Favoritos em Munich

Passamos um fim de semana bem rápido em Munich no fim de março. O plano era ir pra Praga, por terra, numa viagem de dez horas. Procurando por uma parada, Munich surgiu,justamente no meinho: cinco horas de Berna, e outras cinco até Praga. Pra ajudar, uma amiga querida que mora lá estava de aniversário, e pronto! Estava armado o fimdi. Chegamos lá numa sexta à tarde, e saímos no domingo na hora do almoço, então tivemos bem pouco tempo na cidade e por isso, não fizemos o passeio que mais anseio em fazer pela região: uma trilha na área do Castelo de Neuschwanstein. Mas a cidade é uma graça, cheia de verde e de predinhos coloridos, e como eu não tenho nada para acrescentar à imensidão de informações sobre Munich que se acha por aí pela internet, vou me ater a contar aqui meus favoritos:

Frühlingsanlagen

Um parque bem lindo na beira do rio Isar. Num dia ensolarado, estava cheio de gente tomando sua cervejinha e curtindo o começo da primavera. A vista para a igreja também deixa tudo bem poético!

Manifestação Pacífica
Essa daí foi sorte nossa! Quando chegamos na Marienplatz, em pleno Sábado de Aleluia, estava rolando uma manifestação. Eu não entendi bem tema específico, mas saquei que englobava várias pautas de esquerda. Havia bandeiras LGBT, placas em favor de refugiados, de comunismo, etc. E eu adorei, claro! Mas o que me chamou mais atenção mesmo foi o total de ZERO polícia, de ZERO treta! Quando a gente tá acostumado a ver as manifestações da esquerda serem trucidadas com gás de pimenta, isso chama muita atenção. E isso tudo ocorreu em frente à Prefeitura de Munich. A Marienplatz é linda (e lotada que só), mas pra mim ficou ainda mais bonita vendo aquele povo todo por lá, protestando feliz :)


Cervejarias 
Sem querer ofender e talvez já ofendendo, rs, talvez o grande target turístico de Munich sejam os bêbados rs. E de certa forma, me incluo nisso aí hahaha. Visitamos a Paulaner, a Weinhaus Schneider, Hofbräuhaus (a mais badalada, barulhenta e divertida), e duas Augustiner, sendo a Augustine Keller, logo de frente pro terminal de ônibus, a minha favorita, com um Biergarten bem delícia! Para os amantes de cerveja, Munich deve ser tipo Meca, e eu já estou planejando minha peregrinação em setembro.

Rila, restaurante búlgaro
A minha amiga que mora em Munich é búlgara, e o aniversário foi no restaurante da irmã dela, um restaurante de comida típica da sua terra. E devo dizer que foi a melhor comida que comi em Munich! Eu nunca tinha comido comida búlgara, e honestamente, nem tinha referência. A real é que é bem parecida com a comida grega, com muito queijo feta, legumes, carnes, pastas. Sério, eu fui à loucura e comi muito mais do que deveria. I regret nothing!

E mais do que tudo, o que eu mais amo fazer em viagem: andar perdida por aí encontrando belezuras. E Munich é CHEIA de belezuras <3
Ópera
Essas ruas charmosas <3

Surf em Eisbach

Viajando Low Cost - Para o bem e para o mal

A primeira semana de abril foi o "Spring Break" de Mati, e resolvemos fazer uma viagem baratex por aqui. Barata porque o primeiro semestre é cheio dos feriados (Ski Week em fevereiro, Spring Break, Ascenção e Pentecostes em maio, etc), e ou mantém o modo econômico, ou não dá pra passear em todo feriado não. E embora a gente tenha uma lista de lugares para os quais queremos ir, no momento, é tudo decidido na base do preço. O que aparecer barato e for atrativo, vai. Só que pra esse Spring Break não apareceu nada barato... não apareceu um voo atrativo, um nada. Alias, foi pesquisando pra esse feriado que eu fiquei com tanta raiva que fiz esse desabafo aqui. E diante do total de zero voos baratos, resolvemos fazer uma viagem por terra, e fechamos um roteiro Bern - Munich - Praga - Viena - Berna. Como tá tudo fresco na memória, achei legal fazer um post com preços e afins, pra ter uma noção de custos de uma viagem baixa renda com dignidade rs. Ou nem tanta dignidade assim, já que vou deixar pro fim a grande cagada que rolou ;)

