Eu vou falar de Setembro sim

 No começo desse ano, eu resolvi que ia fazer um resumão da vida por mês, e estou firme no propósito. Quem liga que é meio de outubro? Eu vou falar de setembro ainda assim rs... Como ignorar um mês que começou com 30 graus na beira do lago e acabou no meio de uma nevasca? Não tem como! 

Foi isso. Setembro começou com dias super quentes, daqueles que fazem a gente ter medo do aquecimento global e tal. Mas eu gosto de sol, calor e verão né? Então me pus a aproveitar. Foram bem uns 10 dias com clima gostoso demais, que passei tomando sol na beira do lago de dia, e aproveitando os terraços abertos a noite. Encontramos uns amigos da Alemanha que estavam por aqui, recebemos um amigo de Berna aqui e tomamos bons drinks, e fomos de pouco em pouco nos despedindo do verão, e principalmente, das liberdades que o tempo bom nos deu durante a pandemia (curtir ambientes abertos e menos propensos ao vírus). 

Curtindo os últimos dias de verão...

... na beira do lago, com as montanhas de fora...

... e com bons drinks, sempre!

No meio do mês nos aventuramos para além das fronteiras suíças pela primeira vez: fomos pra Konstanz, cidade alemã na fronteira com a Suíça. Entre o povo de Zurich, Konstanz é basicamente um shopping center rs. A galera vai pra lá pra fazer compras, aproveitar dos preços mais amigos e do tax free (porque lembrem-se, a Suíça não faz parte da União Europeia). Nós aproveitamos mesmo pra comer bem por pouco, e sim, fomos ao mercado fazer umas comprinhas, mas no geral mantivemos distância da loucura consumista que me lembrou bem um shopping paulistano em véspera de Natal. A cidade em si é bom bonitinha, na beira do Bodensee, um lago impenso e lindo, mas a arquitetura é bem semelhante à daqui, e o feeling que ficou foi de que mal mudamos de paisagem rs. Se vamos voltar? Sim, vamos, mas não com a assiduidade que meus conhecidos voltam rs. 

Konstanz desfocada mas ainda bem bonitonas

Também rolou a viagem pra Zermatt, a fatídica, mas sobre ela já contei por aqui. E além disso, nem só de passeio vive esta que voz escreve. Um dos grandes momentos do meu mês foi pedir, e ganhar, um curso no trabalho. Eu sou muito ruim de pedir coisa. Sou ruim pra pedir aumento, pra pedir promoção, pra pedir benefícios, e tudo mais. Sei que não sou a única mulher a me sentir acanhada nessas horas. Então eu resolvi que eu ia pedir pro meu trabalho pagar um curso que eu queria fazer. Ainda que eles negassem, só o fato de eu PEDIR, já seria positivo pra mim. E eu pedi, e eles aceitaram me dar. E foi assim qu e eu acabei trabalhando bastante esse mês, poque por vários dias eu passei 4h fazendo curso, e depois trabalhando de noite pra dar conta de tudo que tava acontecendo. Foi bem cansativo, mas valeu a pena demais!  

No quesito explorar Zurich, o mês foi um sucesso rs. Conheci bastante lugares novos: bares, cafés, restaurantes, e até um cinema. Rolou um festival de cinema brasileiro no Xenix, um cinena alternativo aqui de Zurich, e eu juntei minha coragem para, no meio da pandemia, ir assistir Bacurau. No cinema o uso de máscara era obrigatório, e as poltronas eram espaçadas, eles não vendiam assentos consecutivos para pessoas de "grupos" diferentes. Chegando lá eu me senti meio apreensiva, mas quando começou o filme... galera do céu.. eu sei que eu to atrasada, que Bacurau foi hype ano passado, mas gente do céu? Vocês assistiram esse filme? Que paulada rs... Passei uns dias processando tudo que aconteceu ali, e agradecendo essa galera que fez esse monumento acontecer, porque me proporcionou, no ano de 2020, ter um orgulho do Brasil <3 

