Com amor, para o Velho Oeste

Hoje li um texto aí de uma menina falando da paz, da tranquilidade que ela tem em sua cidade natal. A forma com que ela descreveu as coisas, o carinho com que falou da sua cidade me deu certa tristeza no coração, porque apesar de eu ter amado a minha infância lá, eu não sinto essa paz interior, esse carinho pela minha cidade. Temos uma relação bem conturbada, e eu acho que é coisa de terapia. Eu vou pouco, e quando vou, gosto muito de estar na casa dos meus pais. Eu me sinto feliz lá. Mas lá dentro. Dentro da casa que cresci, que tem a cara deles em tudo, e só. Eu adoro os meus amigos que ainda moram lá, mas poderia encontrar com eles em qualquer outro lugar do mundo. Não sinto qualquer identificação com todo o resto, tenho uma aversão à certas ideias que correm tão soltas, ao julgamento pronto que todo mundo tem pra tudo. E acho triste não sentir apego algum por um lugar onde morei 17 anos da minha vida, onde foi construída a base do que sou hoje.
Mas aí eu lembrei que eu tenho sim um lugar que me cheira infância, que desperta as minhas melhores memórias, que não tem ressentimento, que cheira biscoito de champagne...
Ahhh o velho oeste!! A cidade que eu passava os meses contando pra me jogar, pra encontrar minhas primas, pra brincar de tudo.. eu tenho tanta coisa boa pra lembrar. O vô sentado na calçada, a gente dançando na "chuva" do caminhão de veneno (para desespero do mesmo vô que tava sentado na calçada), pescaria no corgo, esconde-esconde no cafezal, suspiro da Tia Hélia, sexta de cinema do Cine Santo Antônio, sorvetes e mais sorvetes na Cherry, a chuva de gotas grandes no fim do dia que desperta o calor mais infernal do chão, aquele horizonte... O vô ensinando a gente a pescar, o vô cortando cana pra gente chupar, o vô derramando tubaína Funada na mesa e botando a culpa em mim, o vô, o vô, o vô... O cheiro da fábrica de biscoito de champagne as 4h, que soltava aquela fornada crocante, a vó de bobes, a YellowBox, papelaria com todas as borrachinhas e clipes coloridos que uma garota de 10 anos pode sonhar, os incontáveis shows do Chitãozinho e Xororó, aquela cantoria sofriiiida de Evidências.. Que lembranças maravilhosas que Adamantina me traz. Que esse quintal aqui me traz. 

E se tem um motivo pelo qual dezembro é o meu mês favorito do ano, é porque é pra lá que eu vou.  Mesmo que não tenha mais biscoito de champagne, nem corgo, nem chuva de veneno, nem Cine Santo Antônio, e nem o vô. Eu vou deitar naquela rede, vou olhar pra essas flores, vou ver o calango subindo pelo muro e vou me sentir a pessoa mais feliz do mundo. Segura velho oeste, segura que eu to chegando.

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