Uma capivara em evolução

Ontem tava rolando show da Katy Perry e no facebook um amigo postou que tava achando ela toda ruim. Uma criatura comentou algo assim "quem vê você aí reclamando pensa que não se acabou no show dela em 2011". Meu amigo então deu uma resposta que me faz gargalhar: Ah é pq eu jamais mudaria de opinião em anos né, sou uma capivara.  
Acredito que estamos em constante aprendizado e isso é natural, mudar de opinião conforme nossa visão de mundo vai alargando, né. E essas opiniões vão desde assuntos mais bestas e banais, como a voz oscilante da Katy Perry, até assuntos mais espinhentos e controversos.

Vim de uma cidade mini do interior, onde não havia muito espaço pra diversidade, era expert em julgamentos, sabia nada de nada. Fiz piada homofóbica, já fiz comentário machista, já caguei muita regra, já fui babaca pra caramba, e se bobear de vez em quando ainda sou. Mas penso que não nasci sabendo, que vivo pra aprender e ser uma pessoa melhor a cada dia. Vamos ganhando vivência, mordendo a língua, criando empatia, abrindo o olhar e a mente, e mudando. Isso é uma das belezas da vida. 

Alias, me lembro inclusive que já disse que opinião é opinião, NÃO MUDA, hahaha. Veja só... 

Acho também que é parte do processo comparar o que você achava, e o que você acha agora. Ver o que mudou, entender porque mudou, e aprender o porque você não vai mais falar aquelas bobagens - vai falar outras, pra lá na frente aprender de novo, e evoluir de novo. Por isso, me deixa toda indignada nego que não reflete sobre os erros do passado.

Tem uma amiga que falava que batom vermelho era coisa de ~vagabunda~. Ai outro dia apareceu de bico pintado lá em casa e eu, que já vagabundeei muito nessa vida, falei "ainda bem que parou de palhaçada com o batom vermelho, fica super bem em você". O que aconteceu? Armou o bico vermelho pro meu lado, pois nunca que eu falei um troço desse. Eu que não vou ficar martelando na tecla do falooou siiim, não acho que precise ficar atormentando a menina. É ótimo que ela se ligou que cor de batom não significa nada. 

Mas aí fico pensando... Se a pessoa não exerga a mudança, será que evoluiu? Será que esse novo pensamento dela vale só pro batom porque agora é moda, mas no fundo ela continua achando que existem coisas que meninas direitas não fazem, mas as vagabundas sim? Será que ela ainda acha que existem ~meninas direitas e vagabundas~?  Será que não estou eu aqui, mais uma vez, cagando uma regrinha? Pois é, hoje eu acordei uma capivara filosófica...
Mudem de opinião e usem filtro solar

Bonita (nova) vizinhança

Pinheiros é bairro conhecido pela boemia e embora eu seja bem chegada numa farra, eu andava bem pouco por aqui. Minha intimidade com o bairro ficava restrita à Benedito Calixto de sábado. Mas aí conheci Mati e ele começou a me mostrar as maravilhas do ~baixo Pinheiros~,ilustríssima vizinhança pra onde agora me mudei. 

Aqui no nosso canto, Pinheiros ainda conserva um certo humor de cidade pequena, o que muito me agrada. Outra coisa é que a primeira leva hipster (acho que na época nem se chamava hipster ainda) de SP aportou por aqui. Isso significa que o bairro é populado por uma galera do lifestyle gentileza, que se mistura bem com as velhinhas que moram nas casinhas que ainda se conservam por aqui.
Assim, não tem como não ser legal. Mas vamos aos meus favoritos da Região:

- Rua Ferreira de Araújo
Gastronomicamente, Pinheiros está na vantagem, se comparado com minha antiga vizinhança. Tem muuuitos restaurantes e bares, e muitos desses estabelecimentos estão na Ferreira de Araújo e na Padre Carvalho, minha rua. Mas a Ferreira, a rua de trás, ganha... Os meus favoritos são (i)  Nou, restaurante de comida contemporânea, tudo o que se come é delicioso, e o preço é pagável, (ii) Manish, libanês divino. Eu amava o do Itaim, e fiquei muito feliz quando, junto com a minha mudança, chegou um Manish na Ferreira mês passado; (iii) Le Repas Bistrot, um bistrozinho francês de preço justo, com um steak tartar maravilhoso.

