As viagens de 2016

Não tem como pensar em 2016 e não pensar em todas as viagens que fiz. Foi o ano em que eu realizei o sonho de conhecer muitos lugares, de ter experiências marcantes. Ontem, ao chegar da última viagem do ano, foi inevitável pensar em tudo que aconteceu, todos os lugares por onde passei e como todos eles deixaram memórias tão incríveis. Eu estava achando que esse era o post que o blog merecia para acabar o ano, porém rolava uma preguicinha. Pra me dar um empurrãozinho ainda, o Bloggers Out and About propôs esse tema para blogagem coletiva. Desafio aceito :)

* * *
California
Comecei e "terminei" o ano na California. A viagem de agora foi família, foi tranquila, sem muita turistagem, sem muito programa e foi uma delícia. Mas eu estava me sentindo tão em casa que mal parecia que estava viajando. Já a do começo do ano foi mais especial. Foi quando conheci a família de Mati, dormi no seu quarto de criança, vi suas fotinhos, quando me senti criança na Disneyland, e de quebra ainda tiquei uma das minhas viagens dos sonhos: road trip pela Pacific Road. Foram alguns dos dias mais incríveis da vida. Aquelas paisagens maravilhosas, o poder da natureza, daquele oceano grandioso, e me sentir tão pequena mas tão sortuda diante do mundo.   

10 anos depois...

... Pois é, hoje faz 10 anos que eu embarquei no avião que me levou pela primeira vez para fora do Brasil. Eu embarcava rumo ao Wisconsin sem fazer a menor ideia do que encontrar, de como seriam as coisas e, mais que tudo, de como essa viagem mudaria a minha vida. Mudou minha visão de mundo, do que é importante, de como encarar os problemas, a vida e as pessoas. Foram 7 meses de muito drama, diversão, trapalhadas e muito, muuuito, aprendizado. Eu não tenho dúvidas que minha vida não seria como é hoje não tivesse eu ido lá ver um pouco do mundo com meus olhos. E digo isso porque ao voltar de lá eu entrei numa loucura de querer conhecer culturas, gente, de ajudar pessoas, de me aproximar do diferente, coisas que foram me fazendo ser quem sou hoje, e me trazendo pra onde estou. E sei que sem aquela vivência lá eu não teria coragem para viver o que vivo agora. 
Devils Lake, meu lugar favorito

Em 2016 eu...

... fiz muitas coisas que eu nunca tinha feito. Foi de longe o ano mais intenso da minha vida. Teve mudança, teve separações, país novo, vida nova, muitas viagens, muitas aventuras, muito choro. Foi um ano de descobertas, de fortalecer os laços que realmente importam, e deixar aqueles que já estavam fracos se desfazer. Acho que a grande conquista de 2016 foi a super conexão que encontrei comigo mesma.

California here we go

Desculpa gente, mas eu não me acostumei ainda a falar sobre Orange County e não ficar cantando a musiquinha do The OC.

Confesso que não estava das mais animadas para essa viagem. É a segunda vez que passarei o Natal longe da família - a primeira vez foi durante meu intercâmbio nos EUA, mas o clima lá era outro. Pra mim Natal significa calor, Adamantina, comida da minha mãe, cerveja na varanda, dormir na rede, família 24h por dia, saudade do Zeca.

Esse ano não vai ser assim. Meu primeiro Natal de casada, longe da família, mas por outro lado, vai ser meu primeiro Natal junto do meu bebê. E só isso já ajuda a deixar o desanimo pra trás. Mas pra terminar de animar geral eu fui lá xeretar as fotos da nossa viagem em janeiro. E só de olhar pra essas imagens, como num passe de mágica, eu comecei a contar as horas. Se em janeiro eu achei a California gelada, agora mal posso esperar para aproveitar o calorzinho (sim, comparado com a Suíça, né) que me aguarda. Mal posso esperar pelo por do sol maravilhoso no Pacífico, pela comida mexicana e pelas pessoas amadas que lá encontrarei. 

* 8 on 8 * Fim de Ano

O tema do projeto fotográfico esse mês é "fim de ano". Pra mim fim de ano tem cara de Natal, de luzes, de festas. Tem cara de férias, de presente, de diversão. Esse ano, além de tudo isso, o fim de ano é escuro e ainda tem cara de frio! O inverno chegou com força aqui em Berna, e as temperaturas estão negativas todos os dias, com direito a muita geada, mas também muito vinho quente pra esquentar. Os dias são curtos, e se eu não ficar esperta, sem que eu perceba o dia acaba. É um fim de ano diferente pra mim, e por isso muito especial <3
* * *

Sobre novembro

Novembro foi um mês tão foda que merece um post só pra ele. Foi durante esse mês que percebi que estou muito a vontade na minha nova vida aqui, que me sinto em casa. Só isso já vale. Foi também em novembro que presenciei o mais belo espetáculo das cores de outono, e que ganhei a primeira neve de presente. Em novembro recebi visitas, reencontrei amigos, conheci dois países e realizei um sonho. Em novembro concluí o A1, nível básico de alemão, e comecei a sentir a diferença de saber o mínimo no meu dia a dia. A casa ficou praticamente pronta, e aquela sensação de que não falta nada é muito satisfatória. E mais que tudo: foi quando recebi um grupo de amigas pela primeira vez aqui. Mateus recebeu os amigos dele. Fomos convidados para algumas festas #vidaosocialbombando. No dia 30 saímos para achar a nossa árvore de Natal. Voltamos e a botamos em pé. Teve drama? Teve sim. Porque sempre tem. Chorei de saudade do meu bebê, chorei de raiva do meu visto, chorei porque ando com tempo de sobra e chorar me alivia a alma, não me deixa guardar sentimentos ruins. E assim vou contemplando a sensação de estar me sentindo bem, de ver as coisas se ajeitando, de ver a vida seguindo. Novembro foi isso: foi ver a vida aqui se assentar.
Tremidos mas felizes com o primeiro reencontro

A tal diversidade

Desde que entrei no curso de alemão passei a conviver diariamente com uma fauna bem diversificada. Ao longo desses 3 meses passaram pela sala uma sulafricana, um francês, uma americana, uma dominicana, um espanhol, uma colombiana, uma macedônia, uma polonesa, uma grega, um canadense, uma russa. Além desses, tem o grupo que seguiu junto desde o começo: eu, uma italiana, uma suíça que cresceu fora do país, um saudita e 3 iranianos, sendo um par de irmãs e um outro menino. Esses quatro últimos muçulmanos. 

