Como me sinto sendo uma imigrante

Vinte e dois de abril de 2018. Vivendo na Suíça há um ano e nove meses.

Me sinto, de certa forma, uma cidadã de segunda classe. Veja bem, não sou nem nunca fui abertamente discriminada. Mas carrego comigo aquele feeling de que não posso errar, de que qualquer bola fora é muito mais grave, de que qualquer esforço deve ser dobrado. Por exemplo: sei de um suíço, conhecido de uma amiga, que não compra bilhete de transporte. Simples assim. Ele fez as contas, e resolveu que se for pego de vez em quando, sai mais em conta pagar a multa do que pagar o transporte cada vez que usa. É feio? É. Mas sabe quando que você vai ouvir um tinha que ser suíço por causa disso? Nunca. Inclusive teve partido aqui que já tentou passar lei para que um estrangeiro que cometesse qualquer infração, inclusive andar no transporte sem ticket, fosse deportado. Por essas e outras que eu não me sinto no "direito de fazer conta" (se é que alguém tem esse direito rs). Do mesmo jeito, andei perguntando pra algumas pessoas sobre o Bilag (um imposto auto declaratório daqui sobre o consumo de televisão) e percebi que muita gente finge que não tem TV em casa. Eu fiquei apavorada e declarei no dia em que tiramos a TV da caixa, morta de medo da fiscalização baixar aqui e a gente tomar coió. Pode ser coisa da minha cabeça. Pode ser complexo meu. Acho, inclusive, que é. Mas isso não muda o fato de que é assim que me sinto.

Outro dia falei aqui sobre a questão profissional, sobre como os nomes do meu currículo aqui não significam nada. Sobre isso, uma vez uma amiga me disse uma coisa que ficou muito na minha cabeça: quando você imigra, tiram de você tudo que você tem. Sua experiência, sua vivência, suas conquistas, tudo isso perde valor. E é uma meia verdade. Acho que pra quem vem de certos países, como Estados Unidos, por exemplo, isso pode ser atenuado. Mas quando a gente vem de um país em que é (injustamente) famoso por festa, pobreza, corrupção e bandidagem, é difícil começar a conversa em pé de igualdade. E mesmo olhando a posição de certa forma privilegiada em que estou, acuso esse golpe.

E como assim, cidadã de segunda classe mas em posição privilegiada? Porque infelizmente, em tempos de tomada do conservadorismo, ser branca, com universitário completo e inglês fluente, me coloca numa situação privilegiada (aqui, no Brasil, e em quase tudo que é lugar). Questões como raça e escolaridade podem não ser suficientes pra alguém me dar um emprego aqui, mas são suficientes pra me deixar viver em paz até que eu faça uma cagada. Como eu disse lá no começo, eu nunca fui abertamente discriminada, e é exatamente por essa posição privilegiada. Porque sei de histórias de brasileiros de pele negra, de árabes, que não fizeram nada de errado mas tem que lidar com cada situação de merda, que não é justo. E não me sinto melhor por ter esse privilégio.

Então hoje, quando me perguntam como me sinto aqui, eu fico bem dividida. Minha casa é aqui. Sabe aquela coisa de quando você deita na cama e se sente em casa? Então, eu me sinto aqui. Mas me sinto assim pelo mundo que construí aqui com meu marido. Pela casa que fizemos aconchegante, pelos amigos que temos (99% estrangeiros, diga-se de passagem, o 1% é uma amiga "suíça", nascida e criada na Bélgica rs), pela vida que aqui levamos. Confesso, no entanto, que tudo isso poderia estar sendo vivido exatamente da mesma maneira em Barcelona, em Estocolmo, em Viena, ou em qualquer outra cidade europeia. E, provavelmente, eu estaria me sentindo do mesmo jeito em outro lugar. Porque imigrar é assim mesmo, pra onde for que você vai.

Acho que o sentimento de pertencimento vem com o tempo, com a conquista de certos milestones na vida. Provavelmente, quando eu arrumar um emprego legal, dê um passo a mais nessa direção. Quando fizer alguns amigos suíços (ou simplesmente deixar de me importar com o fato de que os suíços não querem ser meus amigos rs), dê outro. Quando dominar o alemão, mais um. E se um dia eu entender o dialeto, outro. Comecei esse post com data porque ele não é definitivo e deverá ser revisitado de tempos em tempos. A jornada de um imigrante é longa, e eu sinto que ainda estou no começo.

