando seu caminho, todas lado a lado. 

As melhores da minha vida. E tem gente que não ta nas fotos, mas tá no coração <3 

Acho que é isso... saio de 2014 com o coração preenchido, uma tatuagem nova, mais histórias pra contar e com a sensação de ano bem vivido. Que 2015 seja positivo assim :)

Com amor, para o Velho Oeste

Hoje li um texto aí de uma menina falando da paz, da tranquilidade que ela tem em sua cidade natal. A forma com que ela descreveu as coisas, o carinho com que falou da sua cidade me deu certa tristeza no coração, porque apesar de eu ter amado a minha infância lá, eu não sinto essa paz interior, esse carinho pela minha cidade. Temos uma relação bem conturbada, e eu acho que é coisa de terapia. Eu vou pouco, e quando vou, gosto muito de estar na casa dos meus pais. Eu me sinto feliz lá. Mas lá dentro. Dentro da casa que cresci, que tem a cara deles em tudo, e só. Eu adoro os meus amigos que ainda moram lá, mas poderia encontrar com eles em qualquer outro lugar do mundo. Não sinto qualquer identificação com todo o resto, tenho uma aversão à certas ideias que correm tão soltas, ao julgamento pronto que todo mundo tem pra tudo. E acho triste não sentir apego algum por um lugar onde morei 17 anos da minha vida, onde foi construída a base do que sou hoje.
Mas aí eu lembrei que eu tenho sim um lugar que me cheira infância, que desperta as minhas melhores memórias, que não tem ressentimento, que cheira biscoito de champagne...
Ahhh o velho oeste!! A cidade que eu passava os meses contando pra me jogar, pra encontrar minhas primas, pra brincar de tudo.. eu tenho tanta coisa boa pra lembrar. O vô sentado na calçada, a gente dançando na "chuva" do caminhão de veneno (para desespero do mesmo vô que tava sentado na calçada), pescaria no corgo, esconde-esconde no cafezal, suspiro da Tia Hélia, sexta de cinema do Cine Santo Antônio, sorvetes e mais sorvetes na Cherry, a chuva de gotas grandes no fim do dia que desperta o calor mais infernal do chão, aquele horizonte... O vô ensinando a gente a pescar, o vô cortando cana pra gente chupar, o vô derramando tubaína Funada na mesa e botando a culpa em mim, o vô, o vô, o vô... O cheiro da fábrica de biscoito de champagne as 4h, que soltava aquela fornada crocante, a vó de bobes, a YellowBox, papelaria com todas as borrachinhas e clipes coloridos que uma garota de 10 anos pode sonhar, os incontáveis shows do Chitãozinho e Xororó, aquela cantoria sofriiiida de Evidências.. Que lembranças maravilhosas que Adamantina me traz. Que esse quintal aqui me traz. 

E se tem um motivo pelo qual dezembro é o meu mês favorito do ano, é porque é pra lá que eu vou.  Mesmo que não tenha mais biscoito de champagne, nem corgo, nem chuva de veneno, nem Cine Santo Antônio, e nem o vô. Eu vou deitar naquela rede, vou olhar pra essas flores, vou ver o calango subindo pelo muro e vou me sentir a pessoa mais feliz do mundo. Segura velho oeste, segura que eu to chegando.

Juízo

Lembro que quando meus dentes de leite começaram a cair, eu ficava meio apavorada. Meu pai vinha com o fio dental, amarrava uma ponta no dente mole, a outra na fechadura, e eu ficava lá choramingando que não queria sentir dor. No primeiro minuto de distração, meu pai, acidentalmente, fechava a porta, e *blam!* - era uma vez um dente na boca. Rápido, indolor e DE GRAÇA.
 
Agora estou aqui, inchada e morta de dor depois de tirar a última dupla de sisos.. e não bastasse isso, alguns milhares de reais mais pobre. Sério.. quando você já tem certeza que era feliz e não sabia, ainda vem essa pá de cal.
 
Só queria minha banguelisse marota de volta...
 
