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Muito tempo depois...

 ... Eu voltei pra esse blog. 


A última vez que escrevi aqui foi em agosto do ano passado. E antes disso, tinha sido em janeiro. Ou seja, 2025 foi um ano em que pouco escrevi. E 2026 vai indo pelo mesmo caminho... eu sempre acho dificil o retorno pro blog, simplesmente porque tenho dificuldade de deixar coisas de fora. Me incomoda voltar aqui e não falar de quando Dominic começou a ir pra creche, de quando eu finalmente me senti acostumada com essa nova vida, de quando começamos a pegar um vírus atras do outro rs, de quando fomos pra Sicilia, e depois pra Amsterdam, e depois a viagem mais especial de todas: o Brasil. Me incomoda passar direto sem falar de quando ele começou a comer comida, deu seus primeiros passos, balbuciou suas primeiras palavras. Porque esse blog é um registro da minha vida, então o meu instinto é de parar e vir aqui contar cada uma dessas coisas em seus pormenores, pra garantir que elas existiram. 


Mas sim, esses momentos lindos existiram, e quem sabe eu ainda volto aqui pra registrar algumas coisas, principalmente essas viagens. Mas agora cá estamos. Março de 2026. Estou prestes a completar 40 anos de idade. Estou prestes a fazer uma viagem dos sonhos (na verdade, duas, pois vou dar dois checks nessa lista aqui, feita 11 anos atrás). Estou bem reflexiva sobre tudo que me aconteceu na última década. Sobre os privilégios, as sortes e as conquistas que tenho. Sobre as dificuldades, as decepções, os aprendizados. 


E eu decidi que eu quero voltar. Ler esses posts antigos (tipo esse, de quando eu fiz 30 anos) é uma delícia, é uma reconexão com um alguém que já fui. E eu não quero perder essas possibilidades. Eu quero muito poder voltar aqui e me reconectar com a Gabi de 40. Então esse post é só pra desenferrujar... 


E sim, registrar alguns momentos felizes dos últimos 8 meses :) 


Agosto: curtindo o verão

Setembro: festinha delícia aqui no bairro

Outubro: Levando nenê pra conhecer a Sicília

Novembro: Amsterdam

Dezembro: o Rio de Janeiro continua lindo


Janeiro: um ano do meu menino debaixo de uma nevasca

Fevereiro: finalmente de volta pras montanhas

Março: cerejeiras em Zurich


Adeus ano velho

Acordei reflexiva no dia 31 de dezembro. Groundbreaking! Eu e o mundo inteiro. Mas fato é que 2025 me aguarda ali, com muitas mudanças e novas perspectivas, e eu fiquei olhando pra 2024 de uma forma bem generosa e contemplativa. Foi um ano muito bom, apesar de ter sido recheado de momentos e sentimentos difíceis. 

Eu comecei o ano desejando muito ser feliz, enquanto carregava comigo umas correntes que os traumas de 2023 me deixaram. Me sentia apática com relação a muitas coisas, com a visão turva, e com um sentimento de que não estava vivendo, mas sobrevivendo. No meio disso tudo, meu pai teve um problema de saúde que me fez refletir muito sobre a finitude dos meus, e também sobre a minha escolha de construir a vida tão longe. Entendi que esse é um conflito que eu vou viver cada vez com uma intensidade diferente. Criar um filho longe da família, ver meus pais envelhecer a distancia, a sua fragilidade maior a cada reencontro. Por outro lado, olho pro futuro e me sinto em casa aqui, cada vez mais. Tive certeza que fiz escolhas certas, mas que isso não torna mais fácil lidar com as consequencias e renúncias que elas trazem. Com a melhora do meu pai, no fim de março eles vieram, nós passamos duas semanas muito gostosas, e meu coração começou a se acalmar. 

