Cuba - Parte 2,5

Eu disse que queria dividir os posts entre as 3 grandes paradas que fizemos. Como a parada em Cienfuegos rendeu, preferi dividir para não ficar um pequeno tratado. A verdade é que chegamos em Cienfuegos numa quinta no fim do dia, e depois de andar pela cidade um dia e meio, esgotamos o local. Olhando pro mapa cubano, e papeando com a Damilsy, decidimos que ficaríamos lá mais 2 dias, e usaríamos Cienfuegos de base para fazer outros passeios diários. E foi isso que fizemos nas linhas pretas do mapa abaixo.


No sábado a Damilsy organizou um taxista que nos pegou pela manhã em casa. Pagamos 30 CUCs e ele nos levou à Santa Clara. Tínhamos lido sobre a cidade, e chegamos em Cuba com o plano de ir para lá, e não Cienfuegos. Mas não teve UM cubano que disse que isso era uma boa ideia, rs... Então achamos por bem aceitar o conselho de quem entende. A viagem durou 1 hora e meia e haja calorrrr. 


Este é o tesouro de Santa Clara. Um memorial dedicado ao Che, e também onde ele está enterrado. A cidade foi a última parada de Che na luta revolucionária. Lá ele ficou baseado por um tempo, conquistando províncias, até que em 1º de janeiro de 1959 tomaram Havana. Eu já tinha dito que o Che é o "namorado" oficial das mocinhas de Cuba, né... Em  Santa Clara a coisa intensifica ainda mais.   

 O museu é bem completo, detalha toda a trajetória do Ernesto "Che" Guevara, com fotos de acervo familiar, fotos da guerrilha na Sierra Maestra, seus uniformes, armas e cartas. A frase dele "Hasta la Victoria, Siempre", está por Cuba toda, nos outdoors nas estradas, em cima das lojas, e neste museu em vários pontos. Ele é o grande heroi nacional (embora seja argentino). O memorial faz jus ao culto. É uma praça ampla, bonita, com suas frases sobre a libertação da América Latina espalhada pelas paredes, neste bloco, em tudo. Muitos visitantes deixam bilhetes, peças queridas, para homenagea-lo.


Atrás há um pequeno cemitério onde estão enterrados muitos dos mortos na Sierra Maestra, com um jardim e flores bonitas. Achei uma bela homenagem. Eu não sou a maior sabida de Cuba, mas quando decidi ir, quis ler mais a respeito da Revolução. Li um livro de crítica ao Regime, chamado "A tragédia da Utopia", e um famoso livro de apoio, "A Ilha", de Fernando de Moraes. Acredito que ambos os relatos são muito cegados por suas paixões. Um não vê nada de bom em Cuba, e outro nada de ruim. Não dá, né... Mas acabei aprendendo que os Revolucionários ficaram por alguns anos escondidos na Sierra Maestra, uma cadeia de montanhas na parte leste da Ilha, e de lá iniciaram os combates e a tomada que culminou com a vitória de Fidel, Camilo e o Che. Isso está tudo muito bem exposto no museu, e eu achei bem bacana. 

De lá, seguimos para o centro da cidade, e foi quando entendemos o que os cubanos diziam quando falavam que "não tem nada em Santa Clara". Não tem mesmo... O centro da cidade não tinha muito charme, e o ápice que passamos por lá foi ver uma carroça com crianças sendo puxada por uma pobre cabra. Depois vimos outra, e outra, e descobrimos que a graça em Santa Clara é por boné e óculos escuros na cabra, e botar ela pra trabalhar, rs...

Oiiiiiiii

Passamos por um outro museu, este mais pobrinho. É um trem do governo carregado de armamentos que foi descarrilhado pelos homens de Che durante a Revolução. Na posição que a composição se embolou ela está até hoje, e dentro dos vagões tem algumas fotos, uniformes, armas. Mas é quente demais da conta, as informações são poucas, e não demoramos muito ali. Tínhamos esgotado Santa Clara e o calor estava puxadíssimo. A cidade é mais pro interior, como se vê no mapa, e a brisa do mar estava fazendo falta. Retornamos a Cienfuegos e fomos procurar restaurantes e mojitos.

No outro dia, mesmo acerto: o Andy, taxista, passou na casa da Damilsy (todos os dias após o café da manhã dos campeões que ela fazia pra gente) e seguimos para o destino do dia, a Baia dos Porcos, palco da famosa derrota dos EUA em 1960. Desta vez o foco era na praia. 


Fomos para Playa Giron, e então paramos numa prainha delícia, Caleta Buena, que tinha um restaurante e bar. Você pagava 15 CUCs e passava o dia, podendo comer e beber a vontade. Passamos o dia intercalando sombra com mergulhos e mojitos. Nada mal... 


De vez em quando passava um calanguinho também pra agitar a vida...


Sério, impossível não ser muito feliz diante deste mar azul. Seguindo em frente neste caminho, tinha uma cova de peixes, para fazer snorkeling. Tenho um amigo que foi e amou, mas preferimos não ir porque com o incidente do pé, só eu estava nadando. Mati estava com o pé infectado devidamente enfaixado e embalado num tênis, debaixo do calorão, rs. Preferimos voltar para Giron e ir no museu da Invasão à Baia dos Porcos. 

O museu é bem completo, e bem interessante. Mas é uma das propagandas mais "discaradas" do regime que vimos pela viagem. Embora saibamos que as intenções americanos nunca são das melhores, ali é colocado até que a motivação da invasão yanques seria a escolarização das pessoas da área. As traduções para o inglês são feitas pelo google e volta e meia são pejorativas até. Como a entrada era mais cara para quem fotografava, não temos nenhuma foto, mas algumas delas valeriam uma, rs. 

Ao voltar para Cienfuegos, estávamos famintos. Fomos jantar e uma situação que se repetiu na viagem algumas vezes aconteceu: frango cru. NÃO GENTE, FRANGO CRU NÃO. Mais de uma vez em Cuba tive que retornar prato de frango para a cozinha, para que fosse melhor cozido. Tenso, viu. 

Na segunda-feira pela manhã, nós fechamos a mala, demos um belo abraço apertado na Damilsy, subimos na carroça taxi e pegamos o ônibus rumo à Trinidad. Viagem mais linda, à beira mar. Estávamos chegando em nossa última parada :)


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