Para o trem que eu quero subir

Por algum motivo cósmico cheguei, hoje, neste post. Não tinha melhor hora. Estou num momento de pensar no futuro. Meu futuro pessoal, o que eu quero pra minha vida. O ser humano é um bicho bizarro mesmo, né... Eu sempre soube o que queria, tinha uma vida ideal montada na minha cabeça. Tinha certeza absoluta, até que a coisa começou a se materializar na minha frente. Aí, meus queridos.. Saí de baixo. Paniquei geral, travei e comecei espernear que queria ficar onde estou, assim posso reclamar pra sempre.

Por que na real, é isso aí... O que a gente mais gosta nessa vida é de ficar falando do que poderia ter sido e não foi, do que teria feito se tivesse tido a oportunidade, de como a vida poderia ter sido diferente se tivesse ganhado na megasena, de quão verde é a grama do vizinho, ou que tudo seria diferente se todos os planetas tivessem se alinhado às 17:57 do dia 29 de fevereiro. Mas a gente sabe que não é assim que funciona, e que pra vida acontecer de verdade, a gente tem que se mexer. Ou mais exatamente, tomar decisões. E OH MY GOD. Tomar decisões implica em chamar a responsabilidade, em assumir o risco, em dar a cara a tapa, em matar no peito e passar recibo em caso de fracasso.

E eu percebi que eu to nessa... fugindo da responsabilidade que nem deabo foge da cruz. To grudada com superbonder na zona de conforto. Aparentemente, to esperando o trem passar pra depois chorar que era pra lá que eu ia. Me deu um alento no coração ler a singeleza desse post. Recibo de fracasso uma ova... se tudo der errado, que se foda. Tem muita beleza nesse mundo. Tem muita coisa pra aprender, tem muita vida pra viver. E tem toda aquela história de que a vida acontece nas coisas mais loucas que você faz, nas decisões erradas que toma, nos caminhos tortos que se põem na tua frente. Não quero ser uma senhora com aquele olhar perdido de arrependimento pela vida que não vivi. E no fim, é isso mesmo... os porres que a gente toma, os tombos que a gente leva, a cara que a gente quebra, tudo isso vira história pra contar. Mas aquele olhar arrependido, aquele morre com a gente. E agora eu entendi que eu não preciso passar por isso. E não vou.

We are Carnaval

Como eu já mencionei por aqui, eu amo pular carnaval, e por isso estava com uma certa gastura que esse ano, pela primeira vez, ia passar o feriado em SP. Bom... dizem por aí que aqui é o túmulo do samba, e como todo mundo sabe, só fantasma se aventura pela cidade nessa época né? SÓ QUE NÃO.
Carnaval em SP teve bloquinho?
Bloco, by Gabriela Milan

Teve sim senhor!
Teve e ta tendo muito bloco! Muita música, muita purpurina, muita fantasia, muito confete e serpentina! Ahhh! E muito amor também!
O centro tava lindo?
Viaduto, by Gabriela Milan
E como!
Teve bloco no centro, em Pinheiros, na Vila Mariana, na Pompeia e em Perdizes. Teve muito Caetano no Tarado ni Você, que foi pura lindeza na Ipiranga com a São João, teve me Ocupa que eu Sou da Rua na madrugada do Viaduto do Chá, teve african beats no Paissandu! Teve também na Vila Madalena, por óbvio, mas não gostei das coisas que li a respeito, não. A zona que fizeram por lá não diz nada sobre o carnaval lindo que eu vi pelo resto da cidade.
Uni, by Gabriela Milan
Teve unicórnio também
A farra comeu solta com meus amores?
Benedito, by Gabriela Milan
Opa!
Gringo quer apito, e se não der pau vai comer!

E eu me acabei?
Holly, by Gabriela Milan

 Oh yeah! Holly Golightly manda beijos purpurinados diretamente dos trópicos pra vocês!

A minha NY

Aqui eu falei por alto das minhas férias em Nova York. Fiquei com a impressão que cada um vê a Nova York que quer ver... Fiz vários programas turísticos de guia, mas em 15 dias, pude explorar a cidade com calma e andar MUITO. Fui em maio, e o clima estava ótimo.. alguns dias mais frio (mas nada demais) e alguns dias de muito calor, mas tudo tranquilo pra andar. Era primavera, então as flores estavam bem lindas. Uma cidade cheia de cor, com a vida acontecendo na calçada... Achei um pouco busy demais para férias, por isso disse que não entendo que vai todo ano (não que eu tenha que entender alguma coisa das férias dos outros, neam), mas ai.. moraria com força. Enfim, como eu disse, a cidade depende dos olhos de cada um, e eu vou deixar aqui as minhas impressões.
 A Estátua da Liberdade não é tudo aquilo que alguns dizem, mas também não é o programa mico que muito viajante cool prega. Você só tem que entender o quão perto você precisa chegar dela. Eu peguei um ferry no Pier de Wall Street, rumo ao sul do Brooklin. É um passeio delícia, que levou a gente pra uma neighborhood gracinha, com casas bonitinhas, restaurantes de frutos do mar em clima praiano, jardins floridos, uns barracões interessantes, barcos a vista. Foi meu primeiro dia na cidade, e é daquelas primeiras impressões arrebatadoras. E aí, meu bem... na ida e na volta, você vê ela. E ela sorri pra você :)
Liberty, by Gabriela Milan

