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Janeiro

Well well.. acho que não temos mais escapatória senão ver os meses voando enquanto os dias se arrastam. Eu nem acredito que 1/12 de 2021 passou enquanto nos aboletávamos em casa, vendo o comércio suíço fechar de novo em resposta à pandemia, vendo uma das maiores nevascas da historia de Zurich caindo pela janela, vendo a vida passar enquanto esperamos a vacina chegar. 


Começamos janeiro em Wengen (tal qual uma blogueirinha de respeito, fiz dois posts sobre a viagem. Pode dar uma olhada aqui e aqui), e dia 2 retornamos pra casa, eu me preparando para voltar ao trabalho. A primeira semana de volta foi bem tranquila, e deu tempo de organizar a cabeça, de me planejar para algumas coisas, e principalmente, começar o ano numa vibe take it easy. A vibe durou exatamente uma semana rs. Mas melhor que nada, né? 


Logo nos primeiros dias do ano também Zurich foi tomada por uma das maiores nevascas de sua história. A neve caiu ininterruptamente aqui no centro por quase 30 horas, gerando caos, bagunça e paisagens lindas! Foi impossível não passar um bom tempo olhando os flocos caindo pela janela, não começar todos os calls falando "você não acreditaaa na neve que ta aqui", e não tirar muitas fotos. Foram dias bem engraçados, vendo a criançada sendo puxada de trenó pela cidade, vendo uns tombos rs, e vendo todo mundo feliz. Zurich não recebeu neve nenhuma no último inverno, e as pessoas ficaram mesmo animadas! 






Um tour pelo nosso bairro na nevasca: eu e Carlito aproveitamos até!

Também num domingo - o primeiro ensolarado em MESES - aproveitamos e dirigimos até Bremgarten, uma cidade muito fofinha já no cantão de Aarau. A cidade é uma graça, quase uma mini Berna, cortada pelo Rio Reuss, com um casario antigo lindíssimo na beira da água, e ruazinhas charmosas cheia de lojinhas. O passeio foi gostosinho, mas foi curto. A Suíça voltou ao semi lockdown no inínio do mês: os restaurantes e bares já estavam fechados, mas agora fechou também o comércio não essencial. É possível comprar comida em esquema de takeaway, mas com o frio que estava fazendo - apesar do sol - depois de duas horas andando, bateu a vontade de sentar no quentinho, e no momento o único quentinho que tem é o de casa rs. Então voltamos embora. Bremgarten fica a 25 minutos do centro de Zurich, de carro, e é um ótimo passeio de domingo. Eu espero voltar em breve num dia mais quente e em que a gente possa sentar nos terraços de restaurantes que eu vi por lá. Também sei que a cidade tem um mercado de Natal lindo, e espero estar livre para conhecer ao final desse ano :) 


Bremgarten fofinha


E além dos passeios e da vida, janeiro também foi o momento de botar os "planos" de 2021 pra jogo. Correr atrás das mudanças que queremos ver, dos objetivos que a gente coloca. Os meus, eu estabeleci aqui. E aí, qualé o balanço desse mês? 


- Cuidar mais do meu corpo e da minha saúde: estou indo bem. Demorei a engrenar nos exercícios, mas tenho feito regularmente - hoje até corri! - , e principalmente, comendo melhor. Perdi um pouquinho de peso, o que é bom porque motiva, mas acho que to no caminho pra criar melhores hábitos, que é o principal pra mim. A acompanhar. 

 - Ler um livro por mês: li o maravilhoso Torto Arado, que merece todo o hype que tem em volta nesse momento. Livro brasileiro bom, gostoso, que te prende, que te tira o fôlego em alguns momentos. Devorei em poucos dias. Comecei o "Elite do Atraso", também livro brasileiro bem indicado. A leitura dele ta mais devagar, porque é mais academico, e mais "chato", embora extremamente necessário. 

- Ser menos procrastinadora: taí um trem difícil rs... mas to me saindo OK por enquanto, e estou melhor que ano passado, sem dúvidas.

- No quesito girls trip e novos cantões suíços, nota 0 pra evolução rs. 


Mas é isso... janeiro começou belo e auspicioso. Que assim sigamos! 

O agosto mais rápido da história

Acho que já rolou piada de monte internet afora de como, nesse ano tão atípico, até agosto passou rápido rs. A real é que passou rápido mesmo, e eu desconfio que ter passado 1/3 do mês em férias contribuiu pra isso. Mas foi um mês muito gostoso de verão, sol e calor nessa Suíça, com a vida ainda normalizada apesar do corona. 

