O fim das férias

As férias acabaram. No caso, as férias de Mati, porque sabe como é, não é que eu tenha um trabalho para ir. Mas nessas seis semanas em que ele esteve de folga, passeamos pela Suíça, tínhamos nossos dias de faxina, encontramos os amigos e fazíamos basicamente tudo juntos. E agora acabou, e eu preciso voltar pra rotina. Porém estou aqui, tentando desenhar uma rotina...

Em julho, mesmo com nossas viagens, eu mantive o curso de alemão. Ia para lá de manhã e depois encontrava Mati na estação de trem e saíamos para passear. No fim do mês terminei o nível B1, mas ainda não me sinto apta a começar o B2. Não acho que absorvi a maior parte do vocabulário a que fui exposta, nem estou dominando algumas regras gramaticais básicas. Por isso, resolvi fazer um curso de conversação. Todas as segundas-feiras, por uma hora, irei lá papear. É pouco, eu queria mais, queria duas ou três horas por semana, mas entre as ofertas que eu encontrei aqui na cidade, foi a que se ajustava melhor em termos de horário, preço, etc. São dois meses e vai até o fim de outubro, e aí posso ver se me sinto mais confortável para começar o B2. 

Mas e aí? O que fazer com todo esse tempo livre? Em tempo... em julho fomos fazer a renovação do nosso visto na Gemeinde e a moça me deu esperanças de que conseguiríamos um visto B. Balela. Cá estamos nós, por mais 12 meses com um visto L (e aqui eu falo da diferença entre eles). Sigo aplicando pra vagas, mas sem grandes esperanças de ver algum emprego se concretizando. Ou seja, trabalhar não é muito uma possibilidade, não por minha escolha. Mas estou vendo a viabilidade de fazer trabalho voluntário. 

Também estou em busca de um curso - em inglês, espanhol ou português - de corte e costura. Encontrei uns aqui, mas em alemão e eu não tenho condições. Quando chegamos aqui ano passado, o professor a quem Mati veio substituir ainda não tinha ido embora, e nos mostrou algumas coisas que tinha para vender. Acabamos comprando uma mesinha, um microondas, uma máquina de costura, botas e snowboard, tudo pela bagatela de 90 francos haha. Um ano se passou e eu ainda não aprendi a usar a bendita da máquina e acho que agora é a hora. Não tenho grandes pretensões, tipo participar do Project Runway hahaha, mas gostaria de aprender a usar a máquina, poder fazer barra de calça, fazer uns guardanapos e toalhas aqui pra casa. Sou péssima com habilidades manuais e acho que poderia melhorar um pouco.

Ainda para aproveitar e manter mente sã e corpo são retornei ao ballet duas vezes na semana, que também tinha largado nas férias, estou com um plano aí de voltar a correr, rs, e retomarei minhas caminhadas com a terceira idade. Em breve elas devem acabar, porque né... winter is coming, rs. Mas é ótimo. Tenho contato com suíços, falo alemão, vejo lugares diferentes e aproveito os dias fora, coisa que sentirei muita falta no futuro friorento.

Enfim, estou aqui tentando fazer desse ócio quase forçado um período produtivo. Estou tentando encarar como uma grande oportunidade de exercer criatividade, de aprender coisas diferentes, de me dedicar a mim mesma e de, no futuro, quando estiver trabalhando, não olhar pra trás e pensar que poderia ter aproveitado mais.

Montreux Riviera e arredores

Numa segunda eu e Mati pegamos o trem em Berna as 11 e meia da manhã sentido Lausanne, lá trocamos pra Montreux e quando o trem anunciou Vevey olhamos um pra cara do outro, pegamos as bolsas e descemos correndo. Tendo um dia inteiro pela frente, seria bobagem deixar de dar uma passada em Vevey, uma cidade pequena porém rica riquíssima haha. Vevey está um pouquinho antes de Montreux na beira do lago Genebra, e é a cidade sede de nada mais nada menos que a Nestle. 

Como não nos planejamos estar ali, não sabíamos bem pra onde ir. E quando é assim, você vai é pra beira do lago que lá você se acha. Dito e feito. Achamos um carrossel, achamos pessoas tomando sol em seus barquinhos, achamos uma "praia" com areia na calçada e várias senhorinhas estiradas em cadeiras de madeira, achamos o famigerado garfo (uma escultura feita em 1995 em homenagem ao Museu da Comida), e a estátua de Chaplin - que escolheu a cidade para viver e morrer. Andamos também pelo centrinho, e constatamos que é uma cidade linda de doer. Fofa demais, com lojinhas, cafés e vitrines interessantes. 
O belíssimo Lago Genebra
A "praia" de Vevey
As ruelas fofas - e a estátua do Chaplin na beira do lago

Blausee & Oeschinensee

Desde que eu comecei a ler sobre a Suíça, volta e meia ele aparecia em algum texto, algum post do buzzfeed, lindo e absurdamente azul, o Blausee. Um lago que parece sonho e fica aqui no Cantão de Berna. Estava na minha Swiss Bucket List há mais de ano, e eu não via a hora de vê-lo. Agora, durante o nosso mês de exploração da Suíça obviamente que ele não ía ficar de fora. Comecei a ler algumas coisas e vi que seria uma boa casar a visita ao Blausee com o Oeschinensee, outra pérola nos Alpes. Tava feito o roteiro de um dos melhores dias das férias inteiras :)

Saímos aqui da Bahnhof de manhã rumo à Frutigen, uma viagem de 45 minutos. Chegando lá pegamos então o ônibus 230 sentido Kandersteg e descemos na parada Blausee. É bem fácil e basicamente todo mundo no ônibus desceu também. Na descida do ônibus já da pra ver a entrada no parque e a entrada custa 8 francos por adulto. Logo na entrada há uma trilhinha bem fácil e gostosa, e dura sei lá, 5 minutos se você for bem devagarinho rs.. e aí tcharam:

O mês mais incrível da minha vida

Semana passada completamos o nosso mês rodando pela Suíça e agora posso dizer com propriedade o que o título desse post diz. Sem exagero. Pra começar que a última vez que eu tive um mês de férias, de não fazer NADA, de não ter compromisso nenhum, faz mais de dez anos. E nessa época minhas férias se revezavam entre Pariquera, Adamantina e Ilha Comprida. Não nego que me divertia muito, mas convenhamos que as paisagens ficavam devendo. 

E outra que nós fizemos sim do limão uma limonada, e conseguimos, em um mês:
- rodar mais ou menos 4.700 quilômetros. Parece pouco? Lembre que a largura da Suíça é de 350 km e o comprimento máximo  é de 250km... Agora me diz se 4.700 km não é chão?
- visitar 17 cantões; 
- passar por outros 3 países que fazem fronteira com a Suíça; 
- passear em 34 cidades (entre cidades grandes e conhecidas como Zurich, e comunidades com 250 habitantes como Gandria); 
- visitar 13 diferentes lagos e nadar em 6 deles - Mati nadou em mais, mas eu sou mais sensível à temperaturas, rs; 
- ver grandes rios que povoavam meu imaginário, como o Reno e o Ródano;
- ver algumas bizarrices, como um festival medieval e um campeonato de Schwingen, a luta suíça; 
- ver as paisagens mais pitorescas que eu poderia imaginar, andar ao lado de uma geleira, fazer trilha e nadar em lagos com vacas, encostar em paredes erguidas há quase mil anos atrás, e no fim do dia voltar pra casa. 