O dia em que...

... me cansei do layout deste blog, resolvi inventar moda, fiz um monte de cagada, voltei pro layout velho correndo, e ele também ficou cheio de cagada, rs. Em breve vou mudar a cara do bloguinho porque ele ta merecendo roupa nova. Mas enquanto isso, perdoem as fotos meio repuxadas esquisitas. Eu tentei voltar tudo no lugar e quase deu certo, mas em breve eu endireito as coisas. Paciência, migos, paciência <3 

Minhas poucas - e úteis - dicas parisienses

Como celebrei aqui, fiz uma visita atípica a Paris. Conheci mais as ruas que qualquer outra coisa. E sendo ainda uma cidade sobre a qual tem tanto conteúdo na internet, nem me animei a fazer um relato mais detalhado. Mas fiz algumas descobertas logísticas que podem facilitar a sua visita à cidade, e aqui vão elas.

Paris, a conquista

Acabo de voltar de dias chuvosos em Paris. Há alguns anos Paris vinha ocupando o posto de cidade que eu mais queria conhecer no mundo e apesar disso eu não tinha grandes expectativas. Sei que é um lugar meio ame ou odeie, e eu queria ir lá ver. E fui. E amei. 


Acho que foi a viagem mais atípica que já fiz. Primeiro porque fomos em um grupo grande, num reencontro de 7 amigos. E justamente pelo caráter de reencontro, eu não fiz grandes planos. Não queria ver muita coisa, queria ver Paris, queria andar, queria comer e beber bem e bater papo, abraçar e aproveitar. E foi isso que fizemos. Em 3 dias não entramos em nenhum museu - e olha que choveu, viu - não entramos em igreja, não subi na Torre Eiffel, não entramos basicamente em nenhum lugar que não tivesse vinho e carne a preços convidativos, rs. 

Andamos pelo Marais, por Montmartre, por Saint Germain, por Saint Michel, pela beira do Sena, por Grenelle, pelo Quartier Latin. E íamos intercalando andança com comilança. Chegamos a levar 12 horas - e 12 garrafas de vinho - para ir da Torre Eiffel até Notre Dame. Se valeu a pena? VALEU MUITO!  

Eu e Paris ficamos nos cortejando por dias, nos apresentando, nos apaixonando. Andar pelas ruas, admirar suas construções, seus jardins, suas cores e letreiros, sentar num café e observar seus finíssimos habitantes, o andar, a forma de falar e se comportar, tudo isso preencheu meu coração. Gosto muito de repetir viagens, não é segredo. Sinto que eu e Paris começamos um relacionamento, e ainda vamos nos aprofundar muito uma na outra. Reencontros vem por aí <3

* 8 on 8 * Rotina

Nesse mês me juntei a uma iniciativa nascida no Bloggers Out and About, grupo de discussão de viagens no Facebook. Um projeto fotográfico em que no dia 8 de cada mês, 8 blogs publicam 8 fotos sobre um tema. Eu vejo vários blogs participando do que normalmente é um 6 on 6, e gostei muito da ideia de ficar procurando beleza no meu dia a dia pra fazer belas fotos. A verdade é que ando com bastante tempo disponível e me deu vontade de me dedicar mais ao blog, essa terapia que me faz tão bem, e a proposta lá do grupo surgiu em boa hora.

* * *
Para esse mês, sendo o primeiro do projeto, queríamos uma forma de mostrar um pouco do nosso dia a dia através das fotos. O tema então foi Rotina. A rotina nem sempre precisa ser tediosa, e muito menos deve ser encarada como um problema. Viver uma rotina é saudável, traz calma e equilíbrio pra dentro da gente, além de garantir uma certa sanidade. E o tanto de beleza que há em nosso dia a dia? É um exercício que nem sempre fazemos, mas se pararmos para procurar, certeza que vamos encontrar coisas muito belas nos rodeando. 

Todos os dias vou para a escola de alemão no centro, e ao cruzar as pontes de Berna, me lembro que moro numa cidade linda. Não tem melhor jeito de começar a manhã. Ao longo do dia eu curto minha casa, tomo café na varanda, aprecio a minha vista, estudo, faço minhas coisas - inclusive escrever aqui pro blog - no meu canto. Também não poderia deixar de fora as horas mais divertidas da semana: quando me perco na música de piano, desafio o meu corpo e esqueço da vida na aula de ballet. E o melhor? Ir curtir a vida com meu Matinho. Explorar nossa nova cidade, as beleza que ela oferece, a nossa vida em cima de duas rodas, sem se preocupar com trânsito. E assim vamos criando a nossa nova rotina aqui, cheia de cor, de aconchego, de vida. 

Leysin - O belíssimo clichê suíço

Sexta passada fui em uma nova viagem para acompanhar o time de volei. Dessa vez foi mais tranquilo, primeiro porque eu já sabia como funcionava, já conhecia as meninas, e também porque só foram 7 jogadoras. Eu, que ainda não estou familiarizada com as cidades suíças, entendi que mais uma vez iríamos para Lausanne. Chegando na Gare de Lausanne, em vez de sairmos da estação, pegamos um novo trem. Aí que entendi que estávamos a caminho de Leysin, uma cidadinha na base dos Alpes. 