Eu contei aqui um pouco dos nossos dias no Ticino, que foram pura delícia. Mas chegando de volta em Zurich ainda tinha férias sobrando, e  a gente ainda ta com aquele olhar de morador novo, então fomos aproveitar a cidade e arredores, explorar cantos desconhecidos. Um dos programas mais legais que fizemos foi subir a Uetliberg, a montanha que tem aqui na cidade. É um programa bem tranquilo, e da pra chegar lá em cima de trem ou a pé por várias trilhas. Nós subimos por uma trilha mais tranquila, bem sinuosa e por isso menos íngreme, e decemos por outra bem mais pauleira rs. O rolê todo durou umas 3 horas porque fomos beeem tranquilos, sem pressa. As vistas da Zurich pelo caminho são bem bonitas, e chegando lá no topo além de uma super vista da cidade e do lago, ainda é possível ver as montanhas do cantão de Zug. Eu recomendo muito a trilha, porque é fácil e uma das poucas coisas pra se fazer absolutamente de graça nessa Suíça rs. 

Subindo

As vistas pelo caminho

E lá em cima com o carneirinho cansado

Uma coisa que eu fiz acho que em todos os dias que o sol permitiu, foi ir pra beira da água. Uns dias no lago, uns dias no rio, mas todos os dias debaixo do sol. Agosto é um mês que se por um lado é puro verão e calor, tem aquela lembrança de que o fim está próximo e eu fico muito louca querendo aproveitar todo e qualquer raio de sol. 
A beira do lago em Enge, com as montanhas ao fundo. Uma das minhas áreas de banho favoritas aqui em Zurich

Para curtir nosso último dia de férias, um domingo super quente, pegamos o trem e fomos pra Rapperswil, uma vila super fofinha quase na outra ponta do lago de Zurich, já no cantão de St. Gallen. A nossa ideia era almoçar por lá, curtir na beira do lago e voltar de barco, mas acabamos desistindo do barco porque estava calor demais, e a viagem que dura 40 minutos de trem, leva 2h com o barco. Debaixo de 38 graus ia ser tenso. Combinamos de retomar esse plano no outono, com o sol menos a pino. Rapperswil tem um centro medieval muito bonito, e uma das atrações principais por lá é um castelo, hoje convertido no Museu Polonês (embora a cidade não tenha uma forte imigração polonesa, um dos últimos donos do castelo era de lá e construiu esse museu, que dizem ser bem legal, porém a gente não entrou). Outra coisa é um jardim de rosas. O dia estava tão, mas tão quente, que a gente meio que desencanou de tudo e foi direto se refrescar na água.
Os telhadinhos de Rapperswil


My happy place

Uma outra descoberta aqui em Zurich foi o Katzensee, um lago pequenino nos arredores da cidade. Fomos um dia para conhecer, porém não pudemos entrar na área de banho por conta de Carlito (nesse post aqui falo sobre os locais que aceitam cachorro ou não). A gente já sabia que ele não entraria na badi (os banhos públicos), mas fomos mesmo assim achando que ia rolar entrar no lago em outros pontos. A real é que não rolou rs... Na área da badi eles preencheram o lugar com grama, tem pedra no chão e é mais "limpo". Na área em que sentamos pra fazer picnic, embora a vista fossem bem agradável, o chão do lago era pura lama e eu não curto. Mas mesmo assim, valeu o passeio, e principalmente, porque foi a primeira vez que fizemos um rolê mais longo com Carlito na cestinha. Ele está super adaptado. 

A melhor idéia que tivemos: podemos continuar nossos rolês de bike e Carlito fica super confortável 

A única foto que fizemos no Katzensee

Nesse dia, na volta do lago (que é uma pedalada de mais ou menos 40 minutos até a área central de Zurich), achamos um pop up bar muito legal, o Guggach Gärtli. O bar fica numa área enorme que está aguardando permissão para ser construída. Eles montaram vários food trucks de restaurantes e bares queridos da cidade por lá, e as pessoas ficam espalhadas numa vibe bier garten, tudo aberto. Acabamos indo lá mais uma vez depois disso, mas o pop up teve sua última noite ontem. Alias, essa é uma dica: ficar de olho nesses pop ups, a Suíça adora. No verão tem muito, quase sempre em lugares abertos, pra sentar pra fora e tal. Mas no inverno também tem, as vezes com foco no vinho quente e fondue :) 

