O elefante na sala

Estou desde outubro com esse post entalado rs. Eu ainda não superei a eleição desse ser para a presidência do nosso país, e superei menos ainda o fato de que um monte de gente que eu conheço, de quem já fui muito próxima, com quem divido sangue e afeto, votou nele. Eu nem vou entrar no mérito do "outro candidato", porque já votei em várias merdas porque não curtia o outro candidato... já votei em Alckmin, em Aécio, e o escambau, porque não queria votar no outro candidato. E até então nem tinha tido outro candidato que defendia tortura. Então eu não aceito. Também não vou falar os infinitos motivos que tenho pra só chamar o presidente eleito de merda, porque quem sabe, sabe. Quem não sabe, sei nem o que ta fazendo aqui. 

O que vim resmungar aqui é do desconforto que essa eleição criou. Porque eu to que nem ando afim de conversar com gente que até então era próxima. Abriu-se um buraco dentro do meu peito que eu não consigo nem olhar foto de instagram de certos amigos, tamanho o ranço. Eu também dei graças a deusa que eu acabei tendo um motivo muito verdadeiro pra não participar do amigo secreto da família, do qual eu vinha participando por skype desde que saí do país. Eu não tenho vontade de conversar com alguns parentes, e se por acaso tirasse um deles, acho que eu ia dar uma banana. 

"Ai, não seja radical", dizem uns. Mas sabe, radical o cacete. O cara diz que mulher merece ganhar menos que homem, que gay tem que apanhar, que não tem mudança climática, exalta torturador em plenário, ameaça outra de estupro, enfia tudo que é filho, irmão, primo e caseira no cabide de emprego, e ainda por cima, como não bastasse ser um ser humano horrível e deplorável, ainda por cima é um grande dum burro e despreparado. E aí, vem gente dita instruída procurar motivo pra fazer esse cara presidente do Brasil, e eu que sou radical de querer que vá todo mundo pro inferno? 
Enfim, eu disse que não ia falar porque diabos o merda é um merda, e acabei falando. Mas o grande X da questão desse post é o seguinte: como faz pra viver sem odiar quase todo mundo nesses tempos? Alguém sabe? Depois do Natal passa? Ou piora? Me ajudem. 

Dicas de Budapeste

Nossa viagem pra Budapeste foi bem curta, e por isso não fizemos nada além de coisas que já constam em tudo que é guia, blog e instagram de viagens. Mas tem algumas pequenas coisinhas que acho que valem a pena ser compartilhadas. Voilà. 

Corvin Plaza Apartments & Suits
Eu achei esse lugar no Booking, e como tinha uma nota boa, preço legal, e localização parecia certeira, acabei fechando sem prestar muita atenção. A verdade é que eu ando bem preguiçosa pra pesquisar as coisas a fundo, e ando acreditando "na cara" que as coisas tem, e acho que é questão de tempo até eu tomar uma entubada daquelas rs. Mas ok, chegamos no aeroporto e de lá foi bem fácil pegar um ônibus e depois andar cerca de 10 minutos até o "hotel". Apesar de ser um monte de apartamentos, eles tem recepção 24h e vendem entradas para algumas atrações da cidade, como as termas. E chegando no quarto, a surpresa. É um apartamentinho bem do ótimo. Tinha cozinha completa, banheiro com lava roupa, TV e varanda. Se eu estivesse viajando há duas semanas e chegasse nesse lugar, acho que ia chorar de emoção rs. E o melhor: pagamos 35 euros a diária. É possível que na alta temporada seja um pouco mais caro, mas gente... preço ótimo para um quarto legal e bem localizado. Fizemos quase tudo andando, e quando quisemos pegar transporte, tinha metrô, trams e ônibus passando super perto. Enfim, recomendo demais. 
Uma fotinho tosca de parte do quarto, onde ainda não tínhamos feito bagunça rs
E a vista da nossa vatanda
Budapest Bägel 
Estávamos andando do hotel pra beira do rio, e passamos por essa casa de bagel, que estava bem movimentada. Resolvemos tomar nosso café da manhã ali. Dividimos um Bagel de salmão bem gostoso e tomamos um café cada um, e a conta deu um total de TRÊS euros. 