Para chegar em Leysin, saindo de trem de Berna, leva-se duas horas e meia (e para quem tem o half tax, ida e volta custa CHF 56 - ou seja, pra quem não tem, CHF 112). Você vai até Lausanne, e de lá pega um trem sentido Aigle, e por último você sobe a montanha num trenzinho leeento. Parece muita coisa, mas devo dizer que só essa viagem aí já vale a pena, de tão linda que é. A viagem pra Lausanne eu já comentei que é bonita, e a chegada então, quando se avista o Lago Geneva, é de matar. E a viagem de Lausanne para Aigle é outra lindeza, quase toda pela beira do lago, passando por Montreux. A cereja no bolo é o trem até Leysin. É um trem antiguinho, verdinho, fofinho, e que vai bem devagarinho montanha acima. Atenção que ele não dá voltas na montanha não, ele sobe em linha reta, super inclinado, fazendo barulho, e te matando de emoção com a vista. 
Gare de Aigle - e as montanhas ao fundo

Transporte em Bern

Eu já comentei aqui que o transporte de Bern é incrível. E é mesmo. A cidade é bem servida por trams, ônibus, trolles (que eu nunca vi, mas diz que tem) e trens. Tem até um funicularzinho da parte baixa da cidade até o Parlamento, e outro - pago a parte - até o topo do Gurten, uma montanha na cidade. Com a malha de transporte você consegue chegar em qualquer lugar. 

Usei e gostei: Transferwise

Essa coisa de trocar dinheiro pra viajar sempre foi um problema. Eu gostava de habilitar meu cartão de débito e fazer saque diretamente no destino, para evitar andar por aí cheia de dinheiro. Só que com a mudança na lei do IOF uns anos atrás, ficou caro. Então a solução foi viajar com cash, algo que muito me desagrada. No último ano usei várias vezes a Cambio Store, casa de cambio em SP e recomendo o serviço para quem precisar. Eles entregam em casa sem custo adicional dependendo do valor que você compra, e o preço da moeda é bem competitivo. 

TAG - Wanderlust

Eu adoro responder TAGs, me lembra muito a época de caderno de perguntas, alguém mais lembra disso? Hahaha, eu adorava! E por isso mesmo fico felizona quando sou indicada para responder alguma. A Bárbara, que escreve um dos meus blogs favorito, me indicou para responder essa TAG sobre viagens. Voilà.

O que ando fazendo?

Desbravando muitas lojas de segunda mão. A Suíça é cara, não sei se já falei por aqui haha. Tudo custa muito dinheiro, e se você não quer/pode gastar muito acaba sempre nas mesmas lojas: H&M e Zara para roupas e sapatos, Ikea para casa, Migros e Coop para o resto. Mas aqui tem muitas lojas de segunda mão, as Brockis, e pra quem tem olho bom - eu! - e paciência, dá pra achar muita coisa bacana em perfeito estado. Pois bem... Eu, como tenho todo tempo do mundo, ao menos uma vez por semana vou à alguma brocki garimpar coisa pra casa. Foi assim que compramos taças de vinho de cristal, uma cômoda dos anos 20 para o quarto (e já vem montada, sem sofrimento de montagem da Ikea), um jogo lindo de picnic, entre outras tranqueiras. No Brasil essa cultura de reaproveitar coisas usadas, passar pra frente, está começando a decolar. Mas por aqui é uma realidade forte, e eu e meus poucos francos adoramos. 
A chiqueza do meu kit picnic <3

12h em NYC

Quando fui ao Brasil correndo no fim de agosto, acabei num voo muito do desgraçado. Eu não sei vocês, mas eu olho preço e ponto. Se a diferença for MUITO pequena, eu escolho o melhorzinho. Caso contrário, preço é o fator decisório. E foi assim que me enfiei num voo que saia de Zurich, parava em NYC por 10 horas e seguia pra SP. Planejei encontrar uma amiga em Manhattan, mas era domingo, os trens estavam super atrasados, maior caos, e não compensou sair do aeroporto. Aos finais de semana eles fazem obras, reparos, etc, e eu fiquei morrendo de medo de sair e perder a conexão.

Na volta o itinerário desgraçado era o mesmo mas a parada em NYC era de 12h, durante a semana, quando normalmente o transporte por lá é tranquilo. Fiquei com receio de combinar qualquer coisa com alguém de novo, porque além do JFK ter esse problema de distância e trens e afins, a fila da imigração por lá costuma ser longa (numa ida já amarguei 2h de fila). 

Mas no fim deu tudo certo, o voo chegou adiantado, a imigração nem estava aberta ainda - então fui uma das primeiras a passar - e acabou que consegui ir a Manhattan por algumas horas. Para quem for a NYC pela primeira vez nesse esquema, sugiro ler estes posts aqui e aqui, do Rick. Eu já conhecia a cidade, então fui direto para os meus queridinhos. 

Adaptando

O processo de mudar de país em definitivo nessa altura da vida não é nem de longe tão simples como as pessoas acham. Eu nunca tive ilusões, mas muita gente acha que é fácil, que é só sair do Brasil e do dia pra noite você fica bem sucedido e feliz. Ouvi muitas coisas do tipo que nada, a vida fora do Brasil é rica, você não vai nem sofrer. Mas o fato é que a gente precisa construir um lar, se sentir em casa, e isso não é simples. Não vem com uma ida na Ikea, assim como não se forma um arco íris em cima da sua cabeça só porque você fincou a barraca em solo europeu. 

Crônicas de uma desastrada

Numa terça-feira, por volta das 23h, fui com minha tia dar uma volta no quarteirão e levar o cachorro pra fazer xixi. Começou a dar uns pingos de chuva, era verão, nada que fizesse voltar correndo pra casa. Eis que passando em frente a garagem de um prédio, eu levei um escorregão na calçada meio molhada, daqueles que as pernas vão pra cima, e você vê a vida passando como um filme enquanto se espatifa no chão. Na hora senti uma dor desgraçada, não conseguia levantar, mas eu bem queria dar risada porque a cena estava patética. Moral da história: saí do chão 40 minutos depois, numa maca de ambulância, e com o cóccix estilhaçado em vários pedaços.