Eu nunca imaginei entrar numa jornada dessa, e acho que comecei subestimando o potencial do país. Por todas as surpresas que encontramos no caminho, por todas as vezes que meus olhos mal conseguiram processar a beleza da paisagem que estava na minha frente, por todas as viagens que já eram lindas antes mesmo de chegarmos ao destino, e por todos os dias em que vivi tudo isso com a melhor companhia ao meu lado, digo sem exagero, que foi o mês mais incrível da minha vida. 
Tomando um negocinho na estação de Zurich
Chegando em Nêuchatel
Eu, no Acesso às Utopias 
Bernese Oberland
Lungern, uma das vilas mais fofas que eu já vi 
Schwingen em Zug
Pelas ruas de Fribourg
E eu tentando sair da foto mas acabou que ficou bonito, né?
Nas escadarias de Lausanne
De cara com uma geleira
Deu pra convencer rapidinho assim todo mundo a vir pra Suíça?
* * *
Ps 1 - Tentei ir escrevendo conforme as coisas foram acontecendo porque quando o tempo passa eu desanimo e perco a inspiração. Claro que no ritmo em que viajamos, acabou não rolando sempre. Então vou tentar postar as coisas desse mês conforme for lembrando. 

Ps 2 - As fotos em que eu apareço foram tiradas pelo digníssimo Matinho, também conhecido como @mmreyno. Ele é muito muito talentoso, curte muito fotografia, e quem quiser ver mais do nosso mês (e da Suíça) pelo olhar dele, só seguir no instagram :)

Um ano de Suíça

Interrompemos a programação de férias para dizer que....
... hoje faz um ano que chegamos com nossas sete malas de 32kg, duas malas de mão, duas mochilas nas costas, coração apertado e muita vontade de fazer tudo dar certo. As vezes penso que os anos passam de pressa e os dias passam devagar. Porque se por um lado parece que foi ontem que me mudei, por outro parece que faz anos que estou aqui me debatendo com a língua, com a casa, com a nova vida. Acho que um ano é pouco e ainda preciso de muito mais tempo para descobrir a Suíça e decifrar o povo suíço, rs. Mas resolvi, para celebrar essa data, listar aqui algumas impressões que tenho hoje sobre o país. Hoje bem grifadinho, porque elas podem mudar. 

* * *
É um país absurdamente plural para o seu tamanho
Dizer que o Sul e o Norte do Brasil são como países diferentes, em termos de cultura, sotaque, clima, etc, é chover no molhado. Mas para pra pensar: para ir do sul ao norte do Brasil precisa-se de 6 horas de voo - o Brasil tem dimensões continentais e falar de Porto Alegre e Manaus, em distância, é como falar de Londres e de Istambul. Agora pensa que eu to aqui, de boa na minha casa, entro no trem que passa aqui na porta, desço 50 quilômetros pra frente num lugar em que as pessoas falam outra língua - sim, língua, e não dialeto - tem outra religião dominante, tem outros feriados, outras regras sociais. Pois é. Embora eu soubesse disso, é bem surreal quando você vive a coisa. A impressão que eu tenho da Suíça é que os tais cantões que se juntaram e formaram a Confederação Helvética somente o fizeram por proteção e conveniência mesmo, porque unidade é algo que por enquanto só vi no Feriado Nacional e durante as Olimpíadas rs. Os dialetos de uma cidade para outra se diferem, de um cantão pro outro nem se fala. As vezes quando viajamos por aí parece que estamos mudando de país, porque de repente tudo fica diferente - o sotaque, o cardápio, a arquitetura, o estilo de vida dos moradores. Mas na verdade só saímos de um Cantão pra outro. E é por isso também que muito do que eu vou dizer nesse post se refere a Berna - e quem vive em Genebra talvez tenha uma experiência bem diferente da minha.

As pessoas são muito simpáticas mas não amigáveis
Aqui em Berna você chega num ponto de ônibus e todo mundo se cumprimenta. Quando você está fazendo trilha, ou caminhada, todo mundo que se cruza, se cumprimenta. No mercado o caixa sempre te deseja um bom dia, uma boa noite, dependendo do horário. O motorista de ônibus também. E é assim... Todo mundo faz um small talk, uma simpatia gratuita. Agora ser amigo? Ah, isso os suíços estão bem de boas. Eu confesso que tenho pouco contato com suíços. Como não trabalho, meu contato se resume aos professores de alemão, às colegas de ballet e a alguns parceiros de colegas de Mati. Os professores são abertos na medida que um professor acha ok se abrir com alunos, normal. Os parceiros dos colegas de Mati são sim mais abertos, a começar porque seus pares são estrangeiros e né... é um grupo, colegas de trabalho e tal, claro que o pessoal vai ser mais amigável. As meninas do ballet? Depois de quase 10 meses nos vendo toda semana, eu tenho um telefone aqui na agenda, consegui sair fora da aula com uma delas, e no último mês duas delas resolveram perguntar um pouco mais da minha vida, só. Fora a minha experiência, eu escuto cada história... A melhor delas foi de uma moça romena que trabalhava todo dia com uma suíça, e as duas apaixonadas por plantas, sempre batiam papo sobre o assunto. Depois de três anos, a suíça perguntou pra ela: você gostaria de ver minhas plantas? Ela ficou toda animada achando que seria convidada para a casa da colega, né... Pois recebeu um CD com fotos das plantinhas hahaha. Não é lenda. Essa história eu ouvi da boca da colega frustrada. Dizem que é difícil fazer um amigo suíço, mas quando você faz, é pra vida. Eu ainda estou esperando pra ver. 

Faz calor na Suíça
O brasileiro em geral acha que neva o ano inteiro na Suíça, rs. Isso é um fato. Já recebi trocentas mensagens de como vai o frio aí, enquanto to aqui suando em bicas. Mas a verdade é que mesmo sabendo que existe verão e tal, eu não esperava uma estação tão marcada. Desde junho os dias estão quentes, e as noites as vezes também. O normal é dar uma caída na temperatura quando escurece, e logo de manhãzinha, o que é pra mim a descrição de dia perfeito: fresco enquanto durmo, calor enquanto estou acordada. Mas estou mesmo surpresa com o tanto de dias em que a temperatura passa pra cima dos 25 graus, alguns dia até dos 30. Isso é algo que eu realmente não esperava da Suíça. Sabia que teria dias quentes, mas não sabia que seria uma característica do verão - um verão efetivamente quente. Dizem que antigamente não era assim... mas taí, o aquecimento global é real, e eu sinto um pesinho na consciência por amar os dias aqui como eles são. Portanto, se for fazer as malas pro verão na Suíça, lembre que aqui faz calor sim. 

É um país eficiente
O transporte é dos sonhos, exatamente como imaginamos. Os trens quase sempre estão na hora - quando atrasam a previsão vem sempre escrita no painel. As conexões são curtas, e é tudo programado para que você chegue de A a B sem maiores transtornos. Nevou cântaros? Sem problemas. As máquinas passam, os trilhos aguentam, sei lá o que eles fazem, mas tudo funciona. Véspera de vencimento do visto? Recebemos a cartinha aqui em casa pedindo para levarmos a documentacão na Gemeinde (tipo a prefeitura) e logo recebemos visto novo. Seu filho ta em idade de começar a ir pra escola? Você vai receber uma carta com instruções sobre o que fazer. E esses são alguns exemplos, mas a real é que, repito, tudo funciona. As vezes a passos meio lentos, verdade, mas funciona. 

