Pacific Road - A melhor Parte

Entrar na área de Big Sur é definitivamente o clímax da Pacific Road. A cidade de Big Sur em si é esse ponto D no mapa acima, mas quando se fala em Big Sur, se fala em toda essa parte que margeia a área verde abaixo do ponto D. Você dirige entre uma rocha imensa e o abismo para o Pacífico. A estrada é simples, mão dupla, e a dica de ouro é: descer sempre. Por mais tentadora que seja fazer a viagem de Los Angeles para São Francisco, opte sempre por fazer o sentido inverso, de descida. Assim, a vista incrível para o mar fica do seu lado. 
Paisagens incríveis e neblina fina
Outra coisa é que a estrada tem inúmeras sobras do lado que desce. Então você simplesmente encosta o carro e admira a natureza de cair o queixo. Alias, é muito importante anotar uns pontos de interesse antes de começar a decida: não tem placas, e as vezes você vai ver vários carros e vai sentir que precisa parar também, mas as vezes se você não vai ver nada, e pode perder algo legal. 

Ir dirigindo e parando, sem pressa, para perder a mente na imensidão do mar é o melhor da viagem. Ver a força do oceano batendo nas rochas me deu uma sensação maravilhosa de poder. Não de poder sobre algo, mas de se sentir imenso por estar olhando aquilo tudo de cima. É indescritível. Sei que nessa de andar e parar, demoramos umas 5 horas para andar 30 milhas. Mas valeu cada minutinho. 
Panorâmica do primeiro ponto em que paramos
Antes de cruzar a Bixby Bridge - a ponte está a mais ou menos 150 metros do mar
E depois. Aqui da pra ver a estrada contornando as montanhas.
Numa saidinha da estrada, pegamos uma estradinha pequena de barro, parecia que estávamos entrando numa floresta, quando chegamos no Pfeiffer Beach State Park. Pagamos 10 dolares para estacionar o carro, e andamos até a Pfeiffer Beach. Uma praia linda, com rochas em forma de arcos e uma encantadora areia roxa. 
Areia roxa e um intruso em minha foto
A água entrava com uma força absurda no vão do arco

Eu e a praia, by @mmreyno
Um comentário: chegamos na praia por volta das 16:00. Faltava ainda mais de 1h pro pôr do sol. Pois tinha várias pessoas com seus tripés montados em frente a rocha principal, de maneira que ficou quase impossível a gente conseguir uma foto boa. Eles ficavam lá, conversando, sem arredar o pé, e vendo a gente se desdobrar pra conseguir um click sem sua ilustre presença. Achei um desaforo. O melhor que consegui foi essa foto do meio ai em cima, mas que não pega a onda entrando no arco.

Como percebemos que o tempo encoberto não ia render um belo por do sol - e essa gente ai atormentando por nada - resolvemos seguir viagem. Tinhamos uma cachoeira pra ver, mas acabamos perdendo a entrada, e quando percebemos já estávamos longe. Então que o dia estava acabando, e achamos que era hora de achar um lugar pra passar a noite. Alias, essa dica é esperta: não dirijam de noite por essas bandas. É um pecado disperdiçar a vista, e o breu é total.
Céu granulado e um fiapo de lua
Então paramos em Lucia, uma cidade que você não vê onde começa nem onde termina, porque ela meio que não existe, rs. É o nome dado praquele trecho da estrada. Tinha um lodge por ali, mas estava lotado. Nos indicaram que o próximo lugar seria Gorda, outra cidade dessas. Quando chegamos em Gorda, a cidade era composta de um posto de gasolina, restaurante, minimart e hotel, todos grudados um no outro, na beira da estrada. Ao entrar no mercadinho, vi a plaquinha na porta "City Hall". Gargalhei, né... A cidade era aquilo mesmo. Três comércios, todos do mesmo dono, que por sinal era prefeito, e que quis cobrar da gente 200 dolares por um quarto. Thanks but no thanks