Hospedagem
Começamos a planejar essa viagem no começo de março, ou seja, com um mês de antecedência o que é bem em cima da hora, se considerar que era época de Páscoa, o primeiro feriado primaveril na Europa. E por isso a maioria das opções mais em conta já estavam esgotadas. Um adendo: já passei dos 30, sou casada, não to mais em época de ficar em quarto compartilhado e afins. A gente tem zero frescura pra hospedagem, mas o mínimo é ter nosso espaço, nosso banheiro rs. Resolvemos então ficar mais afastados do centro, mas em locais com boas opções de transporte público, e devo dizer que foi uma ótima decisão. Em Munich e em Viena, que são cidades mais caras, pagamos 60 euros a diária. Em Praga 45. O valor que gastamos com transporte interno não seria suficiente para bancar acomodação no centro, e foi legal ver outras áreas das cidades. Os bairros em que nos hospedamos eram bem residenciais, bem locais, e bem mais em conta. Fica essa dica: vejam possibilidades que não são exatamente no centro da cidade, mas bem conectados por transporte público. No fim, mesmo as grandes cidades europeias, em geral, são pequenas comparadas com as brasileiras, e é possível ficar "afastado" do centro, mas chegar nele em 10, 15 minutos de tram/trem/metrô/ônibus. 
Explorando os outros bairros de Praga
Budget diário
Dessa vez fizemos um budget de 100 euros por dia, pro casal. Não sei se alguém considera isso muito ou pouco, mas vou dizer que no geral foi bem justo. Logo no primeiro dia a gente, que gosta bem duns bons drinks e petiscos, percebeu como de 4 euros em 4 euros a gente sempre acaba gastando muito com pequenas coisas. No geral tomamos um bom café da manhã todo dia, comemos um petisco no meio do dia, e jantamos legal. Visitamos o que queríamos, compramos uns souvenirs, e foi tudo bem. Acho que se não fosse uma viagem low cost esse budget teria ficado em torno de 150 por dia. Mas não fez mal nenhum policiar o número de cervejinhas do dia rs. 

Transporte
No busão confortável da DB
O trajeto de Berna pra Munich, por terra, demora entre 4 e 5 horas, tem algumas opções de ônibus e trem, e escolhemos o melhor horário, que não necessariamente era o mais barato de todos. Mas ainda assim, saiu 40 euros por pessoa com a Deutsche Bahn. De Munich para Praga tem várias opções de trem, ônibus e avião e acabamos indo com a FlixBus, famosa empresa de ônibus low cost da Europa. A viagem dura 5 horas, e custou 20 euros por pessoa, também saindo no horário que era mais conveniente pra nós (poderia ter saído mais barato em outros horários, e também mais caro). De Praga para Viena tem opções de ônibus e trem, e optamos por comprar o trem com a ÖBB, empresa austríaca de trem. A viagem é super fácil, sai da Central em Praga e chega na Central em Viena, durou 4 horas e custou 20 euros por pessoa (e recomendo muito. O trem é super confortável, tem wifi, espaçoso, enfim, bom). Por fim a volta pra casa. Não tinha muita opção bacana. Ou gastava (bem) mais e voltava de avião, ou amargava uma viagem de mais de 10 horas de trem ou ônibus. Diante do precinho convidativo, resolvemos fechar um ônibus noturno com a FlixBus. O ônibus saiu da estação central de Viena, numa viagem de mais ou menos DOZE horas até a rodoviária de Berna, e custou 65 euros por pessoa (contra mais ou menos 210 euros de avião até Zurich e trem para Berna). 

E foi aí, meu caros, que a porca torceu o rabo. Viagem, seja ela rica ou pobre, está sempre sujeita a percalços. Países diferentes, lugares desconhecidos, planos que nem sempre dão certo, imprevistos, tudo isso pode acontecer. Mas quando você viaja "low cost", digamos que você pode ficar mais exposto a alguns riscos, porque tem que confiar em empresas que cortam custos, que não tem atendimento personalizado, afinal o baixo custo ta lá por um motivo, né? E o que aconteceu?

