Eine Pause für das reale Leben

Há 10 dias eu vim aqui toda felizona contar como a vida ia ficando cada vez melhor. E assim foi, sábado de manhã fomos de férias para a França. E o que aconteceu na nossa segunda noite por lá? Um filha da puta resolveu arrombar a porta da minha casa e roubar meu apartamento. Pois é. Na Suíça, é mole?! E se em 2015 eu tive que fazer uma pausa para a vida real, em terras germânicas eu precisei de eine Pause für das reale Leben rs. 

Na segunda-feira pela manhã acordei com uma ligação da Polícia. Quando o policial se identificou, eu meio desorientada de sono, tendo que falar em alemão, só pensava "puta merda, o que será que a gente fez de errado". Até que ele desembuchou, falou tudo, e me caiu a ficha... nosso apartamento novinho, para onde tínhamos nos mudado há 15 dias somente, tinha sido arrombado e saqueado. Eu sou bem prática nessas horas, entro em modo automático, e resolvo tudo que tenho pra resolver. Em meia hora tinha resolvido com a polícia como trancar a porta para manter o apartamento seguro até o nosso retorno, avisado a seguradora, a administradora do prédio, informado meu trabalho que levaram o laptop, o trabalho de Mati. Fomos tomar café da manhã, e resolvemos fingir demência e sair esquiando, rs. Foi só umas 12 horas depois que caiu a minha ficha que alguém tinha estado, maliciosamente, dentro da nossa casa, tocando nas nossas coisas, e então eu desabei a chorar. 

Mas é isso. Não tem sonho, não tem vida perfeita, não tem felicidade que dure muito. A realidade sempre tem que bater na porta e te mostrar que o mundo é bem escroto. E que se rodear de amor, de pessoas queridas, de gente que te cuida, é o que nos resta, para viver em sanidade e enfrentar esses momentos de merda.

Chegamos em casa sexta-feira, fomos à Polícia. Eu já tinha ouvido dizer que em Berna tem dois crimes: roubo de bicicleta e de apartamentos quando ninguém está dentro. A Polícia confirmou que é isso mesmo, que acontece muito, e ainda mais no bairro onde nos mudamos, onde tem muito estudante que volta pra casa de fim de semana. E nesses cinco dias entre recebermos a má notícia e chegarmos em casa, a gente especulou muito o que teria sido roubado (além dos computadores que a polícia já tinha confirmado que não estavam aqui). Eu me preparei para chegar aqui e me deparar com araras vazias, rs. E no fim, acabou que levaram menos coisas do que a gente esperava. Tivemos algumas perdas que serão reparadas pelo seguro, e algumas coisas que são insubstituíveis, com muito valor afetivo. 

O pior mesmo foi a invasão de privacidade, a sensação de que nossa casa não é segura. É um sentimento que me acompanhou aqui nos meus primeiros meses de Suíça, porque em SP tínhamos porteiro, câmeras, um monte de coisa que passa uma falsa sensação de segurança. Cheguei aqui e fiquei me sentindo muito vulnerável numa casa sem portaria, rs. Mas aí depois de um tempo passou. E agora voltou com força. Porém eu quero achar que foi um grande azar e que essa sensação vai passar. Realidade, por favor, seja gentil. 

A colheita

Se por um lado parece que foi ontem que eu estava em êxtase por voltar a trabalhar, por outro parece que couberam 6 anos nesses 6 meses. Por questões estratégicas, por feeling, por um monte de coisas que eu poderia contar outra hora em outro post, optei por aceitar a vaga temporária de estagiária que me ofereceram, mesmo tendo uma oferta de emprego permanente e bem remunerado na outra mão. Eu sempre tomei decisões estratégicas na minha carreira, decisões que algumas pessoas não compreendiam muito, mas que pra mim faziam sentido no longo prazo. Não foi diferente dessa vez.

Só que pra um estágio fazer sentido nessas alturas da vida, eu tinha que fazer ele render muito. Eu tinha que me mostrar muito, mostrar tudo que aprendi nessa vida, e que eu era uma estagiária "diferenciada". Depois daquela primeira semana que é sempre meio marasmo, eu comecei a me jogar de cabeça no trabalho. Me enfiar em tudo que é reunião, puxar qualquer coisa pra mim, botando a cara no sol rs... Acabei ganhando um projeto de presente, e aos poucos fui criando meu espacinho. Comecei a mostrar para as chefes (sim, ainda tem isso, entrei numa equipe feminina muito incrível :) que eu conseguia fazer muita diferença. E começou a dar certo.

