Wisconsin Tales - Chapter 1

Outro dia falei um pouco aqui sobre a experiência maravilhosa que é fazer um intercâmbio. Meio por alto, também contei um pouquinho das loucurinhas que vivi pelo maravilhoso Wisconsin. Como eu sou uma pessoa muito saudosa, adoro uma nostalgia, contar uma historinha, e tals... resolvi escrever um pouquinho sobre o "meu" intercâmbio. Como eu gosto de falar, minha vida se divide entre AW e DW (antes e depois do WI), então acho bem válido contar um pouquinho do durante. Voilà. 

***

Eu sempre sonhei em passar um tempo fora do país. Com 20 anos, segundo ano de faculdade, achei que era hora. Aqueles intercâmbios pela faculdade não rolavam, porque não pode trabalhar e eu não tinha condição de só estudar. Então fui numa agência e optei por fazer um intercâmbio no esquema Work and Travel, nos EUA. Você tem que ser estudante, mas ganha um visto de trabalho sem restrição de horas. Participei da Job Fair, fui entrevistada, arrumei um empreguinho em St Louis/Misouri. Maravilha. Passagens compradas, malas prontas, ansiedade a milhão e PÁ! Primeira emergência, menos de 48h antes de entrar no avião: meu empregador cancelou a minha vaga. Foi assim, no desespero de não querer adiar a viagem, que eu olhei pras vagas que tinham e, entre um McDonalds no Alabama e outras coisaso do tipo, escolhi trabalhar em um resort em Wisconsin Dells, no desconhecido Estado de Wisconsin sobre o qual eu tinha ouvido falar o total de zero vezes. A cidade era pequena, menos de 5 mil habitantes, mas que os americanos com sua habilidade de criar atrações onde não tem, transformaram na capital mundial dos parques aquáticos, recebendo milhões de turistas anualmente. 
Fotinho do amigo Google pra vizualizar
Com um timing de 48 horas pra pesquisar sobre o novo destino (depois de meses de pesquisa pro outro lugar), não consegui assimilar muito além da estimativa de frio de -20° durante o inverno. Ou seja, cheguei no aeroporto de Chicago, dia 21 de dezembro de 2006, às 22h, com duas folhinhas de pesquisa com possíveis lugares para me hospedar até achar housing, horário do busão de Chicago pra lá e o endereço do resort em que eu iria trabalhar, o Wilderness. No dia seguinte, após trapalhadas dignas de sessão da tarde, tipo chegar na rodoviária e ver o ônibus indo embora, chorar, puxar uma mala por quarteirões, morrer de frio, arrumar uma passagem de trem para dali 6h e descer numa estação no midwest para encontrar somente um taxista de bigode de trancinha, a realidade me bateu com força: cidades pequenas americanas são um sem fim de rodovias, com distâncias enormes, e eu teria que me virar a pé por aquele lugar durante os meses gelados.

Fui direto ao Pine Air, motelzinho das minhas folhinhas de pesquisa que o motorista das trancinhas me disse que era mais próximo ao resort e onde alguns estudantes moravam. Lá, depois de me esgoelar de chorar por ver que o preço não cabia no orçamento, consegui negociar 2 noites de estadia por um preço pagável. Eu tinha 48 horas pra achar uma casa pra chamar de minha. 

Casinha n° 1 (e n°5 também)
Nesse meio tempo, fui ao resort, entendi qual seria meu trabalho de housekeeping, conheci umas pessoas, encontrei brasileiros que se tornariam grandes amigos, já sabia qual era o caminho pro trabalho, tava dando pra se virar. Ao final das 48h, eu não tinha achado uma casa, mas estava com algumas coisas engatilhadas. A solução foi me mudar para outro motelzinho, daqueles tipo o do Psicose, onde eu consegui um desconto bom e pesadelos horríveis.  
Casinha n°2
Historinha: Gabriela chegando lá feliz da vida com sua malona, véspera de Natal, vizinho simpático se oferece para ajudar. Gabriela fica grata, abre um sorriso de orelha a orelha e fala com toda cortesia brasileira, apontando o dedinho: thank you for helping, if you need anything, that is my room
Pois bem, segunda noite, o tal vizinho bate na porta, se oferece para me fazer companhia, ou quem sabe, cook something. Polidamente, falei oi, não thanks, to de pijama e tals, obrigada de nada. Noite seguinte, de novo. Sujeito bate na porta e eu, me aproveitando dos aprendizados em filme, abri mas não soltei a correntinha. O cara ofereceu pra eu ir ver filme com ele, e you know, maybe cook something. Potz, to cansada, trabalhei, tals, não vai rolar. Outra noite, outra batidinha na porta. Gabriela não abre a porta, e responde lá de dentro noooo thaaaanks! Nessa hora ai, entrei de baixo da coberta, e morri de medo de sair e dar de cara com o maluco. O cagona mode estava ativadíssimo. Outra noite, sono profundo, batida na porta: hey lady, I want to see you naked, I need to see you naked, come to get a taste of my dic.. GET OUT OF MY DOOR YOU FUCKING PERVERT! Chorei largada... 

Mas dia 31 chegou, e eu tinha minha casa. Não só tinha minha casa, mas já tinha perspectivas de roomates. Eu tinha sobrevivido a 10 dias fora do Brasil, eu estava trabalhando, eu tinha feito amigos, eu ia ter uma geladeira e um fogão. Juntei todas as tralhas e caí fora do motel. Eu tinha sobrevivido ao Psicose.

6 comentários:

  1. Nossa, Gabi, quanto perrengue logo no início do seu intercâmbio! E que terror esse caso do pervertido, que medo, ainda bem que não aconteceu nada pior. Espero que tenha coisas boas no capítulo 2, hehe. Eu já tinha ouvido falar de Wisconsin por causa daquele seriado That 70s Show, eu adoro!

    beijos :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nem fale.. teve muita emoção por lá, mas certamente, muita coisa boa :)
      Eu só fui assistir o That 70s Show quando estava lá, então não fazia ideia mesmo.. é muito legal, né!
      Beijos

      Excluir
  2. Gabi que medo ler sobre esse tarado! Cruzes! Ainda bem que nada te aconteceu! Mas eu quando leio vivo a situação, fiquei aqui toda apavorada! kkkkkk conta logo o próximo capítulo! ( não gosto de novelas, mas o seriado da Gabi em Wisconsin estou amando acompanhar! ) hahahah beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabe o que é pior, Bella? Umas amigas acabaram indo morar nesse lugar por umas semanas tempos depois, e adivinha quem andou falando putaria na janela delas? Pois é. O doente! Hoje tenho certeza que eu teria chamado a polícia. Na época, com medo e um inglês marromeno, só chorei mesmo... Beijos!

      Excluir
  3. Geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeenteeeee, que medo! Ainda mais num hotel desse tipo Psicose! rs
    Cara, eu acho que também teria ficado meio em choque de chamar a polícia ou algo assim, mas você teve sorte dele não ter tentado arrombar a porta ou nada do tipo, né? O intercâmbio começou assim mas melhorou, e a gente sempre aprende com essas coisas, né?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então.. na hora, eu com meu inglês miserável nem pensamos em polícia! Só pensava em malucos. E pior... umas amigas foram morar lá depois, e adivinha quem bateu na porta? Pois é... Hoje ele não teria passado ileso, haha..

      Excluir

Follow @ Instagram

Back to Top