Causos de uma viajante

Já li alguns relatos de histórias engraçadas - ou nem tanto - que rolaram em viagens. O último foi esse aqui da Taís, e dei altas risadas. E quando ela mencionou uma peripécia num hostel em Köln, foi inevitável lembrar uma situação que aconteceu comigo e uma amiga também num hostel em Köln. E daí fui pulando de galho em galho e lembrando das coisas engraçadas que já me aconteceram em viagens e resolvi contar aqui.

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Em 2012, eu e minha amiga paramos pra algumas horas em Köln. Chegamos de trem às 10h da manhã e saímos de trem às 5h da manhã do dia seguinte. A idéia era deixar as malas no locker da estação de trem, mas elas eram grandes e não entravam. Então achamos o hostel mais barato da cidade, pagamos uma noite cada e deixamos as malas lá. Andamos o dia todo, e quando era umas 9h da noite não tinha mais o que fazer, não íamos pra balada, era uma terça-feira, voltamos pro hostel. Ficamos lá na sala de convivência, e fizemos um amiguinho britânico. Ficamos de papo os três, e em algum momento minha amiga resolveu fazer uma crítica a um hábito dos americanos, e achou que estava falando baixo. Só que não estava. E um americano IMENSO (tipo guarda roupa, 2x2 sabe) que estava do outro lado da sala - e que não tínhamos nem visto - veio, e começou a xingar muito. Mas muito mesmo. Então perguntou de onde éramos e começou a xingar a gente de brasileiras putas, e daí pra baixo. Sério... Saímos fugidas do hostel às 3h da manhã mortas de medo. E depois desse dia eu achei que não queria nunca mais saber de americanos, rs... Mati que o diga.
Moral da história: sejam meigas em Köln e não falem merda nas áreas de convivência dos hostels
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Nessa mesma viagem, nossa última parada foi em Londres. Fiquei num dos piores hostels que já fiquei na vida, e num quarto misto compartilhado com mais 5 pessoas - uma delas uma outra amiga. Como ficamos uma semana, passou muita gente por esse quarto, gente que roncava alto, gente que não tomou banho nem uma vezinha, gente que vomitou pós balada. No penúltimo dia chegou uma dupla de amigos muito simpáticos, ambos alemães. Fiquei até aliviada com a gentileza, higiene e simpatia dos dois. No dia de ir embora, pela manhã, eu sentei no quarto e fiquei arrumando a minha mala, enquanto conversava com os dois belezinhas. Estávamos só nos quatro, eu, minha amiga e os dois. Fui guardando as roupas e deixando meu ipod do lado da mala. Quando fechei a mala, percebi que o ipod não estava onde eu deixei. Pensei que eu, distraída, tivesse botado ele dentro da mala, então não esquentei. Pois é, gente.. Um dos dois belezinhos usou a mão leve pra furtar meu ipod na minha frente enquanto eu falava pelos cotovelos, querendo ser simpática com eles.
Moral da história: não seja trouxa (e essa foto não tem nada a ver com nada, mas gosto dela, rs)
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Ano passado eu e Mati fomos pra Argentina, e como o valor do peso pro real ainda estava a farra do boi, conseguimos ficar num hotel delicinha. Chegando no check in do hotel tinha dado um problema no nosso quarto, e nos deram um quarto maior, desses que tem uma salinha com cozinha e o quarto reservado. Deixamos nossas malas na salinha, e nelas tinha basicamente tudo nosso. Na primeira manhã, estamos nós dormindo no quarto quando escuto um barulho na sala. Dei um pulo e sussurrei: Matt, tem alguém dentro do quarto. Ai ele todo sossegadão: nããão, o barulho é no andar de cima. Ai ouvi outro barulho, falei tem siiiim, e já comecei a imaginar meus dinheiros todos indo embora com o ladrão. E então, alguém abre a porta do quarto. Gente, o desespero foi tamanho que meu corpo travou todo, e quando consegui gritar foi algo fino, sem sentido, tipo um uivado, rs. Nisso Mateus pulou da cama e saí gritando hey, hey, heeeeeeeey. Cômico. Era a camareira, que entrou no quarto por engano, hahaha. Ficou toda sem graça, pedindo desculpas, e eu morta de vergonha do meu grito desafinado.
Moral da história: confie no seu ouvido (e don´t cry for me Argentina)
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Em 2011 fiz uma viagem de uma semana pela Polônia. Passei somente um dia e duas noites em Varsóvia. Fiquei na casa da minha amiga Anna, que trabalhava durante o dia, então só me fez companhia à noite. Por isso, passei um dia passeando sozinha. Eu já contei essa história nesse post aqui, mas ela é tão boa, que vou colar ela aqui, pra quem não quiser ler os meus contos ébrios poloneses: "De lá, segui o conselho da Anna, e segui para o museu Copérnico. Desci do tram na paradinha indicada - uma antes do rio, onde dava pra ver o estádio que estava sendo erguido pra Eurocopa 2012. Pra ir do ponto do tram até o museu, eu precisava descer uma escadaria e atravessar uma avenida. E aí que no meio da escadaria eu fui surpreendida por um mendigo com a bunda de fora, que virou seu esguicho de xixi em minha direção. Graças a dio, tive o reflexo de correr antes de ser atingida e, limpinha, decidi que aquilo era um sinal divino pra eu sair fora de museu e ir bater pernocas pela cidade velha. No tram de volta, um cara puxou papo comigo, e me disse que era ator, que a Polônia era só o começo, e logo eu veria ele em Hollywood. Quando eu desci, ele desceu comigo, e fomos batendo papo ao longo da principal avenida da cidade. Lá pelas tantas, coisa de 5 quadras e 10 minutos depois, ele me ofereceu cocaína. Eu demorei 1 minuto pra entender a oferta, e assim que a ficha caiu, bati rapidamente em retirada. Confesso que meu amor pela Polônia era mais forte que nunca... tenho um certo fascínio por gente genuinamente doida, e o país não estava deixando a desejar". Preciso nem dizer que nunca vi esse sujeito em Hollywood, né? 
Moral da história: a Polônia é linda, mas não é para principiantes - este Rei cansado que o diga
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E se continuar cavando, sai mais lembrança da minha cabeça. Quem sabe uma hora faço a parte dois desse post, porque tem história que merece. Como é bom relembrar viagem, né? Alguém me conta uma história por favor?

