Seis meses

A maternidade é mesmo uma sequencia de clichês, e talvez o maior e mais verdadeiro deles seja que os dias passam devagar, mas os meses e anos passam muito depressa. E assim, entre dias de 50 horas, parece que os primeiros seis meses do meu bebê passaram num piscar de olhos. E cá estou eu pra, mais uma vez, tentar eternizar em palavras os sentimentos mil que me invadiram nesse tempo. 


A chegada do Dominic ao mundo foi cheia de amor, suas primeiras semanas foram a tal bolha sobre a qual escrevi aqui. E quando ele fez duas semanas, meu marido voltou a trabalhar e eu me vi sozinha em casa com um recém-nascido. Eu senti um pavor imenso, de não ser capaz de manter aquele nenê tão indefeso, tão frágil, vivo e seguro. Aquelas foram as duas semanas mais longas que eu já vivi... eu estava ainda numa neblina emocional muito grande, chorava muito, agarrada naquele pacotinho, e eu mal lembro como passamos nossos dias. Lembro de ficar com ele no colo, parada diante da minha janela, vendo o ponto de ônibus que tem aqui em frente encher e esvaziar, o dia quase inteiro. Mas entre mamadas, fraldas e e partidas do ônibus, sobrevivemos, e então Mati entrou de férias e eu voltei a ter companhia em casa. E quando a semana de folga dele estava chegando ao fim, a minha mãe chegou pra passar um mês aqui comigo. 


O cantinho onde eu passei praticamente a minha licença inteira, desse jeitinho rs

Uma das primeiras vezes que saí com Dominic no canguru, sem saber que seria onde ele tiraria todas as suas sonecas da vida até aqui rs


Foi um mês muito, muito especial, e eu sei que até o fim da vida, lembrarei desse mês com o maior carinho do mundo. Minha mãe chegou aqui num momento muito crítico, quando as cólicas, gases e desconfortos do Dominic tiveram um pico. Ele chorou, praticamente non stop, da sua terceira à oitava semanas de vida. Quando a minha mãe chegou a gente estava penando com ele já há umas 2 semanas, e estávamos exaustos, nervosos, inseguros, atrapalhados, sem saber o que fazer, tentando tudo, e eu me sentindo um fracasso de mãe. Ela cuidou da gente, nutriu, me fez companhia, cantava, acalmava meu bebê como naquele momento eu não conseguia, e deixou nossos dias muito mais leves. Passamos esse mês passeando por Zurich, nos aventurando com Domi no carro e no carrinho (puro desastre), passeando com Carlito, as vezes se bicando, mas sempre dando muita risada, e completamente vidradas vendo o Dominic crescer diante dos nossos olhos. No seu último fim de semana aqui, eu e bofe conseguimos até sair pra um date night, que foram duas horas de oásis no meio da loucura que é a rotina com um recém nascido. 


Minha mãe me fazendo companhia e empurrando carrinho vazio...

... enquanto eu carregava nosso pacotinho

Ao final da oitava semana do Domi os desconfortos foram cedendo, e ele passou a sorrir cada vez mais e mais, a chorar menos e menos. E então a minha mãe foi embora, e quem chorou pencas fui eu. Tive quase que um puerpério 2.0 com a partida dela, e o reencontro com a solidão que é a licença maternidade. Mas depois de uns dias bem borocoxô, eu aproveitei que Domi estava entrando numa rotina mais previsível, e num humor mais social, e comecei a me aventurar para encontrar amigas em cafés e restaurantes. Também comecei a tirar algumas horinhas para mim quando o Matt voltava pra casa.. ia fazer massagem, exercícios, fazer vários nadas. 


Começando a curtir os dias fora...


Em abril eu fiz 39 anos, e me senti a vontade para receber alguns poucos e bons em casa, cantar parabéns, matar saudade da casa cheia. Também nos aventuramos em nossa primeira viagem com o Dominic. Dirigimos até a região da Provença, na França, e foram dias muito, muito gostosos. De voltar a fazer algo que tanto gostamos, mas de um jeito novo. Nessa primeira viagem a gente deu umas barrigadas, mas também acertamos bastante. Estamos aprendendo com ele, em tudo, inclusive como viajar. Ter ido nessa viagem, mesmo com os perrengues (bebê chorando no carro, apartamento com piso que rangia muito e o acordava, cansaço, etc) me deu muita confiança. 



Conhecendo a região de Provença...


