Lauterbrunnen

Nessas primeiras semanas nós ficamos com os finais de semana bem livres porque Mateus ainda não estava trabalhando pra valer. Além disso, até nos mudarmos pro nosso apartamento, estávamos num mini quarto de hotel, o que é insuportável pra ficar por mais tempo que o necessário pra dormir. E aí que acabamos botando o google pra funcionar e achamos muuuitas coisas legais pra fazer por aqui. 

Num domingo ensolarado resolvemos ir pra Lauterbrunnen, uma cidadinha mini nas montanhas, mais conhecida por estar aos pés do Jungfrau, uma das principais montanhas alpinas - e onde fica a ferrovia mais alta do mundo. Daqui de Bern a viagem é de 1h, saindo da Hauptbahnhof. Você vai num trem direto pra Interlaken, e lá pega outro que dura uns 15 minutos até Lauterbrunnen. Só a viagem no trem já é linda, com o Thunersee (vulto Lago Thun) encantando pela janela, e depois com os Alpes se aproximando. 
No caminho de Interlaken para Lauterbrunnen
Quando descemos do trem, eu fiquei meio em choque. A cidade é uma pintura. A grama muito verde, as casinhas subindo o morro, os Alpes nevados ao fundo, várias cachoeiras ao alcance dos olhos. Uma coisa meio assim:


Tínhamos lido sobre a cachoeira Trümmelbachfälle (repita comigo), e a ideia era ir até ela, mas chegamos na cidade e saímos andando aleatoriamente, sem nos preocupar com um roteiro, nada. Seguindo o povo que caminhava, chegamos na Staubbach Fall, uma cachoeira que você vê assim que põe os pés na cidade. Tem uma trilhinha de uns 10 minutos que te leva numa caverninha embaixo da cachoeira - você não vê ela, mas sente os pingos molhados - e vê sim a cidade e as montanhas. 
Staubbach Falls
Descemos, e num pitstop pra água uma menina falou: não deixem de ir para Trümmelbach. Vocês vão se arrepender se não forem. Então, achamos por bem seguir até lá. Uma das boas coisas da Suíça, é que você pode beber água das fontes na rua (e das torneiras em casa). Toda água vem das montanhas, é limpíssima. Então quando você estiver com sede, sem água, e vir uma fonte: BEBA. Hahaha..
O caminho é muito bem sinalizado, e você só precisa ir seguindo as plaquinhas e admirando a paisagem. Olha... É de babar. Eu nunca fui da caminhada, do hiking, nada disso. Mas enquanto andávamos por esse caminho, falei pra Mateus que teremos que nos render. As paisagens da Suíça são de tirar o fôlego, e é um desperdício morar num lugar desse e não tirar proveito máximo. Vejamos qual é o caminho para Trümmelbachfälle:

Dá pra ver o paraglider?
Chegamos no site da cachoeira mortos de sede. O calor tava de matar, foi o dia mais quente e claro que pegamos desde que chegamos. Tomamos uma água e fomos seguindo pra cachoeira. Não sabíamos, mas a subida pra queda d'água custa 11 francos. Alias, nós não sabíamos absolutamente nada sobre a cachoeira, e por isso mesmo acabamos ficando tão impressionados. Depois que você paga, você pode pegar um elevador ou subir de escada. Fomos de elevador, e chegando lá em cima você vai entrando numa caverna, e SURPRESA



Não é uma cachoeira qualquer... É a água derretendo diretamente de uma geleira, passando por dentro de cavernas. Nesse ponto a água está a menos de 1 grau, ou seja, acabou de derreter mesmo. Eu fiquei de cara, porque não esperava isso, e é sensacional. A estrutura te permite estar no meio do "furacão".
Tirei uma foto da explicação, onde aprendi que aquela força toda é de 20 mil litros por segundo. Pois é... A queda de Trümmelbach vem do degelo de três montanhas alpinas, e é um colosso. O barulho lá dentro é imenso, é frio, as paredes da caverna são geladas, mas você fica imune a tudo isso, babando na força da natureza.

Descemos e pegamos um ônibus de volta para o centrinho de Lauterbrunnen. Embora a caminhada seja lindíssima, queríamos pegar o trem e jantar num picnic de frente pra um dos lagos em Interlaken. Foi o que fizemos, no Briensee. Interlaken, como o nome sugere, fica entre os lagos Thun e Brien. Terminamos o nosso dia tomando um vinhozinho com essa vista.
Ta difícil não cair de amores por essa Suíça, viu... 

