Chiang Mai

Chiang Mai, a segunda maior cidade da Tailândia, é também chamada de "Rosa do Norte", e apesar desse apelidinho fofo eu confesso que nem tinha muita curiosidade de ir. Mas por vontade de Mati foi incluída no roteiro, e que bom que assim fizemos. Embora seja uma cidade imensa, é bem mais slow do que Bangkok, eu diria que nem se compara. Lá é possível fazer muitas coisas a pé, caminhar a esmo, bem menos trânsitos e businas... Chegamos lá numa quarta-feira a noite e tivemos três dias inteiros para explorar a cidade. Foi suficiente para nós, mas tem muita gente que prefere se jogar por lá por cinco dias, uma semana, e ter um respiro. 

Chiang Mai tem uma cidade velha que tem basicamente tudo que você quer ver. É um grande quadrado, e dentro dele você encontra um templo a cada duzentos metros, muitos restaurantes e bares, muitas casas de massagem, mercadinhos, e tudo mais que se imagina da Tailândia. Dedicamos nosso primeiro dia inteiro a andar por lá e ir vendo os templos que pareciam ser mais interessantes ou que eram bem recomendados. Passamos umas 10 horas andando pela cidade e acho que entramos em pelo menos oito templos, mas meus favoritos foram o Wat Chedi Luang, onde tem um Buda de jade (que antigamente era de esmeralda, mas esse agora fica em Bangkok), e o Wat Phra Singh, onde ouvimos o canto dos monges, uma experiência que traz paz instantânea pra dentro da sua cabeça, do seu corpo e do coração. 
Wat Chiang Man, por onde começamos o tour


Árvores gigantes maravilhosas na entrada do Wat Chedi Luang


Wat Chedi Luang e seus monges
Pelas ruas de Chiang Mai

O maravilhoso Wat Phra Singh

O canto dos monges, que traz paz, muita paz

Nos jardins de Wat Phra Singh
Eu tinha lido que uma das coisas legais a se fazer em Chiang Mai era uma aula de culinária,  mas como não sabíamos direito como seriam os nossos dias lá, não reservamos. Mas aí começamos nosso segundo dia com uma aula de cinco horas na Asia Scenic. Fizemos a reserva um dia antes e logo as 8:30 da manhã a van da escola passou para nos pegar. A aula começou com uma visita a um mercado, e a professora deu uma geral nos ingredientes básicos, o porquê de se usar cada coisa. Também passou na horta da própria escola, pegamos nas ervinhas, tudo muito atencioso. E então partimos pro desafio: fazermos cinco pratos cada um. Uma sopa, um stir fried, rolinho primavera, pasta de curry e o curry propriamente dito (a seleção do menu foi feita por nós). Devo dizer que mandamos muito bem, e eu fiquei satisfeitíssima comendo a minha própria comida. Recomendo muito fazer a aula, é super divertido, você aprende umas noções básicas e ainda come bem. A minha primeira ideia era ir numa escola super recomendada por aí, mas eles estavam cheios e então fomos pra Asia Scenic, e eu recomendo muito. Mais barato, super organizado, e ainda no fim ganhamos um livro de receitas.

Palmirinha em ação
E Jamie Oliver orgulhoso de seus rolinhos primavera

Curry paste
Olhaí meu stirfried, que bonito 
Minha sopa de leite de coco com frango, e meu curry massamn. Fiz bonito, não?
E no caminho de volta pra casa, mais um templo rs
Depois de jiboiar um pouquinho no ar condicionado, pegamos um tuk tul (que em Chiang Mai são menos charmosos rs... é uma caminhonete que você senta atrás e paga por pessoa) em direção à montanha. Coisa de uma hora separa a cidade do templo mais maravilhoso da cidade: Wat Phrathat Doi Suthep. A viagem até lá é é tipo uma subida de serra, e eu quase fiquei enjoada com as curvas da estrada, rs, mas chegando lá, valeu muito a pena. O templo é imenso, lindo, gigante, e sentimos uma religiosidade mais forte. Tinha muita gente peregrinando, fazendo rituais, pessoas para quem aquele lugar era realmente especial, e isso torna tudo bem mais interessante. A dica de ouro é ir nesse templo ou ao amanhecer ou ao fim do dia, para poder presenciar o canto dos monges. Mais uma vez, é um som que entra pelo ouvido e logo toma seu corpo, dá uma paz incrível.
As escadarias


