Polôôôônia

Essa semana uma amiga veio me perguntar coisas sobre a Polônia, e eu senti uma saudade daquela viagem...
Começando do começo: quando morei nos EUA, fiz muitos amigos do leste europeu. Basicamente muitos ucranianos e poloneses, alguns lituanos e eslovacos, e duas búlgaras muito especiais. Em dezembro de 2010, a Jéssica, amiga americana que nessas alturas estava morando na Europa, comentou que ia organizar um encontro da galera do WI em Poznan, na Polônia, em meados de janeiro. Primeiro eu fiquei com dor no coração de não poder participar.. depois eu lembrei de 13o, férias vencidas, e saí correndo pra me organizar e ir.
Foi minha primeira ida à Europa, e eu não sabia muito bem por onde começar, já que teria 15 dias, e no final de semana do meio deveria estar em Poznan. Enfim, aprendi muito sobre "viagens" com essas férias, mas isso é assunto pra outro post. Eu só queria lembrar o quanto eu gostei da Polôôôônia (piadinha pra quem fez Anglo, hehe), mesmo no frio desgraçado de janeiro, debaixo de muita neve.
Poznan

É uma cidade relativamente grande - grande para os padrões poloneses. Universitária, cheia de gente nova, já foi capital do País. É lá onde vários dos meus amigos fizeram faculdade. Tem uma praça medieval bem fofa, com uma igreja bonita, e tinha um violinista tocando que depois fui saber que é um músico famosíssimo, toca na Sinfônica de Viena, e sim... estava lá sentado na praça, juntando umas moedas em seu chapéu, tomando um sol no frio de janeiro. Eu cheguei em Poznan num fim de tarde de sexta de trem, vindo de Berlim - coisa de 2h de viagem. E apesar de ser universitária, fiquei passada com a fauna local que quase não falava inglês. Tirando isso, posso dizer que a vodka embaralha um pouco minhas memórias da cidade. Lembro de ter pingado de balada em balada na sexta, de ter comido kebab, de ter dançado na praça, e de nem saber como voltei pro hostel. Sábado fomos passear pela cidade, foi quando vi a tal cena do músico, mas aí era a ressaca que atrapalhava. Passamos em praças e parques bem bonitos, e paramos num shopping (a Polônia é bem barata, e deu pra me jogar de leve nas compritas). De noite, mais balada, mais vodka, mais blur... Domingo passeamos um pouco, almoçamos pra tirar a nhaca, e de noite sentamos num pub pra beber vinho quente e cerveja rosa, coisas que os poloneses gostam muito no inverno.
Foi um final de semana muito intenso, de muita nostalgia, danças malucas, muitas risadas... como foi incrível reencontrar meus amigos depois de 4 anos. E não tinha jeito de melhor de ir chegando na Polônia. Diria que foi amor ao primeiro shot.


Obs - meus pais foram à Poznan alguns anos depois, no verão, e acharam a cidade demais, cheia de bares com gente pro lado de fora, música na rua, puro agito. Recomendo.

Cracóvia

Ou Kraków para os íntimos. Eu já estava com princípio de paixonite pela Polônia, e foi aqui que meu coração se rendeu de vez. Que cidade maravilhosa! Mais uma vez cheguei arrastando mala na neve atrás do hostel perdido, mas dessa vez pelo menos as pessoas falavam inglês. Fui de trem e tive que fazer um caminho meio burro, mas era o que tinha possível - Poznan - Varsóvia - Cracóvia.
A praça medieval é a maior da Europa, com um mercado lindo. Muito cristal a venda... Muitos restaurantes servindo ótimos pierogis com vinho.

Foto da praça no verão tirada do Wikipédia
As ruas da cidade são mágicas, com muitas coisas históricas, eu andava meio abestalhada achando que tinha voltado no tempo. Tem muita gente nova, e apesar de ser inverno (peguei -10 graus), achei a cidade muito viva. Tem vários passeios pra fazer, fiquei 3 dias e achei foi pouco. De lá saem os ônibus para visitar Auschwitz, que vale um post próprio - até mesmo porque é carregado de tristeza, e a lembrança que me fez escrever agora é outra. Tem o bairro judeu (Kazimierz) que é puro charme misturado com história adicionando um sem número de cafés e bares. Tem praças e mais praças, tem um castelo onde a Familia Real polonesa morava quando existia, e vale a visita pelas instalações do castelo em si, e pela vista do rio e da cidade. Tem Papa João Paulo II pra tudo que é lado. Tem um jardim que corta o centro da cidade e é a coisa mais linda. E tem vodka digo baladas. 
Viajei sozinha, e por isso procurei um hostel que tivesse áreas comuns para socializar e conhecer umas pessoas. Pois bem... eu, um americano e um mexicano resolvemos fazer um pub crawl numa terça-feira. Achei que somando dia de semana com inverno seria sossegado... ledo engano. Um casal de irlandeses se juntou a nós, e a guia polonesa fui levando a gente de bar em bar, de pub em pub, de shot em shot.


