Malta

Eu percebi que, além da família e da comida, eu sinto falta de poucas coisas do Brasil. A espontaneidade é sem dúvidas, a principal delas. Mas outra que veio comendo as beiradas é bem menos óbvia: água salgada. Aqui tem muita piscina, tem muito lago, e em alguns lagos tem até umas marolinhas rs, mas não tem água salgada, não tem cabelo duro, sobrancelha salgada, alma lavada. Não tem. Por essas e outras eu decidi que, esse verão, a gente ia passar uns dias a beira mar. Já tínhamos dado uns mergulhos em Cinque Terre, mas não tinha sido suficiente, então nas buscas de passagens a preços não obcenos, apareceu Malta, e lá fomos nós. 

Malta é uma ilha muuuito pequena, porém muito densamente povoada. São várias pequenas cidadinhas, cada uma com sua característica. Apesar de ser um país com cidades, digamos que Malta é uma grande cidade e essas cidadinhas são como bairros. A gente acabou ficando em St. Paul's Bay, uma área mais turistona, mas onde foi possível encontrar hotéis bons com preços decentes um pouco em cima da hora. E passamos nosso primeiro dia inteirinho curtindo um beach club ali em St. Pauls Bay mesmo, o Cafe Del Mar, que tem seu primo ryco em Ibiza. Eu queria passar meu primeiro dia fazendo NADA, só descansando, nadando e tomando bons drinks. E assim foi. Chegamos lá por volta das 11h da manhã, e só saímos passando das 10 da noite rs, quando a criançada avançou pra uma espécie de baladinha. 
O beach club
A pose
O por do sol
E os bons drinks
Nosso segundo dia foi um pouco mais produtivo rs. Antes de falar o que fizemos, um parenteses necessário: apesar de Malta ser pequena, e as distâncias entre os lugares ser pequena, tem MUITO trânsito. O taxista que nos pegou no aeroporto disse que em dois anos Malta terá mais carros que habitantes, e isso dá o tom das coisas. Pequenas distâncias de 10 km entre uma vila e outra leva coisa de meia hora, 45 minutos. Os ônibus vão pra todos os lugares e custam só dois euros, mas demoram um pouco mais que os taxis.

Enfim, pegamos o busão pra Mdina, a cidade silenciosa, uma das mais famosas de Malta. E foi ali que a coisa começou a ficar interessante... porque Malta tem seu próprio idioma, mas também fala inglês como língua oficial. Malta tem uma culinária bem misturada, que tem muito do italiano. Mas quando se olha pra arquitetura, Malta é bem árabe. E Mdina, uma cidade pequena, linda, amuralhada, da toda essa pinta, parece uma cidade perdida no deserto. Mas é bem cheia de turista, tem bastante ônibus chegando, então tem hora que o charme se perde. Mesmo assim, se embocando pelas ruazinhas você reencontra o charme perdido. 
Pelas ruas de Mdina


De lá eu queria ir pra praia, mas meio na dúvida de onde ir, onde daria menos trânsito, e morrendo de calor, acabamos entrando num busão achando que estávamos indo pra um lugar, e estávamos indo pra outro. Demoramos uns bons 20 minutos pra perceber, e aí resolvemos ajustar o roteiro e conhecer Vittoriosa (ou Birgu, em maltês), uma das três cidades fortificadas de Malta. Birgu é uma das cidades mais antigas do país, já foi capital, e onde os cavaleiros da ordem de São João se estabeleceram na idade média. É uma área portuária, e também tem uma vista pra Valetta, a capital. Agora o charme de Vittoriosa está mesmo nas ruelas, tão belas quando as de Mdina, mas completamente vazias. 
Olha essa comida, Brasél... Muita inflência italiana, frutos do mar, deliciosidades mil
Pelas ruas de Vittorisa, sendo aterrorizada por uma fera
Sério, olha essas ruazinhas
E a área do porto
Por ali seguimos andando pelo porto, e acabamos achando uma prainha, onde dei um mergulho e ficamos só curtindo o sol. 
E nadamos olhando pra Valetta
De lá pegamos um barquinho e fomos até Valetta. Acabamos não entrando na cidade porque tínhamos separado um outro momento pra explorá-la, e voltamos pro hotel pra curtir o mar lá na frente. Eu adoro nadar no mar a noite, e fico muuuuito feliz quando é possível.

Nosso terceiro dia começou com Gabriela fazendo a madame e gastando duas horas no spa pra fazer uma massagem que olha... saudades massagem. Que coisa maravilhosa que deve ser aquelas moça ryca que vão no spa toda semana. 

Depois de volta o pé no mundo dos mortais, nos encaminhamos pra Gozo, uma ilha que faz parte de Malta. Ir até lá é bem fácil: tem um porto de onde saem ferries o dia inteiro pra Gozo, ida e volta. A viagem dura somente 20 minutos e custa menos de 5 euros, bem tranquilo. Ali é também o porto de onde as pessoas vão para a Lagoa Azul, um passeio super famoso de Malta, se não o mais famoso. Mas eu tinha visto vídeos nas semanas anteriores, todo mundo relatando super lotação, água viva, e eu preferi valorizar meu tempo rs. Pulei essa parte, mas enfim, o porto chama Mgarr. 

