Cidadania Italiana

Como já comentei, estou trabalhando na minha cidadania italiana. Eu diria que é um processo doloroso, uma gravidez de baleia, sei lá, um troço complicado e, principalmente, demorado. Enfim, tratando-se da novela que é, achei legal registrar aqui a minha experiência, vai que ajuda alguém, né? Importante grifar aqui que to falando da minha experiência, porque a internet está cheia de verdades absolutas e isso me cansa. Outra coisa é que cada processo é um processo.
Enfim, na minha família, sempre achamos que o italiano do pedaço fosse o Nono, que vem a ser o avô da minha mãe. Ficamos achando isso até eu voltar dos EUA com fogo no rabo pra ir embora, e começar a pesquisar a fundo. Assim, descobrimos que na real, o italiano é meu tataravô Gregório. Ouvindo história daqui, caçando coisa dali, xeretando no museu do imigrante, descobrimos que o Gregorio vinha da região de Mantova, mais precisamente duma vilinha chamada Borgoforte. Em 2007 ainda era tempo de Orkut, tinha uma comunidade muito bacana chamada "Cidadania Italiana". Através dela meu irmão conheceu um cara, que numa viagem de final de semana passou por lá e tcharam: pegou a certidão de nascimento do Gregorio, e de seu casamento com a Artidora. E aí, quando eu tinha tudo isso na mão, eu desencanei do assunto, rs. Meu irmão foi atrás de todas as certidões simples, mas o processo ficou por aí.

Então, agora em 2015 quando retomei o processo, não comecei exatamente do zero. Entrei num grupo sobre cidadania italiana no facebook, e percebi que muita gente "pasta" pra achar os documentos do italiano, descobrir da onde veio, essas coisas. Pra gente, até por questão de sorte com essa alma abençoada que nos ajudou, não foi tão difícil. Contratei uma assessoria que está me guiando. Isso também é algo que vai de cada um. Você pode contratar alguém pra fazer as coisas pra você, pode ir descobrindo tudo na raça sozinho. Eu não tinha tempo nem know how pra ir por conta própria, mas optei por gastar menos e contatar alguém que me ensina a fazer, porque é o que eu podia bancar.

Enviei todas as certidões simples para a assessoria, que olhou e verificou que eu tinha direito à cidadania. Então, fui orientada a tirar todas as certidões de nascimento, matrimônio e óbito, em formato inteiro teor, das pessoas entre o italiano e eu, para verificar se estava tudo em ordem com os registros. Ou seja, óbito do Gregório aqui no Brasil, e tudo do Nono, do meu vô, da minha mãe e meu. Esse processo foi mais simples. Eu já tinha todos os números de registro, livros e folhas, então liguei em cada cartório, e segui os trâmites. Aí eles variam muito. Teve cartório que só me pediu um email solicitando a certidão e o depósito dos emolumentos. Teve cartório que me pediu pra fazer requerimento pro juiz, etc. Segui os trâmites de cada um, e depois de 3 semanas estava com as 10 certidões em casa.

Digitalizei todas as certidões e enviei para nova análise da assessoria, que devolveu um parecer que eu já tinha previsto: todas as certidões precisarão de correção. Tem todo tipo de erro. Em nenhuma referência ao Gregório, inclusive sua certidão de óbito, consta seu nome do meio. A Artidora, em todos os documentos aparece como Teodora. O Nono, que em todos os documentos se chama Luis (e é esse o nome que conhecíamos), na certidão de nascimento se chama Segundo, rs. E a cereja do bolo: ninguém é Trentino, como consta nas 10 certidões. Gregorio nasceu Trentini, somos todos Trentini.

Com isso, agora estou na fase de encontrar a melhor forma de corrigir todos esses documentos. A via  no meu caso é o processo judicial (caso o problema fosse só a troca de uma letra, por exemplo, daria pra resolver no cartório mesmo). Embora eu seja advogada, o processo de correção é bem específico, não domino, então estou pesquisando um advogado para fazer esse processo, que deve demorar no mínimo 6 meses. Ou seja... Mais atraso.

Mas é isso, estamos nesse pé. Não vejo a cidadania saindo do papel nos próximos 12 meses, e tudo bem, vida que segue. Quando tiver mais novidades sobre o assunto, contarei aqui. De novo, trata-se de um registro da minha experiência, e se ajudar uma pessoa que seja, já serei feliz.