Outra belezinha da vida é o pôr do sol na beira do Rio Hudson. Fizemos uma parada estratégica num parque em Tribeca, na beira do rio. Imagens lindas, mas tãããão lindas do pôr do sol, que foto nenhuma captou a magia do momento. Tem que ir lá e ver com os próprios olhos, toalha de picnic e garrafa de vinho chá verde.

Bleecker Street no West Village é uma delícia pra andar. Salvo engano, é por onde a Carrie "morava" no Sex and the City. Tem muitas lojinhas conceito, daquelas que meu espírito de rica ama muito olhar (e só olhar, né). As casas com escadinha são tipo de sonho, tem vários restaurantes e cafés charmosinhos, e tem a famosa Magnolia Bakery, que é sim tudo o que dizem - e se eu pudesse materializar o cupcake de red velvet na minha frente agora, me sentiria uma pessoa mais feliz. É uma caminhada muito agradável, e que pode continuar pelas ruas em volta, que seguem a mesma pegada fofinha cool. Por ali, você anda um tico, e chega no ponto alto do oeste nova yorkino...
High Line. É sim um dos pontos altos da cidade. O tal jardim suspenso, a vista, é tudo bonito demais. Confesso que, por ter visto tantas comparações com o que poderia ser feito do Minhocão, achei ele meio estreito. Mas é uma belezinha pra caminhar e apreciar a vista da cidade, os murais com obras, grafite, etc. Em uma das saídas está o Chelsea Market, e ó... outra maravilha. Muita variedade de comida, lojinhas de roupa, de cupcake, de cookies, tudo muito hipster. Destaque pra uma peixaria que tem lá, onde da pra comer sushi fresquinho, ou crabcakes. Demais!
High Line, by Gabriela Milan
Brasilidades no High Line

Os arredores da Brooklyn Bridge são outro ponto a parte. A caminhada pela ponte em si é bem legal, a vista da cidade vale a pena. O Brooklyn por ali é bem interessante (e por outras partes também). Tem a Brooklyn Promenade, que é um calçadão beirando o East River, cheio de banquinhos, gente correndo, silencioso. Você está fora de Manhattan, e sente isso. É uma paz pura... Na outra lateral da ponte tem o Dumbo, que é uma área com cafés, uma mini praia, um carrossel francês e uma vista incrível do skyline de Nova York. Aos domingos tem por ali, no píer 5, o Smogasburg, mercadão de comida, com food trucks e afins. De comer até cansar. Acho que nesse pedaço tirei as fotos mais bonitas da viagem.

Dumbo, by Gabriela Milan
Vista da Brooklyn Promenade
Dumbo
Brooklin, by Gabriela Milan
Me segura que eu to modela
Ainda falando em Brooklyn, vamos para a hipsterlandia: Williansburg. Adorei. Maior concentração de hispter barbudos estilosos por metro quadrado. Muita comida veggie (alias, modinha pela cidade toda), muita cerveja artesanal, muito brechó, muita lojinha pretensiosa vendendo bugiganga a preços altíssimos e o melhor custo/benefício de restaurante achado na cidade. Dziupla, anota aí. Um restaurante polonês, com combo entrada, prato principal e sobremesa por $15 doletinhas. Um pierogi delicioso, e na Bedford Street, a rua bombada de Williansburg.

Williansburg, by Gabriela Milan
lojinha pricey porém divertida no paraíso hipster
Em um dia ensolarado, pegamos a linha A de metro até o final e fomos a Coney Island, aquele parque de diversões famoso. Não, não nos acabamos na montanha russa, mas escapamos pela tangente, e passamos o dia em Brighton Beach, uma praia ali do lado. Não tem nada demais, mas as amigas new yorkers saindo de um inverno ficaram que nem pinto no lixo. Mas não é mesmo uma maravilha ir a praia de metrô?