#chasurpresadagabi

Semana passada uma das minhas amigas de infância, que mora fora de SP, avisou que vinha na sexta participar de um curso e chamou pra jantar. Eu sempre topo. Só que chegou na sexta, eu estava com uma preguiça monstra. Super cansada, com o corpo dolorido até. Fui tirar um cochilo e não queria levantar nunca mais. Aí começou: minhas amigas mandando mensagem, me chamando pra ir por favor comer uma pizza na casa de uma delas, Mati tentando me por pra fora de casa, porque ele ia encontrar os amigos. Juro que não vi nada anormal na movimentação. 

Depois de muito enrolar, tomei banho e fui. A hora que abriu a porta da casa da minha amiga:
SURPRESAAAAA!
Pois é. Caí na pegadinha. Há 15 dias do casamento, minhas amigas de infância, da faculdade, da vida, se juntaram pra me fazer a melhor surpresa da vida. Uma despedida de solteira com direito à tiarinha de noiva, corações, drinks, presentes, bandeirinhas da Suíça - e os Alpes, vejam lá no mural - música boa, shot de gelatina com vodka, gargalhada e diversão. 

Varalzinho das memórias

A Suiça de giz

Bexigas e bandeirinhas <3

E shot de gelatina 
Mas vocês lembram que eu sou bagaceira, né? Então, já que estava na chuva, arrastei todo mundo pra Javali, minha balada favorita. Dançamos Justin Bieber, Madonna, rainha Bey, e teve ainda o momento Titanic:
Neaaaar, faaaaaar, whereeeeeeeever you aaaare


Suadas, desfocadas e no chão
No auge da balada, a polícia baixou lá pela primeira vez, e tivemos que encerrar mais cedo. Mas né... encerrar a Javali, minha gente. Porque já que me tiraram de casa, eu não estava pra brincadeira. E estávamos na Liberdade. E eu já disse por aqui que queria participar do X Factor, né? Pois é. 
Si aun piensas algo en miiiiiii... Sabes que sigo esperando teeee!

