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01/12: Janeiro de 2023

Janeiro foi eterno.. e ainda bem que foi. É claro que a gente vai vendo o salário se esticando pelo mês, aquela sensação de que não acaba nunca. Mas não é absurdo pensar que um mês de 2023 já ficou pra trás? 

Eu comecei janeiro no Brasil, do jeito que eu mais gosto: de frente pro mar, pulando ondas, vendo fogos, passando calor e lavando o ano velho com água salgada. Isso me recarrega as baterias de um jeito que eu nem sei explicar. Foram dias deliciosos, de muita preguiça, descanso, zero festa. Em São Paulo ainda reencontrei a família pra um último abraço antes de voltar pra gelada Suíça. Fomos buscar Carlito na creche, fui reencontrando amigos, voltamos ao trabalho, e aproveitamos os fins de semana para esquiar. Também fiz um detox de duas semanas que consistiu em ser completamente vegana (spoiler: não curti, e não é algo que levarei pra vida rs). Alias, já que comecei a falar... eu queria dar uma limpada nos excessos de fim de ano e férias, e encontrei uma pessoa que fazia entrega de refeições veganas em casa. Resolvi fazer por duas semanas. Não é que comi mal, muito pelo contrário. A maioria das refeições era saborosa, e todas muito nutritivas. Mas eu senti muita falta de proteína animal, ovos principalmente. E num dado momento, comecei a me sentir não muito bem disposta. Acho que talvez tenha sido uma virada de chave muito radical pra mim. Em todo caso, tirei dessa experiência a idéia de comer menos carne, e ser mais criativa na cozinha. 

Enquanto estava no Brasil fui vendo as notícias do Natal mais quente da história da Suíça: temperaturas beirando os 20 graus em Zurich no final de dezembro. Mas chegamos aqui na virada desse tempo, e fez foi muito frio - tivemos dias batendo em -14. Além de tudo, Zurich fica super cinzenta, um clima que pra mim é deprê. Então a energia saiu de começar a buscar as metas do ano. Eu e marido fomos nos rematricular na academia, e a gente começou a ir junto de vez em quando. Também comecei a fazer uns planos pro ano: viagens, mudanças de decoração e outras coisas. Isso tudo me repõe o gás que o inverno me tira rs. 

Algumas imagens de janeiro, antes de passar pras metas: 


Brasil dispensa legendas, né?!

Dando pontapé na temporada de esqui em Flumserberg

Encerrando o detox vegano com belo ovo estalado rs

Dias cinzas pela cidade

David Shrigley

Tirando um descanso em Engelberg

Vamos ao balanço das metas: 
- Priorizar o exercicio na minha rotina: estou ainda entrando no embalo. Não segui ainda a rotina de exercício que eu quero, mas já fiz mais do que em muitos meses do ano passado rs. Ainda tem espaço pra melhora. 

- Fazer um programa cultural por mês: fomos numa quinta feira na Kunstalle de Zurich. É um prédio onde funcionava antes uma cervejaria, e hoje é cheio de galerias e um museu. Às quintas a entrada é gratuíta e as galerias ficam abertas. Demos sorte porque uma das galerias estava com uma exposição bem legal do David Shrigley, e uma outra tava inaugurando uma mostra babado de uma artista belga que eu não conhecia, mas que me impactou, Berlinde de Bruyckere. Foi um rolê diferente, depois do trabalho, um fim relaxante e cheio de belezas pra um dia cansativo. Gostei muito! 

- Fazer um curso na minha área profissional - não, não cumpri essa meta ainda rs.. mas ela em si é um processo, né? E eu comecei esse mês fazendo pesquisas, vendo possibilidades, e agora marquei de conversar com uma pessoa cuja opinião é relevante pra mim, pra me ajudar na tomada de decisão. Ou seja, há progresso. 

