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California here we go

Desculpa gente, mas eu não me acostumei ainda a falar sobre Orange County e não ficar cantando a musiquinha do The OC.

Confesso que não estava das mais animadas para essa viagem. É a segunda vez que passarei o Natal longe da família - a primeira vez foi durante meu intercâmbio nos EUA, mas o clima lá era outro. Pra mim Natal significa calor, Adamantina, comida da minha mãe, cerveja na varanda, dormir na rede, família 24h por dia, saudade do Zeca.

Esse ano não vai ser assim. Meu primeiro Natal de casada, longe da família, mas por outro lado, vai ser meu primeiro Natal junto do meu bebê. E só isso já ajuda a deixar o desanimo pra trás. Mas pra terminar de animar geral eu fui lá xeretar as fotos da nossa viagem em janeiro. E só de olhar pra essas imagens, como num passe de mágica, eu comecei a contar as horas. Se em janeiro eu achei a California gelada, agora mal posso esperar para aproveitar o calorzinho (sim, comparado com a Suíça, né) que me aguarda. Mal posso esperar pelo por do sol maravilhoso no Pacífico, pela comida mexicana e pelas pessoas amadas que lá encontrarei. 

Uma passagem rápida por Santa Barbara

Eu sei que o assunto California já rendeu um monte por aqui. Mas achei uma injustiça com essa cidade tão charmosa deixar ela fora dos relatos. 

Santa Barbara fica coisa de 100 km pra cima de LA. Pra gente, que estava descendo, era a última parada antes de "voltar pra casa". Nos hospedamos em Montecito, um distrito de Santa Barbara. A escolha pelo Coast Village Inn foi simples: as acomodações pareciam bacanas, era barato e disponibilizava bicicletas :) 

Chegamos e estava de noite. Montecito fica fora do centro de Santa Barbara, mas pegamos um ônibus que nos deixou na State Street em menos de 10 minutos. A State é a principal rua da cidade, e eu fiquei absolutamente encantada. Todas as construções seguem a arquitetura colonial espanhola, com arcos, salões amplos, uma graça. A rua tem basicamente restaurantes e lojas. E brasileiros, rs. Fiquei passada que em 10 minutos andando pela State, tinha visto mais brasileiro que em San Francisco toda, juro. Brasileiros com pinta de turista e brasileiros com pinta de estudantes. Outra coisa que me encantou por lá foram os trens. Passam muitos trens em Santa Barbara, e todos eles soltam a famosa businadinha. Me deu uma nostalgia danada da infância em Adamantina, onde o trem da Fepasa parava lá pras 11 da noite, e sim, soltava a businadinha. 
State Street durante o dia
Arquitetura espanhola domina Santa Barbara
Jantamos num restaurante que foi um dos melhores da viagem, se não o melhor, The Black Sheep. Tomei um vinho californiano delicioso, e comemos um risotto excelente. É tipo um bistrozinho, o chef vem nas mesas e conversa, o cardápio é enchuto mas certeiro, e é mais caro mas não é um absurdo. Fica numa travessa da State.

Voltamos pro hotel de novo de ônibus. A tarifa era US$1,75, bem em conta. No dia seguinte, fomos tomar café na Jeannine´s Bakery, que ficava quase na frente do Coast Village. O hotel deu um voucher de 8 dolares pra cada um. O lugar é super charmosinho, com mesinhas na rua, atendentes simpáticos, e a comida ó <3
Eggs Benedict e Bagel com salmão defumado
Pegamos as bikes e seguimos pra Santa Bárbara. A pedalada até a praia é de uns 10 minutos, bem tranquila. Quando chegamos na praia, me lembrei muito das praias brasileiras: faixa de areia longa, pessoas fazendo exercícios, mar calmo, um sossego. Adorei a vibe toda. 



Seguimos margeando a praia até chegarmos no pier. Então, entramos e fomos pra State Street. Eu tinha ficado tão encantada com ela, que queria ver durante o dia. Andamos por toda a parte plana do centro, até que chegamos numa pequena subida. Foi aí que resolvemos voltar. Voltamos de novo pela praia, vimos um cara sendo preso por motivos que desconhecemos (mas que não devia ser grave, porque tava todo mundo rindo, inclusive os políciais e o cara), e parando nos lugares que achamos bonitos. Santa Bárbara também é rodeada de montanhas, e a impressão que fiquei é que o centro é bem comercial. O povo mora mesmo é pro lado das montanhas. 