Peregrinação
E o canto maravilhoso dos monges


Na escuridão
Para o nosso terceiro dia reservamos o dia todo para uma visita a um santuário de elefantes. Há algumas opções nos entornos de Chiang Mai, e o mais recomendado é o Elephant Nature Park. Como não organizamos antes, eles estavam cheios e acabamos indo no Elephant Land. Eles ficam dentro de um parque nacional e têm três elefantes, duas elefantas resgatadas e o filhote de uma delas, que está grávida de novo. É que no parque tem um elefante solto, e aparentemente ele engravida as mocinhas rs. Uma das elefantas tem 45 e a outra 40 anos, e por mais de 30 foram exploradas em atividades em fazendas e depois em atividades turísticas. O filhote, por ter nascido já fora da exploração, não é treinado, e por isso é mais rebelde. Lá a gente recebe umas roupas, que devemos usar para que o elefante nos "reconheça" como pessoas. Você os alimenta, vai passear na floresta com eles, toma banho de lama, e no fim até um banho de cachoeira. Os elefantes ficam livres, durante essa caminhada na floresta eles vão pra onde querem, a gente meio que só segue. No banho de lama, idem. A gente bem queria ficar lá tomando banho, mas eles levantaram e foram embora rs. Foi bem gostoso, e eu, que não queria de jeito nenhum ir, curti. 
ahhhh como ela é fofinhaaaa
E essa maravilhosidade toda?
Agora quer mesmo meus 2 centavos de opinião? Por óbvio que é melhor do que serem maltratados, apanharem para fazer gracinha pra turista. Bem melhor. Mas no fim, eles ainda seguem comandos. Vai dar banana? Você fala bonbon, e eles abrem a boca. O que eu queria mesmo é que eles nunca tivessem sido submetidos a nada disso, não soubesse o que é comando, não soubessem o que é gente. Mas sabem, e no fim, esses santuários são o de melhor que pode acontecer pra eles nesse momento. Conversando com o guia, ele disse que os bebês que nascem já nos santuários não estão sendo treinados, mas honestamente, não sei como irão fazer a inserção desses animais na natureza, e se realmente tem a intenção de o fazer. O pessoal trata eles com o maior carinho, mas ainda não são livres na natureza né... O guia disse que a população de elefantes em Chiang Mai já foi de 20 mil elefantes, e hoje em dia são menos de 5 mil, sendo que a grande maioria vive em alguma forma de cativeiro. Existem pouquíssimos elefantes livres nas matas, mas eles tentam, nos santuários, forjar a rotina que esses elefantes teriam se fossem livres. A rotina é basicamente essa: comer e andar. E eu curti acompanhar, abracei, beijei, mas no fim, fiquei com um gosto bittersweet na boca. 

Chegamos dos elefantes esgotadíssimos, mas demos uma descansada e seguimos para o Waroros Night Market, um mercadinho de rua, e o mais legal ali de Chiang Mai, porque os frequentadores eram tailandeses em sua maioria. Seguimos a nossa regrinha de ouro de olhar onde os thai estavam comendo, e assim comemos uns franguinhos fritinhos no meio da rua, comi até um espetinho de coração, olha que amor rs. De sobremesa comi uma manga e abacaxi, e tudo isso enquanto a gente fazia um maravilhoso people watching.

Saímos de lá muito bem jantados, e fechamos assim, com muita autenticidade e comida gostosa a nossa estadia em Chiang Mai. 

10 comentários:

  1. Eu só penso na comida asiática agora, hahahah. eu sou daquelas que fazem lista do que comer nas viagens, rs...
    Eu quero fazer uma aula de culinária também, sempre a gente aprende coisas novas e interessantes! Que viagem bacana a sua!!

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    1. Eu adorei a aula, foi das minhas coisas favoritas em Chiang Mai. A gente aprende mesmo, tem uns insights, e é divertido. E eu sou igual, Sandra, faço lista de tudo que quero comer, hahaha.. vivo pra isso!

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  2. Ai menina divide ai com a gente essas receitas lindas e deliciosas que voce aprendeu..rsrs...Olha eu amei ler a respeito da viagem, fiquei apaixonada pelo santuario dos elefantes, e divido da sua opiniao, a opcao perfeita seria serem livres, mas na realidade triste o santuario se torna a opcao menos pior pra esses animais, eu amo elefantes acho eles animais majesticos e maravilhosos.

    Na foto la da rua dos baloezinhos, tem algum significado eles pendurados na rua ou e so pra enfeite mesmo? Eu sei que curiosidade mais irrelevante ne...mas sou um ser curioso...rsrsrs.
    Bjs

    Ps.: mudei o endereco do blog, agora e: https://herethereandwords.blogspot.com/

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    1. Exatamente Monique, o santuário vem pra suprir a necessidade que nós homens causamos... e no fim, entre todas as opções, a gente sabe que o ser humano jamais largaria o elefante em paz na mata, então o melhor é ter alguém que cuide deles e evite que sejam explorados.
      Os balões são decoração de um restaurante rs... achei bem lindo e Mati fez o click!
      Beijos

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  3. Palmirinha em ação! hahahaha ai Gabi, que legal fazer essa aula pra aprender a cozinhas esses pratos. Adoraria fazer uma pra aprender umas delicinhas vegetarianas :)
    Ching Mai se não me engano é a queridinha dos nomades digitais e a galera realmente passa um tempinho por lá, acho que vai ter sempre um cantinho pra explorar ou um novo templo pra ver... E eu não sei lidar com a lindeza desses templos, ainda pegar o canto dos monges.. deve ter sido muito especial mesmo! *_*
    E elefante é um bicho lindo demais, meu senhor! ♥ vontade de abraçar esses nenezões. E só de ouvir falar na exploração que muito deles passam me dá aquele nó na garganta.. fico feliz que existam santuários pra resgatá-los dos maus tratos, mas em um mundo perfeito eles estariam mesmo é lá na vida selvagem sem gente apurrinhando a vida deles ♥
    Beijos, Gabi.. que viagem linda!