Não era amor, era: CILADA

Há alguns anos a idade veio chegando e com ela meu interesse por decoração. Agora, a menos que você seja rico, no Brasil é bem difícil achar coisas legais pra casa por preços pagáveis. 

Por isso, meu sonho de consumo era mobiliar uma casa na Ikea. Sim, podem rir da minha cara, rs... Mas eu sonhava com o dia em que eu iria lá e compraria meus objetos de qualidade duvidável porém com um design super ajeitadinho e seria feliz pra sempre. Não costumo trocar qualidade por aparência, mas fato é que com o dinheiro que eu tinha, comprar móveis de madeira de lei, coisa fina, nunca foi uma realidade. Então eu queria ao menos o design, né?

E aí que junto com a notícia que tínhamos conseguido o nosso apartamento veio a necessidade de fazer nossa primeira compra para casa. Nos mudaríamos na segunda, para um apartamento pelado. Então precisávamos ao menos de coisas básicas. E assim, eu fiquei toda animadinha e lá fomos nós pra Ikea, um sonho que se tornava realidade. 

Minha gente.. que balde de água fria hahaha. Dado momento Mateus veio até me perguntar porque eu estava tão amuada, rs. Os preços são realmente bons, tem muita coisa bonita (e várias nem tanto), a qualidade de muitas coisas é deveras questionável, mas tem também as coisas boas (e que custam beeem mais). Mas aquele lugar é imenso, com trocentas mil crianças cansadas fazendo birra pelo caminho. Aquele deita levanta de colchão em colchão... Meu pai amado. Aquilo não é pra mim. 

Nessa primeira visita - que durou 3 horas - compramos, como eu disse, o básico: colchão, talheres, algumas panelas, tábua pra cortar, toalhas, lençóis, edredom, luminária, mesa e cadeiras pra varanda (para podermos comer nesses primeiros dias, já que precisávamos medir o espaço da sala para então ver a mesa de jantar). Nós ganhamos de uns amigos de Matt que moram aqui perto um jogo de pratos e tigelas, o que já facilitou a vida. Com essas coisas, nossa ideia era passar os primeiros dias, medir a casa direitinho, para então voltar e comprar o grosso das coisas. 

Como Matt teve uma brecha no trabalho uns dias depois da mudança, voltamos lá para dar andamento na concretização do lar, doce lar. Gente... SEIS FUCKING HORAS. Eu brinquei até que fomos sequestrados pela Ikea, rs. Mas foi isso, ficamos 6 horas dentro daquela loja, comprando sofá, guarda roupa, tábua de passar, cortina de banho, tapetes, mais panelas, lustres (porque nem isso vem no apartamento), mesa, utensílios, etc. Compramos até plantas, rs. 

Mas sabe o que é pior? Que depois que você paga, a tristeza não acaba. Foi aí que eu senti uma falta danada do Brasil e da TokStok hahaha... Vocês imaginam o que foi carregar um sofá de 3 lugares dois andares acima? Euzinha da silva mais Mateus? Carregar guarda-roupa? E montar essas coisas todas? Eu to é com a mão gasta de parafusar coisa. O prazer de comprar ~itens de design~ a preços pagáveis vai por água abaixo quando tudo que você quer é ajeitar as suas coisas, mas tem que ficar desvendando aquelas instruções indesvendáveis de como transformar aquele amontoado de tábua num móvel digno. 

{Por outro lado, ficou óbvio porque as coisas são baratas, né. Eles não tem custo nenhum nem de pré montagem. O produto vai direto da fábrica pra loja, sem qualquer outro custo para a Ikea. Peguemos a TokStok de comparação. O brasileiro está acostumado a pagar barato por serviço, e prefere pagar um pouco a mais para alguém montar do que fazer sozinho. E se não tiver a opção de pagar, simplesmente vai comprar em outro lugar.  O preço de ter aquele tanto de caminhãozinho da loja pela cidade, com dois montadores dentro, é repassado pro produto. Então, quando a TokStok te oferece a opção de montar sozinho nem compensa, porque a diferença pra ter o produto entregue e montado pela loja é pouca. Aqui não, para eles montarem um móvel o custo é de 100 francos + 17% do valor do produto, e ainda tem o custo da entrega, que começa em 100 francos. Óbvio que todo mundo arregaça a manga e vira marceneiro, e eles não precisam repassar custo nenhum. Isso fica visível quando eu te digo que tudo que compramos nessas duas visitas à Ikea foi o equivalente ao que me custou montar UM QUARTO na TokStok 2,5 anos atrás.}