Aconteceu que chegamos na estação de Viena bem tranquilos para pegar nosso ônibus à meia noite. Já tínhamos feito um trajeto com a FlixBus e tinha sido bem agradável. Uma amiga minha fez dois trajetos noturnos longos com eles e também não reclamou de nada, então estávamos bem relax. Demos a bagagem e íamos entrar no ônibus para escolher os lugares (que não são marcados). Ao parar na porta, vi que Viena não era o ponto inicial do busão, mas ele vinha de Bucareste, numa viagem que tinha começado 15 horas antes. Já fiquei cabreira, porque imagina só a situação de um banheiro num busão desse? Rs.. Mas ok, respirei fundo e entrei. O andar debaixo do ônibus estava todo vazio, e então pegamos dois assentos. Nisso aparece o motorista e começa a mandar a gente pra cima, sem motivo nenhum. Mati foi olhar, não achou banco livre. O motorista não falava inglês, mas engrossou o tom, ordenando que a gente subisse. Eu ficava questionando em tudo que é língua "Porque?", "Warum?", "Why?", "Pourquoi?", e nada. O cara simplesmente com a cara fechada, apontando dedo, gritando pra subir, até que ele me empurrou, como que me mandando andar. Ai rapaz... eu saí do corpo: STOP FUCKING TOUCHING ME. DO NOT TOUCH ME. Ele entendeu do que eu tava falando e parou, mas nessa eu já estava bem louca do cy, na maior raiva. Ele subiu, tocou um cara que tava deitado num banco, e mandou a gente sentar lá. A hora que eu subi, deu vontade de morrer. Lá em cima o ar condicionado não dava conta, tava um fedor imenso da galera viajando há horas, comendo, bafejando e o escambau. E pior: era um bando de homem, tudo meio mal encarado, que estava olhando a gente (porque todo mundo me ouviu gritando), e enquanto seguíamos para o nosso banco, começou a fazer piada, falar alto, dar risada olhando pra gente, tudo em alguma língua que desconheço. Eu gelei. Fiquei apavorada. Muito medo. Sentei naquele bafo, no fedor, morta de medo, e me caiu a ficha da merda feita... não tinha o que fazer, pra onde ir. Não tinha a menor condição de dormir num lugar daquele. Comecei então a pesquisar trens saindo das próximas paradas, mas além de caros, no meu bilhete de ônibus estava dizendo que a saída no meio do trajeto não é permitida. Então também já imaginei que o motorista não iria devolver a nossa bagagem. O ônibus fez várias paradas rápidas, o que foi bom porque não precisei usar o banheiro dele. Me subia o sangue cada vez que eu descia a escada e via o andar debaixo completamente vazio, mas confesso que eu estava com medo do motorista, Mati idem, então deixamos quieto. Lá pelas 4h da manhã paramos na fronteira da Áustria com a Alemanha, e eu percebi que a macharada ficou agitada. A polícia mandou seguir sem entrar no ônibus. Mas quando chegou na entrada na Suíça, o ônibus foi parado, e na inspeção, deu pra ver que a agitação é porque eles estavam todos com história esquisita. Ficamos parados uma hora na fronteira, vários deles entrevistados, revistados, mas fomos liberados. Na parada em Zurich, percebemos que algumas pessoas que disseram pro guarda que estavam a caminho da França desceram. Ao chegar em Berna, só eu, Mateus e mais duas pessoas íamos descer. Éramos os primeiros na porta, e quando ela abre: POLÍCIA. A Polícia chegou chegando lá no busão, no maior esquema de apreensão de ilegais. Eles viram nossos documentos, nos liberaram, e fecharam a porta do ônibus com todo mundo que tava dentro. Não sei o que se passou depois, finalmente tínhamos chegado em casa. 

