O elefante na sala

Estou desde outubro com esse post entalado rs. Eu ainda não superei a eleição desse ser para a presidência do nosso país, e superei menos ainda o fato de que um monte de gente que eu conheço, de quem já fui muito próxima, com quem divido sangue e afeto, votou nele. Eu nem vou entrar no mérito do "outro candidato", porque já votei em várias merdas porque não curtia o outro candidato... já votei em Alckmin, em Aécio, e o escambau, porque não queria votar no outro candidato. E até então nem tinha tido outro candidato que defendia tortura. Então eu não aceito. Também não vou falar os infinitos motivos que tenho pra só chamar o presidente eleito de merda, porque quem sabe, sabe. Quem não sabe, sei nem o que ta fazendo aqui. 

O que vim resmungar aqui é do desconforto que essa eleição criou. Porque eu to que nem ando afim de conversar com gente que até então era próxima. Abriu-se um buraco dentro do meu peito que eu não consigo nem olhar foto de instagram de certos amigos, tamanho o ranço. Eu também dei graças a deusa que eu acabei tendo um motivo muito verdadeiro pra não participar do amigo secreto da família, do qual eu vinha participando por skype desde que saí do país. Eu não tenho vontade de conversar com alguns parentes, e se por acaso tirasse um deles, acho que eu ia dar uma banana. 

"Ai, não seja radical", dizem uns. Mas sabe, radical o cacete. O cara diz que mulher merece ganhar menos que homem, que gay tem que apanhar, que não tem mudança climática, exalta torturador em plenário, ameaça outra de estupro, enfia tudo que é filho, irmão, primo e caseira no cabide de emprego, e ainda por cima, como não bastasse ser um ser humano horrível e deplorável, ainda por cima é um grande dum burro e despreparado. E aí, vem gente dita instruída procurar motivo pra fazer esse cara presidente do Brasil, e eu que sou radical de querer que vá todo mundo pro inferno? 
Enfim, eu disse que não ia falar porque diabos o merda é um merda, e acabei falando. Mas o grande X da questão desse post é o seguinte: como faz pra viver sem odiar quase todo mundo nesses tempos? Alguém sabe? Depois do Natal passa? Ou piora? Me ajudem. 

14 comentários:

  1. Ai Gabi, daqui um abraço pq tô sentindo as mesmas coisas. Peguei um ranço tb desse povo que eu num guento ver foto nem nada.. até quando vejo os parentes minions dando like na minhas coisas já me dá um abuso hahaha gente que falou na ''minha cara'' uns absurdos tão grandes que olha.. não sei se um dia que conseguiria conversar normalmente com a pessoa mais tamanha decepção.

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    1. Ainda tem essa. O tanto de desaforo trocado rs... pq devo dizer que ouvi merda, porém não deixei fazer eco não, falei um monte de volta hahahaha.. Mas é isso, abuso define!

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  2. Ai, vamos nos abracar e dar uma choradinha? Mesma coisa aqui. Esta um climao na minha familia desde meados de setembro...a coisa piorou no fim do primeiro turno e a gente quase nao conversa mais. Fui chamado de dramatico e alienado, disseram que o preconceito esta na minha cabeca...tenso. Pra ajudar, foi formatura do meu irmao minion e eu tive que engolir tudo e dar parabens, pq afinal eu estou muito orgulhoso dele, mas por um lado quero dar umas tapas na fuca dele! Ranco define.

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    1. Nossa, eu sinto muitíssimo. Confesso que na minha família eu não tive grandes surpresas, mas agora sim que não suporto gente de quem eu já não era muito fã rs. Meu irmão não é minion, mas sei que não quis votar no PT, e já deu uma decepção absurda. Minion então, é demais pro coração.

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  3. Ai Gabi, compartilho do sentimento. Como pode tanta burrice! Saí dos grupos das famílias e parei de seguir e bloqueei os Minions da minha família no Instagram. Não tenho nem notícias desse povo e nem quero ter. Coisa boa é morar longe, pois não tenho que encontrar ninguém e posso manter minha paz mental. Usei a raiva como combustível criativo, por isso que andei atualizando mais o blog nesses últimos tempos. Está tudo muito esquisito e cuidar da minha própria vida é a melhor coisa que posso fazer agora.