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    1. Agora que você falou, me lembrei que durante a viagem percebi que é um destino bem interessante para vegetarianos. Todos os currys tem a opção de somente vegetais, tem muitos noodles também somente com vegetais. Os menus sempre tem a opção porco, frango, camarão e vegetais. Então facilita muuuuito a vida do vegetariano (do vegano, honestamente, não sei rs). Acho que você adoraria, apesar do calorão hahaha...

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  4. Todo mundo, absolutamente todo mundo que conheço que foi pra Chiang Mai amou. A irmã do R. tá enchendo nosso saco pra ir, que temos que ir, mas a verdade é se formos, ficará super corrido e não queremos, vamos ficar uns dias a mais na capital pra descansar mesmo. Essa história do elefante é complicada, tipo o Lujan em Buenos Aires. Eu adoraria ver tigres, elefantes de perto? Nossa, se como! Acho que choraria de emoção, acho os elefantes animais maravilhosos. Mas já vi vídeo no youtube de como eles são forçados nesses parques na Tailândia. Até chorei, e não sou defensora dos animais não, rs. Então eu e R. decidimos que não vamos atrás de ver elefantes... :( sobre seu curso, amei amei amei. Quero tanto provar comidas diferentes e gostosas... qual foi o prato que você mais gostou na viagem?

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    1. Então, nos santuários funciona um pouco diferente. Eles não são forçados a nada. Em alguns lugares sim há exploração de elefantes, onde as pessoas montam neles, eles "pintam", "dançam", e fazem diversas atividades que não são de elefantes né... pra isso são maltratados. No caso, os santuários como esse em que fomos e outros mais, eles são resgatados desses lugares ruins, e vivem mais livres e soltos, mas novamente, claro que ainda obedecem comando. Eles já aprenderam o comando, né... então você manda abrir a boca, eles abrem, mas ao menos é comando de voz, não é nada que machuca o bicho. E fora disso, a gente meio que fica atrás deles o dia inteiro, sem que eles sejam forçados a nada. No fim, a visita a esses lugares dá dinheiro para que eles possam manter o lugar, então não é de todo ruim. O elefante pequeno, que já nasceu fora da exploração, não é treinado, por isso era mais arisco, e interagimos pouco com ele - também tinha um cara sempre por perto, para o caso de ele ficar nervosinho (como ficou uma vez e até fez o barulho com a tromba hahaha).
      Acho bem diferente de Lujan, que dopa os animais, né. É o mal trato em si, como esses outros lugares. Acho que diante da situação atual, os santuários são bons pros elefantes, mas é aquilo, seria muito melhor se nunca tivessem sido explorados em primeiro lugar.

      Sobre comidas, eu amo curry, então comi feito louca, principalmente o Panang. Mas também gostei muito da sala de papaia que você come com arroz grudento. E sobremesa de Manga com arroz grudento também rs!

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  5. Oi Gabi! Amei Chiang Mai também! Ficamos uns dias num hotel nas colinas e foi a melhor coisa da vida! Vimos mesmo como os thays vivem, alugamos uma moto e nos esbaldamos de ver templos e até termas sem nenhum turista se quer (só a gente, né). Fomos também no Elephant Nature Park e achei um pouco diferente da descrição que você deu. Lá os elefantes (que eram muitos) não obedeciam a nenhum comando. Eles tinham o cuidador pessoal mas isso é normal, eles são animais que no final das contas são de cativeiro, então precisam de alguem que os dê comida e tome conta. A gente só deu comida pra eles quando era hora das refeições deles é a gente quase não deu banho neles porque não tinha nenhum elefante afim de banho, ahhaha! Achei o esquema lá super no respeito aos animais e a gente lá, apesar da grana que custou, vimos que dinheiro ia todo pro bem estar dos animais (e as pessoas que trabalhavam lá também pareciam bem contentes).

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    1. Liu, adorei ler seu relato. Eu tinha lido em vários lugares, e ouvido de várias pessoas, que o Elephant Nature Park é realmente A experiência, é o lugar para ir, que eles são efetivamente resgatados de todo e qualquer abuso, e queríamos muito ter ido lá. Pena que não nos programamos com antecedência, e já estava todo bookado. Mati queria muito ter algum contato, e recebemos sugestões de outros três lugares. Pesquisando sobre eles, o Elephantland foi o que pareceu melhor, mas sabíamos que não seria como o Nature park.

      Obrigada pela visita :)

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