Por fim, um grande acontecimento de setembro foi a minha rede. Acho que desde que eu saí da casa dos meus pais, em 2003, eu morro de vontade de ter uma rede pra chamar de minha rs. Na casa dos meus pais sempre teve rede, na casa dos meus avós, a gente levava rede quando alugava casa por aí, a rede me acolhe, a rede me leva de volta pro aconchego e me faz sentir em casa, onde quer que essa casa seja. E foi assim que, na Bahia, pulando minhas ondas na manhã do dia primeiro, eu virei pro homem e falei: esse ano eu realizo meu sonho da rede. E no dia seguinte, eu comprei uma rede que não cabia na minha mala. Mas eu dei meus pulos, e enrolei a bendita, e trouxe uma rede imensa na minha mochila nas costas. E depois de mudar de casa, chegou a hora de finalmente, botar ela pra brilhar. Pois bem. Desde o dia 23 de setembro eu não sento no sofá. Eu só vivo na rede. Eu tiro todos os breaks do home office na rede, eu tomo bons drinks na rede, eu tiro meus cochilos na rede, eu estou escrevendo nessa momento na rede. 

Você já ouviu a palavra da rede?

A pandemia não foi embora, muito pelo contrário. Os casos na Suíça voltaram a aumentar, e algo me diz aqui que as restrições estão há alguns dias de voltar. Com o tempo esfriando, as atividades voltaram pra dentro, e o terreno ficou mais livre pro vírus maldito. Mas tivemos um verão de respiro, de "normalidade", tivemos um tempo pra tentar relaxar no meio dessa loucura que estamos vivendo. E pra fechar, deixo aqui algumas imagens cotidianas desse mês que costumava ser chuvoso, mas que este ano foi solar, como um presente num ano de tantas durezas. 







Zermatt parte 2: quando tudo deu certo

 Acordamos em Realp numa paisagem meio apocalíptica rs. Antes de sair com Carlito para suas necessidades matinais, fiquei olhando lá pra fora e pensando não é possível que estamos em setembro. Mas estávamos. Eu saí ainda sem saber se Carlito se adaptaria bem na neve ou não, mas mal pisou nela e quis brincar muito. Alívio. Depois de meia hora de frio, voltei pro hotel, fomos tomar café da manhã e resolvemos que íamos seguir viagem pra Zermatt. Pegamos o trem de carro que cruza a base da montanha as 9h horas da manhã e chegamos no Valais, do outro lado, às 9:20. É bem rápido (e escuro e esquisito mas enfim rs) e custa 27 francos. Ah, importante dizer que os passos ficam fechado no inverno, e claro que com essa nevasca, o Furka fechou em setembro mesmo, e não sei se abre de novo esse ano. 

Rehalp pela manhã

O Valais é um dos cantões mais bonitos da Suíça, então dirigir por lá é certeza de paisagens de tirar o fôlego, montanhas, curvas e pontes. Saindo do furkatunnel, até Täsch (onde se estaciona o carro, porque Zermatt é uma vila sem carro) é coisa de 1:30h. E depois mais 10 minutos de trem até Zermatt. Finalmente chegamos! 

O Mattherhorn estava todo encoberto, o tempo nublado, mas nem liguei, estava feliz só de estar lá. E depois de fazer check in, fomos comer algo e checamos com o escritório de turismo que seria possível fazer a trilha que tínhamos ido lá pra fazer, a 5 lakes. A trilha é uma das mais famosas da região, super cenica, e relativamente fácil. Um funicular até Sunegga, e uma gôndola até Blauherd. De lá você faz a trilha, que é um zigzagear por paisagens deslumbrantes, até chegar em Sunegga de volta, de onde pega o funicular pra baixo (ou pode descer caminhando até Zermatt, é uma opção). O último funicular de volta era as 17:20, o que nos deoxava com uma janela de 3h para fazer a trilha. Em tese a trilha dura 2:30, mas quem quer que seja que fez essa medição, a fez antes da invenção do celular com câmera rs... 

