Numa terça-feira, por volta das 23h, fui com minha tia dar uma volta no quarteirão e levar o cachorro pra fazer xixi. Começou a dar uns pingos de chuva, era verão, nada que fizesse voltar correndo pra casa. Eis que passando em frente a garagem de um prédio, eu levei um escorregão na calçada meio molhada, daqueles que as pernas vão pra cima, e você vê a vida passando como um filme enquanto se espatifa no chão. Na hora senti uma dor desgraçada, não conseguia levantar, mas eu bem queria dar risada porque a cena estava patética. Moral da história: saí do chão 40 minutos depois, numa maca de ambulância, e com o cóccix estilhaçado em vários pedaços.
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Oi?!
Papo Sério
Ninguém tem que nada
To numa fase da vida que é muuuito legal, mas que demanda um certo esforço pra ariana bocuda feito eu não sair mandando metade do mundo tomar no meio daquele lugar. Antes que me achem mal criada - e até sou de vez em quando, mas agora não rs, explico.
Tenho um enteado, né. Depois que ele entrou na minha vida, comecei a prestar muito mais atenção nesses papos de mãe, porque de certa forma, passou a fazer mais parte do meu dia a dia. E aí que percebi que é um festival de cagação de regra, né. tem que dar colo, tem que deixar chorar um pouco, não pode deixar ver tv, tem que dormir a tarde, tem que tirar a fralda logo, tem que botar na escola, tem que mil coisas. Povo é rei de saber o que é melhor pro filho dos outros.
Eu, que sou madrasta, já tento não me meter nas diretrizes das coisas, mas é só ir no mercadinho da minha rua que a tia do caixa é cheia de pitaco (juro). Outro dia ela lá falando "tem que tirar a fralda desse menino". Eu sei que é na melhor das intenções, ela é um amor. Ela dá uva pra ele e deixa ele sentar no caixa, fingindo que ta registrando as compras. Mas outro dia tive que falar: eu que troco as fraldas não acho. Você acha por quê? Porra, respeita o espaço dos outros, sabe. Quem cria conhece a criança, conhece a evolução da criança, conhece o tempo da criança, e sabe a hora de botar na escola ou tirar a fralda. Acho uma tremenda invasão. E isso acontece em todo canto. Todo mundo tem um pitaco sobre a maternidade alheia. E o tanto que andam crucificando mães por aí? Dizendo quem cria filho certo, quem cria filho errado? Que parto tem que ser assim ou assado? Tem que amamentar não sei que jeito, senão num é mãe...
Ai eu vou casar. Não vou fazer festão, não to bridezilla, não nada. Estamos fazendo tudo do nosso jeito, e acaba que estou vivendo esse momento na maior solidão. Isso porque cada vez que alguém me pergunta algo e eu começo a falar, o povo vem com os "tem que". Tem que ir vestida de noiva, tem que ter véu, tem que tocar marcha, tem que chamar num sei quem, tem que ter mesa de doces.
Só que eu não tenho que merda nenhuma. O casamento é meu, o sonho é meu, e se eu quiser ir de jeans e camiseta, eu vou. Porque afinal de contas, tem que ser do jeito que eu quiser, e não do jeito que o povo acha que tem que ser, sabe? To fazendo algum sentido?
É uma pena, porque eu acabo deixando de falar sobre esse momento especial com um monte de gente. Ou então, acabo no meio de diálogos desagradáveis, tipo um que foi eu falando pra uma amiga super querida algo do tipo "então, mas você não sabe quais são os meus sonhos pra esse dia. E não tem nada a ver com isso aí que você ta dizendo que eu tenho que fazer". E aí, ela se sentiu mal, eu me senti mal, e pronto, olha a merda... Eu simplesmente estou evitando o assunto.
Opinião todo mundo tem. Eu também tenho. Me pergunte sobre qualquer coisa aí, que é muito provável que eu tenha uma opinião. Mas eu to tentando saber a hora de expor essa opinião. Me perguntou? Ótimo, vou falar. Caso contrário, tento segurar a minha onda. E mais que isso: precisamos parar de achar que os outros tem que suprir nossas expectativas. Ou que os outros tem que seguir a nossa concepção de "certo" e "errado". Esse é um exercício constante.