Agora gente, me diz? Me diz que economia que vale uma merda dessa? Esse medo que passamos, o stress todo? Isso que eu estava com Mati. Imagina uma mulher sozinha numa situação dessas?! Eu nem sei qualé a desses caras, eles podem ser simplesmente pessoas normais buscando uma vida melhor, sei lá, mas é inevitável pensar merda, ainda mais quando eles começaram a falar alto e fazer piada, sério... gelou a minha espinha, porque eram coisa de uns 10, 12 caras, e sabendo que nem com o motorista (alias, muito menos com ele), poderia contar. 

Enfim, nada mais grave aconteceu, tirando ter sido a minha pior experiência de trânsito em viagens. Foi uma lição, e eu confesso que depois dessa pensarei algumas vezes antes de me meter numa viagem longa de ônibus. Mas ainda assim, pra quem ta com um budget restrito, é uma opção sim. Acho que, no entanto, é válido observar algumas coisas: de onde sai o ônibus, quais as questões migratórias entre os países envolvidos no trajeto, estar acompanhado é uma boa, se possível reservar lugar. 

No fim, apesar do desfecho meio bizarro, foi uma viagem bem bacana de nove dias, por três cidades lindíssimas, e com um custo bem legal. Em breve conto mais do que fizemos por lá!

Como me sinto sendo uma imigrante

Vinte e dois de abril de 2018. Vivendo na Suíça há um ano e nove meses.

Me sinto, de certa forma, uma cidadã de segunda classe. Veja bem, não sou nem nunca fui abertamente discriminada. Mas carrego comigo aquele feeling de que não posso errar, de que qualquer bola fora é muito mais grave, de que qualquer esforço deve ser dobrado. Por exemplo: sei de um suíço, conhecido de uma amiga, que não compra bilhete de transporte. Simples assim. Ele fez as contas, e resolveu que se for pego de vez em quando, sai mais em conta pagar a multa do que pagar o transporte cada vez que usa. É feio? É. Mas sabe quando que você vai ouvir um tinha que ser suíço por causa disso? Nunca. Inclusive teve partido aqui que já tentou passar lei para que um estrangeiro que cometesse qualquer infração, inclusive andar no transporte sem ticket, fosse deportado. Por essas e outras que eu não me sinto no "direito de fazer conta" (se é que alguém tem esse direito rs). Do mesmo jeito, andei perguntando pra algumas pessoas sobre o Bilag (um imposto auto declaratório daqui sobre o consumo de televisão) e percebi que muita gente finge que não tem TV em casa. Eu fiquei apavorada e declarei no dia em que tiramos a TV da caixa, morta de medo da fiscalização baixar aqui e a gente tomar coió. Pode ser coisa da minha cabeça. Pode ser complexo meu. Acho, inclusive, que é. Mas isso não muda o fato de que é assim que me sinto.

Outro dia falei aqui sobre a questão profissional, sobre como os nomes do meu currículo aqui não significam nada. Sobre isso, uma vez uma amiga me disse uma coisa que ficou muito na minha cabeça: quando você imigra, tiram de você tudo que você tem. Sua experiência, sua vivência, suas conquistas, tudo isso perde valor. E é uma meia verdade. Acho que pra quem vem de certos países, como Estados Unidos, por exemplo, isso pode ser atenuado. Mas quando a gente vem de um país em que é (injustamente) famoso por festa, pobreza, corrupção e bandidagem, é difícil começar a conversa em pé de igualdade. E mesmo olhando a posição de certa forma privilegiada em que estou, acuso esse golpe.

E como assim, cidadã de segunda classe mas em posição privilegiada? Porque infelizmente, em tempos de tomada do conservadorismo, ser branca, com universitário completo e inglês fluente, me coloca numa situação privilegiada (aqui, no Brasil, e em quase tudo que é lugar). Questões como raça e escolaridade podem não ser suficientes pra alguém me dar um emprego aqui, mas são suficientes pra me deixar viver em paz até que eu faça uma cagada. Como eu disse lá no começo, eu nunca fui abertamente discriminada, e é exatamente por essa posição privilegiada. Porque sei de histórias de brasileiros de pele negra, de árabes, que não fizeram nada de errado mas tem que lidar com cada situação de merda, que não é justo. E não me sinto melhor por ter esse privilégio.