Chegamos lá em cima e nos deparamos com uma paisagem inteira nevada, com o Matterhorn encoberto de um lado e um glaciar do outro. Sério, só ali já valeu demais toda a doideira das últimas 24h. Pra melhorar, Carlito era o cachorro mais feliz do mundo, brincando na neve, curtindo demais. Seguimos pela trilha, e eu nem vou falar muito, só deixar umas imagens mesmo... 

Um cachorro feliz, um Matterhorn encoberto...

... uma geleira, e surra de paisagem maravilhosa!

Lá pelo meio do caminho, quem da as caras? Ele mesmo, o Matterhorn. O céu limpou e ele se mostrou inteirinho, majestoso, deslumbrante. A Suíça é cheia de montanhas, mas ali deu pra entender porque o Matterhorn é tão icônico: você ve ele inteirinho, da base até aquela pontinha. É cheio de textura, de edges, é uma beleza absurda. Claro que com ele ali, todo de fora, a gente acabou se enrolando, e no fim tivemos que cortar 2 lagos da trilha. No fim, vimos 3 lagos e não 5. Mas não me arrependo de nada. Se tivessemos ido mais cedo, com mais tempo, talvez não tivessemos visto ELE, já que o céu só limpou depois das 16h. Conseguimos voltar pra Sunegga a tempo de pegar o último funicular. Foi muito apertado, e cansativo, porque pra dar essa cortada na trilha, tivemos que pegar um caminho super íngreme, a 2500m de altitude, não é fácil. Mas valeu demais, foi incrível, e eu definitivamente entrei pra turma que venera o Matterhorn rs. 

O primeiro lago: Stellisee 

Ele começando a querer dar as caras...

E ele todo majistoso, imponente e maravilhoso, com o Grindjseee aparecendo

Segundo lago: Grindjesee e ahhh se essa nuvem não tivesse aí...

Terceiro lago: Moosjesee, com uma água azul inacreditável

Voltamos pra Zermatt bem cansados e felizes, e de noite fomos repor as energias com o primeiro fondue da temporada. Fomos no Swiss Challet, um restaurante beeem.. suíço rs. Ótima pedida pra quem quer comer fondue, raclette, e outros queijos (e sair fedido de lá, mas faz parte). Apesar de ainda estarmos em 26 de setembro, saímos do restaurante debaixo de -2 graus. 

E domingo em Zermatt, uma vila linda de doer

No domingo não tínhamos planos. Foi a nossa segunda vez em Zermatt, e ao contrário de muita gente que quer ver tudo de uma vez, eu e Mati somos da turma que quer deixar algumas coisas por fazer, ter motivos pra voltar. Então resolvemos dar uma volta na vila, admirar as casinhas de pedra e madeira, tão características do Valais, e pegamos estrada pra voltar. Depois de cruzarmos novamente o Furkatunnel, paramos para almoçar em Andermatt e foi uma surpresa. Andermatt virou um point de ski nas últimas décadas, mas é bem pouco "falada", então eu nem achava que a cidade seria bonitinha. Mas é. 

Centrinho de Andermatt

E pra finalizar o fim de semana, demos uma paradinha em Teufelsbrucke, uma ponta sobre o rio Reuss, que é uma construção bem linda. A ponte é toda de pedra, muito antiga (a primeira ponte foi construida em 1230, feita de madeira, e substituida pela que está ali em 1800), e ali também cruzam outras pontes, criando um cenário bem pitoresco. O lugar foi marcado por uma batalha entre russos e franceses em 1799, e é cheio de sinais em russo (porque eles sairam vitoriosos da batalha). 

Essa foto eu fiz de cima da ponte mais antiga, e mirando na ponte nova. É meio difícil captar a essência do lugar em foto, porque são três pontes se cruzando, uma cachoeira imensa embaixo, um trem vermelho cruzando uma delas, uma montanha imensa de rochas dramáticas, enfim... só vendo mesmo pra sentir a grandiosidade da coisa. Valeu muito a parada! 

E um fim de semana que começou beeeeem bizarro (detalhes da Parte 1 aqui), foi maravilhoso. Ficam as boas histórias pra contar, as lições e mais uma vez, o registro de que essa Suíça não decepciona mesmo, as paisagens sempre valem os perrengues :)

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