Voltamos ao hotel, fizemos check out e fomos dar nossa última parada na cidade: a Mãe das Missões. 
{um parênteses pra um pouquinho de história - a California fazia parte do México, e como todo o México, foi colonizada por espanhóis. Daí vem toda essa influência espanhola na arquitetura e nomes. Da mesma forma que aconteceu aqui, lá no México os espanhois foram catequisando os índios locais. Eles construiam missões, que eram as bases católicas e onde ocorria a catequisação. Ao longo da estrada por onde dirigimos eu vi sinos de metais. Esses sinos sinalizam o Caminho Real, ou seja, o caminho das Missões. Há Missões por toda a costa, em San Francisco, San Luis Obispo, etc. Mas a de Santa Bárbara é a maior, e por isso chamada a Mãe das Missões.}
O entorno da Missão
A frente da igreja

O complexo todo, que me lembrou muito o Pátio do Colégio aqui em SP
Eu, sendo católica, não me sinto confortável com essa questão colonialista, que aculturou tantos povos. Mas acho que é história, e não podemos ignorar. Temos que aprender. E a visita à Missão foi muito agradável. Perdoem as fotos que não estão muito boas, mas se eu disser que estava meio cansada de fotografar, vocês acreditam, rs? Acabei não levando a câmera, só tirei fotos com o celular.

No fim, essa foi nossa passagem por Santa Barbara, nem 24 horas. Mas acho que a cidade não requer muito mais que isso pra turismo. Nossa estada foi proveitosa, a cidade é toooda charmosa, e eu fiquei com a ideia de que quem mora lá é feliz.

Dali seguimos viagem, e foi coisa de uma hora e meia até chegar em LA. A nossa ultimate road trip estava acabada, e seguirá pra sempre no meu coração. Foi uma viagem incrível, uma experiência única que recomendo a todo mundo. Já falei aqui em mais de uma oportunidade: cada um tem que fazer a sua viagem. O que contei aqui foram os meus relatos, a minha experiência, e o que fez tudo tão especial pra mim. Não existe "tem que fazer, tem que ver, tem que olhar". A gente tem que viver e ver o mundo com os nossos olhos, sempre, mas digo pra vocês que essa é uma das viagens mais lindas que tem por esse mundão, e quem fizer não vai se arrepender. 

Pacific Road - A melhor Parte

Entrar na área de Big Sur é definitivamente o clímax da Pacific Road. A cidade de Big Sur em si é esse ponto D no mapa acima, mas quando se fala em Big Sur, se fala em toda essa parte que margeia a área verde abaixo do ponto D. Você dirige entre uma rocha imensa e o abismo para o Pacífico. A estrada é simples, mão dupla, e a dica de ouro é: descer sempre. Por mais tentadora que seja fazer a viagem de Los Angeles para São Francisco, opte sempre por fazer o sentido inverso, de descida. Assim, a vista incrível para o mar fica do seu lado. 
Paisagens incríveis e neblina fina
Outra coisa é que a estrada tem inúmeras sobras do lado que desce. Então você simplesmente encosta o carro e admira a natureza de cair o queixo. Alias, é muito importante anotar uns pontos de interesse antes de começar a decida: não tem placas, e as vezes você vai ver vários carros e vai sentir que precisa parar também, mas as vezes se você não vai ver nada, e pode perder algo legal. 

Ir dirigindo e parando, sem pressa, para perder a mente na imensidão do mar é o melhor da viagem. Ver a força do oceano batendo nas rochas me deu uma sensação maravilhosa de poder. Não de poder sobre algo, mas de se sentir imenso por estar olhando aquilo tudo de cima. É indescritível. Sei que nessa de andar e parar, demoramos umas 5 horas para andar 30 milhas. Mas valeu cada minutinho. 
Panorâmica do primeiro ponto em que paramos
Antes de cruzar a Bixby Bridge - a ponte está a mais ou menos 150 metros do mar
E depois. Aqui da pra ver a estrada contornando as montanhas.
Numa saidinha da estrada, pegamos uma estradinha pequena de barro, parecia que estávamos entrando numa floresta, quando chegamos no Pfeiffer Beach State Park. Pagamos 10 dolares para estacionar o carro, e andamos até a Pfeiffer Beach. Uma praia linda, com rochas em forma de arcos e uma encantadora areia roxa. 
Areia roxa e um intruso em minha foto
A água entrava com uma força absurda no vão do arco

