Eu vou falar de Setembro sim

 No começo desse ano, eu resolvi que ia fazer um resumão da vida por mês, e estou firme no propósito. Quem liga que é meio de outubro? Eu vou falar de setembro ainda assim rs... Como ignorar um mês que começou com 30 graus na beira do lago e acabou no meio de uma nevasca? Não tem como! 

Foi isso. Setembro começou com dias super quentes, daqueles que fazem a gente ter medo do aquecimento global e tal. Mas eu gosto de sol, calor e verão né? Então me pus a aproveitar. Foram bem uns 10 dias com clima gostoso demais, que passei tomando sol na beira do lago de dia, e aproveitando os terraços abertos a noite. Encontramos uns amigos da Alemanha que estavam por aqui, recebemos um amigo de Berna aqui e tomamos bons drinks, e fomos de pouco em pouco nos despedindo do verão, e principalmente, das liberdades que o tempo bom nos deu durante a pandemia (curtir ambientes abertos e menos propensos ao vírus). 

Curtindo os últimos dias de verão...

... na beira do lago, com as montanhas de fora...

... e com bons drinks, sempre!

No meio do mês nos aventuramos para além das fronteiras suíças pela primeira vez: fomos pra Konstanz, cidade alemã na fronteira com a Suíça. Entre o povo de Zurich, Konstanz é basicamente um shopping center rs. A galera vai pra lá pra fazer compras, aproveitar dos preços mais amigos e do tax free (porque lembrem-se, a Suíça não faz parte da União Europeia). Nós aproveitamos mesmo pra comer bem por pouco, e sim, fomos ao mercado fazer umas comprinhas, mas no geral mantivemos distância da loucura consumista que me lembrou bem um shopping paulistano em véspera de Natal. A cidade em si é bom bonitinha, na beira do Bodensee, um lago impenso e lindo, mas a arquitetura é bem semelhante à daqui, e o feeling que ficou foi de que mal mudamos de paisagem rs. Se vamos voltar? Sim, vamos, mas não com a assiduidade que meus conhecidos voltam rs. 

Konstanz desfocada mas ainda bem bonitonas

Também rolou a viagem pra Zermatt, a fatídica, mas sobre ela já contei por aqui. E além disso, nem só de passeio vive esta que voz escreve. Um dos grandes momentos do meu mês foi pedir, e ganhar, um curso no trabalho. Eu sou muito ruim de pedir coisa. Sou ruim pra pedir aumento, pra pedir promoção, pra pedir benefícios, e tudo mais. Sei que não sou a única mulher a me sentir acanhada nessas horas. Então eu resolvi que eu ia pedir pro meu trabalho pagar um curso que eu queria fazer. Ainda que eles negassem, só o fato de eu PEDIR, já seria positivo pra mim. E eu pedi, e eles aceitaram me dar. E foi assim qu e eu acabei trabalhando bastante esse mês, poque por vários dias eu passei 4h fazendo curso, e depois trabalhando de noite pra dar conta de tudo que tava acontecendo. Foi bem cansativo, mas valeu a pena demais!  

No quesito explorar Zurich, o mês foi um sucesso rs. Conheci bastante lugares novos: bares, cafés, restaurantes, e até um cinema. Rolou um festival de cinema brasileiro no Xenix, um cinena alternativo aqui de Zurich, e eu juntei minha coragem para, no meio da pandemia, ir assistir Bacurau. No cinema o uso de máscara era obrigatório, e as poltronas eram espaçadas, eles não vendiam assentos consecutivos para pessoas de "grupos" diferentes. Chegando lá eu me senti meio apreensiva, mas quando começou o filme... galera do céu.. eu sei que eu to atrasada, que Bacurau foi hype ano passado, mas gente do céu? Vocês assistiram esse filme? Que paulada rs... Passei uns dias processando tudo que aconteceu ali, e agradecendo essa galera que fez esse monumento acontecer, porque me proporcionou, no ano de 2020, ter um orgulho do Brasil <3 

Por fim, um grande acontecimento de setembro foi a minha rede. Acho que desde que eu saí da casa dos meus pais, em 2003, eu morro de vontade de ter uma rede pra chamar de minha rs. Na casa dos meus pais sempre teve rede, na casa dos meus avós, a gente levava rede quando alugava casa por aí, a rede me acolhe, a rede me leva de volta pro aconchego e me faz sentir em casa, onde quer que essa casa seja. E foi assim que, na Bahia, pulando minhas ondas na manhã do dia primeiro, eu virei pro homem e falei: esse ano eu realizo meu sonho da rede. E no dia seguinte, eu comprei uma rede que não cabia na minha mala. Mas eu dei meus pulos, e enrolei a bendita, e trouxe uma rede imensa na minha mochila nas costas. E depois de mudar de casa, chegou a hora de finalmente, botar ela pra brilhar. Pois bem. Desde o dia 23 de setembro eu não sento no sofá. Eu só vivo na rede. Eu tiro todos os breaks do home office na rede, eu tomo bons drinks na rede, eu tiro meus cochilos na rede, eu estou escrevendo nessa momento na rede. 

Você já ouviu a palavra da rede?

A pandemia não foi embora, muito pelo contrário. Os casos na Suíça voltaram a aumentar, e algo me diz aqui que as restrições estão há alguns dias de voltar. Com o tempo esfriando, as atividades voltaram pra dentro, e o terreno ficou mais livre pro vírus maldito. Mas tivemos um verão de respiro, de "normalidade", tivemos um tempo pra tentar relaxar no meio dessa loucura que estamos vivendo. E pra fechar, deixo aqui algumas imagens cotidianas desse mês que costumava ser chuvoso, mas que este ano foi solar, como um presente num ano de tantas durezas. 







