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Uma semana no País Basco: San Sebastián e Bilbao

Em outubro do ano passado tínhamos uma viagem dos sonhos planejada: conhecer o Líbano. Uma semana antes da viagem, no entanto, aconteceu o ataque do Hamas a Israel, e entendemos que não era um bom momento. De última hora resolvemos olhar algumas viagens que temos aí na nossa lista de lugares a visitar, e encontramos uma passagem legal para Bilbao. Eu precisava muito descansar, precisava ter sossego pra ficar meio atoa uns dias e não sentir que estava desperdiçando férias, então optamos manter o plano de passar uma semana viajando, mesmo sabendo que talvez fosse muito tempo na região. Dividimos a semana e passamos metade dela em San Sebastian, e a outra metade em Bilbao. Um ponto importante: essa viagem poderia facilmente ser mais curta, e dois dias em cada uma das cidades seria suficiente pra ver tudo que tem pra ver mas, definitivamente, não seria suficiente pra comer tudo de bom que se tem pra comer rs. É, acima de tudo, um rolê gastronomico, porque para além da cozinha basca ser um desbunde, esse pedacinho do mapa tem a maior concentração de estrelas Michelin do mundo, se não me engano. E isso puxa o padrão lá pra cima. Come-se bem demais em San Sebastian e em Bilbao. Com isso em mente, vale programar pra comer e relaxar. 

E vamos aos highlights da viagem: 

- A orla de San Sebastian - com toda uma pegada de balneário antigo, San Sebastian tem uma orla belíssima, sendo La Concha a sua praia mais famosa, com um calçadão gostoso de andar, e a cidade velha lá no fundo. Nós nos hospedamos no Antiguo, um bairro fora do centro, que é super charmoso e tem hospedagens mais em conta. Alíás, ficamos no Letoh Letoh, um hotel simples mas bonito, com um café gostoso no térreo, e vários bares em seus arredores. O preço foi bem bom, e eu recomendo pra quem não ta procurando coisa chique. Todos os dias andávamos pela orla da praia pra chegar na cidade, víamos os cachorros correndo, as pessoas tomando sol. Uma delícia! 


- Museu Critobal Balenciaga - no vilarejo de pescadores de Getaria nasceu Cristobal Balenciaga, o estilista visionário que fundou a casa (e que deve se revirar no túmulo vendo as presepadas que os hoje donos da marca estão fazendo com seu nome rs). O museu é lindo pra qualquer um visitar, mas pra quem gosta de moda, é um must. A curadoria e montagem são belíssimas, contando não somente sua história, mas exibindo os modelos mais icônicos, estruturados, que quebraram paradigmas com a silhueta feminina mais desconstruída. Tem também uma sessão com a criação de outros estilistas que foram influenciados por ele. Ao andar entre esses modelos, num dia em que o museu estava particularmente vazio, eu fiquei lembrando dos idos de 2007, 2008, quando eu lia o Petisco, e os textos quase poéeticos da Mari Inbar, que me apresentaram ao mundo da moda e couture. Andamos um pouco pela charmosa Getaria, que é bem pequenina, e comemos um peixe fresco de frente pro mar. Um passeio bem gostoso de meio dia. 




- Restaurantes de San Sebastian - A cidade é conhecida por ser uma meca gastronomica, e tem uma altíssima concentração de estrela Michelin. Toda a pegada de alta gastronomia puxa a qualidade da área lá pra cima, e se come muito bem em qualquer biboca. Com isso em mente, acabamos pulando os restaurantes estrelados, que não são baratos, e focamos em almoçar em restaurantes e jantar em bares de pintxos, os tapas da região. Fizemos reserva para  os almoços, e deixamos a vida levar para a janta. Em termos de almoço, o melhor foi o Antonio Bar, que foi também num esquema de pintxos. Também teve o Bodegon Alejandro, onde o digníssimo segue afirmando que comeu o melhor peixe da vida. Em termos de bares de pintxos, a dica é mesmo ficar em pé no balcão pra ver o que mais sai, e copiar o crowd rs. Cada bar tem seus petiscos chefes, e neles que mora o segredo. Meu favorito foi o La Espiga, e teve um outro que infelizmente não guardei o nome. E por fim, a tarta de queso, que é o cheescake basco, é a sobremesa que não pode faltar. Comemos MUITAS tartas de queso, mas em San Sebastian a favorita foi a do Bar Sport.






