Um feriado em Cartagena

Essa viagem foi uma coisa tão atípica, tão pouco turística, que acabei deixando o registro pra lá. Fato é que fomos, em 6 amigas de infância, celebrar a amizade, o novo momento que cada uma está vivendo, uma grande despedida e o turismo ficou em segundo plano. Mas Cartagena é MUITO encantadora, uma cidade linda, que merece muito uma visita e um registro. Como grande parte dos nossos dias resumiu-se a tomar sol e micheladas, vou fazer falar aqui sobre os pontos de destaque (positivos e negativos). 

Hotel Las Americas - a nossa casa nesses 4 dias. Já digo que recomendo vivamente! Nosso esquema era all inclusive, e depois da minha experiência em Cancun, eu não estava contando muito com ele para nada. Ledo engano. Comida gostosa, bebidas boas. Acabou que almoçamos no hotel todos os dias, e um dia jantamos também. O café da manhã era excelente - só precisava tomar cuidado com uns passarinhos pretos que ficavam rodando por lá de olho na comida. O hotel não fica na parte interessante, que é a Ciudad Amurallada, mas com taxi chega-se nela em menos de 10 minutos. Agora destaque mesmo vai pras piscinas. acho que tem umas quatro, todas grandes, três delas bem lindas de borda infinita. 
Nada mal, neam?
Comida - ponto altíssimo da viagem. Come-se muito bem em Cartagena! A comida do hotel, embora simples, era muito gostosa. Muito peixe e frutos do mar, temperos marcantes, molhos saborosos. E foi uma ideia do que encontraríamos pela cidade nos dias que se seguiram. Fomos a alguns restaurantes gostosos, sendo meu favorito o El Boliche Cebicheria. No meio de tanto restaurante com mesinhas pra fora, fiquei meio ressabiada com o restaurante fechado e de iluminação duvidosa. Mas que nada.. Comida deliciosa, atendimento simpático - e cheio de brindes e cortesias - e ainda um mojito de uva de chorar de alegria.

Ciudad Amurallada - é realmente o segredo de Cartagena. É linda de morrer e você não precisa mais que 5 minutos pra se apaixonar. Nos tempos da Colônia Espanhola, lá pra 1500, 1600, Cartagena era a cidade mais próspera da Colombia, e por isso alvo de diversos ataques piratas, e também dos britânicos e posteriormente americanos. Assim, construíram uma muralha no entorno da cidade, para protege-la. O Castelo imperial fica atrás da ciudad amurallada, ou seja: a muralha protege a cidade, que protege o Castelo. É onde está todo o interesse turístico de Cartagena: restaurantes, bares, museus, igrejas, etc. Nós fomos jantar lá alguns dias, e numa manhã alugamos bicicletas e fomos explorar a cidade. As fotos mostram:
A muralha que protege a cidade
De cima dela você vê a cidade. Essa foi a minha praça favorita, com esculturas de pessoas em tamanho real
Cores <3
As ruas de Cartagena
De frente pra minha arte favorita de Botero - e é claro que eu trouxe uma mini gordinha pra casa
Cores <3
Melhor idéia
Portas e Janelas de Cartagena - Não tem muito o que falar, só sentir.  Fiquei absolutamente encantada com tantas portas e janelas bonitas, floridas, bem cuidadas, saídas de um filme romântico.