No fim, eu to que não quero nem pensar em voltar na Ikea - mas vou ter que, em algum momento nos próximos meses, rs, porque ainda faltou coisa - e porque qualquer outra loja nessa Suíça é inviável. Temos procurado coisa em loja de segunda mão, que ao menos já vem montado. Mas ainda assim, ja visualizo essa terceira visita e fico com vontade de chorar. Vou esquecer disso por um tempo, porque estou traumatizada. Talvez com as coisas montadinhas, e a casa tomando forma, ficando bonitinha, a birra passe. Mas olha, Ikea.. você jogou foraaaaa o amor que eu te deeeeei. 

o Aare e a diversão em Bern

Diria que esse rio verde, o Aare, é o grande responsável pelo charme de Bern. Va lá que as construções da cidade são um desbunde, tanto que o Centro Histórico é patrimônio da Unesco, mas o rio cortando a cidade é aquele toque final que faz toda a diferença. Li em algum lugar que é o rio mais limpo da Europa e, de fato, a cor da água é inacreditável.

Mas o melhor é que o povo aqui não deixa o rio só de enfeite não. No seu entorno tem várias piscinas públicas, quadras, parques, pequenas praias. Tem também a galera que se mete no meio do mato e vai para áreas sem estrutura, mas na beira da água, e leva sua própria churrasqueira e cadeiras. A galera se joga de verdade... Aos finais de semana quem anda pela parte baixa da cidade pode pensar que está numa cidade praiana. Todo mundo andando de biquini, carregando suas boias, estendendo a toalha e tomando um sol. Tem até os adeptos do peladismo, rs.
Eichholz, a praia do Aare, onde tem área pra acampamento, quadras de voley, bar, tudo pra aproveitar o verão
Mas o mais legal mesmo é se refrescar na água (bem refrescado, já que é bem geladinha, rs). Tem o pessoal que entra em Bern mesmo, pra um mergulho mais rápido, e tem quem pegue o trem e vá subindo, pra então descer pela água. O topo é em Thun, de onde você pode nadar por 4h pra chegar em Bern. A galera leva o bote no trem, as cervejas, o aparelho de som a prova d'água e pronto. Chega lá, enche e se joga no rio. 
O Rio corre de A (Thun) pra B(ern). A descida toda dura 4h. 
Num sábado aproveitamos que estava 30 graus pra começar a nos acostumar com água fria, haha. Pegamos o trem até Münsingen, que fica a uns 15 km do centro de Bern. Encontramos o pessoal do Aare Tubing no ParkBad, que é onde fica a piscina pública de Münsingen (em torno de 20 min andando da estação da cidade). Lá eles dão a bóia, colete salva vidas, um mapinha que mostra o trajeto e as saídas (custa 45 francos tudo, saindo desta parte. Saímos às 13:30 e podemos ficar com o equipamento até as 18h). De Münsigen até a área da praia em Bern, onde teríamos que devolver o equipamento, é em torno de 1 hora e meia de flutuação. Nós optamos por fazer de bóia porque somos iniciantes no negócio, e convenhamos que nadar em rio é algo que demanda experiência. A correnteza por lá é forte. 