- Conhecer lugares novos na Europa - como disse, tenho começado a pensar em viagens, mas ainda nada concreto. No entanto nesse mês já conhecemos um lugar novo na Suíça. Queríamos passar um fim de semana na montanha, e a princípio eu ia bookar uma estação que já fomos e gostamos. Mas aí no espírito de coisas novas, fomos esquiar em Engelberg, uma vila alpina perto de Luzern. A cidade é super pequena, mas o resort de esqui é grande, e aproveitamos bem. No entanto, achei as pistas bem difíceis, não é bem pro meu bico, e me cansou mais do que deveria. Provavelmente não vai entrar na lista dos lugares que a gente tenta ir todo ano rs.  

Tirando as metas escritas pra 2023, acho válido dizer que li 3 livros muito bons esse ano, todos de autores brasileiros: A Natureza da Mordida e Véspera, ambos da Carla Madeira (escritora do Tudo é Rio). Que escrita, meus amigos, que escrita! Só recomendo muito. Também li Feliz Ano Velho, clássico juvenil dos anos 80 rs, mas que eu ainda não tinha lido. Foi uma grata surpresa ver como um livro escrito por um homem brasileiro nos anos 80 pode envelhecer bem, e se manter tão atual. 

É isso, acho que janeiro foi um bom começo pra esse ano, e seguimos :)

Esquiando nosTrois Vallées, França

Assim que assinei o contrato de 6 meses de trabalho em julho do ano passado, eu já agendei férias para quando o contrato acabasse rs. O fim do meu contrato coincidia com as férias escolares de Mati (aqui na Suíça, e acho que na Europa em geral, as escolas tem um break em fevereiro). Férias de esqui são caras, e tem que ser planejadas com antecedência, então mesmo em julho eu não consegui achar acomodações baratíssimas. O que quero dizer com isso é que, pra quem ta pensando em tirar um break desse ano que vem, jajá é hora de começar a se planejar. 

Na época escolhi a região dos Três Vales - Courchevel, a prima ryca e famosa, Meribel, onde ficamos, e Val Thorens, porque li bastante sobre, e vi que era a maior área de esqui do mundo (600km de pistas no total), com slopes de todos os níveis. Por mais que eu esquie com alguma frequência no inverno aqui, meu nível ainda não é maravilhoso não, e eu prefiro ficar nas pistas azuis (para efeito informativo, o nível das pistas, do mais fácil para o mais difícil, é verde < azul < vermelha < preta). Aqui na Suíça não existe pista verde, os resorts tem pistas azuis, mas tem mais pistas vermelhas, o que dificulta pra mim. Lá na região é possível ir de uma vila pra outra só esquiando por pistas azuis, e esquiar vários dias sem sequer repetir. Ideal. Além de tudo, a viagem de carro aqui de Berna dura mais ou menos 4 horas somente, dependendo do trânsito. A título de informação, o aeroporto mais próximo é o de Genebra, de onde é possível pegar transfers etc. Mas nós alugamos um carro mesmo, e fomos. 

Eu escolhi Meribel por ser o vale do meio, e menos badalado - e caro - que os outros. Achei a escolha acertadíssima, porque a vila é bem fofinha, e sem afetação. No dia que fomos esquiando até Courchevel, já fiquei meio passada com a montação da galera, tanto pra esquiar quanto pra flanar rs. Em Meribel o esquema é mais pé no chão, todo mundo numa pegada mais esportiva mesmo. Por lá os dias começam cedo, todo mundo indo pros lifts por volta das 9h, passando o dia subindo e descendo montanha, tomando uma cervejinha entre uma coisa e outra, curtindo um après ski (a baladinha no fim do dia) e caindo morto na cama no máximo as 10 da noite rs. Claro que pra quem quiser tem balada, mas nem preciso dizer que não chegamos perto haha. 
Fim do dia e nós voltando para Meribel, essa vila embaixo do morro
Pelas ruas de Meribel
Comemos muito bem, em restaurantes pra todos os bolsos. Alguns dias um esquema mais budget, outros normal, e na nossa última noite, um jantar francês bem chique. Meribel tem um pouquinho de tudo. Bebemos muito bem também rs... Quase todos os dias, chegando no hotel, a gente ia ao mercado, comprava umas garrafas de vinho francês, e bebíamos na varanda. Olha que belezinha de fim de dia? 
Ficamos num hotel beeeeem budget, digamos que um patamar acima de hostel, e ele era muito bem localizado, com um bar e restaurante ótimo, mas MUITO barulhento. O vizinhos falavam dentro do quarto deles e eu achava que tinham entrado no nosso quarto. Barulho da rua também, dava pra ouvir tudo. Pra melhorar, eles fizeram algumas baladinhas no bar alguns dias, e não teve plug auricular que desse jeito. Enfim, para o esquema budget que estávamos, em que a outra opção era não viajar rs, recomendo. Mas espero numa próxima poder ficar num lugar com mais paz haha. O nome é La Taverna. Mas sem dúvidas, se voltar a Meribel, voltarei para comer no restaurante deles, comida excelente com precinho justo. 