Precisamos aprender a hora de segurar o "tem que" que tem dentro da nossa boca, e lembrar que as pessoas, na maioria dos casos, não tem que nada. Não tem que casar, não tem que namorar, não tem que engravidar, não tem que dançar valsa, não tem que financiar casa, não tem que comer orgânicos. Talvez o único tem que obrigatório, seja o "tem que respeitar os outros".
Precisamos aprender a hora de segurar o "tem que" que tem dentro da nossa boca, e lembrar que as pessoas, na maioria dos casos, não tem que nada. Não tem que casar, não tem que namorar, não tem que engravidar, não tem que dançar valsa, não tem que financiar casa, não tem que comer orgânicos. Talvez o único tem que obrigatório, seja o "tem que respeitar os outros".
Passando vergonha
Acho que todo mundo tem seus pecadinhos, né? Famoso guilty pleasure, quem nunca? Pois é. Eu tenho uns vários. E ontem fui pega de calça curta. Estava eu parada no trânsito da marginal, com o rádio no maior volume, me imaginando num karaoke e cantando uma música ZOADA, quando olho pro lado um cara gatinho bem apessoado, olhando tipo wtf?. E a vergonha... enfia onde? E aí que não bastasse fazer vexame pelas ruas de SP, vim expor minha ridiculosidade por aqui. Vou contar umas coisas ridículas que amo/sou. Poderia contar até um pouco mais, mas preciso manter alguma dignidade perante a ~rede internacional de computadores~.
1- eu sei exatamente quais as músicas eu cantaria se fosse participar do X Factor, meu programa de calouros favorito (é muita merda numa frase só, to sabendo). Eu ensaio todas elas no trânsito, grito feito ridícula e uma vez, depois de um engarrafamento monstruoso na Castello, cheguei rouca no escritório, de tanto me esgoelar as 7 horas da madrugada. Inclusive, eu tenho a minha música da semana temática das Divas...
2- quando estou sozinha em casa de noite eu corro. É bizarro, eu corro pra trancar a porta, eu saio do banho e corro pro quarto, se tiver que tomar água antes de dormir eu corro mais, eu fico imaginando que sei la, Fredie Kruger vai me pegar se eu der bobeira. Não sei qual é a explicação racional pra isso, mas tem hora que me enterro debaixo da coberta de vergonha própria, depois de terminar uma maratona entre cozinha, banheiro, sala e quarto.
3- sei falas e episódios do Chaves decor e salteado. Eu amava aquilo quando era criança/adolescente, assistia t o d o s os dias, Chapolin e Chaves em sequência. Meu pai queria me matar, mas eu não dava a mínima. Quando meu chefe mexicano disse que tinha uma casa em Acapulco, meu olho brilhou mais que de criança, ele percebeu e eu fiquei com cara de trouxa porque era nova no trabalho e não podia explicar porquê, né, e quando o Bolaños morreu umas lágrimas escaparam.
4- gosto de muita música ruim. Eu tenho um bom gosto musical, juro. Escuto muita banda bacana, música boa mesmo, dou dica pras amigas, tal. Maaaaas... eu adoro uns pop idiotas. Não escuto no fone, não compro CD, não sou fã, mas no trânsito não há nada que eu curta mais do que por na Jovem Pam, aumentar o volume e dançar Shake it off da Taylor, Rihanna, Britney. Tem também a tal da música que eu tava cantando quando o mocinho me viu... We can´t Stop da Miley Cyrus. Em minha defesa devo dizer que esse foi o jeito que arrumei de não estragar meus dias por causa de trânsito. Pra mim funciona e juro que não fico mal humorada depois de horas de estrada.
