Suíça com doguinho

 Quando eu contei da adoção de Carlito, eu mencionei também que um dos fatores decisivos pra gente dar andamento nesse plano foi o fato de a Suíça ser super dog friendly, de um jeito que seria mais fácil integrá-lo nos nossos programas e embora sim, tenhamos limitações, elas são menores. Agora que já temos alguns meses de experiência, acho que rola dar um pouco mais de detalhe. 

Transporte Público

Cachorros podem tranquilamente usar o transporte público na Suíça inteira. Os de porte maior pagam meia tarifa, mas no caso de Carlito, que pode ir no nosso colo, ele anda de graça inclusive. É bem tranquilo. Já peguei transporte cheio com ele, e levo ele no colo.


Fotos que retratam 2020: transporte bem vazio (e por isso Carlito não está no colo) e máscara 

Bares, cafés e restaurantes 

Cachorros são aceitos em 99,9% dos estabelecimentos do tipo. Nesses quase três meses que se passaram eu saí muito pra bares e restaurantes, e Carlito é sempre muito bem recebido. Teve um episódio em que fui esperar um amigo num bar de hotel, e eles não permitiam. Era um hotel executivo, então é bem fora do perfil mesmo, mas foi o único caso. No começo eu liguei em alguns lugares pra confirmar, porque não queria perder viagem, mas a regra é mesmo aceitar e receber o cachorro com tranquilidade. Inclusive, acho que ao menos metade dos estabelecimentos em que fomos, eles colocaram um potinho com água pra ele se refrescar. Quando fui procurar fotos, percebi que só temos foto dele quando sentamos pra fora (até mesmo porque fica mais fácil de ele aparecer na foto), mas é tranquilo também pra sentar pra dentro. Carlito - e todos os cachorros que vemos por aí - se acomodam embaixo da mesa e tudo certo. 



Carlito em suas incursões por restaurantes e cafés

Lojas

A maioria esmagadora dos mercados não aceita cachorros, lojas menores acho que aceitam de boa (os pequenos mercadinhos onde vou no bairro eu entro com ele, mas não nos mercados de rede), mas quando estou com ele e resolvo comprar algo, deixo ele amarrado na porta. Em lojas de roupas e afins não tive problemas para entrar com ele, mas é claro que se eu saio de casa para IR numa loja dessas, eu não levo o cachorro né rs... mas já aconteceu sim de estar andando com ele e entrar em alguma loja. Também já vi, ao longo desses 4 anos, vários cachorros dentro de lojas, com seu rabo saindo pra fora do provador hahaha. 

Hotéis

Desde que Carlito chegou nós fizemos algumas viagens curtas, de fim de semana, férias de verão, e nunca foi problema achar hotel que aceitasse ele aqui na Suíça. Inclusive, vários hoteis que vi nem cobram taxa extra pelo cachorro, como por exemplo nosso hotel em Gersau. Em um momento do verão achamos que seria possível dirigir até Amsterdam, e acabamos fazendo reservas em vários hoteis pelo caminho de ida e volta (tive que cancelar tudo depois rs) e também não foi problema achar opções em Luxemburgo, Bruxelas, Colonia e Heildeberg. A única diferença foi que todos os hotéis que vi nessas cidades cobravam uma taxa diária, entre 10 e 20 euros, que se justifica pela potencial limpeza extra que um hóspede canino pode demandar.

Em nosso apartamento em Lugano

Serviços

Locais como correio, repartições públicas, etc... não né? Eu já entrei no correio aqui com Carlito, confesso, mas tem a placa (que eu não vi) falando que não são permitidos. Ninguém falou nada até mesmo porque ele é tão quieto que acho que o povo do Correio não percebeu que ele estava lá. Mas eu dei um google depois e descobri que ele não poderia ter entrado. Então evitem rs.  