Viemos flutuando lindamente, aproveitando a paisagem (deslumbrante, já que olhando contra a correnteza você vê os Alpes) e vendo o povo que vinha descendo - e bebendo - desde de Thun (4h de flutuação) ou de Uttigen (2,5 horas) chegando já alegrinho. É muito divertido, a galera vem cantando, pula do bote, nada um pouco, volta pro bote. E tem quem venha nadando mesmo, sem bote ou bóia. Todo mundo usa uma bolsinha impermeável pra por as coisas, e aí já usa ela como flutuador. 
O pessoal do bote e o pessoal que vem nadando free style hahaha
Tem os momentos de atenção, tipo quando você vai passar debaixo das pontes. É de bom tom ficar esperto pra não dar de cara com o pé da ponte, né.  E tem ainda os adolescentes malas que pulam das pontes pra jogar água em quem ta passando embaixo de boia:
Mesmo de bote é difícil não se molhar, pois adolescentes são adolescentes em todo lugar
Tem ainda quem se atrasa pro passeio, e depois fica esperando os amigos em cima de uma ponte. Quando eles passam em baixo, você pula e vai se juntar a eles:
Povo joga a bolsinha primeiro e pula atrás, pra encontrar os amigos que já estão navegando
A saída é um pouco complicada. São váááárias escadinhas ao longo do trajeto, centenas. Aí você tem que conseguir se agarrar em uma e sair. Foi aí que eu tive um pequeno acidente. Quando o instrutor falou que a gente tinha que sair em Eichholz, eu entendi que era onde acabava a área de navegação. Ou seja, TINHA que sair ali. E aí que fui passando várias escadinhas e não conseguia me agarrar em nenhuma, e entrei em pânico. Me joguei da bóia, que acabou virando na minha cabeça e quase me afogou, rs. Consegui sair dela e me agarrar num troço lá, e uns suíços fofinhos vieram me resgatar. Acabei meio assustada e roxa, rs. Mas depois vi que foi ridículo, porque tinha mais uns 3 km de rio navegável pra eu descer, ou seja, pânico a toa. 

Achei incrível ter assim, pertinho de casa, uma fonte tão incrível de lazer. A estrutura é excelente, a água é de uma limpeza absurda, e no meio da cidade. Já estamos planejando comprar o nosso bote, haha. E quando estiver com preguiça de enfrentar a correnteza, sempre rola uma piscininha, né:
A piscina pública de Münsingen - e o povo aproveitando essa grande piscina linda que é o Aare
Como essa também tem a piscina pública de Muri, a de Marzili (essa, no centrinho de Bern, logo embaixo do parlamento) e a de Lorraine, todas na beira do rio (tem outras pela cidade, mas fora do caminho do Aare). Pras crianças é uma boa, já que o rio é perigoso por conta da correnteza. 
Piscina de Marzili, com o Parlamento ao fundo
E o povo curtindo um solzinho
Pra uma criatura do verão, da praia, como eu, foi uma surpresa pra lá de boa saber que moro numa cidade "praiana", rs, onde o verão e a jogação na água é levada a sério. É o que temos feito nos finais de semana - e inclusive pra onde estamos indo daqui a pouco, pra ~praia~. Pra quem quiser me visitar, fica a dica: venha no verão e traga roupa de banho.

Um teto pra morar

Assim que soubemos que íamos pra Berna, eu comecei a futricar essa internet a fins de descobrir como seria a vida por lá. Confesso que não foi muito fácil, a maioria do conteúdo é basicamente "o que tem pra fazer em Berna", ou seja, coisas turísticas. Claro que aos poucos fui encontrando algumas informações, mas de modo geral, pouca coisa. Até que cheguei no blog da Carolina, que morou em Lausanne depois se mudou pra Bern, e nesse post aqui começou a clarear algumas coisas pra mim. 

Usando os sites indicados por ela, iniciei uma pesquisa sobre apartamentos. Comecei a dar uma olhada com muita antecedência, e achei vários apartamentos legais, no preço que podíamos pagar e nas áreas que achamos que seria interessante pra nós. Fiquei super animada, e esqueci de assunto por alguns meses. No fim de maio retomei o assunto, e era pra valer. Queríamos efetivamente alugar um apartamento, para que pudéssemos começar a arrumar a casa antes de Mateus começar a trabalhar. 

Mas é claro, né... Se lá em março as coisas pareciam muito promissoras, foi só precisar dar andamento no assunto pros apartamentos bons sumirem, rs. Mandei um monte de email, fiz um monte de contato por site, e o número de respostas foi: ZERO. Que dó! Mas segui enviando. E então, comecei a receber respostas, em alemão, todas marcando visita. Só que eu não tinha como visitar apartamento nenhum, né... Do Brasil. No começo fiquei frustrada, mas depois relaxei. Se é assim que funciona, sofrer pra que? Coloquei na cabeça que chegaríamos em Bern e iríamos fazer as benditas visitas e tudo daria certo.