No último fim de semana do mês, o nosso plano era ir para Zermatt, uma das vilas alpinas mais icônicas da Suíça, com o Matterhorn (a montanha do Toblerone rs) enfeitando a paisagem. Tem umas trilhas por lá que queremos fazer há anos (não sei se contei aqui, mas fomos pra lá uma vez no fim de abril crente que íamos fazer as trilhas e a neve ainda estava com mais de 2 metros de altura rs), e a idéia era ir antes do inverno chegar. Mas o fim de semana chegou com uma frente fria daquelas, com muita chuva na Suíça inteira, e pasmem, neve em algumas partes de Zermatt. Cancelamos tudo, e ficamos curtindo a chuva em casa. Pelo menos um plano de 2020 que não foi cancelado pelo vírus maldito hahaha

Agosto, além de sol e calor, veio também com o tal do novo normal, do qual tanto se fala mas que ninguém sabe bem o que é. Pra mim, o novo normal é voltar a ir ao escritório duas vezes por semana, num plano que deve se manter pelo menos até o fim do ano. Mati começou seu emprego novo aqui na região de Zurich, e ele está dando aulas presenciais, ou seja, vai pro trabalho todos os dias. E com a nossa vida profissional esquematizada, o novo normal também incluia encontrar boas soluções para Carlito nesses dias que estou fora de casa. Ele começou a ir numa "creche" às terças, uma fazenda onde ele brinca com uns 15 cachorros. Às quintas ele passa o dia em casa, e uma amiga querida vem fazer as vezes de pet sitter e anda com ele na hora do almoço. Deu tudo certo, está dando.
Um dia normal na Maison Milan Reynolds

E assim vamos indo: olhando o copo meio cheio. Os passeios feitos, os dias ensolarados, as pequenas vitórias. Tem coisa ruim aí no meio? Sempre tem. Mas eu tenho tentado focar no que há de bom, porque esse ano não tem sido fácil. Então assim seguimos... que setembro seja gentil e que o outono venha bem mansinho pra eu não assustar. 

Cycle Chic

Eu nasci e cresci em Pariquera-Açu, interior de SP. Lá, ter uma bicicleta é (ou era, no meu tempo), ter liberdade. Bicicleta era um meio de locomoção como outro qualquer, e eu vivia em cima da minha: pra ir brincar na casa de amigos, ir às aulas de jazz, inglês, kumon, piano, ir ao mercado, ir pra todo lugar. Então quando me mudei pra SP e fazer tudo de bicicleta não era possível, eu meio que esqueci dela. E eu nunca me animava quando amigas me chamavam pra "andar de bicicleta no parque". Sei lá, pra mim andar de bicicleta nunca foi uma atividade em si. Era pra me levar do ponto A ao B. E justamente por isso, pra mim nunca existiu isso de usar roupa de ciclista. Simplesmente porque, sendo a bike um meio de transporte, eu me vestia para onde estava indo, e a bike era só o veículo. 

Corta pra 2012. Eu já estava andando com as bikes do Itaú nos finais de semana, para ir no cinema na Paulista, encontrar amigos em Moema. Um dia eu estava na ciclovia da Faria Lima, de saia e rasteira. Passou uma ciclista toda paramentada e num semáforo vermelho que estávamos as duas paradas ela me deu um pito: você não está vestida direito, se sofrer um acidente se machuca toda. E eu só mandei ela cuidar da vida dela e fui embora pensando será que agora só é possível pedalar pronto pra participar de corrida olímpica? Eis que um belo dia, andando pela Livriaria da Vila, eu me deparei com um livro de fotografias: Cycle Chic. 

Comprei na hora, voltei pra casa e fui atrás do blog. Devorei o livro, o blog, e tudo mais em poucas horas: eu tinha achado minha turma, e tava empolgadíssima rs. O movimento "Cycle Chic" foi fundado por um dinamarquês em 2008, falando exatamente isso, sobre como a bicicleta é o veículo. Eles tinham até um manifesto (!!!):

- I choose to cycle chic and, at every opportunity, I will choose Style over Speed.

- I embrace my responsibility to contribute visually to a more aesthetically pleasing urban landscape.

- I am aware that my mere presence in said urban landscape will inspire others without me being labelled as a 'bicycle activist'.

- I will ride with grace, elegance and dignity.

- I will choose a bicycle that reflects my personality and style.

- I will, however, regard my bicycle as transport and as a mere supplement to my own personal style. Allowing my bike to upstage me is unacceptable.

- I will endeavor to ensure that the total value of my clothes always exceeds that of my bicycle.

- I will accessorize in accordance with the standards of a bicycle culture and acquire, where possible, a chain guard, kickstand, skirt guard, fenders, bell and basket.

- I will respect the traffic laws.

- I will refrain from wearing and owning any form of 'cycle wear'. 