5- não posso com uma video cassetada. Seja no Faustão ou na vida real. Eu caio na gargalhada mesmo, e é muito foda. O mundo espera de uma senhoura de quase 30 anos um pouco mais de compostura. E eu não tenho. Alias, óbvio que já aprendi a ter noção... Eu me escondo, me tampo, me seguro, e teve vezes já de eu engasgar com os risos presos, começar a escorrer lágrimas dos meus olhos e água do nariz, tipo quando você engasga com Coca Cola. Mas era risada. Uma vez, nos longínquos anos de mil novecentos e saca rolha, eu e minha mãe na 25 de março, veio um cara carregando um carrinho de caixas por trás da minha mãe. Bateu nela pelo tornozelo, sabe, e ela se estabacou no chão. Foi muito feio, e eu achei que ela tinha morrido, quebrado o pescoço, sei lá. Assim que constatei que ela estava inteira porém imunda, eu comecei a rir e não parei nunca mais. No começo ela gargalhou muito também, mas depois de 2h que eu chorava de rir, ela ficou um pouco irritada. É horrível, é irritante, é infantil, eu sei. Não me orgulho.
Bom, ao menos, ficou bem claro que se eu morasse numa cidade sem trânsito, seria menos ridícula. Mas até aí, quem não é, né? Fico pensando que sempre podia ser pior, e eu podia ser que nem certos técnicos de futebol, que limpam o salão no gramado da Copa do mundo.
Querem continuar sendo meus amigos?
Querem continuar sendo meus amigos?
Uma capivara em evolução
Ontem tava rolando show da Katy Perry e no facebook um amigo postou que tava achando ela toda ruim. Uma criatura comentou algo assim "quem vê você aí reclamando pensa que não se acabou no show dela em 2011". Meu amigo então deu uma resposta que me faz gargalhar: Ah é pq eu jamais mudaria de opinião em anos né, sou uma capivara.
Acredito que estamos em constante aprendizado e isso é natural, mudar de opinião conforme nossa visão de mundo vai alargando, né. E essas opiniões vão desde assuntos mais bestas e banais, como a voz oscilante da Katy Perry, até assuntos mais espinhentos e controversos.
Vim de uma cidade mini do interior, onde não havia muito espaço pra diversidade, era expert em julgamentos, sabia nada de nada. Fiz piada homofóbica, já fiz comentário machista, já caguei muita regra, já fui babaca pra caramba, e se bobear de vez em quando ainda sou. Mas penso que não nasci sabendo, que vivo pra aprender e ser uma pessoa melhor a cada dia. Vamos ganhando vivência, mordendo a língua, criando empatia, abrindo o olhar e a mente, e mudando. Isso é uma das belezas da vida.
Alias, me lembro inclusive que já disse que opinião é opinião, NÃO MUDA, hahaha. Veja só...
Acho também que é parte do processo comparar o que você achava, e o que você acha agora. Ver o que mudou, entender porque mudou, e aprender o porque você não vai mais falar aquelas bobagens - vai falar outras, pra lá na frente aprender de novo, e evoluir de novo. Por isso, me deixa toda indignada nego que não reflete sobre os erros do passado.
Tem uma amiga que falava que batom vermelho era coisa de ~vagabunda~. Ai outro dia apareceu de bico pintado lá em casa e eu, que já vagabundeei muito nessa vida, falei "ainda bem que parou de palhaçada com o batom vermelho, fica super bem em você". O que aconteceu? Armou o bico vermelho pro meu lado, pois nunca que eu falei um troço desse. Eu que não vou ficar martelando na tecla do falooou siiim, não acho que precise ficar atormentando a menina. É ótimo que ela se ligou que cor de batom não significa nada.
Mas aí fico pensando... Se a pessoa não exerga a mudança, será que evoluiu? Será que esse novo pensamento dela vale só pro batom porque agora é moda, mas no fundo ela continua achando que existem coisas que meninas direitas não fazem, mas as vagabundas sim? Será que ela ainda acha que existem ~meninas direitas e vagabundas~? Será que não estou eu aqui, mais uma vez, cagando uma regrinha? Pois é, hoje eu acordei uma capivara filosófica...
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| Mudem de opinião e usem filtro solar |
Gabi, por Gabi
A Marcela postou essa lista uns tempos atrás, e eu fiquei morrendo de vontade de pensar em tudo isso... Já disse que sou uma pessoa nostálgica? Se não disse, tá dito.
