A cara da gente

Num post lá nos idos de 2015 eu contei a relação com meu cabelo crespo e meu retorno às origens depois de mais de uma década de alisamento. Na época eu estava deixando o cabelo ao natural, e queria ver no que ia dar. A verdade é que deu muito certo. Eu fui deixando o cabelo crescer, fui cortando, fui tirando a química, fui tratando. Cheguei no ponto que eu queria. E foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

Eu vivia com o cabelo desarranjado antes, e achava que era porque ainda precisava crescer, que ainda não tava "no ponto". Eis que, depois de 3 anos, eu não tinha mais  que pensar, o cabelo estava no tal do ponto. E no dia que eu lavava, ele ficava LINDO. Em todos os outros dias, era um ninho de cobra embaraçado que eu prendia em coque. O meu cabelo cacheado é seco, não se deve lavar com muita frequência, o que significa que eu passava muito mais tempo com um cabelo que não me agradava do que o contrário. E as vezes eu tinha aquelas vontades doidas de alisar, mas ai lembrava dos dias bons e passava... 
Cachos maravilhosos no dia da lavagem
Além dos "good hair days", uma coisa que ficava me martelando muito era essa de aceitação. Eu queria muito participar dessa tomada nossa pelos nossos corpos, desse amadurecimento que a mulherada está passando na relação com a própria imagem refletida no espelho. Eu queria ficar confortável com o cabelo que nasci. Então por mais que tivesse uma pulga atrás da orelha me atormentando, eu achava que era resultado de uma vida de imposição de cabelo liso como o modelo de beleza. E vamos combinar que de certa fora era sim. 

Mas a real é que toda vez que o facebook me trazia uma lembrança das antigas, eu e meu cabelo liso, eu tinha uma sensação de nostalgia muito profunda. Mas muito profunda MESMO. Me dava uma tristeza, e eu ficava "quero meu cabelo de volta". Só que perai, agora é que eu tinha o meu cabelo, né?! E eu não tentei reprimir essas ideias não, mas fiquei atrás de tentar entender o sentimento. E eu entendi que ter alisado meu cabelo dos 15 até quase os 30 moldou minha auto imagem. Eu acabei percebendo que essa pessoa de cabelo encaracolado, por mais bonito que fosse, não representava bem a imagem que eu tinha de mim mesma. Não era "a minha cara", sabe?!

E aí que nessa eu resolvi fazer uma viagem no tempo, e vou compartilhar aqui umas imagens antigas aqui:
2005
2006

(pausa dramática para a invenção e popularização do smartphone)
2012
2013
2014
2015

Não é que meu cabelo esteja f a b u l o s o em todas essas épocas, mas é assim que eu me reconheço. Demorei algum tempo pra entender que, qualquer que tenha sido o estrago do tal padrão de beleza, meio que já ta feito, porque eu simplesmente não consigo me identificar com o meu cabelo natural. E na boa?! Tudo bem. Eu acho que o grande ponto dessa revolução toda é que a gente se sinta bem. É desencanar de achar que tem um "jeito certo". E sim, hoje em dia não cabe mais induzir alguém a mudar algo do próprio corpo para se enquadrar em padrão. Assim como não cabe a gente ficar forçando numa coisa que não ta funcionando. Eu queria fazer muito parte do movimento de ode aos cachos, tentei até onde deu. Mas a prioridade sou eu. 

E foi assim que eu cheguei no Brasil disposta a voltar no meu mago dos cabelos (rysos) e retornar ao meu antigo visual. Peguei várias dessas fotos aí e mostrei pra ele. E depois de algumas horas (que seguem atormentando o meu saco), eu saí de lá me estranhando, mas me reconhecendo. Depois de umas horas eu já tava beeeem a vontade com a minha nova cara antiga. E rolou um negócio bizarro rs... Eu do nada me notei mais vaidosa, querendo me arrumar mais, e me achando muito, mas muito mais bonita. É aquilo que a gente meio que já sabe: beleza vem de dentro, de auto confiança, de felicidade. E eu posso dizer com bastante tranquilidade que há muito tempo não me sentia tão bonita, tão eu :) 
Me achando tanto que até fiz selfie no elevador pra ilustrar <3