Então hoje, quando me perguntam como me sinto aqui, eu fico bem dividida. Minha casa é aqui. Sabe aquela coisa de quando você deita na cama e se sente em casa? Então, eu me sinto aqui. Mas me sinto assim pelo mundo que construí aqui com meu marido. Pela casa que fizemos aconchegante, pelos amigos que temos (99% estrangeiros, diga-se de passagem, o 1% é uma amiga "suíça", nascida e criada na Bélgica rs), pela vida que aqui levamos. Confesso, no entanto, que tudo isso poderia estar sendo vivido exatamente da mesma maneira em Barcelona, em Estocolmo, em Viena, ou em qualquer outra cidade europeia. E, provavelmente, eu estaria me sentindo do mesmo jeito em outro lugar. Porque imigrar é assim mesmo, pra onde for que você vai.

Acho que o sentimento de pertencimento vem com o tempo, com a conquista de certos milestones na vida. Provavelmente, quando eu arrumar um emprego legal, dê um passo a mais nessa direção. Quando fizer alguns amigos suíços (ou simplesmente deixar de me importar com o fato de que os suíços não querem ser meus amigos rs), dê outro. Quando dominar o alemão, mais um. E se um dia eu entender o dialeto, outro. Comecei esse post com data porque ele não é definitivo e deverá ser revisitado de tempos em tempos. A jornada de um imigrante é longa, e eu sinto que ainda estou no começo.

Ps - esse post não é sobre as dores e delícias de viver na Suíça. É única e simplesmente uma reflexão sobre a condição de imigrante, ok? Não me digam que se tá ruim é só voltar pro Brasil, rs. 

Dicas de Moscou

Ao longo dos posts (começo, meio e fim) da viagem, eu soltei uma dica e outra. Mas acho mais prático colocar tudo num post só, e também adicionar outros valiosos conselhos ;) Voilà.

Chegando e Saindo
Como eu disse, o desafio começa no aeroporto. Se houver tempo e paciência, vá de transporte público mesmo que você ganha mais. Caso opte por ir de taxi, seja duro na negociação. Com a gente, o preço inicial foi quase cinco vezes mais caro do que o normal. Se ninguém tivesse me avisado, eu tinha pagado. Saindo de Sheremetyevo, gira em torno de 40 minutos dentro do taxi (dependendo do trânsito, que em Moscou pode ser brutal) e coisa de 2 mil rublos é um preço ok. Eu não fui ao aeroporto Demodedovo, mas dei uma olhada aqui e é possível pegar um taxi pelo mesmo preço. De transporte público, claro que depende onde você vai se hospedar. Mas de Sheremetyevo tem trem e ônibus para estações na cidade, onde você pode trocar para linhas de metrô.  Numa olhada rápida, você gasta coisa de uma hora e meia. De Demodedovo sai um trem para Paveletskiy, outra grande estação de trem e metrô, de onde você troca para a sua linha (a viagem dura mais ou menos 1 hora e 20). Ps - Sheremetyevo é um dos aeroportos mais mal diagramados em que já estive rs.. Quem passar por lá vem aqui me deixar um cent de opinião please hahaha. 

Hospedagem
No nosso caso, como Mati precisava de visto, optamos por ficar num hotel, já que eles fornecem um formulário necessário para o visto. Escolhemos o Ibis por ser uma rede conhecida, mas no preço que podíamos pagar. Eles tem vários pela cidade, mas ficamos no Ibis em Kievskaya, que é uma praça grande. Recomendo muito a localização, porque ali perto tem trem, metrô (dos bonitos), shopping, lojas, inclusive divide a esquina com um Eataly, para quem se interessar rs. Claro que, para quem tiver disposto a gastar um pouco mais, ficar na área próxima à Praça Vermelha é ainda melhor. Mas os preços são bem salgados, e como alternativa, eu recomendo muito Kievskaya. O AirBnb ta bombando em Moscou, e para quem se interessar, olhar algo na região mais central é uma boa opção. Se precisar fazer visto, no entanto, não tem como (um parênteses nesse assunto: para quem precisa de visto, é preciso um "responsável". Os hotéis emitem um documento se responsabilizando por você, e com ele você pede o visto. Notei que o padrão é oferecer o documento uma vez que a reserva foi feita, e se você cancelar, eles cobram uma taxa, afinal de contas o nome deles está no seu visto). 