Alguns desses itens eu acho meio engraçados (e entendo também que em algumas cidades tem regras que demandam uma outra postura), mas eu me identifiquei demais com o 6o item: eu vou considerar a minha bicicleta meio meio de transporte e um suplemento ao meu estilo. Enquanto eu lia o livro, e via as cidades em que eles fotografaram, é claro que eu lembrei que as grandes metrópoles brasileiras não são receptivas para com bicicleta e o ciclista. Acho que tinha uma ou duas fotos na orla do Rio, e só. Mas mesmo assim, lembro que desde aquele dia, eu voltei a me sentir menos ET quando andava de bike com SP de saia, e até salto rs. 
De saia e na bicicletinha, indo pro encontro das migues
Desde que mudamos pra Suíça, a bicicleta voltou com tudo pra minha vida. Eu uso a bicicleta como meio de transporte mesmo, e inclusive por três anos aqui, nós nem tivemos carro. Além de ir pra escola, pra casa de amigos, pra bares, happy hours, pra balada, já até carreguei móveis na bicicleta. Verão passado levei uma bike pra Zurich, e comecei a fazer o trajeto entre a estação e o escritório na magrela, o que me rendeu uns belíssimos looks rs. 

Enfim, esse blog não é de moda, é sobre minha vida. Mas eu ontem tava folheando esse livro de novo, e me senti mais uma vez super inspirada, e quis dividir essa inspiração. Resolvi dar uma passada no rolo de câmera e achei umas fotos legais de dias em que eu tava chic na bike, e quis registrar aqui. Mas recomendo super dar uma olhada no blog, e além de ver uns belos looks, viajar por cidades super bike friendly.

E uma das minhas fotos favoritas <3

E abrindo o post, uma foto minha cycling chic em Copenhagen, a cidade onde tudo começou :) 

A vida em quarentena

Já falei aqui como vai a minha vida na Suíça. A real é que eu não moro no pior lugar para se estar nesse momento: embora a Suíça tenha um número bem altos de infectados, a situação aqui na parte alemã nunca saiu de controle e não tivemos restrições completas. É possível sair de casa pra fazer um exercício físico, fazer compras nos mercados, pedalar, as estradas não estão bloqueadas. A gente tem saído no geral uma vez por dia para pedalar ou dirigir, e isso tem me mantido muito bem. O tempo primaveril incrível também ajuda: as temperaturas estão passando dos 20 graus, os dias estão ensolarados e lindos, e assim fica mais fácil manter a sanidade. 

Eu não entrei numa nóia de ser produtiva, de fazer e acontecer nesse período. Mas busquei encontrar coisas que me me façam sentir bem, e se possível, que ajudem esse tempo a passar mais rápido. And here we go: 

* A cozinha tem sido uma bela distração. Fiz alguns bolos, variei receitas, tentei coisas novas, e me divirto bastante. As vezes eu simplesmente não to afim, tipo agora de noite, que eu simplesmente não estava afim de cozinhar, e o bofe tomou a frente da coisa. Ele cozinha melhor do que eu, mas eu tenho tido mais vontade de encarar o fogão. Algumas das experiências: 
Avocado Toast

E esse bolo de banana que ficou mára <3 
* Não é novidade que eu sou meio gastona, e um tanto quando chegada em roupas e fashion items em geral. Nessa quarentena no entanto eu percebi o tanto que eu negligenciei pijamas, lingerie e roupa de ginástica na última década hahaha. Eu ainda estava usando uns pijamas de 2009, e percebi que a última vez que comprei soutien foi em 2014, aém de estar usando camiseta de brinde pra correr. Aproveitei esse tempo para fazer uma limpa. Joguei fora meias e calcinhas velhas, pijamas esgarçados, camisetas com buracos. Acabei também comprando algumas coisas online. Para quem está aqui na Suíça, eu recomendo muito o Zalando. Comprei pela primeira vez na Manor (está com uma promoção babado), mas ainda não chegou então depois conto sobre a experiência. 

* Voltei a fazer aula de alemão, agora online. Eu parei de fazer alemão há dois anos, quando comecei a fazer um curso na Universidade. O curso era caro, e eu não conseguia ficar pagando as duas coisas. Também, estava bem de saco cheio da escola, não gostava da turma. Alguns meses depois eu comecei a trabalhar e em Zurich, então voltar pras aulas saiu de questão. Tinha os planos de voltar pras aulas quando mudássemos pra Zurich, mas depois de um mês de quarentena, resolvi antecipar. Não ta sendo fácil.. depois de bastante tempo parada, meu vocabulário está bem capenga. Mas estou feliz de estar de volta :) 