Vizinhos são o grande problema da sociedade suíça
Logo quando chegamos um amigo nos sugeriu que procurássemos um prédio que não tivesse somente moradores suíços. Recebemos esse conselho 10 minutos antes de receber a ligação avisando que tínhamos conseguido nosso apartamento e aí já era tarde demais. Acabou que aqui no meu prédio tem um só apartamento de suíço, sendo meus outros vizinhos portugueses, turcos e kosovares. E acho que isso explica o total de zero tretas que tivemos até agora, mesmo com uma festinha barulhenta que demos no meu aniversário. Eu realizei que o problema era sério de verdade quando na aula de alemão tivemos uma lição sobre briga entre vizinhos. E é sério mesmo. Já ouvi caso de quem tomou puxão de orelha porque limpou a casa num domingo, de gente que tomou xingo do vizinho porque conversava enquanto comia as 23h da noite, e tivemos o caso extremo de amigos que se mudaram porque era tanto problema que não dava mais. Depois de um ano somente. E sabe que tipo de problema? Receber um SMS as dez e meia da noite dizendo "não acredito que vocês estão tomando banho a essa hora". Ou ainda "não gosto de você porque você não está estudando alemão". Pois é. Por essas e outras que eu penso que não me mudo do meu apartamento por nada hahaha. 

O outfit oficial do suíço
Antigamente se alguém me perguntasse o que eu imaginava da moda suíça, acho que diria roupas discretas e elegantes arrematadas por relógios caros. Não fica muito longe disso, pessoal aqui é bem básico no dia a dia. Mas hoje, se tivesse que descrever um estilo, um look, para resumir como o povo suíço se veste, eu diria que assim:
O suíço ta sempre pronto pra fazer um hiking hahaha. É incrível como o povo ta sempre pela rua com sua botinha, com seu aparato da Jack Wolfskin, da North Face, os mais velhos com seus sticks, e assim vai. Até as crianças. No inverno você troca esse short aí por uma calça e de resto fica tudo igual. A botinha, a jaquetona, a pinta de quem vai entrar no meio da floresta, armar a barraca, fazer um fogo direto da lasca da pedra hahaha. Eu diria que o estilo suíço é o estilo escoteiro. 

É um bom país para se mudar
Principalmente se você for marinheiro de primeira viagem na vida de mudanças internacionais, como eu era. Se por um lado o suíço não parece exatamente querer fazer muitos amigos, por outro devo dizer que é um país relativamente fácil para ser estrangeiro. Pra começar que o tanto de gente que fala inglês aqui é absurdo, ainda mais se comparado com o Brasil. Nas cidades, nas áreas centrais, basicamente todo mundo fala. Outra que tem muito, muito estrangeiro aqui. O número oficial gira em torno de 24% da população do país, chegando a 40% em algumas cidades. Eu discordo um pouco desse número porque nele entram filhos, netos de estrangeiros que imigraram pra ca há 50 anos, e que nasceram aqui, são integrados, mas não tem o passaporte. Mas ainda assim, é um número altíssimo. Ou seja, se você não fizer nenhum amigo suíço, no big deal... Há toda uma comunidade de estrangeiros para socializar, gente que passa pelos mesmos perrengues que você, que sofre nas aulas de alemão com você, que ta longe de casa, que ta na luta e que está a procura da sua turma. 

Foi um ano. Não sei se o primeiro de muitos, ou o que. Mas me sinto orgulhosa de tudo que realizamos, de como passei do choro diário, da saudade, da frustração absurda, de me sentir turista na minha própria casa, ao aconchego, à sensação de quase pertencimento. É uma jornada mesmo, e é longa. Sinto que ainda estamos no começo. E que venha o segundo ano na Suíça!

Thun & Interlaken

Todas as vezes em que que subimos pras montanhas, ao passar pelo lago Thun eu ficava abismada. É um lago imenso, azulzinho, cheio de barquinhos, e eu imaginava o verão lindo que devia rolar por ali. Ano passado passeamos pela cidade, mas já estava frio e nem chegamos a ir para a beira do lago. Então em nossa primeira semana explorando a Suíça resolvemos tirar uma manhã para ir nadar por lá. 

Um dia em Biel e Arredores


Dando a largada pro nosso mês explorando a Suíça resolvemos não ir muito longe. Mais precisamente, começamos nossa jornada em Biel (ou Bienne), uma cidade aqui no Cantão de Berna, a 25 minutos de trem. A cidade fica na fronteira da suíça alemã com a suíça francesa, e por isso é a cidade com a população mais dividida do país. Tão dividida que até o nome oficial da cidade é Biel/Bienne. Biel é alemão, Bienne é francês. A população se divide entre as duas línguas, e não há uma só placa naquela cidade que não esteja em francês e alemão. Já que esse blog aqui anda focado no alemão, fiquemos com Biel hahaha. 

Já há um tempo estávamos com curiosidade para conhecer a cidade, mas ninguém falou coisa boa de lá. O grande trunfo de Biel é ser a sede de grandes empresas de relógios, como Swatch, Omega, Tissot, entre outras. Mas nos disseram que isso não se traduzia em atrativos turísticos. Como há um lago, e nesses dias quentinhos estamos priorizando água, demos uma busca em coisas pra fazer na área e na segunda pegamos o trem. A real é que saindo da estação a cidade não tem nada demais mesmo, e é bem feinha. Mas andando uns 10 minutos chega-se na cidade velha ae  coisa fica um pouco mais interessante. Tem uma pracinha medieval, com suas igrejas, sinos, prédios coloridos fofinhos, bares, janelinhas e escadinhas. Eu adoro. Tiramos algumas fotos, sentamos pra olhar a vida passar, mas depois de uma hora tínhamos esgotado a cidade velha. Um ps - Jean Jacques Rousseau, nascido em Genebra, passou um período na área, quando era foragido por perseguição religiosa. Em Biel, por acaso demos de cara com a casa onde ele se refugiou. Não é possível fazer visita, mas tem uma placa na parede. Ele ficou lá por pouco tempo e depois foi parar numa ilha, da qual vou falar um pouco ali embaixo.
 

Explorando a Suíça em um mês

Em julho fazemos um ano de Suíça. Nesse 11 meses e 10 dias até que passeamos bem, ainda mais se considerar nossas limitações de tempo e dinheiro. Estivemos em 12 dos 26 cantões que compõem o país, e já passeamos pelas principais cidades: Zurich, Basel, Lausanne, Lucerna e Genebra. Também nos aventuramos por algumas montanhas e lagos, mas esse país é enorme e tem muito a oferecer, e o que vimos é muito pouco. 

Pois bem. Dado esse panorama, e as férias de 6 semanas de Mati que começaram segunda-feira, resolvemos comemorar nosso um ano de Suíça explorando-a ao máximo. Fizemos um GA (General Abonnement), que é um passe que dá direito a toda rede de transporte público nacional: ônibus, trens, trams, barcos, ferries, etc - e com ele pretendemos tirar vantagem do território reduzido da Suíça e também da posição centralizada de Berna. Faremos muitas day trips (alias, já começamos hoje), pretendemos fazer alguns hikings, nadar em todos os lagos em que for possível, e curtir muito esse verão e esse país. O GA pode ser feito anual ou mensalmente - e por ora, claro, fizemos somente para o mês de julho.