Mas nós fomos pra esquiar, e nesse quesito foi tudo sucesso. Pegamos dias ensolarados maravilhosos, e a região é um baita acerto. Tem, realmente, muita pista para iniciante e intermediários. Assim, MUITA. Claro que tem também muita gente, mas é tanta pista, que as vezes a gente se pegava sozinho no meio do nada. Passamos 5 dias lá, e esquiamos 4 (um dia fizemos uma pausa porque as dores estavam osso rs), e repetimos pouquíssimas pistas. É possível passar dias por lá só vendo paisagens novas, pingando de vilinha em vilinha. Fomos para Courchevel, St. Martin, Mottaret, etc. Também dá pra ir atrás dos bares animadíssimos pelas montanhas. 
Cap Horn, um dos bares badalados em Courchevel
La Folie Douce, a balada mais cafona e divertida rs
Enfim, eu já falei bastante de esqui pela Suíça, mas se eu pudesse recomendar um lugar pra quem quer aprender a esquiar e curtir, eu recomendaria a região do Trois Vallées com força. Apesar de ainda ser cara (ainda estamos falando dos Alpes franceses, rs), é beeeem mais barato do que na Suíça, e tem muito mais opção de pistas. E pra coroar, a região de Savoya, onde ficam os vales, é também famosa por seus queijos, e por lá da pra comer fondue, raclette, e muita coisa maravilhosa. Se endividar em francos pra que?! 

March Madness

Quem vê o título desse post pensa até que rolou muita loucuraaaaa em março hahaha.. e nem foi tanta assim. Mas devo dizer que há tempos a vida não ficava tão agitada, e eu fiquei como?! Isso mesmo, felizona, porque é disso que a gente gosta, de agitação rs. 

Começamos o mês no frio siberiano, com a chegada da ultra frente fria glaciar haha. Berna amanheceu no dia 1o de março enterrada em neve, no maior caos, com trens e ônibus parados, e suíços desesperados. Embora eu tenha demorado uma hora pra chegar na escola (trajeto que normalmente leva 20 minutos), eu achei foi graça da situação. Acho que eu estava sentindo falta de bagunça, e confesso que me deu certo prazer ver, finalmente, a suíça - e os suíços - perdendo a linha. E além da zona, a nevasca trouxe também paisagens lindas <3 



Mas quando o frio aperta, a gente se diverte, né? Fui ver uma cachoeira congelada em Thun, fui com as amigas fazer sleding em Grindelwald, esquiar em Zweisimmen e também fomos fechar a estação em Saas Fee. Alias, sobre o esqui, uma observação: ano passado eu consegui ver muita melhora, afinal de contas, fui de não saber esquiar a conseguir parar em pé e descer a montanha em cima do troço. E eu estava com muita expectativa pra esse ano, de que eu ia evoluir muito, se bobear conseguir esquiar "bonito", em paralelo, descer pista vermelha, etc e tal. E rolou toda uma decepção, porque honestamente, não evolui em nada. Mas tudo bem, quem sabe ano que vem, né?