Com a primavera vieram dias mais solares, voltei a me sentir eu. Fiz uma festa de aniversário que foi um grande afago na alma, com a casa cheia de amigos, pista de dança animada até altas horas, me senti querida, me senti leve, e percebi que aquela nuvem cinza estava realmente levantando dos meus olhos. E então me descobri grávida. Desde então tenho travado uma batalha mental contra a ansiedade e o medo constante. Me deixei curtir essa fase aos pouquinhos, dividir com as pessoas no meu tempo. Aproveitei o verão pensando que meus verões serão pra sempre diferente. Fui ao rio quase todos os dias, sempre meio sem hora, as vezes sozinha, as vezes com marido, com amigos. Cada raio de sol me encheu de vitamina D, me encheu de otimismo. Recebi visita de amigas, fomos em baladas, fomos viajar, conheci a Grécia, fomos pras Olimpiadas. Fui vendo minha barriga crescer, meu corpo mudar, e fui recebendo essas mudanças com tranquilidade. Me achei bonita, por vezes não me reconheço, mas no geral eu vejo o impacto da gestação no meu corpo como algo muito, muito poderoso. Embora a gravidez, e todos os medos que vieram com ela, tenha me trazido muita ansiedade, vou guardar esses meses sempre com muito carinho. Foram meses que me encheram de esperança e de amor. 

Profissionalmente, 2024 foi bem desafiador. Comecei o ano aceitando uma posição temporária pra cobrir uma licença maternidade extendida, por um ano, numa área bem especializada na qual eu não tinha experiência, mas tinha muito interesse. O começo foi muito difícil. Para além dos desafios que esse tipo de projeto traz, a vaga tinha muita visibilidade, o perfil da gerente era bem diferente do que eu estava acostumada e, principalmente, eu tava deprimida mas não tinha me dado conta. Só sentia uma apatia gigante, e achava que tudo me demandava muita energia porque eu estava numa área nova. Foi só conforme eu fui acordando do meu estado de torpor que eu percebi o quão difícil estava porque eu estava num momento difícil. E conforme esse momento difícil foi passando, eu fui me sentindo cada vez mais confortável, percebi que estava performando muito bem, que a minha dinamica com a chefe nova era ótima, e que eu adoraria ficar nesse time se a oportunidade aparecesse ao final do ano. Só que no meio do caminho tinha uma reestruturação do departamento, e tudo ficou bem incerto. Minha antiga vaga, para onde eu deveria voltar ao fim desse ano, foi extinta, e eu precisei encontrar uma nova posição. E assim foi. Fiz todo o processo seletivo, entrevistas e afins, e tenho uma vaga legal pra onde irei quando acabar minha licença maternidade. Terminei o ano encerrando esse projeto temporário de uma forma muito positiva. Para além de ver tudo que eu consegui realizar em 2024, tive elementos concretos pra me mostrar o tanto que aprendi, que evolui como profissional de RH, e fiquei muito orgulhosa. Encerrei com um feedback muito, muito positivo, e a certeza de que eu to seguindo no caminho certo. 

Impossível também falar de trajetória profissional sem falar do Mestrado né... Esse ano eu terminei todos os cursos e créditos obrigatórios do programa, e agora falta escrever a tese. SÓ isso rs. Esse negócio tem demandado uma energia imensa do meu lado, simplesmente porque eu não sou uma pessoa academica. Pesquisar, escrever, referenciar, a linguagem, tudo isso é algo bem fora da minha zona de conforto, então, o que acontece é que enquanto eu amei o conteúdo das aulas, das leituras, eu quis morrer um pouquinho cada vez que eu tinha um paper pra entregar hahaha. Eu até adquiri um certo ritmo, consegui melhorar minhas notas, mas assim.. não vou mentir não, eu não curti nenhum minuto dos milhares gastos produzindo conteúdo academico rs. Porém não sou terraplanista, e pude sim ver como o conhecimento adquirido já influenciou no meu trabalho, na minha forma de abordar alguns problemas, de propor soluções, de pensar alguns tópicos. Considero um saldo muito positivo. Agora eu tranquei o programa por um semestre, e em junho eu começo a botar meu projeto de pesquisa em prática. Veremos. 

Quando eu penso nos meus grandes assuntos de 2024, o que eu escrevi até aqui resume bem. Mas mais uma vez, fica claro que pra mim o que mais importa mesmo são as companhias. Quem esteve ao meu lado ao viver tudo isso, quem segurou minha mão nos momentos difíceis, e quem tava junto pra estourar a champagne, descer até o chão, e curtir os bons momentos. E eu sou muito, muito grata, pelas amizades que se fizeram fortes e presentes nesse ano tão intenso. Os amigos daqui, os do Brasil, os da vida inteira. Foi um ano em que, se chorei ou se sorri, o fiz em maravilhosas companhias, pessoalmente ou virtualmente, e sei que pra mim, sempre, a jornada e as companhias são mais importantes que o destino. 