Eu e a praia, by @mmreyno
Um comentário: chegamos na praia por volta das 16:00. Faltava ainda mais de 1h pro pôr do sol. Pois tinha várias pessoas com seus tripés montados em frente a rocha principal, de maneira que ficou quase impossível a gente conseguir uma foto boa. Eles ficavam lá, conversando, sem arredar o pé, e vendo a gente se desdobrar pra conseguir um click sem sua ilustre presença. Achei um desaforo. O melhor que consegui foi essa foto do meio ai em cima, mas que não pega a onda entrando no arco.

Como percebemos que o tempo encoberto não ia render um belo por do sol - e essa gente ai atormentando por nada - resolvemos seguir viagem. Tinhamos uma cachoeira pra ver, mas acabamos perdendo a entrada, e quando percebemos já estávamos longe. Então que o dia estava acabando, e achamos que era hora de achar um lugar pra passar a noite. Alias, essa dica é esperta: não dirijam de noite por essas bandas. É um pecado disperdiçar a vista, e o breu é total.
Céu granulado e um fiapo de lua
Então paramos em Lucia, uma cidade que você não vê onde começa nem onde termina, porque ela meio que não existe, rs. É o nome dado praquele trecho da estrada. Tinha um lodge por ali, mas estava lotado. Nos indicaram que o próximo lugar seria Gorda, outra cidade dessas. Quando chegamos em Gorda, a cidade era composta de um posto de gasolina, restaurante, minimart e hotel, todos grudados um no outro, na beira da estrada. Ao entrar no mercadinho, vi a plaquinha na porta "City Hall". Gargalhei, né... A cidade era aquilo mesmo. Três comércios, todos do mesmo dono, que por sinal era prefeito, e que quis cobrar da gente 200 dolares por um quarto. Thanks but no thanks. 

Assim andamos mais 12 milhas e chegamos em Ragged Point. Uma cidade, que assim como Gorda, cabia numa panorâmica:
Ragged Point inteira: ali na esquerda é a Pacif Road
Um restaurante, um hotel e um minimart - dessa vez tinha nem posto de gasolina, rs. Mas olha, que bela surpresa. Além do preço ser pagável (99 dolares a noite), quando entrei no quarto quase chorei de emoção. Era super arrumado, com decoração clean, bonito, sabe, com cara de hotel mesmo. Cama confortável, lareira elétrica, pé direito alto, uma beleza. Fomos ao mercadinho comprar um vinho, e tcharam: a cidade tem um vinho próprio. E era bom gente! De manhã fomos comer panquecas e ovos no restaurante, e mais uma vez, tudo ótimo. Muito feliz por ter parado em Ragged Point, e recomendo a qualquer um que estiver se programando para fazer a viagem. Fica quase no fim da área montanhosa em verde do mapa lá do início.
Surprise dun voyage
E a vista no fundo do restaurante em Ragged Point
Seguimos viagem, e logo saímos da área de Big Sur. A estrada continua linda, mas aquele clima misterioso da montanha, abismo e neblina fica pra trás, e a estrada fica mais plana, com praias ao lado. Ainda assim, o Pacífico é de uma força absurda. Em todas as praias que vimos, as ondas eram surreiais de grandes e violentas. Em alguns pontos, chegavam a 3, 4 metros de altura. 
Deixando Big Sur pra trás
E as ondas quebrando na estrada
Paramos numa beiradinha da estrada pra dar uma espiada numa praia, e percebemos algo:
Você ta vendo uma morsa?
Chegamos no ponto ocupado pelas morsas, lá chamadas de elephant seals. Conforme fomos andando, fomos vendo elas dominando as praias, tomando seu solzinho, esquentando esses corpinhos roliços, e jogando areia pra cima pra refrescar de novo. Descobrimos que a época de reprodução acabou de passar, e elas deram a luz em dezembro. Assim, os machos estavam descansando e as fêmeas alimentando as crias. 
Dormir de conchinha, que não gosta?
Em pouco tempo chegamos ao Elephant Seal Vista Point. Um santuário onde você pode estacionar e observar milhares - sim, milhares - de morsas que pesam entre 700 kg e 1,5 toneladas. 
Morsas para um lado...
Morsas - e esta que vos escreve - para o outro. Ao fundo, um farol :)
 Andando mais um pouco, chegamos à Morro Bay. A cidade é bem praiana, com muito comércio, lojinhas, bares - efetivamente uma cidade, sabe? Paramos para uns bons drinks e para aproveitar o calorzinho. Ali já estava sol, quentura, clima de praia, mais uma das tais "beach communities". 
O "morro" de Morro Bay