Alias, quem um dia quiser passear pela Suíça sem lenço e sem documento, saiba que não precisa de um mês não. Em 4, 5 ou 7 dias é possível fazer muita coisa por aqui, ver paisagens diferentes, contrastantes, ouvir línguas e dialetos, comer variadas cozinhas e se encantar. E pra isso, no mesmo esquema que o GA, existe o Swiss Pass - da acesso a tudo, mas você pode fazer por períodos menores (3, 4, 8 e 15 dias), conforme sua conveniência. Vale a pena dar uma fuçada e ver o que vale a pena - ainda mais porque o transporte público na Suíça, o que tem de eficiente, tem de caro. Então, se a ideia é montar base num lugar e fazer day trips, o Swiss Pass vale super a pena. 

Enfim, acho que esse mês vai dar muito material aqui pro blog - tanto pelo potencial turístico da nossa empreitada, como por estarmos aprofundando nosso conhecimento no país em que escolhemos viver. Em breve, muita Suíça por aqui!

Wine Trips - Alsace

Em fevereiro fiz uma viagem para o Piemonte com o grande objetivo de nadar em vinho, rs. A experiência foi tão maravilhosa que resolvemos repetir a dose, mas dessa vez para Alsace. Afinal o verão estava chegando, e vinho branco é o que há. Então vou contar um pouco da experiência mais recente - fomos no primeiro fim de semana de junho - e mais pra frente conto como foi no Piemonte. 

* * *
Pelas ruas de Eguisheim 
Alsace (ou Alsácia como conhecemos no Brasil) é uma região francesa que fica bem na divisa com a Suíça e a Alemanha. Foi motivo de muita briga entre França e Alemanha, e nos últimos séculos passou do domínio de uma para outra algumas vezes. Por conta desse histórico, hoje é uma região francesa altamente influenciada pela cultura alemã, principalmente na arquitetura e culinária. O que há de mais marcante na região? O vinho branco, os famosos Vin d'Alsace. E foi pra isso que a gente foi pra lá :)

Meu primeiro verão europeu

Poderia dizer que estou cheia de coisa pra fazer, por isso que as coisas andam meio paradas por aqui. Mas não é verdade. Eu agora só vou na escola três vezes por semana logo de manhã, e depois não tenho nenhum outro afazer além do meu compromisso com o verão, haha. Esse nasceu comigo. Então pensem que nas últimas semanas o termômetro anda passando dos 30 graus, o calor ta pegando, e Berna já virou Bern de Janeiro, como costumo dizer por aí. O povo anda de biquini pra cima e pra baixo pela cidade, se joga nas piscinas públicas, e principalmente, se joga no Aare. E eu to fazendo igual. Passo os dias indo na piscina de manhã, me jogando no rio à tarde. Entre uma coisa e outra durmo na grama, as vezes vou numas caminhadas com a terceira idade em que me enfiei pra treinar meu alemão, enfim... Dizem que tenho que aproveitar mesmo que normalmente verão aqui não é assim e é isso que estou fazendo. Enquanto isso deixo umas fotos do que ando vendo, e uma playlist com uma miscelânea do que eu ando ouvindo enquanto pedalo e me estiro por essa Berna inteira. 








Real Love Baby - Father John Misty * Want you Back - Haim * Flashed Junk Mind - Milky Chance * Bad Liar - Selena Gomez  * If I could Change your Mind - Haim * Magnets - Disclosure Ft. Lorde * Loud Places - Jamie xx ft. Romy  *  Gosh - Jamie xx * Garden - Totally Enormous Extinct Dinossaurs * Dangerous - The xx  * You Got the Love - The xx covering Florence and the Machine * Mi Mujer - Nicolas Jaar *

Eu e o avião, um relacionamento em crise

Eu nunca tive medo de voar, sempre me senti bem no ar, porém andei me irritando muito com a logística toda que envolve viajar de avião. Deixa me explica: Berna não tem um aeroporto muito funcional. O daqui é pequeno, somente quatro portões, com poucos - e caros - voos. Por conta disso, o mais normal pra quem é daqui é usar os aeroportos de Zurique ou Basel, ou ainda Genebra. 

Agora façam a matemática comigo: para chegar em Basel ou Zurique, preciso de uma hora de trem (Genebra quase 2). Além disso, é sempre recomendável chegar com pelo menos uma hora de antecedência - as vezes um pouquinho mais porque as filas de segurança em tudo que é aeroporto andam grandes. Daqui, dentro da Europa, posso voar em menos de duas horas pra quase tudo que é lugar. E depois chego num aeroporto, que normalmente é longe da cidade e devo pegar um transporte para o centro. Normalmente, essa jornada toda toma pelo menos cinco ou seis horas. Com esse tempo posso ir para várias capitais europeias de trem, sem tanto desgaste. Milão é três horas, Paris é quatro, Amsterdam se pegar uma conexão boa, 7 horas (parece muito, mas isso foi o que eu gastei de avião na última ida, pingando entre vários meios de transporte. Seria mais fácil ficar sentadinha numa poltrona confortável, não?). 

Para além das irritações logísticas, vou contar aqui uns casos que se passaram comigo nos últimos meses, que ajudaram a aumentar minha irritaçãozinha, rs. 
A vista as vezes compensa na amolação, né? 

Cidadania Italiana - A saga continua

Há mais de um ano falei sobre meu processo de cidadania aqui. Por mais que eu tivesse querendo dar gás nas coisas, foi um momento complicado da vida: eu estava casando, recebendo os sogros, organizando mudança de país, trabalhando feito louca, entre outras tantas demandas mentais, e o negócio mais uma vez ficou parado. 

Pois bem, depois de muita enrolação, em julho eu contratei uma advogada para fazer o processo de retificação de acento - nome oficial do processo judicial para corrigir registros oficiais. Nós teríamos que arrumar basicamente 13 registros em cartórios. Entre organizar procurações, obter as certidões necessárias, esclarecer dúvidas, montar árvore genealógica - e mais uma vez, atrasos da minha parte - em outubro conseguimos dar entrada no processo. A minha advogada foi uma excelente escolha - nos orientou corretamente sobre tudo, super cuidadosa na análise dos documentos, entrou com a ação redondinha, e em dezembro obtivemos sentença favorável. Ou seja, surpreendentemente rápido. 

A grande merda é que a publicação da minha sentença foi em 20 de dezembro, ou seja, na véspera do recesso de fim de ano, quando o fórum, a contagem dos prazos e tudo mais para. Resumindo, até o fórum voltar, o MP se manifestar, etc etc, eu só consegui os ofícios em março. E aí adivinha? Vieram vários errados, rs... Aí entre pedir a correção (duas vezes) e solicitar aos cartórios, enfim, terminamos maio com todos os documentos devidamente retificados. 

Mas como aqui é novela mexicana italiana, agora o problema é outro. Eu estava em negociação com um assessor, o qual foi muito bem recomendado por várias pessoas de diferentes círculos de convívio, para me assessorar lá na Itália. Uma ex roomate da minha irmã, uma amiga de amiga, uma amiga de outra amiga, ou seja, várias pessoas que fizeram com esse cara e foram bem atendidas e tudo deu certo. Porém, aparentemente, além de fazer o processo de quem tinha direito, ele também fazia outras coisas não exatamente lícitas. E algumas semanas atrás a casa caiu. Aí eu fiquei meio apavorada. Porque Deus me livre de ter meu nome, minha cidadania, atrelada a coisas ilegais. Eu, que estou aqui há anos trabalhando pra fazer tudo direitinho...