- Craft Beer
Várias as cervejarias cools do mundo resolveram estacionar no baixo Pinheiros. Tem Brewdog, cervejaria escocesa, favorita de Mati. Eu tenho preguicinha porque o cardápio de comida é fraco, mas eles fazem com frequencia um festivalzinho de domingo e trazem parceiros pra servir comidas variadas, bandas boas pra tocar, é pura animação. É dog e cat friendly, o que garante várias fofuras animais. Tem também o Delirium Cafe, bar da cervejaria belga Delirium, aquela do elefante rosa. A variedade de cervejas segue imensa, e o cardápio de comida é mais elaborado. Um salve pro balde de batatas belgas, melhores fritas da vida. E por fim, meu favorito, o Emporio Alto de Pinheiros, igualmente variado e com uma comidinha digna. Info importante pros solteiros (e pros comprometidos que, assim como eu, não dispensam uma bela paisagem): todas as 3 são extremamente bem frequentadas, hahaha.. Selo Gabi de sem vergonhisse garantido.

- Tomie Ohtake 
Foto do blog Bonjournalismo
O instituto Tomie Ohtake é de encher o coração. O prédio, todo icônico, reflete uma luz rosa muy cafona e divertida nos fins de tarde, mas isso nem é o principal. Algumas das exposições mais interessantes que tem passado por SP estão ali, como a do Salvador Dali, a da Yayoi Kusama, etc. No terreo tem também o Santinho, restaurante muito gostoso e algumas feirinhas, um ótimo lugar pra passar durante a tarde.

- Praça Victor Civita

Ali na Marginal tem a Editora Abril, dona de publicações como a Veja, Exame, etc. Logo atrás, na rua Sumidouro, a família Civita, fundadora da Editora, fez uma praça que, sério... é só amor. Além da arquitetura linda com um deck de madeira, tem aulas gratuitas de ioga todos os dias, oficinas de costura, crochet, e afins, além de uma programação cultural intensa, com shows e exibicação de filmes.

- Proximidade com a Vila Madalena
A Vila é conhecidamente o bairro da boemia paulistana, mas há uns 2, 3 anos, que a coisa pela madrugada de lá anda meio over, uma zona meio fora do controle, sabe. O bairro perdeu um pouco a tranquilidade e tem muita coisa triste sendo reportada. Mas apesar de tudo, muitos bares bons continuam por lá, lojinhas interessantes, restaurantes e afins, e a Vila segue sendo um ótimo programa diurno. É ótimo estar fora da loucura, mas a 15 minutinhos de caminhada. Posso aproveitar o melhor da vila sem ter meu sono afetado pelo caos que domina o lugar madrugada afora. Lugares muito dignos de nota: Lá da Venda, que fica na Harmonia. Restaurante com lojinha de coisas fofas, cardápio mara e Original de garrafa; Mercearia São Pedro, o bom e velho boteco sujo pra tomar cerveja em pé e comer pastel; Subastor pra tomar uns bons drink no escurinho; e uma dica que te dou pra vida: o Brownie da Le Pain Quotidien, em qualquer lugar do mundo que você vá. Aqui, calha de estar na Vila.