***
Dez anos atrás:
1. estava terminando o primeiro semestre da faculdade
2. me sentia amarga por não ter entrado na USP
3. fui roubada pela primeira vez
1. estava terminando o primeiro semestre da faculdade
2. me sentia amarga por não ter entrado na USP
3. fui roubada pela primeira vez
Cinco anos atrás:
1. me formei
2. vi meu nome da lista de aprovados da OAB
3. a família toda se reuniu no casamento da minha prima e foi incrível!
1. me formei
2. vi meu nome da lista de aprovados da OAB
3. a família toda se reuniu no casamento da minha prima e foi incrível!
Dois anos atrás:
1. retornei aos EUA pela primeira vez depois do intercâmbio
2. arrumei o emprego que era pra ser dos sonhos
3. cortei franja
1. retornei aos EUA pela primeira vez depois do intercâmbio
2. arrumei o emprego que era pra ser dos sonhos
3. cortei franja
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| Não só voltei, como voltei pra ela, minha Chicago |
1. pedi demissão por sofrer assédio moral
2. tive certeza que ele era O cara
2. encontrei 5 grandes amigas em NYC
Um mês atrás:
1. fomos para Pariquera e vi minha mãe morrer de orgulho da minha nova família
2. fiz uma demissão difícil e chorei sozinha
3. fui pra Cuba
1. fomos para Pariquera e vi minha mãe morrer de orgulho da minha nova família
2. fiz uma demissão difícil e chorei sozinha
3. fui pra Cuba
Ontem:
1. abracei muito o bebezinho, que voltou de férias
2. reencontrei um amigo depois de 4 anos
3. jantei com a minha mãe
Neste fim de semana você vai:
1. fazer uma nova tattoo
2. andar de bike
3. visitar uma amiga que vai casar
1. fazer uma nova tattoo
2. andar de bike
3. visitar uma amiga que vai casar
| And here we go again! |
1. doces
2. música
3. internet
4. praia
5. secador
Cinco hábitos ruins que você tem:
1. remoer coisas passadas
2. arrancar cabelos brancos
3. procrastinar
4. continuar comendo mesmo quando satisfeita
5. quando tenho algum pensamento inconveniente, falo alto pra espantar. Sozinha. Na rua. Em reunião. Em qualquer lugar.
1. remoer coisas passadas
2. arrancar cabelos brancos
3. procrastinar
4. continuar comendo mesmo quando satisfeita
5. quando tenho algum pensamento inconveniente, falo alto pra espantar. Sozinha. Na rua. Em reunião. Em qualquer lugar.
Cinco coisas que você compraria com R$ 1000,00:
1. uma jaqueta de couro preta
2. passagens para ir sentir calor em algum lugar do Nordeste
3. uma sandália que estou namorando e aguardando a promoção
4. um tablet pra minha mãe
5. um smartphone pro meu pai
1. uma jaqueta de couro preta
2. passagens para ir sentir calor em algum lugar do Nordeste
3. uma sandália que estou namorando e aguardando a promoção
4. um tablet pra minha mãe
5. um smartphone pro meu pai
1. House of Cards
2. Masterchef
3. Criminal Minds
4. Grey´s Anatomy
5. Keeping up with the Kardashians
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| Kourtney, the most underrated Kardashian |
1. a morte
2. carros em alta velocidade
3. animais gelados
Três coisas que você está vestindo no momento:
1. blusa listrada
2. calça vermelha
3. cardigan preto
1. blusa listrada
2. calça vermelha
3. cardigan preto
Quatro dos seus cantores/bandas favoritos:
1. Arctic Monkeys
2. Foo Fighters
3. The Smiths
4. Beyonce
1. Arctic Monkeys
2. Foo Fighters
3. The Smiths
4. Beyonce
Três coisas que você quer muito neste exato momento:
1. que o seguro me indenize pelo carro roubado
2. finalizar minha mudança
3. que meu cabelo entre em paz com seus pseudocachos
1. que o seguro me indenize pelo carro roubado
2. finalizar minha mudança
3. que meu cabelo entre em paz com seus pseudocachos
Três lugares que você quer conhecer:
1. Jericoacoara
2. Fernando de Noronha
3. Porto Alegre
1. Jericoacoara
2. Fernando de Noronha
3. Porto Alegre
Mão nervosa
Eu sou toda metida a modernosa, mas tem hora que até minha vó deve ser mais atualizada que eu. Tipo compras online. Resisti, resisti muito. Eu simplesmente queria encostar nas coisas antes de comprar... demorei muito a ceder pras vantagens das compras a um click de distância.