Enquanto eu buscava fotos de viagens e momentos emblemáticos de 2024, fui vendo o quanto o olhar do meu marido é generoso comigo. As imagens mais belas do ano foram registradas por ele, que ta sempre ali, me olhando, me cuidando e me levando pra frente. Encerro essa reflexão com uma egotrip imensa, de momentos lindos que ele captou ao longo desse ano tão singular.










Junho: 6/12

Junho foi um mês muito difícil por aqui. Em algum momento eu tive certeza que nem voltaria pra falar sobre porque queria mesmo era esquecer dessa época. Mas depois de dias de férias, família e sossego, estou aqui de energias renovadas. 

O mês passou num blur, enquanto eu lidava com questões de saúde física e psicológica. Tive que fazer uma pequena cirurgia, e em determinado momento achei que meus planos e minhas férias iam por água abaixo. Meu mestrado começou, e me faltava saúde e animo pra assistir aula, interagir com a classe. Tudo indo completamente contra o planejado e o desejado. E eu ali, completamente derrotada e tentando não sucumbir demais. Mas no dia 23 a minha médica me liberou, e eu consegui no dia 24 entrar num trem pra Frankfurt e ir no melhor show que eu já fui. Finalmente meu encontro com a Beyonce aconteceu, e foi tão apoteótico como eu sempre imaginei. A Bey veio me salvar rs... é cafona, é exagerado e é bobo, mas a real é que naquelas horas entre ir pro show, esperar por ele, curtir cada música e sair dali num extase profundo, eu sorri muito, eu cantei, eu dei pulinhos e bati palma, me senti muito feliz, e eu lembrei que a minha vida é no geral muito boa.

Alias, deixa eu abrir um parenteses importante aqui. Uma das grandes dificuldades de morar fora é começar tudo do zero, inclusive amizades. Quanto mais velho a gente fica, mais difícil é fazer amigos, por N motivos, que nem vou entrar em detalhe aqui porque não é novidade. Fazer, cultivar e aprofundar amizades nessa fase da vida é um investimento de tempo, de energia, de disposição. Porque amizade mesmo começa com o tempo, conforme você vai dividindo momentos, experiências, conforme você vai conseguindo sair dos papos superficiais e aprofundar as conversas. E ta todo mundo ocupado, todo mundo tem família, tem trabalho, tem rotina, nem sempre é natural e flui. Mas topar sair, topar encontrar, topar se colocar out there, é um esforço que vale a pena. Sei que eu sou bem social e tendo a ter mais amigos, ser mais agregadora, juntar turmas, e nem todo mundo é assim. Mas ainda que seja alguns poucos e bons, vá atrás de encontrar os seus, de estabelecer e fortalecer conexões. Porque você está longe da família, de todo mundo, e na hora que a porca torce o rabo, é importante ter gente que vai segurar a sua mão. As vezes metafórica, as vezes literalmente mesmo. Eu tenho uma rede aqui, e foram fundamentais nesses dias difíceis. A amiga que me chamou pra almoçar despretenciosamente, e acabou num taxi pro hospital segurando a minha mão medrosa, que ficou lá até marido chegar, mesmo tendo pavor te agulha e quase desmaiando, amigos que me ajudaram de várias formas. A minha família, as minhas amigas da vida também se fizeram muito presente. Mas ainda assim é muito importante ter gente perto que te mostra que vocês não estão sozinhos quando tudo fica difícil. E depois de tudo de ruim que passei nesses dias, eu tive esse grande consolo. Eu me senti amada e amparada pelos meus. 

No dia seguinte ao show da Bey, eu embarquei pra California, rumo a duas semanas de férias com meu Baby e com a família. Veja que rolou um planejamento forte rs.. eu comprei até minha passagem pras férias conectada com o show. Foram quase duas semanas que terminaram de me recuperar. Muito tempo de qualidade com Baby, que aos quase ONZE anos é um pré adolescente. Ele é um menino muito legal, muito carinhoso, esperto e engraçado, e estar junto dele me faz sentir muita saudade da nossa vida no Brasil, mas também é muito legal ver ele crescer e se desenvolver. 