Ponto Fraco - A praia em Cartagena é bem mais ou menos. Se a sua idéia é curtir férias caribenhas, recomendo considerar a Venezuela com Los Roques, o México com Riviera Maia, Costa Rica etc. Cartagena é apaixonante, mas não por suas praias. No porto ao lado da Ciudad Amurallada você pode pegar um barco que em uma hora te deixa numas ilhas supostamente  caribenhas. Fomos à Isla del Encanto, uma ilha onde há um hotel privado e você pode passar o dia desfrutando da estrutura e curtindo um mar azul. Verdade é que o passeio custou uns 50 dolares, e a praia era bem mais ou meninhos, percebemos que o mar era azul de photoshop, haha. A comida que vinha junto então, bem sofrida. Masss.. o que você faz quando você está numa ilha paradisíaca com suas bests? Isso mesmo, toma muitas micheladas e piña coladas. Era possível também fazer mergulhos, trilhas, etc. Mas o nosso espírito estava focado em falar bobagem, tomar uns birinights e aproveitar o sol. E assim fizemos.
Não exatamente a praia que te faz pegar 2 voos, né...
...O que não é exatamente um problema para quem tem amigas e drinks ;)
Alias, digo que tem uma praia, a Playa Blanca, que seria realmente paradisíaca e linda - e lotada e farofada. Não teve uma alma que disse que valia o passeio, e por isso abortamos a missão. Mas quem for, por favor me conte se realmente é isso mesmo.

Achei a cidade perfeita para passar 3 ou 4 dias, descansando, aproveitando a estrutura de um hotel gostoso. Se a idéia for ficar somente na Ciudad Amurallada, diria que 2 dias é bem suficiente para visitar e aproveitar tudo. Masss.. isso não significa que sair de lá não deixa dorzinha no coração. Pra começar que rola todo um clima Bahia de lugar praiano e histórico e marcante. As pessoas são muito simpáticas, a comida é deliciosa demais, é tudo envolvente, sabe? Pra quem leu "Amor nos Tempos de Cólera" do Gabriel Garcia Marques, então... é impossível não se imaginar dentro do livro, pelas ruas onde andava Florentino Ariza, na terra dos viceroys.

Foi minha primeira vez efetivamente na Colombia - no aeroporto de Bogotá já passei várias vezes, mas nunca tinha saído de lá - e fiquei bem curiosa para ver mais do país. A Colombia é muito rica em cultura, e tem investido pesado para se tornar um destino atrativo e seguro. Por tudo que vi em Cartagena, fiquei muito animada para conhecer Bogotá e, principalmente, Barranquilla, a cidade onde nasceu Shakira e onde tem um carnaval tão grande e animado quanto do Brasil. Quem sabe um dia, né?

E por mais que Cartagena seja linda e maravilhosa, essa viagem teria sido especial de qualquer forma. Não é todo dia que mais de 20 anos de amizade acontecem.
A viagem da amizade <3

Gabi Vende

Em março eu postei aqui um site que fiz especificamente para vender algumas coisas que já não cabiam mais na minha vida. Com a mudança se aproximando, no começo do mês eu atualizei o site e ía postar aqui, mas postei no facebook e vendi praticamente tudo que tinha lá em QUATRO horas. Não deu nem tempo de fazer o post, foi incrível!

Agora, atualizei com as últimas coisas. Portanto, quem tiver em SP e quiser comprar algumas coisinhas baratinhas: Gabi Vende. E quem vier aqui buscar algo, pode escolher livros à vontade, for free :)


Acordando do choque

Desde o dia 16 de junho fiquei num estado meio aéreo. Ao meio dia me despedi dos colegas que me acompanharam no trabalho nos últimos dois anos e alguns meses e fui pra casa, já aos prantos. Devo dizer que a sensação de sair assim de um emprego, sem mágoas, é ótima. Não estou indo para "uma empresa melhor", ou ganhar mais, ou de saco cheio. Estou indo viver uma opção de vida, e acho que justamente por isso a minha despedida não poderia ter sido mais bonita. Teve discurso, choro, homenagem. Pra ficar pra sempre na memória.

Chegando em casa, fomos andar de bicicleta, eu, Mati e baby. Passeamos cantando pela ciclovia, como sempre fazemos. E então paramos no parquinho, brincamos de gangorra, balanço, pega-pega, descemos o escorregador, e a minha ficha começou a cair pesado. Era talvez a última vez que estaríamos os 3 naqueles lugares. Nos arrumamos e fomos pro aeroporto, embarcar baby para sua vida longe de nós. Não vou me alongar muito, porque parece um filme de terror. As 48h que se seguiram foram do choro mais desesperado da minha vida. Nem dormindo tive sossego: ouvia barulhos no quarto do meu bebezinho, tive crises de choro e ansiedade, e pensei que a vida mal fazia sentido. 