 

Polôôôônia

Essa semana uma amiga veio me perguntar coisas sobre a Polônia, e eu senti uma saudade daquela viagem...
Começando do começo: quando morei nos EUA, fiz muitos amigos do leste europeu. Basicamente muitos ucranianos e poloneses, alguns lituanos e eslovacos, e duas búlgaras muito especiais. Em dezembro de 2010, a Jéssica, amiga americana que nessas alturas estava morando na Europa, comentou que ia organizar um encontro da galera do WI em Poznan, na Polônia, em meados de janeiro. Primeiro eu fiquei com dor no coração de não poder participar.. depois eu lembrei de 13o, férias vencidas, e saí correndo pra me organizar e ir.
Foi minha primeira ida à Europa, e eu não sabia muito bem por onde começar, já que teria 15 dias, e no final de semana do meio deveria estar em Poznan. Enfim, aprendi muito sobre "viagens" com essas férias, mas isso é assunto pra outro post. Eu só queria lembrar o quanto eu gostei da Polôôôônia (piadinha pra quem fez Anglo, hehe), mesmo no frio desgraçado de janeiro, debaixo de muita neve.
Poznan

É uma cidade relativamente grande - grande para os padrões poloneses. Universitária, cheia de gente nova, já foi capital do País. É lá onde vários dos meus amigos fizeram faculdade. Tem uma praça medieval bem fofa, com uma igreja bonita, e tinha um violinista tocando que depois fui saber que é um músico famosíssimo, toca na Sinfônica de Viena, e sim... estava lá sentado na praça, juntando umas moedas em seu chapéu, tomando um sol no frio de janeiro. Eu cheguei em Poznan num fim de tarde de sexta de trem, vindo de Berlim - coisa de 2h de viagem. E apesar de ser universitária, fiquei passada com a fauna local que quase não falava inglês. Tirando isso, posso dizer que a vodka embaralha um pouco minhas memórias da cidade. Lembro de ter pingado de balada em balada na sexta, de ter comido kebab, de ter dançado na praça, e de nem saber como voltei pro hostel. Sábado fomos passear pela cidade, foi quando vi a tal cena do músico, mas aí era a ressaca que atrapalhava. Passamos em praças e parques bem bonitos, e paramos num shopping (a Polônia é bem barata, e deu pra me jogar de leve nas compritas). De noite, mais balada, mais vodka, mais blur... Domingo passeamos um pouco, almoçamos pra tirar a nhaca, e de noite sentamos num pub pra beber vinho quente e cerveja rosa, coisas que os poloneses gostam muito no inverno.
Foi um final de semana muito intenso, de muita nostalgia, danças malucas, muitas risadas... como foi incrível reencontrar meus amigos depois de 4 anos. E não tinha jeito de melhor de ir chegando na Polônia. Diria que foi amor ao primeiro shot.


Obs - meus pais foram à Poznan alguns anos depois, no verão, e acharam a cidade demais, cheia de bares com gente pro lado de fora, música na rua, puro agito. Recomendo.

Cracóvia

Ou Kraków para os íntimos. Eu já estava com princípio de paixonite pela Polônia, e foi aqui que meu coração se rendeu de vez. Que cidade maravilhosa! Mais uma vez cheguei arrastando mala na neve atrás do hostel perdido, mas dessa vez pelo menos as pessoas falavam inglês. Fui de trem e tive que fazer um caminho meio burro, mas era o que tinha possível - Poznan - Varsóvia - Cracóvia.
A praça medieval é a maior da Europa, com um mercado lindo. Muito cristal a venda... Muitos restaurantes servindo ótimos pierogis com vinho.

Foto da praça no verão tirada do Wikipédia
As ruas da cidade são mágicas, com muitas coisas históricas, eu andava meio abestalhada achando que tinha voltado no tempo. Tem muita gente nova, e apesar de ser inverno (peguei -10 graus), achei a cidade muito viva. Tem vários passeios pra fazer, fiquei 3 dias e achei foi pouco. De lá saem os ônibus para visitar Auschwitz, que vale um post próprio - até mesmo porque é carregado de tristeza, e a lembrança que me fez escrever agora é outra. Tem o bairro judeu (Kazimierz) que é puro charme misturado com história adicionando um sem número de cafés e bares. Tem praças e mais praças, tem um castelo onde a Familia Real polonesa morava quando existia, e vale a visita pelas instalações do castelo em si, e pela vista do rio e da cidade. Tem Papa João Paulo II pra tudo que é lado. Tem um jardim que corta o centro da cidade e é a coisa mais linda. E tem vodka digo baladas. 
Viajei sozinha, e por isso procurei um hostel que tivesse áreas comuns para socializar e conhecer umas pessoas. Pois bem... eu, um americano e um mexicano resolvemos fazer um pub crawl numa terça-feira. Achei que somando dia de semana com inverno seria sossegado... ledo engano. Um casal de irlandeses se juntou a nós, e a guia polonesa fui levando a gente de bar em bar, de pub em pub, de shot em shot.