... e aprendendo a viajar num ritmo diferente

E se a viagem foi um grande milestone pra gente, em maio tivemos muitos pequenos momentos de conquistas e alegrias. Eu fui sozinha com Dominic para Berna passar o dia, sobrevivendo com muita dignidade ao role de trem e passeio pela cidade rs. Dominic tirou seu passaporte italiano, fechando seu último compromisso burocrático. Ele também aprendeu a rolar, de trás pra frente e de frente pra trás, passou a curtir andar no carrinho, foi no seu primeiro samba (e dormiu rs). Recebemos visita do meu irmão e sua família, e depois fomos encontra-los na França durante um feriado. Passeamos por Lausanne, nossa cidade favorita na Suíça francesa. E por último, mas muito importante: eu fui com amigos ao show da Mãeana, e me senti muito viva, me reencontrei comigo, dancei muito, tomei vinho, cantei bem alto, e passei 3 horas longe de casa, mas que me renovaram e preencheram, e me deixaram muito feliz. 


Meu primeiro dia das mães



O reencontro comigo no show da Mãeana


No fim de maio acabou a minha licença maternidade oficial, mas eu tirei férias durante o mês de junho (a política familiar da Suíça é das piores, se não a pior, da Europa rs, mas é assunto pra outro post). Foi um momento de começar a me acostumar com a idéia que meus dias inteiros com meu bebê estavam chegando ao fim. Nos preparamos para as férias, fomos para a California num novo grande milestone, que é uma viagem longa de avião. Apesar do jetlag, da situação política do nosso destino nesse momento, foi tudo bem, e passamos 15 dias felizes com a família, de descanso e aconchego. E assim, num piscar de olhos, na duração de um post de poucos parágrafos, meu bebê fez seis meses e eu voltei a trabalhar, encerrando um período único e muito especial da minha vida. 




O retorno da minha persona corporativa


Acompanhar o desenvolvimento, as mudanças diárias do Dominic tem sido um privilégio e uma delícia. Eu amo ver como, de pouquinho em pouquinho, ele vai adquirindo novas habilidades, vai aprendendo coisas, vai ficando cada dia mais fofo. Mas acompanhar as mudanças em mim tem sido igualmente interessante. Eu passei os primeiros meses completamente tensa. Tensa pelos medos, pela insegurança de ser responsável por um bebezinho, tensa pelas dificuldades que ele teve, de ter passado seus primeiros meses basicamente chorando, de eu não saber o que seria dele - e de mim - a cada vez que acordasse. Tensa por me sentir 100% tomada por uma nova vida, uma nova versão, e não saber direito como lidar com ela. E então eu fui, bem aos poucos, ficando mais confortável, sentindo a tensão diminuir, e começando a me encontrar. 


Uns meses atrás, antes do nascimento do Dominic, esse vídeo passou no meu instagram (não achei a versão do ig, e numa busca rápida achei ele no tik tok). Essa educadora celebrada nas redes fala sobre como lutar contra a maternidade pode dificultar o caminho, como é importante se entregar. Na época, mesmo grávida, eu achei interessante mas não pensei muito sobre. Mas andei refletindo muito sobre como, principalmente nos ultimos 3, 4 meses, eu deixei mesmo a maternidade me levar, e como isso ta me fazendo bem. Eu não sou aquela pessoa que se define como mãe, que precisa dizer antes de mais nada que é mãe do fulaninho, não é meu perfil, nunca foi. Mas nesse momento eu to bem em paz com as mudanças que a maternidade trouxe pra minha vida. Eu sinto sim saudade de ter tempo pra mim, acho cansativo que qualquer ida ao supermercado pode virar um grande evento de planejamento, mas eu tenho tido tranquilidade para, na tentativa e erro, buscar novas formas de me estruturar. Eu penso muito em como o meu bebê só vai ser pequenino assim uma vez, e isso me dá uma acalmada para viver o agora em todo o seu caos.


Nos meus momentos de angústia dos primeiros meses, lembro de sofrer porque Dominic não dormia no berço, porque chorava muito, porque só tirava sonecas no canguru, porque só queria colo, mamava o dia inteiro, porque eu sentia que não podia nem sentar num café, muito menos viver minha vida. Sentia inveja das mães passeando por aí com seus nenês a dormir tranquilos no carrinho. A fase de não poder sentar num café passou, mas algumas coisas ainda persistem. E aquela angústia deu lugar a uma aceitação de que eu tenho controle sobre algumas coisas, mas não tenho sobre a maioria delas. Que meu filho é quem ele é, independente do que eu quero, projeto, desejo, planejo. E eu sei que esse ciclo de desejos-frustrações-aceitação vai se repetir inúmeras vezes ao longo da maternidade. Eu to aqui meio fascinada com a paciência, a resiliência, que esse menino tem despertado em mim todos os dias. E eu desejo, cada vez mais, não perder esse olhar generoso com que me vejo, e com que vejo a maternidade. Foram só seis meses, mas foram uma vida.



