Cuba - Parte 1

Chegamos em Cuba junto com o verão, dia 21 de junho. Passamos 4 dias em Havana no começo da viagem, e depois 1 no final, antes da volta pro Brasil. É a capital do país, e onde a maioria dos turistas está concentrada. É também onde se encontra mais estrutura. Se precisar sacar algum dinheiro, por exemplo, a maior chance de conseguir está em Havana (beber uma Coca Cola também, só ali, viu). É uma cidade bem caótica, barulhenta, não exatamente limpa. Chega a ser um pouco cansativa, mas ela dá um belo retrato do país.
Oi Cuba
Ao chegar no aeroporto, o Luiz, que nos hospedou, estava nos aguardando com seu Lada (sim, aqueles carros quadrados da União Soviética). Eu achei graça, e no trajeto de 45 minutos entre o aeroporto e a casa, foi despertado meu encanto com os carros antigos, que durou os 14 dias de viagem. Eles estão por tudo, te lembrando que a ilha está mesmo parada no tempo. Também, te provando que todo cubano é um pouco mecânico, porque olha... o que eu vi de carro sendo consertado no meio da rua não está escrito. São verdadeiros franksteins que circulam pelo país, deixando as fotos mais charmosas e o ar muito mais poluído. 

A cidade tem vários bairros, sendo os mais conhecidos o Centro, a cidade velha e o Vedado. Neste último foi onde ficamos hospedados na casa do Luiz. É um bairro mais residencial, e embora tenha alguns hoteis (o mais famoso deles inclusive, o Hotel Nacional), tem muito menos turista, e muuuuito mais cubanos vivendo o dia a dia. Tem escolas, hospitais, universidades, e se interliga com o centro e a cidade velha por meio do Malecon, a avenida beira-mar de Havana.

A vida em Vedado, pelos olhos de Mati
A parte mais interessante é de fato Havana Velha, ou Habana Vieja, a parte antiga da cidade. É um pouco chocante, porque seria tudo muito lindo se não estivesse caindo aos pedaços. Mas está... As ruas são sujas, as casas muito mal cuidadas, o cheiro é péssimo (ainda mais debaixo do calor infernal), e no meio dessa zona toda a vida vai acontecendo. As pessoas moram, abrem seus pequenos negócios, tocam salsa, tentam complementar sua renda e seguem em frente. 
Mercado local
Acho válido olhar um pouco pra história. Quando o regime socialista foi implementado em 1959, todas as empresas passaram a ser estatais, e em consequencia, todo mundo passou a ser funcionário público. As pessoas não pagariam impostos, luz, água, teriam transporte gratuito, alimentação 3x por dia no trabalho (e para as crianças na escola, integral) e por isso ganhavam um salário "simbólico", de 20 dolares mensais, mais ou menos. Corta pra realidade: o regime cubano foi por muito tempo sustentado pela União Soviética, que comprava cana com preço acima do mercado, e vendia petróleo por preço abaixo. Mandava carros, tecnologia, etc. Assim que caiu o muro, com o aperto do bloqueio, as finanças do regime colapsaram. O transporte deixou de ser gratuíto, bem como energia, etc. Hoje, as pessoas continuam ganhando os mesmos 20 dolares, e vivem numa miséria de dar pena. Para colocar dinheiro no país o governo abriu as portas pro turismo, permitiu que os cubanos fizessem taxis de seus carros particulares, alugassem quartos e instalassem restaurantes dentro de casa (que eles chamam de paladares). O assédio sobre o turista é muito grande, tanto para te "arrastar" pra dentro desses paladares, quanto para vender serviço de motorista, pedir sabonete, etc. Tem hora que enche (muito) o saco. Mas é compreensível, as pessoas precisam viver.
Leva eu moçooooo
Em Havana Vieja tem muita coisa para olhar, prédios emblemáticos, como o Capitólio, a antiga sede da Bacardi, etc. Tem bares famosíssimos, como o Floridita, que era a segunda casa do Hemingway em sua fase cubana, ou o Bodeguita del Medio, onde foi criado o Mojito. Alias, o daiquiri do Floridita vale o hype. É bom demais! Tem também praças de arquitetura colonial muito lindas, que me lembraram o leste europeu. Em todas elas alguém vai tentar te puxar pra dentro de algum restaurante tocando salsa. A graça é sentar pra fora, mojito na mão, salsa no pé.
Praça da Catedral
Tem um programa que é mega turistão, mas que eu achei bem divertido, e de quebra ainda te mostra as atrações que estão espalhadas por Havana: o passeio de conversível. Você negocia por onde quer passar, mas eles oferecem tudo! É melhor ainda pra quem tem menos tempo na cidade.