Na primeira semana das férias, que ainda era junho, eu ainda estava na marcha lenta, terminando de me recuperar da cirurgia, e correndo atrás do atraso nas atividades acadêmicas. Acabamos ficando bastante em casa, curtindo a piscina. No dia que a família toda foi pra Disney, eu fiquei pra trás porque ainda não estava em condições de passar um dia inteirinho andando, e aproveitei pra terminar minhas entregas do mestrado. Na nossa segunda semana de férias lá fizemos mais coisas, mas aí já era julho e eu vou contar só mês que vem haha. 

Deixo aqui umas imagens do mês, quando o verão finalmente chegou com força. 








E vamos às metas: 
- Priorizar exercício físico: ZERO. Passei o mês praticamente inteiro de repouso. 

- Fazer um programa cultural por mês: meta cumprida. Em junho rola o Art Weekend em Zurich. É um evento para promover as galerias da cidade, e então muitas delas ficam abertas ao público, inclusive com horário extendido, por um fim de semana inteiro. Alguns museus também entram na parada. Nós visitamos várias galerias entre o sábado e domingo, aproveitamos pra ver alguns grandes nomes que estão a venda pela cidade, e eu curti bastante porque nada é muito cheio, já que o evento é super espalhado. Deixo aqui duas imagens dessas visitas. Show também entra nessa categoria, e eu fui, né rs... 



- Fazer um curso na minha área profissional: com o mestrado em curso, vou deixar de reportar progresso nessa rs, e volto aqui só quando acabar.  

- Conhecer lugares novos pela Europa: essa meta tem bastante a ver com uma particularidade minha: eu gosto muito de voltar a lugares conhecidos rs, e isso somado à pandemia nos fez passar muito tempo na Suíça e arredores. Então o foco aqui é diversidade dentro dos países que já conhecemos e também em conhecer países novos. Em junho acabei conhecendo Frankfurt, que apesar de ser "arredores", foi novidade pra mim pois só tinha passado pelo aeroporto. A real é que não achei a cidade super interessante. Tem ali um centrinho antigo, uma beira do rio bem arborizada e tal, mas não vi muito charme e não fiquei doida pra voltar com calma não. 

E é isso... dado o avançado do mês, jajá eu volto com Julho rs. 

Um balanço de 2022

Ola Ola... mais um ano por aqui, e mais uma vez desejando um ano lindíssimo pra gente, pra quem lê, pra quem não lê, e pra quem jamais leu rs. Estou aqui cheia de esperanças e boas idéias pra 2023, mas antes de olhar pra frente, eu queria tirar um tempinho pra fazer minha reflexão do ano que passou. Um exercício que me trás satisfação, e que quase sempre me deixa grata. 


No começo do ano eu fiz um post sobre o que eu queria pra 2022. Tracei ali algumas metas e ao longo dos meses fui vindo aqui prestar contas. Esse é o meu jeitinho de ir acompanhando a minha evolução, mas também um mínimo de accountability - e tivemos aqui altos e baixos. E ali pro fim do ano, mais precisamente em setembro, a coisa desandou na minha rotina de postagem. Eu falei um pouco aqui - sem falar, mas falei rs espero que me entendam. Mas a verdade é que a vida me engoliu, e eu não tentei fugir não. Me deixei ser engolida, fui fazendo o que dava, quando dava. E confesso que o gostinho na boca ficou meio amargo, e explico: com essas metas, estou tentando ter um pouco mais de disciplina, e embora tenha começado bem, desandou legal. Mas ok, ok.. novo ano, novas possibilidades. 


Mas vejam bem, não é que eu fui um desastre. Não fui não. Vejamos: 

- ler ao menos dois livros por mês: foram 30 livros. Fiquei chocada ao fazer essa conta rs. Não somente por, mais uma vez, atingir e sobrar na minha meta. Mas porque eu li realmente muito livro BOM. Falei de vários aqui ao longo dos meses, mas também dei uma pensada e acho que consigo eleger os favoritos do ano: A Pediatra, O Lugar, O Parque das Irmãs Magníficas, O Ano do Pensamento Mágico e Suíte Tóquio. 

- continuar minha busca por uma rotina saudável, com alimentação balanceada, exercício e pouca neura: ih rapaz, foi aqui que a coisa deu um duplo twist carpado. No fim do ano eu tentei correr atrás do preju e dar um gás no exercício, mas fim do ano e alimentação balanceada não combina, né hahaha.. enfim, não acho que fui bem nesse quesito. Mas a terapia ta em dia. 