Enfim, agora estou aqui com a pulga atrás da orelha, sem saber em quem confiar. Encontrei mais assessores altamente indicados, porém todo mundo de agenda cheia, com possibilidade de atendimento somente para meados de 2018. Pior: como desdobramento da ação policial desencadeada, alguns communes estão alterando procedimentos, e tenho um pouco de receio de ir pra lá e ver as regras do jogo mudando no meio do caminho. Então, no momento, estou pesquisando possibilidades, inclusive a de fazer o processo aqui na Suíça. Em breve, updates. 

Sobre Maio

E mais um mês se passou... Nem consigo acreditar, mas já faz 10 meses que estamos em solo suíço. Em abril não fiz balanço, porque meu mês se resumiu a fazer aniversárioir pro Brasil e voltar pra casa. Mas eu adoro esses recaps mensais, quando olho pra minha vida, pras minhas metas, vejo se/o que estou realizando, e por isso não queria deixar maio passar batido. Porque maio foi ótimo. 

Nesse mês segui no plano de pequenos passos para 2017... conheci lugares novos aqui em Berna (devo dizer que nenhum digno de nota, rs), andei muito de bicicleta pela cidade toda, voltei a correr (bem devagarinho hehe), cozinhei umas coisas diferentinhas. Por outro lado, a cidadania deu um semi passo pra trás - irei falar disso num post separado, e percebi que empaquei na leitura. Estamos entrando no meio do ano e eu não terminei ainda um segundo livro. Mas nem foi por isso que maio foi ótimo.

Além do calor, tão festejado nesse blog, teve uma viagem especial. Fui para Amsterdam comemorar o aniversário de uma amiga que mora lá. Foi minha quarta vez na cidade, e o total de zero compromissos com a turistagem me deixou livre para aproveitar coisas mais triviais, só seguindo a amiga que já é local. Fizemos aula de ioga, andamos muito por bairros afastados do cordão de canais - aquela área turística famosa - e vi uma Amsterdam até então pra mim desconhecida, com uma cara mais de cidade grande, ainda mais multicultural. Comemos muito bem, e descobri diversos cantinhos aconchegantes e gostosos. Pela primeira vez criei coragem de andar de bike pela cidade - claro, com uma quase holandesa me guiando e me ensinando a me comportar no engarrafamento a duas rodas rs. Melhor ainda: a phyna acabou de comprar um barco. Então o que fizemos? Isso mesmo, andamos de bote pra cima e pra baixo. Rodamos de barco pelos canais, fomos pra balada, voltamos cantando as 3 horas da manhã, numa das melhores experiências da vida. Foi tudo incrível, e só fez aumentar ainda mais meu amor por essa cidade <3

Sömmer

Que eu sou um ser do sol, calor e verão não é novidade. Já falei várias vezes por aqui que eu quero mais é que o mundo acabe em areia pra eu morrer na praia. Então já faz semanas que eu estou aqui reagindo com muito entusiasmo a cada raio de sol, cada grauzinho que a temperatura sobe, cada calorzinho que me bate na sombra. E essa semana que passou foi evolução nota 10 (ler com voz do narrador da apuração das escolas de samba). Cada dia mais calor, cada dia o sol mais quente. Que culminou num feriadão de muito verão antecipado. 

Convertendo a carteira de motorista na Suíça

Quando chegamos aqui fomos informados que no primeiro ano poderíamos converter nossa carta brasileira em suíça sem grandes problemas. Depois disso o processo fica um pouco mais complicado. No começo a gente tinha muita coisa pra resolver, e deixou isso de lado. Mas em janeiro achamos que era hora de correr atrás antes que fosse deixando passar até perder o prazo. 

A princípio é tudo muito simples. Você vai na sua Gemeinde - ou direto no Strassenverkehr (o "DETRAN" do Cantão) - e pega um formulário para conversão. Para veículo normal a permissão aqui é B, e você preenche tudo com suas informações pessoais e informações da sua carta de motorista do país de origem. Com esse mesmo formulário, você vai em qualquer ótica que faça o exame ocular, e faz um teste de vista específico. Fiz numa ótica aqui do lado de casa e custou 15 francos o exame. Inclusive preenchemos o papel lá na ótica mesmo, porque estava tudo em alemão e a moça de lá foi super fofa e ajudou a gente. Você deve entregar na Gemeinde (ou direto lá no Strassenverkehr) o formulário devidamente preenchido, com o exame de vista assinado pelo especialista e acompanhado da sua carteira de motorista original. Recomendo ir direto no Strassenverkehr, já que a Gemeinde vai mandar pra lá mesmo. Eu não sabia, mas fica a dica.

Uma questão de auto estima

Não é segredo que no Brasil a aparência vale muito. Todo mundo se cuida bastante, tem um salão de cabelereiro/manicure/mini spa em cada esquina, pessoal gasta com roupa, com sapato, com bolsa, em níveis que beiram a falta de noção. A verdade é já fui assim. Nunca fui perua, mas já gastei muuuuito com roupa, com sapato. E mesmo quando parei com isso, a rotina de salão sempre foi uma constante. E ainda que gastando bem menos, sempre gostei de moda, de me vestir bem. Vá lá que já me disseram que eu fazia o estilo mendiga fashion, mas convenhamos que era uma mendiga fashion phyna.

Aí corta pra Suíça. Povo aqui joga muito mais no time do conforto e da praticidade. Percebo que o suíço médio é bem discreto e funcional, provavelmente porque o frio domina a temperatura quase o ano todo, e porque aqui usa-se menos o carro e mais o pé. Salão, como já amplamente discutido nesse blog, is a NO. Caríssimo, coisa que se faz de vez em quando. Saem os sapatos de salto, entram as botas confortáveis, o casaco fofinho. Sai o salão de beleza, entra a gente de vez em quando dando um tapa no visual com receita de youtube. 

E foi aí que eu me senti um peixe fora d'água no Brasil. Ou sendo mais precisa, uma mocreia. Ia encontrar as amigas e todo mundo bem vestido, cabelo bem cuidado, unha feita, e eu me sentindo super desarrumada, rs. Foi inevitável me sentir meio mal. Mas também foi inevitável fazer uma reflexãozinha sobre até que ponto a vaidade vem do meio, e até que ponto vem da gente. Porque assim, eu nunca fui perua, nunca fui de me enfiar em cima de salto pra ir em qualquer lugar, mas sempre gostei de estar bem cuidada.

Aí parei pra pensar que tirando por algumas ocasiões especiais, eu não passava um batom há tempos. O tal do cronograma capilar então... Nem lembrava mais como fazia. E enquanto isso, meu cabelo duro de cálcio (um assunto, alias, que merece post próprio - a água da Suíça). Pensei também que ando numa preguiça imensa de me arrumar, e sei que isso tem a ver com o fato de ser uma desempregada que somente faz viagens quase diárias ao supermercado e vai pra escola. Que tem zero compromisso com chefe, com cliente, com código de vestimenta.