All the Single Ladies 

Tina e os Turners
É isso mesmo, fomos pra um karaokê. Eu me esbaldei de cantar tudo e mais um pouco, altas performances, danças sincronizadas. Tendo em vista o grau em que chegamos lá às 3h da manhã, devo dizer que garantimos a diversão do fim de noite do pessoal da casa. 
E pela diversão proporcionada, eles me deram um troféu (de prástico, na minha mão, rs)
E foi assim que cheguei em casa quase junto com o sol. Passei o sábado agonizando, porque não tenho mais saúde pra essas presepadas - e nem pra shot de gelatina com vodka - mas feliz da vida. Feliz pela comemoração, feliz pelas amigas maravilhosas que tenho, que não se furtam à passar vergonha comigo, que me amam com toda a força, mesmo diante da minha rabugisse, pelas mensagens de amor que chegaram até mim, por esse momento único que estou vivendo na minha vida.

Cenas Lamentáveis

Eu queria muito vir aqui falar do final de semana incrível que eu tive, mas infelizmente ainda estou impactada pelas cenas horrorosas da noite de ontem. Antes de seguir com minha humilde opinião, devo dizer que não sou petista, votei no PT somente em 2 oportunidades na vida (Suplicy <3 ) e nunca numa eleição presidencial. Acho o governo Dilma uma lástima, vejo ela como uma tamanha incompetente que não perdeu uma oportunidade de se afundar ainda mais. 

Disclaimer feito, digo que acho esse impeachment muito equivocado. Não porque dona Dilma não mereça, mas porque acho que a nossa democracia não merece. Somos uma democracia nova, que em 5 de outubro fará 30 anos. Tivemos um presidente que morreu, outro impedido e agora provavelmente um terceiro vice assumindo. Isso quer dizer que nesses 30 anos, tivemos 2 casos em que a pessoa eleita pelo povo pode governar durante seu mandato. Não vejo com bons olhos essa situação.

Vejo com menos bons olhos ainda um impeachment baseado nas tais pedaladas fiscais. Nem o STF se decidiu ainda se isso trata-se de crime de responsabilidade. E pior: nem é esse o ponto dos nossos parlamentares. Ontem percebemos bem que os nossos Congressistas estão cagando baldes para as pedaladas. Eu parei de assistir a votação quando deu 342 votos a favor do sim, mas até esse momento, TRÊS parlamentares tinham mencionado pedaladas fiscais e crime de responsabilidade em seus votos. TRÊS, entre quatrocentos e lá vai pedrada. Ah, e dois deles para votar contra. 

O que a gente viu ali foi um festival de gente agradecendo filhos, famílias, invocando o nome de Deus em vão. Os eleitores que os colocaram ali, nada. Um mixaria lembrou de falar "pelos eleitores que me colocaram aqui". Porque sim, essa é a ordem das coisas na cabeça dos nossos políticos: eu > minha família > meus cachorros > meus vizinhos > .... > abismo > meus  eleitores > resto da população. Nem vou me ater aqui ao presidente corrupto da Câmara ou ao demente que invocou o torturador da presidente no púlpito parlamentar, porque esses daí tinham que estar na cadeia há anos. Mas volto, ninguém ali estava preocupado com crime de responsabilidade, ninguém ali estava ligando pro impacto disso na democracia. O nível daquilo foi horrível, de chorar encolhido no canto. 

Considerando que há registros de que o partido do Vice vem se reunindo com deputados há mais de um ano para explicar o procedimento do impeachment, para arrebanhar votos, fica claro que as pedaladas foram só a desculpa e não motivação. Que a motivação é o inconformismo com o resultado da eleição passada. Que para chegar a esse resultado a oposição vem dificultando a governabilidade, ainda que isso signifique ferrar a população. Vocês já ouviram falar na pauta bomba, né? Pois é. Desde a eleição de 2014, a oposição vem votando para contrariar o governo, sem entrar no mérito do que é bom para o Brasil ou não. 

E diante desse quadro todo, eu não consigo pensar em primeiro lugar na ojeriza que tenho do PT. Não consigo. Eu não votei na Dilma, fiquei decepcionada com sua segunda eleição, mas defendo o seu direito de ser incompetente até o fim de seu mandato. No momento, penso somente que as nossas instituições estão seriamente ameaçadas, que a nossa democracia está seriamente ameaçada, que o nosso poder de voto está sendo castrado e que a longo prazo podemos sofrer consequências e retrocessos gravíssimos. 

Mas agora Inês é morta. Não interessa de que lado estamos, não há nada a festejar. Precisamos sim torcer, rezar, implorar, para que alguém lembre de nós. E que a gente olhe pra essa votação como espelho, e veja a merda que estamos refletindo por aí. 

