Mais Santiago

Sábado era dia de ver Santiago de cima, então decidimos andar até o pé do Cerro San Cristobal, famosa montanha no meio da cidade onde tem um mirante muito bacana. Paramos no caminho pra tomar café da manhã, seguimos andando por um parque, e foi assim que nem sentimos a distância passar. O dia foi ficando bem quente, e nos parques tinha muita gente tomando sol, nadando nas fontes, uma ocupação muito bacana do espaço público. 

Chegamos no Cerro num horário bom, não tinha fila pra pegar o bonde, que eu não lembro quanto custa, mas é barato.
Chegando lá em cima, ainda rola umas escadinhas e tal, e ai você dá de cara com A vista:
O visual é incrível, mas lá de cima rola uma constatação que você já sente ao passear pela cidade: Santiago tem muita poluição. Três "lados" da cidade são rodeados pelas Cordilheiras, e pelo quarto lado entra um vento do mar. Então, a poluição da cidade (que tem um trânsito intenso, muitos carros e tal) não consegue escapar pro mar, ou subir as montanhas, e fica ali... Toda em cima da cidade. O tempo estava seco, sem chuva, então deu uma prejudicada na visibilidade das montanhas, mas ainda assim, LINDO. Lá também tem uma imagem de Nossa Senhora da Providência, uma igreja, um santuário, muito bonito. 
O que mais fez meu coração bater em Santiago foram as montanhas. É inacreditável aquele paredão imenso rodeando a cidade. Aquela natureza tão bruta, que me dava sensação de que o "desconhecido", o "perigo", estão depois dali. Não sei bem por em palavras, mas a minha sensação é de que a natureza selvagem e todos os seus encantos e perigos estavam ali, como se aquelas montanhas fossem a linha que a gente não deve cruzar. Sei lá, pura viagem, mas me senti nA Vila, lembram daquele filme? 
Foto de Mati
Como esqueci a máquina e só tirei fotos do celular, tive que roubar essa foto de Mati que evidencia o gigantismo na natureza do lugar. Vocês veem o topo nevado? Surreal, né. Alias.. esse prédio altão aí é Costaneira Center, maior prédio da América do Sul. 

Depois de descermos do Cerro, andamos coisa de 10 minutos, e chegamos em La Chascona, a casa de Pablo Neruda em Santiago. A casa foi projetada por ele, para viver com sua segunda esposa, Matilde. Hoje foi transformada em um museu da Fundação Pablo Neruda, e é possível fazer a visita guiada. Vale muito a pena. A casa é linda, os detalhes são todos importantes, a história dele com Matilde é muito bonita, e eu me emocionei em várias partes. Saí de lá anestesiada, achando o mundo mais bonito.

Dali sentamos num bar, mais micheladas, mais tranqueirinhas gostosas de comer. Depois seguimos pro centro de Santiago. Fomos à Plaza das Armas, a principal da cidade. Por conta do calor, a praça estava lotada de gente tomando sol, brincando nas fontes, tinha música e um concurso de danças típicas. Alias, tanto as danças quanto os trajes me lembraram a cultura gaúcha. 



Ainda no centro, fomos andando pelo que seria a 25 de março de Santiago, a Rua Puente, que é um calçadão de pedestre. Não fazia a menor diferença pro centro de SP, bem barulhenta, lotada de gente, promoções mil. Chegamos então a um bar que, em algum momento, algum desses editores de viagem foi lá, resolveu pregar uma peça na galera, escreveu que é o Must Do de Santiago, e o bando de trouxa (eu inclusive) acreditou: La Piojera.  É um boteco lotado da fauna mais ~eclética~ possível: bêbados e crackeiros chilenos, e gringos super cools. Não sei se chegamos tarde naquilo, mas tava tipo zumbilândia, com pessoas caindo pelos cantos, um velhinho brigando com moleques fortes, senhouras com os peitos pulando pra fora da blusa, todo mundo imundo derrubando bebida no amiguinho. A bebida do lugar chama terremoto. Um troço doce, mas tão doce, que você não percebe o quanto é alcoolico. Além de tudo, é imenso (e supervalorizado pra turistas). Lá na metade do meu copo eu já tava meio doida, e achamos melhor ir embora antes que virassemos zumbis também. 

Caminhando pra casa começou a cair a ficha do tanto que tinhamos andado. Minhas pernas doiam muito. Seguimos andando até o Barrio Lastarria, e estava rolando uma feirinha de rua muito interessante, com o pessoal vendendo coisinhas estendidas pela calçada.


Pra mim, esse pedaço do Barrio Lastarria foi a região mais gostosa da cidade. Certamente, onde eu gostaria de morar se vivesse por lá. Paramos por ali num bar chamado Chipe Libre - Republica Independiente del Pisco, e tomamos muitos... piscos! Estavam muito bons mesmo, e eu nem gosto dessas bebidas com ovo. Recomendo. 
O dia rendeu muito, e estávamos mortos. De noite, saímos pra um bar só pra não dizer que passamos o sábado a noite em Santiago e dormindo. Mas eu tava é morrrrrta!

Engraçado que lá, eu fiquei com a impressão de que a cidade, mesmo linda, não era muito fotogênica. Agora, olhando as fotos, percebi que estava enganada :)

9 comentários:

  1. Ai que delicia de cidade!!! To adorando suas dicas Gabi! E mto bom saber da temperatura loca. Vou levar casaco pois odeio passar frio!

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    1. Nossa, sua viagem já ta chegando, né? Eu dei uma olhada na temperatura antes de ir, então ja fui meio preparada. Mas nem sonhava que ia ter 10 graus às 9h da manhã, rs. Que bom que estão sendo úteis pra você :)

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    2. Ah, e sobre a moeda? Vc levou dolar ou peso chileno, e depois trocou la?
      Vi gente dizendo que compensa comprar dolar aqui e trocar por peso lá.

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    3. Eu levei dolares que tinha em casa. Mas Mati também trocou reais que tinha na carteira. Não fizemos a conta pra ver o que exatamente valia mais a pena, mas você tem facilidade pra trocar tanto dolar quanto real. Todas as casas de câmbio dão a possibilidade.

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  2. Gabi, que delícia ler o seu relato, sério! Não sabia que a poluição ficava assim presa na cidade, uma pena, né? Agora, de fato, essas montanhas ao redor dão uma sensação de perigo e medo sim. Parece que vão engolir você, né? Enfim, amei ler essas dicas de Santiago, vou pensar nesse seu post quando eu tiver a oportunidade de conhecer o Chile.

    ps.: Neruda é demais, né? Não curto muito poesia, mas Neruda.....

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    1. Eu também não sabia sobre a poluição, aprendi lá. Depois da chuva a visibilidade melhora, mas chove super pouco pelo Chile. Que coisa, né. A sensação é isso aí que você disse, que as montanhas vão engolir. Eu acho que nunca tinha ficado tão intimidada por uma paisagem, no sentido de medo da coisa, sabe? Bizarro.

      E sim... Neruda é demais. Eu chorei duas vezes durante o tour, rs. Vergonha própria.

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  3. engraçado vc falar das montanhas assim pq eu sentia mais ou menos assim lá no Canadá. é uma sensação incrível que elas dão. inexplicável.

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    1. Inexplicável mesmo. Onde você ficou no Canadá tinha montanhas assim também, rodeando tudo? É incrível!

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