Fechando a temporada a 3.500m de altitude 
Teve também o fim de semana da esbórnia haha. Duas amigas fizeram aniversário no mesmo fim de semana. Na sexta, uma amiga fazia 25 anos e tinha uma missão: tomar um porre de aniversário. Como amiga que é amiga, em vez de tirar a ideia errada da cabeça da novinha, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Só que a outra amiga fazia aniversário sábado, e tinha outra missão: correr 5 km de aniversário. E como amiga que é amiga em vez de tirar a idea errada da cabeça da musa fitness, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Moral da história: pela primeira vez na vida, corri 5 km. E de ressaca. E debaixo de chuva. E estou aqui, viva pra contar e dar um conselho pra vocês: evitem. 
Na farra como se não houvesse amanhã...
... mas tinha
E depois dessa loucura toda, na segunda-feira começaram minhas aulas na Universidade. Em paralelo, tive várias reuniões do projeto em que eu sou voluntária. Por outro lado, entrei numa nova pausa no curso intensivo de alemão. Eu realmente não estava dando muita conta do B2, não estava tirando todo proveito que a aula poderia dar. É muito difícil porque eu quase não pratico fora da escola, então estava rendendo menos do que poderia. E pra piorar, eu não estava curtindo minha turma, então estava bem desmotivada. Em abril voltarei para um curso de conversação, pra praticar um pouco, antes de voltar e terminar o B2. 

Pra finalizar, é spring break. Terminaremos março na estrada, viajando, passeando, e aproveitando. Mas o melhor de tudo, é que é S*P*R*I*N*G break. A primavera está, timidamente, começando a dar as caras por aqui, e pouca coisa me deixa mais feliz. Ver os dias ficando mais longos, o colorido das flores começando a aparecer, a temperatura começando a subir. Dá um novo ânimo pra mim, pessoa do verão e do calor. Não vejo a hora de me esticar na grama, de nadar no rio, de ver essa Berna ainda mais linda <3 Primavera, chega mais!



Saas Fee

Logo quando chegamos aqui e começamos a falar de esquiar, alguém já mandou a gente decorar esse nome: Saas Fee. É uma vila alpina no Valais, cantão ao sul da Suíça, que fica a 1300m de altitude, e onde se concentram algumas geleiras, acessíveis através de gôndolas e lifts. Por isso é possível esquiar lá o ano inteiro. Além disso tem um bastente pistas de nível fácil e intermediário, ou seja, muito conveniente pra quem está aprendendo, no caso eu e Mati.

Em abril fomos para o nosso último esqui do inverno - e pra vocês verem, mesmo sendo abril, alta primavera, por lá a neve ainda estava pegando forte, tanto que demos azar e o dia estava com alerta de avalanche, então só conseguimos esquiar na pista de treino na vila. 
Na pistinha de treino, que aliás, é excelente
Agora com minha irmã aqui, resolvemos que abriríamos a ski season por lá. Facilitou a decisão o fato de eles estarem com uma promoção (até 17/12) no season ticket. Quem tiver interesse, entra aqui que é possível comprar um passe que vale desde já até o fim de abril por 233 francos. Nós compramos. E embora a vila seja famosa pelo esqui, eu acho que quem não quer esquiar, mas quer ver uma autêntica vila alpina, pode considerar o passeio. Porque a vila é uma graça de linda, e a paisagem, meu povo... é de babar. Saas Fee é rodeada por vários picos imensos, alguns de mais de 4 mil metros de altura, por geleiras azuis e brilhantes, árvores pontudas. Sério. Apenas vejam:


Mati deslizando pela rua pra gente ir almoçar mas rápido, rs
Uma outra coisa muuuito gracinha são as casas de pedra, características do Valais. No caminho entre Visp e Saas Fee é possível ver que muitas casinhas pela estrada são todas feitas de madeira, cujo telhado e base são de pedra, para evitar a ação de roedores. E lá em Saas Fee tem várias. É muito charmoso:

A circulação de carros que não sejam elétricos é proibida por lá, e as ruas sempre livre dão um charme extra. É tudo bem perto, então a "falta" de carro não dificulta, mas tem uns taxis elétricos e um ônibus que faz o trajeto entre a rodoviária e o meinho da vila, no Alpin Express, para quem estiver com as pernas cansadas haha. Como Saas Fee é bem turística, inclusive eles se autodenominam a República das Férias, rs, tem bastante estrutura: restaurantes, bares, bancos, hotéis, Airbnbs, mercadinho, lojas. Inclusive, os bares ficam beeeem agitados quando as pistas começam a fechar no fim do dia. Nos meses mais quentes de verão sei que muita gente vai fazer trilha, aproveitar a paisagem e o ar mais fresco que a alta altitude garante. 

