Um dia em Koh Phi Phi e Maya Bay

Quando fechamos o nosso passeio para Koh Phi Phi e Maya Bay eu já sabia que ele era meio farofento. Alias, entre todas as farofas possíveis, ele era até o mais de boa. O barco era relativamente pequeno, com 25 pessoas (nada perto das mais de cem que saem em alguns barcos de Phuket). Mas o roteiro era daquele jeito... hora pra chegar em cada paradinha, hora pra sair, sobe, desce, chacoalha, vamoembora. Eu sabia, e não estava ligando. Nessas alturas da viagem eu já tinha certeza que eu voltaria pra Tailândia (a verdade é que eu sempre acho que eu vou voltar pra todos os lugares, rs.. mas pra Tailândia eu tenho certeza absoluta, e qualquer hora conto porquê), e não estava desesperada para o ter o time of my life. Eu só queria ir lá ver Phi Phi, queria ver Maya Bay, queria olhar o hype. 

E realmente, foi assim... saímos de barco de Koh Lanta e coisa de 45 minutos depois paramos nas encostas de uma ilha para fazer snorkeling. Tudo muito bonito, não tinha muita gente em volta, dava pra ver uns peixinhos e tal, mas a verdade é que não tinha nem comparação com Noronha, rs. Quem mergulhou por lá acho que não consegue se impressionar muito. Ao ver minha cara de decepção, o guia logo explicou que o tsunami de 2006 levou todos os corais, e por consequência a vida marinha que tinha por ali. Sobrou bem pouca agitação, uma tristeza para um lugar tão lindo :(

De lá seguimos em direção à Maya Bay, a tal da praia, a famosona, a mais bonita do mundo, a do Leonardo di Caprio. Maya Bay tem uma fama que não cabe em seus 250 metros. E ao chegar lá me deu uma crise de riso. Crise daquelas, porque assim, parecia um estacionamento. De dentro do mar você não conseguia ver a faixa de areia, de tanto barco que tinha na frente. E quando eu consegui ver a faixa de areia, a crise de riso intensificou, seguida de uma vontade de chorar rs. Sério, gente... não tinha 2 metros de areia livre, sem exageros. Alias, das coisas mais patéticas que eu vi foi um grupinho tentando tomar sol, estirado lá, enquanto centenas de pessoas passavam pra lá e pra cá levantando areia. É claro que o grupinho era brasileiro, porque a gente não desiste etc etc etc, mas tava feio, tava cafona rs. Mal tinha espaço para as pessoas andarem, e os nossos amigos lá, estirado no chão crente que estavam numa ilha deserta. Mas tudo bem, cada um com seu cada qual. A gente ficou lá tentando tirar umas fotos people free, eu até dei um mergulhinho, mas fiquei mesmo foi pensando no absurdo que é não limitar o acesso de gente a um lugar desse. Fosse limitado talvez eu nem tivesse ido, ok, mas quem fosse teria uma experiência melhor. Passamos um pouco menos de uma hora lá e Maya Bay e pra mim foi é tempo demais.
Você pensa que Maya Bay é assim?
Assim?
Ou assim?
Mas ela é assim!
Voltamos pro barco, e aí foi a vez de passar na tal da Monkey Island, uma ilha cheia de macacos. O barco para, você desce, e aí a natureza espera que o bom senso passe pela sua cabeça. Eu fiquei meio agoniada de ver os macacos tão "gentrificados" rs... eles posavam pra foto sem necessitar de comando. Um imbecil lá jogou uma garrafa de água e o macaco abriu e bebeu como se gente fosse, sem nem pensar duas vezes no que ele deveria fazer com aquele objeto. Eu fiquei bem desgostosa. Tirei uma fotinho com o macaco posador, sem chegar perto demais ou encostar nele, ao contrário de praticamente todo mundo que estava por lá, e subi pro barco bem agoniada com o ser humano. De lá vi mais gente jogar água pros macacos, vi outro macaco tentar roubar um celular, e no fim fiquei tipo "o que a gente ta fazendo aquiiii?!?!?!?!". Sério, porque a gente é assim? E é a gente, eu também, porque também fui lá tirar minha foto com o macaco. Fica aí essa pergunta: POR QUE O SER HUMANO É UMA MERDA, HEIM? 
Entre uma ilha e outra, surra de beleza
Phi Phi Leh muito esplendorosa
Eu, o macaco que posa pra fotos, e as inúmeras possibilidades de reflexão sobre o ser humano 
Mas aí pra passar meu aperreamento, a gente parou numa outra ilha pra comer. E aí ficou delicinha a coisa, porque eu estava morrendo de fome. Serviram um franguinho frito, arroz, curry com batatas, coca cola e água pra beber, fruta de sobremesa. Estava incluso no passeio e montaram um buffet na praia pra gente se servir. A praia era bem gostosinha, e acho que a mais vazia do passeio. Eu fui nadar e a água tava delícia, umas pessoas chegando de kayak, foi um momento bem relax e gostoso. 
A praia onde paramos para comer, nadar e ver barcos flutuar rs... olha a cor dessa águaaaa
De lá paramos em mais um lugar para fazer snorkeling. Mais uma vez eu foquei em mergulhar, em me refrescar, em curtir a água salgada que tanto amo, porque a vida marinha seguia sem ser muito impressionante. Veja bem, não é que não é bonito... a gente viu bastante peixinho colorido e tal. Mas a última vez eu que eu fiz snorkeling eu nadei com trocentos peixes diferentes, arraias, tartarugas e o escambau, então devo dizer quanto a esse assunto eu sou fresca, e minha barra ta bem alta rs. 