No Brasil a gente sabe que não só o visual importa muito, bem como as pessoas julgam muito também. Em 9 meses de Suíça, eu percebi sim que andava num estilinho, digamos, mais (bem mais rs) desleixada, mas me sentia zero julgada. Agora foi chegar em São Paulo que eu me senti inadequada.

Agora por quê esse assunto ficou tanto na minha cabeça, me gerou tanta reflexão e virou até post? Foi por que um garçom me olhou atravessado em restaurante lá em SP? A princípio sim. Mas a real é que ao voltar pra casa, comecei a pensar mais no assunto, e cheguei a conclusão que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Eu seguirei sendo sempre mendiga fashion, é meu estilo, mas percebi que precisava resgatar um pouco o cuidado comigo mesma que em algum momento dos últimos meses se perdeu - porque percebi que me faz falta. Passar um pó na cara de manhã, dar uma penteadinha no cabelo, (porque sim, é bem normal me ver muito descabelada por aí), olhar antes de sair de casa se as duas meias são iguais rs.

Acho que cada um sabe de si, não tem essa de mulher relaxada, vai de como cada uma se sente bem. E acho que eu estou vivendo uma liberdade imensa aqui que é sair de casa como me dá na telha, sem me importar at all com o que as pessoas vão pensar, sem me sentir jamais inadequada. Liberdade, que alias, só conquistei nessa plenitude (porque né, sair de casa por 3 dias seguidos sem pentear cabelo e até com as meias trocadas é muita plenitude na vacalhação, rs) porque as pessoas aqui estão cagando baldes pro que eu uso ou deixo de usar. E nada como a gente resolver, por vontade própria, o que fazer da nossa imagem. No momento, como ando com minha auto estima meio em baixa, chegou a hora de gastar um tempinho a mais comigo.

* esse é o primeiro dos posts pós primeira visita ao Brasil. Tenho várias análises do tipo pra fazer, mas antes preciso organizar as idéias e sentimentos. Aos poucos, muito mais mimimi por aqui.

Fête de la Tulipe em Morges

Desde que comecei a prestar atenção na Suíça, ou seja, de fevereiro do ano passado pra cá quando soube que viríamos, fui bombardeada de cidadezinhas e vilinhas e montanhas e passeios incríveis nesse país. Está tudo anotado em algum compartimento do meu cérebro, e de vez em quando eu tenho umas epifanias. Em algum momento, que não sei quando foi, vi algo sobre tulipas, um jardim bem lindo que mataria - ainda que temporariamente - aquele bicho que faz todo mundo querer agendar passagens pra Holanda na primavera.

E aí eu esqueci do assunto, mas outro dia lendo sobre Keukenhof lembrei que em algum momento desses últimos 15 meses eu vi algo sobre tulipas na Suíça e botei o Google pra funcionar. E foi assim que eu descobri Morges, uma cidade pequena, fofíssima, na beira do Lake Geneva. Daqui de Berna dá mais ou menos 1:30 de trem, contando com o tempo que se gasta na conexão em Lausanne. Fomos  nesse sábado, por volta das 13h, e ainda tivemos 7 horas de sol pela frente. 

Chegando em Morges seguimos em direção ao Lago. Eu sabia que por lá a gente ia se achar e achei por bem "deixar a vida levar". E então vimos um pessoal seguindo para o Parque da Independência e fomos atrás. Estão preparados?

Retornos

E depois de nove meses eu voltei ao Brasil. Foram dezessete dias intensos, cheios de família, correria, comidas, amigos, algum descanso, amor, praia, sol, suor e calor. Eu ainda estou digerindo todas as sensações, tudo que vivi, pra vir aqui e contar melhor. Mas o que me deixou feliz mesmo foi ir me aproximando da Suíça, de Berna, e sentir que eu estava voltando pra casa. Depois de um dia de viagens, chegar na estação e ver a cara do meu Mati lá me esperando, me fez ter certeza que aqui, agora, é o meu lugar. 
Mesmo sendo recebida com neve em fucking fim de abril, aqui é o meu lugar.

* 8 on 8 * Favoritos

O tema do projeto fotográfico desse mês a princípio era super fácil. Favoritos. Os nossos favoritos. Tema aberto, qualquer coisa que entre pra sua lista de favoritos. Com essa primavera lindíssima que ta rolando em Berna, eu nem pensei duas vezes. Peguei a câmera e saí fotografando os meus favoritos em 8 meses morando aqui. Meu prédio favorito, jardim favorito, estátua favorita. Fotografei minha viagem de trem favorita aqui (cara, ir pra Lausanne de trem é um desbunde), e assim foi. 

Mas eis que, passada a euforia de aniversário, de terça pra cá eu não conseguia pensar em mais nada: estou indo pro Brasil, pra minha São Paulo amada. Amanhã, a essa hora, estarei voando. E foi assim que eu resolvi mudar tudo. Minha cabeça não sai de SP, e não precisa sair mesmo... Eu simplesmente fui fuçar nas minhas fotos e achar as minhas oito imagens favoritas dos meus lugares favoritos na minha cidade do coração. 

São Paulo, eu te amo com todas as forças. Mal posso esperar pra te reencontrar. 

* * *


Um resumo, do mês e da vida

Março foi um mês delicioso. Começou com Carnaval debaixo de um frio e tanto em Berna, e terminou com uma super primavera. Os dias aqui estão (bem) mais quentes, ensolarados e longos. Entramos em horário de verão e o sol dá a cara até depois das 20h. A cidade está toda florida, verde, animada. É incrível como Berna se transforma nos dias de calor. Todo mundo muda de cara, fica bem disposto, toma café na varanda, dá bom dia e sorri pra geral, senta pela cidade pra tomar sol e cerveja. É um permanente estado de bom humor.
O primeiro dia que sentamos pro lado de fora esse ano
Nesse mês também teve visita de uma amiga querida, teve viagem pra Barcelona, e teve o tal do Carnaval. Foi beeem diferente do Brasil, claro... Mas eu me diverti mesmo assim. Dancei, joguei - e comi - confete, bebi, e em dado momento, não fosse o frio, podia jurar que estava em Pinheiros, rs. 
Não tava em Pinheiros mas também não estava bebendo Catuaba ;)
* * *

Dicas práticas de Barcelona

Não vejo muito sentido em contar em detalhes minhas viagens para destinos mais manjados. Principalmente agora, que estou conhecendo lugares que os viajantes desbravam há anos, ficar falando muito do meu roteiro é meio que chover no molhado. Tem muita informação e detalhes pela internet sobre Paris, Barcelona, Madrid, Viena, Roma e outros lugares que conheci (ou que estão no meu radar) por esses tempos. Mas tenho sim algumas dicas práticas que acho válidas - porque não tão óbvias e porque facilitaram e/ou melhoraram minha viagem. Fiz um post assim sobre Paris, e agora chegou a vez de Barcelona, onde estive semana passada

* * *
Nos hospedamos em Sants, um bairro pouco turístico. Ficamos lá porque Mati foi a trabalho e era conveniente para o que ele precisava, mas revelou-se um bom lugar. Eu achei Barcelona bem "espalhada", as atrações são relativamente longe uma da outra, e usa-se muito transporte público. Nesse sentido, talvez não valha muito a pena se hospedar nos bairros turistões (andei lendo que Gracia é o favorito) e pagar mais caro, se você vai acabar andando de metrô anyway. Ficamos ao lado da Estação de Sants, que tem trens e duas linhas de metrô (verde e azul, com as quais você vai pra tudo que é ponto turístico). Com o trem chegamos em 20 minutos do aeroporto. Muito perto dali ainda tem outra estação de metrô da linha verde. Com 10 - 20 minutos de caminhada leve tem a Plaza Espanya, os bairros de Poble Sec, Saint Antoni e Eixample, cheios de restaurantes e bares ótimos e mais baratos. 
Ao fundo, Plaza Espanya. Sants está à direita nessa foto, Poble Sec, Saint Antoni e Eixample, à esquerda 
* * *