- Guggenheim de Bilbao - O museu é mesmo lindo e vale o hype, tanto por dentro quanto por fora. Ele é muito majestoso, e é belíssimo de vários angulos: cruzando a ponte, visto de frente, visto do fundo, com o sol batendo. A coleção é também bem interessante, e apesar da lotação, da pra visitar com relativa tranquilidade e sem pensamentos homicidas rs. Gastamos coisa de 2 horas lá dentro, e seguimos para o Nerua, restaurante na parte de fora do museu, e que tem uma estrela Michelin. Fizemos um menu degustação, e eu gostei bastante, não ameeeei, mas gostei. E acho que vale a experiência porque ele teme um preço mais ameno do que a maioria dos estrelados da área. É uma forma bem pagável de experimentar a alta gastronomia da região. 





- Casco Viejo de Bilbao - A cidade antiga de Bilbao é muito, muito charmosa. Uma vibe meio gótica, com predios grudadinhos um no outro, bares charmosos, lojinhas simpáticas. Bater perna pela cidade toda é uma delícia, margear o rio, as ruas de compras, mas o Casco Viejo é bem especial. É pequeno, da pra visitar em um dia, mas nós passamos três dias em Bilbao e sempre acabamos por ali. Destaque pra Plaza Nueva, onde antigamente tinham espetáculos de touros. Ela é rodeada de barzinhos, e mais uma vez comemos pintxos mara e uma tarta de queso arrasadora no Gure Toki. 






Foi uma viagem bem slow, mas muito gostosa. Eu amei o país basco, amei a pegada surf relax de San Sebastian, e a beleza gótica de Bilbao, e acho que aproveitamos suficientemente, mas se um dia a oportunidade de voltar aparecer, não recusarei rs. Recomendo demais um mergulho gastronomico! 

Um gostinho de Mallorca

Quando achei uma passagem por 27 euros, ida e volta, para Mallorca, comprei sem pestanejar. Não teríamos como aproveitar muito tempo porque já tínhamos outra viagem marcada - e o budget comprometido - mas ainda assim achei válido aproveitar a oportunidade. Com as passagens já compradas comecei a pesquisar e vi que 3 dias em Mallorca é pouco. A ilha é bem maior do que eu estava esperando, e tem muita coisa pra ver e fazer. Além das praias com água absurdamente azul, Mallorca conta com diversos vilarejos charmosos, pequenas vinícolas, e regiões bem distintas. Mas se 3 dias era o que tínhamos, paciência. Pra piorar perdemos o voo, numa das presepadas mais toscas que já fizemos hahaha.. Isso fica pra um post aí sobre perrengues de viagem. Enfim, nossos 3 dias viraram 2 e meio, mas tudo bem. Voilà.
Não dá pra reclamar de nada, né?
Locomoção
Como eu disse, Mallorca é uma ilha bem grande, então a locomoção por lá pode ficar difícil sem carro. Eu li na internet, amigos recomendaram, a gente acabou optando por alugar um e foi muito acertado. As distâncias entre os lugares são grandes, e ter um carro à disposição nos deu liberdade para rodar bastante pela ilha. Retiramos nosso fofíssimo (e baratíssimo) Fiat 500 no aeroporto, e lá devolvemos. Bem fácil.

Hospedagem
Nem vou recomendar onde fiquei porque não curti muito a área. Alias, fica essa dica: Mallorca tem várias áreas, algumas mais caras, outras mais em conta, umas mais festivas, outras mais calmas, etc. A gente ficou em Magaluf, e eu achei muito british trash por lá. Muita gente bêbada gritando pela rua a noite, etc, e eu já passei dessa fase rs. Se eu voltar um dia (o que espero que aconteça), focaria em outras áreas. Das coisas que vi, gostei de Platja de Muro.