Blogagem Coletiva - Cinco coisas que amo fazer em viagens

Faz um tempinho que não colaboro com as postagens coletivas do Bloggers Out and About, um grupo de discussão de viagens. O tema desse mês, sobre coisas que mais gosto de fazer em viagem, vem bem a calhar. Venho de uma série de viagens que só fiz o que gosto, deixando a turistagem um pouco de lado. Então vamos lá. 

Swissagens - Capítulo 1

Resolvi abrir uma coluninha aqui pra tratar de alguns peculiaridades do dia a dia na Suíça, porque é o tipo de coisa que eu gosto de ler sobre qualquer lugar. E, principalmente agora no começo, que tudo gera estranhamento/encanto vou ter muito material pra isso. Voilà.

Ah Holanda!

Quinta passada eu acordei bem cedo, peguei um trem pra Basel e de lá um avião pra uma viagem muito especial. Eu voltei a Amsterdam, depois de mais de 4 anos, para mais um capítulo especial de 2016. Casar mais uma amiga querida, mais uma vez acompanhada das pessoas maravilhosas que a vida me deu. 

Kinder Garten

Desde o dia que botei os pés aqui em Berna rolou uma frustração forte com o fator língua. Eu já viajei para lugares onde não fazia idéia do idioma, mas eu cheguei aqui pra morar, e a barreira de comunicação em casa virou um calo no meu pé. 

Sobre amores e amigas

Andei sumida, mas é porque eu estava respirando amor por aí... Acabo de chegar do Brasil. Como assim, mal vim e já voltei? Isso mesmo. Tem algumas coisas na vida da qual não dá pra não participar. E se não dava pra eu não estar presente nesse primeiro mês em Berna, ao lado de Mati, descobrindo nossa nova cidade e novo lar, também não dava pra não estar ao lado dela no dia do sim

Já falei aqui sobre o quanto prezo minhas amizades, o bem mais valioso que cultivei na vida. E ela está na minha vida desde os 5 anos de idade, desde o fatídico aniversário do Paulo Victor. Desde aquele dia, nos acompanhamos nos primeiros dias de aula, ela me viu beijar pela primeira vez, eu a consolei no primeiro término. Nós planejamos dominar o mundo, e assim fizemos. Começamos conquistando São Paulo, a USP e a Maria Antonia. Fomos pra França e pro Wisconsin. Voltamos espalhando nosso domínio pela Faria Lima, festas da GV e bares da Vila Madalena. Voamos alto, levamos o encanto pra Bahia, Rio de Janeiro, Ilha Grande. E então ela foi pra NYC. Mas seguimos comandando a conquista por Chicago, Brooklyn, Chelsea, Cartagena. Como a gente fala, fizemos um grande mosh na vida.










E todas essas conquistas nos levaram pra Praia do Forte, pro dia 27 de agosto, o dia em que mais uma vez, estávamos lado a lado, no altar, no dia mais lindo da vida dela, um dia lindo pra mim, um dia lindo pra nós. A assessora disse que nunca viu madrinhas tão unidas, tão amigas. E eu acho que é verdade mesmo... Porque poucas pessoas no mundo tem essa sorte, de ter há quase 30 anos a companhia de amigas, irmãs, parceiras na riqueza e no puxadinho com rato de São Luis do Paraitinga. E é por isso tudo que eu viajaria o mundo quantas vezes precisasse pra estar ao lado dela nesse dia. E viajarei pra sempre, pra trocar aquele olhar que só a gente entende, aquele abraço que como poucos acolhe, e pra olhar pra ela e saber que ela é a pessoa mais feliz do mundo.

Lauterbrunnen

Nessas primeiras semanas nós ficamos com os finais de semana bem livres porque Mateus ainda não estava trabalhando pra valer. Além disso, até nos mudarmos pro nosso apartamento, estávamos num mini quarto de hotel, o que é insuportável pra ficar por mais tempo que o necessário pra dormir. E aí que acabamos botando o google pra funcionar e achamos muuuitas coisas legais pra fazer por aqui. 

Num domingo ensolarado resolvemos ir pra Lauterbrunnen, uma cidadinha mini nas montanhas, mais conhecida por estar aos pés do Jungfrau, uma das principais montanhas alpinas - e onde fica a ferrovia mais alta do mundo. Daqui de Bern a viagem é de 1h, saindo da Hauptbahnhof. Você vai num trem direto pra Interlaken, e lá pega outro que dura uns 15 minutos até Lauterbrunnen. Só a viagem no trem já é linda, com o Thunersee (vulto Lago Thun) encantando pela janela, e depois com os Alpes se aproximando. 
No caminho de Interlaken para Lauterbrunnen
Quando descemos do trem, eu fiquei meio em choque. A cidade é uma pintura. A grama muito verde, as casinhas subindo o morro, os Alpes nevados ao fundo, várias cachoeiras ao alcance dos olhos. Uma coisa meio assim:


Tínhamos lido sobre a cachoeira Trümmelbachfälle (repita comigo), e a ideia era ir até ela, mas chegamos na cidade e saímos andando aleatoriamente, sem nos preocupar com um roteiro, nada. Seguindo o povo que caminhava, chegamos na Staubbach Fall, uma cachoeira que você vê assim que põe os pés na cidade. Tem uma trilhinha de uns 10 minutos que te leva numa caverninha embaixo da cachoeira - você não vê ela, mas sente os pingos molhados - e vê sim a cidade e as montanhas. 
Staubbach Falls
Descemos, e num pitstop pra água uma menina falou: não deixem de ir para Trümmelbach. Vocês vão se arrepender se não forem. Então, achamos por bem seguir até lá. Uma das boas coisas da Suíça, é que você pode beber água das fontes na rua (e das torneiras em casa). Toda água vem das montanhas, é limpíssima. Então quando você estiver com sede, sem água, e vir uma fonte: BEBA. Hahaha..
O caminho é muito bem sinalizado, e você só precisa ir seguindo as plaquinhas e admirando a paisagem. Olha... É de babar. Eu nunca fui da caminhada, do hiking, nada disso. Mas enquanto andávamos por esse caminho, falei pra Mateus que teremos que nos render. As paisagens da Suíça são de tirar o fôlego, e é um desperdício morar num lugar desse e não tirar proveito máximo. Vejamos qual é o caminho para Trümmelbachfälle:

Dá pra ver o paraglider?
Chegamos no site da cachoeira mortos de sede. O calor tava de matar, foi o dia mais quente e claro que pegamos desde que chegamos. Tomamos uma água e fomos seguindo pra cachoeira. Não sabíamos, mas a subida pra queda d'água custa 11 francos. Alias, nós não sabíamos absolutamente nada sobre a cachoeira, e por isso mesmo acabamos ficando tão impressionados. Depois que você paga, você pode pegar um elevador ou subir de escada. Fomos de elevador, e chegando lá em cima você vai entrando numa caverna, e SURPRESA



Não é uma cachoeira qualquer... É a água derretendo diretamente de uma geleira, passando por dentro de cavernas. Nesse ponto a água está a menos de 1 grau, ou seja, acabou de derreter mesmo. Eu fiquei de cara, porque não esperava isso, e é sensacional. A estrutura te permite estar no meio do "furacão".
Tirei uma foto da explicação, onde aprendi que aquela força toda é de 20 mil litros por segundo. Pois é... A queda de Trümmelbach vem do degelo de três montanhas alpinas, e é um colosso. O barulho lá dentro é imenso, é frio, as paredes da caverna são geladas, mas você fica imune a tudo isso, babando na força da natureza.

Descemos e pegamos um ônibus de volta para o centrinho de Lauterbrunnen. Embora a caminhada seja lindíssima, queríamos pegar o trem e jantar num picnic de frente pra um dos lagos em Interlaken. Foi o que fizemos, no Briensee. Interlaken, como o nome sugere, fica entre os lagos Thun e Brien. Terminamos o nosso dia tomando um vinhozinho com essa vista.
Ta difícil não cair de amores por essa Suíça, viu... 

Não era amor, era: CILADA

Há alguns anos a idade veio chegando e com ela meu interesse por decoração. Agora, a menos que você seja rico, no Brasil é bem difícil achar coisas legais pra casa por preços pagáveis. 

Por isso, meu sonho de consumo era mobiliar uma casa na Ikea. Sim, podem rir da minha cara, rs... Mas eu sonhava com o dia em que eu iria lá e compraria meus objetos de qualidade duvidável porém com um design super ajeitadinho e seria feliz pra sempre. Não costumo trocar qualidade por aparência, mas fato é que com o dinheiro que eu tinha, comprar móveis de madeira de lei, coisa fina, nunca foi uma realidade. Então eu queria ao menos o design, né?

E aí que junto com a notícia que tínhamos conseguido o nosso apartamento veio a necessidade de fazer nossa primeira compra para casa. Nos mudaríamos na segunda, para um apartamento pelado. Então precisávamos ao menos de coisas básicas. E assim, eu fiquei toda animadinha e lá fomos nós pra Ikea, um sonho que se tornava realidade. 

Minha gente.. que balde de água fria hahaha. Dado momento Mateus veio até me perguntar porque eu estava tão amuada, rs. Os preços são realmente bons, tem muita coisa bonita (e várias nem tanto), a qualidade de muitas coisas é deveras questionável, mas tem também as coisas boas (e que custam beeem mais). Mas aquele lugar é imenso, com trocentas mil crianças cansadas fazendo birra pelo caminho. Aquele deita levanta de colchão em colchão... Meu pai amado. Aquilo não é pra mim. 

Nessa primeira visita - que durou 3 horas - compramos, como eu disse, o básico: colchão, talheres, algumas panelas, tábua pra cortar, toalhas, lençóis, edredom, luminária, mesa e cadeiras pra varanda (para podermos comer nesses primeiros dias, já que precisávamos medir o espaço da sala para então ver a mesa de jantar). Nós ganhamos de uns amigos de Matt que moram aqui perto um jogo de pratos e tigelas, o que já facilitou a vida. Com essas coisas, nossa ideia era passar os primeiros dias, medir a casa direitinho, para então voltar e comprar o grosso das coisas. 

Como Matt teve uma brecha no trabalho uns dias depois da mudança, voltamos lá para dar andamento na concretização do lar, doce lar. Gente... SEIS FUCKING HORAS. Eu brinquei até que fomos sequestrados pela Ikea, rs. Mas foi isso, ficamos 6 horas dentro daquela loja, comprando sofá, guarda roupa, tábua de passar, cortina de banho, tapetes, mais panelas, lustres (porque nem isso vem no apartamento), mesa, utensílios, etc. Compramos até plantas, rs. 

Mas sabe o que é pior? Que depois que você paga, a tristeza não acaba. Foi aí que eu senti uma falta danada do Brasil e da TokStok hahaha... Vocês imaginam o que foi carregar um sofá de 3 lugares dois andares acima? Euzinha da silva mais Mateus? Carregar guarda-roupa? E montar essas coisas todas? Eu to é com a mão gasta de parafusar coisa. O prazer de comprar ~itens de design~ a preços pagáveis vai por água abaixo quando tudo que você quer é ajeitar as suas coisas, mas tem que ficar desvendando aquelas instruções indesvendáveis de como transformar aquele amontoado de tábua num móvel digno. 