Comecei com maquiagem uns anos atrás. Fiz a festa no bom e velho Morangão. Não tive nenhum problema, nunca foi taxada, tudo chegou certo, fiz economias, mas vamos combinar que tinha a facilidade de já conhecer os produtos. Nem sei se hoje ainda vale a pena comprar lá, mas também, acabou a minha ~assanhação~ com maquiagem a hora que enchi umas 3 necessaires e não usei nem metade dos produtos - ma che bella economia, heim Gabriela...
Ano passado, acabei comprando coisas online para a minha reforma do quarto. Comprei cadeira, prateleiras, almofadas, em vários sites, tudo lindo e aí veio o drama: Mobly. FUJAM DESSE SITE! Levei basicamente 70 dias para receber um edredom. Comprei em julho, recebi depois do fim do inverno. Moral da história.. to usando pela primeira vez, em 2015, um trem que paguei em julho de 2014. E não teve Reclame Aqui que desse jeito... os caras não resolveram a merda do problema, me ligavam, me mandavam email, faziam juras de amor, mas o edredom que é bom, NADA.
No auge da minha gastura, tentando receber o bendito do edredom, fiz uma comprinha na minha Farm querida. Pois recebi tudo bonitinho em coisa de 3 dias, parecia que tava tudo certo.. até eu ir lá olhar, e perceber que eu tinha pedido a blusa rosa, e recebi a blusa creme. Traumatizei de vez. Voltei à minha boa e velha convicção que compra boa é aquela que a gente alisa a coisa, vê o acabamento de perto, paga a dolorosa e sai com as maravilhas debaixo do braço.
Mas eis que outro dia eu precisava substituir um sapato velho de guerra, achei uma mega promo, pedi, comprei, e pá.. chegou em 3 dias, número certinho, coisa linda. Aí eu resolvi que queria comprar um sapato masculino feminino, sei la, um oxford de respeito, e cheguei na Zattini. Recebi o sapato certinho, do jeitinho que eu queria, em DOIS DIAS. Serviu, foi amor à primeira calçada. Aí eu tava de olho numas calças aí de uma marca que só vende online, a merda da publicidade stalker do facebook me avisou que chegou delas e adivinhem? Comprei... E é isso aí, minha gente, alguém amarra a minha mão que eu to ficando pobre... Já to me vendo velha, rodeada de gatos, sentada na frente da tv com um copo de licor numa mão, telefone na outra, comprando yogurteira da TopTerm, máquina TecPix, joia falsa e tapete persa no Infoshop da madrugada! I NEED HELP!
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O inferno são os outros
Eu sou uma pessoa, digamos assim, bem direta. Quando eu começo a dar muita volta, pode entender que eu estou simplesmente evitando ser desagradável. Mas nós, pessoas não adeptas das firulices, somos sempre taxadas de grossas, insensíveis, etc. A grande sacada é que tem gente que vem, com vozinha fina e doce, e de um jeitinho bem meigo e infantil, emite opiniões bem desnecessárias, faz insinuações, ou ~brincadeirinhas~ bem sem gracinhas, coisas do tipo... Aí a hora que você, ariana sem papas na língua, dá um corte: nossa você viu, como é esquentada, né?
Capitão Hamilton, corta pro exemplo fático, que aconteceu ~com uma amiga~ minha, ariana como eu, que é adovgada como eu, e dorme na mesma cama que eu. Na empresa dessa amiga, cada um leva sua caneca pra tomar café. Medida de sustentabilidade, eliminação de copos de plástico. Aí fui lá e comprei uma caneca daquelas de metal, laranjinha por fora, branquinha por dentro, coisa mais linda. Tipo essas daqui.