Zermatt parte 2: quando tudo deu certo

 Acordamos em Realp numa paisagem meio apocalíptica rs. Antes de sair com Carlito para suas necessidades matinais, fiquei olhando lá pra fora e pensando não é possível que estamos em setembro. Mas estávamos. Eu saí ainda sem saber se Carlito se adaptaria bem na neve ou não, mas mal pisou nela e quis brincar muito. Alívio. Depois de meia hora de frio, voltei pro hotel, fomos tomar café da manhã e resolvemos que íamos seguir viagem pra Zermatt. Pegamos o trem de carro que cruza a base da montanha as 9h horas da manhã e chegamos no Valais, do outro lado, às 9:20. É bem rápido (e escuro e esquisito mas enfim rs) e custa 27 francos. Ah, importante dizer que os passos ficam fechado no inverno, e claro que com essa nevasca, o Furka fechou em setembro mesmo, e não sei se abre de novo esse ano. 

Rehalp pela manhã

O Valais é um dos cantões mais bonitos da Suíça, então dirigir por lá é certeza de paisagens de tirar o fôlego, montanhas, curvas e pontes. Saindo do furkatunnel, até Täsch (onde se estaciona o carro, porque Zermatt é uma vila sem carro) é coisa de 1:30h. E depois mais 10 minutos de trem até Zermatt. Finalmente chegamos! 

O Mattherhorn estava todo encoberto, o tempo nublado, mas nem liguei, estava feliz só de estar lá. E depois de fazer check in, fomos comer algo e checamos com o escritório de turismo que seria possível fazer a trilha que tínhamos ido lá pra fazer, a 5 lakes. A trilha é uma das mais famosas da região, super cenica, e relativamente fácil. Um funicular até Sunegga, e uma gôndola até Blauherd. De lá você faz a trilha, que é um zigzagear por paisagens deslumbrantes, até chegar em Sunegga de volta, de onde pega o funicular pra baixo (ou pode descer caminhando até Zermatt, é uma opção). O último funicular de volta era as 17:20, o que nos deoxava com uma janela de 3h para fazer a trilha. Em tese a trilha dura 2:30, mas quem quer que seja que fez essa medição, a fez antes da invenção do celular com câmera rs... 

Chegamos lá em cima e nos deparamos com uma paisagem inteira nevada, com o Matterhorn encoberto de um lado e um glaciar do outro. Sério, só ali já valeu demais toda a doideira das últimas 24h. Pra melhorar, Carlito era o cachorro mais feliz do mundo, brincando na neve, curtindo demais. Seguimos pela trilha, e eu nem vou falar muito, só deixar umas imagens mesmo... 

Um cachorro feliz, um Matterhorn encoberto...

... uma geleira, e surra de paisagem maravilhosa!

Lá pelo meio do caminho, quem da as caras? Ele mesmo, o Matterhorn. O céu limpou e ele se mostrou inteirinho, majestoso, deslumbrante. A Suíça é cheia de montanhas, mas ali deu pra entender porque o Matterhorn é tão icônico: você ve ele inteirinho, da base até aquela pontinha. É cheio de textura, de edges, é uma beleza absurda. Claro que com ele ali, todo de fora, a gente acabou se enrolando, e no fim tivemos que cortar 2 lagos da trilha. No fim, vimos 3 lagos e não 5. Mas não me arrependo de nada. Se tivessemos ido mais cedo, com mais tempo, talvez não tivessemos visto ELE, já que o céu só limpou depois das 16h. Conseguimos voltar pra Sunegga a tempo de pegar o último funicular. Foi muito apertado, e cansativo, porque pra dar essa cortada na trilha, tivemos que pegar um caminho super íngreme, a 2500m de altitude, não é fácil. Mas valeu demais, foi incrível, e eu definitivamente entrei pra turma que venera o Matterhorn rs. 

O primeiro lago: Stellisee 

Ele começando a querer dar as caras...

E ele todo majistoso, imponente e maravilhoso, com o Grindjseee aparecendo

Segundo lago: Grindjesee e ahhh se essa nuvem não tivesse aí...

Terceiro lago: Moosjesee, com uma água azul inacreditável

Voltamos pra Zermatt bem cansados e felizes, e de noite fomos repor as energias com o primeiro fondue da temporada. Fomos no Swiss Challet, um restaurante beeem.. suíço rs. Ótima pedida pra quem quer comer fondue, raclette, e outros queijos (e sair fedido de lá, mas faz parte). Apesar de ainda estarmos em 26 de setembro, saímos do restaurante debaixo de -2 graus. 

E domingo em Zermatt, uma vila linda de doer

No domingo não tínhamos planos. Foi a nossa segunda vez em Zermatt, e ao contrário de muita gente que quer ver tudo de uma vez, eu e Mati somos da turma que quer deixar algumas coisas por fazer, ter motivos pra voltar. Então resolvemos dar uma volta na vila, admirar as casinhas de pedra e madeira, tão características do Valais, e pegamos estrada pra voltar. Depois de cruzarmos novamente o Furkatunnel, paramos para almoçar em Andermatt e foi uma surpresa. Andermatt virou um point de ski nas últimas décadas, mas é bem pouco "falada", então eu nem achava que a cidade seria bonitinha. Mas é. 

Centrinho de Andermatt

E pra finalizar o fim de semana, demos uma paradinha em Teufelsbrucke, uma ponta sobre o rio Reuss, que é uma construção bem linda. A ponte é toda de pedra, muito antiga (a primeira ponte foi construida em 1230, feita de madeira, e substituida pela que está ali em 1800), e ali também cruzam outras pontes, criando um cenário bem pitoresco. O lugar foi marcado por uma batalha entre russos e franceses em 1799, e é cheio de sinais em russo (porque eles sairam vitoriosos da batalha). 

Essa foto eu fiz de cima da ponte mais antiga, e mirando na ponte nova. É meio difícil captar a essência do lugar em foto, porque são três pontes se cruzando, uma cachoeira imensa embaixo, um trem vermelho cruzando uma delas, uma montanha imensa de rochas dramáticas, enfim... só vendo mesmo pra sentir a grandiosidade da coisa. Valeu muito a parada! 

