Acordando do choque

Desde o dia 16 de junho fiquei num estado meio aéreo. Ao meio dia me despedi dos colegas que me acompanharam no trabalho nos últimos dois anos e alguns meses e fui pra casa, já aos prantos. Devo dizer que a sensação de sair assim de um emprego, sem mágoas, é ótima. Não estou indo para "uma empresa melhor", ou ganhar mais, ou de saco cheio. Estou indo viver uma opção de vida, e acho que justamente por isso a minha despedida não poderia ter sido mais bonita. Teve discurso, choro, homenagem. Pra ficar pra sempre na memória.

Chegando em casa, fomos andar de bicicleta, eu, Mati e baby. Passeamos cantando pela ciclovia, como sempre fazemos. E então paramos no parquinho, brincamos de gangorra, balanço, pega-pega, descemos o escorregador, e a minha ficha começou a cair pesado. Era talvez a última vez que estaríamos os 3 naqueles lugares. Nos arrumamos e fomos pro aeroporto, embarcar baby para sua vida longe de nós. Não vou me alongar muito, porque parece um filme de terror. As 48h que se seguiram foram do choro mais desesperado da minha vida. Nem dormindo tive sossego: ouvia barulhos no quarto do meu bebezinho, tive crises de choro e ansiedade, e pensei que a vida mal fazia sentido. 

Aos poucos as coisas começam a se pacificar dentro de nós. Saí de casa para dar uma volta, e voltei com quase 2 palmos de cabelo a menos. Precisava finalmente cortar e tirar todo o alisamento que sobrava na minha cabeça, e achei que era hora de exorcizar vida velha, viver vida e cabelo novo. Ainda estou acostumando, mas no fim, acho que foi positivo. 

Essa semana tem sido de empacotamento. Precisamos entregar o apartamento dia 27, segunda-feira que vem. Estou revisitando o passado em documentos, quinquilharias, cartões, fotos, bijouterias. Escolhendo o que vai pro lixo, o que vai pra Suíça, o que vai pra casa de outra pessoa. É uma tarefa cansativa e meio chata, mas quando você encontra uma cartinha que ganhou no aniversário de 2005 de uma amiga querida, é bem gostoso. Ou aquele cartão postal das amigas que viajaram juntas, que estavam vivendo um intercâmbio, etc. Dá uma nostalgia boa. Também estou encontrando presentes valioso para as amigas: fotinhos duplicadas, livros velhos, roupas que sei que elas gostam. Ta todo mundo saindo feliz daqui com presente.

Outra coisa que estou aprendendo é ficar sem fazer nada, rs. No domingo a noite, com a segunda dobrando a esquina, me deu um desespero. Me senti uma vagal, sabe. Como assim, não vou trabalhar, não tenho pra onde ir amanhã, não estou indo produzir? Chorei, disse pra Mati que isso era trashy, ao que ele respondeu: you have to learn to relax. E ele não poderia ter mais razão. Para essa nova vida, se tem algo que eu preciso aprender, é a relaxar e curtir o ócio, haha.

Em breve, com a vida toda em algumas malas, nos mudaremos. Só vamos pra Suíça dia 23 de julho, mas tinhamos que entregar o apartamento antes. E aí, um casal de amigos que está viajando nos fez a gentileza de deixar ficar em sua casa até irmos embora. Vai ser ótimo passar nosso último mês num lugar que tem A vista da cidade do meu coração, e que me da ares novos. Estou me recobrando do choque que foi a ruptura de uma vida: a vida em que eu chegava do trabalho, brincava um pouco, colocava bebe pra dormir, e depois assistia alguma série na tv. Quando baby não estava aqui, saíamos para jantar com amigos. Não tem mais trabalho, baby está longe, os amigos da vizinhança também foram embora do Brasil (e os que ficaram viajaram) e veja só... até minha TV foi vendida.
Mas é isso. Aos poucos estou voltando a sorrir, estou curtindo o momento, vendo a beleza das coisas, e me sentindo mais confortável. Passar esses dias em casa, curtindo Mateus, aproveitando o tempo, está começando a ser prazeroso. Além disso, ficar me lamentando e sofrendo pelos cantos não é muito meu perfil, prefiro focar nas coisas boas e tem muita coisa boa pra acontecer. Uma delas é: lua de mel. Sim, com atraso e tal, mas chegou, semana que vem vamos para um lugar bem lindo. Porque merecemos ser felizes :)

8 comentários:

  1. Ai Gabi... é difícil e traumático mesmo, mas acho que você tá tendo a atitude certa, de focar no positivo, focar nas coisas boas! A vida infelizmente é assim, cheia de escolhas e renúncias, e cabe a nós lidar com isso da melhor maneira possível, né? Adooooro revirar cartinhas e cartões guardados, não jogo nada fora (R. fica doido!).

    E que legal que vai ter lua-de-mel, que delícia! Curtam muito!!!! :)

    ps.: queremos ver cabelo novo!

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    1. Pois é.. lidar com nossas escolhas já é difícil, com a dos outros é pior ainda, rs. Mas seguimos positivos.
      Eu também não sou de jogar as coisas fora, o que agora foi legal, porque estou vendo todos os convites pros casamentos que fui, cartinhas, etc. Mas to com dor no coração, haha.. porque agora não tem escolha, tem que jogar!

      Em breve posto alguma foto que dê pra ver o cabelo, ainda estamos nos entendendo, rs. Beijos!

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  2. Nossa, Gabi, tá chegando a hora! É muita emoção acontecendo em pouco tempo, né? Mas vai dar tudo certo!
    Ah, vc vai fazer um brechozinho ou não vai dar tempo? Se for fazer, me chama!
    Põe foto do cabelo novo! ;)
    Beijos!!

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    1. Falta menos de um mës, acredita?! Ana, eu tinha postado um site aqui meses atrás, e atualizei ele. Vou postar de novo o link, mas segue aqui: https://gabivende.wordpress.com/

      Beijos

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  3. É de partir o coração essas coisas, você tá passando por uma avalanche de sentimentos e mudanças, segue um abraço virtual pra você, Gabi <3
    O segredo mesmo é focar nas coisas boas e ser otimista que vai tudo ficar nos conformes!!
    Sou dessas também que precisa de 'cabelo novo' pra novas fases, haha parece que dá uma leveza maior, não é? :)
    E boa lua de mel pra vocês, aproveitem muitão!
    Beijo

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    1. Eu sou dessas que em épocas de mudanças, precisa mudar algo, não sei bem qual a psicologia por trás, mas me faz bem, rs. Mas está tudo começando a se encaixar, em tempo. Só estou exausta de empacotar hahaha.. não acaba nunca.
      Obrigada pelo carinho - é virtual, mas sempre chega. Beijos!

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  4. gabi, ao mesmo tempo em que pra mim vc ta vivendo 'o sonho', sei que esses fechamentos nunca são fáceis, especialmente a ida do baby. mudanças são sempre difíceis. hang in there, querida. de novo.
    xx

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    1. Paulinha, as vezes penso que o sonho vai começar, mas que agora é tudo meio bitter, sabe. Embora esteja empolgada, estou sentindo bastante a mudança. Mas nada que a gente não supere de frente pros Alpes, né? Beijos!

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