Aos poucos as coisas começam a se pacificar dentro de nós. Saí de casa para dar uma volta, e voltei com quase 2 palmos de cabelo a menos. Precisava finalmente cortar e tirar todo o alisamento que sobrava na minha cabeça, e achei que era hora de exorcizar vida velha, viver vida e cabelo novo. Ainda estou acostumando, mas no fim, acho que foi positivo. 

Essa semana tem sido de empacotamento. Precisamos entregar o apartamento dia 27, segunda-feira que vem. Estou revisitando o passado em documentos, quinquilharias, cartões, fotos, bijouterias. Escolhendo o que vai pro lixo, o que vai pra Suíça, o que vai pra casa de outra pessoa. É uma tarefa cansativa e meio chata, mas quando você encontra uma cartinha que ganhou no aniversário de 2005 de uma amiga querida, é bem gostoso. Ou aquele cartão postal das amigas que viajaram juntas, que estavam vivendo um intercâmbio, etc. Dá uma nostalgia boa. Também estou encontrando presentes valioso para as amigas: fotinhos duplicadas, livros velhos, roupas que sei que elas gostam. Ta todo mundo saindo feliz daqui com presente.

Outra coisa que estou aprendendo é ficar sem fazer nada, rs. No domingo a noite, com a segunda dobrando a esquina, me deu um desespero. Me senti uma vagal, sabe. Como assim, não vou trabalhar, não tenho pra onde ir amanhã, não estou indo produzir? Chorei, disse pra Mati que isso era trashy, ao que ele respondeu: you have to learn to relax. E ele não poderia ter mais razão. Para essa nova vida, se tem algo que eu preciso aprender, é a relaxar e curtir o ócio, haha.

Em breve, com a vida toda em algumas malas, nos mudaremos. Só vamos pra Suíça dia 23 de julho, mas tinhamos que entregar o apartamento antes. E aí, um casal de amigos que está viajando nos fez a gentileza de deixar ficar em sua casa até irmos embora. Vai ser ótimo passar nosso último mês num lugar que tem A vista da cidade do meu coração, e que me da ares novos. Estou me recobrando do choque que foi a ruptura de uma vida: a vida em que eu chegava do trabalho, brincava um pouco, colocava bebe pra dormir, e depois assistia alguma série na tv. Quando baby não estava aqui, saíamos para jantar com amigos. Não tem mais trabalho, baby está longe, os amigos da vizinhança também foram embora do Brasil (e os que ficaram viajaram) e veja só... até minha TV foi vendida.
Mas é isso. Aos poucos estou voltando a sorrir, estou curtindo o momento, vendo a beleza das coisas, e me sentindo mais confortável. Passar esses dias em casa, curtindo Mateus, aproveitando o tempo, está começando a ser prazeroso. Além disso, ficar me lamentando e sofrendo pelos cantos não é muito meu perfil, prefiro focar nas coisas boas e tem muita coisa boa pra acontecer. Uma delas é: lua de mel. Sim, com atraso e tal, mas chegou, semana que vem vamos para um lugar bem lindo. Porque merecemos ser felizes :)

Para o amor da minha vida

Quando te conheci, você mal conseguia dar 3 passinhos sem tropeçar no próprio pé e cair. Você não falava nada, só fazia barulhinhos. Mas dava muitas risadas gostosas e tinha esses olhos curiosos atentos a tudo. Lembro da primeira vez que peguei você no colo: um corpinho pequeno e macio, aquela barriguinha enorme e fofinha, vontade de morder. 