E um fim de semana que começou beeeeem bizarro (detalhes da Parte 1 aqui), foi maravilhoso. Ficam as boas histórias pra contar, as lições e mais uma vez, o registro de que essa Suíça não decepciona mesmo, as paisagens sempre valem os perrengues :)

Zermatt parte 1: quando tudo deu errado

Sexta-feira, 26 de setembro de 2020. Parei o carro debaixo de uma nevasca absurda, e aliviada por finalmente estar parada, me deu vontade de chorar. A viagem de fim de semana estava sendo um grande perrengue chique e mal tinha começado rs... Se minha vida fosse um filme, era essa hora aí que eu quebrava a quarta parede e falava: você deve estar se perguntando como eu vim parar aqui? Pois bem, vamos lá. 

Eu falei aqui que a gente tinha uma viagem de fim de semana, aqui na Suíça mesmo, marcada pro fim de agosto. Cancelamos por causa de chuva, e remarcamos pro começo de setembro. Mais chuva, mais um adiamento. E chegando esse fim de semana, a bomba: a previsão era de neve em Zermatt, nosso destino. A ideia principal era fazer uma trilha. Mas como neve é BEM melhor que chuva, resolvemos manter os planos. Esse rolê inclui cruzar a Suíça de norte a sul, e o trem de Zurich para Zermatt, ida e volta, são absurdos 280 francos por pessoa, que a gente pagaria meia por termos o cartão. Ainda assim, duas pessoas, 280 no total. Caro. O plano era dirigir. A viagem dura coisa de 3 horas e meia, tal qual o trem, e sairia coisa entre 70 e 120 francos, dependendo de como cruzássemos a montanha. Bem melhor, né? Pois é. 

Eu já sai de casa com uma hora de atraso por conta do trabalho, e fui pegar Mati na escola. Antes de chegar no trabalho dele, que fica em outra cidade, me dei conta que estava na reserva do combustível. Parei pra abastecer, e enquanto fui la dentro da casinha pagar, Carlito ficou sozinho no carro. Voltei 2 minutos depois, pra achar um cachorro que no desespero (sim, ele tem ansiedade de separação nivel hard) se enrolou inteiro no cinto de segurança, se sufocou e quase quebrou uma pata. Dois minutos. Eu fiquei muito nervosa, desenrolei ele, a patinha, examinei ele, e parecia estar tudo bem, mas ele estava muito nervoso e inconsolável, tremendo. Enfim, não tinha muito tempo pra perder, fui embora e peguei Mati, que deu um carinho do doguinho.  

De lá seguimos viagem debaixo de chuva, até que o trânsito parou. Por completo. Sem andar NADA. Eu estava no banco do motorista e me deu o estalo que debaixo daquela chuva toda, não cruzariamos o furkapass por cima, ainda mais porque, com o atraso do trânsito, ia ficar escuro antes de chegamos lá (os passos são as estradas que cruzam a montanha pelo alto, estradas simples e com curvas vertiginosas, enfim, estradas em que me sinto mais segura pra dirigir de dia e sem chuva, né). A opção é pegar o furkatunnel, um túnel que cruza a base da montanha, mas que só é acessível de trem. Você sobe no trem com o carro, como se fosse uma balsa, e cruza nele. Com a idéia do túnel, eu consegui relaxar e fiquei ali, curtindo a paisagem rs. 

Depois de mais de meia hora sem sair do lugar, resolvi checar a hora do último trem pra cruzar o túnel: 21h. Foi aí que me acendeu um alarme amarelo nervoso. Já era 19h, e a gente estava há uma hora e meia do lugar de onde saia o trem, e completamente parados. Nessa hora eu comecei a amaldiçoar a idéia de ir de carro, e de não ter feito outro caminho mais comprido. Mas tentando manter a calma, fiquei repetindo que ia dar tudo certo. Às 20h estava escuro, tínhamos andado pouquíssimo, e o Google estava mostrando um caminho alternativo por uma estradinha lateral. Quando chegamos no acesso a ela, eu só fui. Google estava mostrando 1h pra chegamos lá, e era esse o tempo que tínhamos. A estrada era simples, a gente estava começando a subir, tudo bem sinuoso, e da-lhe chuva... eu não sou nenhuma pilota, mas dirijo bem, porém desgosto bastante de dirigir de noite debaixo de chuva por estradas que não conheço rs. Resumindo: tava tensa. 

Claro que nessas horas tudo começa a acontecer né... semáforo móvel que fecha por 3 minutos, rotatória esquisita sem sinalização, etc. E quando entramos na parte mais punk do trajeto, com curvas muito acentuadas, inclinação e tal, o que acontece? Claro, a chuva vira neve. PESADA. Anotem aí: atrasadíssimos, de noite, debaixo de neve, com pneus de verão, numa estradinha sinuosa. Pois bem. Virei pro marido: você tem alguma ideia de como põe corrente no pneu? Ele olha pra mim: mas é claro que não. Eu tive que rir, porque grazadeus ainda não tinha sinal mandando a gente por rs (a gente comprou correntes no começo do ano quando dirigimos pra Courchevel, mas nunca usamos e acho que precisamos aprender, né?). Em dado momento, o carro deu uma patinada numa subida mais nervosa, e eu acabei soltando uma vozinha chorosa: to com medo. Mas segui ali com cuidado, usando o trilho deixado pelo carro da frente. É o jeito mais fácil de evitar escorregar na neve. Nessa hora, o telefone toca. Era o hotel de Zermatt. A gente não tinha nem condições de atender. Eu precisava de toda a minha atenção e a de Mati na estrada. 

Chegamos finalmente em Realp, as 21:18. É claro que o trem já tinha saído. A gente estava ali, no meio do nada, numa vila alpina minúscula, inteira fechada, a 1500 metros de altitude, com a neve na altura das canelas, e sem ter pra onde ir. Dar a volta e ir pra casa não era uma opção, com aquela estrada toda nevada e perigosa. Eu estacionei na frente da estação do trem e entramos no booking.com. Nenhuma opção aparecendo na cidade, e a idéia de dirigir 10 km que fosse pra outro lugar me apavorou. Olhamos em volta, e tava lá: Hotel des Alpes. Google. Liguei com meu alemão bem porco e cansado. Moço, você tem um quarto? Pra hoje? Pra hoje. Tenho. Quanto custa? 160 francos. Engole o prejuízo a seco. Aceita cachorro? Se for grande não. Podemos ir praí então? Que horas. To aqui parada no seu estacionamento. Ele dá um tchauzinho lá de dentro. 