Por fim, chegamos em Phi Phi Dom, a última parada do passeio. Apenas esclarecendo, quando a gente fala de Phi Phi Islands, é uma referência ao arquipélago composto pelas ilhas de Phi Phi Leh e Phi Phi Dom. A primeira ilha é menor, não tem cidade, é um parque nacional onde não se pode dormir, e é onde fica Maya Bay. A segunda é uma cidadinha, cheia dos hotéis e infra estrutura. Alias, tem zero charme tailandês, porque infelizmente foi toda destruída pelo tsunami, e reconstruída já com influencia do turismo de massa e afins. Mas é gostosa mesmo assim, tem praias lindas, com a água azul cristalina e as rochas imponentes. Passamos mais de uma hora por lá, tomando uma cervejinha e esperando a chuva passar. Pois é, chegamos em Phi Phi Dom junto com a chuva, mas sem problemas. 
A vila
E as praias lindas de Phi Phi Dom, mesmo na chuva

De lá seguimos de volta para Koh Lanta, e eu fiquei com o aprendizado para dividir por aqui. Para quem não quiser se decepcionar com Maya Bay, o caminho é se hospedar em Phi Phi Dom e pegar um barco taxi logo cedo pela manhã, para chegar lá antes dos grandes barcos de passeio. É meio ridículo ter que madrugar para pegar uma praia com ocupação normal? É. Mas fazer o que... pelo menos a sua experiência vai ser melhor. Se eu me arrependo de ter ido de passeio? De jeito nenhum. Eu queria ir ver, eu queria por meus olhos naquelas rochas, naquele mar azul, e assim eu fiz. E apesar de toda a multidão que nos cercava, eu me senti feliz. Então ta bom, né?! A outra reflexão a ser feita é até onde vale a exploração nervosa do turismo de massa... porque eu fiquei bem desgostosa de ver aquela loucura em Maya Bay. Não dá dignidade ao paraíso que é. Eu sei que todo mundo quer ir, todo mundo quer ver, mas acho que todo mundo quer mais do que uma foto, né? Não seria maravilhoso efetivamente APROVEITAR o paraíso? Alias, não seria maravilhoso CONSERVAR o paraíso? Na pegada do que eu vi, eu não sei por quanto tempo Maya Bay se sustenta... acho que não existe ecossistema que aguente uma exploração tão brutal.
Fica aqui o registro da maravilhosa experiência que é tirar foto em Maya Bay hahaha