- Potato Square, ou Largo da Batata 
O largo já foi conhecido com um dos lugares violentos de SP. O povo caia no forró madrugada adentro e depois ficava se ~cutucando~ com faca. Mas esses tempos estão pra trás. O largo foi todo reformado e, pra ser sincera, perderam a oportunidade de fazer dele uma praça bonita. Deixaram concreto pra todo lado, pra garantir que ele não perdesse a fama de um dos lugares mais feios de SP, rs. Porém, nem tudo são lágrimas. Todo final de semana tem alguma coisa, seja shows, oficinas, teatros infantis, samba, carnaval, etc.. O largo é sempre uma opção. Tem bicicletário pra quem quiser largar a bike ali e se aventurar por SP de metrô, tem banquinhos improvisados de pallet, parquinhos itinerantes, etc. Nos finais de tarde sempre tem algum músico tocando, é um belo exemplo de tomada do espaço público pela população.
Foto do vilamundo.org
Acho que esse post deve ter uma continuação mais pra frente, afinal de contas, to só chegando no pedaço. Já disse hoje que amo SP? Se não disse, tá dito <3. 

100 Postagens + TAG

Depois de começar o blog lá em janeiro de 2013 como uma ferramenta pra eu por pra fora o fluxo de doideiras que passa na minha cabeça, cheguei na 100ª postagem. Parece muita coisa pra mim, pensando que volta e meia eu nem tenho o que falar. Parece que falo muito sobre o nada, rs... Mas aí lembro que foi pra isso mesmo que criei, e fica tudo bem. 

Como forma de comemorar, achei legal responder uma TAG sobre o blog. Misturei algumas perguntas que encontrei em TAGs por vários blogs e voilà. 

1 - O que te levou a criar o blog?
Minha vontade de escrever e de criar um arquivo sobre as coisas que passam na minha cabeça, relatar minhas impressões sobre o mundo. As vezes fico pensando se, quando tiver com 50 anos, vou olhar pro blog com a mesma vergonha própria que olho pras minhas agendas da Capricho, rs. Mas ainda assim, sinto vontade de escrever. 

2 - Quais são os benefícios que o blog te proporciona?
Acho que o melhor de tudo é dividir experiências e conhecer pessoas. Saber que alguém pode achar algum tipo de ajuda ou identificação no que eu escrevi e, além disso, o debate que muitas vezes algumas conversas começadas em blog podem criar, ver o tanto de gente bacana que tem pelo mundo, e poder dividir um espaço com essas pessoas, tudo isso é legal demais. 

3 - Planeja as postagens?
Não exatamente. Quando começo a pensar num assunto e sinto que ele pode render post, venho e tento escrever. Se sair, saiu. Se não, as vezes vai pra rascunho, as vezes vai pro lixo e assim vai. 

4 - Tem novas ideias para o blog?
Não tenho nenhum plano nem projeto. A ideia sempre foi, e continuará sendo, a de um ~diário virtual~.

5 - Quanto tempo se dedica ao blog?
Não tenho um tempo certo, as vezes gasto mais tempo, as vezes menos, depende do tanto de coisa que tenho pra fazer, da vida social, e de novo, das ideias que rendem post.

6 - Qual é o melhor momento para criar seus posts?
De noite. Normalmente, escrevo a noite coisas que pensei ao longo do dia e na manhã seguinte faço a revisão final e publico (até porque meu olho vai ficando cansado e eu não consigo ver erro de digitação, de escrita e tal). 

7 - Qual post mais curtiu escrever?
Gostei muito dos meus relatos sobre Cuba. Foi a primeira vez que postei logo em seguida de uma viagem, com impressões fresquinhas, fotos bonitas, bem arrumadinho, e foi de fato uma viagem pra lá de interessante.

8 - Já te trouxe problemas (privacidade, fofocas, comentários negativos)?
Não. Não acho que minhas divagações sobre o nada inspirem algum tipo de revolta em alguém, rs.

9 - Seus amigos e familiares tem acesso ao blog?
Eu não divulgo o blog não... Alguns amigos sabem que existe, mas não sei se entram. Acabei enviando o link pra várias pessoas que me pediam dicas de Cuba e, como eu disse, as postagens de lá estão bem informativas, então elas acabaram acessando, mas nem sei se o fazem frequentemente.