Finalmente Barcelona

Desde quando ganhei meu joguinho de Mega Drive das Olimpíadas de 1992, Barcelona ocupa um espaço especial no meu imaginário. Depois disso, lá pelos 16, 17 anos, comecei a ouvir as histórias das mulheres fazendo topless em Barceloneta, de como o estilo de vida por lá era livre, boêmio, e pronto. Tínhamos um destino de verão favorito. Acabou que meu primeiro encontro com Barcelona não foi no verão, mas foi esse último fim de semana, no começo da primavera. Mati teve uma viagem do trabalho e eu acabei me enfiando junto, rs. 

Viajamos quinta a noite e voltamos domingo no fim do dia. Foram três dias intensos. Sexta-feira fui agraciada com a maior chuva de todos os tempos. Um taxista me disse que chuva daquela só acontece a cada 30 anos, rs. E claro que eu tinha que estar lá no meio. Mas depois de um dia de dilúvio fui recompensada com dois dias lindíssimos de sol e céu azul. 

Passeei muito - meu celular disse que andei uma média de 16 km por dia nesse final de semana. Vi lugares que de tantas fotos e posts que já li nessa vida, achei que conhecia. Mas vi tantas outras coisas que pra mim foram absolutas novidades e que me deixaram muito encantadas. Pra mim, o ponto alto de Barcelona é a arquitetura. Obviamente nas obras de Gaudí, mas muito mais que isso. A arquitetura dos prédios, das praças, as esquinas abertas formando pequenos largos. Tudo tão lindo! Me pareceu uma cidade projetada para o bem estar dos moradores, que ocupam os espaços públicos, que vivem verdadeiramente em comunidade. Me pareceu também que os moradores de Barcelona, no geral, tem um estilo de vida bem tranquilo, curtem o tempo, gostam de comer e beber bem, são estilosos sem esforço, aproveitam a companhia que está dividindo a mesa. Sério... que lugar!

Enfim, deixo aqui um pouquinho do meu olhar sobre Barcelona (em fotos de celular, porque depois de dois dias fotografando com a câmera percebi que o chip dela estava bixado e corrompeu todas as imagens)

Padrão x Qualidade de vida

Eu estou com esse post empacado na minha cabeça há meses. Um dos motivos pelos quais quis criar esse blog foi justamente porque percebi que estava com dificuldade de expressar minhas ideias. Quatro anos depois acho que melhorei, mas ainda sinto dificuldade, ainda mais quando o tema é meio espinhento, como esse. Por isso talvez fique um pouco confuso, mas tenho certeza que vocês pegam o espirito da coisa, rs.  

Quando você fala no Brasil que mora na Europa, ou quando está comentando algo com os amigos brasileiros, a resposta é sempre "que chic!", ou então, "ta reclamando de que? você mora na Europa!!",  ou pior ainda, "mas agora você é rica, mora na Europa". O mesmo serve pra quem mora nos EUA. A real é que...

* 8 on 8 * Arte de rua

O tema desse mês me deixou muito animada... eu adoro arte de rua, principalmente grafite. Mas aí depois me caiu a ficha que Berna é fraquíssima no assunto, rs. Tudo bem, não tem tempo ruim. Fui fuçar nas fotos antigas e achei várias coisas legais, me bateu uma saudade danada de SP e do Minhocão, do meu corredor que um dia foi lindo na 23 de maio - meus vizinhos por 11 anos.

Alias, oportuno esse tema nesse momento, não? Pra quem não sabe, o novo prefeito de SP resolveu apagar os painéis de grafite da cidade - taxando tudo como "pixação e sujeira". Passou tinta por tudo sem dó nem piedade. Diante da repercussão negativa voltou atrás, disse que achou "tudo cinza demais" e que vai contratar artistas de seu gosto para pintar novos painéis. Esse é um resuminho raso do assunto, para quem se interessar vale dar uma procurada nos artigos sobre o tema e tirar suas próprias conclusões.

Pegando carona numa das polêmicas do momento, o que vocês consideram arte de rua? É uma discussão que surgiu no grupo, quando debatíamos a "facilidade ou dificuldade" desse tema. Arte de rua, penso eu, é toda manifestação criativa que vemos por aí: esculturas, grafites, instalações, músicos, projeções, palhaços, e sim, até pixo. Concordo que nem todo pixo é esteticamente bonito, mas aí vamos ser filosóficos: o que é bonito? Entramos naquilo que aprendemos aos 5 anos na pré escola - nem tudo que é bonito pra mim é bonito pra outra pessoa, nem tudo que é feio pra mim é feio pra todo mundo. Acho que o prefeito de SP, diante da possibilidade de fazer um marketing, esqueceu que nem só de Romero Britto vive o mundo das artes, e quem saiu perdendo foi a cidade. Mas ao menos fomentou uma bela discussão. 

Vamos aprofundar o papo? Mandem ver nos comentários, please :)

* * *

Fixando residência na Suíça

Como comecei a falar das burocracias da mudança pra Suíça aqui, engrenei e resolvi completar o assunto de como as coisas se seguiram quando eu cheguei aqui. Esse começo demanda muuuuita paciência, porque a gente quer tudo resolvido, quer ter a vida em ordem, e as coisas não andam tão rápido. Como eu contei no outro post, eu cheguei aqui como turista e Mati já com seu visto L no passaporte. Mas somente com o visto você não consegue fazer muita coisa... Para tocar as pendências do dia a dia, como abrir conta em banco, por exemplo, você precisa do Ausweis, que é um cartão de permissão de residência - que será também o seu documento oficial aqui, a prova de sua regularidade no país.

Meu processo imigratório na Suíça

Além do lado prático da coisa, que é fazer mala, procurar casa, aprender a língua, etc, mudar de país tem ainda o lado burocrático. Como já chegaram aqui no blog algumas pessoas procurando por informações sobre a Suíça, acho interessante dividir um pouco de como foi o meu processo imigratório pra cá. Começo esse post com "meu" porque como é o lema desse blog, nada aqui é verdade absoluta, é apenas um relato da minha experiência. 

Voilà. 

Como vai a vida?