Terça-feira encerrei meu estágio com um contrato de especialista assinado :) Ainda não é uma vaga permanente de emprego, mas um contrato atrelado ao projeto que estou liderando, até dezembro. Se tudo correr como previsto, e o projeto decolar, a gente vê como fica depois. Mas eu estou com um orgulho que não cabe em mim. Por ter seguido minha intuição mais uma vez (e num ambiente tão desfavorável, vamos combinar), por ter conseguido provar meu valor, por estar de volta com tudo nesse mundo corporativo do qual tanto falo mal mas ao qual sou bem apegada rs. Some-se tudo isso que eu estou curtindo muito a empresa, sou liderada por mulheres inspiradoras, aprendo muito, conheço muita gente interessante. 

E por fim, mas não sou hipócrita de dizer que é menos importante: financeiramente entramos numa nova fase aqui. Não que a gente vá ficar rico, porque eu ainda sou empregada, não a dona da empresa hahaha, mas vamos ter um respiro. Nos dois anos em que não trabalhei nos descapitalizamos muito. A Suíça é cara, nós temos Baby que mora em outro país, e tínhamos economias em Reais. A gente não sabia desse problema do visto quando viemos (uma cortesia do RH do emprego de Mati, que nos informou incorretamente), e estávamos preparados para uma eventual demora para eu encontrar emprego, mas pensávamos em coisa entre 6 meses e um ano, mas não dois anos sem poder nem procurar. Eu encontrar um emprego o quanto antes (depois da novela do visto) era imperativo para continuarmos na Suíça. Tínhamos alguns planos B, C, etc, que ao invés de dar conforto, me tiravam o sono à noite. A verdade é que eu gosto muito, mas muito mesmo, de morar aqui e sair desse país sem ao menos ter tido a oportunidade de experimentar o mercado de trabalho era um cenário que me deixava deprimida. E ainda que o estágio não me pagasse um baita salário, ele já possibilitou que a gente refizesse um pouquinho as nossas economias. E agora, voltando a exercer um cargo de profissional graduada, a gente meio que entra numa "vida normal", como seria no Brasil, ou em qualquer outro lugar em que estivéssemos. 

Entre um contrato e outro eu pedi férias. Va lá que são não remuneradas rs, porque um contrato terminou e o outro não começou. Mas tudo bem. Passei os últimos dias dando um tapa na casa nova, que ta uma ligeira bagunça rs, e sábado vamos para uma semana de férias nas montanhas. Na volta eu ainda tenho um tempo para curtir minha Berna, relembrar meus dias de absoluta folga por essa cidade (dos quais, não nego, sinto certa saudade, porque o ser humano é um bicho complicado mesmo), tomar todos os cafés com minhas amigas, para retornar ao trabalho zerada. O futuro, ele chegou :)

De mudança na Suíça

Lá em 2016, depois de ter me mudado, eu fiz esse post contando da saga de encontrar nosso primeiro apartamento. Devo dizer que, mesmo sendo novata, fiz uma pintura bem real da função alugar casa em Berna rs. Mas como já contei, resolvemos mudar de casa, por vários motivos, mas o principal deles: estar no centro da cidade. A nossa experiência anterior era de pessoas recém chegadas no país, visitando apartamentos fora do centro. E agora vou contar um pouco da experiência de procurar apartamento no centro, e se mudar tendo já uma residência fixa na Suíça. Voilà.
Nossa primeira varanda, onde fomos muito felizes, e que agora fica pra trás :)
A procura
Como da outra vez, minha principal fonte de busca foi o ImmoScout24, o site onde se encontra o maior número de ofertas. Também usei o HomeHomegateAnibis e um app chamado FlatFox.  Nesses sites é possível filtrar a busca por número de cômodos, bairro desejado, área, preço, etc. Muuitos apartamentos são repetidos entre os sites, mas eu entrava nesses sites uma vez por dia, todos os dias. Assim como há 2 anos atrás, era sempre necessário marcar a visita (as vezes o dia da visita já está marcado no anúncio, o que facilita), ir lá olhar, conversar e, se interessando, pegar o formulário para application. Acho que visitamos, possivelmente, uns 15 apartamentos, senão mais. Mandei candidatura pra mais da metade deles. Sobre essa parte, nada de diferente de antes. Mas...