{Por outro lado, ficou óbvio porque as coisas são baratas, né. Eles não tem custo nenhum nem de pré montagem. O produto vai direto da fábrica pra loja, sem qualquer outro custo para a Ikea. Peguemos a TokStok de comparação. O brasileiro está acostumado a pagar barato por serviço, e prefere pagar um pouco a mais para alguém montar do que fazer sozinho. E se não tiver a opção de pagar, simplesmente vai comprar em outro lugar.  O preço de ter aquele tanto de caminhãozinho da loja pela cidade, com dois montadores dentro, é repassado pro produto. Então, quando a TokStok te oferece a opção de montar sozinho nem compensa, porque a diferença pra ter o produto entregue e montado pela loja é pouca. Aqui não, para eles montarem um móvel o custo é de 100 francos + 17% do valor do produto, e ainda tem o custo da entrega, que começa em 100 francos. Óbvio que todo mundo arregaça a manga e vira marceneiro, e eles não precisam repassar custo nenhum. Isso fica visível quando eu te digo que tudo que compramos nessas duas visitas à Ikea foi o equivalente ao que me custou montar UM QUARTO na TokStok 2,5 anos atrás.}

No fim, eu to que não quero nem pensar em voltar na Ikea - mas vou ter que, em algum momento nos próximos meses, rs, porque ainda faltou coisa - e porque qualquer outra loja nessa Suíça é inviável. Temos procurado coisa em loja de segunda mão, que ao menos já vem montado. Mas ainda assim, ja visualizo essa terceira visita e fico com vontade de chorar. Vou esquecer disso por um tempo, porque estou traumatizada. Talvez com as coisas montadinhas, e a casa tomando forma, ficando bonitinha, a birra passe. Mas olha, Ikea.. você jogou foraaaaa o amor que eu te deeeeei. 

o Aare e a diversão em Bern

Diria que esse rio verde, o Aare, é o grande responsável pelo charme de Bern. Va lá que as construções da cidade são um desbunde, tanto que o Centro Histórico é patrimônio da Unesco, mas o rio cortando a cidade é aquele toque final que faz toda a diferença. Li em algum lugar que é o rio mais limpo da Europa e, de fato, a cor da água é inacreditável.

Mas o melhor é que o povo aqui não deixa o rio só de enfeite não. No seu entorno tem várias piscinas públicas, quadras, parques, pequenas praias. Tem também a galera que se mete no meio do mato e vai para áreas sem estrutura, mas na beira da água, e leva sua própria churrasqueira e cadeiras. A galera se joga de verdade... Aos finais de semana quem anda pela parte baixa da cidade pode pensar que está numa cidade praiana. Todo mundo andando de biquini, carregando suas boias, estendendo a toalha e tomando um sol. Tem até os adeptos do peladismo, rs.
Eichholz, a praia do Aare, onde tem área pra acampamento, quadras de voley, bar, tudo pra aproveitar o verão
Mas o mais legal mesmo é se refrescar na água (bem refrescado, já que é bem geladinha, rs). Tem o pessoal que entra em Bern mesmo, pra um mergulho mais rápido, e tem quem pegue o trem e vá subindo, pra então descer pela água. O topo é em Thun, de onde você pode nadar por 4h pra chegar em Bern. A galera leva o bote no trem, as cervejas, o aparelho de som a prova d'água e pronto. Chega lá, enche e se joga no rio. 
O Rio corre de A (Thun) pra B(ern). A descida toda dura 4h. 
Num sábado aproveitamos que estava 30 graus pra começar a nos acostumar com água fria, haha. Pegamos o trem até Münsingen, que fica a uns 15 km do centro de Bern. Encontramos o pessoal do Aare Tubing no ParkBad, que é onde fica a piscina pública de Münsingen (em torno de 20 min andando da estação da cidade). Lá eles dão a bóia, colete salva vidas, um mapinha que mostra o trajeto e as saídas (custa 45 francos tudo, saindo desta parte. Saímos às 13:30 e podemos ficar com o equipamento até as 18h). De Münsigen até a área da praia em Bern, onde teríamos que devolver o equipamento, é em torno de 1 hora e meia de flutuação. Nós optamos por fazer de bóia porque somos iniciantes no negócio, e convenhamos que nadar em rio é algo que demanda experiência. A correnteza por lá é forte. 

Viemos flutuando lindamente, aproveitando a paisagem (deslumbrante, já que olhando contra a correnteza você vê os Alpes) e vendo o povo que vinha descendo - e bebendo - desde de Thun (4h de flutuação) ou de Uttigen (2,5 horas) chegando já alegrinho. É muito divertido, a galera vem cantando, pula do bote, nada um pouco, volta pro bote. E tem quem venha nadando mesmo, sem bote ou bóia. Todo mundo usa uma bolsinha impermeável pra por as coisas, e aí já usa ela como flutuador. 
O pessoal do bote e o pessoal que vem nadando free style hahaha
Tem os momentos de atenção, tipo quando você vai passar debaixo das pontes. É de bom tom ficar esperto pra não dar de cara com o pé da ponte, né.  E tem ainda os adolescentes malas que pulam das pontes pra jogar água em quem ta passando embaixo de boia:
Mesmo de bote é difícil não se molhar, pois adolescentes são adolescentes em todo lugar
Tem ainda quem se atrasa pro passeio, e depois fica esperando os amigos em cima de uma ponte. Quando eles passam em baixo, você pula e vai se juntar a eles:
Povo joga a bolsinha primeiro e pula atrás, pra encontrar os amigos que já estão navegando
A saída é um pouco complicada. São váááárias escadinhas ao longo do trajeto, centenas. Aí você tem que conseguir se agarrar em uma e sair. Foi aí que eu tive um pequeno acidente. Quando o instrutor falou que a gente tinha que sair em Eichholz, eu entendi que era onde acabava a área de navegação. Ou seja, TINHA que sair ali. E aí que fui passando várias escadinhas e não conseguia me agarrar em nenhuma, e entrei em pânico. Me joguei da bóia, que acabou virando na minha cabeça e quase me afogou, rs. Consegui sair dela e me agarrar num troço lá, e uns suíços fofinhos vieram me resgatar. Acabei meio assustada e roxa, rs. Mas depois vi que foi ridículo, porque tinha mais uns 3 km de rio navegável pra eu descer, ou seja, pânico a toa. 