Transporte
Uma vez na cidade, nós acabamos usando bastante metrô, e taxi algumas vezes. O taxi foi aquilo, povo querendo enfiar a faca e torcer. Tem que ser duro na queda, SEMPRE, mas esteja ciente de que dificilmente vai rolar taxímetro, rs. O metrô é muito bom e vale a pena, porque além de tudo é uma atração à parte. Mas tem que ter paciência e tempo, porque eles ainda não ajustaram os sinais para inglês (e em várias estações, tem nem em alfabeto romano, é só cirílico mesmo) e você demora a achar sua direção e tal. Mas acha, dá certo. Além disso, quase toda a parte turística de Moscou está na área da estação Ploshchad Revolyutsii, e dali você sai andando pra outras partes, como a área dos teatros, etc. Então também não precisa pegar o metrô muitas vezes por dia.


Dinheiro
A moeda local é Rublo, e a taxa de conversão para Reais é mais ou menos de 17 rublos para 1 real. Nós sacamos em caixa eletrônico por lá mesmo, para não precisar ficar pagando taxa de conversão. O lado bom da coisa, foi que todos os ATMs que usamos não cobravam taxa de saque. Nós pagamos praticamente tudo com cash, mas meu primo estava usando cartão, e eu não vi nenhum problema de aceitação. E também não percebi eles cobrando nada a mais pelo uso do cartão.

Segurança
Eu me senti muito segura em Moscou, de verdade. Acho que pelo momento em que estão vivendo, há muitos checkpoints de segurança, detector de metal, muitos. Até no hotel, no shopping, para entrar em pontos turísticos, etc. Mas não fiquei alarmada por isso, nem me senti insegura. Na cidade achei tudo bem sossegado, limpo, organizado, e mesmo na madrugada, quando vimos mais gente em situação de rua, não me senti ameaçada. Eu li que fora da área central, nas periferias, como toda cidade grande, Moscou pode ser mais perigosa. Mas em toda a área onde passamos, que é foi basicamente a área central, me senti bem sossegada.
Lembrando que a Copa vem aí e os caras estão ligadíssimos na segurança
Língua
Em bares e restaurantes foi bem sossegado se comunicar em inglês. Nas estações de metrô, nem tanto. Mas no geral, não passamos aperto nos momentos em que estávamos sozinhos (na maior parte do tempo estávamos na companhia de uma russa). Acredito que no passado isso tenha sido um grande problema, e a reputação de uma Moscou que não se comunica em outra língua permanece, mas não é verdade. A gente se virou super bem em inglês. 

Comida
Definitivamente, não é um problema. A comida russa é bem variada: tem carnes, peixes, massas, sopas, e honestamente, nada muito diferentão. É possível comer bem sem grandes estresses. Meu favorito foi o blini, tipo um crepe, que pode ser recheado de várias coisas. Comi até blini de caviar rs. Também curti muito o pelmeni, que é tipo um dumpling. Alias, o caviar é iguaria típica russa, e vale a pena experimentar. Para quem for mais reticente, é possível encontrar tudo que é rede de comida, indo de Burguer King até o Shake Shack.

Carão
Last but not least, a Rússia é o país do carão rs. A mulherada lá anda MUITO arrumada, tipo, passarela de moda full time, mesmo debaixo de neve e tal. Eu sabia disso, mas ainda assim, por conta da mala louca de Tailândia e Rússia, não deu pra fazer muito a respeito. E assim, não é um problemão, mas é um fato, o povo te olha de cima abaixo. E em bar e restaurante, faz diferença no atendimento sim. Inclusive, quase fomos barrados na baladinha que queríamos ir. Então, se eu voltar a Rússia saindo aqui de casa numa viagem exclusiva, rs, eu prestarei mais atenção nos modelitos. 
Não é bem desse carão que eu to falando rs
Se alguém lembrar de outro tópico interessante, manda ver nos comentários :)