Brighton, by Gabriela Milan

Pois é, o metrô nova yorkino realmente te faz pensar na vida. Por vários motivos, inclusive. Primeiro, porque ele te leva pra qualquer lugar. MESMO. Segundo porque ele é difícil, e faz você questionar a sua inteligência. Tem trem que passa e não para, as catracas servem apenas pra quem ta indo pra um sentido, tem estação que não faz sentido. Mas pra onde você olha, tem um metrô. E você pensa que maravilha é morar num mundo assim... exceto pelos ratos. Eles estão por tudo, e é no metrô que a coisa democratiza de vez. Você ta ali de buenas esperando um metrozinho, e então vem aquele rato peludo e pula seu pé. E é aí que você lembra que não da pra ter tudo, né... não da pra ter um metrô eficiente pra cacete, se sentir inteligente e ainda não conviver com ratos. Não dá, amiga, aceita.

Em Midtown e Upper East é que estão grande parte das atrações turísticas. A Times Square, os museus todos, a incrível Biblioteca Municipal (vá, nem que for pra carregar o celular enquanto observa transeuntes), o Central Park, que vale sim cada minuto que você gastar lá, ainda que sejam muitos minutos, as lojas da 5a Avenida, o tal do Little Brazil, tudo isso que tem em todo guia. Eu confesso que passei pouco tempo na área (se considerar que passei 15 dias inteiros na cidade). Fizemos um passeio na ONU, pois tinha uma amiga trabalhando lá, e o acesso foi mais fácil. É bem interessante, e valeu ainda mais apena porque estava chovendo, um bom programa indoor. Por ali, também gostei muito do prédio da Ford Foundation (320 E. 43th Street), que tem uma mini floresta tropical interna. Mas, pra mim, a cereja no topo desse bolo aí é a Grand Central. Estação muito bonita, muito cheia, onde você "sente" NYC pulsando. E de quebra, se tiver assistido Gossip Girl, ainda lembra da Serena, hahaha..
Grand Central, by Gabriela Milan
Agora, o que eu AMEI mesmo, e onde eu queria viver e acabei de um jeito ou de outro passando em algum momento de todos os meus dias, foi o Lower East Side. Seja Chinatown, seja Nolita, o Soho, East Village, todos esses pedaços... achei fascinante. É a área mais antiga da cidade, tem prédios muito peculiares, restaurantes de babar, bares bombadíssimos, gente cool, lojinhas interessantes, comida de rua boa demais. Eu teria páginas de dicas aqui... de tantos brunchs gostosos que tomei, do melhor Donuts da vida que comi, do estúdio onde tatuei, da feirinha onde comprei os melhores cremes anti rugas artesanais, da loja de lenços bonitos onde comprei os melhores presentes, do cemitério minúsculo tomados de trepadeiras por onde passei, etc, etc.
SoHo, by Gabriela Milan

SoHo, by Gabriela Milan

SoHo, by Gabriela Milan

Eu achei engraçado, porque já li tanto sobre NYC, já vi tanto, que sempre ficava com aquela impressão de que é um lugar que eu nunca fui, mas que conheço muito bem. Aliás, essa impressão era tanta, que eu mal tinha vontade de "gastar férias" pra ir pra lá. Mas tudo isso que escrevi aqui, foram gratas surpresas que encontrei, e que reforçam ainda mais o meu lema que é viver fora do guia quando for a algum lugar. É óbvio que tem sim que fazer coisas de turista, mas eu achei essa NYC óbvia da Times Square tão sem graça, se comparada com a vida que eu vi em outros cantos... E sim, os guias falam de Soho, falam de Brooklyn, do Meatpack District, mas acho que não fazem justiça aos lugares. E essa seria a minha maior dica de New York (e de todas as viagens): faça a sua experiência lá. Fuja do roteiro dos outros, ache a sua cidade, encontre o que faz teus olhos brilhar, gaste seu tempo com o que importa pra você e vá embora com vontade de ficar. Pra sempre <3

by Gabriela Milan 

O que te faz feliz?

Me faz muuuito feliz...

... acordar na praia
... abrir a geladeira da casa da minha mãe
... pular carnaval
... descer do avião em outro país
... ouvir música bem alta no fone de ouvido
... andar pela rua sem rumo
... tomar sorvete na casquinha
... pular ondas de ano novo
... abraço do bebezinho
... usar roupa nova
... quando minha mãe me dá boa noite
... beber cerveja na calçada
... reunir minhas amigas e falar bobagens
... assistir filme no inverno
... ver meu pai tomando notas dos livros que lê
... lembrar dos olhos do Zeca
... comer brigadeiro da panela
... café da manhã de hotel
... sentir a neve
... quando ele está do meu lado enquanto eu faço quase isso tudo aí. E quando segura a minha mão e faz planos de fazer tudo que a gente ainda não fez.

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