Nosso motorista, e o indefectivel Impala amarelo
Aqui embaixo, um deles passando pela praça da Revolução. É onde Fidel reunia a população para fazer seus discursos. Há também a imagem dos dois "heróis" da Revolução que já morreram: Camilo Cienfuegos e o Che. Alias... falando em Che: e o tanto de mocinhas com o Che tatuado? Na perna, nas costas, no ombro, e sabe lá mais onde, rs... Acredito que, tendo ele falecido muito antes de as coisas degringolarem, ficou a visão romantica do guerreiro libertador. Enfim, mais pra frente vou falar um pouco mais disso.

Cansada de bater perna debaixo do sol, cismei um dia que queria ir a praia. Mati ficou bem ressabiado, porque a coisa não parecia muito promissora, já que em lugar nenhum (diga-se guias ou blogs) vimos algo sobre praias em Havana. Mas o Luis nos assegurou que as praias valiam a viagem de 15 km. Pegamos o ônibus e fomos parar no meio da farofa cubana, rs... Mas ó, não posso reclamar. A cor do mar compensou qualquer farofa.

Algumas curiosidades: tivemos problemas com falta de água, tanto encanada quanto engarrafada, rs. Teve um dia que Mati andou por 6 estabelecimentos até encontrar garrafinha de 500 ml de água. Nesse dia, o Luiz, nosso host, teve que ir até outra cidade para encontrar água de 2l. A cidade é muito barulhenta, MUITO. As pessoas ouvem música alta o tempo todo, no carro, em casa, nos restaurantes, as vezes um reggaetown desgraçado, que é tenso. A poluição do ar, como eu disse, por conta dos carros antigos, é pesada também. E por fim, o mais engraçado. Algumas vezes, quando eu disse que era brasileira, ouvi de volta: "Aqui não tem favela". A minha cara de ? ficou no ar em todas elas porque as partes central e antiga de Havana são exatamente como nossas favelas: submoradias com problemas de infraestrutura. A graaaande diferença é a segurança. Em momento nenhum da viagem inteira eu me senti insegura ou ameaçada. E acredito que esse era o ponto que eles queriam realmente tocar: aqui não tem violência. E realmente, a violência que nós brasileiros temos, lá não tem mesmo. A violência lá se faz presente de outra forma, através do governo. Mas como esse post ta comprido, o assunto vai ficar pra depois.

Havana foi uma bela porta de entrada e de saída, mas devo dizer que meu coração foi bater mais forte mesmo lá do outro lado da ilha. Em breve, muito amor cubano por aqui <3
Havana e Eu

8 comentários:

  1. Gabi, estou amando demais seus relatos sobre Cuba. Tenho uma amiga que foi ano passado e amou Havana e todas as particularidades do país! Adorei que você deu um pouco do contexto histórico também, ajuda a gente a entender melhor a coisa, né?

    Eu imagino Havana assim mesmo: barulhenta, gente dançando, carrões antigos... demais!

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    1. Eu estou tentando escrever tudo agora que ainda está fresquinho justamente por isso, riqueza de detalhes, rs.. Que bom que está gostando :) Beijos

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  2. Também estou amando seus relatos! É a primeira vez que eu leio um relato sobre uma viagem à Cuba e poxa, que interessante! Me deu vontade de visitar, mas ao pensar no fedor, na barulheira, no calor, nas pessoas querendo te vender coisas... me desanima um pouco. haha

    beijos!

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    1. Realmente, Havana não é muito fácil... mas vou te dizer que compensa! Não deve ser simples morar lá, vejo os cubanos como um povo muito resiliente, mas para passear, foi um prato cheio de cultura (mas também, vi e ta visto). Beijos

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  3. Ta suuuuper demais ler suas impressoes de Cuba e suas experiencias. To ansiosa pelo proximo post. E so de ver a foto desse mar lindo me encantou, nunca pensei que as praias por la pudessem ser bonitas desse jeito.
    Beijinhos

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    1. Monique, as praias lá são de cair o queixo! Eu estou indo com calma nas lembranças aqui, mas fomos depois para outros lugares onde as praias eram ainda mais maravilhosas. Essa praia de Havana não é das mais bem faladas, rs.. e ainda assim, é linda! Bjinhos

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  4. Respostas
    1. Eu não sou a melhor fotógrafa, mas me esforcei e a paisagem ajudou :) Bjo

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