Lá pelas tantas, acabamos num prédio muito velho meio caindo aos pedaços, onde cada apartamento era uma balada diferente e era a coisa mais incrível do incrível mundo das baladas incríveis. Eu nem me lembro como foi que tudo aconteceu, só sei que quando percebi, era 4h da manhã, eu e o americano estávamos comendo um kebab e tentando entender um mapa de ponta cabeça no meio da praça. E aparentemente tínhamos perdido irlandeses e mexicano (a guia polonesa já tinha escapulido propositalmente há muito tempo). E tudo isso era terça-feira invernal. Ou seja... se a ideia é ferver na night sem gastar todos os dinheiros da sua vida, pode pegar o próximo trem/avião/cipó para Cracóvia.
Importante adicionar aqui que 6 meses depois li que o tal prédio foi interditado porque metade dele desabou, rs.. Sinto muito por aqueles que jamais saberão o que é estar lá dentro. Pelo pouco que me lembro, foi uma experiência de vida.

Varsóvia

Fiquei pouco. Na verdade, os poloneses maldisseram tanto a capital, que só acabei incluindo ela porque encontrei um voo barato para ir de lá pra Praga. Fiquei hospedada na casa da minha amiga Anna, e meu único dia lá começou chuvisquento. Me lembro de estar perdida da silva pelas redondezas da Anna, quando tentei puxar um papo maroto com umas senhorinhas que pareciam saídas de um filme sobre o comunismo. Meu. Deus. Foram 5 minutos de puro divertimento, elas riam, me davam tapinhas nas costas, e eu não faço a mais puta ideia do assunto da nossa conversa. Peguei um ônibus, e contei 14 stops, como a Anna mandou. Desci num pequeno paraíso, conhecido como Royal Baths - um parque gigantesco e lindo no centro de Varsóvia, com um palacete.



Uma imensidão de árvores peladas cobertas de neve, uma coisa pitoresca. E fria. De lá, segui o conselho da Anna, e segui para o museu Copérnico. Desci do tram na paradinha indicada - uma antes do rio, onde dava pra ver o estádio que estava sendo erguido pra Eurocopa 2012. Pra ir do ponto do tram até o museu, eu precisava descer uma escadaria e atravessar uma avenida. E aí que no meio da escadaria eu fui surpreendida por um mendigo com a bunda de fora, que virou seu esguicho de xixi em minha direção. Graças a dio, tive o reflexo de correr antes de ser atingida e, limpinha, decidi que aquilo era um sinal divino pra eu sair fora de museu e ir bater pernocas pela cidade velha. No tram de volta, um cara puxou papo comigo, e me disse que era ator, que a Polônia era só o começo, e logo eu veria ele em Hollywood. Quando eu desci, ele desceu comigo, e fomos batendo papo ao longo da principal avenida da cidade. Lá pelas tantas, coisa de 5 quadras e 10 minutos depois, ele me ofereceu cocaína. Eu demorei 1 minuto pra entender a oferta, e assim que a ficha caiu, bati rapidamente em retirada. Confesso que meu amor pela Polônia era mais forte que nunca... tenho um certo fascínio por gente genuinamente doida, e o país não estava deixando a desejar. Andei mais um pouco, fui ao Palácio da Cultura (obra mais faraônica que já botei os olhos, suprassumo do comunismo por aquelas bandas). Acabei parando para comer mais pierogis, e nessa hora, chegaram Anna e Piotr para me fazer companhia. Andamos pela cidade velha inteira, rodeamos a muralha, passamos pela casa do Presidente, pelo memorial aos soldados mortos e não identificados, pela praça medieval - que como as outras, era também muito bonita. Me levaram pro que sobrou Gueto de Varsóvia e, de carro, fomos andar na parte underground e pobre da cidade, o bairro de Praga, que é sim bem pobre, cheio de prédios velhos, abandonados, com marcas de bala. Talvez de lá pra cá esteja melhor, a Polônia está economicamente muito bem, e o estádio fica no bairro, coisa que ajuda a dar um up. Ao final do dia estava exausta. Fomos pra casa, e as 6h da manhã segui pro aeroporto rumo à Praga - a cidade.

Foi uma semana. Uma grande semana... Não tenho intenção de ser blogueira de viagens, de me sentir expert no assunto, mas se pudesse dar um conselho, seria "abra seu coração pra Polônia". Que país delicioso... Historicamente muito rico, com um povo que sofreu tanto, mas é extremamente divertido, alegre. E se não sai vodka das torneiras, é quase isso. Foi uma das grandes surpresas da minha vida. Como eu não conheço a Itália, a França, a Espanha, muita gente me pergunta o que é que eu fui fazer na Polônia. Mas tenho certeza que o meu sorriso (devidamente escondido na foto abaixo) responde a pergunta.



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