* Eu tinha imaginado passar meus últimos meses em Berna retornando a lugares queridos, curtindo a cidade, visitando lugares que ainda não conheço, comendo nos restaurantes que eu gosto. Por enquanto, esse plano está on hold. Mas para dar uma força pro comércio local, e aproveitar um pouco dessas coisas daqui que a gente adora, temos pedido delivery uma vez por semana. Assim comemos algo diferente, e de quebra eu "mato a saudade" de alguns lugares que a gente gosta aqui. O destaque por enquanto ficou com o hamburguer to The Butcher, que chegou aqui muito maravilhoso e nem parecia que tinha viajado na garupa de uma bicicleta. Mas o melhor: pudemos ticar alguns itens dos nossos lugares para conhecer em Berna que não são, por assim dizer, pontos turísticos. Um deles é um prédio residencial que tem uma arquitetura moderna, e é todo verde de plantas por fora. Como ainda estava frio, quando fomos o verde não estava lá e as fotos não ficaram muito boas. A foto abaixo é do site do escritório de arquitetura responsável. Eu descobri sobre esse prédio lendo um artigo do Buzzfeed sobre prédios de design, e fiquei passada que tinha um em Berna e eu nunca nem tinha ouvido falar.
Foto por Bucher Bründler Architekten
Também pedalamos até o aeroporto da cidade. Acho que já comentei aqui que nesses anos a gente nunca usou esse aeroporto, porque ele é bem pequeno e limitado, e quase não tem voos comerciais (e por isso, os poucos que tem são caros). Desde que a pandemia começou a tomar força, está inclusive fechado. O aeroporto fica na beira do rio, e mais parece uma rodoviária rs. Estamos indo embora sem nunca ter entrado em seu micro terminal. Mas foi interessante ver onde fica, e a rusticidade do aeroporto da capital da Suíça.
Descobrindo Berna, ainda
* E em meio a essa loucura coronática, eu fiz 34 anos. Definitivamente não foi o aniversário que sonhei, mas não me queixo. Foi um dia muito ensolarado, e pela primeira vez pude colocar os pezinhos pra fora das meias e botas. Comecei meu dia com um pão de queijo, e terminei com churrasco e caipirinha. Dancei funk na sacada, recebi ligação dos amigos queridos, chorei as 3h da madrugada com vídeo surpresa, e fui dormir agradecendo todo o amor que recebi, que recebo, a saúde dos meus, e o cara incrível que ta dividindo mais essa comigo.
Pão de queijo
Uma foto ruim mas que tem muita coisa boa envolvida
E nós <3
E assim seguimos. Aqui na Suíça a previsão é que a partir do dia 26 de abril, eles comecem a afrouxar o confinamento. Os casos de corona vem caindo, mas somente em umas 10 ou 15 dias veremos se os esforços do governo em manter as pessoas em distanciamento social mesmo com o tempo bom terão surtido efeito. Se sim, prevejo que teremos verão. E tem tudo pra ser o melhor da vida <3 

Februar

Se janeiro foi um mês arrastado, fevereiro voou. Entre dias corridos de trabalho, dias longos de férias, o mês passou e eu mal percebi. Vamos a mais um resumão de como vai a vida rs. 

Lenk
Começamos o mês em Lenk, uma cidade alpina aqui nas montanhas do cantão de Berna. Lenk oferece muitas opções pra quem ta querendo dar uma escapada da realidade: tem boas montanhas pra esquiar, fica em cima de águas termais, e tem muita natureza. É também um lugar popular entre os suíços do cantão de Berna, mas nem tanto com os turistas gringos, o que significa preços mais convidativos. De Berna até Lenk com o transporte público é coisa de 1:40, pegando um trem direto até Zweisimmen e lá trocando pra Lenk. Fomos com um amigo, na idéia de dar uma esquiada, e também curtir um fim de semana diferente. O tempo não ajudou muito: as temperaturas não estavam muito baixa, e em vez de nevar, estava chovendo nas montanhas. Mas conseguimos esquiar e aproveitar! Ficamos num hotel com águas termais, e deu pra relaxar. Um ótimo lugar pra uma pequena escapada de fim de semana! 
Quem vê a pose não imagina os tombos, mas enfim, ta bonita né?
A tortura do banheiro
Como nem só de neve se vive o ser humano, estamos há um mês sem chuveiro em casa. Rolou um vazamento no banheiro, e na hora de arrumar, a coisa mostrou-se muito pior do que se imaginava. Resumindo: tiraram a banheira, o chão, a parede. O que era pra durar 15 dias já dura um mês, e se deus quiser, se resolverá em mais 15 dias. Estamos tomando banho num apartamento vazio aqui do prédio, a casa está uma bagunça, cheia de poeira, com pedreiro andando aqui o dia inteiro. Sério, uma merda! E o pior foi ver como o "perfeccionismo" Suíço é ineficiente rs. Eu aposto dinheiro que no Brasil uma dupla de pedreiros tinha resolvido esse banheiro em 5 dias. Mas aqui é uma empresa que cuida do piso, outra da parede, outra do cano, outra da secagem do cano, outra de não sei o que... Resumindo, é um entra e sai de 10 pessoas aqui todo santo dia, e no fim, nada se resolve rs. A conferir o fim dessa novela. 
O banheiro ta nessa situation, é mole?!
Trois Vallees
Ano passado fomos esquiar na França e gostamos muito, então esse ano resolvemos repetir. Procurando opções de hospedagem (no post do ano passado contei que ficamos em Meribel, mas que não gostei do hotel), encontramos algo melhor em Courchevel. Fomos e pegamos dias muito bons. Foi uma delícia, e eu confirmo que é a melhor região pra esquiar pra quem não é super desenvolto no esporte (pra quem é também deve ser, mas não posso opinar rs). Em um dos dias lá, esquiamos 32 km só de pista azul. Isso é impensável na Suíça. Então vale muitooo a pena! 