12 comentários:

  1. Gabriela, obrigada por esse post! rs Primeiro preciso dizer que as fotos estão lindas e a cor dessa água... A COR DESSA ÁGUA... incrível! E cara, que malabarismo pra conseguir essas fotos sem ninguém, hein? Porque quando vi essa praia lotada de gente na foto que quase ninguém tem coragem de mostrar, também dei risada. Menina, parece aqueles expectativa X realidade! Que loucura. É muita gente! Como não limitam o número de turistas nesse lugar, como?!!! Eu já não sou muito fã de barco, praia e muvuca, então o seu post foi o martelo final que eu não quero ir pra Phi Phi. O R ainda tá na dúvida, considerando, e deixamos em aberto mesmo - caso dê vontade de ir quando estivermos lá, vamos - até porque não será alta temporada. Mas o meu voto é pra não ir, pra mim não vale a pena. Obrigada pelo post!

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    1. Eu acho que na baixa temporada talvez em vez de 500 pessoas, tenha 300 hahaha.. realmente, não acho que vá ser vazia. Mas se vocês forem passar alguns dias em Phuket, vale a pena sim, ao menos para ir lá e ver. Agora caso você realmente esteja no bode, vale tentar achar alguns passeios mais vazios. Acho que em James Bond island não tem tanta lotação como em Maya Bay.. pode ser uma opção!

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  2. Adorei sua série de posts sobre a Tailândia (acabou? Espero que ainda tenha mais). Eu fui pra Tailândia com meu marido em 2010, mas ele organizou tudo. Na época eu nem sabia viajar, sabe? Pra vc ter noção, nem vacina da febre amarela tomei e quase me mandaram pegar um avião de volta. Despreparo é o nome disso... :/
    Mas eu amei a Tailândia de paixão. Acho que foi minha primeira experiência de choque cultural real - afinal, visitar a Europa e os States não é nem de perto tão impressionante quanto ir para a África ou a Ásia. Amei a loucura de Bangcoq, os templos, as cores (mas fiquei poucos dias!) e gostei muito das ilhas, mas a gente foi pro outro lado, Koh Tao e arredores. Minha experiência foi zero muvuca na época. Sei que continua não sendo tão badalado quanto Phi phi, mas será que deu uma enchida nos últimos 8 anos? Acho que assim como você, vou ter que voltar pra ver.... :)

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    1. Soltei agorinha o último post da viagem... agora acabou rs. E eu concordo com você sobre o choque cultural... acho que USA e Europa nem se compara com a loucura que é dar de cara com a Ásia.
      Eu vi fotos lindas desse outro lado, e quero muito conhecer. No fim do ano que li que a chance de chuva na área do golfo da Tailândia é bem maior (e de fato, choveu bem por lá enquanto estávamos no país), então excluímos do roteiro. Vai ficar para uma próxima!

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  3. Gabi, faz tanto tempo que não passava aqui no seu blog...adorei esse seu post! Podia ser uma série de posts sobre destinos turísticos e a verdade que ninguém conta.
    Isso de ir num lugar maravilhoso e ser bombardeado por um bando de gente sempre tem, e ver que as pessoas se importam mais em tirar fotos do que curtir o lugar é realmente triste. Lá na Patagônia vi muito disso! Eu estava em lugares fantásticos onde a gente chega depois de 4 horas caminhando. Chegando no fim, a galera só tirando selfie e voltando.
    E essa questão dos animais, a gente se sente uns trouxas mesmo... lá na África do SUl eu não fui em várias atrações turísticas pq tinha interação com animais, e sei que por mais que digam que cuidam bem deles, não é natural criar um animal selvagem, como elefante, para ficar o dia todo sendo acariciado e alimentado por humanos. Mas como eu estava em um grupo e me sentindo 'a chata" por não ter ido na maioria dos passeios, resolvi pagar pra passar a mão numa chita que vivia num lugar minusculo. Me senti muito estúpida....
    Enfim, a a gente aprende o que faz mais sentido pra nós, ne?