Daí uma colega de trabalho, falando com vozinha de desenho infantil, um dia no café da manhã - que é sempre cheio -, começou a dar umas risadas.. "coitada da Gabi, olha a caneca velha de vó dela, coitada, vamos dar uma caneca pra ela...". Gabriela respira fundo, da uma risada, e fala: imagina, eu gosto, eu que comprei.
Duas semanas depois, café da manhã, a mesma criatura, com a mesma vóz de sonsa, dando várias risadinhas, abre a boca "não me conformo com essa caneca da Gabi, hahahaha.. esse fim de semana vou na Tok Stok e vou trazer uma nova pra você, Gabi..". Eu, novamente, muito gentil, mas já mais do que puta por dentro, falei... menina, nem gaste seu dinheiro. Já te disse que gosto dela, eu que comprei.
Um mês depois, mesmo café da manhã, lá vem as risadinhas ~doces~ da pentelha: "Gabi, não me canso de sar risada dessa sua canequinha...". Aí Gabriela manda na lata "ao contrário de você, eu já cansei de dar risada dos seus comentários. Não sei se já falei, mas EU gosto da caneca, e veja como é o acaso.. por acaso ela é MINHA. Ta querendo me dar alguma coisa? Me dá 2 minutos de paz no café da manhã, por favor".
Adivinhem quem é a grossa sem noção do escritório? Pois é... A advogada desequilibrada. Quer falar com ela? Liga antes pra saber se ta de focinheira.
Lindo dia
4 de março. Ainda não são 9 horas da manhã. Meu carro já quebrou no meio do caminho e já fiquei presa no banheiro do trabalho, tendo sido resgatada pelo rapaz da manutenção. E tem gente que não acredita em inferno astral... Oremos.
Isso é uma vergonha!
Essa história de rede social é um barato mesmo... As pessoas estão aí, fazendo belíssimo papel de trouxa há muito tempo.
Primeiro foi o ICQ com seus lendários ~nicknames~ (que na minha cidade algumas pessoas carregam até hoje, tipo uma menina que chama Ana, e ninguém sabe de que Ana estão falando. Mas se falar Ana Lazy... Aí sim, todo mundo sabe que é a Lazy Girl do ICQ). Esses eram engraçadinhos...
Depois veio o Orkut, que o povo ficava mudando a descrição do perfil, colocando músicas sofridas, ou frases enigmáticas a lá "se definir é se limitar". Eu achava tudo bem cafona, mas era minha escolha ir lá xeretar a cafonisse da pessoa na página dela, beleza.
Com o MSN vieram as indiretas virtuais, esse mal que perdura na humanidade até hoje. O povo colocava o humor do dia, e lá mandava um belo "aprendendo a não confiar nas pessoas". Até eu, num desses dias que você não deve ter nenhuma tecnologia ao alcance das mãos, mandei uma indiretinha por lá. Pois é, quem nunca, neam?
E aí, MEL DELS. Inventaram a timeline do Facebook, essa grande esfregação contínua de bizarrice na cara dos outros. As vezes fico pensando que se o diabo existe, a tal da timeline é arte dele. Quantos amigos "perdi", quantas pessoas deixei de admirar, quanta vergonha alheia sofri. E continuo sofrendo.Vergonha na época das manifestações, vergonha monstra nas eleições, e muita vergonha em decorrência de diversos acontecimentos diários. Sabe aquele carinha que você achava muito legal AND gatinho? Pois é, ele achou graça da fala do Bolsonaro para a Maria do Rosário. Sabe aquela colega gente fina de trabalho? É... gente fina até falar que era hora de dividir o Brasil. Agora, a moda é falar que lindas mesmos são as leis da Indonésia, aquele país onde a justiça é levada a sério. Muito me intriga que essas pessoas, que entendem muito sobre o maravilhoso sistema judiciário local, não saibam que lá em algumas províncias o relacionamento gay é proibido e punido com chibatadas, a pena de apedrejamento para adúlteros é regulamentada por lei, etc.