Wine with a view
Essa foi nossa última penúltima parada rumo à Santa Bárbara. Queriamos ver mais uma cidade, mas nossa prioridade era pegar um por do sol arrebatador em algum lugar. Assim paramos rapidinho para tomar a sopa clássica da região, de ervilha no Andersen´s  - que vale todo o hype, muuito gostosa - e seguimos em frente.

Um pouquinho antes de Santa Barbara, conseguimos encostar o carro na beira da estrada num ponto ótimo para ver o por do sol - um trilho do trem, do alto de um morro que nos dava uma vista privilegiada, um Pacífico azul e sem fim à frente. 
Pura poesia
Assistir a isso, enrolada num casaco, em boa companhia e sentindo cheiro de mato:  <3

E quem passou?
Assim terminamos uma jornada incrível, num momento cheio de paz. Eu estava me sentindo plena e abençoada por viver tudo isso. Sentir a liberdade dessa viagem correr tão solta pelo corpo e a cabeça é uma coisa maravilhosa. Eu desejo esse sentimento pra todo mundo.

Pacific Road - Parte 1

Saímos de São Francisco no domingo ao escurecer. Ver a Baia ficando pra trás me deu até dor no coração. Mas por outro lado é sempre interessante desbravar o novo, né? E foi assim que, em instantes, mudamos de leve a rota da viagem - uma das delícias de viajar sem muitos planos. Alias, daqui pra frente vocês vão perceber que esse mapa é meramente ilustrativo, porque ele mostra o que queríamos fazer, e não o que acabamos fazendo, rs.
De B a C foi o plano para nosso domingo. Na hora, acabamos descendo pela última "tripa" amarela, abaixo de Palo Alto
A tão falada Pacific Road (PCH para os íntimos) é a estrada número 1, que vai de São Francisco até Los Angeles. A parte efetivamente turística dela começa em Santa Cruz, e disse Mati que o primeiro trecho logo na saída de SF é bem perigoso e sem atrativos. Assim a gente ia por dentro até San Jose, e depois pegar a PCH. Mas no meio do caminho resolvemos descer antes, e saímos num lugarzinho chamado Half Moon Bay. Uma cidade mini, com um downtown todo fofinho, nenhuma grande cadeia de restaurante ou loja - nem um Starbucks! - , só comércio e restaurantes locais. Puro charme. Ali, Mati usou uma expressão pra descrever o lugar, e que depois apareceu em mais algumas ocasiões: "northern California beach community". Da pra imaginar o clima surf hipongo da coisa, né?