18 comentários:

  1. Gabi, minha história capilar é mais ou menos parecida com a sua, porém ao contrário. No Brasil eu usava meus cabelos cacheados, mas aqui não consegui mais. Primeiro porque a água aqui é muito calcária e para manter os cachos eu teria que (pelo menos) molhar o meu cabelo todos os dias. E com o inverno daqui, sem chance. Segundo é que pra mim, pelo menos, cabelo "liso" dá muito menos trabalho no dia a dia. No início da minha vida aqui fiz uma progressiva que acabou com os meus cabelos, ai fui cortando e cuidando até o cabelo ter vida de novo. Agora a única coisa que faço é uma defrisagem temporária (a cada 2, 3 meses tenho que repetir o processo, mas é mega fácil) e isso deixa o meu cabelo com menos frizz e a raiz baixa. Hoje em dia eu tb nâo me "reconheço" mais de cabelo cacheado. Eu achei o seu cabelo mega natural, não diria nunca que você fez alisamento. Muito bom produto e cabeleleiro o seu. Tá bem bonitoo cabelo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho que essa água da suíça tem muito a ver com o cabelo cacheado não dar certo pra mim aqui. Fica tudo muito embaraçado. E você tem razão, o cabelo liso é mais prático, e eu notei isso também. Você faz essa defrisagem sozinha? Ou tem alguém? Eu to tentando não pensar no dia que tiver que retocar essa progressiva hahaha..

      Excluir
  2. gabi, minha irmã do meio passou por esses processos de alisamento e depois de retorno ao natural (que é liiiindo) e agora, como vc, ela está querendo retornar ao liso e tem sido aquela briga. eu sou a favor dos cachos (dela) e acho um erro voltar a alisar, mas ai q vc tem razão, tem a questão do reconhecimento, do se sentir bem... são muitas coisas envolvidas. enfim, amei seu cabelo novo, acho q mega combina com vc e esse sorrisão q ele te deu. rs.
    xx

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, eu militei muito pelos cachos, e sigo achando lindo, mas o que importa é como a gente se sente né? Sinto muito que pra mim não deu, e pra ela também. Mas vamos ser feliz!

      Excluir
  3. Eu acho esse movimento lindo de voltar as origens e se aceitar, mas eu nunca consegui me "ver" de cabelos cacheados. Eu sou magrela e meu cabelo e muito enrolado e meu rosto fica meio escondido embaixo dos cachos, minha vida com cabelo enrolado sempre foi cabelo preso e me sentindo menos bonita. Depois que comecei a alisar me senti outra pessoas, mais confiante e de bem com o espelho. Eu concordo que a nossa prioridade deve ser nos. Achei bacana voce dividir com a gente sobre a sua jornada, eu lembro do primeiro post que voce fez falando do assunto, acho legal essa transparencia consigo mesma em admitir e refletir no que funciona pra voce nem sempre funciona para outras pessoas e vice versa. O importante e a gente se sentir bem e confortavel no nosso corpo e com nossa aparencia, e by the way voce fica bonita de cabelo liso ou enrolado =)
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A gente sempre fica lendo por aí que o importante é estar bem consigo, mas eu nunca tinha sentido isso. A mudança que rolou em mim foi meio que instantânea. De repente, eu tava me sentindo muito mais bonita, e segura, e muito mais eu. Alias, eu acho também que esse retorno ao mercado de trabalho tem a ver. Mas foi o combo, eu bem comigo :)