Quero mais nada da vida não...
MASSS.. um porém. Eu preferi me hospedar em Meribel do que Courchevel. Meribel é bem pé no chão, e embora seja uma cidade alpina de esqui, ainda é bem despretenciosa e descomplicada. Galera andando vestida de esportista, restaurantes sem grande afetação, etc. Courchevel é O lugar da badalação, de ver e ser visto. Só olhar no instagram, e ver que tudo que é blogueira famosa ta por lá. Num dias dias sentamos numa mesa ao lado do David Guetta no bar da montanha. E se tem gente que adora essas coisas, pra mim é curioso e divertido até a página dois. Me dá preguiça ter que sair toda emperequetada pra jantar depois de passar o dia esquiando, na maior friaca. Alias, a galera se monta MUITO pra esquiar, rs... E aí pra me dar mais preguiça, porque tudo bomba muito, os restaurantes todos precisam ser reservados com antecedência, coisa que eu não gosto de fazer em viagem rs. Resumindo: voltaremos? Sim, mas pra nossa querida Meribel :) 

O inverno que era pra ter sido e não foi
Fevereiro coroou um inverno assustador. Por aqui, pela primeira vez, tivemos um inverno praticamente sem neve. Em dezembro tivemos uma neve que durou 45 minutos, super fraquinha. E até poucos dias atrás, tinha sido a única. As temperaturas estão muito altas pra época do ano, e a gente vê as flores brotando por aí, como se primavera fosse. Acho que eu nunca senti tanto medo dos efeitos do aquecimento global como nesse inverno. Vimos estações de esqui que não conseguiram abrir por falta de neve - e levando famílias cuja renda vem de restaurantes na montanha, de dar aulas de esqui, etc, passarem muito aperto. Vimos as geleiras registrarem um nível super baixo em pleno inverno. É muito preocupante. Essa semana que passou, finalmente, caiu uma neve como o inverno suíço pede. No momento, no entanto, faz 12 graus. 
A primeira, e única, neve de 2020
Em busca da casa perfeita
Esse mês também entregamos a carta de aviso prévio do apartamento em Berna. No mais tardar, mudamos daqui 31 de maio. Mas agora começa a pressão pra encontrar um lugar pra morar rs. Nesse mês visitei vários apartamentos, andei por muitos bairros, mas ainda não senti o coração bater mais forte rs. Não vai ser fácil substituir uma varanda com uma vista dessa, né? 

O corona
Em fevereiro também a conversa sobre corona vírus intensificou. Com a explosão de casos na Italia, a Suíça entrou em alerta máximo. E dada a proximidade dos países, não demorou a pipocar casos aqui. No momento são mais de 20 casos confirmados, e mais de 100 pessoas em quarentena. Começou a rolar um certo pânico na galera, e já vi prateleiras vazias no mercado. A minha empresa suspendeu todas as viagens internacionais, e cancelou todos os eventos. Pra mim foi um banho de água fria, porque eu tinha uma viagem MUITO legal a trabalho, e melou tudo. Eu, particularmente, não estou muito preocupada. É uma gripe. Mas tem sido curioso estar vivendo uma situação como essa tão de perto. 

E isso foi mas ou menos o meu fevereiro: trabalhar, esquiar, passear, passar raiva, sentir medo e explorar, tudo rodeada de belíssimas paisagens haha. Vamos ver o que março me reserva!

