Um fim de semana em Annecy

Fim de semana passado eu fui com uma amiga para Annecy, uma charmosa cidade francesa bem perto da fronteira com a Suíça na área de Genebra. A idéia veio de um post que li anos atrás no Diário de Polly, como um passeio legal pra se fazer a partir de Genebra. Há algumas semanas compramos as passagens de FlixBus (eu jurei que não poria meus pés mais nessa tranqueira, mas pus rs) e pagamos mais ou menos 17 euros ida e volta. A viagem dura 40 minutos. Reservamos um AirBnb no centro histórico, e voilà. 
Oi Annecy :)
Chegando na cidade num sábado por volta do meio dia, nos deparamos com um festival, uma Annecy bem cheia e movimentada. Não sabíamos direito o que era, mas ficamos nos encantando pelas ruas estreiras com canais floridos, bares, bicicletas, tudo numa pegada medieval, até a hora do nosso check in. Quando fomos conversar com o nosso host, ele explicou que ia ter desalp, e que a parada passava bem em frente ao apartamento. O desalp é uma festividade de outono, quando as vacas e demais animais descem dos Alpes para enfrentar o inverno no quentinho dos estábulos. Da nossa vista mais do que privilegiada na varanda, assistimos o desfile das vacas, ovelhas, gansos, cachorros, fazendeiros, padres, músicos. Tudo muuito fofinho e alpino demais <3




Vacas enfeitadas, alpenhorn, e a nossa vista privilegiada imune a mijada de animais rs
Quando acabou o desalp, saímos para explorar a cidade. Demos muita sorte com o tempo, e estava além de super ensolarado, com uma temperatura incrível para essa época do ano. Passamos o dia andando por todas as ruazinhas, sentando na beira de canais, tomando um sol, comendo bem, entrando em lojinhas e enlouquecendo com a beleza colorida de Annecy. A cidade é maravilhosa demais! Fica no meio dos Alpes do Ródano, tem um lago babado, tem seus primeiros registros datados do século X, pontes e canais, flores, é um presente pros olhos.


Surra de canal porque eles são maravilhosos demais

E aos domingos rola mercado sobre as pontes. É incrível!
O canal até o lago <3
No domingo não tínhamos muito plano, e embora seja impossível enjoar de passear pela cidade, resolvemos tentar algo diferente. Andamos até o Castelo d'Annecy, uma construção do século XVI que fica no topo de uma pequena colina e hoje abriga um museu, porém estava fechado pra almoço rs. Fica essa dica: quem for visitar, evite as 12-14h, porque ele fecha. E foi aí que paramos numa loja de aluguel de bike e perguntamos se rolava dar a volta no lago. O cara nem prestou atenção na minha cara de mocoronga, no meu outfit não apropriado, na bike nada a ver que ele estava prestes a alugar pra gente, nada.. só disse, sim, é sim. E pronto.. la saímos nós felizinhas andando pelo lago. Depois de uma hora e meia e uma descida absurda, resolvi olhar no mapa e tomei um susto: tínhamos pedalado 16km, e ainda faltava 24 pra terminar a volta ao lago. Eu meio que paniquei. Mas depois daquela descida imensa, fazer meia volta não era uma opção. E foi assim que pedalei 40km de calça jeans e sapatilha rs. Mas olha, devo dizer que apesar da dor nas pernas, I regret nothing. A vista foi linda por 40km, e não teve um minutinho que não babei na paisagem. 
Sem saber ainda o tranco que nos aguardava rs...
Depois de uma subida poderosa, olha essa vista!
A cara de morta feat. destruída, porém feliz
E como não estar, né?
Chegamos de volta na cidade com tempo de pegar nossas coisas no apartamento, tomar um café, sentar na beira dos canais pela última vez, e nos despedir de Annecy com vontade de voltar. Não tenham dúvidas de que eu voltarei :) 

Procurando emprego na Suíça

Não é porque recebi umas propostas que virei expert no assunto rs, mas agora pelo menos consigo dizer o que pode funcionar mais ou menos. E de quebra, as always, tentar ajudar alguém que precise. 

* * *
CV
O currículo por aqui é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. De cara, quando fui ao trabalho de Mati pedir à RH dele para dar uma olhada no CV, ela já lançou: falta foto, ta enxuto demais. Eu acho um absurdo gigantesco ter que botar foto no currículo, pois é uma baita ferramenta de discriminação. Mas o mundo a gente muda aos poucos, e pro emprego eu tinha pressa rs. Então tirei uma foto estilo profissional, com fundo branco, com roupas de trabalho (nada de cortar aquela foto que você saiu bonita numa viagem rs) e, muito braba, botei no currículo. Além disso, se no Brasil menos é mais, aqui mais é mais mesmo haha. Aparentemente, o currículo deve explicar de forma mais detalhada as experiências profissionais, e se isso resultar num CV de até 2 ou 3 páginas, tudo bem. Então fiz isso. A ideia é que fique mais ou menos assim:
Obviamente, essa não sou eu. Esse CV é um template do site http://genericrevia.club/
Onde procurar? 
A internet, meus queridos, é um mundo de oportunidade. A minha principal fonte de busca foi o LinkedIn, desde sempre. Perfil atualizado, e busca diária. Mesmo quando eu não tinha o visto de trabalho, estava sempre olhando por lá. No total, consegui quase umas 10 entrevistas pelo site e uma virou proposta. As empresas estão cada vez mais usando o Linkedin, e vale gastar tempo lá (e se comportar, Linkedin não é Facebook). Também usei bastante o Indeed e lá tem muuuuita coisa, muita mesmo. Tem ainda os sites de agências, como a Hays, a Page Personal (do Grupo Michael Page), Adecco, Randstad, etc. Se você entrar nisso tudo, vai ter um range bem grande de vagas, indo de trabalhos manuais até grande diretoria de empresas rs. 