Depois que encontramos essa documentação toda, ficamos todos em casa sonhando, imaginando como era a vida do Gregorio com a Artidora na Italia, o que os motivou a buscar uma nova vida no Brasil. Em 2011, meus país foram até Borgoforte, passearam, conversaram com pessoas, foram à igreja onde o Gregório foi registrado, batizado e casado, e eu não vejo a hora de fazer o mesmo. Descobrir mais sobre a minha família do coração, de onde vem toda a minha italianisse, me enche de alegrias, de memórias das coisas que vivi na fazenda do Nono. Eu me sinto muito italiana, e penso na cidadania não só como uma possibilidade de facilitar a minha vida, mas como um registro documental de um sentimento muito grande que tenho no coração.
Onde tudo começou

9 comentários:

  1. Desejo a voce boa sorte nesse processo da cidadania Italiana e infelizmente e um pouco demoradinho mesmo =/

    Beijinhos

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    1. Precisarei de sorte e paciencia haha! Beijos

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  2. Que interessante, Gabi! Esse processo de cidadania é um saco mesmo, mas no fim das contas vale a pena. Eu entro num limo estranho de cidadania: as leis de cidadania espanhol são meio rígidas - você tem que ser filho de espanhol ou morar na Espanha legalmente por 2 anos. No meu caso, meus avós paternos eram filhos de espanhóis. Tipo assim, tanto o pai quanto a mãe da minha vó eram espanhóis como os pais do meu vô. Isso significa que, em tese, meus avós eram espanhóis, já que eram 100% filhos de espanhóis. Sendo assim, meu pai seria espanhol e eu seria 50%, mas seria filha de espanhol, né? O foda é que acho que entra num lance de datas, tipo, se você não foi atrás disso até o ano tal ou até ter x anos de idade, não pode mais.

    Além disso, não temos muitas informações sobre essas famílias espanholas. Muita gente já faleceu - inclusive meu pai e os pais dele - e por isso só temos primeiro nome, não sei nem de onde na Espanha minha família veio! :( Eu gostaria muito de saber - não por questão de cidadania, mas por ter interesse mesmo...

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    1. agora que vi que meu comentário foi cheio de erro de digitação - sorry!

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    2. Nem se preocupe, digitacao acontece (inclusive ta acontecendo agora, rs. to com o laptop de Mati, sem acentos). A minha bisa paterna era espanhola, a conheci. Mas o sangue italiano, a minha relacao com a familia da minha mae eh tao grande, eu sou taaao trentino (ou trentini, rs) por dentro, que pra falar a verdade, nunca pesquisei a cidadania espanhola, entao nao sei muito sobre o assunnto. Uma amiga comentou outro dia, que tem que ser passado de geracao pra geracao, tipo: minha bisavo passaria pro meu vo, que devia entao passar pro meu pai. E se algum elo dessa corrente se "quebra", voce nao consegue repassar. Eu nao sei se isso procede, foi o que uma amiga comentou porque o vo dela faleceu e ela nao poderia tirar.

      A pior parte eh mesmo perder essa referencia, de onde viemos. Eu tambem sei pouco sobre meus antepassados espanhois, somente sei que somos descendentes dos mouros que invadiram a espanha (coisa que o nariz da familia do meu pai inteira denuncia), porque quando fizemos mais perguntas pra bisa, ela ja nao estava em suas plenas faculdades, e nao falava muita coisa com coisa. E eh muito interessante saber mais, imaginar coisas, pesquisar.

      Voce ja tentou olhar aqui no museu do imigrante? Em tese, na certidao de obito dos seus avos deveria ter o nome dos pais deles, que vieram da Espanha. Assim voce pode tentar rastrear em que navio vieram, de onde eram, quando chegaram, essas coisas. Na sua proxima vinda a Sao Paulo, pode ser um programinha pra voce :)

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  3. Acho que a parte boa dessa correria de cidadania é conhecer um pouco mais sobre nossas raízes, né? Tenho certeza que vai ter post aqui sobre a sua ida a Bogoforte :)

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    1. Sem duvida, Carol. Eh muito gostoso ler sobre as pessoas que originaram a gente, saber de onde viemos. Espero ter esse post aqui logo haha! Beijos

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  4. Gabi, teria como indicar o nome da consultoria que está te ajudando?
    Beijos

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    1. Claro. Quem me assessora digitalmente, rs, é o Fábio, do http://www.minhasaga.org/

      Beijos!

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