Chegamos então em Santa Cruz, onde passaríamos a noite. Santa Cruz é onde Mati fez faculdade, então tinha todo um clima nostálgico no ar. Na segunda de manhã fomos andando até a praia, onde Mati jogou volei de praia nos anos em que morou lá. A praia é bem simples, nada demais, tem um pier imeeeenso e um parque de diversões. No pier tem restaurantes, e debaixo dele algumas foquinhas usam a estrutura de madeira pra tomar um solzinho de inverno. Anote: se você estiver andando num pier no norte da California e ouvir um grito, olhe pra baixo.
Afinal de contas, quem não quer tirar a nhaca do inverno?
É uma cidade universitária, mas que tem um clima sossegado. Wikipedia me diz que tem mais ou menos 60 mil habitantes, e uma população de estudantes da UCSC (Universidade da California, Santa Cruz) de 17 mil. Ou seja, muito na cidade gira em torno dos estudantes. Santa Cruz também se destaca por ter sido pioneira na alimentação orgânica. Tem uma comunidade alternativa bem grande - e vou dizer que em termos proporcionais, vi mais gente louca lá que em São Francisco, rs. 
O norte da California é todo trabalhado na neblina enigmática, então as fotos são meio cinzas mesmo
Em Santa Cruz visitamos muitos lugares que Mati gostava de ir, entre cafés e bares, fui ver a casa onde ele morou, e ele também me mostrou a faculdade, que me deixou muito impressionada. Um campus imenso, no meio da natureza e totalmente integrado à ela. Trilhas pra ir de um prédio a outro, algumas de madeira, muitas árvores, um cheiro maravilhoso de madeira misturado com a brisa do mar. Entendi de pronto porque Mati só queria estudar lá. Preciso abrir um parênteses e contar o maior orgulho: não sei se já falei aqui, mas Mati joga volei, e já jogou profissional em alguns países da Europa. Pois cheguei lá na faculdade, e no ginásio tinha uma plaquinha de 2006 com o nome do meu digníssimo - "most valuable player of the year". É ou não é pra se orgulhar?
No campus da UCSC
Nós acabamos dormindo duas noites em Santa Cruz, porque tiramos uma tarde para subir no Vale do Silício e visitar uns amigos do jogador favorito deste blog, rs. A viagem de Santa Cruz ao vale foi de uns 40 minutos. Fomos a Cupertino, cidade onde está sediada a Apple, e a Mountain View, casa do Google. Confesso que fiquei bem interessada por este pedacinho da California: gente nova e criativa passeando por todos os cantos, e foi por pouco que perdemos o carro sem motorista do Google passando na rua.

Mas voltando à Santa Cruz, acho que pra quem faz essa viagem no verão vale parar na cidade para ir às praias. A gente não gastou muito tempo nisso, por motivos de: 10°, mas as praias fora da cidade são lindas, cercadas por natureza. Vi várias fotos que me fizeram suspirar. No inverno, acho que vale parar pra almoçar, dar uma esticada nas pernas, mas não é nada imperdíííível! Pra mim, no entanto, considerando que essa viagem tinha como pano de fundo A descoberta do Mati do passado, foi muito especial. 

Saindo de Santa Cruz, o que a maioria das pessoas faz é parar em Monterey, onde tem um aquário famoso. Eu não sei se já comentei aqui, mas depois de grande, desgostei de lugares onde animais ficam em cativeiro, como aquário e zoológico. Entendo que uma criança tenha curiosidade e acho ok levar, mas euzinha prefiro ver animais silvestres na TV, no Google e no mato (nessa ordem). Por isso pulamos Monterey. 

Depois de pouca estrada chegamos em Carmel, uma cidadinha de praia onde os ricos passam seus verões. Curiosidade sobre Carmel: seu prefeito mais ilustre é nada mais, nada menos, que Clint Eastwood. A cidade é toda charmosa, é um vilarejo com estrutura, sabe? Não sei se no verão fica over, mas pra mim ali tava parecendo uma fonte inesgotável de sossego. Fomos andar na praia e eu senti a maior paz. Muitas pessoas brincando com cachorros, uma neblina fina e o Pacífico quebrando umas ondas imensas e barulhentas, coisa mais linda. 

Em Carmel amoçamos numa casa de lanches muito boa, e da-lhe estrada. E então nós chegamos no melhor ponto da estrada: aquele momento em que a Pacific é uma rocha de um lado, um despenhadeiro com pedras e pedras e ondas imensas de outro. E daí pra frente foi tudo tão, mas tão incrível, que merece um post próprio. Por isso teremos Parte 2 ;)

São Francisco em 3 dias

Chegar em São Francisco encheu meu coração. Eu olhei pro skyline daquela cidade e já soube que eu amava ela, que queria fincar raiz e morar ali, haha. 
As casas e as janelas. Amor à primeira vista <3
Fomos direto pra casa do Mike, amigo do Mati que nos hospedou. Ele mora muito bem, em North Beach, na esquina da Powell com a Lombard, duas ruas famosas. A Powell porque passa o bonde e a Lombard que é a rua mais íngreme do mundo, com um trecho em zigzag. 
Sair pra jantar e ver a vizinha tocando violino na janela vitoriana. Não é poético?
Vamos ao que interessa. Passei 3 dias intensos em São Francisco, e vou colocar esse roteiro aqui. Ele não é absoluto, mas pro meu gosto foi ótimo. Andamos bastante, mas conseguimos descansar, dormir até mais tarde, e ainda assim ver bastante da cidade mesmo com a luz do dia indo embora às 5 e pouco da tarde. Acho que entre todos os pontos de interesse da cidade, somente não fomos à Alcatraz. Ou seja, rendemos muito! 