Enquanto Mati fazia o check in e carregava nossas coisas, levei Carlito pra finalmente fazer seu xixi. A neve caindo em flocos grandes na cabeça, cabelo molhando, o casaco fino que eu botei pra viajar não tava dando conta. Carlito estranhando tudo. 10 minutos de caminhada e nada de xixi. Depois de muito cheirar, ele se aliviou. Eu voltei correndo pro hotel, congelada. A temperatura estava -2. Cheguei no quarto, e atrás de mim o rapaz bateu na porta: dois sanduiches e duas cervejas. Eu fechei a porta e caí na gargalhada... perrengue chique é apelido. 

Moral da história: 
- na Suíça tem trânsito 
- tem economia que não vale a pena 
- por trás de stories bonitos do instagram tem muito drama 

Bares e Restaurantes em Berna

Como ainda chega gente nesse blog procurando pela Suíça, eu achei que valia a pena fazer um post recomendação. Em primeiro lugar, devo dizer que tem muito blog de turismo na Suíça por aí, e eles fazem um bom serviço. Por outro lado, queria deixar aqui umas dicas que meus 4 anos de andança por Berna me permitem fazer com certa autoridade rs. Voilà. 

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Para ter uma vista linda

Esse é um dos restaurantes mais fomosos e turísticos de Berna, e merece cada turistinha que aparece lá. Não é um turist trap. A comida é boa, o preço é bom para os padrões suíços, eles produzem a própria cerveja, que é também boa, e a vista meus senhores.. a vista é um desbunde. Berna todinha aparecida no skyline. Se for entre primavera e outono, vista a roupa adequada a temperatura, e sente fora. Se for um dia lindo de verão, uma reserva garante uma boa mesa. Vale MUITO a pena. O cardápio é todo bem honesto, mas meus preferidos são o Rösti (a tal batata suíça) e Kalbsgeschneltzeltes (um picadinho de vitela com cogumelos e um molho que parece de strogonoff). 

O Rosengarten é um landmark de Berna. Um parque lindo de doer, do qual já falei muitas vezes aqui, e com uma vista de chorar de emoção. Lá também tem um café e restaurante. Confesso que nunca fiz uma refeição inteira lá, então não sei dizer se a comida vale a pena, mas para tomar uns bons drinks ou um café, eu recomendo demais. 
A vista do Rosengarten, que é maravilhosa em qualquer estação do ano. O Altes Tramdepot fica a 5 minutos, descendo a ladeira, e tem uma vista tão linda quanto 

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Para tomar umas cervejas boas 

Esse bar é uma delícia! Fica na cidade antiga, num dos tradicionais cellars de Berna, onde alguns séculos atrás era estocado o carvão para aquecimento das casas, o que já garante um super charme ao lugar. Mas além de tudo eles tem uma carta de cervejas artesanais, suíças e importadas, muito da boa. O cardápio de comidas é bem limitado, mas a Flamme Küche lá é de chorar de boa (é uma pizza de massa bem fina, típica das terras germânicas). 

Esse aqui é tipo achado local. Fora do centro, fica em Brentenrain, um bairro muito gostoso há poucos minutos da cidade velha. Acho que de tram é uns 6 minutos, e a pé uns 15. A carta de cervejas do Barbieri é mais enxuta, mas ainda assim, tem coisa boa, e é um ambiente gostoso, as vezes bem animado, com música ao vivo e tal. Gosto muito! A comida deixa bem a desejar, então deixe pra comer em outro lugar rs. 

O Tramdepot entra nessa categoria aqui também ;) 

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Para comer comida Suíça

No meio da Barenplatz, a praça mais turística de Berna, de frente pro Parlamento, tem um monte de restaurantes. Eu confesso que sempre fiquei meio ressabiada por achar que era comida cara que atrai turista mas não entrega qualidade. Na real em Berna tem pouco disso, e o Le Mazot, no meio desse fuá, tem comida suíça incrível. Eu gosto MUITO do rösti com raclette rs.. É pesado? Sim. É maravilhoso? Demais. Recomendo. 
A Bärenplatz, onde fica o LeMazot. Andando menos de 5 minutos chega no Lotschberg

Mais um clássico bernense. Aqui o ambiente é bem legal, o restaurante vive cheio, e no inverno é possível até sentar numa cabine de esqui na calçada rs. Eu fui poucas vezes, mas sempre pra comer o fondue, e ó: recomendo. Eles tem também rösti, queijos, sanduiches, e todo o cardápio suíço. Mas ele é bem concorrido, então vale fazer uma reserva se der tempo. 

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Comidas de outros lugares 

Acho que já comentei em um post que em Berna tem muita comida boa feita por imigrantes. E aqui vão meus favoritos: 

Esse restaurante fica escondido, não tem uma decoração de babar, mas a comida... YUM. É boa demais. Os donos são um casal suíço-tailandes, muito gentis, e que tocam tudo na maior simplicidade, mas com muita qualidade. Pegando o tram 6 direção Worb, é só descer em Gümligen Bahnhof, e ele ta há 2 minutos. Tudo é gostoso, mas eles tem um prato de degustação de petiscos que é delícia, e de principal eu gosto mesmo é da sopa de coco com lemon grass, que é maravilhosa. 

Também em Brentenrain, esse libanês é muito bom. As comidas são bem feitas, e o Mezze teller, um prato que vem um pouquinho de tudo, é ótimo pra experimentar bastante coisa. O dono fica sentado lá dentro fumando shisha e ouvindo umas músicas bem típicas, haha.. eu adoro o ambiente, e mais ainda no verão sentar no terracinho. 

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Badalação

Taí algo que não é o forte de Berna rs... Mas tem alguns bares que são garantia de burburinho. 