Como acho que comentei em outro post, minha rotina bagunçou. Antes eu ia para a escola de manhã, e voltava com o dia inteiro livre pra dar um jeito na casa, fazer o que eu quiser, estudar, etc. Ai em dezembro eu parei o curso para viajar, e quando retornei em janeiro eles não tinham mais turma para o meu nível de manhã. Resultado é que tenho aula das 13:30 às 15:30, o que pica o dia no meio. E aí me bagunçou toda. Porque eu acabo dormindo mais do que devia, aí me sobra menos tempo pros afazeres da manhã. E quando volto da aula Mati já ta quase chegando, e a gente sempre tenta fazer algo juntos antes de jantar, etc, e nessas eu fiquei toda bagunçada. Ando dormindo mal, sentindo fome na hora errada, me sentindo sem tempo (sim, euzinha, sem tempo hahaha) pras coisas, e parece que ta tudo fora de ordem. Poderia acordar mais cedo? Sim, poderia. Mas quem consegue sair cedo da cama sem ter obrigação nesse frio? Eu não... 
* * *

Pequenas vitórias

Estou eu sentada num banco na cidade velha, aproveitando um solzinho para comer meu pão com salsicha, quando se aproxima um casal de senhores:
- bla bla bla em alemão
- você poderia falar mais devagar, por favor?
- claro, queremos ir na montanha, como se chama?
- o Gurten? 
- sim, você sabe como chegamos?
- sim, ali do outro lado da rua pegue o tram 9 sentido Wabern, a parada é Gurtenbahn. 
- muito obrigada, seu alemão é muito bom!
* * *
Nem sei o que me deixou mais feliz nessa história. Se foi o elogio, se foi eu entender, responder, se foi dar direção nessa cidade que agora chamo de minha, se foi o dia ensolarado, se foi o pão com salsicha. Sei que fiquei feliz!

* 8 on 8 * Do Alto

Atrasada, mas cheguei. Eu tento sempre tirar fotos especialmente para o projeto, e por isso esse mês fiquei empacada. Os dias aqui em Berna foram de muito cinza, chuva e/ou neve, e eu entrei num desânimo absurdo. Além disso ando com uma rotina meio bagunçada, e meio insatisfeita com ela. Enfim, esse momento meio zona somado ao clima caído me tiraram toda e qualquer inspiração, e quando vi já era dia de 8 on 8 e eu tinha um total de zero fotos haha. Enfim, acabei correndo atrás do atraso - e ainda saiu um solzinho pra me ajudar - e aqui estamos.
* * *

Quer esquiar?

Já contei aqui sobre como eu queria muito começar a esquiar, e como comecei com o pé direito. Uma, duas, três temporadas de esqui não fazem ninguém ser profissional, muito menos um mês, então claro que não tenho dicas pra quem manja da coisa. Agora acho válido sim dividir umas coisinhas que aprendi e que podem ajudar outro principiante como eu.

O esqui/snowboard são esportes que, de início, são caros. Quando se pensa no equipamento, roupas, etc, é um puta gasto pra começar. Normalmente as coisas são boas, e vão durar muuuito tempo, mas tem esse desembolso inicial. Então tem coisa que você tem que pensar: ta se mudando, mora num lugar em que esses esportes fazem parte do dia a dia? Vale investir mais. Vai passar férias no Chile, aqui na Suíça, na Áustria e vai esquiar? Acho que precisa repensar umas coisas. 

Encarando a neve

Desde que cheguei aqui na Suíça comecei a perceber a dimensão que tem os esportes de neve - ski e snowboard -  no país. Mesmo no verão víamos pessoas subindo até as geleiras para esquiar, setores inteiros de lojas dedicados a isso, pessoas enlouquecidas aproveitando pra comprar equipamento por precinhos camaradas em loja de segunda mão. Quando Mateus começou a trabalhar, aí entendemos de vez: a escola em que ele trabalha simplesmente fecha todas as sextas feiras entre janeiro e março, e todo mundo vai esquiar. Da pra imaginar? Inclusive, em fevereiro - pelo que me falaram - o país entra em marcha lenta e vai todo mundo pra montanha. A conferir. 

Fato é que entendemos que os esportes de neve fazem parte do dia a dia aqui, que rola muita socialização na montanha, o que é também um jeito de fazer o inverno super rigoroso que se abate sobre o país mais animado e a gente não queria ficar de fora. Mati já morou na Áustria, então já tinha alguma experiência e acabou comprando um snowboard de um ex professor da escola logo que chegamos aqui. Eu, verdade verdadeira, me cagava de medo. Não sou uma pessoa aventureira, não tenho gosto em adrenalina, e a ideia de descer uma montanha com duas laminas no pé não me apetecia. Mas me prometi que tentaria, ainda mais podendo aproveitar as tais ski fridays com Mati e os outros amigos da escola. Assim, conforme dezembro foi chegando, comecei a me preparar psicologicamente para o desafio. 

Seis meses de Suíça

Pois é... Se passaram somente 6 meses, mas tem horas que eu penso que se passaram anos. Principalmente quando olho pra paisagem branca lá fora, e aquele domingo ensolarado e quente em que chegamos com 7 malas parece tão distante. A vida aqui realmente entrou no eixo. Temos nossa rotina, temos alguns amigos, tenho minhas atividades. E tenho saudades, muitas saudades. Sinto saudade dos meus pais, do meu bebê, dos meus amigos, da comida. Da vida agitada de São Paulo. De não precisar me programar para ir ao mercado, de saber que posso encontrar tudo aberto a qualquer hora, de saber que tenho pessoas queridas a alguns minutos de distância. 

Mais férias em Berna...

Berna é uma cidade muito bem centralizada aqui na Suíça. Muita gente que vem pro país com a idéia de tirar máxima vantagem do transporte público e das pequenas distâncias monta base em Berna e daqui faz day trips para outras cidades. Para ir daqui até Zurich, Lausanne, Basel, Lucerna, leva-se uma hora no trem. Até Genebra, uma hora e meia. Alguns dos Alpes eu consigo ver da minha janela, rs. E se nos nossos primeiros dias de férias foram aqui pela cidade, depois aproveitamos para explorar as redondezas. 

Quarta-feira foi o dia de conhecer Luzern (ou Lucerna). Eu ainda não tinha a cidade como prioridade para visitar aqui, mas um casal de amigos estava indo com as crianças e o cachorro e nos convidou. Topamos e depois de 1h no carro eu fiquei foi besta com a paisagem daquela cidade. Luzern é muito muito linda! O centro antigo da cidade fica próximo ao Lake Luzern, que por sua vez é todo rodeado de montanhas - e nessas alturas todas elas já com os picos nevados. É uma paisagem muito impressionante. Uma pena que o dia estava meio fechado, e as fotos não fizeram muita justiça. 
Kapellbrücke

Férias em Berna

Eu sou suspeita pra falar de férias, afinal de contas, é como se eu tivesse num break interminável - ou num sabático, como diz Mateus. Mas desde que chegamos da California estávamos os dois sem aula, sem trabalho, com todo o tempo livre. 10 dias pra curtir Berna, algo que não tínhamos desde a primeira semana que chegamos aqui. 

Os primeiros dias foram dedicados a recuperar do jetlag - 9h de diferença é punk! - e aproveitar as promoções pós Natal para comprar algumas coisas que precisávamos. Nosso Reveillon foi bem low key, fomos até Altendorf, uma cidade próxima a Zurique celebrar com amigos de amigos. Foi bem gostosinho, comemos bem, bebemos, papeamos bastante e chegamos em casa depois das 8h da manhã, coisa que há muito tempo eu não fazia. Depois da ressaca brava, tínhamos uma semana pra curtir muito até a rotina voltar ao normal. 

Começamos fazendo nosso programa favorito: ir até o Rosengarten, um parque lindo aqui perto que tem uma vista privilegiada de Berna, e de lá descer andando pra cidade. Andamos pelo centro antigo, tomamos um vinho num restaurante gostosinho e fizemos abertura da temporada de diversão de inverno patinando no gelo haha. Foi muito gostoso!
A vista do Rosegarten nunca decepciona, nem num dia cinzento

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