Caló des Moro
Acho que é uma das praias mais famosas de Mallorca. É realmente linda, porém pequena e por isso bem cheia. A gente foi até lá porque eu queria muito ver esse desbunde ao vivo, mas acabamos nem descendo nela, e seguimos a trilha até uma praia ao lado. Era toda de pedra, então você tinha que achar um lugar confortável pra deitar, mas beeem gostosa, água na temperatura ideal, e vista linda <3 Chegamos próximo a Caló des Moro de carro, tem estacionamento público, e depois tem que fazer uma pequena trilha, que é fácil para quem não tem problemas de locomoção. Tinha famílias fazendo com crianças numa boa. Embora tivesse um carrinho lá com coisas para vender, recomendo levar a própria água, snacks e tal. Mas é muuuuito cheia, então pra quem quiser curtir a praia efetivamente, acho que vale chegar cedo. Saindo de lá paramos em Santanyí para ver o jogo de Brasil com Mexico, e achei uma boa combinação. A vila é bem bonitinha, tem bares bons, algumas lojinhas de artesanato local, vale a parada.
Caló des Moro, bem maravilhosa

E a praia onde ficamos. Estendemos nossa canga embaixo dessas árvores e boa
Santonyí, bem gracinha
Tapas e sangria, quero mais nada da vida
Platja de Muro
Uma praia beeem comprida, mais no estilo do que estamos acostumados aqui no Brasil, com faixa de areia larga e bares e restaurantes na beirada. Uma delícia! Ela fica ainda melhor chegando pros lados de Picafort (eu nem tenho maturidade pra esse nome hahaha), quando adquire toda uma vibe vilinha, com casinhas fofas, onde se tem a impressão que locais das antigas residem.
Chegando

Por do sol mara
Valldemossa
Eu fui meio a contragosto porque estava sedenta por praia. Chegando lá, só pude enfiar o rabo no meio das pernas e agradecer Mati por ser sempre insistente comigo. Uma vila com pinta medieval no topo de uma serra, Valldemossa é uma graça. Passamos a manhã andando pelas vielas, entrando em lojinhas, tomando cafezinho, curtindo a vista. Recomendo muito, e recomendo também chegar cedo, pois lá é parada de tours maiores. Quando já estávamos nos preparando para sair, chegaram grupos de chineses e americanos. 
Valldemossa vista da estrada
Pelas ruas da vila

Fomos ainda em umas outras duas praias que não achei dignas de nota, e não conseguimos ir a outras que foram super bem recomendadas. No fim, 2, 3 dias em Mallorca é nada, a ilha requer pelo menos 5 dias. Para se ter ideia, teve dias em que no fim, contabilizamos 160 km rodados. Ou seja, gasta-se tempo na estrada e tal. Se me arrependo de ter feito uma visita relâmpago? De jeito nenhum. Me deu vontade de voltar com as amigas (que curtam muita praia, já que o digníssimo se cansa depois de poucas horinhas rs).

Com relação aos preços, claro que comparado à Suíça é tudo barato, rs. Mas não achei Mallorca cara, considerando que é um destino turístico de férias - e fomos no alto verão. A comida pode ser maravilhosa, mas também tem uns lugarzinhos pega turista rs. Comemos extremamente bem na maioria dos lugares, mas por exemplo, achamos um bar pra ver um dos jogos da copa, e a comida era de chorar de ruim rs. Agora a parte mais interessante mesmo da coisa, é que Mallorca é de fato um pedaço perdido da Alemanha haha. Eu já tinha ouvido dizer que era o último Estado, mas não imaginava que era tanto. Os alemães são apaixonados pela ilha, ocupam ela com força, e a língua é quase que o idioma oficial. Fiquei passada rs... Mas no geral, adorei Mallorca, voltarei e recomendo para quem se interessa por praia, vilas mediterrâneas e boa comida :)