Achei incrível ter assim, pertinho de casa, uma fonte tão incrível de lazer. A estrutura é excelente, a água é de uma limpeza absurda, e no meio da cidade. Já estamos planejando comprar o nosso bote, haha. E quando estiver com preguiça de enfrentar a correnteza, sempre rola uma piscininha, né:
A piscina pública de Münsingen - e o povo aproveitando essa grande piscina linda que é o Aare
Como essa também tem a piscina pública de Muri, a de Marzili (essa, no centrinho de Bern, logo embaixo do parlamento) e a de Lorraine, todas na beira do rio (tem outras pela cidade, mas fora do caminho do Aare). Pras crianças é uma boa, já que o rio é perigoso por conta da correnteza. 
Piscina de Marzili, com o Parlamento ao fundo
E o povo curtindo um solzinho
Pra uma criatura do verão, da praia, como eu, foi uma surpresa pra lá de boa saber que moro numa cidade "praiana", rs, onde o verão e a jogação na água é levada a sério. É o que temos feito nos finais de semana - e inclusive pra onde estamos indo daqui a pouco, pra ~praia~. Pra quem quiser me visitar, fica a dica: venha no verão e traga roupa de banho.

Um teto pra morar

Assim que soubemos que íamos pra Berna, eu comecei a futricar essa internet a fins de descobrir como seria a vida por lá. Confesso que não foi muito fácil, a maioria do conteúdo é basicamente "o que tem pra fazer em Berna", ou seja, coisas turísticas. Claro que aos poucos fui encontrando algumas informações, mas de modo geral, pouca coisa. Até que cheguei no blog da Carolina, que morou em Lausanne depois se mudou pra Bern, e nesse post aqui começou a clarear algumas coisas pra mim. 

Usando os sites indicados por ela, iniciei uma pesquisa sobre apartamentos. Comecei a dar uma olhada com muita antecedência, e achei vários apartamentos legais, no preço que podíamos pagar e nas áreas que achamos que seria interessante pra nós. Fiquei super animada, e esqueci de assunto por alguns meses. No fim de maio retomei o assunto, e era pra valer. Queríamos efetivamente alugar um apartamento, para que pudéssemos começar a arrumar a casa antes de Mateus começar a trabalhar. 

Mas é claro, né... Se lá em março as coisas pareciam muito promissoras, foi só precisar dar andamento no assunto pros apartamentos bons sumirem, rs. Mandei um monte de email, fiz um monte de contato por site, e o número de respostas foi: ZERO. Que dó! Mas segui enviando. E então, comecei a receber respostas, em alemão, todas marcando visita. Só que eu não tinha como visitar apartamento nenhum, né... Do Brasil. No começo fiquei frustrada, mas depois relaxei. Se é assim que funciona, sofrer pra que? Coloquei na cabeça que chegaríamos em Bern e iríamos fazer as benditas visitas e tudo daria certo.

No fim, chegar aqui, conhecer a cidade, acabou sendo positivo porque abriu nosso leque de lugares possíveis. Chegamos num domingo, e na segunda-feira já fomos visitar 2 apartamentos. Com um ficamos encantados, com o outro não muito, mais por localização que pelo apartamento em si. Alias, comparado com SP os apartamentos aqui são ótimos: espaçosos, iluminados, vários com varanda, todos com fogão e geladeira. Na nossa primeira semana acabamos visitando 7 apartamentos (era pra ser 8, mas erramos o endereço de um, rs) e apresentamos 4 applications. Essa parte é bem chata, principalmente pra quem não tem histórico de crédito na Suíça, referência de antigos locadores, como nós. Mas pelo menos tivemos ajuda do empregador do Matt, que fez uma carta de referência e se ofereceu a dar uma garantia caso necessário. Fico imaginando que pra quem vem ser estudante, ou por conta própria, essa parte deve ser mais difícil.

Alias, acho válido um adendo. Li em alguns lugares que a disputa por um apartamento nas "grandes" cidades Suíças, basicamente Lausanne, Genebra e Zurich é feroz. Aqui em Berna fomos avisados pela RH que o número de aplicantes pra um apartamento pode chegar a 40. E vimos isso ao visitar um apartamento num bairro mais central. Chegamos lá e tinha quase 20 pessoas fazendo a visita, rs. Todo mundo com sangue nos olhos. No meio da visita a moça avisa que o apartamento só será disponibilizado em outubro, então nós fomos embora, e quem ficou fez high five, JURO hahaha. Acabou que optamos por morar fora do centro, porque conseguiríamos apartamentos melhores sem comprometer o orçamento nesse momento, em que a renda da casa vem de uma só pessoa. E Bern é tão ~compacta~ rs, que mesmo de Ostermundigen (que na verdade já é outra cidade e era nossa prioridade), chega-se no centro de Bern em 7 minutos de trem, ou 15 minutos de ônibus, ou 20 minutos pedalando sossegadamente. Então pra quem ta vindo, vale a pena abrir o leque de opções, porque a competitividade cai também fora do centro.

Fizemos um ranking entre os 4 apartamentos para quais aplicamos, de qual seria a nossa primeira opção, segunda, etc. E adivinhem? Uma semana depois, recebemos o OK de um deles. Alias. Um deles não... da nossa primeira opção. Imaginem a nossa alegria. Vale dizer ainda que a segunda opção ligou oferecendo o apartamento no dia seguinte, mas já tínhamos aceito, rs. Me senti uma inquilina atrativa, depois de tanta rejeição hahaha.

Então, depois de 54 dias pingando de casa em casa, andando toda amassada com roupa na mala, desejando muito ter uma casa pra chamar de minha, esse dia chegou :) Aqui vos falo da nossa casinha.

Um pouquinho mais de Fernando de Noronha

Como deve ter dado pra perceber no primeiro post que falei sobre Noronha, fiquei apaixonada pelo lugar, e pra mim foi a viagem mais bonita que já fiz no Brasil. 