Nosso plano para Gozo era curtir uma praia, e depois dar um rolê pela cidade, onde estava rolando uma festa (e eles falam assim mesmo, a Festa) tipo aquelas festa de São João, de Santo Antonio, sabem?! Barraquinhas, procissão, etc. As Festas são bem grandes em Malta, um país muito católico. E teve Festa durante toda a nossa estada, mas dado o rebuliço, a gente acabou entrando no meio da de Gozo somente.
Ramla Bay, uma das praias lindas de Gozo



Eu, se um dia voltar pra Malta, ficarei em Gozo. Achei bem mais tranquila, menos gente, menos trânsito, menos grupo de estudantes, menos bagunça. É um atestado de que to velha? Talvez, mas eu gostei muito. A ilha tem a mesma pegada de Malta, uma vibe meio desértica, com construções brancas, rodeada de mar azul, mas o sossego... ahhh o sossego. De quebra ainda fomos no melhor restaurante da viagem, chama Maldonado. Gastronomia fina, mas num lugar bem fofinho, despretencioso. Recomendo.

Nosso quarto e último dia em Malta era pra ser totalmente dedicado a Valetta. Acordei e fui tomar um sol na beira do mar, quando resolvo olhar o voo e PUTAQUEPARIU eu achei que o voo era as 19h, mas é as 15h rs... Aconteceu isso. Sai correndo e fui acordar Mati, e de mochila nas costas fomos correndo tentar dar uma olhada em Valetta. Nos sobrou somente duas horas pra passar na capital, mas apesar da correria, acabou sendo suficiente. Valetta é abarrotada de gente.. tipo, ABSURDO. É onde os navios de cruzeiro param, onde a turistagem em massa acontece, e sério... vuco-vuco, principalmente na rua central. Demos um giro por lá, fomos até um jardim, o Barrakka Garden, de onde tem-se uma vista incrível das três cidades (Vittoriosa, Cospicua e Senglea), tomamos um café, o último spritzer, e partimos. Fiquei remoendo não termos parado em Valetta com calma quando tivemos a oportunidade, e evitado esse estresse, mas acontece... ao menos deu tempo de ver um pouquinho, e amem que não perdemos o voo rs. 
The calm before the storm: 2 minutos antes de eu perceber que estávamos com o horário de voo errado na cabeça
Pelas ruas de Valetta
Valetta vista do Barrakka Gardem
E as Three Cities vistas de Valetta
Por fim: vale a pena ir pra Malta? Vale sim. É um lugar compacto, com belezas naturais, arquitetônicas, com preços bem justos. Mas ta massificado sim. O trânsito enche o saco sim. Mas eu voltaria? Voltaria sim.

Um resumo de dicas: 
- passe um tempo em Gozo
- separe tempo pra gastar em trânsito
- a Lagoa Azul pode ser um tourist trap, se você não gosta desse conceito, evite
- visite Vittoriosa <3
- se você mora na Suíça e gosta de massagem, é um bom lugar pra visitar um spa por preços módicos :)   

Verão, o fim


Entra ano e sai ano, e eu não consigo superar o fim. E esse ano, pra aumentar o sentimento de que todo verão é pouco, ele foi intenso porém curto. Vejam só... eu tinha 3 cm de neve na minha varanda em maio, sabe. Mas ok, os meses que se seguiram foram de muito sol, calor, suor, lago, rio, spritzer, chinelo, e tudo que o verão tem a proporcionar. 

E fazendo aqui uma retrospectiva dos melhores momentos, o que que teve?

Teve churrasco na varanda.. 

E teve festival, muito festival! 
Começamos com um festival pequeninho de bairro aqui em Berna, que teve silent party, adoro

E fomos pra Montreux... no famoso festival de jazz
Experiência incrível, a repetir <3
E terminamos vivendo cenas lamentáveis no Zurich Open Air hahaha
Teve também muito rio. Todos os dias tentei ir mais cedo pro trabalho, pra sair mais cedo e vir correndo me refrescar no rio em Berna, esse daí que abre o post. Mas aos finais de semana, gosto mesmo foi ir pros lagos. Aqui tem lagos lindíssimos, rodeados de montanha, de água as vezes gelada, mas onde é maravilhoso passar o dia e recarregar as baterias. Esse verão eu tava mais na pegada dos lagos mesmo, e curti o máximo que deu!
Fazendo SUP no lago de Thun

E curtindo o lago de Zurich
E falando em Zurich, eu já falei aqui que tava dando conta do commute pra lá todos os dias numa boa, e o jogo virou. O trabalho intensificou, e eu comecei a ficar muito cansada. Estou muito balançada e pensando por quanto tempo mais ainda vale a pena fazer esse rolê quase todos os dias... Pra ajudar na reflexão, teve também um fim de semana em Zurich, curtindo a cidade, pra se, no futuro, quisermos fazer uma decisão, que seja mais informada. 
Zurich me cortejando, cada vez mais

Também teve cinco dias em Malta, mas essa maravilha vai ficar pra um post próprio (e pra garantir que esse post vai existir, vou escrever assim que soltar esse aqui rs). 
Mas olha se isso não é vida?!
Por fim, o grande highlight do verão: 
Teve Baby, muito Baby <3 Foram duas semanas deliciosas com esse Baby que de Baby não tem mais nada. Duas semanas de muitas brincadeiras, de muita bola, muito baralho, muitas perguntas, muita piscina e muito amor. De matar saudades, de abraçar, beijar e apertar, enquanto ele ainda gosta disso rs... porque ele já ta quase mais perto de ser um adolescente do que ser meu bebezinho. Foram duas semanas que preencheram meu coração! 


E agora, ficam só lembranças desses meses maravilhosos. O dia já está ficando mais curto, já estou saindo de casa no escurinho, as temperaturas já caíram, e jajá é hora de entrar no clima de montanha. Mas estarei aqui, vivendo o inverno com a resiliência de quem saber que o verão vem, ainda que seja atrasado, mas sempre vem, e é sempre maravilhoso!!!

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