04/12: O meu mês

Abril é um mês muito feliz nessa casa. Dia 4 de abril de 1986 eu nasci. Em 5 de abril de 2014, fui comemorar meu aniversário no Lollapalooza em São Paulo, e conheci o cara com que, no dia 30 de abril de 2016, eu me casei. Abril chega aqui em casa cheio de festa, sempre. Eu fico contemplativa, eu me sinto amada com a avalanche de mensages que chegam, a gente planeja comemorações com muito carinho, e como se não bastatesse tudo isso, a primavera sempre da as caras deixando os dias mais longos e coloridos. 


E abril de 2022 não foi diferente. Teve bolo de aniversário no escritório, teve festa rave que durou 12 horas, teve viagem de Páscoa, teve jantar chique, teve tudo! Aqui em baixo deixo alguns registros desses momentos festivos e felizes. 

Um arco íris em nosso jantar comemorativo de 6 anos de casamento

Beleza por tudo: Kayserberg, Alsace, na França

Um registro da minha rave de aniversário - um dos poucos publicáveis

Zurich vestida de primavera

Páscoa em Reims, Champagne, na França

Nem só de belezas e festas é a vida. Passamos um susto com um familiar do marido, e ele fez quase um bate e volta pra California. A gente foca no lado bom das coisas, mas se tem um lado negativão de mudar de país, é esse: estar longe da família, em todos os momentos. Nos bons momentos a gente sofre de vontade de estar lá, mas nos difíceis a gente sofre e sente culpa. Lá em casa sempre fomos criados pro mundo, seguir vivendo na cidade dos meus pais nunca foi uma opção, e tomar decisões de morar longe da família pra mim nunca foi muito complicado. E mesmo assim, quando da uma merda, a gente se culpa. Se culpa pelas escolhas que fez (mesmo sendo muito felizes com elas), se culpa por não poder fazer muita coisa, se culpa por não estar lá pra segurar a mão, se culpa até por não ter vontade de arrumar as malas e se mudar pro Brasil. Viver fora do país vai sempre ser esse monte de emoção: orgulho, culpa, não pertencimento, conquista, etc. Eu sempre digo que nenhuma decisão precisa ser pra sempre, e não é mesmo, e que o mesmo avião que traz, leva de volta rs. Falo isso sempre, pra todo mundo que pede meu conselho sobre morar fora. Mas é muito importante estar confiante e confortável com a decisão que toma, porque momentos como esses de dificuldades na família fazem você repensar tudo. 


E passada a crise, voltamos ao trabalho, a primavera, e aos dias cada mais claros, quentes e longos. Sério, essa época do ano eu sou muito feliz, e acabo ficando com muita energia, o que ajuda demais com as metas: 

- ler dois livros por mês: em abril li dois livros, de autoras argentinas, e lindos, lindos, lindos. 

O parque das irmãs magníficas, de Camila Sosa Villas: o livro mais lindo que li esse ano. Eu quis ler devagarinho, porque ele começa lindo e forte, e eu já sabia que era meu tipo de livro. Embora fictício, a história tem sim muito da vida da autora, uma mulher trans sobrevivendo pela vida na província de Córdoba, Argentina. Fala sobre força, sobre feminismo, sobre preconceito, sobre violências, sobre tudo que é tirado de uma mulher trans, sobre toda sorte de abuso que lhes são impostos. Leia, apenas leia. 

Morra, amor, da Ariana Harwicz: esse daí é mais porradão, uma leitura menos linear, mais visceral, e mais uma vez, sobre mulheres. Eu não amei o livro o tempo todo, mas em sua maior parte. 


- Conhecer lugares novos em Zurich: 

Pois vi que eu falei do Cartell em março, mas eu fui nele em 1o de abril hahaha.. em todo caso, ta falado. Fomos também no restaurante do Markthalle, tipo um mercadão de produtores aqui do bairro. O restaurante é lindo, embaixo do Viadukt, uma estrutura de arcos. As comidas são feitas com ingredientes das lojas do mercado, mas o ponto alto mesmo foram os drinks feitos por um barman muito apaixonado pelo rolê. Um melhor que o outro. 

Também fomos finalmente comer o hamburguer do Blacktap, uma rede de NY que tem uma filial aqui em Zurich. Achei o hamburguer bom, mas considerando o tanto de fila que faz no lugar, acho que eu esperava mais rs. E eles tem aquelas taças lambuzadas de milkshake, e eu tenho pavor rs. Mas voltaremos sim, porque hamburguer BOM é algo que não tem aqui, e esse daí se sai bem. 

Terminamos o mês conhecendo o restaurante Alex, do hotel do mesmo nome, que fica em Thalwil, na "grande Zurich" rs. O hotel é 5 estrelas, o restaurante tem uma vista linda sobre o lago (da foto que abre o post) e serviço de wannabe Michelin star (no momento, é só Michelin guide, e tem uma pontuação boa no Gaut Millau). É bom? É. Mas eu achei o cardápio pouco inovador rs. É um restaurante bem caro, até pros padrões já caros da Suíça, e por isso eu gostaria de ter visto coisas mais diferentonas no menu rs. Mas tava tudo uma delícia, pratos bonitos, e valeu a pena. 


Me exercitei mais, bati minha meta de passos por vários dias, e alternei com dias de alimentação muito saudável com dias regados a champagne e queijo. É o ideal? Não. Vou pra França e vou ficar noiando pela alimentação ideal? Também não. Então a beleza ta em encontrar esse equilíbio rs. Encerro o post com essa foto do casal de milhões de centavos completamente ressacado mas fingindo riquena na beira do canal em Zurich num dia BEM lindo. 


* post esquecido nos rascunhos rs, mas antes tarde do que nunca

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