10 - Sobre quais assuntos você gostaria de escrever mas não o faz por medo de ter sua privacidade invadida?
Não falo muito sobre meu dia a dia com meu enteado, evito a exposição, até mesmo porque envolve outras pessoas. Também tenho uma superstição besta de não falar sobre planos futuros, então sempre espero. Coisa boba, mas prefiro contar por aqui as coisas quando estão mais certas.
No escuro do meu quarto, onde algumas ideias se iluminam 

Brasil em 4 atos

Uma amiga foi embora pra NYC semana passada. Era advogada super bem sucedida na iniciativa privada, largou tudo para ir trabalhar com políticas públicas em Brasilia, e daí pra desilução total foi um pulo. Tive uma despedida no fim de semana, casal de amigos se mudando pra Espanha. Eles tem filho pequeno, ele recebeu uma proposta de trabalho, não pensaram duas vezes. Dia 26 temos outra despedida. Casal gringo brasileiro, desistiram. 
***
Festinha de 3 anos no salão do prédio sábado. Aquelas festinhas que há muito aqui no Brasil, infelizmente, não escuto falar. Nada de buffet rico. Pais assando pizza, pão de quejo, fritando coxinha, adultos ajudando a servir, crianças se matando no pula pula, decoração de papel crepom simples na parede, musiquinha na caixinha do iPhone. Tudo simples, gostoso e divertido, entre amigos. Eis que chega a mulher, o marido, sua única filha e a babá de branco. E enquanto as crianças estão todas soltas correndo, os adultos jogando conversa fora com cerveja, a babá de branco fica lá, no meio das crianças mesmo, totalmente fora de contexto. Fui passar uma rodada de salgadinho, servi ela. Ela diz: imagina, eu busco o meu. E eu quis morrer um pouquinho, mas ignorei e continuei passando a bandeja por ela. 
***
Domingo de manhã no Villa Lobos, crianças no parquinho. Uma grávida e amiga sentadas num banquinho assistindo, de certo pensando como será a vida dela daqui a pouco. Ai que eu sento lá do lado e escuto a conversa. A menina então tava pensando em engravidar, mas ainda não tava tentaaando. Aí começou a perceber que o chefe tava pondo ela de lado, deixando de passar trabalho, ela percebeu também que todas as áreas estavam sendo reduzidas. Aí, vou até abrir aspas "aí eu parei de pensar, tentei e de primeira engravidei. Agora tão lá me engolindo, né. E eu chego a hora que quero, saio a hora que quero, daqui dois meses nasce, depois tem licença, e depois eu vejo o que eu faço. Agora, to curtindo uma folga remunerada". 
***
Domingo de noite fui no cinema do Itau na Augusta. Acabei parando na rua, porque a última vez que paguei um estacionamento por ali, foram R$50 por 3 horas, um roubo. Achei uma vaga bem legal, quase na porta da Bella Paulista, padaria famosona movimentada 24h por dia. Fui assistir meu filme tranquila. Quando a luz do cinema acendeu, a primeira coisa que me veio na cabeça foi "espero que meu carro ainda esteja lá". Voltei andando sossegada, mas quando fui chegando perto da esquina, meu coração já começou a acelerar. Quando virei a esquina, olhei, olhei e não via meu carro. Comecei a correr que nem louca pela rua e finalmente achei ele, exatamente onde deixei. Só quem passou pelo choque de chegar pra pegar o carro e não o encontrar não vai me achar completamente maluca e paranóica. Mas é assim que ando vivendo. 
***

Essas situações, todas se convergindo num final de semana só, me fizeram pensar muito no nosso Brasil. Pensar por vários ângulos, e não só ficar repetindo que tá uma merda, tá uma merda, tá uma merda em looping eterno, como tanta gente vem fazendo. 

