Wisconsin Tales - Final Chapter

A gente sabe que primavera, temperaturas mais altas, dias mais longos, tudo isso traz um ânimo extra pra vida. Ainda mais quando se está saindo de um inverno em que as temperaturas chegaram aos bizarros -32°.
Lifeguard on duty
A cidade foi ficando cada dia mais cheia. Estudantes de todo canto do mundo chegando, turistas do midwest inteiro. Ser salva vidas tinha grandes responsabilidades, mas era um prato cheio pra socializar e dar umas risadas. O resort tinha vários parques dentro, e o trabalho era mais pesado em alguns deles, e mais zueira em outros. Preciso nem dizer que tomei mais alguns tombos andando no piso molhado por aí, e também fiz uns salvamentos engraçados de marmanjos metidos a super nadadores na piscina com ondas.

As festas começaram a pipocar, e parecia um spring break sem fim. Vantagem é que lá tudo acabava às 2h da manhã, então dava pra ficar novinha pro dia seguinte. Foi quando eu fiquei fluente pra valer e me senti com a missão cumprida. Mas eu tinha muito mais pra aproveitar... Tirando os 3 amigos que eu tinha desde o começo e continuavam lá, foi também nessa época que eu fiz minhas melhores amizades, que perduram até hoje.O mundo sorri na primavera :)

É incrível como nesses lugares frios, a vida se transforma com a chegada de calor. As pessoas se abrem, o riso fica fácil, tem luz até tarde, é uma alegria. Todo dia tinha alguma coisa pra fazer. Era passeio no parque, mergulho no lago, era viagem pra alguma cidade por perto, era comprinha em outlet, era aproveitar o próprio resort nas horas de folga. Todo dia eu e meus amigos nos enfiávamos no possante e saíamos cantando Gwen Stefani pelas estradas... Outra coisa interessante foi passar o 4th July por lá. Apesar de não ser nada demais, tem fogos, tem um clima tipo o nosso ano novo, sabe? 
The Big Wave
Um comentário necessário: quando saí do Brasil, meu discurso era "não quero andar com brasileiro, não quero andar com brasileiro, não quero andar com brasileiro". Nessa ordem aí, rs... Chegando lá, ao ver o tanto de brasileiro que tinha, senti um desespero. Pura bobagem! Realmente tem gente que só se relaciona com brasileiro, e volta pra cá com o mesmo inglês que foi, assimila tanto da cultura como assimiliaria se não tivesse ido. Mas é bobagem achar que precisa se isolar. O segredo é ter os seus bons amigos conterrâneos, pra poder surtar bem surtadinho no idioma em que você se sente confortável pra xingar de A a Z, mas se abrir pro mundo. Fiz grandes amigos de todos os cantos, e já contei por aqui do reencontro que fizemos, anos depois, pra celebrar essa amizade.

Como nem tudo são flores, tinha que ter bad trip no meio do caminho. Algumas colegas ucranianas, durante o trabalho, por serem novas e não estarem habituadas à dinâmica da coisa, acabaram falhando. Aquele tipo de falha que vai te acompanhar pra vida toda. Um menininho de 4 anos se afogou em um dos parques do complexo. Foi muito tenso. O trabalho ficou bem mais puxado depois disso, por que né... quem é que quer viver com uma coisa dessa nas costas? A história é menos simples do que to contando, teve irresponsabilidade de todos os lados, e foi um momento em que a realidade, mais uma vez, se mostrou muito dura. 

Eu nunca me sentia preparada pra voltar.. Alias, não sei se já comentei, mas sou péssima pra despedidas. E pra fechar a equação, me apaixonei, o que só fez mais difícil a partida. Mas meu visto estava pra vencer, não tinha jeito, a vida, a faculdade, a família estavam me chamando. Dia 17 de julho, no auge da bagunça de verão, eu entrei no avião de volta. Chorei as 16 horas de vôo sem parar, conexão incluída. Eu me senti passando pelo portal imaginário que te leva de uma dimensão pra outra. Eu me senti saindo de uma realidade paralela... E foi meio que isso mesmo. A vida nunca mais foi a mesma. 

Guardo as melhores lembranças, as grandes amizades, os grandes causos. Dou risada de muitas coisas, e me sinto meio bittersweet por tantas outras. Hoje sei de todos os gostos que descobri quando estava lá sozinha, percebo quanto me tornei independente, como aprendi a dar valor ao dinheiro fruto do trabalho dos meus pais, dar valor a ter o meu dinheiro, vejo como amadureci com relação às diferenças, como deixei de lado tantos preconceitos... Foram meses que valeram por anos, e todas as historinhas que eu vivi lá me ajudaram a ser quem eu sou hoje.  Por isso, se eu puder te dar um conselho, só unzinho, seria esse: faça suas malas!

Devils, by Gabriela Milan

8 comentários:

  1. Oi Gabiii.... Olha..meus amigos me acham meio maluca, pq quando eles tem duvidas sobre que caminho seguir na vida, eu mando eles comprarem uma passagem e ir morar fora. É uma experiencia que todo mundo tem de ter. É um auto conhecimento, pq até vc encontrar sua turma, é só vc... Vc pode contar somente com vc e isso te fortalece e faz saber até que ponto vc pode ir. Eu fiquei aqui lendo todos os capitulos, ansiosa pelo ultimo para comentar hahaha....
    Bjosss

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    1. É isso, Gabi... Auto conhecimento. O pessoal acha que é maluquisse, mas é nada. Como eu disse, tenho certeza que não teria feito um terço se fosse aqui. Beijos!

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  2. Ai que lindo esse final chapter!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ( queria colocar mais exclamações mas acho que blogspot iria me barrar kkkkkk ) pois é, fazer as malas e se jogar faz parte!!! Tive que rir porque essa de chorar na volta ao Brasil é outra clássica kkkk E olha, depois que você tem uma experiência assim, já era, nunca mais você volta a ser a pessoa que era antes. Graças à Deus você viveu esse capítulo da sua vida. E que venham muitos mais capítulos! Beijo!

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    1. Que venham mais capítulos, mais aventuras e diversão, porque eu penso que tudo nessa vida vale a pena, até as buchas nervosas, se no fim sobrar uma bela história pra contar ahaha! Beijos

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  3. Gabi, adorei ler seus tales, principalmente esse final chapter! Você com certeza viveu histórias pra contar pela vida toda, muito legal sua experiência, apesar das coisas tristes que também aconteceram, mas tudo vira aprendizado, né? É impressionante o quanto a gente se descobre nessas viagens, pela primeira vez podemos ser nós mesmos, pensarmos por nós mesmos, é realmente demais.

    beijos!

    p.s.: minha volta pra casa também foi num 17 de julho, mas acho que foi um ano depois da sua volta, hehe.

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    1. Exato, Marcela! Tudo nessa vida é aprendizado, é crescimento. E que diazinho esse 17, heim.. deve ser o dia que abre o portal vindo da outra dimensão, hahaha. Beijos!

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  4. Que incrível a sua história nos EUA! E cara, que tenso essa história do menininho ter se afogado, né? É uma coisa que deve ter causado um climão total no trabalho.... :(
    Essa história de morar fora, eu também recomendo pra todo mundo. Mudou (e ainda está mudando!) a minha vida!

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    1. Essa experiência de Work, nos confins dos EUA, foi toda muito especial. É muito legal você ter oportunidades dentro dessas organizações tão grandes, além de todas as mudanças que o contato com o mundo proporciona. Se 7 meses impactaram tanto a minha vida, imagino esses anos na sua :)

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