New York Café 
Acho que o café mais bonito em que eu já pisei na vida. É turístico, tinha fila, mas valeu muito a pena. O ambiente é um desbunde de tão lindo. Os preços são meio salgadinhos, mas a gente resolveu aproveitar que o fim de semana estava saindo bem em conta e chutamos o balde, tomando um super brunch. Mas tinha muita gente que entrou lá só pra comer uma torta, tomar um café, e apreciar a atmosfera, e eu acho que vale muito a pena. Recomendo demais o Strudel. 
Olha. Esse. Lugar.
Termas
Vá durante a semana. Eu estava mega empolgada pra ir num banho termal, porque eu adoro essas coisas, spa, massagem, banho de banheira etc. Mas a real é que é muito cheio, e eu, que estava tão empolgada, acabei ficando com um pouquinho de nojo. Além do que, não consegui relaxar tanto quanto achei que relaxaria. Enfim, recomendo que, quem quiser visitar a cidade e fazer esse passeio, o faça de dia de semana, quando deve ser mais calmo e ter menos grupinho em despedida de solteiro rs. 
Fomos na Széchenyi, a maior terma de Budapeste
Acho que de dicas práticas, são essas. Não fizemos nenhum passeio insider fora da rota turística e tenho zero arrependimentos. Budapeste é linda, e quem sabe um dia volto no verão para ver outra cara da cidade, com um pouco mais de tempo. Deixo aqui umas fotos dessa cidade ó <3






Novembro Intenso

Eu ainda to me beliscando que novembro ta acabando e meu deus do céu, é natal...
Oi bininas, tutu bom?
Novembro foi um mês intenso, cansativo, dramático, babaaaaado nessa minha vida hahaha, e eu vou fazer recap sim porque to eu mesma ficando meio de boca aberta com tanta coisa que aconteceu rs. 

Começamos o mês numa viagem do vôlei da escola de Mati. Não sei se já comentei por aqui, mas além de professor, ele é técnico de vôlei do time feminino da escola e quando há viagens, é necessário sempre que uma mulher acompanhe e eu normalmente me voluntario para fazer esse serviço rs (me voluntariava, porque ao fim dessa viagem rolou um mini drama, teve um email mega mal criado de um pai, e eu resolvi que num sou nem paga nem treinada pra lidar com essa patifaria, portanto encerrei minha carreira de chaperon voluntária rs). Mas voltemos a Lausanne, rs. Mati conseguiu que um colega dividisse o trabalho com ele, ficando com as meninas até as 15h do primeiro dia de torneio, e por isso a gente conseguiu passear por Lausanne, cidade que adoro, abrir a temporada de fondue, curtir um pouquinho, e foi delícia demais! Acabei só fazendo uns stories e nada de fotos, mas pra fins de ilustração, vai foto de stories mesmo (e lembrem: visitem Lausanne, é linda :)
No fim de semana seguinte fomos para Budapeste, numa viagem que não pensei muito e agendei uns meses atrás numa promoção da Easy Jet. Eu morria de vontade de conhecer a cidade, sempre li maravilhas sobre. Budapeste é linda mesmo como todos dizem, tem hora que até te tira o fôlego. Mas devo dizer que me lembrou bastante Praga, e mais, acho que uma Praga com ainda mais resquícios de comunismo. Acho que Budapeste foi o lugar (tirando a Rússia, claro) em que essa lembrança do comunismo se fez mais presente . Foram dois dias inteiros, intensos, em que conseguimos fazer quase tudo que queríamos sem ter que correr por aí. Comemos bem, curtimos a cidade e ficamos cheios de  boas lembranças <3 
E como nem só de viagens e programinhas românticos é feita a vida, novembro teve seu lado bem bandido. Contei no começo do ano que comecei uma pós graduação. As aulas do curso acabaram sexta-feira, e agora só me falta entregar um paper, cujo prazo é fevereiro. MAS... antes de acabar, deve um bendito estudo de caso em grupo. Apesar de termos dois meses pra fazer, é claro que foram nas últimas semanas que o bicho pegou. Teve colega folgadésima não entregando nada, teve choro, teve noites mal dormidas, mas no fim, teve apresentação, uma sabatina feroz, e teve aprovação. Ta mais do que bom. 