Assim andamos mais 12 milhas e chegamos em Ragged Point. Uma cidade, que assim como Gorda, cabia numa panorâmica:
Ragged Point inteira: ali na esquerda é a Pacif Road
Um restaurante, um hotel e um minimart - dessa vez tinha nem posto de gasolina, rs. Mas olha, que bela surpresa. Além do preço ser pagável (99 dolares a noite), quando entrei no quarto quase chorei de emoção. Era super arrumado, com decoração clean, bonito, sabe, com cara de hotel mesmo. Cama confortável, lareira elétrica, pé direito alto, uma beleza. Fomos ao mercadinho comprar um vinho, e tcharam: a cidade tem um vinho próprio. E era bom gente! De manhã fomos comer panquecas e ovos no restaurante, e mais uma vez, tudo ótimo. Muito feliz por ter parado em Ragged Point, e recomendo a qualquer um que estiver se programando para fazer a viagem. Fica quase no fim da área montanhosa em verde do mapa lá do início.
Surprise dun voyage
E a vista no fundo do restaurante em Ragged Point
Seguimos viagem, e logo saímos da área de Big Sur. A estrada continua linda, mas aquele clima misterioso da montanha, abismo e neblina fica pra trás, e a estrada fica mais plana, com praias ao lado. Ainda assim, o Pacífico é de uma força absurda. Em todas as praias que vimos, as ondas eram surreiais de grandes e violentas. Em alguns pontos, chegavam a 3, 4 metros de altura. 
Deixando Big Sur pra trás
E as ondas quebrando na estrada
Paramos numa beiradinha da estrada pra dar uma espiada numa praia, e percebemos algo:
Você ta vendo uma morsa?
Chegamos no ponto ocupado pelas morsas, lá chamadas de elephant seals. Conforme fomos andando, fomos vendo elas dominando as praias, tomando seu solzinho, esquentando esses corpinhos roliços, e jogando areia pra cima pra refrescar de novo. Descobrimos que a época de reprodução acabou de passar, e elas deram a luz em dezembro. Assim, os machos estavam descansando e as fêmeas alimentando as crias. 
Dormir de conchinha, que não gosta?
Em pouco tempo chegamos ao Elephant Seal Vista Point. Um santuário onde você pode estacionar e observar milhares - sim, milhares - de morsas que pesam entre 700 kg e 1,5 toneladas. 
Morsas para um lado...
Morsas - e esta que vos escreve - para o outro. Ao fundo, um farol :)
 Andando mais um pouco, chegamos à Morro Bay. A cidade é bem praiana, com muito comércio, lojinhas, bares - efetivamente uma cidade, sabe? Paramos para uns bons drinks e para aproveitar o calorzinho. Ali já estava sol, quentura, clima de praia, mais uma das tais "beach communities". 
O "morro" de Morro Bay

Wine with a view
Essa foi nossa última penúltima parada rumo à Santa Bárbara. Queriamos ver mais uma cidade, mas nossa prioridade era pegar um por do sol arrebatador em algum lugar. Assim paramos rapidinho para tomar a sopa clássica da região, de ervilha no Andersen´s  - que vale todo o hype, muuito gostosa - e seguimos em frente.

Um pouquinho antes de Santa Barbara, conseguimos encostar o carro na beira da estrada num ponto ótimo para ver o por do sol - um trilho do trem, do alto de um morro que nos dava uma vista privilegiada, um Pacífico azul e sem fim à frente. 
Pura poesia
Assistir a isso, enrolada num casaco, em boa companhia e sentindo cheiro de mato:  <3

E quem passou?
Assim terminamos uma jornada incrível, num momento cheio de paz. Eu estava me sentindo plena e abençoada por viver tudo isso. Sentir a liberdade dessa viagem correr tão solta pelo corpo e a cabeça é uma coisa maravilhosa. Eu desejo esse sentimento pra todo mundo.

2 comentários:

  1. Meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeuuuu. Esse foi um dos meus posts preferidos do Gabi na Janela. Sério. Você pareceu tão feliz na forma que contou sobre esse trecho da viagem! E as fotos estão tão lindas que fica difícil dizer qual gostei mais: a areia roxa, as morsas, o pôr-do-sol, essa da estrada que me lembra aqueles fundos de tela do Windows... essa sua na estrada e com as morsas... estou apaixonada por essa viagem. Sério. Quero um road trip desse pra mim djá! E essas dicas estão sendo muito valiosas, sério. Thanks!

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    1. Que bom que eu consegui transmitir um pouco da minha felicidade - sério.. a sensação de aventura, de liberdade, foi a coisa mais fantástica. Essas paisagens são incríveis, e sim, recomendo muito essa viagem. Anota tudo no caderninho e vai :)

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