No limbo

Embora ainda tenha 3 meses de Brasil pela frente, estou começando a me desconectar de algumas coisas aqui. O trabalho é a principal delas. Ainda não pedi demissão, só peço em meados de maio, mas minha cabeça já está fora. É muito difícil isso, porque está no dia a dia do meu escritório enxugar gelo, comprar brigas, se desgastar, treinar, batalhas de longo prazo, sabe? E eu simplesmente não consigo mais pensar a longo prazo dentro da empresa, né. Então tem sido muito difícil acordar todo dia, enfrentar o trânsito pra Alphaville, pegar o povo pela mão e andar pra frente. Mas estou tentando me concentrar e seguir, numa pegada tipo AA: cada dia a mais é um dia a menos.  

Da mesma forma, em casa tem várias coisas que estão ficando pra depois. Tem uma arara onde penduramos os casacos que está caindo aos pedaços, torta de ter que apoiar na parede, mas aí não da vontade de comprar outra, porque né... estamos vendendo coisas, e não comprando. Quebrei o refratário, mas seguindo a mesma lógica, também não compensa comprar outro. Alias, minha cozinha ta muito furreca, faltando vários utensílio, e seguimos sem, por tudo isso aí. Também gostei de uns livros outro dia, mas eram pesados, depois não teria como levar, melhor deixar pra lá.

Por outro lado, ainda não consigo me planejar muito com a Suíça. Tenho achado pouquíssimos blogs sobre a vida (e não o turismo) em Berna. Mandamos alguns questionamentos pra empresa de Mati, como o melhor bairro para um casal jovem, essas coisas, rs. Também começamos a fuçar sites de aluguel, mas ainda ta cedo. Provavelmente alugaremos algo em meio de maio, início de junho, já que o comum lá é disponibilizarem apartamentos entre 30 e 90 dias após a locação. Tenho olhado possíveis cursos, mas nada que possa se concretizar antes de chegar lá.

Ou seja: estou me desconectando aqui, mas ainda não estou me conectando lá. Estou num limbo! Saber que estou indo embora sem passagem de volta (definitiva, digo, porque já tenho passagem comprada pra vir ser madrinha num casamento) tem me trazido uma gama de sensações muito estranhas. Parece que minha vida esta on hold, sabe? Engraçado que quando fiz um intercâmbio não passei por isso. Mas acho que agora, saber que estou deixando tudo pra trás, que não tem hora pra voltar, que não virei retomar tudo de onde parei, está me deixando mais ansiosa. 

Pra não pirar, tenho tentado transformar esse tempo num limbo produtivo/criativo. Tem surgido tanta coisa na minha cabeça, que se deixar tenho assunto pra escrever no blog todo dia, rs. Também estou lendo mais, fazendo um novo curso no Coursera, trabalhando mil possibilidades pro meu futuro (já que quero tentar algo fora do Direito). Estou organizando meu casamento meio que diy (no que dá, né), fazendo várias coisinhas, e me distraindo com isso. E está funcionando, tenho me mantido ocupada, diria até que ocupada demais. Estou exausta, mas quando deito a cabeça no travesseiro, é difícil pegar no sono. Acho que é normal, né?

Apesar da loucura, estou amando me ver mais criativa, testando novas habilidades e mais focada em mim do que em trabalho. Apesar do pavorzinho de ver o portão pro mundo se abrindo ali na minha frente, tenho certeza que sairei por ele bem preparada.

Beco do Batman

O Beco é um dos cantos mais célebres da Vila Madalena. Desde os anos 80 que artistas pintam grandes murais nas paredes de uma viela, e a comunidade no entorno ajuda na manutenção do espaço. Não sei quando começou a ser assim, mas hoje em dia, a cada dois, três meses, tem arte nova por lá. Até uns anos atrás era meio underground, mas hoje está super na rota de atrações paulistanas e vive cheio de turistas e de blogueiras fotografando look do dia, rs. 

Esse domingo eu quis tirar o dia pra bater perna na Vila Madalena. Eu gosto muito de arte de rua, grafite e pichação e a Vila é um lugar ótimo pra isso. Começamos subindo a Inácio Pereira da Rocha, que tem alguns painéis. Por ali tem um grande cemitério, com vários políticos e artistas enterrados, além de esculturas bonitas. Demos uma olhada - em respeito a um item da lista - mas logo saímos dali porque definitivamente, xeretar cemitério não é pra mim (inclusive, botei na lista porque nunca tinha ido em cemitério aqui em SP, mas não preciso ir mais, haha). 