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    1. Pois é, morar longe nessas horas é bença hahaha.. nao tem q encontrar, nem conversar, nem fingir simpatia. E menina, eu adorei vc botando toda sua raiva trevosa pra fora, um bom jeito de exorcizar essa bad vibe!

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  4. Gabi, você colocou bem em palavras o que estou sentindo. Não tem mesmo como passar por cima, sabe? Pra apoiar esse monstro a pessoa tem que fazer tantas concessões morais que fica impossível não questionar o caráter e a inteligência desse povo. Sartre e Simone de Beauvoir acreditavam que era impossível ser amigo de pessoas com visões políticas opostas porque muitas vezes essas visões são irreconciliáveis: onde eu vejo opressão e intolerância você vê progresso, como dá pra se relacionar assim? Não e só uma questão de diferentes pontos de vista. Pra continuar mantendo contato com essas pessoas é a gente que precisa também fazer concessões morais, e em nome de laços sanguineos que na verdade são bem aleatórios eu precisaria fingir que racismo, homofobia, machismo e ignorâncias afins pra mim não são importantes. Desculpa mas vou ficar no meu radicalismo mesmo, porque foi também o Sartre que disse que os maiores erros que ele cometeu na vida foram por não ter sido radical o bastante!

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    1. Seu comentário é irretocável <3 Me deu um afago no coração!

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  5. Eu não poderia escrever melhor do que Liu escreveu aqui nos comentários. Não dá pra passar por cima das nossas crenças e valores por causa de laços sanguíneos ou por causa de "amigos" que achávamos importantes pra nós. A partir do momento que a pessoa demonstra ter visão totalmente diferente da sua, fica difícil. Menina, eu terminei uma amizade de uns 15 anos porque postei sobre o referendo do aborto ter ganhado na irlanda e o cara não aceitava, me chamou de aborteira assassina e sei lá o quê. Ah, vá à merda, a vida é muito curta pra ficar com medo de terminar amizade que um dia foi importante mas que não acrescenta mais.

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    1. Pois é. Eu briguei com poucas pessoas, mas um deles era muito querido. E no fim, é isso mesmo... nessas alturas da vida, se não acrescenta, e ainda vem com papo furado, sai fora.. não quero mais. Mas me distanciei mesmo, porque não consigo superar. Como disse a Liu, é uma concessão moral que eu não apenas não consigo fazer, mas que pra mim é difícil de aceitar. Azar...

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  6. Nada mais a acrescentar neste post. No começo das eleiçôes eu estava até mais "sussa" com os minions, porque eu realmente acreditava (em alguns casos eu ainda acredito), que por pura inocência ou desejo de mudança os incautos estavam escolhendo o Messias. Entretanto, com o passar do tempo, percebi por posts e posicionamentos que sim, certas pessoas estavam escolhendo o Messias porque pensavam exatamente como ele. Minhas irmãs não votaram nele (Gott sei dank), mas amigas querídissimas sim, sempre com a maxima: não aguento mais PT. Enfim, respondendo a sua pergunta: realmente não sei se o ranço passa, hahahah... o tempo dirá.

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    1. Pois é. Ver essa transformação, essa revelação na verdade, de gente que pensa como ele, que estava no armário, mas se sentiu bem a vontade pra vomitar preconceitos, machismos... foi muito doloroso. Vi um texto da Eliane Brum, sobre o homem médio, o eleitor do Messias, que foi absolutamente certeiro. E foi duríssimo reconhecer pessoas queridas nele. Mas paciência... ainda não encontrei a solução pro ranço, e as vezes acho que a solução vai ser viver com ele hahaha

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  7. quando encontrar a resposta, favor escrever aqui.
    foi difícil voltar ao brasil, foi difícil olhar essas pessoas. muita coisa se perdeu.
    mas foi massa segurar a mäo de tanta gente como a gente. é o que a gente ganha.

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    1. É, to sentindo essa proximidade com quem ta junto bem quentinha no coração!

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