Teve também trabalho, muito trabalho. Eu contei que estou fazendo um estágio, né? E por mais valiosa que esteja sendo a experiência, não vou ser besta, a verdade é que eu quero um emprego fixo, um salário compatível com minha experiência, um sossego pra minha vida. E como já é sabido, no pain, no gain. Eu to trabalhando que nem doida, tentando mostrar pra essa galera que, apesar de toda a loucura envolvida, eu sou um belo asset pro time rs. Eu estou trabalhando com coisas muito interessantes, mas que são novidades pra mim, então além do esforço natural que é mostrar serviço, eu to tendo que estudar bastante, aprender, dar com a cara na parede, enfim... ta sendo uma experiência interessante, mas exaustiva. 

Por fim, estamos de mudança. Olha que maravilha? Hahaha.. na verdade, só nos mudamos em fevereiro. Mas desde o fim de setembro estávamos procurando um novo lar pra chamar de nosso, e isso na Suíça é quase um emprego integral rs. Quando chegamos por aqui queríamos morar no centro da cidade, mas não sabíamos quando eu iria trabalhar, e optamos por um bairro um pouco mais afastado e por isso mais em conta. Gosto muito de de Ostermundigen, o bairro em que moro, mas depois de dois anos, estamos com saudades de viver na "muvuca" (bem entre aspas, porque em Berna não tem muvuca, rs). Isso aliado à minha rotina de viajar pra Zurich todos os dias facilitou a decisão de começar a procurar. Foram uns 45 dias visitando apartamentos quase todos os dias, preparando papelada pra application, escrevendo cartinhas, quase se humilhando e pedindo pelamordedeeeeeusss me deixa morar aí, encaixando essas visitas na nossa rotina louca. Se você me segue no instagram e viu várias casinhas fofinhas pelos stories, era eu explorando possíveis bairros haha. Mas enfim, achamos um canto pra chamar de nosso, finalmente. Agora é hora de começar a planejar essa mudança. 
Mas sabe o que é melhor mesmo? É que a vida ta tão, mas tão agitada, ando tão ocupada, que não deu tempo pra sentir depressão de inverno. Me lembro bem que desde que cheguei aqui, acaba o verão e  nessa altura do ano eu estava imprestável, chorosa, deprimida e derrubada. Os dias curtos, cinzas, cheios de névoa, sugavam minha energia e tudo era muito difícil. Esse ano, pelo menos por enquanto, não tive nem tempo de me deprimir. E sim, essa sou eu tentando olhar o lado bom das coisas, porque no fim, eu descobri que sou essa pessoa haha.. 

E novembro foi isso daí. Agora é hora de encher a banheira, botar uma músiquinha, acender uma vela, descansar as pernas e começar a pensar no que que eu fiz de 2018, e o que eu quero pra 2019. No fim, a gente tira um sarro da Simone, mas convenhamos que chega fim de novembro, a gente fica assim mesmo, né... então é Natal e o que você fez?!

The Office, Suíça

É meio inacreditável, mas já faz três meses que estou trabalhando. Depois de um começo meio sofrido, eu finalmente peguei ritmo, comecei a entender melhor a estrutura da empresa, a me sentir confortável e segura no que tenho que fazer. As coisas andam indo super bem, e eu já obtive um excelente retorno pela minha "coragem" de fazer, nessas alturas da vida, um estágio (ou returnship, como diz minha chefe). Mas é óbvio que as coisas são bem diferentes aqui do que no Brasil, e eu achei legal dar uma comparada com as nas principais diferenças que vejo na vida corporativa da Suíça. Voilà. 

Horários
Se por um lado aqui as coisas me parecem bem mais flexíveis (muitas pessoas trabalham part time, tipo 60%, 80%, etc), por outro tem algumas coisas bem determinadas: horário de chegada e de saída. O pessoal aqui chega em geral até que cedo, mas saí também cedo: entre 17 e 18h o escritório esvazia. E não tem desculpa, ninguém fica sem jeito, nada, deu 17h, o povo fecha o computador, levanta e vai embora. Não posso falar pelo Brasil inteiro, mas na minha vida inteira em SP, quem ia embora antes das 18:30, "estava desmotivado" e era mal visto. Mesmo no meu antigo emprego em que eu podia trabalhar de casa, eu estava à disposição até bem mais tarde do que isso. Aqui não tem essa, e o balanço entre vida pessoal e profissional é mais respeitado. 