Banhos públicos (as badis)

Aqui na cidade de Zurich cachorro não entra em nenhum dos banhos públicos, que são como pequenos clubes na beira do lago e rio. Então quando eu quero ir pra um deles, Carlito fica em casa. Quando queremos levar ele, vamos nas áreas abertas, e tanto na beira do lago como do rio tem um monte. Mas em outros lugares, foi possível entrar com ele, como em Gersau, e na Lido San Domenico, em Lugano. Em ambos os casos, a gente ligou antes pra se informar e evitar perrengue.

Carlito e Bonnie curtindo a beira do lago em Gersau

E quem quer outra vida? 

Comparando com São Paulo, onde cachorro não entra em café, restaurante, bar, ônibus, e basicamente é mal recebido por tudo, é uma tranquilidade sem fim ter cachorro na Suíça. É claro que é importante que o cachorro seja sociável, que não fique latindo que nem doido dentro do restaurante por exemplo, ou faça xixi no ônibus. Antigamente treinamento de cachorro era obrigatório na Suíça inteira. Hoje é para algumas raças e em alguns cantões. A gente optou ainda assim por fazer um treinamento com Carlito, justamente pra gente ter um pouco mais de controle e garantir que consigamos integrar ele na nossa vida e rotina. Ta dando certo :) 

3 dias no Ticino, a Suíça italiana

Como eu dizia em algum post por aí, os planos de verão (e de primavera, e potencialmente de outono e inverno rs) escorreram pelo ralo. E quando a gente estava aqui pensando o que fazer com a minha única semana de férias no verão, começou a cair a ficha que nos restaria o inevitável Ticino rs. Veja bem, eu AMO a Suíça italiana. Amo o clima, a vibe balneário mediterrâneo, as palmeiras, a comida italiana, o povo falando essa língua maravegliosa e tudo mais. Porém eu amo, e a Suíça inteira ama, e é assim que verão no Ticino é bombado, com direito é trânsito dos infernos pra cruzar o São Gotardo, o túnel que liga a região central da Suíça à parte italiana. Mas capitulamos. Alugamos um apartamento, e voilà, acordamos tarde num domingo de tempo meio feio em Zurich, tomamos um café, Carlito na gaiola e bora. 

Carlito cruzando os Alpes 

O São Gotardo é uma obra faraônica da qual a Suíça muito se orgulha, um túnel de 17km de extensão, cortando uma das montanhas do maciço de Saint Gothardo, e facilitando a vida dos viajantes e também do comércio entre os países do norte da europa e a Itália. Dentro do túnel é pista única com duas mãos, e como engarrafamento lá dentro pode ser fatal, eles controlam a entrada e filas se formam antes do túnel. A gente já ficou parado nesse trânsito algumas vezes e dessa vez, como tínhamos tempo de sobra, zero pressa, e vontade de aproveitar as férias ao máximo, resolvemos atravessar a montanha por cima, cruzando o Passo de São Gotardo. Os passos são as estradinhas que sobem as montanhas e as cruzam pelo topo. Normalmente são estradas simples,  sinuosas, íngremes e que proporcionam vistas lindíssimas. E assim foi a crusada do Passo, a 2106 m de altitude. Lá em cima tem um lago, e a gente desceu pra dar uma esticada nas pernas e uma olhada. Mas estava vento demais, frio, e tinha muita obra por perto, então a paisagem estava poluída por gruas rs. Chegamos em Lugano a tempo de, mesmo sem reserva, sentar na mesa mais bonita da cidade e curtir um jantarzinho balado e delícia. 

Nossa vista do jantar era quase essa daí, com o San Salvatore


Na segunda feira acordamos e fomos caçar um café da manhã, já nos encaminhando pro centro da cidade. O centrinho de Lugano é puro charme, a orla é linda, e a vista do San Salvatore QUASE lembra um Pão de Açúcar rs (muitos risos mas enfim, divago rs). Nosso plano era pegar a gôndola e subir o morro, coisa que ainda não fizemos, mas o tempo começou a fechar. Pensamos em fazer algo bem fora do nosso perfil: ir dar uma olhada no outlet de luxo que tem no subúrbio da cidade. Mas antes da gente conseguir fazer qualquer coisa, caiu uma PUTA chuva com vento e tudo mais. Nos restou sentar num bar e passar o dia inteiro lá tomando os bons drinks. Teria sido um dia perdido se eu não gostasse tanto de bons drinks rs.  