Moscou, o fim

O sábado era nosso último dia em Moscou, e o plano era começar o dia vendo o Mausoléo de Lenin, seguir para o Kremlim e depois deixar a vida levar rs. O primeiro percalço foi o Mausoléo... a fila estava imensa. Ele só abre pra visitação por algumas horas, em alguns dias da semana. Como eu disse, era feriado, muita gente na cidade, e a fila estava enorme. Aí fomos checar a fila do Kremlim, e estava ok. Acabamos adiantando a visitação lá, mesmo sabendo que inviabilizaria ver Lenin embalsamado. Eu não queria correr risco de ficar horas na fila do Mausoléo e depois horas na fila do Kremlim. Uma pena. 

Foi super tranquilo comprar e entrar lá, e após passar a segurança, você entra na área murada onde fica a sede do governo russo. O Kremlin é composto de cinco palácios, quatro catedrais e do Grand Kremlim Palace, a residência oficial daquele que não deve ser nomeado hahaha. No entorno, uma muralha o separa da cidade e da Praça Vermelha, e o rio Moskva passa pertinho. É possível fazer visita guiada, mas optamos por perambular por lá por conta própria. No dia em que estivemos lá não era possível visitar os palácios, mas sim as catedrais. São todas belíssimas, e nelas estão enterrados diversos Czares, suas famílias e outras pessoas representativas da história russa.
O Kremlim Grand Palace & Eu
Natal rolando pela Rússia - inclusive nesse dia tinha um evento bem para crianças no Kremlim que é bem tradicional
Catedral da Anunciação, construída nos anos 1400

A muralha
Andamos por lá por cerca de duas horas, entrando em todas as catedrais, e observando a arquitetura. Eu estava me sentindo realizada como viajante, sabe? É um desses lugares onde dá muito gosto de fincar bandeira rs, e que dá dó de sair, porque você quer prolongar o momento. Mas estava frio, muito frio, já tínhamos visitado todos os prédios abertos, e era hora de seguir. Saímos novamente na Praça Vermelha e eu encontrei o único grupo de brasileiros que vi na Rússia rs. Dei uma informação pra eles e me senti muito por dentro dos paranauê hahaha. Ficamos dando uma olhada na quermesse natalina que estava rolando na praça, e claro, a Catedral de São Basílio, de novo.

Seguimos então para o GUM, um shopping também dentro da Praça Vermelha. O nome "GUM" era o nome das antigas lojas de departamento do governo soviético. Agora quão irônico é que nesse GUM, o mais famoso, hoje dia só existem lojas luxuosas, do calibre de Hermès, Prada, Gucci e afins? Haha.. Nós demos uma passeada lá dentro enquanto esperávamos meu primo, e de fato, não é pro nosso bico rs. Mas é bem bonito (e tem um banheiro histórico que acabei não visitando por motivos de fila rs). A área no entorno também é bem bonita, cheia de luzes. Alias, Moscou ta bem podendo dividir com Paris o título de cidade luz, rs. A cidade é muito iluminada, cheia de luzinhas, de cores, é uma coisa!
GUM

Quando encontramos meu primo, e saímos do GUM, já era noite e começou a cair uma grande nevasca! Acho que foi o momento mais mágico da nossa estada em Moscou: estar naquele cenário maravilhoso com uma baita neve caindo na cabeça. Eu estava tão, mas tão feliz, que mesmo congelando não conseguia sair do lugar. Que momento!

Fomos jantar, e depois de nos despedir da família, partimos para o passeio que, ao lado da Praça Vermelha, era o meu mais esperado em Moscou: explorar as maravilhosas estações de metrô. Durante o comunismo, os governantes entendiam que o metrô era o palácio do povo. Era onde eles exerciam sua liberdade, de ir, vir, de trabalhar, de viver. E por isso as estações de Moscou são muito bonitas, e algumas dela tão luxuosas que mais parecem mesmo um palácio ou um museu. Tendo lido alguns artigos, pegamos uma linha de metrô circular, que passava por várias dessas estações bacanudas. Não vimos todas, mas fiquei fascinada com o que vi.
Komsomolskaya
Novoslobodskaya
Belorusskaya
Krasnopresnenskaya
De boas na revolução
Se não me engano, vimos no total, coisa de dez estações ao longo da viagem. Nenhuma decepcionou, todas lindíssimas. E depois de finalizar o nosso tour, já passava das 10 da noite e estávamos bem cansados. Fomos pro hotel debaixo de neve, muito realizados com nossos dias em Moscou. Fiquei tão, mas tão apaixonada pela cidade, que só penso em voltar, e explorar com mais calma. Recomendo Moscou com força!