    Maravilhosa sua viagem!
    Beijos!

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    1. Adorei o coment, Ana. É muito verdade, as vezes a gente é que se sente inadequada por estar fazendo o certo, diante de tanta estupidez humana. Eu não fiz nada de errado.. o macaco tava parado la, "posando" pra foto, e as epssoas estavam encostando nele, tirando selfie. Eu parei com uma distância, e Mati fez a foto. Mas ainda assim, me senti mal. POrque COMO É QUE ESSE MACACO SABE FICAR PARADINHO ALI OLHANDO PRA CAMERA? Ele não é um bicho selvagem? Pois é... sabe porque gente, seja bem ou mal intencionada, tão ali infernizando a vida dele há anos, e ai, mesmo que eu Não tenha feito "nada errado", nem tinha que estar ali.. fiquei mal rs

      Beijos

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  4. Ahhhh, eu quero muito ir pra Tailandia e quero visitar Phi Phi!!! Adorei a 'ce acha que é assim' mas 'é assim' sequencia LOL

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    1. Volta e meia eu leio por aí que Maya Bay é lotada, mas eu nunca tinha visto foto da lotação, e por isso fui pega quase que de surpresa. Acho justíssimo postar por aqui hahaha!

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  5. Gabi, fico me perguntando como as pessoas nao se questionam sobre a propria estupidez. Em Railay tinha um lugar cheio de placas vermehas enormes escrito (gigantesco) "nao de comida aos macacos!". E o que as pessoas faziam? Davam comida pros macacos!!!!! E eles, como bons macacos, pegavam a comida, rasgavam a sacola e se bobear ainda agrediam o infeliz, ahahahahaha!!! Compartilho muito sua perplexidade, as vezes fico mesmo sem palavras...

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    1. Meu, o cara do barco falou isso mil vezes "não deem nada para os macacos, eles não precisam". E me vem o fdp dar uma garrafa dágua, sabe.. que depois o macaco levou pro mato, e estará lá para se decompor pelos próximos 100 anos... Eu fiquei muito desgostosa com o ser humano em vários momentos dessa viagem.

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  6. Embasbacada com a beleza desse lugar. Parece realmente algo dos sonhos, de tão lindo! E claro, fiquei aqui também chocada com o tanto de gente nessa praia, deusmedibre! hahaha
    Realmente, Gabi, super concordo que tinha que limitar o número de gente aí sim! Porque esse lugar realmente não vai durar muito. Como que preserva um lugar desse com um turismo de massa tão grande? Turismo é uma coisa que ajuda muitos países e muitos lugares, a bombar economia e tudo mais.. Mas tem que ser um turismo consciente, sabe? Porque se não vai virar um lugar só dos sonhos literalmente.
    E o lance dos macacos, consigo nem comentar de tamanha revolta. Ser humano é uma merda mesmo, como que um infeliz me joga uma garrafa pro macaco desse jeito e tantas outras coisas mais que esse povo num deve dar pros bicho :(
    Amei o relato super sincerão, Gabi! <3

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    1. Tipo, eu queria conhecer uma praia maravilhosa pra ir lá, estender minha canga, passar o dia mergulhando e apreciando a paisagem, sabe... não só ir, tirar foto, e ir embora porque não tem um metro quadrado pra parar quieta.. E isso me fez pensar muito no sentido do turismo. Povo vai pra ver, né, pra tirar foto, pra mostrar que foi. Aproveitar que é bom, é coisa do passado rs... Fiquei bem horrorizada, e me prometi que faria um relato bem sincerão mesmo!
      beijos

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