O único registro do dia, antes do toró cair

Na terça feira nós tinhamos um programa definido: caminhar pelo centro, pegar o barco no pier Lugano Centrale, e ir curtindo o lago até chegarmos em Gandria, um vilarejo encravado na montanha, na beira do lago, sem acesso de carro, e cheio de charme. Há 3 anos, nós fomos caminhando a Gandria e voltamos de barco. Dessa vez resolvemos fazer o trajeto inverso, para pegar os restaurantes abertos e almoçar com uma vista épica. E se valeu a pena? Ô! O barco de Lugano para Gandria dura cerca de 35 minutos, custa uns 16 francos para quem não tem nenhum desconto. Não é que tem muita coisa pra fazer em Gandria, mas é um vilarejo lindo, tranquilo, fotogênico, e da próxima vez que formos a Lugano, quero passar uma noite lá.

De barco, entre a Suíça e a Italia
 
A chegada no vilarejo de Gandria

E a varanda do Locanda Gandriese, um restaurante delícia

Em nosso caminho de volta, a pé, paramos em Lido San Domenico, um banho público que é mara: tem música boa, drinks, aceita Carlito, e o melhor: acesso direto ao lago de Lugano, o lago com a água mais gostosa dessa Suíça. Passamos o resto da tarde lá, entre um mergulho e outro, um drink e outro, lendo, curtindo a música boa, e a vista incrível. Digo que o lago de Lugano tem a melhor água, porque a temperatura é perfeita: não é gelado, não é quente, é gostoso demais ficar dentro da água. Esse esquema ainda é o que pra mim eu defino como um dia perfeito de férias: um pouco de sight seeing, uma vila bonita, uma comida boa, e horas de "praia". Eu passaria o resto da vida assim :) 

A trilha de Gandria pra Lugano começa assim, bem rústica e linda

E tudo que eu quero pras minhas férias suíças: Lido San Domenico


Na quarta feira fizemos check out e pegamos o carro sentido Locarno. Dessa vez, no entanto, não fomos para a cidade. Nosso destino era um dos hits suíços no Instagram: Lavertezzo, uma vila pitoresca encravada no meio da montanha, cortada por um rio de água absurdamente esmeralda. Aqui fica o alerta mor: se for fazer esse trajeto de carro, vá cedo. A gente meio que dormiu no ponto, chegamos lá por volta do meio dia, e foi MUITO difícil pra estacionar o carro, porque as vagas são limitadas. É possível chegar lá de post bus, só procurar no app da SBB. De Lugano até lá, de carro, é coisa de 45 minutos, e quando começa a subir a montanha, o caminho vira um desbunde. 

Lavertezzo numa foto: montanhas, cidade, água esmeralda, aglomerações e desbunde a olho nu


Lavertezzo deu uma bombada depois de viralizar no instagram, e virou um top destination no Ticino, e por isso acaba sendo também um acúmulo de perrengues: estacionar, achar um lugar sem muita gente por perto, fila pra pular da ponte direto na água, então, tem que ir com paciência. Nós acabamos incluindo na viagem de última hora, porque estávamos perto, e valeu a pena. Achamos um canto pra chamar de nosso e curtir a água mais gelada em que já me enfiei rs. Depois fizemos uma caminhadinha bem de leve até a vila. O ideal seria ter mais tempo por lá, talvez dois dias, e se embrenhar pelo Valle Verzasca, ver as paisagens com menos gente em volta. Muita gente acampa por lá, faz trilhas, e eu acho que esse deve ser o melhor jeito de explorar a região. Terminamos nossa viagem comendo uma pizza de frente para um lago artificial formado numa barragem, e delá seguimos viagem de volta pra casa. 

Aquele perrengue chique básico do verão europeu: tomar sol na pedra rs

Fim de viagem de frente pro lago de Vogorno

Foram dias muito gostosos, lazy, devagar, eu quase fiquei com a impressão que não vimos muita coisa, mas agora colocando assim tudo escrito, na verdade fizemos foi bastante coisa :) E eu gosto desse relato diário, que é mais pra mim do que pros outros, mas aí no meio ta cheio de dicas, querendo, é só explorar! 