Você virou meu melhor amiguinho. Eu te ensinei a te abraçar, a falar português, a chamar o papai de coxinha. Te ensinei a fazer bolinhas de sabão, a contar até 10, a fazer borboletas com as mãos. Junto com papai, fizemos potty party, poopy dance, te ensinamos a usar penico. Juntos aproveitamos todos os parquinhos de Pinheiros, andamos de bicicleta, fizemos caça ao tesouro, andamos de skate, pulamos na lama, tomamos banho de chuva. Juntos fomos à praia, cantamos até o interior, corremos atras das galinhas na fazenda. Brincamos de carrinho, de boneca, trocamos fralda de todos os animaizinhos da fazenda, de esconde esconde, e você sempre com o bumbum de fora do esconderijo. Construímos cidades de lego, lemos livrinhos, inventamos músicas e vivemos felizes na nossa tenda.  

E você, tão pequenininho, me ensinou o amor mais puro do mundo.  O amor que me fez ter noites em claro em quanto você tossia, que me fez passar 24h de coração apertado num hospital, que me fez abraçar você todas as horas que podia, que me fez sonhar com seu sorriso, que me fazia gostar das 7h da manhã, a hora que você vinha deitar na nossa cama e brincar de sanduíche. O amor de quem não colocou um filho no mundo, mas que colocou dentro do coração o filho que o mundo me deu.

E me despedir da nossa vida a 3 aqui foi - e está sendo - a maior dor que eu poderia viver. Olhar você entrar naquele embarque despedaçou meu coração. Voltar pra essa casa sem você me fez sentir que é hora de partir, porque ficar aqui sem o seu cheirinho não faz sentido. 

Eu sei que você vai ser muito feliz, e eu sei que eu também vou. Mas eu sei que seremos sempre mais felizes quando estivermos juntos, nós 3 somos um só coração. Como eu te disse todos os dias nesses seus poucos anos, você é o amor da minha vida, e sempre será. Perto ou longe, você sempre será um pedacinho da gente. O melhor pedaço. 

E não se esqueça: quando você olhar pela janela em Minesotta e estiver nevando, nós estaremos olhando para a neve na janela em Bern, e estaremos juntos.

Com muito amor,
Sua Gaga.

50 Questions Honestly Answered

1: What are you wearing?
Muitas coisas, ta um frio do cão. Calça preta, blusa listrada, cardigã vermelho, casaco cinza por cima de tudo, meias de natal de lã,  e botas. 

2: Ever been in love?
Yes! 

3: Ever had a terrible breakup?
Sei lá o que é terrible, hahaha.. Mas quando voltei dos EUA, foi extremamente dramático largar o amor da minha vida (só que não) pra trás, "sem motivos", gostando dele, rs. 

4: How tall are you?
1,69

5: How much do you weigh?
Não sei ao certo, porque ando com medo de me pesar, mas em torno de 60kg.

6: Any tattoos?
Três e a quarta (e talvez quinta) a caminho. 

7: Any piercings?
Já tive dois. Sumi com eles há anos, pra manter a moral, rs.

8: One True Pairing?
Blair Waldorf & Chuck Bass. #judgeme

9: Favorite show?
Sex and the City

10: Favorite bands?
Foo Fighters, the Strokes, Whitest Boy Alive, Smiths

11: Something you miss?
Dias de verão na piscina com Mati e Baby.

12: Favorite song?
Acho que Beija Eu da Marisa Monte, mas tenho dúvidas. Sou péssima pra rankear coisas. 

13: How old are you?
30.

14: Zodiac sign?
Áries.

15: Quality you look for in a partner?
Parceria incondicional.

16: Favorite Quote?
"You think you know yourself... you have no idea". Na verdade não sou muito de lembrar frases, mas essa é uma que eu gosto muito. 

17: Favorite actor?
Daniel Day Lewis

18: Favorite color?
Azul marinho. 

19: Loud music or soft?
Loud quase sempre.

20: Where do you go when you’re sad?
Dormir.

21: How long does it take you to shower?
Se não for lavar o cabelo, uns 5 minutos. Se lavar, 10. A crise hídrica em SP me reeducou.

22: How long does it take you to get ready in the morning?
20 minutos.