***

* tenho demorado tanto pra organizar minhas ideias, que rascunhei esse post um mês atrás, mas só vim terminar ele hoje, que Dominic fez 7 meses rs. 

Uma fenda no tempo


Uma fenda no tempo. Um buraco no espaço. É assim que eu enxergo as últimas semanas de 2024 e as primeiras de 2025, sem sombra de dúvidas, as mais especiais da minha vida. Parece que o mundo em torno de nós parou de girar, e a gente entrou numa bolha, num universo paralelo.


No dia 19 de dezembro eu tive uma consulta, e como já estava lidando com muitos desconfortos, tendo dificuldade pra ficar sentada muito tempo em frente ao computador, e ainda de quebra lutando contra uma sinusite brava e sem ajuda de remédios, minha médica acabou me dando uma licença médica. Foi assim que eu encerrei o meu ano profissional e entrei no que seria já a minha licença maternidade. Marido estava de férias, e nessas semanas que se passaram nós curtimos a nossa casa e companhia.


 Passamos o fim de ano aqui, e aproveitamos para, aos poucos ir nos despedindo da vida como conhecemos. Muita gente acha que filhos acabam com a vida, e eu acho isso bem fatalista rs. Mas a chegada de um filho realmente muda tudo, e a vida não será mesmo como antes. Tudo que se vivia ainda poderá ser vivido, mas de formas diferentes. E conscientes disso, a gente aproveitou pra fazer algumas coisas que talvez demore pra gente voltar a fazer juntos, de forma tão descomplicada. Nessas 3 semanas nós dormimos até tarde, vimos um ballet na Opera de Zurich, passamos alguns dias ensolarados nas montanhas, aproveitamos tudo num tempo bem devagar, e principalmente, nos curtimos muito. Também passamos as festas com amigos queridos, e foi tudo muito íntimo, aconchegante e feliz.










No dia 7 de janeiro fui a minha médica, e nosso bebê ainda encontrava-se sentadinho no meu útero, inviabilizando um parto normal. Marcamos a cesária pro dia 9, mas sabendo da minha vontade de tentar o normal, minha médica sugeriu que ao darmos entrada na maternidade, que seguissemos para um último ultrassom antes de ir pra cirurgia... vai que o baby resolvia nos surpreender no último minuto. Na quarta, sentindo sua cabeça ainda no alto da barriga, eu sabia que ele não tinha virado. Levamos Carlito pra creche, e saímos num date night, sabendo que provavelmente foi o último em um bom tempo.  Eu e marido nos arrumamos, fomos num restaurante animado que gostamos, comemos bem, e depois fomos pegar um cineminha. Além de estar ali curtindo muito um ao outro, a gente não parava de falar e pensar.. amanhã a essa hora a gente vai ter um filho. Voltamos andando pra casa, tarde da noite, conversando, e eu me senti muito feliz. 

No horário marcado na quinta nós chegamos na maternidade, e depois de confirmar no ultrassom que ele seguia sentado, ficou confirmado que ele nasceria em poucas horas. Nas duas horas entre dar entrada no hospital e ir pra cirurgia, eu pensei muito em tudo que vivemos, como casal, até chegar ali. Não só nos bebês que não pudemos conhecer, mas nesses mais de 10 anos de parceria, em todas as coisas que fizemos, histórias que criamos, e principalmente, decisões que tomamos, para que no dia 9 de janeiro de 2025 a gente estivesse olhando pra cidade de Zurich e pensando que aqui a gente vai ter e criar o nosso filho. Eu já saí pra cirurgia já muito emocionada, com Matt empurrando a minha maca. 