Aparentemente essas pessoas ainda não entenderam o alcance das redes sociais hoje, o eco que essas falas desajustadas produzem e onde podem chegar. Saem falando um monte de papagaiada sem pensar que pode chegar no chefe, num possível empregador futuro, nos ouvidos do seus filhos - ou pais, etc. Pior: parece que nem memória não tem. Quando a Dilma foi eleita em 2010, uma estudante de Direito falou um monte de bobagens sobre nordestinos. Foi demitida, processada, passou um apuro do qual não deve ter se recuperado até hoje. Eu ainda lembro o nome e sobrenome da criatura, depois de tanto tempo. Na época todo mundo caiu de pau... mas muitas dessas pessoas, 4 anos depois, estavam falando as mesmas bobagens de forma diferente, com esse papinho escroto de "muro". Melhor ainda as que defendem o fuzilamento do cara, mas são contra aborto, afinal de contas, são defensores da vida. Eu fico parada, olhando pra tela do computador, e não sei nem o que falar, só sentir...
E aí, como nem tudo nessa vida é tão pesado, tem aquelas pessoas que da vontade de pegar no colo e falar com voz de criança: vamo para de se constranger, vamo?
Tem um cara que estudou comigo na faculdade, que eu não vejo desde então, mas to sempre sabendo se ta namorando, se tomou pé na bunda, porque um dia ele posta músicas melosas do Bon Jovi "praquele alguém especial", exatamente assim, tipo programa de rádio dos anos 90, e no outro tá lá "antes só do que mal acompanhado". A pior das piores foi uma amiga da escola, que estava grávida, e postou um meme que era uma criança no ultrassom com um balãozinho saindo da boca dizendo "ei papai, para de tomar o meu leitinho". EU JURO. Essas daí me dão muita vergonha, mas me dão ainda mais ternura, porque tão no limite da incapacidade, sentido jurídico da coisa. E é por elas que eu não consigo sair do Facebook. Eu preciso constatar todos os dias, com meus próprios olhos, que eu posso não ser o Steve Jobs, posso não ser uma gênia, e nem ter inventado nada revolucionário que me renderá royaties pro resto da vida, mas eu to bem. É nobre da minha parte? Nem um pouco. Mas todo mundo tem defeitos, e pelo menos os meus não passam por ser fã do Bolsonaro.
Das coisas que eu não entendo
1 - Eu não sou vegetariana. Eu amo carne. Eu respeito muito quem é vegetariano, porque como eu amo carne, fico com a ideia de que essas pessoas fazem um esforço descomunal para viver assim (embora muitas nem façam, rs). Admiro mais ainda gente que se propõe a viver de um jeito e vai em frente, segue sua vontade. Acho foda. Eu jamais passaria um bife cheiroso na cara de um vegetariano e diria "olha a suculência que você ta perdendo". Eu não entendo porque vários vegetarianos que eu respeito tanto ficam tentando me doutrinar e falando de todos os bichos que EU, assassina, estou impiedosamente botando pra dentro do MEU corpo, que eles carinhosamente chamam de cemitério.
2 - Eu tento viver minha vida do jeito que eu acho que é certo pra mim, me esforço pra respeitar minhas vontades, pra respeitar a vontade dos outros, e bola pra frente. Curto muitas coisas bacanas, música alternativa, vou à exposições, leio bons livros, gasto dinheiro com viagens e não com carro ou outros itens de status. Mas também gosto de um monte de merda: gosto sim de umas fofoquinhas (óbvio, daquela que você faz com suas melhores amigas e não de sair apontando o dedo por aí), gosto de BBB - pelo menos gostava até uns tempos atrás, os últimos foram fraquíssimos, hahaha - gosto de Taylor Swift, assisto comédia romântica boba, li Crepúsculo. E acabei reparando que tem um movimento estranhíssimo no ar: as pessoas que antes se preocupavam no que "sociedade" ia pensar, agora não se preocupam mais. Agora elas se preocupam com o que "a sociedade alternativa" vai pensar, rs. Tem gente por aí que se não botar pelo menos uma peça de roupa esquisita, não consegue sair pra rua. Salto alto, então... rola todo um pavor de confiscarem a carteirinha de hipster. Música pop? Oh no, odeio mainstream. Enfim... eu achava que a ideologia hippie-hipster passava por não se preocupar com o que os outros pensam. Mas por "outros" digo qualquer outros. Sejam os outros almofadinhas, sejam os outros qualquer um.