Um antigo colégio no centro de Berna, cujo ginásio foi transformado numa casa de show. O ambiente é super descolado, dentro e fora: se pra dentro é um bar/casa de show com uma decoração mais inimista, o jardim é um típico biergarten hipster rs... No verão é um dos melhores lugares pra ouvir música, ver gente, tomar birita, e até comer um kebab, já que o Pita Kebab, um foodtruck famoso de Berna, estaciona por lá. Em dia de shows a entrada é paga, mas caso contrário, é só chegar... 
O jardim da Turnhalle visto de dentro, num dia calmo (foto do site próprio)

Aqui é a maloqueirice de Berna rs. Debaixo dos trilhos do trem, tem ali quase que uma cristiânia suíça rs... um espaço onde drogas são praticamente legalizadas, a polícia não é bem vinda, a palavra de ordem é de anarquismo, e rola muita bagunça, mas tem balada, tem bar, tem restaurante, e te bastante gente. No verão então, é um fervo. Eu to meio velha pra Reitschule, mas confesso que de vez em quando gostava de passar por lá e ver a suíça ser menos certinha. 

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Para tomar bons drinks 

Mais uma gema dos cellars da cidade velha. O abflug é pequeninho, só aceita cash (não sei no pós pandemia) e faz os melhores drinks que já tomei na Suíça. Achar um lugar pra se acomodar lá pode demorar um pouquinho, mas vale se encostar no bar, pedir sugestão pro bar man, e se fechar o olho com gosto, se imagina até em New York rs. 
Drinks no Abflug (foto do guia GaultMillau)

Num dos hotéis 5 estrelas de Berna fica um bar muito gostoso, elegante, e que me fazia sentir RYCA. Os drinks são maravilhosos, acompanhados de um mix de nuts e amendoins variados. Se por um lado a chiqueza do hotel pode parecer intimidadora, não se acanhe.. Berna é bem relax e o pessoal lá não está mais arrumado que em outros lugares. Digo isso porque eu mesma demorei a ter coragem de entrar, mas depois que entrei, adorei e voltei. 

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Rooftops 

O rooftop mais badalado de Berna, mas longe de ser realmente badalado haha.. É uma graça. Fica quase em frente a estação central, no topo do outro hotel 5 estrelas da cidade. Oferece drinks gostosos, mas nada extraordinário ou inovador. Ali a graça mesmo é a vista linda da cidade. Também tem uns petiscos, mas eu nunca comi, então não sei. É um dos melhores lugares para estar no fim do dia, vendo a luz dourada atingindo os telhadinhos da cidade velha. 
Os telhadinhos de Berna vistos do Sky Terrace

Manora 
Pois bem, se de um lado tem dica de hotel 5 estrelas, de outro tem dicas economicas porque aqui a gente vai de hi-low. A Manor é uma loja suíça de departamento. Tem bastante coisa, e em quase todas elas, tem o Manora, um restaurante self service. Pois o de Berna tem um salão no rooftop que é bem na muvuca, vista linda, energia lá em cima e o melhor: drinks baratos. Ouso dizer que dessa lista inteira de bares e restaurantes, é o lugar mais barato pra comer. Só vai! Claro que, por estar na loja, é fechado a noite, e tal.. mas se tiver batendo perna de dia por Berna, vai com força.  

Os meus queridinhos - de categorias variadas

Esse é um bar pequeninho no meu antigo bairro, mas que está sempre cheio. Ambiente aconchegante, vinhos, cervejas, chás gostosos, tábuas de frio, nada de especiaaal. Mas é um lugar bacaninha pra se aconchegar numa mesa, conversar com os amigos, e ver mais gente. No verão as pessoas se espalham pela calçada, e no inverno ficam ali pra dentro a luz de vela. Nos 15 meses em que morei na Länggasse, foi um dos meus lugares favoritos para sentar e conversar, e eu recomendo pra quem quiser tomar um vinho numa vibe mais local. 
O Sattler, que de quebra vem com uma Gelatteria di Berna no fundo 

Também no meu bairro favorito - e também na Mittelstrasse, a rua badalada da vizinhança rs - esse lugar é perfeito pra um brunch: os bagels são de chorar, o café é delicioso, os bolos e tortas nem se fala. Um lugar muito fofo, tocado por um casal que além de talentoso, combina os looks e o penteado. Todas as vezes que eu fui lá - e foram muitas - senti o coração quentinho. 

Esse restaurante meio fusion, meio mistureba, fica também no Hotel Bellevue, mas tem uma entrada independente quase na Casinoplatz. A comida é variada, tem muita coisa de lugares interessante, e entrou na minha lista de queridos porque, pasmem, foi lá que eu comi uma moqueca de camarão com farofa MA RA VI LHO SA. Pois é. O ambiente é todo moderninho, tem um DJ mandando músicas legais, e uma vibe meio sofisticada meio farofa que me deixou muito feliz! Adoro Noumi e recomendo para um jantar em dias felizes e especiais :) 
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Espero que essa lista, se não ajudar ninguém em Berna, ajude alguém a pensar nos restaurantes da própria cidade, e como em tempos de pouca viagem, é possível ser feliz com a grama do nosso quintal!

O agosto mais rápido da história

Acho que já rolou piada de monte internet afora de como, nesse ano tão atípico, até agosto passou rápido rs. A real é que passou rápido mesmo, e eu desconfio que ter passado 1/3 do mês em férias contribuiu pra isso. Mas foi um mês muito gostoso de verão, sol e calor nessa Suíça, com a vida ainda normalizada apesar do corona. 

Eu contei aqui um pouco dos nossos dias no Ticino, que foram pura delícia. Mas chegando de volta em Zurich ainda tinha férias sobrando, e  a gente ainda ta com aquele olhar de morador novo, então fomos aproveitar a cidade e arredores, explorar cantos desconhecidos. Um dos programas mais legais que fizemos foi subir a Uetliberg, a montanha que tem aqui na cidade. É um programa bem tranquilo, e da pra chegar lá em cima de trem ou a pé por várias trilhas. Nós subimos por uma trilha mais tranquila, bem sinuosa e por isso menos íngreme, e decemos por outra bem mais pauleira rs. O rolê todo durou umas 3 horas porque fomos beeem tranquilos, sem pressa. As vistas da Zurich pelo caminho são bem bonitas, e chegando lá no topo além de uma super vista da cidade e do lago, ainda é possível ver as montanhas do cantão de Zug. Eu recomendo muito a trilha, porque é fácil e uma das poucas coisas pra se fazer absolutamente de graça nessa Suíça rs. 