Quero fazer umas considerações sobre Berna que podem valer pra outros lugares nessa Europa. Berna é uma cidade de mil anos, mas quando você sai do centro, é tudo "novo", de 1950 pra frente. Quando você vai pro centro da cidade, há prédios dos séculos XVIII, XIX, imaginem só rs. E aí tem várias coisas que são muito importantes de avaliar na visita: iluminação, divisão, etc. No centro de Berna tem muito prédio geminado, que só tem janela na frente e atrás, e por consequência, não recebem muita luz natural. Isso também pode acontecer com apartamento no último andar, os dachwohnungs, por conta to telhadinho em A, sabe? Outra coisa bem comum é o apartamento corredor (denominação minha rs): você entra e é um corredor cheio de portas. Aí numa porta é sala, noutra é cozinha, noutra é quarto, etc. Não tem um espaço aberto. Aparentemente esse tipo de coisa fazia sucesso em outras épocas, mas pra mim é um deal breaker. Por fim, uma outra preocupação que a gente nem pensa muito no Brasil: prédio tombado. A cidade antiga de Berna é inteira tombada, e cheia de apartamentos super charmosos onde mora muita gente. Mas se você tiver um vazamento, um probleminha qualquer, você tem que enfiar a Unesco no meio pra resolver. Tivemos amigos que ficaram quase um ano com vazamento no banheiro enquanto a burocracia se resolvia. Nosso antigo apartamento é da década de 40, e tem um layout um pouco "mais moderno". Tem sala aberta, e tal. Apesar de uns probleminhas, sou apaixonada por ele, e queria que desse pra fazer que nem em desenho animado (ou nos EUA haha): botar ele num caminhão e mudar pro centro, rs. Mas como não dá, a gente se atentou muito nas visitas, e também aceitamos que morar no centro seria possivelmente não morar tão bem e pagando mais. A vida é feita disso aí, né... escolhas. Enfim, tenham essas coisas em mente.
Cidade antiga: um sonho que pode virar um pesadelo
O application
Da outra vez éramos recém-chegados na Suíça, e por isso a gente não tinha referências, histórico nenhum. A escola de Mati se colocou como nossa referência, e era tudo que tínhamos, mas como estávamos procurando coisas fora do centro, onde a concorrência é mais baixa, foi suficiente. Dessa vez não.  Nesse tempo aqui aprendemos que uma cover letter com foto ajuda, e muito, no sucesso do application. Então fizemos uma, que a princípio eu mandei em inglês, mas ~curiosamente~, nos ofereceram um apartamento para o qual mandei a carta em alemão. Como já moramos aqui, além de preencher o application com as informações que pedem lá, precisamos anexar o Betreibungsregisterauszug, que é uma certidão negativa de débitos, e enviamos a cópia do nosso permit. Essa certidão você tira num órgão de administração da cidade, e tem que ser pra todos os moradores da futura casa. Aqui tiramos um pra mim, um pra Matt, e custou 17 francos cada um. Em todos os applications pediram referência do atual locador, e em alguns pediram referências pessoais e profissionais. Inclusive, ligaram pra minha chefe pra confirmar que eu trabalhava mesmo onde disse que trabalhava e se ganhava quanto disse que ganhava. Ou seja, não mintam rs... 
Meu favorito de todos os visitados. Infelizmente não rolou :(
Concorrência 
Quando começamos a procurar apartamento em 2016 nos falaram que a concorrência por casa aqui na Suíça era feroz, e vimos isso num apartamento que visitamos na Lorraine, um bairro meio hipster aqui de Berna. Mas fora do centro, mais precisamente em Ostermundigen e Muri, onde focamos a nossa busca, a concorrência não era tão alta. Lembro que até vimos outras pessoas olhando, mas era pouca gente. Acho que no máximo outros dois "concorrentes" ao mesmo tempo. Aplicamos pra quatro apartamentos e recebemos duas ofertas. Sucesso de 50% rs. Dessa vez o buraco foi BEM mais embaixo. Visitamos apartamentos que tinham outras 10, 15 pessoas olhando ao mesmo tempo. Mandamos pelo menos uns 10 applications, e recebemos duas ofertas somente rs. Alias, uma curiosidade: no começo do processo consideramos nos mudar pra Zurich, e eu acabei indo visitar um apartamento lá porque o preço estava bom e era bem próximo ao meu trabalho. Pois chegando lá, a fila pra entrar no apartamento descia do terceiro andar até a calçada. Eu fiquei uns 40 minutos lá, devia ter umas OITENTA pessoas, juro. Ou seja, em Berna a coisa é feia, mas realmente, nas "grandes cidades", como Zurich e Genebra, é bem pior. 
A foto é ruim porque eu tava tentando ser discreta rs.. Mas essa fila aí é de gente pra visitar o apartamento em Zurich 
Limpeza
Aqui na Suíça quando você sai de um apartamento tem uma limpeza obrigatória. E não é uma limpeza simples não.. é uma LIMPEZA forte. A minha imobiliária até mandou um checklist com as coisas que eles olham. Tem que tirar o calcário de tudo, limpar o filtro interno dos aquecedores, dentro do fogão, o filtro do exaustor, cada etc. Cada cantinho da casa é escrutinado na saída, e se acharem que não ta bom, eles mandam você limpar ali na hora. Muita gente encara a limpeza por conta. A gente optou por pagar uma empresa pra fazer, e é um troço CARO. Cotações para a limpeza (e a mudança, para quem se interessar, podem ser feitas no Movu). 

Por fim, de saída, é importante avisar todos os órgãos e empresas envolvidos no processo: prefeitura, empresa de energia, correio, seguro, etc. É um trabalhão do cão. Nos mudamos ontem, e o sentimento é de que estamos somente começando a resolver a trabalheira rs...

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