Descemos pra Rua Harmonia, onde tem a entrada da frente do Beco do Batman e aí é só beleza. Tem muita coisa bacana, desenho de artistas consagrados, como Paulo Ito, grafites com temática política, outras mais abstratas, tem de tudo um pouco. Pra quem está em SP, eu acho a Vila um baita programão. Tem muito restaurante gostoso, bar tranquilo, lojinhas legais, arte na rua e o Beco. Fica a dica e algumas fotos.
Um dos meus murais favoritos



Arte em progresso
#ViajoSozinha


Efemérides

Segunda-feira eu fiz 30 anos. Há um ano e meio escrevi este post, concluindo que estava pronta pros 30. Verdade que de lá pra cá eu relaxei nos exercícios, larguei a ioga, e vi meu desencanto com o Direito voltar aos pouquinhos. Mas também viajei bastante, conheci lugares novos, aprontei algumas presepadas, estou de casamento e mudança marcada.

Junto com o aniversário, parece que fui atropelada por um ônibus, ou que uma nuvem negra estacionou na minha cabeça. Antes de falar sobre a bad que se abateu sobre mim, acho válido dizer que os 30 na minha cabeça tinham um tamanho muito maior do que eles tem na minha vida. Eu não sei vocês, mas eu me acho uma garota rs. Mas uma garota com independência, maturidade e vivência pra saber que briga comprar, algum dinheiro na conta pra fazer minhas escolhas, enfim, dona do próprio nariz, de verdade.

Dito isto, devo dizer que passei o aniversário assustada. Não sei se foi o retorno de Saturno, se foram os astros do além, se foi a conjuntura do céu, terra, água e ar, ou o que foi, mas fato é que no domingo eu comecei a me sentir mal, triste, uma coisa que nem sei da onde veio. Um choro que saia dolorido de dentro de mim. Segunda feira eu queria morrer, mas não queria atender um telefonema, não queria ver ninguém, queria me trancar num quarto escuro e chorar o dia inteiro. E na medida do possível, foi isso que eu fiz. Parei de atender os telefones, de olhar o facebook. A rede no trabalho parou de funcionar, e foi a desculpa pra eu voltar pra casa mais cedo, me jogar no sofá e chorar até secar.

E então, aos poucos, a luz voltou. Aquela tristeza foi indo embora, a dor foi passando, e eu terminei o meu dia jantando, sorrindo e em ótima companhia. Eu não sei o que foi isso. Não entendi. Mas também, já desisti de achar que a gente tem que entender tudo... O que importa é que eu me sinto grata, muito grata, por tudo que tenho hoje, aos 30 anos. Pela família que me apoia, pelas amigas que torcem por mim, por ter encontrado um amor tão pleno, um companheiro que me faz tão feliz, por poder realizar meus sonhos, por viver um dia depois do outro. Me sinto grata, me sinto completa, e o melhor de tudo: me sinto a minha melhor versão, a de hoje, a de 30 anos.

Precisamos falar sobre a elite brasileira - Parte 2

"Era uma vez um cara rico, muito rico, da alta roda paulistana, casado com uma também bem nascida, ambos famosos nas colunas e redes sociais. Um dia o sujeito em questão enche a cara e vai visitar uma ~amiga~, às 6h da manhã. Chegando lá, ele faz uma barbaridade com o volante e, além de tombar o próprio carro (um veículo cujo valor de mercado gira em torno de 250 mil reais), ele quase dá perda total num carro X encostado na rua. O belo rapaz não quer que o dono do carro X faça BO, ou acione o seguro, faça nada, porque o caso não pode chegar ao conhecimento público, da mídia. De repente, todos os policiais e bombeiros que estão no local, somem. A criatura fica surtada de um lado pro outo cobrindo o rosto. Ele sai de cena e entra sua mãe, que, vendo a humildade das pessoas envolvidas, diz que vai pagar todo o prejuízo e faz algumas ameaças para que não seja lavrado o BO."