Dia 1

Tiramos o dia pra fazer o passeio mais incrível da cidade, na minha modestíssima opinião. Aproveitamos que o dia estava claro (pros padrões de São Francisco), e alugamos uma bicicleta. Você encontra lugares pra locação em vários pontos, e no Fisherman Wharf tem várias opções. Devidamente encasacados, seguimos pelo Fisherman até chegarmos num parque, na beira da água. Dali seguimos na ciclovia, rumo à Golden Gate. A vista é muito boa. Tem a cidade de um lado, Alcatraz de outro, e a ponte longe de outro. O caminho é de boa, plano com algumas poucas (e boas) subidas. Eu sou sedentária e fiz tranquilamente.
Na primeira subida, quando você dá de cara com "ela"
O passeio é todo bom. Além de você ver a cidade, o parque, ainda tem a emoção de ir vendo a ponte ficando cada vez mais próxima. Tinha a tão querida neblina deixando tudo mais mágico ainda, lindo demais. Da pra ir fazendo várias paradas, numa praia, numa mureta, e ela lá, cada vez mais perto.

Surfistas da Golden Gate

A ponte é um colosso. É realmente emocionante cruzar ela, ver o tamanho da torre de suspensão, saber que você está ali. Preciso nem dizer que eu dei uma choradinha enquanto atravessava a ponte pedalando, com o vento na cara, a cidade no fundo, a sensação de estar no topo do mundo. Pra mim esse passeio foi de fato o ponto alto de São Francisco.

Do outro lado da Golden Gate está Salsalito, uma cidade mega charmosa, na beira da baia. Estacionamos as bikes num estacionamento público, e ficamos explorando a cidade. A fome bateu, e fomos a um bar gostosinho, o Bar Bocce. Estavamos com bastante frio depois da pedalada no vento, e ali tinha uma fogueirinha de frente pro mar, comida gostosa, vinho californiano, um aconchego.
A vista em Salsalito
Uma dica pra quem fizer esse passeio: chegando em Salsalito, já fica de olho no horário do ferry pra voltar, porque tem vários, mas depois das 4 são poucos. Da até pra voltar de bike, mas é uma baaaita subida. Não recomendo, rs. Da pra pegar um ferry malandro, que traz a bicicleta também. Devido a intensidade do programa do dia, de noite estavamos desgraçados de cansado, então fomos jantar num chinês - que também recomendo - em North Beach, Henry´s Hunan, e depois cama.

Dia 2

Foi o dia de dar um geralzão em San Francisco. O Mike, amigo do Matt que nos hospedou, estava livre e nos mostrou a cidade quase toda. Começamos andando em China Town. Muito comércio, muitas lojinhas de tranqueirinhas e restaurantes. Percebemos que as ruas estavam forradas de carros antigos, e xeretando aqui e ali, descobrimos que estavam gravando um filme sobre a vida do Bruce Lee.
foto by @mmreyno
Fomos andando por lá até chegar na Union Square, a praça mais famosa de San Francisco, com lojas ricas e famosas, restaurantes, hoteis chics, e tal. O problema é que a praça estava em reforma, então não tive um bom overview. Dali seguimos pela Powell, e passamos pela fila do tram. O bonde de São Francisco é super icônico, mas gente.. uma fila que não fazia sentido. Aproveitei que tinha um estacionado, subi, tirei foto, mas não passeei nele não.