No fim, chegar aqui, conhecer a cidade, acabou sendo positivo porque abriu nosso leque de lugares possíveis. Chegamos num domingo, e na segunda-feira já fomos visitar 2 apartamentos. Com um ficamos encantados, com o outro não muito, mais por localização que pelo apartamento em si. Alias, comparado com SP os apartamentos aqui são ótimos: espaçosos, iluminados, vários com varanda, todos com fogão e geladeira. Na nossa primeira semana acabamos visitando 7 apartamentos (era pra ser 8, mas erramos o endereço de um, rs) e apresentamos 4 applications. Essa parte é bem chata, principalmente pra quem não tem histórico de crédito na Suíça, referência de antigos locadores, como nós. Mas pelo menos tivemos ajuda do empregador do Matt, que fez uma carta de referência e se ofereceu a dar uma garantia caso necessário. Fico imaginando que pra quem vem ser estudante, ou por conta própria, essa parte deve ser mais difícil.

Alias, acho válido um adendo. Li em alguns lugares que a disputa por um apartamento nas "grandes" cidades Suíças, basicamente Lausanne, Genebra e Zurich é feroz. Aqui em Berna fomos avisados pela RH que o número de aplicantes pra um apartamento pode chegar a 40. E vimos isso ao visitar um apartamento num bairro mais central. Chegamos lá e tinha quase 20 pessoas fazendo a visita, rs. Todo mundo com sangue nos olhos. No meio da visita a moça avisa que o apartamento só será disponibilizado em outubro, então nós fomos embora, e quem ficou fez high five, JURO hahaha. Acabou que optamos por morar fora do centro, porque conseguiríamos apartamentos melhores sem comprometer o orçamento nesse momento, em que a renda da casa vem de uma só pessoa. E Bern é tão ~compacta~ rs, que mesmo de Ostermundigen (que na verdade já é outra cidade e era nossa prioridade), chega-se no centro de Bern em 7 minutos de trem, ou 15 minutos de ônibus, ou 20 minutos pedalando sossegadamente. Então pra quem ta vindo, vale a pena abrir o leque de opções, porque a competitividade cai também fora do centro.

Fizemos um ranking entre os 4 apartamentos para quais aplicamos, de qual seria a nossa primeira opção, segunda, etc. E adivinhem? Uma semana depois, recebemos o OK de um deles. Alias. Um deles não... da nossa primeira opção. Imaginem a nossa alegria. Vale dizer ainda que a segunda opção ligou oferecendo o apartamento no dia seguinte, mas já tínhamos aceito, rs. Me senti uma inquilina atrativa, depois de tanta rejeição hahaha.

Então, depois de 54 dias pingando de casa em casa, andando toda amassada com roupa na mala, desejando muito ter uma casa pra chamar de minha, esse dia chegou :) Aqui vos falo da nossa casinha.

Um pouquinho mais de Fernando de Noronha

Como deve ter dado pra perceber no primeiro post que falei sobre Noronha, fiquei apaixonada pelo lugar, e pra mim foi a viagem mais bonita que já fiz no Brasil. 

Depois do Ilha Tour, que contei no detalhe, nos outros dias definimos as praias em que voltaríamos, que passeio faríamos. Vou contar um pouco das coisas que mais gostei:

- Planasub
Fizemos um passeio de barco com a NaOnda que você vai de uma ponta a outra da Ilha , e depois faz uma parada para mergulho na Baia do Sancho. Gostei muito desse passeio porque (i) numa ponta vimos muuuuitos golfinhos rotadores, nadando, surfando e pulando, fofo demais! (ii) pudemos ter uma nova vista do Sancho, essa praia tão linda, e achei ela ainda mais bonita do mar do que da areia, porque você vê esse paredão maravilhoso.
Eu e o paredão
E o show dos golfinhos rotadores em alto mar, captados pelo @mmreyno
No fim passeio, quem quiser pode ficar no barco (a um custo adicional de R$50) e fazer planasub, que vem a ser um passeio em que você segura uma pranchinha e o barco te reboca. É muito legal porque dá pra você mergulhar fundo com a pranchinha, e ver muita coisa. O passeio passa ainda em cima de um naufrágio, então tem muita vida marinha. Vimos a maior tartaruga da viagem - acho que do tamanho de uma mesa redonda - durante o mergulho. Gostamos tanto que repetimos o planasub num outro passeio, chamado Por do Sol Vip, que valeu muito a pena também. Você faz planasub, e depois nada em alto mar enquanto o pessoal do barco assa uma carninha/peixinho/franguinho. Por fim, um belíssimo por do sol com churrasquinho. Pra entender melhor como é o planasub, segue um vídeo:

- Num dos dias fomos andando de praia em praia, desde a Praia do Boldró até a Cacimba do Padre. Como junho ainda é baixa temporada, as praias estavam bem vazias e por várias horas ficamos sozinhos, com um visual de cair o queixo. Foi uma das coisas mais legais da viagem. 