- voltar a estudar alemão: depois de passar meses vindo aqui falar que essa meta tava esquecida no churrasco, foi lá em setembro que eu resolvi pelo menos começar a fazer duolingo. E embora não seja o que eu tinha em mente quando tracei esse objetivo, tem sido super bom. Desde então não perdi um dia de estudo: as vezes faço mais, as vezes menos, só pra manter a ofensiva rs. Mas pratico, sinto que meu vocabulário está melhorando, e eu to orgulhosa que essa meta aí correu por fora e foi alcançada. 

- fazer 12 hikes: mais uma meta alcançada com sucesso. Foram exatamente 12 rs... mas lugares lindos, paisagens incríveis, e um hábito suíço cada vez mais enraizado nessa brasileira. 

- conhecer um lugar novo por mês em Zurich: mais uma meta alcançada com sucesso. Foram bares, restaurantes, museu, um centro de esportes, e até um spa. Tem mais pra fazer, sempre tem. E eu vou manter essa meta na minha agenda, porque acho que explorar é preciso. 


Enfim, nem foi tudo negativo, muito pelo contrário: no frigir dos ovos, alcancei praticamente todas minhas metas, mas eu sei que A meta pra mim é justamente aquela em que falhei: cuidar de mim. Mas ok, vamos que vamos. 


Mas um ano não é só feito de metas, e esse ano foi bom em muitos aspectos, e eu acho que vale registrar outras nuances, conquistas e coisas das quais me orgulho. 

- uma rede de amizade, amor e apoio: estamos na Suíça já há seis anos, e claro que fizemos muitos amigos. Mas essa vida de imigrante é bem inconstante, e muitos desses amigos já não moram mais no país. Com a nossa mudança pra Zurich, expandimos nosso círculo de amizades para além dos reinos dos professores internacionais (comunidade do marido, que ta sempre em movimento), e hoje temos aqui uma rede de amigos que são a família que todo imigrante precisa ter. Gente que tá junto, que se apoia nos momentos complicados, que festeja as conquistas, que quer estar junto pra assistir TV, pra tomar um café, pra falar merda e pra dar risada. Gente do Brasil, dos EUA, da Espanha, da Italia, da Suíça, das Ilhas Maurício (!!!), do Zimbabwe, da França, de um monte de outros lugares. E isso pra mim é uma consquista imensa, porque fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho e eu acho que todo mundo entendeu essa frase errado. 


- uma carreira que eu gosto e que me realiza: já falei algumas vezes da minha transição do jurídico para o RH, que se consolidou em junho do ano passado quando comecei efetivamente numa vaga dentro do departamento. Terminei 2021 num baque, quando a chefe que apostou em mim e me contratou (apesar da minha falta de experiencia na área) deixou a empresa repentinamente, gerando uma grande insegurança. Comecei o ano tendo que me provar pra uma liderança nova, e termino com um reconhecimento enorme. Sei que confiam em mim, veem meu talento e meu potencial para me consolidar como uma profissional de RH. E é claro que passo muito nervoso e reclamo pra cacete, mas me sinto feliz demais com minhas escolhas, sei que eu finalmente encontrei meu caminho e vejo muitas possibilidades para o futuro. Além disso, trabalho numa empresa que reflete muito dos valores em que acredito, onde me sinto confortável para ser 100% eu e que me remunera dignamente rs. 


- uma cidade linda pra chamar de casa: quando eu vou pra Berna, as vezes eu choro de saudades. Berna é linda, e foi nossa primeira casa da Suíça. Moldou nossa vida aqui, nossa integração, foi pano de fundo pra consolidação fortíssima da união de um casal que havia se casado só há poucos meses. Mas eu quis me mudar pra Zurich, eu convenci o marido que valia a pena, e eu recebo confirmações constantes de que fizemos a escolha certa. 2022 foi nosso primeiro ano aqui sem restrições pandemicas, e foi o ano em que vimos Zurich em todo seu potencial. É uma cidade INCRÍVEL pra se morar, em qualquer época do ano. É vibrante, é aconchegante, é pequena mas é grande, é low profile mas te permite ser extravagente, e é belíssima. Não foi uma nem duas vezes que, andando por aí, apertei a mão do bofe bem forte e a gente se olhou como quem sabe que está exatamente onde deveria estar.  