Não vou fazer relato de parto aqui, porque parto no fim é sempre meio igual, e só é especial pra quem vive. Mas eu fui muito bem acolhida pela equipe, pela minha médica maravilhosa, que me fez carinho enquanto eu levava anestesia, e apesar da cesária não ser lá uma via de parto muito poética rs, eu sempre lembrarei da minha com muito carinho. Eu jamais esquecerei o momento em que eu ouvi o choro do meu filho, a emoção de saber que ele tava bem, que ele era meu, que ele chegou. É uma lembrança que desde então vem a minha cabeça ao menos uma vez ao dia... eu lembro do choro dele, tão urgente, tão alto, e do alívio que senti. A impressão que tenho é que só ali todos os meus medos e traumas finalmente cederam, e eu senti uma paz sem fim, me senti curada de tantas dores. 


Por duas semanas ficamos nos alimentamos de nós mesmos, vivendo inúmeras primeiras vezes, nos conhecendo, e praticamente incomunicáveis com o mundo lá fora. Aqui dentro só nos três existíamos. Eu com a cabeça 100% tomada pela neblina do puerpério, vivendo um turbilhão emocional, consegui ver a beleza desses dias, e sentir um amor imenso não só pelo meu filho, mas pelo meu marido, por esse momento. Eu lembro de querer absorver cada minutinho e os repeti na minha cabeça com a intenção de nunca esquecer nenhum detalhe. Examinei cada centímetro do corpinho do Dominic, ficava horas cheirando ele, tentando memorizar aquele cheirinho de recém nascido. Eu também morria de medo de furar a bolha, de sair de casa e ver que o mundo seguia não tão mágico quanto esses dias aqui dentro. Eu nunca, NUNCA, imaginei viver algo assim, tão profundo, tão bonito, e tão sofrido, tudo ao mesmo tempo. Profundo por tudo isso que já falei, pela potência de gerar uma vida, de ver o amor transbordar e se concretizar num novo ser humano, e bonito por ver o início de uma pessoa, e a transformação da minha existência. Mas sofrido porque transformar a minha existência significou constatar uma sequência de lutos, os quais estou elaborando até agora. 


Ao fim dessas duas semanas, meu marido voltou ao trabalho, e a nossa bolha se furou. A vida foi entrando no novo normal, e como ouvi tanto falar, os dias passaram devagar, mas as semanas passaram muito depressa. Hoje, quase 3 meses depois, parece que essas semanas ficaram em outra vida. Mas foram as mais lindas que já vivi. 







Adeus ano velho

Acordei reflexiva no dia 31 de dezembro. Groundbreaking! Eu e o mundo inteiro. Mas fato é que 2025 me aguarda ali, com muitas mudanças e novas perspectivas, e eu fiquei olhando pra 2024 de uma forma bem generosa e contemplativa. Foi um ano muito bom, apesar de ter sido recheado de momentos e sentimentos difíceis. 

Eu comecei o ano desejando muito ser feliz, enquanto carregava comigo umas correntes que os traumas de 2023 me deixaram. Me sentia apática com relação a muitas coisas, com a visão turva, e com um sentimento de que não estava vivendo, mas sobrevivendo. No meio disso tudo, meu pai teve um problema de saúde que me fez refletir muito sobre a finitude dos meus, e também sobre a minha escolha de construir a vida tão longe. Entendi que esse é um conflito que eu vou viver cada vez com uma intensidade diferente. Criar um filho longe da família, ver meus pais envelhecer a distancia, a sua fragilidade maior a cada reencontro. Por outro lado, olho pro futuro e me sinto em casa aqui, cada vez mais. Tive certeza que fiz escolhas certas, mas que isso não torna mais fácil lidar com as consequencias e renúncias que elas trazem. Com a melhora do meu pai, no fim de março eles vieram, nós passamos duas semanas muito gostosas, e meu coração começou a se acalmar. 

Com a primavera vieram dias mais solares, voltei a me sentir eu. Fiz uma festa de aniversário que foi um grande afago na alma, com a casa cheia de amigos, pista de dança animada até altas horas, me senti querida, me senti leve, e percebi que aquela nuvem cinza estava realmente levantando dos meus olhos. E então me descobri grávida. Desde então tenho travado uma batalha mental contra a ansiedade e o medo constante. Me deixei curtir essa fase aos pouquinhos, dividir com as pessoas no meu tempo. Aproveitei o verão pensando que meus verões serão pra sempre diferente. Fui ao rio quase todos os dias, sempre meio sem hora, as vezes sozinha, as vezes com marido, com amigos. Cada raio de sol me encheu de vitamina D, me encheu de otimismo. Recebi visita de amigas, fomos em baladas, fomos viajar, conheci a Grécia, fomos pras Olimpiadas. Fui vendo minha barriga crescer, meu corpo mudar, e fui recebendo essas mudanças com tranquilidade. Me achei bonita, por vezes não me reconheço, mas no geral eu vejo o impacto da gestação no meu corpo como algo muito, muito poderoso. Embora a gravidez, e todos os medos que vieram com ela, tenha me trazido muita ansiedade, vou guardar esses meses sempre com muito carinho. Foram meses que me encheram de esperança e de amor. 