Subindo

As vistas pelo caminho

E lá em cima com o carneirinho cansado

Uma coisa que eu fiz acho que em todos os dias que o sol permitiu, foi ir pra beira da água. Uns dias no lago, uns dias no rio, mas todos os dias debaixo do sol. Agosto é um mês que se por um lado é puro verão e calor, tem aquela lembrança de que o fim está próximo e eu fico muito louca querendo aproveitar todo e qualquer raio de sol. 
A beira do lago em Enge, com as montanhas ao fundo. Uma das minhas áreas de banho favoritas aqui em Zurich

Para curtir nosso último dia de férias, um domingo super quente, pegamos o trem e fomos pra Rapperswil, uma vila super fofinha quase na outra ponta do lago de Zurich, já no cantão de St. Gallen. A nossa ideia era almoçar por lá, curtir na beira do lago e voltar de barco, mas acabamos desistindo do barco porque estava calor demais, e a viagem que dura 40 minutos de trem, leva 2h com o barco. Debaixo de 38 graus ia ser tenso. Combinamos de retomar esse plano no outono, com o sol menos a pino. Rapperswil tem um centro medieval muito bonito, e uma das atrações principais por lá é um castelo, hoje convertido no Museu Polonês (embora a cidade não tenha uma forte imigração polonesa, um dos últimos donos do castelo era de lá e construiu esse museu, que dizem ser bem legal, porém a gente não entrou). Outra coisa é um jardim de rosas. O dia estava tão, mas tão quente, que a gente meio que desencanou de tudo e foi direto se refrescar na água.
Os telhadinhos de Rapperswil


My happy place

Uma outra descoberta aqui em Zurich foi o Katzensee, um lago pequenino nos arredores da cidade. Fomos um dia para conhecer, porém não pudemos entrar na área de banho por conta de Carlito (nesse post aqui falo sobre os locais que aceitam cachorro ou não). A gente já sabia que ele não entraria na badi (os banhos públicos), mas fomos mesmo assim achando que ia rolar entrar no lago em outros pontos. A real é que não rolou rs... Na área da badi eles preencheram o lugar com grama, tem pedra no chão e é mais "limpo". Na área em que sentamos pra fazer picnic, embora a vista fossem bem agradável, o chão do lago era pura lama e eu não curto. Mas mesmo assim, valeu o passeio, e principalmente, porque foi a primeira vez que fizemos um rolê mais longo com Carlito na cestinha. Ele está super adaptado. 

A melhor idéia que tivemos: podemos continuar nossos rolês de bike e Carlito fica super confortável 

A única foto que fizemos no Katzensee

Nesse dia, na volta do lago (que é uma pedalada de mais ou menos 40 minutos até a área central de Zurich), achamos um pop up bar muito legal, o Guggach Gärtli. O bar fica numa área enorme que está aguardando permissão para ser construída. Eles montaram vários food trucks de restaurantes e bares queridos da cidade por lá, e as pessoas ficam espalhadas numa vibe bier garten, tudo aberto. Acabamos indo lá mais uma vez depois disso, mas o pop up teve sua última noite ontem. Alias, essa é uma dica: ficar de olho nesses pop ups, a Suíça adora. No verão tem muito, quase sempre em lugares abertos, pra sentar pra fora e tal. Mas no inverno também tem, as vezes com foco no vinho quente e fondue :) 

No último fim de semana do mês, o nosso plano era ir para Zermatt, uma das vilas alpinas mais icônicas da Suíça, com o Matterhorn (a montanha do Toblerone rs) enfeitando a paisagem. Tem umas trilhas por lá que queremos fazer há anos (não sei se contei aqui, mas fomos pra lá uma vez no fim de abril crente que íamos fazer as trilhas e a neve ainda estava com mais de 2 metros de altura rs), e a idéia era ir antes do inverno chegar. Mas o fim de semana chegou com uma frente fria daquelas, com muita chuva na Suíça inteira, e pasmem, neve em algumas partes de Zermatt. Cancelamos tudo, e ficamos curtindo a chuva em casa. Pelo menos um plano de 2020 que não foi cancelado pelo vírus maldito hahaha

Agosto, além de sol e calor, veio também com o tal do novo normal, do qual tanto se fala mas que ninguém sabe bem o que é. Pra mim, o novo normal é voltar a ir ao escritório duas vezes por semana, num plano que deve se manter pelo menos até o fim do ano. Mati começou seu emprego novo aqui na região de Zurich, e ele está dando aulas presenciais, ou seja, vai pro trabalho todos os dias. E com a nossa vida profissional esquematizada, o novo normal também incluia encontrar boas soluções para Carlito nesses dias que estou fora de casa. Ele começou a ir numa "creche" às terças, uma fazenda onde ele brinca com uns 15 cachorros. Às quintas ele passa o dia em casa, e uma amiga querida vem fazer as vezes de pet sitter e anda com ele na hora do almoço. Deu tudo certo, está dando.
Um dia normal na Maison Milan Reynolds

E assim vamos indo: olhando o copo meio cheio. Os passeios feitos, os dias ensolarados, as pequenas vitórias. Tem coisa ruim aí no meio? Sempre tem. Mas eu tenho tentado focar no que há de bom, porque esse ano não tem sido fácil. Então assim seguimos... que setembro seja gentil e que o outono venha bem mansinho pra eu não assustar. 

Suíça com doguinho

 Quando eu contei da adoção de Carlito, eu mencionei também que um dos fatores decisivos pra gente dar andamento nesse plano foi o fato de a Suíça ser super dog friendly, de um jeito que seria mais fácil integrá-lo nos nossos programas e embora sim, tenhamos limitações, elas são menores. Agora que já temos alguns meses de experiência, acho que rola dar um pouco mais de detalhe. 