Caminhada de praia em praia que terminou com esse por do sol na Cacimba. Foto de iphone sem edição, da pra acreditar?
- os restaurantes de Noronha são incríveis. Tendo em vista o preço das coisas, adotamos a prática de ir para as praias de dia levando snacks e água comprados no mercado, e no fim do dia jantávamos nos bons restaurantes que a ilha oferece (porque entre comidas e drinks gasta-se brincando 150 por pessoa). Fomos ao Cacimba Bistrô, Teju-Açu, Varanda, Corveta, Xica da Silva e Mergulhão. Todos muito gostosos. Nosso favoritos foram o Teju-Açu, Xica da Silva e em primeiro, o Mergulhão, que além de ter petiscos, pratos e drinks gostosos, tem um por do sol animal, propício a tirar fotos embelezadoras:
Descabelada sim, mas essa luz ajuda todo mundo, neam?
- o lado aberto da Ilha. A maioria dessas praias lindas fica do lado da ilha voltado pro Continente. O mar fechado é mais manso, e mais propício ao mergulho. Durante o Ilha Tour, o nosso guia mostrou um ponto atrás da igreja onde seria possível ver tubarões na maré alta. Um dia que o tempo não estava dos melhores, fomos lá. Acabou que não vimos tubarão nenhum, mas uma paisagem bem linda sim. 

Alias, fica essa dica. Ouvimos por lá que a melhor época para ir pra Noronha é setembro, quando ainda é baixa temporada, mas não tem vento, então é solão e mar calmo, tanto pro lado de dentro quanto lado de fora o dia inteiro. Nós pegamos bastante vento, então o tempo mudava constantemente, abria sol, caia chuva, abria de novo. Não estragou em nada nosso passeio, e eu achei bom pegar as praias bem vazias. Fico imaginando o quão cheia a ilha deve ficar em alta temporada, período de ano novo, e acho que eu nem ia gostar. 

- por fim, esse marzão, que faz Noronha tão especial. É tudo muito, muito azul, límpido, e com muitos bichinhos lindos pra você ver (e só ver, gente, nada de tocar, perseguir e pentelhar). Nós alugamos uma Go Pro enquanto estávamos na ilha e tiramos várias fotos legais, em que dá pra ver o quão rico é mergulhar em Noronha:



Eu, a tartaruga e a cordinha da máquina, que deveria estar amarrada no pulso do Sr. Matinho
E gente.. essa foi minha lua de mel. Motivo maior pra essa viagem ter sido tão especial não tem. Um lugar que tem tanta beleza, transmite tanta paz e que permite tanta conexão, com tudo que está à sua volta e mais ainda com a sua companhia. Noronha mal tem internet, o que ajuda a entrar com força na experiência.

E mais do que isso: quando digo que a gente relaxa, é porque relaxa de verdade. Você pode ir mergulhar, largar suas coisas na areia, que você vai voltar e encontrar tudo lá. Todos os dias deixávamos bolsa com alianças, celulares, a máquina do Matt, carteiras, e ficava tudo intacto. Sabe preocupação zero? Foi uma semana assim. Por isso que digo que é o melhor do Brasil. Além de toda a beleza envolvida, rola uma sensação de segurança.

Em Noronha é tudo muito simples, e apesar de ser um destino caro não tem afetação (alias, no Ano Novo parece que tem muita, rs). É uma vila de gente simples, e que por sua beleza acabou caindo no hype, mas que mantém a simplicidade. É todo mundo de chinelo no jantar caro, todo mundo no busão (ou quem da bug oferecendo carona pra quem ta no ponto de ônibus). Percebi que o alto custo de Noronha se deve muito mais à dificuldade de acesso à Ilha e por eles dependerem basicamente de turismo, do que por luxo propriamente dito. Você vê no porto os navios desembarcando os alimentos, água, coisas básicas. Teve dia que restaurantes bons da cidade fecharam porque o navio de alimentos não tinha chegado. Inegavelmente isso cria um custo, que no fim, eu achei que valeu a pena pagar.