23: Ever been in a physical fight?
Putz, não sei se foi uma fight, rs. Mas dei um soco num babaca da minha sala que me desrespeitou.

24: Turn on?
Barba.

25: Turn off?
Machismo, misoginia, homofobia.

26: The reason I joined Blogger?
Queria documentar algumas coisas, escrever mais, interagir com pessoas que talvez não encontrasse pela "vida real".

27: Fears?
Morte violenta ou precoce, tanto a minha, quanto daqueles que amo.

28: Last thing that made you cry?
Explicar pro meu baby que estaremos longe. Tenho chorado todos os dias, e todas as horas que não estou ocupada.

29: Last time you said you loved someone?
Hoje de manhã.

30: Meaning behind your Blog Name?
Da janela você vê, mas também é vista. Você julga, mas também é julgada. 

31: Last book you read?
#GirlBoss

32: The book you’re currently reading?
O pintassilgo.

33: Last show you watched?
American Crime Story

34: Last person you talked to?
Karol, uma das minhas assistentes.

35: The relationship between you and the person you last texted?
Se for pra contar só SMS, rs, foi minha terapeuta. Já no whatsapp foi Matinho que largou uma bagunça no meu carro e tomou pito hoje cedo, rs.

36: Favorite food?
RAW. Adoro tudo que é cru: kibe, ceviche, sushi, carpaccio.

37: Place you want to visit?
Paris.

38: Last place you were?
Pariquera, visitando meus pais.

39: Do you have a crush?
Sim. Mati, meu #forevercrush

40: Last time you kissed someone?
Hoje de manhã. 

41: Last time you were insulted?
A última vez que tomei conhecimento acho que foi o dia do babaca.

42: Favorite flavor of sweet?
Doce azedinho, tipo mousse de maracujá, cheesecake.

43: What instruments do you play?
Nenhum. Já fui uma exímia pianista, hoje não sei nem tocar o bife.

44: Favorite piece of jewelry?
Anéis.

45: Last sport you played?
Esconde esconde é esporte? Rs...

46: Last song you sang?
Addicted to Drugs, do Kaiser Chiefs. Aos berros, sempre.

47: Favorite chat up line?
Hello Stranger

48: Have you ever used it?
Pior é que já hahaha.

49: Last time you hung out with anyone?
Quinta passada saí pra jantar com amigos.

50: Who should answer these questions next?
Quem tiver vontade :)

*Vi a TAG no blog da Paula e adorei. Quem resolver responder, posta aqui depois pra gente olhar!

Das coisas que não sentirei falta #1

Faz 5 graus na rua. Faz 8 graus dentro de casa. 

Sai água gelada da torneira. Tirar a roupa pra tomar banho é considerado tentativa de suicídio pela polícia. Lavar o rosto de manhã é como entrar num lago congelado. A cama, que deveria ser um lugar quentinho, é uma pedra gelada na qual a gente deita. 

Definitivamente não sentirei falta de andar pela casa com calça, meia, casaco e toca. 
E nem de me sentir assim ao lavar louça

Casamento Low Budget

Hoje em dia o mercado de casamentos aqui no Brasil está completamente fora da realidade. As pessoas entraram numa neura de como tem que ser um casamento, do que tem que ter, e as empresas entraram no clima de esbanjação total. O céu virou o limite. 

Quando começamos a pesquisar sobre o nosso, eu quase desistir. Resolvi que o melhor mesmo seria comer uma pizza depois do cartório, porque era tudo absurdamente caro. Inviável para alguém que paga aluguel, que está mudando de país, gastar 50 mil - no mínimo - numa festa íntima. Juro que as coisas começam aí. E no fim a gente fez um casamento, sem modéstia, lindíssimo, sem passar 1 real do budget (que não chegava nos dois dígitos). Por isso, vou compartilhar algumas coisas aqui, pode ser útil pra alguém que esteja querendo fazer algo parecido - e pra quem pediu mais fotinhos do nosso dia, vou colocar algumas :)