Transporte Público

Cachorros podem tranquilamente usar o transporte público na Suíça inteira. Os de porte maior pagam meia tarifa, mas no caso de Carlito, que pode ir no nosso colo, ele anda de graça inclusive. É bem tranquilo. Já peguei transporte cheio com ele, e levo ele no colo.


Fotos que retratam 2020: transporte bem vazio (e por isso Carlito não está no colo) e máscara 

Bares, cafés e restaurantes 

Cachorros são aceitos em 99,9% dos estabelecimentos do tipo. Nesses quase três meses que se passaram eu saí muito pra bares e restaurantes, e Carlito é sempre muito bem recebido. Teve um episódio em que fui esperar um amigo num bar de hotel, e eles não permitiam. Era um hotel executivo, então é bem fora do perfil mesmo, mas foi o único caso. No começo eu liguei em alguns lugares pra confirmar, porque não queria perder viagem, mas a regra é mesmo aceitar e receber o cachorro com tranquilidade. Inclusive, acho que ao menos metade dos estabelecimentos em que fomos, eles colocaram um potinho com água pra ele se refrescar. Quando fui procurar fotos, percebi que só temos foto dele quando sentamos pra fora (até mesmo porque fica mais fácil de ele aparecer na foto), mas é tranquilo também pra sentar pra dentro. Carlito - e todos os cachorros que vemos por aí - se acomodam embaixo da mesa e tudo certo. 



Carlito em suas incursões por restaurantes e cafés

Lojas

A maioria esmagadora dos mercados não aceita cachorros, lojas menores acho que aceitam de boa (os pequenos mercadinhos onde vou no bairro eu entro com ele, mas não nos mercados de rede), mas quando estou com ele e resolvo comprar algo, deixo ele amarrado na porta. Em lojas de roupas e afins não tive problemas para entrar com ele, mas é claro que se eu saio de casa para IR numa loja dessas, eu não levo o cachorro né rs... mas já aconteceu sim de estar andando com ele e entrar em alguma loja. Também já vi, ao longo desses 4 anos, vários cachorros dentro de lojas, com seu rabo saindo pra fora do provador hahaha. 

Hotéis

Desde que Carlito chegou nós fizemos algumas viagens curtas, de fim de semana, férias de verão, e nunca foi problema achar hotel que aceitasse ele aqui na Suíça. Inclusive, vários hoteis que vi nem cobram taxa extra pelo cachorro, como por exemplo nosso hotel em Gersau. Em um momento do verão achamos que seria possível dirigir até Amsterdam, e acabamos fazendo reservas em vários hoteis pelo caminho de ida e volta (tive que cancelar tudo depois rs) e também não foi problema achar opções em Luxemburgo, Bruxelas, Colonia e Heildeberg. A única diferença foi que todos os hotéis que vi nessas cidades cobravam uma taxa diária, entre 10 e 20 euros, que se justifica pela potencial limpeza extra que um hóspede canino pode demandar.

Em nosso apartamento em Lugano

Serviços

Locais como correio, repartições públicas, etc... não né? Eu já entrei no correio aqui com Carlito, confesso, mas tem a placa (que eu não vi) falando que não são permitidos. Ninguém falou nada até mesmo porque ele é tão quieto que acho que o povo do Correio não percebeu que ele estava lá. Mas eu dei um google depois e descobri que ele não poderia ter entrado. Então evitem rs.  

Banhos públicos (as badis)

Aqui na cidade de Zurich cachorro não entra em nenhum dos banhos públicos, que são como pequenos clubes na beira do lago e rio. Então quando eu quero ir pra um deles, Carlito fica em casa. Quando queremos levar ele, vamos nas áreas abertas, e tanto na beira do lago como do rio tem um monte. Mas em outros lugares, foi possível entrar com ele, como em Gersau, e na Lido San Domenico, em Lugano. Em ambos os casos, a gente ligou antes pra se informar e evitar perrengue.

Carlito e Bonnie curtindo a beira do lago em Gersau

E quem quer outra vida? 

Comparando com São Paulo, onde cachorro não entra em café, restaurante, bar, ônibus, e basicamente é mal recebido por tudo, é uma tranquilidade sem fim ter cachorro na Suíça. É claro que é importante que o cachorro seja sociável, que não fique latindo que nem doido dentro do restaurante por exemplo, ou faça xixi no ônibus. Antigamente treinamento de cachorro era obrigatório na Suíça inteira. Hoje é para algumas raças e em alguns cantões. A gente optou ainda assim por fazer um treinamento com Carlito, justamente pra gente ter um pouco mais de controle e garantir que consigamos integrar ele na nossa vida e rotina. Ta dando certo :) 

3 dias no Ticino, a Suíça italiana

Como eu dizia em algum post por aí, os planos de verão (e de primavera, e potencialmente de outono e inverno rs) escorreram pelo ralo. E quando a gente estava aqui pensando o que fazer com a minha única semana de férias no verão, começou a cair a ficha que nos restaria o inevitável Ticino rs. Veja bem, eu AMO a Suíça italiana. Amo o clima, a vibe balneário mediterrâneo, as palmeiras, a comida italiana, o povo falando essa língua maravegliosa e tudo mais. Porém eu amo, e a Suíça inteira ama, e é assim que verão no Ticino é bombado, com direito é trânsito dos infernos pra cruzar o São Gotardo, o túnel que liga a região central da Suíça à parte italiana. Mas capitulamos. Alugamos um apartamento, e voilà, acordamos tarde num domingo de tempo meio feio em Zurich, tomamos um café, Carlito na gaiola e bora. 