Ps - esse post não é sobre as dores e delícias de viver na Suíça. É única e simplesmente uma reflexão sobre a condição de imigrante, ok? Não me digam que se tá ruim é só voltar pro Brasil, rs. 

28 comentários:

  1. Adorei o post, imagino que realmente nao deve ser fácil, mas a experiencia deve ser incrivelmente maravilhosa. Acho que o mais importante é que você se sente em casa, sente que encontrou seu lugar, e aos poucos as adaptações dos outros vem.
    Um super beijo, ótimo finde.

    Tety
    simplesrotiina.blogspot.com

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  2. Gabi, excelente reflexão! Sabe, têm diversas pesquisas no tema que mostram que imigrantes cometem menos crime do que os locais, exatamente por conta deste sentimento da falta de pertencer que você colocou no post. A gente nunca sabe o que vão usar para nos colocar de volta em nossa posição de cidadão de segunda classe. Onze anos como imigrante e mesmo tendo cidadania do país, meu sentimento é que o pertencimento nunca é completo, pelo menos para mim. Sempre vai ser diferente porque eu tenho toda uma vida conquistada em outra cultura, com outras situações... E hoje já não sinto que pertenço ao Brasil completamente também, estou no limbo rsrs Como você colocou, acho que cada vez mais que vamos conquistando nosso espaço no novo país, vamos nos sentindo mais parte do conjunto, mas não sei de verdade se para todos, este sentimento de pertencimento vem de fato de forma completa.

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    1. Realmente, esse é um outro contraponto: o de não pertencer por completo mais a lugar nenhum. Eu já pensei nisso mas acho que não tinha feito a volta completa no raciocínio. E eu realmente acho que o pertencimento completo é utopia, não existe não. O que acontece é que algumas pessoas conseguem viver completamente alheias ao fato de que talvez não estejam 100% aceitas. Sei lá... Deve ser algo assim. Eu vejo uns franceses que moram aqui, que sentem um pouco isso, estão nem aí, "aqui é minha casa assim e eles que se danem", hahaha... não sei dentro da casca qual é o feeling, mas eu acho é divertido, só não sei se algum dia eu chego lá.

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  3. Deixa eu começar dizendo que ri com o pe de nota, em tempos de extremismo de opinioes a gente ja escreve com a resalva da proteção levantada, é triste mas é como o mundo anda ultimamente.

    Amei a sua perspectiva, me identifiquei muito. Com quase 7 anos de EUA eu me sinto muitas vezes um peixe fora d`agua, me sinto na responsabilidade de ser melhor ou nunca fazer besteira pra nao dizerem o famoso, viu o que "eles" vem fazer aqui. E olha que moro em NY uma das cidades mais misturadas do mundo, imagino em outros lugares por esse mundão.

    O que a Aline falou ali em cima eu tambem sinto e me identifico, eu nao sinto que pertenço aqui nem ao Brasil mais, e como se a gente tivesse num limbo, ou vivesse entre duas culturas diferentes. Nao sei se esse sentimento passa algum dia, mas espero que amenize com o tempo.
    Bjs

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    1. Menina, estamos em 2018, o ano em que já de saída tem que sair pedindo desculpa por falar, escrever, existir haha.. E sim, você percebe que é um sentimento universal quando alguém que vive em NYC sente assim, numa cidade tão plural e diversa.
      Beijos e obrigada por participar e enriquecer a conversa

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  4. O factod e te sentires bem, e sentires que pertences aí é muito, muito bom!
    Beijinhos,
    https://chicana.blogs.sapo.pt/

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    1. Beijos e obrigada pela visita. Aos poucos a gente chega lá!

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  5. Depois de quase dois anos na Estônia, me sinto como você descreveu. Apesar da posiçao privilegiada, nunca pertenceremos completamente ao país que emigramos! Ótima reflexao, e amei o blog!