Reafirmo o que sempre digo aqui: é a minha experiência, sem verdades absolutas.
* * *

Primeira pergunta: o que você quer pro seu casamento? Quer uma festa, uma balada, um almoço no campo? Acho que ter isso em mente é muito importante. Vai impactar na sua lista de convidados, se vai ser de dia ou de noite (e em consequência no preço do local, que é mais caro para a noite), etc. Nós queríamos uma celebração pós cartório que tivesse a ver com a nossa vida, um almoço para reunir quem amamos. Queríamos que fosse em Pinheiros, ir a pé de casa, que tivesse a ver com a nossa história e o nosso estilo de vida, que fosse simples e charmoso. 

Definir a lista -  esse é o item crucial para determinar todos os gastos do casamento. Nós optamos por chamar somente as famílias. Eu preferi assim, porque não queria escolher entre meus amigos. Mesmo contando somente o grupo mais seleto e chegado, se for considerar os +1, a minha lista aumentaria em no mínimo 20 pessoas. Assim, fechamos a nossa lista na família próxima: pais, irmãos, avós, tios e primos super próximos. Sei que teve gente da família que ficou chateado, mas paciência. Mati tem pouca família, vieram os pais e a irmã, mas ele tem a família dele aqui - os amigos que nesses 5 anos deram toda a força e suporte. E assim, fechamos a nossa lista em 30 convidados.

Local - com a lista em mãos, procuramos locais que fariam sentido pro conceito de casamento que queríamos e que comportasse 30 pessoas com conforto. Pedi alguns orçamentos, e na hora de ver o que valia a pena, sempre fazia a conta por convidado. Tem todo tipo de negócio: só local e buffet a parte, local com buffet incluso, etc. Eu queria ter que lidar com o mínimo de fornecedores possíveis - isso barateia e dá menos trabalho, já que parte da economia está em não contratar assessoria (o que mal faz sentido quando se fala num casamento mini). Assim, fechamos o Vila das Meninas, um restaurante na nossa rua que adoramos, frequentamos, tem relação com a nossa vida, e que além de lindo é delicioso. 
E tem esse corredor <3
Convites - rapaz do céu, fiquei chocada com os preços de convites. A gente precisava de 20 convites, e teve fornecedor que me fez orçamento de 980 reais, rs. Ridículo, né? Pra complicar, queríamos duas versões, uma inglês e outra em português (ou seja, seria como 980x2, porque esse era o preço para o mínimo de convites). Fui à uma loja de papeis especiais, comprei o papel e os envelopes. Mati fez o design e imprimiu numa impressora à laser. Devo dizer que não custou 150 reais, rs. Ficou como queríamos, recebi vários elogios e ainda sobrou papel e envelope suficiente pra gente fazer as etiquetas das lembrancinhas e depois enviar cartões de agradecimento pelos presentes. 

Decoração - quando comecei a procurar o local, era pré requisito que ele fosse charmoso justamente para não ter que gastar com decoração. A do Vila é bem do jeito que eu gosto: madeira, objetos charmosos, clima de casa arrumada porém despretensiosa, rs. Assim ficou fácil: tudo que eu precisava era vasinhos para as mesas. Quando digo que o número de convidados influencia em tudo, é isso: quantas mesas você vai precisar? E então, quantos vasos pras mesas? Eu gosto de flores do campo, e com isso em mente, ao invés de chamar uma decoradora, eu mesma fui à loja, escolhi os vasinhos e as flores. A ideia inicial era eu mesma montar os vasos em casa na véspera, mas então chequei o preço e a montagem+entrega no restaurante pela própria loja e ficava em R$150 reais. Compensava pagar. Eu comprei os vasos, que eram pequenos, mas não teria o que fazer depois com 25 vasinhos, certo? Assim, defini que eles seriam a lembrancinha. Todo mundo levou um vaso lindo pra casa, e pra gente foi um item a menos na lista. 
Lembrança com etiqueta feita pelo Matt