E pra fechar, fica aqui uma pequena retrospectiva em belas imagens desse ano, que não foi feito de metas, mas foi feito de vida, alegrias, viagens incríveis, muito trabalho, amigos FODAS, momentos difícis, muita diversão, muita lágrima, e muito amor! Cheers to 2023!


JANEIRO: Curtindo o inverno e a neve, depois de começar o ano no calor do Brasil



FEVEREIRO: Entre subidas pra montanha, e stress no trabalho, achamos tempo pra ir comemorar o aniversário de marido em Freiburg, na Alemanha


MARÇO: reembalando nas viagens mais distantes depois da pandemia, fomos conhecer o Porto, num dos fins de semana mais legais do ano


ABRIL: Abrimos o que eu chamei o nosso ano francês com uma viagem para a região de Champange


MAIO: Finalmente voltei a Berlin, que uma vez foi minha cidade favorita no mundo. E depois tivemos dias muito felizes com a visita do meu irmão, minha cunhada e sobrinha mais fofa do mundo



JUNHO: O verão pegando fogo em Zurich, e eu recebendo várias amigas queridas aqui em casa. Foi o mês de casa cheia e coração preenchido


JULHO: Começamos o mês visitando Dubrovinik, uma viagem agendada em 2019 rs, e terminamos mais uma vez em território francês, na belíssima Lyon



AGOSTO: mês de férias, de reencontro com mey baby, de passear por Paris, pela Normandia, de ir pra festival, de curtir muito o verão antes dele fugir


SETEMBRO: Um fim de semana na Suíça francesa


OUTUBRO: Férias pelo norte da Itália



NOVEMBRO: Começando o inverno em cima dos alpes, e no aconchego do lar



DEZEMBRO: entre tantas festas, confraternizações e alegrias de fim de ano, fomos recarregar as baterias primeiro no meio da neve, e depois na praia 




08/12: Agosto

Agosto começou com férias, sol, calor e Paris, e vai terminando com aquele feeling de reta final do ano, que muito me assusta rs. Apesar das temperaturas ainda bem agradáveis, o outono ta querendo dar as caras aqui na Suíça, e essa pra mim é a pior parte. 

Começamos em Paris, encontrando nosso baby amado, que está muuuuito longe de ser um baby, e já é um pré adolescente. Passamos dias felizes em Paris, fomos conhecer a Normandia, pegamos praia, jogamos Uno, contamos histórias, brincamos muuuuito com Carlito, tivemos conversas filosóficas, sofremos pelo tempo que passa tão rápido quando estamos com ele. Foram dias muito felizes, e chegamos ao fim com a sensação de quero muito mais. Devo dizer que fizemos o que deu, já que a viagem dele era pra ter sido em julho, com muitos mais dias juntos, aqui em casa, etc. Imprevistos mil aconteceram, e a gente mudou nossos planos, e ficamos felizes de, apesar de tudo, poder passar tempo com ele. E é isso que importa. Criamos memórias e matamos saudades. Depois, com calma, volto pra contar dessa viagem, porque agora que contei de Lyon e lembrei como é bom fazer um relato detalhado, vou tentar fazer mais. 

Dias parisienses...


... e pelas praias de pedra da Normandia


Voltamos pra Zurich dia 10, numa viagem pancadão direto de Paris pra casa. 7h de estrada. Mas eu só voltei a trabalhar dia 15, então tivemos ai uns dias pra descansar, fazer uns rolês bacanas, e estreiar na Street Parade, um festival de música eletrônica que rola nas ruas de Zurich todo ano em agosto. Achei beeem vibes carnaval, com a galera coberta de glitter, descoberta de roupa e pudor rs. Todo mundo bem sem limites, subindo no poste, dançando pelado, ficando bebado, e jogando lixo no chão. Confesso que eu sempre gosto desses momentos de ver os suíços perdendo a linha um pouco.. humano, sabe? E me diverti bastante. Não sei se é um rolê pra fazer todo ano nessas alturas da vida, mas na nossa descoberta de Zurich além da pandemia, era uma experiência que queríamos viver. 
Street Parade nas ruas...