Janeirão

Eu resolvi que esse ano eu vou fazer resumo mês a mês aqui. Assim, se nada mais acontecer nesse blog, pelo menos as memórias ficam em dia rs. E foi só ontem, dia 5 de fevereiro, que eu me dei conta que o primeiro mês do ano já acabou, e que se janeiro se arrastou, fevereiro ta voando. Comecei Janeiro na Bahia, e foi a melhor coisa que eu fiz. Inclusive já falei da viagem com mais detalhe aqui. Mas ai tudo que é bom acaba, e eu voltei pra realidade gelada da Suíça, e logo comecei a trabalhar. 
Look trabalho em dia frio e cinza
E se por um lado tudo se resumiu a entrar no fuso, lavar roupa suja, se recuperar de doença, por outro teve uns belíssimos momentos. Tipo esse domingo aqui, que fomos até Brienz num dia beeem ensolarado. Eu adoro Brienz! É uma cidade bem pequena, no finzinho do cantão de Berna. Acho que já falei dela em outro post do blog. Basicamente o que eles tem é o lago, mas QUE LAGO! É azul demais, rodeado de montanhas lindas, chalés charmosos! Tem uma promenade que só de andar ali repõe minha energia, e de quebra tem uns restaurantes onde é gostoso sentar no terraço e aproveitar o sol. E a estrada pra ir de Berna pra lé cheia de paisagens, então eu curto muito, e pra mim é sempre uma opção pra sair de casa no domingo. 

Em janeiro também fui tirar o pó dos esquis, e fui descer a primeira montanha do ano. Eu gosto de fazer aula nessa primeira esquiada, que é pra dar uma lembrada na tecnica e reganhar confiança. Essa coisa de aprender um esporte nessas alturas da vida é tenso, porque mais que do corpo, você precisa da cooperação da mente rs. A minha trava de medo as vezes. Então começar a temporada com aula é sempre uma ajuda pra mim, e eu devo dizer que eu dei um super salto na performance rs. Acho que, no meu quarto inverno, finalmente posso dizer que sei esquiar.

E por fim, o mês acabou com um dia bem ensolarado de home office, que é mais um dos privilégios que eu tenho. Em Janeiro tivemos uma grande conquista, e com ela vem mais uma mudança: no verão, depois de quatro anos, iremos embora de Berna. E mesmo com meses pela frente, eu já estou sentindo saudades desse lar, que é, de longe, o lugar mais bonito onde já morei. Nem fui, mas já sou só saudades!
O home office mais bonito <3
Eu espero aparecer aqui logo, mas caso não aconteça, até o resumo de Fevereiro rs!

Outubro

Outubro foi um mês de finais de semana muito legais, apesar do tempo começando a esfriar, dos dias a diminuir, do trabalho a me matar de segunda à sexta haha. A gente tem que focar no lado bom, né? E teve muito lado bom! Voilà. 

Wasen, Stuttgart
No primeiro fim de semana do mês caiu no nosso colo um convite meio de última hora para ir na Wasen, uma festa igual ao Oktoberfest (cujo nome oficial é Wisen!), só que em Stuttgart. Estava tudo organizado, mesa reservada, a gente só tinha que pagar, vestir o traje típico e ir. Why not?! Claro que fomos. Stuttgart fica há  três horas de carro daqui, mas pegamos um pouco de trânsito, então chegamos lá bem tarde na sexta-feira e não fizemos nada. No sábado demos uma voltinha pela cidade, mas estava bem chuvoso, um dia não muito propício pra bater perna. Mesmo assim, aproveitamos pra passar nas áreas principais da cidade e ir na Biblioteca Municipal, que tem um design lindo, e que pra mim foi o ponto alto do turismo lá. Da vontade de passar o dia lá lendo e descobrindo as mil sessões dos mais varios temas, o acervo deles é incrível, cada quadro pendurado é maravilhoso, e o tempo lá dentro nem passa, maravilhosa! Tirando ela, não morri de amores pelo que vi de Stuttgart, e acho pouco provável que a gente volte lá pra fazer turismo. Alguém aí já foi e tem outra opinião?
Olha esse lugar <3
Depois da cultura, foi a enfiação de pé na jaca. Essas festas estilo Oktoberfest é uma mistura de muita cerveja com parque de diversões, basicamente haha. Fora das tendas você tem parques, e dentro é música, cerveja e salsicha, em resumo. Se eu acho imperdível? Na minha idade, não hahaha Acho que uns dez anos atrás eu ia querer ir várias noites seguidas. Mas acho que ainda vale a experiência uma vez na vida. Estávamos lá com um grupo grande, a gente é animado, subiu na mesa e nunca mais desceu. Foi bem divertido! 
Possivelmente a única foto publicável da noite
Desvirtualizando na Holanda
Quatro dias depois, ainda me recuperando da ressaca, me enfiei num avião e fui para Amsterdam. Passei dois dias com uma amiga querida da faculdade, pude conhecer sua baby, relaxamos num spa, e curtimos sua casa nova. Apesar da chuva que não deu um minuto de trégua, foi uma delícia. E aí, da casa dela segui para um fim de semana desvirtualizando gente querida que conheci por essa internet. Eu já tinha conhecido a Taís pessoalmente em São Paulo, antes de me mudar para a Suíça. A Alê eu conheci aqui em Berna, numa passagem dela pela Suíça. A Ana e a Paula encontrei pessoalmente pela primeira vez. Quero fazer um post especial sobre esse momento, e falar só disso: de como você encontra pela rede gente que só o acaso, a vida e a geografia não te permitiriam encontrar, e como isso é legal demais! 
Ale, Taís, Paula e Ana <3
Além de passear por uma chuvosa Amsterdam, passamos um domingo outonal em Utrecht, e eu adorei muito a cidade! É uma Amsterdamzinha com zero turista dentro rs. Tem casinhas fofinhas, tem canais, tem cafés aconchegantes, tem ciclistas, mas não tem milhares de gentes se empilhando pela rua. Recomendo muitíssimo! Fica há cerca de meia hora de Amsterdam. Os trens saem praticamente de 20 em 20 minutos, e ida e volta custou 17 euros. 
Pelas ruas de Utrecht
É um não é uma Amsterdamzinha?
Keek, um dos cafés mais fofos em que já entrei (e com uns bolos muito bons!)