Uma das viagens mais especiais da vida, sem dúvida <3

Fernando de Noronha: o melhor do Brasil

Não, eu não esqueci de falar de Noronha por aqui. É que, como já sabido, depois da viagem a vida entrou numa espiral de loucura. Mas antes tarde do que nunca, né?

E sim, esse título daí não é apelativo não. Noronha foi uma viagem muito impactante, porque as paisagens são deslumbrantes o tempo todo, a natureza é muito preservada, o poder de destruição do homem não chegou lá, a paz impera. Sempre achei que aquele papo de "Noronhe-se" era malisse de bicho grilo endinheirado, rs... Mas realmente, Noronha é um estado de espirito.
Primeiro dia e esse por do sol. Não é pra amar?
Foto by @mmreyno, vulgo Matinho
Antes de mostrar tudo de bom que tem em Noronha, vou falar rapidinho do lado chato: é uma viagem caríssima, ao menos pros meus padrões. Mas em retorno, digo que não tem dinheiro mal pago. A comida é insana de boa, os passeios todos valem a pena, a paisagem não decepciona. Então, quebre o porquinho, vá e seja feliz.

Nós fomos de Azul, que tem um voo "direto" de Guarulhos. Entre aspas porque ele para em Recife, mas é o mesmo avião. Antes de você sair do desembarque na ilha, tem a área onde você deve ou mostrar que já pagou a taxa de permanência na ilha, ou pagar. Isso mesmo, para entrar e ficar em Fernando de Noronha se paga uma taxa de preservação em torno de R$60 por dia (quanto mais você fica, ela diminui). A taxa é usada na conservação do parque Estadual, e chegando lá você vê que faz todo o sentido, porque toda a estrutura é integrada à natureza, a água é aproveitada de chuva, ou dessalinizada, o lixo é todo reciclado.

Chegamos lá por volta das 14h, e a pousada Capim Açu, onde nos hospedamos, tinha mandado um receptivos nos buscar. Um ps aqui: a nossa pousada era zero perfil lua de mel, mas era uma gracinha. Tinha café da manhã, bem localizada na Vila dos Remédios, fácil para se locomover, ar condicionado e pra gente basta. Quando digo que Noronha é cara, é porque mesmo essa pousada custou em torno de R$400 a diária. Uma dessas com pinta de lua de mel mesmo saia em torno de 10 mil a semana. RYSOS.  

Como é inverno e escurece por volta das 18h, fomos a pé pra praia da Conceição pra tomar um solzinho e ver O por do sol, esse aí da foto. Sabe quando já vale a viagem? Então. Valeu. Uma amiga passou lua de mel lá uns meses atrás, e como eu tava na correria, pedi as dicas pra ela. Acabou que usamos o email dela quase de guia, inclusive essa dica de chegar e ir logo pra Praia da Conceição que tem fácil acesso da Vila dos Remédios, onde nos hospedamos.

Para o dia seguinte, nosso primeiro dia inteirinho em Noronha, agendamos o Ilha Tour. É um tour que todas as agências oferecem e custa R$150 por pessoa. Nós fizemos o nosso com a NaOnda. Como funciona? Um carro desses tipo 4x4 pega a gente na pousada as 8h da manhã, pega outras pessoas também, e basicamente mostra a ilha inteira. Vamos indo de praia em praia, paramos pra 3 mergulhos, vamos aos fortes, em tudo, finalizamos com um por do sol, e somos devolvidos na pousada umas 19h. Vale muito a pena, porque a partir desse tour você programa como vai passar seus outros dias, em que praias quer voltar, etc. E ainda, você acaba conhecendo o guia, os amigos do guia, rs.. e nos outros dias quando estiver mergulhando sozinho e ver um deles, vai atrás, porque eles sabem os lugares bons pra ver mais vida marinha.