Lá pelas tantas, acabamos num prédio muito velho meio caindo aos pedaços, onde cada apartamento era uma balada diferente e era a coisa mais incrível do incrível mundo das baladas incríveis. Eu nem me lembro como foi que tudo aconteceu, só sei que quando percebi, era 4h da manhã, eu e o americano estávamos comendo um kebab e tentando entender um mapa de ponta cabeça no meio da praça. E aparentemente tínhamos perdido irlandeses e mexicano (a guia polonesa já tinha escapulido propositalmente há muito tempo). E tudo isso era terça-feira invernal. Ou seja... se a ideia é ferver na night sem gastar todos os dinheiros da sua vida, pode pegar o próximo trem/avião/cipó para Cracóvia.
Importante adicionar aqui que 6 meses depois li que o tal prédio foi interditado porque metade dele desabou, rs.. Sinto muito por aqueles que jamais saberão o que é estar lá dentro. Pelo pouco que me lembro, foi uma experiência de vida.

Varsóvia

Fiquei pouco. Na verdade, os poloneses maldisseram tanto a capital, que só acabei incluindo ela porque encontrei um voo barato para ir de lá pra Praga. Fiquei hospedada na casa da minha amiga Anna, e meu único dia lá começou chuvisquento. Me lembro de estar perdida da silva pelas redondezas da Anna, quando tentei puxar um papo maroto com umas senhorinhas que pareciam saídas de um filme sobre o comunismo. Meu. Deus. Foram 5 minutos de puro divertimento, elas riam, me davam tapinhas nas costas, e eu não faço a mais puta ideia do assunto da nossa conversa. Peguei um ônibus, e contei 14 stops, como a Anna mandou. Desci num pequeno paraíso, conhecido como Royal Baths - um parque gigantesco e lindo no centro de Varsóvia, com um palacete.



Uma imensidão de árvores peladas cobertas de neve, uma coisa pitoresca. E fria. De lá, segui o conselho da Anna, e segui para o museu Copérnico. Desci do tram na paradinha indicada - uma antes do rio, onde dava pra ver o estádio que estava sendo erguido pra Eurocopa 2012. Pra ir do ponto do tram até o museu, eu precisava descer uma escadaria e atravessar uma avenida. E aí que no meio da escadaria eu fui surpreendida por um mendigo com a bunda de fora, que virou seu esguicho de xixi em minha direção. Graças a dio, tive o reflexo de correr antes de ser atingida e, limpinha, decidi que aquilo era um sinal divino pra eu sair fora de museu e ir bater pernocas pela cidade velha. No tram de volta, um cara puxou papo comigo, e me disse que era ator, que a Polônia era só o começo, e logo eu veria ele em Hollywood. Quando eu desci, ele desceu comigo, e fomos batendo papo ao longo da principal avenida da cidade. Lá pelas tantas, coisa de 5 quadras e 10 minutos depois, ele me ofereceu cocaína. Eu demorei 1 minuto pra entender a oferta, e assim que a ficha caiu, bati rapidamente em retirada. Confesso que meu amor pela Polônia era mais forte que nunca... tenho um certo fascínio por gente genuinamente doida, e o país não estava deixando a desejar. Andei mais um pouco, fui ao Palácio da Cultura (obra mais faraônica que já botei os olhos, suprassumo do comunismo por aquelas bandas). Acabei parando para comer mais pierogis, e nessa hora, chegaram Anna e Piotr para me fazer companhia. Andamos pela cidade velha inteira, rodeamos a muralha, passamos pela casa do Presidente, pelo memorial aos soldados mortos e não identificados, pela praça medieval - que como as outras, era também muito bonita. Me levaram pro que sobrou Gueto de Varsóvia e, de carro, fomos andar na parte underground e pobre da cidade, o bairro de Praga, que é sim bem pobre, cheio de prédios velhos, abandonados, com marcas de bala. Talvez de lá pra cá esteja melhor, a Polônia está economicamente muito bem, e o estádio fica no bairro, coisa que ajuda a dar um up. Ao final do dia estava exausta. Fomos pra casa, e as 6h da manhã segui pro aeroporto rumo à Praga - a cidade.

Foi uma semana. Uma grande semana... Não tenho intenção de ser blogueira de viagens, de me sentir expert no assunto, mas se pudesse dar um conselho, seria "abra seu coração pra Polônia". Que país delicioso... Historicamente muito rico, com um povo que sofreu tanto, mas é extremamente divertido, alegre. E se não sai vodka das torneiras, é quase isso. Foi uma das grandes surpresas da minha vida. Como eu não conheço a Itália, a França, a Espanha, muita gente me pergunta o que é que eu fui fazer na Polônia. Mas tenho certeza que o meu sorriso (devidamente escondido na foto abaixo) responde a pergunta.



2 comentários:

  1. Gaaaabiii, amei demais esse post! <3
    Eu tenho um fascinio doido pelo Leste Europeu também e morro de vontade de conhecer a Polonia! É um país que me desperta muito interesse! Queria fazer uma mega viagem e conhecer vários cantos do país e sentir essa vibe doida polonesa. Sua viagem parece ter sido muito legal e divertida. Fiquei super curiosa sobre o prédio com as baladas em cada ap... triste que realmente nunca vou poder ter essa experiencia hahaha
    Beijos!

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    1. Acho que esse foi o primeiro post sobre viagem que fiz no blog, e por isso eu queria contar e contar, acabei não colocando tantas fotos. Alias, essa viagem inclusive eu não tirei muitas fotos, veja só. Você vai AMAR a Polonia. Eu tenho certeza. É um país muito diferente, as pessoas são incríveis, a comida é gostosa, é culturalmente rico, e não é apinhado de turistas hehehe. e olha.. é um país meio doido hahaha.. Então esse prédio caiu, mas deve ter outras coisas doidas por lá!

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