      Excluir
  4. Acredito que cabelo foi inventado pra gente se divertir, é por isso que ele cresce e se renova. Estou na fase de muuuuitos cabelos brancos, daí às vezes fico meses sem pintar pq tenho preguiça desses rituais de beleza. Basicamente eu pinto quando vou a algum evento ou quando vou pro Brasil para evitar olhares julgadores. A Vic Ceridono tem um vídeo falando sobre transição capilar e ela disse algo parecido com o que você disse e eu super concordo. Faça o que te deixa feliz. Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Acredito que cabelo foi inventado pra gente se divertir, é por isso que ele cresce e se renova." Amei isso, Ale! Eu tenho muitos cabelos brancos também, pinto de vez em quando, mas nao é uma neura. A Joanna, do Um Ano Sem Zara, falou dos cabelos brancos também. E meu, vc falou do Brasil hahahaha...no Brasil a galera julga muito. Eu cheguei lá e fui correndo pro médico, não tive tempo pra nada, ai minha mãe vem me falar que meu suvaco estava peludo. E eu fiquei tipo "que é que você ta enfiando a cara embaixo do meu suvacooo" hahaha.. tipo.. SAI GENTE, ME DEIXA! Mas é isso, o povo repara nos outros assim, no detalhe, e julga tudo.

      Excluir
    2. ME DEIXE!! É o que dá vontade de gritar cada vez que alguém faz algum comentário não solicitado. Por essas e por outras que minha saudade do Brasil só diminui hahha

      Excluir
    3. A minha saudade só bate forte no carnaval, em eventos especiais e quando penso no pastel de feira hahaha

      Excluir
  5. é muito doido esse mundo em que a gente vive, né?! eu acho que decisäo certa é decisäo que deixa a gente mais feliz... depois de repensar. a gente faz tanta coisa no automático, porque "é assim que todo mundo faz", que a gente acaba perdendo o que é melhor pra gente. que bom que você deu uma chance pros seus cachos (os acompanhei tb no insta... acho que é como eu "reconheço" você) e que bom que você se reencontrou o melhor de você (pode se achar... tá linda).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, Ana, ponto muito importante: refletir. Pra muita coisa nessa vida, falta reflexão. E tive uma jornada que me proporcionou muitas descobertas sobre eu e meus cabelos :)

      Excluir
  6. O que importa eh que voce se sinta bem! Ta linda <3

    ResponderExcluir
  7. Gabi, você é linda de todo jeito, mulher! E o importante disso tudo é você se sentir bem com você mesma :)
    Como a Alê disse ali, cabelo é pra gente se divertir, mudar, testar algo novo, testar algo mais a nossa cara.. e deixar que a gente se sinta bem com aquilo. Quando adolescente eu odiava a cor do meu cabelo, sempre quis ter cores diferentes, passei anos e anos pintando, muita química, até que resolvi voltar pra cor natural.. e não sei se foi a maturidade ou o que foi, no meu caso eu me senti muito mais eu com o meu cabelo da cor que ele era mesmo, sem as tinturas.
    Que possamos sempre ser livres pra nos sentir bem com as nossas escolhas.
    Beijo, gatona :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Que possamos sempre ser livres pra nos sentir bem com as nossas escolhas"YES!

      Excluir
  8. Gabi, me identiquei demais com seu post. Eu tenho cabelo crespo também, mas nunca vivi em paz com meu cabelo. Eu comecei a alisá-lo com 24 anos, mas antes disso, eu só vivia com meu cabelo preso. Eu queria me sentir em paz com meu cabelo natural, mas apesar de todos os meus "empoderamentos," este é um que não alcancei rsrs Quando comecei a alisar eu me senti mais segura e é o que vc falou, a gente sabe que foi esse padrão liso cultural que tirou nossa confiança em se senitr bem com o cabelo crespo, mas o estrago já está feito por aqui também, então só me sinto eu, quando o cabelo está liso. Não uso nenhuma química há pelo menos 10 anos, mas a primeira coisa que faço toda manhã é uma escova. Facilita bastante que meu cabelo é bem pouco, então com 10min meu cabelo fica liso escorrido. Obrigada por dividir esta reflexão com a gente! Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico feliz de ver que não estou sozinha nessa. Eu queria muito esse empoderamento aí, mas paciência, não rolou... e tudo que eu não preciso é me sentir oprimida quando a ideia era justamente empoderar rs. Eu queria que no meu cabelo uma escovinha de 10 min resolvesse, porque aí eu ficava livre pros dois mundos, mas não resolve não, então tive que voltar pra química, que é o que eu efetivamente desgosto nesse processo. Vamos ver como eu vou tocar quando começar a crescer!

      Excluir

Follow @ Instagram

Back to Top