    Ana
    elculinario.org

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    1. Nossa, se aqui na Suíça que tem tanto imigrante eu acho difícil, não sei como deve ser por aí. Não que eu saiba muito sobre a situação imigratória da Estonia, mas é a primeira vez que interajo com alguém que imigrou para aí, hehe. Obrigada por visitar :)

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  6. Nossa, que bacana ler esse seu relato. Eu sabia de muita gente na Irlanda que fazia isso de burlar o sistema de transporte, mas a maioria era brasileiro, e eles acabam fazendo a fama de estrangeiro ser desrespeitoso e trazer essas pequenas corrupções pro sistema. Infelizmente, basta uma pessoa de fora fazer algo errado pra causar uma impressão geral de que pessoas estrangeiras são dignas de desconfiança. Mas acho que é aquilo que tu falou, a gente tem uma bagagem, não só o currículo - que pode ser facilmente desconsiderado - mas a questão cultural, tudo que a gente viveu e passou no Brasil, que marcou nossa vida, tem muito pouco significado pra quem vive desde sempre num país e tem outra realidade, meio que nos sentimos excluídos por não termos essa vivência do tempo e espaço num local e tals. Mas com o tempo acho que a adaptação fica mais fácil, com o aprendizado da língua. Embora eu sinceramente ache que nunca seja totalmente completa, sabe? E isso pode ser bom, você é brasileira, sempre vai ser, tem sua identidade própria e essa vivência de se sentir em casa em outro lugar só acrescenta na sua vida e te faz mais "rica" :)

    Beijos,
    brilhodealuguel.com

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    1. Não vou ser hipócrita e dizer que nunca andei sem bilhete. Já andei de forma intencional sem bilhete algumas poucas vezes (e de forma não intencional algumas outras, quando meu passe mensal venceu e eu esqueci completamente), mas nunca me senti tranquila de fazer isso, tipo.. ok, se der merda, deu. NUNCA. Fique super nervosa, num grau que você percebe que nem vale a pena... Mas por outro lado, tirando uma vez, todas as vezes outras que vi alguém tomando multa aqui, era suíço. Sério. E nunca vi constrangimento, nada. É tipo: não tenho bilhete, pode multar. Na maior calma. Coisa que pra mim, é inconcebível.
      E realmente, eu não quero, nunca deixarei, de ser brasileiríssima rs. Umas amigas gringas inclusive andaram notando que desde que mudei, nunca mais postei em inglês no facebook, nada. Senti que, à distância, alguns laços meus com o Brasil se estreitaram. E eu não quero mesmo que seja diferente. Mas essa coisa de se sentir menos é uma merda. Eu não quero SER SUÍÇA, só quero ser respeitada como tal. Algo assim, sabe?

      Beijos

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  7. Ótima reflexão, Gabi e me vi muito nas suas palavras. Acho que todo imigrante de certa forma vai se identificar com esse texto. É a mesma sensação por aqui de que eu não posso fazer nada de errado, pq né.. Se é um irlandês.. ''ele tá em casa''. As penalidades e a forma como as pessoas vão ver o ocorrido vai ser diferente, infelizmente :(
    Eu me sinto em casa muito mais aqui do que em SP, mas não importa quantos anos eu more aqui, fazendo tudo nos conformes, vai ter sempre aquele ''imigrante'' escrito na minha testa. E infelizmente muito gente vÊ isso já como uma inferioridade.
    Mas vai falar isso pra alguém, já mandam a gente voltar pro Brasil, né? hahaha não entendem que isso não e uma reclamação, mas sim uma reflexão sobre a forma e o ''status'' que a gente vive morando em um outro país.
    Amo seus textos, Gabi ♥

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    1. É o tal "não tinha nem que ta aqui, linda" rs... você faz uma cagada, e já tem olham "o que é que vc ta fazendo aqui mesmo"? Eu achei tão bacana que nesse texto tem gente de tanto lugar comentando, e é um sentimento comum a todos. Isso me faz sentir acolhida <3
      E sim, tem que sair botando disclaimer mesmo senão sempre aparece o mala sem alça falando ta ruim volta pra pariquera sua jecaaa hahahahaha