De lá seguimos para o Mission, bairro até pouco tempo atrás bem mexicano, e hoje totalmente gentrificado e tomado pelos hipsters. Eu tenho uma opinião sobre essa gentrificação hipsterizada, que cria lugares legais pra gente passear porém tira moradia de tanta gente, mas vai ficar pra outro post. O bairro é uma delícia, super sossegado, com muitas lojas legais, taquerias autênticas, um parque lindo no alto, e as casinhas charmosas sempre lá. Passamos por vários bares bacanas, vários murais de grafite, um prato cheio pra bater perna. A minha recomendação é a Taqueria Farolito. Comida super gostosa com preço bom. A fila é gigante, mas fica a dica: do lado tem uma porta que dá num bar mexicano, frequentado por mexicanos, com juke box cheia de músicas mexicanas, e serve a comida da taqueria, sem fila ;)
Pelos becos do Mission
Quando exaurimos as ruas do Mission, pegamos um Uber e fomos pra Alamo Square, a praça em frente às casas mais famosas de São Francisco. Sim, as painted ladies, também conhecidas como as casinhas do Full House. Essas casas são chamadas de Painted Ladies porque na época da Segunda Guerra todas as casa em São Francisco foram pintadas de cinza. Após a Guerra, alguns donos começaram a pintar as suas casas em tons pasteis, pra trazer mais alegria pra vida, ganhando esse nome. Pela segunda vez no dia, vimos a filmagem de um filme. Esse mais alternativo, e eu anotei o nome aqui pra procurar depois: The Year of Spetacular Men.
Mais uma foto do @mmreyno. Estava começando a escurecer, e meus dotes fotográficos não sabem lidar com lusco fusco.
De lá andamos até o bairro Hippie, Heights & Ashburn. Na real, o nome do bairro é o cruzamento mais famoso: da rua Heights com a rua Ashburn. Lá eu vi um troço interessante: eu já ouvi falar várias vezes que em São Francisco tem muito mendigo e gente louca. Até então não tinha notado, mas no bairro hippie eles apareceram. Eles sendo doidos na deles, falando sozinhos, muita gente aparentemente naquela viagem de ácido que nunca teve fim, nada que tenha me deixado com medo, mas que me fez pensar um pouco nos rumos que a vida as vezes leva.

O dia de novo foi bem puxado, então acabamos voltando pra casa, comendo num indiano delícia que esqueci de anotar o nome e só. Pois é, nosso sábado em São Francisco passou zerado de balada.

Dia 3

Domingo era nosso último dia. O Mike foi pra Napa Valley, o pedaço da California famoso pelas vinícolas. Fica em torno de 1h ao norte de São Francisco, mas nós optamos por ficar na cidade e explorar mais um pouco. Um passeio clássico que poderíamos ter feito nesse dia é a visita à Alcatraz, a famosa prisão de segurança máxima dos EUA. Como toma ao menos metade de um dia, eu decidi que ia deixar pra depois. Eu ainda queria explorar mais.

Então descemos e fomos pro Fisherman Wharf, o famoso pier de São Francisco. Lá é a parte mais turística da cidade, e por consequência, com preços mais salgados. Tem muitos restaurantes - inclusive o Buba Gamp - muitas lojas de souvenir, muitos artistas de rua e muitas focas <3
Depois de muito admirar essas belezinhas, que fedem um pouco e gritam muito, seguimos andando e subimos uma graaaande ladeira, rumo à Lombard Street, a rua mais íngreme do mundo. Tão íngreme que tem uma parte em zigzag.
SF é um grande aglomerado de ladeiras. Você vê a cidade e consegue vizualizar as montanhas em que ela se assenta. É um bom exercício pras pernas, mas olha.. vi gente andando de bicicleta pelas ladeiras, e respect. A Lombard é uma gracinha, tem esse jardim ai na parte em zigzag, mas é tão apinhada de turista que eu fiquei foi com dó dos moradores haha. Alias, foi nesse trecho em que vi o maior número de brasileiros na cidade.

O dia foi entardecendo e chegando a nossa hora de partir. Ainda demos uma andada pelas redondezas do apartamento, e fomos até a Coit Tower, uma torre que da uma vista legal de toda a Baia. A fila estava imensa, então só ficamos pelo térreo. Por estar também no topo de uma colina, já valeu a pena. Voltamos pra casa, nos despedimos do Mike, e caímos na estrada.

São Francisco era tudo aquilo que eu imaginava: uma cidade linda, que vibra, charmosa, com pessoas interessantes, comida gostosa, um clima leve, tudo de bom. Eu fiquei apaixonada pela vida que a cidade transmite, pelas casas, pelas janelas, e queria morar lá no instante em que pisei nela. Feliz é quem mora, e feliz é quem volta. Eu voltarei.
If you are going to San Francisco... 

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