Bolo e doces - no menu contratado com o Vila servia sobremesa, assim já dispensei doces de cara, uma preocupação a menos. Pedi alguns orçamentos de bolos e devo dizer que teve gente que nem me respondeu, porque não trabalha com coisas pequenas. Eu queria um bolo simples mas bonito e gostoso. Fomos fazer a prova, escolhemos como seria, e depois eu confiei. Acabou sendo um pouco mais caro do que queríamos pagar, mas valeu a pena. Além de lindo, estava divino de gostoso, e eu congelei o que sobrou, estou comendo até agora e ele segue fofinho. Minha mãe queria um cento de bem casado. Como era só um cento, não tinha volume, percebi pela pesquisa que não ia achar muita variação de preço. Esse é outro ponto de um casamento pequeno: baixa quantidade faz com que você trabalhe sempre no mínimo das pessoas, é difícil pechinchar. 

Bebida - fechei para o restaurante servir cervejas, refrigerantes, sucos e caipirinhas. Mas queria muito fazer um brinde - e eu adoro um espumante - então definimos que teríamos umas garrafas. Como pra isso teria que pagar rolha pro restaurante, fui atrás de um espumante de qualidade com preço amigo. Acabei pesquisando em várias adegas no google, rs, e paguei um preço muuuuito bacana por um espumante excelente. 

Música e Fotografia - a música foi playlist nossa, com tudo que gostamos de ouvir e que tem significado em nossa vida. Fizemos e Mati foi lá deixar no jeito antes de irmos pro cartório. A fotógrafa foi uma amiga mais que querida. Eu não queria ter estranhos no meio de uma celebração tão íntima, e sou sortuda a ponto de ter uma amiga fotógrafa talentosíssima, que ficou tão honrada com o convite que fotografou no amor. E as fotos estão essas lindezas aí. 

Dica final - contratar pessoas em quem você sinta confiança. Conversei com todas as pessoas envolvidas nas questões acima. Fizemos prova de menu do restaurante, prova do bolo, e conversei muito com os responsáveis. Como eu não teria assessoria, as coisas seriam entregues no dia do casamento e eu só veria na hora, eu precisava confiar neles, confiar que sairia como eu queria. E eu confiei. As flores foram entregues no Vila e a própria equipe de lá se encarregou de colocar nas mesas e estantes. O bolo eu vi na hora e estava mais bonito que eu imaginei, assim como os vasos de flores, que estavam lindíssimos.

Mas e aí Gabriela, você não jogou o buque? Então... Pra ter os amigos presentes nesse dia sem ter que escolher quem ia, nós marcamos uma baladinha à noite no Secreto. É um clube que adoramos, vamos muito, tem tudo a ver com a gente. Assim pude chamar todo mundo que eu sei que estava mandando boas vibrações, que gostaríamos de abraçar nesse dia especial. Mandei a lista pra todo mundo entrar num esquema bom, e voilà. Dançamos até amanhecer, joguei buquê, foi lindo!

Moral da história: da sim pra fazer um casamento muito lindo sem se endividar, sem gastar mais do que deve. O que você vai precisar é parar de achar que tudo tem que seguir a forma clássica de casamento. E também,  fazer escolhas. Me questionaram sobre "fazer casamento na balada". Ou sobre não ter mesa de doces. Ou sobre não chamar nem as minhas melhores amigas pra cerimônia. E eu resolvi bancar minhas decisões, porque estava segura do que queria, e principalmente, do que podia. Não me arrependo de nada. Será pra sempre o melhor dia da minha vida <3

* * *

Festival Path

Ano passado andando aqui pela vizinhança vi um monte de gente andando com credenciais, e percebi que o fervo estava ali no Instituto Tomie Ohtake. Quando esse ano vi anúncios do Festival Path na internet logo associei aos banners que vi ano passado, e fui lá ver do que se tratava. 

