Acabada a novela americana do intercâmbio (capítulos 1, 2 e 3), começou a novela mexicana do retorno. Minha gente... Se vocês pensam que é triste dar tchau pros pais no aeroporto na ida, queiram nem saber a merda que é o dia seguinte da volta. Por que assim, você chega, ta todo mundo te esperando, é uma maravilha reencontrar pai, mãe, tios, amigos, beber 5 litros de Guaraná Antarctica e comer 5 pães franceses, uma salada de palmito fresco, só alegria. Daí você deita pra dormir, e é tudo muito esquisito... Parece que tudo que você viveu mal existiu. De novo, a história da realidade paralela.
Começando que lá eu estava num lugar muito seguro. Deixava a janela do carro aberta e tudo de ruim que acontecia era uma criança abestada ligar meu farol, me deixando sem bateria. Era também um oasis de civilização: embora não tivesse muito pedestre dando sopa, era só um por o pé na rua que os carros paravam. Ao lado da minha última casa tinha um ponto de manutenção de postes da Verizon (a Telefonica deles), e em vários dias de sol eu me esticava de biquini no jardim (lembrem que naquelas terras não tem muros), e não ouvia um fil fil. Os brutamontes de macacão entravam e saiam o dia inteiro, e não davam a mínima pra minha bunda de biquini. Uma paz.
Ai você dorme, e acorda em São Paulo... caos rolando, semi atropelamento, tentaram bater minha carteira no metrô, aquela maravilha. Vá lá que tinha uns (vários) probleminhas nos EUA também, mas nessas horas a gente não lembra, né. E aí eu, que ganhava alguns mil dolares mensais pra ser salva vidas, virei "mão de obra qualificada". Estagiava por 8h em escritório renomado, e ganhava uma coisinha... E ainda por cima, eu estava apaixonada, meus amigos.. eu estava crentíssima que tinha encontrado o amor da minha vida. E ele não estava no mesmo hemisfério que eu...
Pronto, tava feita a merda. Chorei dias e noites, tardes e madrugadas, nonstop. Eu dormia na aula, eu chegava no escritório e ia pro fórum, chorava no caminho de ida, no caminho de volta, e entre um processo e outro, chorava na escada de incêndio do João Mendes. Eu era a Maria do Bairro, eu era um trapo de gente. Eu sofri tanto, MAS TANTO, que eu ouvi da minha mãe que aquele intercâmbio foi o dinheiro mais mal gasto da vida dela. Não a julgo, rs... no lugar dela, pensaria a mesma coisa. Eu queria que o Direito explodisse, eu queria que o Mackenzie explodisse, eu queria ser salva vidas pro resto da minha vida, eu queria me afogar em Long island Iced Tea, eu queria meu amor, meus parques, minha liberdade, eu queria nunca mais ter que pedir dinheiro pros meus pais. Eu devo ter semi vegetado por uns 6 meses, só sabia pesquisar qual era o modo mais rápido de sair do Brasil ou, usando as minhas palavras da época, "fugir dessa desordem". Quis ser au pair, quis migrar pra Dinamarca, quis trabalhar em navio, quis fazer qualquer coisa. Só não queria estar onde estava.
Mas, como dizem por aí, não há mal que dure para sempre. Aos poucos a vida foi engrenando. Aos poucos, eu fui encontrando espaço para a Gabriela que voltou. O estágio foi ficando cada vez mais e mais interessante, as melhores amigas do mundo me ajudaram, a gente saía muito, a gente ria muito, a gente aprontava todas, e eu fui vivendo. Revivendo. Entre 2008 e 2010 eu vivi uma fase incrivelmente divertida, complicada, cheia de altos e baixos, cheia de VIDA, da melhor vida que você pode ter, aquela que é bem vivida. Em julho de 2010 eu me formei, eu passei na OAB, eu estava livre para ir para onde eu quisesse.
E pra onde eu quis ir? Isso mesmo, pra lugar nenhum.
E aqui ainda estou. Gostaria ainda de morar fora um dia? Sim. Mas nada grave... Não explodi o Direito, muito menos o Mackenzie, não me afoguei num copo de cerveja, não virei au pair, não voltei a ser lifeguard. Eu amo São Paulo, amo meu caos, e não amo o que eu achei que era amor. Eu simplesmente aprendi que a vida se encarrega de levar a gente pra onde a gente deve ir. A nossa única obrigação é perceber pra onde o vento está soprando.
E por que eu estou contando isso? Porque na época da loucura desenfreada de EU PRECISO IR EMBORA DESTE LUGAAARRRRR, ou seja, segundo semestre de 2007, por aí, eu comecei a acompanhar blogs de brasileiros e portugueses pelo mundo. Eu queria ver o mundo pelos olhos dessas pessoas, queria aprender sobre lugares pra onde eu talvez pudesse ir, e mais do que tudo, queria me alimentar de esperanças de que havia luz no fim do túnel. Acompanhei muitas dessas pessoas por anos, "vi" famílias lindas serem construídas, histórias malucas pelo mundo, retornos melancólicos, recomeços esperançosos. A vontade de fugir passou, mas eu continuava adorando ver a vida pelo mundo. Dessa leva de blogueiros que comecei a ler em 2007, acompanho ainda uns 2 ou 3. Mas fui pingando de blog em blog, "conhecendo" muita gente, torcendo pelas vitórias, ficando feliz com as conquistas, como se fossem amigos meus. E acho que de alguma forma são sim, amigos que as vezes nem me conhecem, mas que me ajudaram de alguma forma a sair das trevas, haha.
Obrigada, blogosfera, você fez do meu purgatório um lugar muito mais habitável <3
E por que eu estou contando isso? Porque na época da loucura desenfreada de EU PRECISO IR EMBORA DESTE LUGAAARRRRR, ou seja, segundo semestre de 2007, por aí, eu comecei a acompanhar blogs de brasileiros e portugueses pelo mundo. Eu queria ver o mundo pelos olhos dessas pessoas, queria aprender sobre lugares pra onde eu talvez pudesse ir, e mais do que tudo, queria me alimentar de esperanças de que havia luz no fim do túnel. Acompanhei muitas dessas pessoas por anos, "vi" famílias lindas serem construídas, histórias malucas pelo mundo, retornos melancólicos, recomeços esperançosos. A vontade de fugir passou, mas eu continuava adorando ver a vida pelo mundo. Dessa leva de blogueiros que comecei a ler em 2007, acompanho ainda uns 2 ou 3. Mas fui pingando de blog em blog, "conhecendo" muita gente, torcendo pelas vitórias, ficando feliz com as conquistas, como se fossem amigos meus. E acho que de alguma forma são sim, amigos que as vezes nem me conhecem, mas que me ajudaram de alguma forma a sair das trevas, haha.
Obrigada, blogosfera, você fez do meu purgatório um lugar muito mais habitável <3