... e na água


A minha semana de volta ao trabalho foi meio sofrida rs. Normalmente eu volto das férias cheia de gás, vontade de fazer e acontecer, e dessa vez deu alguma pane na matrix. Passei uns dias desmotivada, e rezando pra ganhar na megasena. Acontece, e tudo bem passar uns dias de merda, né? O importante é não deixar a coisa tomar proporções muito grandes. Aos poucos eu voltei ao meu normal, e o trabalho engrenou legal. E fora do horário comercial tive um fim de semana de festa e agitação comemorando os 30 anos de dona Ana, um dia de voluntariado fazendo trabalho braçal no campo (para adicionar perspectiva, entre outras coisas, foi excelente), um festival de música, e por aí vai. Resumindo: eu não quero que o verão acabe, mas pelo bem da minha saúde talvez seja necessário rs. Que eu não sossego o facho faz é tempo. 
Celebrando...

... voluntariando...

... e festivalizando


E vamos de metas: 
- Ler dois livros por mês: e vamos de mais um mês de meta muito bem batidas. 

On the bright side: the new secret diary of Hendrik Groen - Em maio eu li o primeiro livro dessa sequência, e foi uma agradável surpresa. O diário de um personagem que vive numa casa de repouso nos arredores de Amsterdam. O segundo livro é tão lindo quanto o primeiro. Me apeguei demais aos personagens, chorei muito e ao finalzinho fiquei torcendo para que tenha mais um. São entradas diárias, que retratam a singeleza da vida, das amizades, dos momentos que importam, ... lindo. 

Malibu renasce, da Taylor Jenkins Reed: mais um novelão dramático, que você lê rapidinho porque é história cativante e tal, mas que me deixou meio whatever no final... e mais uma vez li em Português, e não recomendo essas traduções.

Cidadã de segunda classe, da Buchi Emecheta: INCRÍVEL. Mês passado eu li outro dela, e acabei ficando sedenta por mais. É um livro muito doloroso, ainda mais sabendo depois que é baseado na história da autora. Mas tão, TÃO importante... Sério, escritoras nigerianas são uma potência. O livro faz parte de uma sequência que ela depois nomeou como "Adah's story",  e eu quero ler os outros. 

Um outro adendo: percebi aqui que em Junho esqueci de documentar dois livros lidos, e são tão bons que não dá pra deixar de mencionar. Um é o M Train, da Patti Smith, e que eu li por recomendação da Alê. Obrigada, Alê. Esse livro é um abraço. Um livro pra saborear, pra ler devagar, que me fez pensar nos lugares que marcaram minha vida, nas pessoas de todo dia, no casaco que abraça a gente no inverno. Se o outono fosse um livro, ele seria esse <3 O outro foi A Cachorra, da Pilar Quintana. É um livro curtinho, e que tem muito pra dizer por meio de uma história singela. Sobretudo, acho que é um livro sobre maternidade, mas ser ser. Enfim, se alguém ler, volta aqui pra contar rs. 

- Fazer 12 hikes: em Agosto fizemos um hike que ta na minha lista há anos, em Stoos. É um ridge hike, você anda no topo de uma montanha, cercada de vistas de tirar o fôlego. Falando assim parece perigoso e doidera, mas não é. Tem bastante espaço, é super seguro, tinha criança fazendo. Mas eu achei bem difícil e requer um certo condicionamento físico. Enfim, vale a pena demais, e eu recomendo muito para quem quiser fazer um day trip e hike com vistas de cair o queijo (bem acessível de Zurich ou de Lucerna - eu linkei aqui um post que é do blog onde a gente pega muita dica de hike, e eles dão detalhes de como chegar até os lugares, é ótimo). 




- Conhecer um lugar novo em Zurich:
Sternen Grill, aparentemente uma instituição de Zurich. É uma versão suíça do que a gente chamaria de espetinho lá no Brasil rs. Tem as salsichas, linguiças varias, coisas fritas em geral. Você pega no balcão e come ou numa mesa, ou vai pra beira do lago. É delícia, preço bom, e ótimo pra quem ta fazendo um dia de turistagem pela cidade e quer comer algo local e barato. Recomendo muito a Wiediker, linguiça aqui de Zurich. 

- Viver uma vida mais saudável: não da pra dizer que estou super satisfeita com o desempenho em Agosto, mas fui bem ativa, fiz bastante exercício, e até voltei pra academia rs. 

Agosto acabou com os dias já ficando mais curtos, e comigo carregando um casaquinho ao sair de casa, porque de noite as temperaturas mais amenas estão dando as caras. O verão vai realmente ficando pra trás, e eu vou ficando é mais melancólica. Mas não tenho do que reclamar: verão de 2022, você foi incrível!  


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