Ta uma merda? Não vou negar... Mas vamos olhar mais fundo. Sério que precisamos, em 2015, ter babás de branco na nossa sociedade? Eu não consigo nem formular direito o sentimento que me corre na alma, mas a sensação é que ta tudo errado. Enquanto tiver essa separação tão clara entre quem "é rico", e quem "é pobre", isso tudo não vai mudar. Alias, já que pra mim ta difícil, vou linkar aqui um dos meus textos favoritos sobre a sociedade brasileira, do Daniel Duclos, do Ducs Amsterdam

Eu vejo essa moça, tão subserviente, que certamente não ganha mais que 2 salários mínimos para estar trabalhando num sábado até a noite, e fico pensando nos filhos dela, nos irmãos, na família. Que se vira nos 30 pra viver com esses salários, que fica vendo a explosão de "tem que ter", de "quem é maneiro usa isso", de "você é pobre então fica pra lá, enquanto a gente fica pra cá", de área VIP pra todo lado. Penso o quanto esse abismo entre classes aqui no Brasil nos empurra praquela situação ali, onde eu corro pela rua achando que meu carro foi roubado. 

Aí olho pra essa crise, onde empresas estão enxugando o quadro, e vejo essa moça grávida se aproveitando da legislação para jogar outra pessoa na fogueira. Porque sim, se todas as áreas da empresa estão sendo reduzidas e aparentemente o plano do gestor dela era reduzir justamente ela, se ela não foi, outra pessoa deve ter ido ou irá. E eu penso aqui: é justo? É justo que a nossa legislação crie esse tipo de situação? É justo que a nossa população se sinta tão confortável com o que a legislação dá, que em momentos duros e de austeridade como esse, alguém se dá ao luxo de "curtir uma folga remunerada"? Eu não faço ideia do que a moça faz, qual é o trabalho dela, mas penso... quantas pessoas desempregadas nesse momento não estariam aproveitando essa oportunidade para fazer algo melhor? Por que é que a postura dela não me surpreendeu? Será que é porque eu, trabalhando em conjunto com o RH, vejo isso todo dia?

Eu não tenho certeza de nada, mas tenho a leve impressão que quem cria nossos problemas somos nós. Se o país ta uma merda, é por nossa causa. A gente que elege representantes, a gente que não arruma uma cama e paga uma ninharia pra alguém fazer isso, a gente que pede pro médico botar mais um dia no atestado, a gente que faz um monte de coisa sem raciocinar o impacto direto das nossas ações nesse país, e a hora cansa porque ta muita merda, a gente acha que mudar pra Miami vai fazer tudo isso desaparecer. 
Foto famosa do Tuca Vieira, com o claro contraste brasileiro
OBS necessária - eu não só não vejo problema algum em mudar de país, como considero muito isso pra minha vida, já disse aqui algumas vezes. Mas com o advento do facebook, vejo muita gente que se exime de todas as responsabilidades, e só fala em "fugir daqui", pra logo em seguida reclamar da empregada que pediu aumento. Pior: andei lendo texto da internet sobre "como somos melhores quando saímos do Brasil". Oi? Ser melhor no Brasil não precisa? Enfim... é disso que eu to falando. 

Abotoar ou não abotoar, eis a questão

Eu fui uma criança muito magricela, do tipo que arredondava o peso pra cima. E sabe o que rola com uma criança magra assim? Ela acostuma a comer tudo o que quer. Sem o menor pudor, a menor cerimônia. Todo mundo acha lindo ver aquela caveira infantil lambendo as beiradas do prato, nadando numa tigela de purê. E aí que eu me aproveitava mesmo... Tinha bolo em casa? Eu basicamente sentava com a forma em frente a tv, e ia cortando quadradinho por quadradinho, assistindo o Chaves, o Jornal Hoje, o Video Show com o Falabella, o vale a pena ver de novo, a Lagoa Azul e quando chegava Malhação a forma estava vazia. Meu corpo é tão cara de pau que nem dor de barriga não me dava. Minha mãe ficava muito puta da vida, me dava sermão, mas no mês seguinte tinha bolo de novo, ela mandava não comer e ia pro trabalho... Senta lá, Claudia. 

Eis que virei adolescente, e dei aquela engordada básica. Na cidade pequena onde eu morava, foram perguntar pra minha melhor amiga se eu tava grávida, rs. Mas fato é que só ganhei uma bunda, umas perninhas, e tal, mas gorda mesmo, não fiquei. Que que eu fiz? Aprendi a fazer uma gororoba com batata. Põe a batata no microondas até ela ficar mole, depois amassa, depois taca sal, manteiga e queijo em cima, bota de volta no microondas pra derreter, e se joga. Eu me jogava. Todo dia. Ganhava uns 3 gramas cada vez que fazia isso. 