Networking
É fundamental. Li um dado de que quase 70% das vagas na Suíça não são postadas (e desconfio que esse número seja similar mundo afora), e ter uma rede de contatos pode ser fundamental para você se colocar no mercado. Chegando num país novo é bem difícil construir essa rede e por conta disso eu comecei a frenquentar MeetUps, entrei em grupos de facebook, fui à palestras e isso foi até um dos fatores decisivos para eu optar pelo curso que estou fazendo. Num encontro de um grupo do facebook, acabei conhecendo uma mulher cujo marido era advogado, e recebi um email para realizar um projeto com ele. Na época era um projeto de um mês, e eu estaria 15 dias desse mês no Brasil, além da questão do visto, então não rolou. Mas olha só.. um drink no bar virou um possível projeto temporário, que poderia ter virado uma vaga permanente. Através da rede de contatos da Universidade de St. Gallen, onde estou fazendo meu curso, consegui o estágio que estou realizando no momento (sim, virei estagiária, e irei explorar esse ponto logo abaixo). É muito importante conhecer pessoas que possam te informar de vagas não postadas, que possam te recomendar para amigos, que possam ao menos passar o seu CV para o topo da pilha. Inclusive, eu coloquei o networking aqui, embaixo de onde procurar, porque uma coisa complementa a outra: você pode achar uma vaga no Linkedin, por exemplo, e achar um contato que trabalhe na mesma empresa, que possa botar o seu CV na mão certa.

Candidatura
O famoso application, rs.  No Brasil, quando me candidatava pra alguma vaga, era só escrever um email falando que estava interessada na vaga e anexar o CV. Aqui é beeem diferente. O CV deve ser acompanhado primeiramente de uma bendita cover letter, a carta de motivação. Eu detesto escrever cover letter, mas é necessário. Não vou dar receita de cover letter aqui porque quem sou eu na fila do pão, né... mas acho que é importante manter princípio básicos de redação: introdução, exposição, conclusão, tudo de forma coesa, e sem se alongar muito porque os caras tem sabe-se lá quantas candidaturas pra ler. Fale da sua experiência, do seu interesse pela vaga, e pronto, seja profissional. Além dela, devem acompanhar o CV o diploma (SIM, o DIPLOMA) e cartas de recomendação de antigos empregadores. Então é bom ir atrás desses documentos se vocês, assim como eu, não tem eles em mão rs. Eu me formei em 2010 e nunca tinha buscado meu diploma, olha a vergonha hahaha.. Fui quando me informaram que sem apresenta-lo aqui não ia rolar. Mesma coisa para carta de recomendação, eu nunca pedi. Mas graças a deusa sempre tive bom relacionamento com chefes, e ai fui atrás delas com um c e r t o delay, e resolvido. Ai pega CV, cover letter, diploma, recomendação, faz um tudo um PDF só e pronto, ta pronto seu application :) 

Aceite que talvez uns passos pra trás sejam necessários
Aqui acho que é um ponto crucial dessa busca. Já comentei em algum post do blog de como foi "dolorido" ver a minha experiência sendo diminuída. A verdade é que chegar num país novo é abrir mão de muitas coisas, inclusive de muitas conquistas. Eu fiz uma faculdade de Direito que no Brasil tem certo prestígio. Aqui ninguém N U N C A ouviu falar. Eu trabalhei num escritório de advocacia de ponta, com o cara que escreve livros que a gente usa na Universidade. Aqui? É isso mesmo, nunca ninguém ouviu falar. Trabalhei em multinacionais relativamente grandes, porém dessas que eu nunca tinha ouvido falar antes de entrar, e nunca mais ouvi falar depois que saí. Empresas que empregam 20 mil pessoas pelo mundo, cujo serviço passa dentro das nossas casa algumas vezes por dia, mas que não conhecemos, e que não trazem um pingo de atenção pro meu CV. Resumindo, aqui, no meio de tantos CVs com Sorbonne, LSE, St. Gallen e afins, eu sou ninguém. E se eu era gerente no Brasil, rapidinho aceitei numa boa que não seria aqui. Tentei expor a minha experiência da forma mais rica possível, e apliquei para vagas que condiziam com ela, mas também para vagas bem mais juniores. Tracei como estratégia conseguir uma vaga, qualquer que fosse ela, numa empresa grande, respeitada, que sobressaísse no meu CV pra sempre. E foi aí que, mesmo tendo recebido uma oferta de emprego fixo (também para um cargo mais baixo do que eu tinha no Brasil), bem remunerada, numa empresa grande, resolvi aceitar uma vaga de estágio numa empresa Fortune 500. Pra quem não ganhava nada, o salário de estagiário já estava bom rs, e eu entendi essa oportunidade como um investimento a longo prazo para a minha carreira. Vejam bem, eu recebi duas ofertas, as duas para vagas mais júniores que a minha experiência permite. Mas tudo bem. Entendi que esse vai ser o passo pra trás que me permitirá dar dois pra frente. Por isso, se abra para outras possibilidades. Mudar de país é um eterno exercício de humildade, em vários aspectos. 

Esses são os pontos que eu acho mais fundamental. Se alguém tiver como complementar esse post, será muito bem vindo :) 

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