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  8. Olha, me vi um pouco nesse post tb. Passei por isso tb. Eu vim morar numa cidade pequena e foi pior ainda porque o povo era cabeça de caroço de azeitona. Sofri preconceito, que não tinha casado por amor, só por documento mesmo... Menina, uma baixaria. Imigrar é nascer de novo, é se descobrir de novo. "Nada do que um dia fui no Brasil " serviu para os EUA. É outra cabeça, outras pioridades, outras culturas. Melhorou muito depois que eu comecei a trabalhar, mas para ser sincera, eu não tenho muitas amigas americanas e isso me incomodava muito, hoje já não me incomoda mais, porque ficou muito claro que não estávamos buscando as mesmas coisas. As amigas americanas que tenho por aqui estão na faixa dos 40 pra cima, pois já são mais maduras, equilibradas, seguras de si. Já não estão atrás de drama, picuinhas ou competição.

    Gabi, os dois primeiros anos morando fora é puro laboratório. No 3o ano é que as coisas vão encaixando melhor, vai pegando mais molejo. É assim mesmo. Talvez o sentimento de não pertencer nem ao Brasil e nem na sua nova residência passe, mas a estranheza vai passar sim.

    Beijos e obrigado por uma partilha tão sincera.

    www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

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    1. Olha, essa sua colocação sobre os dois primeiros anos me fizeram dar uma risadinha de alívio aqui hahaha.. to chegando lá! Mas é isso mesmo, com o tempo a gente vai sacando melhor as coisas, criando desenvoltura, e também criando casca pra tentar se atingir menos. É isso, a gente vai deixando de se importar com as amizades que não viram, com as fofocas sem sentido que fazem, etc...
      Muito obrigada por vir participar dessa conversa. Beijos!

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  9. gabi, é täo clara a tua reflexäo. é assim em Barcelona, em Estocolmo, em Viena, e em Düsseldorf também. com o tempo, acho que conquistar esses milestones ajudam, mas näo acho que em algum momento a gente vá deixar de ser 'cidadäo de segunda classe', näo. acho que o jeito é aumentar nossa "bolha de segurança"... e esses milestones, junto com pessoas bacanas fazem isso. a gente vai se cercando de amor e é aí que esse lugar vira mesmo lar.

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    1. É, realmente, uma bolha de segurança o que a gente tem. As vezes eu fico achando que pra quem é casada com nativo as coisas são mais fáceis, mas são nada né... pelo que percebo aqui, todo mundo passa aperto.

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  10. O que li deixou-me surpreendida. Sou metade African e Norte Europeia, NUNCA me sentiu "cidadão de segunda classe". Vim para cá estudar e por aqui fiquei, pois adoro este país. Não meto em causa a sua reflexão, mas Gabi com o tempo, quando você ultrapassar a barreira linguística e avançar com o seu projecto profissional, vai se sentir melhor. Estar junto de pessoas boas (escolher bem os amigos) também vai lhe fazer sentir no seu lugar. Breve, é você que tem de criar o seu lar, isso começa no interior de si própria :-)

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    1. Eu acho que cada caso é um caso mesmo, e que bom que você não se sente assim, nem nunca se sentiu. Deve ser uma delícia rs. E como eu disse, provavelmente tem coisa que é da minha cabeça, mas no fim, o feeling é esse. De que eu não tenho direito de errar, de que a gente tem que fazer muito mais e ainda assim, mal ser aceito. Enfim, é uma jornada, né :) Abraços!

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  11. Gabi, acho que todo mundo que mora fora se identificou com seu texto. E eu concordo com muita coisa! De fato, tem sempre aquela voz no seu ombro que insiste em dizer pra você nunca dar bola fora porque isso poderá ser um problemão, rs. E como você comentou nos comentários aqui, não é que você queira ser suíça, né? É só a questão de querer ser respeitada. Mas assim, eu relaxei muito com isso. Eu sei que mesmo se morar na Irlanda para o resto do minha vida, e digamos que eu viva até uns 85, isso significaria que eu só teria morado 25 anos no Brasil e mais 60 na Irlanda, e mesmo assim, eu serei sempre brasileira. Acho que quando essa ficha caiu pra mim, tudo ficou bem claro. Não quero ser irlandesa, português sempre será minha língua de comunicação principal (especialmente agora que o R. fala também, trouxe muita paz pro meu coração) e tudo bem. Só quero ter minha vidinha, trabalhar, pagar minhas contas, viajar e ser feliz, rs.