Bom lembrar que nessa época, além de comer feito uma louca, eu dançava ballet, sapateado, desbravava Pariquera-Açu de um canto ao outro numa tarde montada na bicicleta, trepava em todas as árvores possíveis e imagináveis, ia até na padaria de patins, e depois subia um puta dum morrão em cima deles mesmo pra chegar em casa.

E aí minha gente, como é que faz pra botar na cabeça de uma criatura com esse histórico que não da mais pra comer que nem lutador de sumô? Como entender que o metabolismo aos quase 30 não é mais o mesmo metabolismo de os quase 13? Que o único exercício que faz é correr atrás de um pimpolho dentro de um apto de 50 m2, e ainda assim fica ofegante? Eu não sei. 

Hoje eu como menos bobagem. Mas AMO fazer um mega prato de arroz, jogar feijão por tudo, botar bife, botar batata (gente, não vivo sem batata), mandioca. Ou então fazer um risottinho, assar uma carninha. Ou ainda quem sabe fazer uma sopinha... e tomar mil pratos dela. Sério. Tomei 3 pratos cheios de sopa ontem, pro horror dos demais componentes da mesa. Mas é que estava tãããão gostosa... e era de legumes, e foi minha mãe que fez. 

To sofrendo... To sofrendo porque eu to engordando. Não vou ser besta de falar aqui que to gorda, porque acho até falta de respeito, mas to engordando devagarinho. Uma calça que eu comprei faz 3 meses (antes do projeto #morraBeckyBloom) já não ta querendo fechar. Vou em restaurante e fico com vergonha, porque todo mundo parou de comer, e eu quero comer pra sempre. Sofro porque simplesmente não sei passar vontade. Como tudo que quero, e quero comer tudo. 
To aqui pensando se vou ter que vir a público fazer promessa de diminuir a comilança, porque pelo jeito, só assim eu crio vergonha na cara. 

Viagens Possíveis

Contei outro dia que aproveitei uma promo anunciada no Melhores Destinos, e pá... comprei uma viagem de ocasião. Mas a verdade é que estou com algumas viagens engatilhadas para os próximos meses. E aí, a pergunta que fica é: ta dando dinheiro em árvore? Como faz? Pra começar que não, não ta dando dinheiro em árvore, rs... E por isso mesmo, resolvi dividir meus truques por aqui, vai que ajuda alguém, né?
Melhores Destinos - ou MD para os íntimos
Ta pensando em viajar pra algum lugar mas ta achando tudo caro? Ta querendo viajar mas não sabe exatamente pra onde? Olho no MD! Eles anunciam ali praticamente todas as promoções de companhias aéreas que operam no Brasil (e também de algumas redes de hoteis). Se você já tem destino, fica de olho porque eventualmente vão anuncir uma promo praquele lugar que você tanto quer ir. Se não sabe bem pra onde ir, mas queria fazer uma viagem barata, fica de olho também.. ali você pode acabar achando uma promoção pra algum lugar legal, e já fechar sua viagem. Eles tem twitter, newsletter, enfim... vale ficar atento!

- Ativar todos os alertas possíveis e imagináveis
Hoje você consegue fazer uma busca pela passagem que você quer, e por um alerta para receber - diariamente, semanalmente - as variações de preço. O SkyscannerDecolarMomondo e Kayak são os que eu uso, mas sei que tem outros. E apesar do saco que é ficar recebendo trocentos emails sobre o mesmo assunto, o melhor é por todos mesmo. Essa semana o Kayak me alertou sobre uma passagem que não aparecia em nenhum dos outros buscadores ou alertas, nem apareceu a promo no MD, nada. Enfim, consegui comprar a passagem pra uma viagem que eu teria que fazer anyway, pelo preço mais baixo que já vi na vida. 