Essa história é real. Numa conversa casual, minha amiga me contou o ocorrido com o carro do marido e relatou que já fazia 12 dias, sem que tivessem recebido nada. Então eu resolvi assumir a coisa, como boa barraqueira advogada que sou. Depois de muita conversa com a Sra. socialite mãe do belo rapaz, algumas em tons mais amigáveis, outras não tão amigáveis assim, o assunto foi resolvido.

Algumas observações:
- a impressão é que os polícias que sumiram da cena, o fizeram a troco de algo;
- antes de eu me envolver no assunto, a mãe do menino mentiu pra minha amiga, dizendo que tinha comprado o carro que o menino dirigia com todo o esforço de uma vida, que não sabia da onde ia tirar dinheiro pra pagar o prejuízo. Só dar uma zapeada nas redes sociais que você vê a a Sra em questão, ou esposa do cara, carregando o valor de dois carros no look - ou seja, queria mesmo era enganar algumas pessoas e sair dessa história sem pagar nada;
- depois queria pagar o conserto até um certo valor, e não o valor total;
- o marido da minha amiga usa o carro para trabalhar, é vendedor. A princípio, a socialite não queria pagar o aluguel de carro reserva pelos 15 dias estimados para conserto. Depois de muita conversa disse que pagaria 50%. Diante da minha insistência no que é correto, soltou a célebre frase "Você deu foi sorte. Tem muita gente por aí que não paga nada". Tive que eu lembrar uma senhora, no alto de seus muitos anos, que não é porque todo mundo faz errado, que virou certo - e que ela não estava fazendo nenhum favor em pagar os prejuízos que o filho dela causou, e que não foram levados à seguradora por pedido deles;
- já disse que um marmanjo de quase 30 anos chamou a mãe pra limpar a sujeira? Se não disse, ta dito.

Eu já abordei esse assunto aqui no blog uma vez. Naquele post, minha reflexão foi sobre a atitude de adolescentes, seres humanos em formação, e a condescendência dos pais. E aqui a gente vê o resultado dessa educação sem limites, desse senso de merecimento sem fim que a nossa sociedade põe na cabeça de seus filhos, e que cria adultos irresponsáveis, incapazes de lidar com as consequências de seus atos.

Primeiro que esse sujeito poderia ter matado alguém. Ele, bêbado, perdeu o controle do carro numa rua movimentada, 6 horas da manhã, horário em que várias pessoas estão indo pro trabalho (inclusive minha amiga e seu marido, que viram tudo quase em tempo real). E quis fugir de sua responsabilidade simplesmente porque estava onde não devia estar, fazendo algo que não deveria fazer. Mas isso daí não é a vida? Assumir os próprios erros? Encarar as consequências?

Segundo: entendo uma mãe querer proteger o filho, mas que educação é essa? Em que você mostra ao seu filho que, porque tem dinheiro, ele pode tudo, que se dá jeito em tudo, que se compra todos e cala quem for preciso? Minha amiga e sua família ficaram apavorados. Eles simplesmente não lavraram um boletim de ocorrência, perderam o direito ao seguro, porque ficaram assustados com as ameaças recebidas. Ficaram receosos pela influência que essas pessoas tem, e porque o acidente foi na frente de sua casa - ou seja, eles sabiam onde moravam. E pergunto: é isso mesmo que você quer ensinar aos seus filhos? Que você amedronta as pessoas afetadas por suas atitudes irresponsáveis? O cara é casado, tem seus quase 30 anos e ainda resolvem as coisas assim, ou seja, passaram uma vida ensinando a criatura de que esse é o jeito certo de agir na vida.

Ah, e uma constatação: esse rapaz já esteve nas manifestações de domingo na Paulista contra tudo isso que ta aí, contra a corrupção do PT, contra essa corja que está acabando com o Brasil. Essas pessoas não olham pra si. Elas acham que o problema do Brasil são os outros. Não percebem que fazem a mesmíssima coisa. Acham que estão simplesmente se defendendo, e não percebem que estão defendendo interesses próprios da mesma forma que todos os políticos corruptos que temos. E pergunto: isso é ignorância? Não né. São pessoas que frequentaram as melhores escolas e tiveram acesso a tudo, e escolhem ser assim.

Por fim, só digo uma coisa: quem vê o garbo desse povo na Vogue e  no instagram não imagina o nível das barbaridades que eles falam por dinheiro. E eu que entrei nessa história achando que era uma barraqueira de mão cheia, saí dela me achando a personificação da elegância. 

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