Step by step

No dia em que conheci o Matt, ele logo deu um jeito de falar que era pai solteiro. Pra mim foi um choque, porque eu era daquelas que achava que crianças começariam a participar da minha vida daqui uns 10 anos, através das amigas. Mas também não dei muita bola, porque achei que esse rolo, assim como todos os outros, não ia muito longe.

Ha. Ha. 

Cá estamos, um ano e meio depois, madrasta (quase) full time, rs. Digo quase porque o esquema é como guarda compartilhada, ou seja, metade pra cada. Isso significa metade da semana, metade dos finais de semana, metade dos feriados, metade do carinho, metade das fofurices, metade dos pitis, metade dos cocos. E tem sido, de longe, o maior desafio da minha vida, porque (i) eu tinha zero intimidade com criança, (ii) embora eu esteja aqui o tempo todo, ele tem pai e mãe, então, na maior parte do tempo eu sigo as regras dos outros, (iii) eu, que não estava nem mais familiarizada com o "relacionamentos", entrei em que tinha ~algumas~ responsabilidades a mais.

Só fui conhecer o baby quando tinhamos muita certeza sobre nós. Estávamos juntos há alguns meses, e eu já tinha aquela sensação de ter encontrado um parceiro pra vida. Então, achamos que era hora, e eu fui encontrar o toquinho de gente, 1 ano e meio de vida na época. De lá pra cá, tem sido um exercício diário. Exercício de aprendizado, de paciência, de entrega, de muito amor. Amor pelo baby, amor por Mati.

Falei outro dia aqui do fato de sermos civilizados. E somos mesmo... Mas isso não quer dizer que seja fácil, né. Tem que gerenciar o calendário de 3 adultos, as programações, as necessidades, os humores, etc, e sempre priorizando quem é o mais inocente nisso tudo. As vezes eu me pego pensando que a Gabriela de dois anos atrás jamais imaginaria que agora estaria lidando com os dilemas de um pequeno que não sabe se quer comer feijão ou iogurte, ou os dois juntos, ou nenhum dos dois e tacando tudo junto na parede.

Tem dias que são só alegrias, tem dias que são puxados. Mas a maioria é vida real mesmo, brincadeiras aqui, birras ali, e vamos seguindo. As lindezas são mais presentes, mas ainda assim, tenho uma criança em full terrible twos pela vida. É também por isso, entre tantos outros motivos, que eu tenho certeza do amor incondicional pela família que comecei. Porque mesmo nesses momentos complicados eu só quero ficar, ficar e amar.

10 comentários:

  1. Que coisinha mais fofa. Não deve ser nada fácil, eu imagino. Mas se tem amor, se tem respeito, tudo se resolve, né?
    E que Deus abençoe essa família.
    xx

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    1. É isso, Paulinha.. tendo amor, tendo respeito, a gente arruma força pra tudo! E não posso negar que sou muito bem recompensada :) Beijos!

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  2. Oi, Gabi! Nossa, não deve ser fácil. Eu, que trabalho com crianças, sinto na pele os desafios e alegrias de cuidar dos "filhos dos outros". E por mais que seja desafiador, a gente pega um amor, né? Incrível como crianças mexem com a gente. Desculpe ser intrometida, mas a mãe do pequeno é americana também?

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    1. A gente pega muito amor mesmo. Quando voltamos de Cuba e ele estava nos EUA com a mãe (que sim, também é americana - o que facilita pro meu lado), eu chorei de saudade algumas vezes, rs. É uma montanha russa muito louca, e criar o "filho dos outros" dentro da nossa casa é ainda mais desafiador - por mais que eu tenha oficialmente mudado há pouco tempo, isso acontece já há muito tempo. Mas eu todos os dias a noite eu deito e só penso que a conta fecha sempre positiva, e isso que importa. Beijos!

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  3. Adorei esse post! Eu achei super bonito voce colocando de uma forma tao delicada e verdadeira as alegrias e dificuldades de um relacionamento com alguem que tem filho. Imagino a dificuldade, mas sendo civilizado e tendo respeito o resultado e esse que voce falou no final, ficar, ficar e amar cada vez mais. Parabens.
    Beijinhos

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    1. Que bom que você gostou :) Eu pensei muito antes de escrever, porque é uma exposição. Mas eu exorcizo muita coisa aqui, é um espaço pra eu escrever, antes de pros outros, pra mim, e justamente por isso, não da pra querer fantasiar que tudo são flores... não são, mas acho que nada nessa vida é, né? O importante é o amor que no final transborda meu coração. Beijos!

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  4. Achei seu post perfeito Gabi, pois assim como esta no marcador e um post sobre a real life. Derreto-me na tua intimidade com as palavras! Pois vc falou tudo sem florear, mas tambem sem acinzentar! Parabens pela nova Gabi! E que ela continue mudando, para melhor, sempre. E da um beijo por mim nessa coisinha pequena mais fofa da foto! Kkkkk beijo!

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    1. Você é uma querida, Bella. Seus comentários são sempre doces :) Beijos!

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  5. Nossa, Gabi! Que história! Meu primeiro impulso seria de dizer "eu não daria conta!" mas amor é amor, né? Que bom que a Gabriela de hoje dá conta dos dias puxados e fica bem nos dias felizes! :)

    Beijos!

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    1. Eu não fui muito diferente, viu. A primeira vez que fui na casa dele, vi o berço e me tranquei no banheiro. Ai vi uma fralda no lixo do banheiro, e quis sair correndo, hahaha.. Mas como você disse, amor é amor, rs. Dá força pra gente que nem sei da onde sai, e assim a gente da conta de tudo! Beijos

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