Outono chegando em Berna
Uma semana depois, uma amiga veio passar um dia comigo em Berna. Com essa história de viajar pra Zurich todos os dias e chegar em casa morta, fazia um bom tempo que eu não curtia uns dias em Berna, fazia turistagem na minha cidade, olhava seus cantinhos que tanto gosto. 
As folhas começando a mudar de cor, e o rio começando a baixar, mostrando seus bancos de areia (sinal de que a neve das montanhas já não está derretendo mais)
Minha vista favorita <2

Brienzer Rothonrn 
No fim de semana passado acordamos num sábado super ensolarado e pegamos o carro em direção a Brienz. Brienz é uma cidade que fica ainda no Cantão de Berna, mas já na divisa com Obwalden. É bem roça suíça, rs. É "famosa" pelo lago muito lindo, rodeado de montanhas, e de uma água turqueza incrível! 
O dia estava muito gostoso, e resolvemos pegar a maria fumaça para subir o Rothorn, uma das montanhas da região. Esse tremzinho só funciona entre abril e outubro, e ainda assim, nesse último fim de semana do mês já não vai mais até o topo, mas somente até a middle station, Planalp. Uma opção legal é subir de trem, e descer a pé. A trilha não é difícil, e dura umas duas horas. A gente não fez porque Mati tinha um jogo de volei no dia seguinte e não queria cansar. Uma outra opção para explorar o Rothorn é subir com a gôndola, que sai de Sorenber e funciona o ano inteiro. 
A Maria Fumaça, não muito eco friendly, mas bonitinha
O caminho entre a cidade e Planalp leva meia hora, e a vista é essa belezura aí
Vale a pena demais!
Berghaus mais fofa
E um Bernese em seu habitat
Brienz fica a uma hora e meia de Berna, e somente a 20 minutos de Interlaken, para quem está na área. Para mais informações de horários e preços, aqui estão os sites: maria fumaça e gôndola. Interlaken, alias, fica entre os lagos de Thun e Brienz, e é uma das vilas famosas da Suíça. A gente encerrou o dia passeando por ela, que é bem badalada e cheia de turistas. 
Jungfrau, uma das montanhas mais famosas da Suíça, vista de Interlaken
Escrever esse post me fez ver que entre dias caóticos e cansativos, outubro foi bom demais! Encontrar amigos, curtir a natureza, dormir até mais tarde, ver beleza em nossa cidade, conhecer lugares novos e enfiar o pé na jaca de vez em quando, são os prazeres que a gente pode se dar quando a rotina parece estar massacrando. E eu sei que sou privilegiada demais, mas ainda assim, sou gente e tenho aqueles momentos de reclamar da vida, né?! Normal. Mas vendo assim, escrito, o tanto de coisa legal que eu fiz em um mês, fica mais fácil colocar as coisas em perspectiva e perceber que o saldo é muito, mas muuuito positivo! Que assim continue sendo. Bom novembro pra vocês!

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