Carlito cruzando os Alpes 

O São Gotardo é uma obra faraônica da qual a Suíça muito se orgulha, um túnel de 17km de extensão, cortando uma das montanhas do maciço de Saint Gothardo, e facilitando a vida dos viajantes e também do comércio entre os países do norte da europa e a Itália. Dentro do túnel é pista única com duas mãos, e como engarrafamento lá dentro pode ser fatal, eles controlam a entrada e filas se formam antes do túnel. A gente já ficou parado nesse trânsito algumas vezes e dessa vez, como tínhamos tempo de sobra, zero pressa, e vontade de aproveitar as férias ao máximo, resolvemos atravessar a montanha por cima, cruzando o Passo de São Gotardo. Os passos são as estradinhas que sobem as montanhas e as cruzam pelo topo. Normalmente são estradas simples,  sinuosas, íngremes e que proporcionam vistas lindíssimas. E assim foi a crusada do Passo, a 2106 m de altitude. Lá em cima tem um lago, e a gente desceu pra dar uma esticada nas pernas e uma olhada. Mas estava vento demais, frio, e tinha muita obra por perto, então a paisagem estava poluída por gruas rs. Chegamos em Lugano a tempo de, mesmo sem reserva, sentar na mesa mais bonita da cidade e curtir um jantarzinho balado e delícia. 

Nossa vista do jantar era quase essa daí, com o San Salvatore


Na segunda feira acordamos e fomos caçar um café da manhã, já nos encaminhando pro centro da cidade. O centrinho de Lugano é puro charme, a orla é linda, e a vista do San Salvatore QUASE lembra um Pão de Açúcar rs (muitos risos mas enfim, divago rs). Nosso plano era pegar a gôndola e subir o morro, coisa que ainda não fizemos, mas o tempo começou a fechar. Pensamos em fazer algo bem fora do nosso perfil: ir dar uma olhada no outlet de luxo que tem no subúrbio da cidade. Mas antes da gente conseguir fazer qualquer coisa, caiu uma PUTA chuva com vento e tudo mais. Nos restou sentar num bar e passar o dia inteiro lá tomando os bons drinks. Teria sido um dia perdido se eu não gostasse tanto de bons drinks rs.  

O único registro do dia, antes do toró cair

Na terça feira nós tinhamos um programa definido: caminhar pelo centro, pegar o barco no pier Lugano Centrale, e ir curtindo o lago até chegarmos em Gandria, um vilarejo encravado na montanha, na beira do lago, sem acesso de carro, e cheio de charme. Há 3 anos, nós fomos caminhando a Gandria e voltamos de barco. Dessa vez resolvemos fazer o trajeto inverso, para pegar os restaurantes abertos e almoçar com uma vista épica. E se valeu a pena? Ô! O barco de Lugano para Gandria dura cerca de 35 minutos, custa uns 16 francos para quem não tem nenhum desconto. Não é que tem muita coisa pra fazer em Gandria, mas é um vilarejo lindo, tranquilo, fotogênico, e da próxima vez que formos a Lugano, quero passar uma noite lá.

De barco, entre a Suíça e a Italia
 
A chegada no vilarejo de Gandria

E a varanda do Locanda Gandriese, um restaurante delícia

Em nosso caminho de volta, a pé, paramos em Lido San Domenico, um banho público que é mara: tem música boa, drinks, aceita Carlito, e o melhor: acesso direto ao lago de Lugano, o lago com a água mais gostosa dessa Suíça. Passamos o resto da tarde lá, entre um mergulho e outro, um drink e outro, lendo, curtindo a música boa, e a vista incrível. Digo que o lago de Lugano tem a melhor água, porque a temperatura é perfeita: não é gelado, não é quente, é gostoso demais ficar dentro da água. Esse esquema ainda é o que pra mim eu defino como um dia perfeito de férias: um pouco de sight seeing, uma vila bonita, uma comida boa, e horas de "praia". Eu passaria o resto da vida assim :) 

A trilha de Gandria pra Lugano começa assim, bem rústica e linda

E tudo que eu quero pras minhas férias suíças: Lido San Domenico


Na quarta feira fizemos check out e pegamos o carro sentido Locarno. Dessa vez, no entanto, não fomos para a cidade. Nosso destino era um dos hits suíços no Instagram: Lavertezzo, uma vila pitoresca encravada no meio da montanha, cortada por um rio de água absurdamente esmeralda. Aqui fica o alerta mor: se for fazer esse trajeto de carro, vá cedo. A gente meio que dormiu no ponto, chegamos lá por volta do meio dia, e foi MUITO difícil pra estacionar o carro, porque as vagas são limitadas. É possível chegar lá de post bus, só procurar no app da SBB. De Lugano até lá, de carro, é coisa de 45 minutos, e quando começa a subir a montanha, o caminho vira um desbunde. 

Lavertezzo numa foto: montanhas, cidade, água esmeralda, aglomerações e desbunde a olho nu


Lavertezzo deu uma bombada depois de viralizar no instagram, e virou um top destination no Ticino, e por isso acaba sendo também um acúmulo de perrengues: estacionar, achar um lugar sem muita gente por perto, fila pra pular da ponte direto na água, então, tem que ir com paciência. Nós acabamos incluindo na viagem de última hora, porque estávamos perto, e valeu a pena. Achamos um canto pra chamar de nosso e curtir a água mais gelada em que já me enfiei rs. Depois fizemos uma caminhadinha bem de leve até a vila. O ideal seria ter mais tempo por lá, talvez dois dias, e se embrenhar pelo Valle Verzasca, ver as paisagens com menos gente em volta. Muita gente acampa por lá, faz trilhas, e eu acho que esse deve ser o melhor jeito de explorar a região. Terminamos nossa viagem comendo uma pizza de frente para um lago artificial formado numa barragem, e delá seguimos viagem de volta pra casa. 

Aquele perrengue chique básico do verão europeu: tomar sol na pedra rs

Fim de viagem de frente pro lago de Vogorno

Foram dias muito gostosos, lazy, devagar, eu quase fiquei com a impressão que não vimos muita coisa, mas agora colocando assim tudo escrito, na verdade fizemos foi bastante coisa :) E eu gosto desse relato diário, que é mais pra mim do que pros outros, mas aí no meio ta cheio de dicas, querendo, é só explorar! 

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