Antes de começar a surra de fotos, uma outra observação importante. Noronha é 70% parque federal, e 30% estadual. A taxa diária é revertida pro parque estadual. Para ter acesso ao parque federal, onde estão algumas das melhores praias, você tem que comprar um cartão, que pode ser comprado online ou na ilha. Custa R$180, mas brasileiros tem desconto de 50%, ou seja, pagamos R$90 (Mati também, porque é residente e tem CPF). Você vai precisar do cartão pro Ilha Tour, porque algumas das praias demandam. Mas sem problemas.. da pra fazer chegando na praia do Sueste, primeiro mergulho do tour.

Bom, depois de tanto bla bla blá, vamos ao que interessa:
Praia do Leão
Nosso dia de Ilha Tour começou meio fechado - essa época venta muito lá, então o tempo vive mudando. A primeira parada foi a Praia do Leão, que é linda, mas o mar estava bravíssimo. Só olhamos. É um ponto de desova das tartarugas, então tem que tomar muito cuidado ao andar na praia. Mas apesar do vento, da garoa fina, é uma lindeza de lugar, de cair o queixo.
Sueste, onde se vê muitas tartarugas e com sorte - ou azar - uns tubarões
De lá seguimos pro Sueste. O tempo estava melhorzinho, e ali era um dos pontos de mergulho. A água do Sueste é meio turva, mas a vida marinha é tanta que se vê muita coisa mesmo assim. Como a praia tem uma barreira de corais, o uso de colete salva vidas é obrigatório, para que você flutue e não se apoie nos pés, quebrando algum coral. Pela ilha você encontra muito equipamento para alugar (snorkel, máscara e pé de pato). Mas meu conselho é: vá numa loja de esportes e compre o seu antes de ir. Vai economizar muito (porque você vai usar todo dia - em qualquer poça d'água em Noronha tem peixes coloridos, rs) e não vai comer baba dos outros haha. Os coletes podem ser alugados onde o uso é obrigatório - no Sueste, por R$4. Vimos umas tartarugas imensas nessa praia, e eu fiquei encantada.

De lá, seguimos pra Baia do Sancho, praia que já foi eleita várias vezes a mais bonita do mundo.
Trilha até o Mirante da Baia do Sancho
Conforme você vai chegando, as paisagens vão ficando mais lindas e incríveis. Pra mim, essa praia é um dos pontos mais altos de Noronha, e vale todo o hype.
É ou não é um desbunde?
Andando um pouquinho mais, chega-se nA vista mais famosa de Noronha:
Dois Irmãos
Nessa hora aí, confesso que chorei um pouquinho. De alegria, de emoção por estar num lugar tão lindo, por morar num país tão rico e por estar indo embora dele.

E então, como não podíamos somente ficar olhando pra essas lindezas, fomos descer pra Baia do Sancho. É um negócio que demanda uma certa disposição, porque são mais de 200 degraus. E o começo é assim:
O comecinho é assim, mas a maior parte dos degraus é de pedra.
Vale todo o esforço. Lá mergulhamos, vimos MUITOS animais. Arraias de vários tamanhos, muitos peixes coloridos, tartarugas. Sério, uma coisa maravilhosa. Subir esses degraus de volta foi meio tenso, rs... Mas valeu muito a pena.

Paramos pra almoçar e depois continuamos. Fomos à Capela da Cidade, ao lado da Ilha que é voltado para o mar aberto - e que nessa época fica um mar bem nervoso - a outros pontos de destaque, e que o Leo, nosso guia, foi explicando.

E então seguimos para o terceiro mergulho do dia, na Baia dos Porcos, praia exatamente atrás dos Dois Irmãos. Mais uma vez, um baita mergulho (todos esses só de snorkel, viu gente).
Cacimba do Padre
Pra chegar na Baia dos Porcos, você vai à Cacimba do Padre, outra praia, e faz uma mini trilha de 5 minutos sobre as pedras. Esse dia do Ilha Tour é de matar, porque quando você pensa que já viu tudo de lindo, pá: outra praia maravilhosa, um peixe maior, um bicho diferente.

Por fim, fomos ver o por do sol no Mirante do Boldró.
Logo depois dessa foto ocorreu o que o guia chamou de eclipse nuvial, rs
Pois é, uma nuvem entrou na frente do sol e fuén... FUÉN NADA. Foi um dos dias mais incríveis da vida.

Eu imagino que com esse post já deu pra perceber que amei muito Noronha, e que não da pra negar que é um lugar maravilhoso, né?

Mas eu vou contar um pouquinho mais... Em breve. 

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