Dicas práticas de Barcelona

Não vejo muito sentido em contar em detalhes minhas viagens para destinos mais manjados. Principalmente agora, que estou conhecendo lugares que os viajantes desbravam há anos, ficar falando muito do meu roteiro é meio que chover no molhado. Tem muita informação e detalhes pela internet sobre Paris, Barcelona, Madrid, Viena, Roma e outros lugares que conheci (ou que estão no meu radar) por esses tempos. Mas tenho sim algumas dicas práticas que acho válidas - porque não tão óbvias e porque facilitaram e/ou melhoraram minha viagem. Fiz um post assim sobre Paris, e agora chegou a vez de Barcelona, onde estive semana passada. 

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Nos hospedamos em Sants, um bairro pouco turístico. Ficamos lá porque Mati foi a trabalho e era conveniente para o que ele precisava, mas revelou-se um bom lugar. Eu achei Barcelona bem "espalhada", as atrações são relativamente longe uma da outra, e usa-se muito transporte público. Nesse sentido, talvez não valha muito a pena se hospedar nos bairros turistões (andei lendo que Gracia é o favorito) e pagar mais caro, se você vai acabar andando de metrô anyway. Ficamos ao lado da Estação de Sants, que tem trens e duas linhas de metrô (verde e azul, com as quais você vai pra tudo que é ponto turístico). Com o trem chegamos em 20 minutos do aeroporto. Muito perto dali ainda tem outra estação de metrô da linha verde. Com 10 - 20 minutos de caminhada leve tem a Plaza Espanya, os bairros de Poble Sec, Saint Antoni e Eixample, cheios de restaurantes e bares ótimos e mais baratos. 
Ao fundo, Plaza Espanya. Sants está à direita nessa foto, Poble Sec, Saint Antoni e Eixample, à esquerda 
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Finalmente Barcelona

Desde quando ganhei meu joguinho de Mega Drive das Olimpíadas de 1992, Barcelona ocupa um espaço especial no meu imaginário. Depois disso, lá pelos 16, 17 anos, comecei a ouvir as histórias das mulheres fazendo topless em Barceloneta, de como o estilo de vida por lá era livre, boêmio, e pronto. Tínhamos um destino de verão favorito. Acabou que meu primeiro encontro com Barcelona não foi no verão, mas foi esse último fim de semana, no começo da primavera. Mati teve uma viagem do trabalho e eu acabei me enfiando junto, rs. 

Viajamos quinta a noite e voltamos domingo no fim do dia. Foram três dias intensos. Sexta-feira fui agraciada com a maior chuva de todos os tempos. Um taxista me disse que chuva daquela só acontece a cada 30 anos, rs. E claro que eu tinha que estar lá no meio. Mas depois de um dia de dilúvio fui recompensada com dois dias lindíssimos de sol e céu azul. 

Passeei muito - meu celular disse que andei uma média de 16 km por dia nesse final de semana. Vi lugares que de tantas fotos e posts que já li nessa vida, achei que conhecia. Mas vi tantas outras coisas que pra mim foram absolutas novidades e que me deixaram muito encantadas. Pra mim, o ponto alto de Barcelona é a arquitetura. Obviamente nas obras de Gaudí, mas muito mais que isso. A arquitetura dos prédios, das praças, as esquinas abertas formando pequenos largos. Tudo tão lindo! Me pareceu uma cidade projetada para o bem estar dos moradores, que ocupam os espaços públicos, que vivem verdadeiramente em comunidade. Me pareceu também que os moradores de Barcelona, no geral, tem um estilo de vida bem tranquilo, curtem o tempo, gostam de comer e beber bem, são estilosos sem esforço, aproveitam a companhia que está dividindo a mesa. Sério... que lugar!

Enfim, deixo aqui um pouquinho do meu olhar sobre Barcelona (em fotos de celular, porque depois de dois dias fotografando com a câmera percebi que o chip dela estava bixado e corrompeu todas as imagens). 

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