Nessa ida que passamos mais tempo por lá e andamos mais pela vila, voltei apaixonada por Saas Fee, e feliz que compramos o passe, assim sei que vamos voltar muitas vezes nos próximos meses. 

* * *
Informações importantes:
- para ir de transporte público é bem fácil. Você pega um trem de one estiver para Visp, e partir de Visp o ônibus 511 te leva até entrada da cidade. A viagem aqui de Berna dura um pouco menos de duas horas e meia, e o custo é de Fr. 70 o trecho para quem não tem desconto nenhum. As viagens para o Valais são sempre caras porque você cruza o Lotschberg, um dos grandes túneis da Suíça;

-  o passe diário de esqui por lá ta saindo 73 francos, e por isso, se a ideia for esquiar mais que 4 vezes pela Suíça nesse inverno, já vale comprar o wintercard que eu mencionei ali em cima. Como nós já iríamos 2 dias nesse fim de semana, compramos. É um preço bem bom para a Suíça, onde esquiar é caro mesmo;

- a cidade fica cheia nos finais de semana, então fazer reservas de hotel com antecedência é fundamental. É também bom reservar mesa nos restaurantes, que ficam todos meio cheio no mesmo horário, já que o povo por lá dorme cedo para acordar cedo no dia seguinte e curtir a montanha. 

Quer esquiar?

Já contei aqui sobre como eu queria muito começar a esquiar, e como comecei com o pé direito. Uma, duas, três temporadas de esqui não fazem ninguém ser profissional, muito menos um mês, então claro que não tenho dicas pra quem manja da coisa. Agora acho válido sim dividir umas coisinhas que aprendi e que podem ajudar outro principiante como eu.

O esqui/snowboard são esportes que, de início, são caros. Quando se pensa no equipamento, roupas, etc, é um puta gasto pra começar. Normalmente as coisas são boas, e vão durar muuuito tempo, mas tem esse desembolso inicial. Então tem coisa que você tem que pensar: ta se mudando, mora num lugar em que esses esportes fazem parte do dia a dia? Vale investir mais. Vai passar férias no Chile, aqui na Suíça, na Áustria e vai esquiar? Acho que precisa repensar umas coisas. 

Encarando a neve

Desde que cheguei aqui na Suíça comecei a perceber a dimensão que tem os esportes de neve - ski e snowboard -  no país. Mesmo no verão víamos pessoas subindo até as geleiras para esquiar, setores inteiros de lojas dedicados a isso, pessoas enlouquecidas aproveitando pra comprar equipamento por precinhos camaradas em loja de segunda mão. Quando Mateus começou a trabalhar, aí entendemos de vez: a escola em que ele trabalha simplesmente fecha todas as sextas feiras entre janeiro e março, e todo mundo vai esquiar. Da pra imaginar? Inclusive, em fevereiro - pelo que me falaram - o país entra em marcha lenta e vai todo mundo pra montanha. A conferir. 

Fato é que entendemos que os esportes de neve fazem parte do dia a dia aqui, que rola muita socialização na montanha, o que é também um jeito de fazer o inverno super rigoroso que se abate sobre o país mais animado e a gente não queria ficar de fora. Mati já morou na Áustria, então já tinha alguma experiência e acabou comprando um snowboard de um ex professor da escola logo que chegamos aqui. Eu, verdade verdadeira, me cagava de medo. Não sou uma pessoa aventureira, não tenho gosto em adrenalina, e a ideia de descer uma montanha com duas laminas no pé não me apetecia. Mas me prometi que tentaria, ainda mais podendo aproveitar as tais ski fridays com Mati e os outros amigos da escola. Assim, conforme dezembro foi chegando, comecei a me preparar psicologicamente para o desafio. 

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