3 - Eu sou católica. Não sou muito praticante. Eu respeito todas as fés - e não fés - do mundo. Acho que, sem radicalismo, é bom acreditar ou deixar de acreditar no que quiser. Acho que todo mundo merece ter paz interior, e cada um deve buscar isso onde melhor for encontrar. Eu não entendo gente que vem, a toda e qualquer hora, me enfiar palavra de Jesus guela abaixo. Você dá o endereço da festa pro taxista, e ele já diz que lá é o lugar onde o diabo se esbalda. Você ta com pressa na rua, é parada por um irmão de fé, você diz que não tem tempo, e já toma um "infieeel, vai padecer no purgatório".
Pelamor, o purgatório é aqui, e eu já estou padecendo, sabe...
Juízo
Lembro que quando meus dentes de leite começaram a cair, eu ficava meio apavorada. Meu pai vinha com o fio dental, amarrava uma ponta no dente mole, a outra na fechadura, e eu ficava lá choramingando que não queria sentir dor. No primeiro minuto de distração, meu pai, acidentalmente, fechava a porta, e *blam!* - era uma vez um dente na boca. Rápido, indolor e DE GRAÇA.
Agora estou aqui, inchada e morta de dor depois de tirar a última dupla de sisos.. e não bastasse isso, alguns milhares de reais mais pobre. Sério.. quando você já tem certeza que era feliz e não sabia, ainda vem essa pá de cal.
Só queria minha banguelisse marota de volta...
Povo estranho
Eu não fui a favor da candidatura do Brasil para receber a Copa, e nem das Olimpíadas. Fui bombardeada na época. Todo mundo sabe da minha vontade de morar fora do país, e tudo que eu ouvi foi "você é ridícula, só gosta de coisa de fora".
Eu sempre achei que uma Copa no Brasil seria linda, mas não agora. O Brasil tem um sem número de necessidades e, pra mim, qualquer retorno do oba oba em cima da economia brasileira deveria ser investido em necessidades básicas, principalmente em educação. O investimento massivo em tais setores nos levariam a estar em permanente estado de "oba oba", com a proliferação de bons profissionais, profissionalização do mercado, etc. Também observei que, com exceção da África do Sul, todos os países que recebiam a Copa estavam muito além de nós nesses quesitos: Alemanha, Japão, Itália, EUA, Coreia do Sul. No fim, o Brasil investiria muuuuito, prioritariamente, em coisas que estão longe de ser prioridade.
Fato é que o Brasil foi eleito pros dois maiores eventos esportivos do mundo, todo mundo comemorou muito, eu continuei lá, sendo tachada de ridícula. Até que veio Junho de 2013.
Aí todo mundo resolveu ser contra a Copa. Mas né...povo estranho. Nessas alturas, eu já era a favor.
Não que eu tenha mudado de opinião, não que eu ache virou um bom negócio, ou tenha me rendido aos encantos da Fernanda Lima, Ronaldo e cia. Mas é que a Copa virou realidade. O dinheiro já foi gasto, o Brasil já estava na mira do mundo, e aí, o melhor pra nós é que essa Copa fosse a melhor de todas. E o povo resolveu boicotar... lógica pra que, né?
Agora eu quero que os gringos venham, que se sintam seguros em vir, confortáveis em deixar seus muitos dólares, euros e afins. Que gostem tanto, que voltem depois, e depois e depois de novo. Que a imprensa internacional veja nossas necessidades, mas também as nossas qualidades. Enfim... que essa Copa, que nos foi tão custosa, nos beneficie.
Mas não... O povo ta aí, bagunçando os acessos aos estádios, torcendo pra tudo dar errado, amando odiar a Copa. Vai entender...
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