O mês de julho

Sigo firme e forte no propósito de ir registrando os meses por aqui, então, mesmo que com um grande atraso, senta que vem resumão de julho. 

O mês começou no auge da crise emocional que contei num post anterior. Pra piorar tudo, Mati fez uma viagem que era importante, e eu estava sozinha em casa. Apesar de todas as dificuldades envolvidas, acho que esse tempo sozinha foi importante pra elevar minha relação com Carlitinho, criar a conexão que precisávamos, e também me dar mais segurança em como lidar com ele. Também teve a participação dos amigos, que não deixaram a peteca cair. Alguns amigos vieram visitar e foi muito bom me distrair e pensar em outra coisa além do serzinho que agora dependia tanto de mim. 

E Mati chegou dia 10, e com ele, uma quarentena forçada. O governo suíço impôs (corretamente, no meu entendimento) quarentena obrigatória para aqueles chegando de países considerado de risco, inclusive os EUA, de onde veio o digníssimo Matinho. E a gente tinha se preparado para ele se isolar aqui dentro de casa, usando quarto e banheiro separado. Mas ainda assim, o cantão de Zurich demandou que as outras pessoas da casa também quarentenassem, e embora tenha sido um SACO, eu acho foi a coisa certa a fazer.  Então por 10 dias, ele não colocou os pés nem no corredor do prédio, dormiu num quarto separado, usou banheiro e varanda separada, e nos convivemos em casa a distancia. Eu, por minha vez, somente saí com o cachorro 3 vezes por dia, por 10 ou 15 minutos, para ele fazer as necessidades. Para que ele pudesse se divertir um pouco, uma pet sitter pegou ele aqui alguns dias, e ele pode se divertir numa fazenda. 

E depois de 10 dias, veio novamente a liberdade rs... E liberdade no verão suíço. Eu sou a doida do verão, e comecei a ir pro lago e rio e tudo mais que água todos os dias depois do trabalho, e alguns dias até na hora do almoço. A Suíça está com a vida relativamente normal. Os casos de corona flutuam, mas a situação está sob controle, e eu acho que no inverno a coisa tende a piorar. Então estou vivendo esse verão adoidado.
Na beira do lago, no meu banho público favorito
E na beira do Limmat
E roubado do stories to Instagram: melhor jantar que tivemos em Zurich. Moudi, anota aí

Num fim de semana, fomos encontrar amigos queridos, nossos ex vizinhos de Berna. A gente queria passar um tempo gostoso em algum lugar bonito, e isso não é difícil de achar na Suíça, então a gente fuçou e achou um lugar lindo nas beiras do Vierwaldstettensee, que também é conhecido como lago de Lucerna, e fomos passar um fim de semana na pacata Gersau. A cidade é mini, porém gracinha, entre o lago e a Rigi, uma das montanhas famosas da região central do país. Apesar da previsão do tempo marcando chuva, os deuses da água questavam do nosso lado rs. Foram dias muito muito ensolarados e quentes, de noites frescas, um fim de semana que valeu muito pra recarregar as baterias, botar a conversa em dia, e lembrar que não precisamos ir muito longe pra nos sentir viajando por aí. A foto que abre esse post é de lá, e ilustra bem o clima do fim de semana. 
Em outra vida acho que fui um peixe, porque sou muito mais feliz dentro da água

E foi assim que julho terminou num tom BEM mais alegre do que começou rs... Pra melhorar tudo, dia 31 foi meu último dia de trabalho antes das férias. O plano inicial era tirar duas semanas e visitar os sogros na California, mas é claro que o corona mudou tudo e por aqui ficamos. Tentamos fazer ainda outros planos que também foram sacrificados, e resolvemos curtir as férias pela Suíça. Se a inspiração vier, esses posts saem antes do resumo de agosto rs. 

Agora é curtir o que resta das férias e do verão :)

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