- Parcelamento amigo
Gente, vamos aproveitar que isso aqui é Brasil sil sil e parcelar, rs... Vai viajar em março? Estamos em Setembro? Encontrou uma passagem legal? Parcela aí pra terminar de pagar antes de viajar (SEMPRE). Na suavidade tudo é possível. O que não dá é pra estar na deprê pós viagem e com parcelas a perder de vista, né. Inclusive, tem companhia gringa com site hospedado no Brasil que dá essa possibilidade, tipo Avianca e Tap, assim você compra direto no site da cia e não paga taxa de administração pra sites tipo Decolar da vida. Usa só pra achar o melhor preço. 

Aqui é pra estadia. O Booking devo confessar que usei pouco, já que minhas viagens são sempre meio pobretas e não comportam hoteis bonitos e cheirosos, rs. Mas já achei bons deals para Buenos Aires, Amsterdam (que acabei preferido não usar, por motivos que contei aqui), Londres, etc. Várias amigas também usam, e você vê que o desconto é real. No hotel delicinha que fiquei em Buenos Aires, a tarifa no site era muito maior do que eu paguei pelo Booking. O AirBnb é o favorito de Mati. Antes dele, tinha usado uma vez: foi onde achei a casa-barco dos sonhos de Amsterdam. Mas ele é o rei do AirBnb, haha.. já tem o histórico de bom hóspede no sit, e tem faro. Os preços podem ser muito bons, mas tem que saber procurar. No Rio, por exemplo, tem apartamentos com preços irreais, mas buscando direitinho, tem coisa boa. E o Hostelworld é basicamente a melhor ferramenta pra achar hostels no mundo. De todos, o que mais usei, em tudo que é lugar. Nos 3 sites, o X da questão são as reviews. É por ali que você vai ver se a localização é boa, se o café da manhã vale os dinheiros extras, se o staff ajuda, ou se periga você encontrar Mickey Mouse no quarto (reviews pelo mundo afora mostram que ratos e hoteis se amam). Ah... tem gente que usa o Couchsurfing, que é de gratis! Eu nunca usei, não posso dizer - mas uma amiga foi pro Egito (!!!) de Couchsurfing e adorou o esquema. Pra quem tem as manhas, outra opção para economizar. 

- Airport Bus Service
Essa é pros paulistanos que estão viajando com poucas malas. Tem voo em Guarulhos? Não pague os dois rins em taxi. Pegue o metrô, aquele lindo, e vá debaixo da terra até a estação Tatuapé (driblando o trânsito, por consequência). Lá, desça a escada onde tem a placa "Terminal Urbano" e tcharam... Pegue o Airport Bus Service que vai até GRU, parando nos 3 terminais. Na volta, o ônibus sai da faixa do meio do desembarque. Essa jornada vai te custar os 3,50 do metrô + 4,50 do ônibus. Nada nem perto dos cento e tantos reais do taxi. Os ônibus saem a cada 15 minutos, a viagem dura uma meia horinha em condições normais, nunca peguei super cheio a ponto de ficar desconfortável, e de novo: só de ir de metrô até o Tatuapé, moradores de outros cantos como eu já escapam lindamente do trânsito das grandes avenidas ou marginais. Eu ainda fico besta como pouca gente conhece essa maravilha. Tem Airport Bus Service saindo de outros pontos da cidade também (acho que de Congonhas, Itaim, hotel Maksoud e República), mas é um ônibus com pinta de fretado, e custa 30 e poucos reais. O baratíssimo é esse do Tatuapé.

- Comida de rua
Comer num restaurante elegante e refinado é bom? Ô se é! Mas quando você ta viajando é muito legal ver qualé a do dia a dia das pessoas. Eu, por exemplo, adoro levar meus amigos gringos que visitam pra comer pastel na feira. Assim, tento achar o "pastel da feira" dos lugares que vou. Doner kebab e currywurst em Berlin, batatas com maionese no cone em Amsterdam, choripan ou empanadas em Buenos Aires, tapioca e acarajé na Bahia, um pão com gordura na Polonia, e por aí vai... Além de você sentir o sabor local, você economiza. Eu tento revezar: se fizer um almoço bacana, como mais baratex no jantar, ou vice versa. E se eu curtir muito a bendita da comida, como o currywurst, eu como no almoço, na janta, no café da manhã, etc etc. 