March Madness

Quem vê o título desse post pensa até que rolou muita loucuraaaaa em março hahaha.. e nem foi tanta assim. Mas devo dizer que há tempos a vida não ficava tão agitada, e eu fiquei como?! Isso mesmo, felizona, porque é disso que a gente gosta, de agitação rs. 

Começamos o mês no frio siberiano, com a chegada da ultra frente fria glaciar haha. Berna amanheceu no dia 1o de março enterrada em neve, no maior caos, com trens e ônibus parados, e suíços desesperados. Embora eu tenha demorado uma hora pra chegar na escola (trajeto que normalmente leva 20 minutos), eu achei foi graça da situação. Acho que eu estava sentindo falta de bagunça, e confesso que me deu certo prazer ver, finalmente, a suíça - e os suíços - perdendo a linha. E além da zona, a nevasca trouxe também paisagens lindas <3 



Mas quando o frio aperta, a gente se diverte, né? Fui ver uma cachoeira congelada em Thun, fui com as amigas fazer sleding em Grindelwald, esquiar em Zweisimmen e também fomos fechar a estação em Saas Fee. Alias, sobre o esqui, uma observação: ano passado eu consegui ver muita melhora, afinal de contas, fui de não saber esquiar a conseguir parar em pé e descer a montanha em cima do troço. E eu estava com muita expectativa pra esse ano, de que eu ia evoluir muito, se bobear conseguir esquiar "bonito", em paralelo, descer pista vermelha, etc e tal. E rolou toda uma decepção, porque honestamente, não evolui em nada. Mas tudo bem, quem sabe ano que vem, né?


Fechando a temporada a 3.500m de altitude 
Teve também o fim de semana da esbórnia haha. Duas amigas fizeram aniversário no mesmo fim de semana. Na sexta, uma amiga fazia 25 anos e tinha uma missão: tomar um porre de aniversário. Como amiga que é amiga, em vez de tirar a ideia errada da cabeça da novinha, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Só que a outra amiga fazia aniversário sábado, e tinha outra missão: correr 5 km de aniversário. E como amiga que é amiga em vez de tirar a idea errada da cabeça da musa fitness, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Moral da história: pela primeira vez na vida, corri 5 km. E de ressaca. E debaixo de chuva. E estou aqui, viva pra contar e dar um conselho pra vocês: evitem. 
Na farra como se não houvesse amanhã...
... mas tinha
E depois dessa loucura toda, na segunda-feira começaram minhas aulas na Universidade. Em paralelo, tive várias reuniões do projeto em que eu sou voluntária. Por outro lado, entrei numa nova pausa no curso intensivo de alemão. Eu realmente não estava dando muita conta do B2, não estava tirando todo proveito que a aula poderia dar. É muito difícil porque eu quase não pratico fora da escola, então estava rendendo menos do que poderia. E pra piorar, eu não estava curtindo minha turma, então estava bem desmotivada. Em abril voltarei para um curso de conversação, pra praticar um pouco, antes de voltar e terminar o B2. 

Pra finalizar, é spring break. Terminaremos março na estrada, viajando, passeando, e aproveitando. Mas o melhor de tudo, é que é S*P*R*I*N*G break. A primavera está, timidamente, começando a dar as caras por aqui, e pouca coisa me deixa mais feliz. Ver os dias ficando mais longos, o colorido das flores começando a aparecer, a temperatura começando a subir. Dá um novo ânimo pra mim, pessoa do verão e do calor. Não vejo a hora de me esticar na grama, de nadar no rio, de ver essa Berna ainda mais linda <3 Primavera, chega mais!



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