Depois do Ilha Tour, que contei no detalhe, nos outros dias definimos as praias em que voltaríamos, que passeio faríamos. Vou contar um pouco das coisas que mais gostei:

- Planasub
Fizemos um passeio de barco com a NaOnda que você vai de uma ponta a outra da Ilha , e depois faz uma parada para mergulho na Baia do Sancho. Gostei muito desse passeio porque (i) numa ponta vimos muuuuitos golfinhos rotadores, nadando, surfando e pulando, fofo demais! (ii) pudemos ter uma nova vista do Sancho, essa praia tão linda, e achei ela ainda mais bonita do mar do que da areia, porque você vê esse paredão maravilhoso.
Eu e o paredão
E o show dos golfinhos rotadores em alto mar, captados pelo @mmreyno
No fim passeio, quem quiser pode ficar no barco (a um custo adicional de R$50) e fazer planasub, que vem a ser um passeio em que você segura uma pranchinha e o barco te reboca. É muito legal porque dá pra você mergulhar fundo com a pranchinha, e ver muita coisa. O passeio passa ainda em cima de um naufrágio, então tem muita vida marinha. Vimos a maior tartaruga da viagem - acho que do tamanho de uma mesa redonda - durante o mergulho. Gostamos tanto que repetimos o planasub num outro passeio, chamado Por do Sol Vip, que valeu muito a pena também. Você faz planasub, e depois nada em alto mar enquanto o pessoal do barco assa uma carninha/peixinho/franguinho. Por fim, um belíssimo por do sol com churrasquinho. Pra entender melhor como é o planasub, segue um vídeo:

- Num dos dias fomos andando de praia em praia, desde a Praia do Boldró até a Cacimba do Padre. Como junho ainda é baixa temporada, as praias estavam bem vazias e por várias horas ficamos sozinhos, com um visual de cair o queixo. Foi uma das coisas mais legais da viagem. 



Caminhada de praia em praia que terminou com esse por do sol na Cacimba. Foto de iphone sem edição, da pra acreditar?
- os restaurantes de Noronha são incríveis. Tendo em vista o preço das coisas, adotamos a prática de ir para as praias de dia levando snacks e água comprados no mercado, e no fim do dia jantávamos nos bons restaurantes que a ilha oferece (porque entre comidas e drinks gasta-se brincando 150 por pessoa). Fomos ao Cacimba Bistrô, Teju-Açu, Varanda, Corveta, Xica da Silva e Mergulhão. Todos muito gostosos. Nosso favoritos foram o Teju-Açu, Xica da Silva e em primeiro, o Mergulhão, que além de ter petiscos, pratos e drinks gostosos, tem um por do sol animal, propício a tirar fotos embelezadoras:
Descabelada sim, mas essa luz ajuda todo mundo, neam?
- o lado aberto da Ilha. A maioria dessas praias lindas fica do lado da ilha voltado pro Continente. O mar fechado é mais manso, e mais propício ao mergulho. Durante o Ilha Tour, o nosso guia mostrou um ponto atrás da igreja onde seria possível ver tubarões na maré alta. Um dia que o tempo não estava dos melhores, fomos lá. Acabou que não vimos tubarão nenhum, mas uma paisagem bem linda sim. 

Alias, fica essa dica. Ouvimos por lá que a melhor época para ir pra Noronha é setembro, quando ainda é baixa temporada, mas não tem vento, então é solão e mar calmo, tanto pro lado de dentro quanto lado de fora o dia inteiro. Nós pegamos bastante vento, então o tempo mudava constantemente, abria sol, caia chuva, abria de novo. Não estragou em nada nosso passeio, e eu achei bom pegar as praias bem vazias. Fico imaginando o quão cheia a ilha deve ficar em alta temporada, período de ano novo, e acho que eu nem ia gostar. 

- por fim, esse marzão, que faz Noronha tão especial. É tudo muito, muito azul, límpido, e com muitos bichinhos lindos pra você ver (e só ver, gente, nada de tocar, perseguir e pentelhar). Nós alugamos uma Go Pro enquanto estávamos na ilha e tiramos várias fotos legais, em que dá pra ver o quão rico é mergulhar em Noronha:



Eu, a tartaruga e a cordinha da máquina, que deveria estar amarrada no pulso do Sr. Matinho
E gente.. essa foi minha lua de mel. Motivo maior pra essa viagem ter sido tão especial não tem. Um lugar que tem tanta beleza, transmite tanta paz e que permite tanta conexão, com tudo que está à sua volta e mais ainda com a sua companhia. Noronha mal tem internet, o que ajuda a entrar com força na experiência.

E mais do que isso: quando digo que a gente relaxa, é porque relaxa de verdade. Você pode ir mergulhar, largar suas coisas na areia, que você vai voltar e encontrar tudo lá. Todos os dias deixávamos bolsa com alianças, celulares, a máquina do Matt, carteiras, e ficava tudo intacto. Sabe preocupação zero? Foi uma semana assim. Por isso que digo que é o melhor do Brasil. Além de toda a beleza envolvida, rola uma sensação de segurança.

Em Noronha é tudo muito simples, e apesar de ser um destino caro não tem afetação (alias, no Ano Novo parece que tem muita, rs). É uma vila de gente simples, e que por sua beleza acabou caindo no hype, mas que mantém a simplicidade. É todo mundo de chinelo no jantar caro, todo mundo no busão (ou quem da bug oferecendo carona pra quem ta no ponto de ônibus). Percebi que o alto custo de Noronha se deve muito mais à dificuldade de acesso à Ilha e por eles dependerem basicamente de turismo, do que por luxo propriamente dito. Você vê no porto os navios desembarcando os alimentos, água, coisas básicas. Teve dia que restaurantes bons da cidade fecharam porque o navio de alimentos não tinha chegado. Inegavelmente isso cria um custo, que no fim, eu achei que valeu a pena pagar.

Uma das viagens mais especiais da vida, sem dúvida <3

Follow @ Instagram

Back to Top