O slogan do festival é "antes de transformar, transforme-se". Na prática oferece palestras, workshops, exposições, exibição de filmes e shows, tudo com foco em inovação, criatividade, empreendedorismo, sustentabilidade. Eu, que estou num momento de transição total da vida, mudando de país e querendo mudar de carreira, achei que era um sinal pra eu ir lá aguçar meus instintos. Comprei o ingresso que dava acesso às mais de 180 palestras.  A exposição e os filmes eram de graça. Os shows aconteciam em praças próximas de graça durante o dia, e num local fechado durante a noite. Pra quem quis, dava pra comprar ingresso somente para os shows ou um completão que englobava tudo.
Show na praça - e na frente de casa <3

A oferta de palestras era imensa, várias coisas interessantes. Tinha coisas voltadas para start ups, gamers, desenvolvimento e relacionamento com a cidade, novas formas de negócio, novos rumos do marketing, empoderamento, etc. Aqui tem a lista completa dos palestrantes fodas que passaram por lá e dos assuntos abordados. As palestras aconteciam simultaneamente no Tomie Ohtake, no Centro Cultural Rio Verde, no Teatro Cultura Inglesa, No museu A Casa, na Fnac de Pinheiros. É tudo pertinho, pra se ir andando entre uma palestra e outra. Mas o tempo entre elas era de 15 minutos, algumas formavam fila, então não vi exatamente as coisas que eu tinha planejado, o que não foi um problema. A ideia era abrir a mente, e tudo o que eu vi me levou pra isso. 

O primeiro item da minha agenda foi uma mesa de discussão sobre transição de vida. Providencial, não? Ouvi muitas coisas que eu já sabia, mas ouvir de gente que sentiu algumas coisas que eu sinto, e chegou lá, se deu bem, foi de certa forma tranquilizante e energizante. Mas tiveram algumas considerações que eu não tinha feito, e que me prepararam para absorver tudo que teve nesses 2 dias de festival de outra forma. Alias, a melhor delas foi uma metáfora entre transição de vida e uma caminhada no deserto. O que você precisa levar? A sua mochila tem que ter recursos o suficiente pra você não precisar voltar pra casa, mas não pode ser tão pesada que você não consiga carregar, ou tão cheia que não caibam coisas que você encontre pelo caminho. Enfim, parte da discussão foi desenvolver esse mote, o que você precisa entender, como se preparar, resiliência e paciência. Tudo que acabou esclarecendo sentimentos que tenho mas não entendia. 

Ao todo assisti 7 palestras em diferentes áreas, mas que trouxeram muita coisa nova pra dentro da minha cabeça. Eu absorvi cada gota do que foi passado, porque são coisas bem fora do meu dia a dia, e eu estava sedenta por novidades. Selecionei um conteúdo variado sobre marketing, moda e empreendedorismo, e a grande mensagem que recebi de tudo que eu ouvi foi basicamente: vá tentar.

Gente que transformou a própria casa num negócio rentável, que mudou o entorno, que participou de campanhas super relevantes. Uma estilista holandesa que cria roupas tecnológicas com utilidades e design interessante. Uma das mentes por trás daquela campanha maravilhosa de Dove. Novas formas de fazer e consumir moda.
Uma das minhas favoritas: wearables por Pauline van Dongen
 Além desse sopro de inovação e energia que recebi, devo dizer que o festival é frequentado por uma galera muito vibe boa, sabe. Pessoas que puxavam conversa, davam dicas, trocavam insights e ainda mandavam boas vibrações pro futuro. Diria que o Path é um micro cosmo do mundo ideal: pessoas interessantes e gentis, que respeitam o ambiente e o outro, a "cidade" com mobilidade, em que o coletivo impera.

Saí do Path com energias renovadas, com a esperança de que eu vou me encontrar, seja na Suíça ou onde for. Pra mim foi uma experiência tão poderosa, que acredito que os efeitos desses 2 dias serão sentidos por mim ao longo da minha vida. Eu aprendi que não só há muita vida fora dos escritórios, como também que deve haver lugar pra mim. 

Follow @ Instagram

Back to Top