Profissionalmente, 2024 foi bem desafiador. Comecei o ano aceitando uma posição temporária pra cobrir uma licença maternidade extendida, por um ano, numa área bem especializada na qual eu não tinha experiência, mas tinha muito interesse. O começo foi muito difícil. Para além dos desafios que esse tipo de projeto traz, a vaga tinha muita visibilidade, o perfil da gerente era bem diferente do que eu estava acostumada e, principalmente, eu tava deprimida mas não tinha me dado conta. Só sentia uma apatia gigante, e achava que tudo me demandava muita energia porque eu estava numa área nova. Foi só conforme eu fui acordando do meu estado de torpor que eu percebi o quão difícil estava porque eu estava num momento difícil. E conforme esse momento difícil foi passando, eu fui me sentindo cada vez mais confortável, percebi que estava performando muito bem, que a minha dinamica com a chefe nova era ótima, e que eu adoraria ficar nesse time se a oportunidade aparecesse ao final do ano. Só que no meio do caminho tinha uma reestruturação do departamento, e tudo ficou bem incerto. Minha antiga vaga, para onde eu deveria voltar ao fim desse ano, foi extinta, e eu precisei encontrar uma nova posição. E assim foi. Fiz todo o processo seletivo, entrevistas e afins, e tenho uma vaga legal pra onde irei quando acabar minha licença maternidade. Terminei o ano encerrando esse projeto temporário de uma forma muito positiva. Para além de ver tudo que eu consegui realizar em 2024, tive elementos concretos pra me mostrar o tanto que aprendi, que evolui como profissional de RH, e fiquei muito orgulhosa. Encerrei com um feedback muito, muito positivo, e a certeza de que eu to seguindo no caminho certo. 

Impossível também falar de trajetória profissional sem falar do Mestrado né... Esse ano eu terminei todos os cursos e créditos obrigatórios do programa, e agora falta escrever a tese. SÓ isso rs. Esse negócio tem demandado uma energia imensa do meu lado, simplesmente porque eu não sou uma pessoa academica. Pesquisar, escrever, referenciar, a linguagem, tudo isso é algo bem fora da minha zona de conforto, então, o que acontece é que enquanto eu amei o conteúdo das aulas, das leituras, eu quis morrer um pouquinho cada vez que eu tinha um paper pra entregar hahaha. Eu até adquiri um certo ritmo, consegui melhorar minhas notas, mas assim.. não vou mentir não, eu não curti nenhum minuto dos milhares gastos produzindo conteúdo academico rs. Porém não sou terraplanista, e pude sim ver como o conhecimento adquirido já influenciou no meu trabalho, na minha forma de abordar alguns problemas, de propor soluções, de pensar alguns tópicos. Considero um saldo muito positivo. Agora eu tranquei o programa por um semestre, e em junho eu começo a botar meu projeto de pesquisa em prática. Veremos. 

Quando eu penso nos meus grandes assuntos de 2024, o que eu escrevi até aqui resume bem. Mas mais uma vez, fica claro que pra mim o que mais importa mesmo são as companhias. Quem esteve ao meu lado ao viver tudo isso, quem segurou minha mão nos momentos difíceis, e quem tava junto pra estourar a champagne, descer até o chão, e curtir os bons momentos. E eu sou muito, muito grata, pelas amizades que se fizeram fortes e presentes nesse ano tão intenso. Os amigos daqui, os do Brasil, os da vida inteira. Foi um ano em que, se chorei ou se sorri, o fiz em maravilhosas companhias, pessoalmente ou virtualmente, e sei que pra mim, sempre, a jornada e as companhias são mais importantes que o destino. 

Enquanto eu buscava fotos de viagens e momentos emblemáticos de 2024, fui vendo o quanto o olhar do meu marido é generoso comigo. As imagens mais belas do ano foram registradas por ele, que ta sempre ali, me olhando, me cuidando e me levando pra frente. Encerro essa reflexão com uma egotrip imensa, de momentos lindos que ele captou ao longo desse ano tão singular.










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