- Transporte público
Use e abuse. Em alguns lugares, como Buenos Aires, Bolivia e Peru, os taxis são baratos, e aí, dependendo da pressa que você ta, da programação do dia, da preguiça, da temperatura, vale a pena. Em outros lugares, eu acho perda de dinheiro. O negócio é baixar Apps que te indiquem os caminhos pelo transporte público (até o Google faz esse serviço), e se jogar com força. Você tem a possibilidade de desbravar cidades inteiras, se deparar com outros costumes, ver locais em ação e de quebra, economizar um dinheirinho. 

Enfim, poderia me estender aqui e fazer deste o post mais longo desse blog (se é que já não é), falando sobre procurar atrações gratuítas, free walking tours, passagens com saída numa segunda-feira, etc... Fato é que em tempos peludos de inflação galopante, dolar a 4 reais, euro a 5 e libra a 6, qualquer dinheiro mal gasto pode inviabilizar sua viagem. E eu não quero ter que pensar que não dá mais pra escapar da realidade de vez em quando, então vou cortar todo e qualquer gasto que precisar, mas eu vou fazer o que mais gosto na vida. 

E aí, tem algum truque? Divide aqui :)

Step by step

No dia em que conheci o Matt, ele logo deu um jeito de falar que era pai solteiro. Pra mim foi um choque, porque eu era daquelas que achava que crianças começariam a participar da minha vida daqui uns 10 anos, através das amigas. Mas também não dei muita bola, porque achei que esse rolo, assim como todos os outros, não ia muito longe.

Ha. Ha. 

Cá estamos, um ano e meio depois, madrasta (quase) full time, rs. Digo quase porque o esquema é como guarda compartilhada, ou seja, metade pra cada. Isso significa metade da semana, metade dos finais de semana, metade dos feriados, metade do carinho, metade das fofurices, metade dos pitis, metade dos cocos. E tem sido, de longe, o maior desafio da minha vida, porque (i) eu tinha zero intimidade com criança, (ii) embora eu esteja aqui o tempo todo, ele tem pai e mãe, então, na maior parte do tempo eu sigo as regras dos outros, (iii) eu, que não estava nem mais familiarizada com o "relacionamentos", entrei em que tinha ~algumas~ responsabilidades a mais.

Só fui conhecer o baby quando tinhamos muita certeza sobre nós. Estávamos juntos há alguns meses, e eu já tinha aquela sensação de ter encontrado um parceiro pra vida. Então, achamos que era hora, e eu fui encontrar o toquinho de gente, 1 ano e meio de vida na época. De lá pra cá, tem sido um exercício diário. Exercício de aprendizado, de paciência, de entrega, de muito amor. Amor pelo baby, amor por Mati.

Falei outro dia aqui do fato de sermos civilizados. E somos mesmo... Mas isso não quer dizer que seja fácil, né. Tem que gerenciar o calendário de 3 adultos, as programações, as necessidades, os humores, etc, e sempre priorizando quem é o mais inocente nisso tudo. As vezes eu me pego pensando que a Gabriela de dois anos atrás jamais imaginaria que agora estaria lidando com os dilemas de um pequeno que não sabe se quer comer feijão ou iogurte, ou os dois juntos, ou nenhum dos dois e tacando tudo junto na parede.

Tem dias que são só alegrias, tem dias que são puxados. Mas a maioria é vida real mesmo, brincadeiras aqui, birras ali, e vamos seguindo. As lindezas são mais presentes, mas ainda assim, tenho uma criança em full terrible twos pela vida. É também por isso, entre tantos outros motivos, que eu tenho certeza do amor incondicional pela família que comecei. Porque mesmo nesses momentos complicados eu só quero ficar, ficar e amar.

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