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    1. Eu acho que o dia em que eu dominar o alemão, que souber me explicar quando necessário, que não ficar com medinho de piadinha, talvez eu relaxe também. Eu fico pensando que se der alguma merda, eu mal consigo me explicar, dependo da boa vontade das pessoas em entender, etc... Alias, eu penso demais, period hahaha. E sim, eu só quero isso aí também jaha.. nada mais!

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  12. Que incrivel essa reflexão.
    Sempre me pergunto sobre isso sabe, porque eles floreiam tanto o fato de que lá fora é melhor, lá fora é isso, é aquilo..
    não to falando que é ruim, mas as pessoas também não enxergam que existe muitos desafios por não ser daquele país..

    e é o que você falou, a sensação de pertencimento, vem com o tempo, e com as conquistas. Por hora, você já conquistou muito, e lógico que vai conquistar muito, mas o que já foi até aqui, é incrível não é?!

    ps: to apaixonada pelo blog!

    www.mairanamba.com

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    1. Muito boa sua colocação. Muita gente que vive no Brasil pensa que a vida fora é só flores... Não vou ser hipócrita de negar que é maravilhoso viver num país seguro, etc e tal. Só que jamais será o MEU país. A mudança vem com outros questionamentos, outros desafios, e no fim, não existe lugar perfeito, sempre existirão problemas, lutas e dilemas.
      Beijos e obrigada pela visita!

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  13. Adoro os seus posts reflexão. Eu só comecei a me sentir mais em casa e Kiev no ano passado. Não que eu me sinta uma ucraniana porque isso nunca serei, mas o fato de entender um pouco melhor a língua fez muita diferença. Percebo também que a minha identidade brasileira ficou mais forte depois que me mudei. Bom, como eu sempre me senti ET na vida, acho que estou meio acostumada e adotei a identidade estrangeira e cigana. Depois que li o "Diário Russo" onde o Steinberg fala que o Robert Capa falava um monte de língua cada uma com um sotaque mais louco que outro (minhas palavras, ele falou de um jeito mais legal hahahha), me senti representada. Sobre a questão do privilégio, tenho essa plena consciência também e todo dia quando acordo agradeço ao universo pela vida que eu tenho. Espero que essas questões passem a ser mais leves pra você com o tempo. Beijos.

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    1. Eu acho que tudo é questão de tempo mesmo... pra gente se sentir confortável com umas coisas, e pra tacar o foda-se em outras rs. Mas acho que o ser humano, depois que supera certos obstáculos, tende a achar que tudo foi sempre muito lindo hehe.. e por isso eu quis registrar o feeling do momento.
      Eu queria ser assim, ET na vida hahaha.. pra ir transitando muito bem por todas as galáxias hahaha.. Beijos Ale!

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  14. A estranheza vai passar... depois de mais de nove anos na Alemanha: não vejo a hora de voltar para casa depois de algumas semanas de férias no Brasil... E a proporção 99% amigos estrageiros se aplica pra mim também mesmo depois de todo esse tempo, mas o sentimento de "não pertencer" passou... imagino que o mesmo vá acontecer com você. No trabalho meu ex-chefe estava falando sobre diversidade, e que eu fazendo parte do time era um exemploe disso, o colega mais velho e mais "tradicional/conservador" disse: "ela é mais alemã que muito alemão, não conta". ;)

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    1. 9 anos, UAU! Lendo seu comentário lembrei de um texto que vi no Deutsche Welle essa semana. Falava de um turco que, mesmo falando alemão com sotaque carregado, mantendo hábitos turcos, ele vive na Alemanha há muitos anos, se sente em casa, e "tem medo de uns estrangeiros" hahaha.. e como isso é uma integração bem acabada: a pessoa se sente tão em casa, tem um sentimento de pertencimento tão grande, que ela se esquece estrangeira. Veja bem, isso não vale pra quem imigrou e depois vai falar mal de imigração, é só um simples reflexo de como os anos "deixam mais alemão que muito alemão" rs.

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