Que ano é hoje?

Ontem foi dia dos pais. Eu passei aqui, e de tarde fomos almoçar todos no Butantã Food Park, uma área cheia dos carrinho de cachorro-quente food trucks. Estávamos eu, Mati, baby e a mãe do baby, todos animados, presentes, cervejas e afins. E gente... as pessoas. AS. PESSOAS.

Estamos em 2015 e ainda é incompreensível pra alguns que esta, entre tantas outras, é uma das formas da família atual. Sim, nos damos todos bem, nos ajudamos, dividimos as responsabilidades. E sim, somos todos normais. Mas é incrível... O pessoal que dividia a mesa com a gente, pensando que éramos todos gringos, ficou falando a respeito da caruda "nossa, que gozado, né... todo mundo paz e amor, esses gringos são muito diferentes mesmo". E eu só quieta porque não tava afim de constranger ninguém no almoço de dia dos pais, rs. Quando fui jogar minha lata no lixo, percebi que a mesa de trás também estava comentando. Really, people?

E não é a primeira vez. Teve uma situação que me deixou bem indignada, justamente pelo machismo envolvido, e adivinhem? Isso mesmo, vindo de outra mulher. Foi em uma das primeiras vezes que saímos os 3 pra almoçar, eu, Mati e baby. Como ele ainda não estava acostumado comigo, Mati estava se ocupando de dar a comida pra ele, e eu estava lá de boa, escolhendo nossos pratos, fazendo gracinha pra ele, mas sem por ~a mão na massa~. Quando percebi, uma senhora na mesa de trás estava com o seguinte discurso: "Tem gente que não devia ser mãe. essa daí, por exemplo, não merece ser mãe... entrega pro pai, vê a criança fazendo manha pra comer e não se mete". Então, né, não tem jeito... numa sociedade em que mulheres pensam assim, homem vai sempre achar que qualquer coisa que faça é ajuda, é favor, e não que é responsabilidade e dever. Alias, quando conto que eles dividem absolutamente tudo em 50%, responsabilidades, deveres, custos, costumo ouvir de volta que ele é raridade.

Enfim, eu acho triste quando alguém fala que essa civilidade é ~coisa de gringo diferente~, como se o normal mesmo fosse todo mundo viver em pé de guerra e um dificultando a vida do outro. Acho triste que as pessoas, ainda que de forma indireta, acreditem que mulheres tem que viver competindo entre si. E pior: acho triste que ainda achem que o homem deve ser mero espectador, ou provedor, da criação dos filhos, que mulher deva se sentir "grata" quando tem um parceiro que assume todas as responsabilidades que a paternidade implica - ou seja, as mesmas que a maternidade. 

6 comentários:

  1. Que absurdo! E é assim que o maxismo e a idiotice vão se eternizando em nossa cultura.
    Tem jeito?

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    1. As vezes eu quero achar que tem jeito, mas hoje ouvi de um sujeito aqui no trabalho que "a função da mulher é dar a luz, só nasceu pra isso", e aí vejo que tem jeito não... :(

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  2. Cara, parece que a sociedade brasileira está em retrocesso. Não vou dizer que os irlandeses são o primor, mas a maioria dos caras faz serviço doméstico igual às mulheres, cuida dos filhos igual. Acho que isso acontece porque aqui o pessoal sai de casa jovem - o cara não mora com os pais até os 30, por isso aprende na marra a cuidar da comida, roupa, louça e leva isso pra vida! :)

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    1. Sim, isso deve influenciar muito. Outro ponto é que na cultura europeia, tirando países latinos (como Italia, Espanha e Portugal) tenho a impressão que os costumes são em geral mais igualitários, as coisas são mais vistas como "reponsabilidade". Os caras tem noção que aquilo é responsabilidade deles também, então ainda que não saibam, aprendem, tentam, se viram. Posso estar bem enganada, mas os homens latinos são bem dependentes de mulher (e muitos acham que elas só estão nessa terra pra servi-los).

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  3. Graças à Deus que os envolvidos se querem bem e se respeitam! E que se exploda o resto do povo que só fala porque tem boca kkkkkkkk ( já dizia meu sábio avô ) beijo!

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    1. Minha mãe fala a mesma coisa, Bella, ahhaha.. Beijos!

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