Produtividade
Se por um lado o povo sai mais cedo, devo dizer que rola bem menos cafezinho e horário de almoço. A galera aqui é bem pá pum, e não fica "disperdiçando" tempo fora de casa. No Brasil a gente sempre faz 1h de almoço (direito legal, incluive), e toma vários cafézinhos ao longo do dia. Aqui percebo que a galera toma um café de manhã, outro depois do almoço e rapidinho (meu horário aqui é de 30 minutos), e nada também de ficar enrolando muito pela internet da vida. Enquanto estão sentados em frente ao computador, estão rendendo. Resumindo: passam menos tempo no trabalho porque são mais efetivos. E isso não é um elogio ou uma crítica, apenas uma constatação. 

Dress Code
Um tanto mais relaxado, rs. Não que as pessoas não se vistam profissionalmente, mas vejo muito mais jeans, sandália rasteira (no verão) e tênis do que é aceitável num escritório no Brasil. Também fiquei meio abismada com o tanto de mini saia rs... A real é que dress code não me parece um tema, sabe? Acho que se você trabalhar com público, talvez seja. Mas mesmo estando numa empresa de serviços financeiros, percebi que não tem orientação, não tem regra.

Cantina
O direito ao Vale Refeição como conhecemos não existe na Suíça. A maioria dass empresas grandes, no entanto, tem cantinas onde a refeição é subsidiada, saindo mais barato do que ir a um restaurante. Isso acaba contribuindo, claro, para que o horário do almoço seja mais curto do que conhecemos no Brasil. Eu no começo ficava meio broxada de não sair, tomar um ar, ver gente diferente. Agora que acostumei - e que o inverno chegou rs - já não ligo mais de almoçar na cantina todo dia. Além do que, pra quem é mais despachado, é uma ótima oportunidade de fazer networking. 

Sitting 
Por fim, uma particularidade que acho que não é suíça, mas da minha empresa. Eles tem espaço dinâmico, ou seja, são estações equipadas com monitores, dockstation, telefones, você chega todo dia com seu laptop e senta onde quiser, é só conectar o computador no dockstation e digitar seu código no telefone. Pois bem. Sabe o que as pessoas fazem? Isso mesmo, sentam todo dia no mesmo lugar hahaha.. 

Pessoal que trabalha em outros países, alguma diferença?

Um fim de semana em Annecy

Fim de semana passado eu fui com uma amiga para Annecy, uma charmosa cidade francesa bem perto da fronteira com a Suíça na área de Genebra. A idéia veio de um post que li anos atrás no Diário de Polly, como um passeio legal pra se fazer a partir de Genebra. Há algumas semanas compramos as passagens de FlixBus (eu jurei que não poria meus pés mais nessa tranqueira, mas pus rs) e pagamos mais ou menos 17 euros ida e volta. A viagem dura 40 minutos. Reservamos um AirBnb no centro histórico, e voilà. 
Oi Annecy :)
Chegando na cidade num sábado por volta do meio dia, nos deparamos com um festival, uma Annecy bem cheia e movimentada. Não sabíamos direito o que era, mas ficamos nos encantando pelas ruas estreiras com canais floridos, bares, bicicletas, tudo numa pegada medieval, até a hora do nosso check in. Quando fomos conversar com o nosso host, ele explicou que ia ter desalp, e que a parada passava bem em frente ao apartamento. O desalp é uma festividade de outono, quando as vacas e demais animais descem dos Alpes para enfrentar o inverno no quentinho dos estábulos. Da nossa vista mais do que privilegiada na varanda, assistimos o desfile das vacas, ovelhas, gansos, cachorros, fazendeiros, padres, músicos. Tudo muuito fofinho e alpino demais <3




Vacas enfeitadas, alpenhorn, e a nossa vista privilegiada imune a mijada de animais rs
Quando acabou o desalp, saímos para explorar a cidade. Demos muita sorte com o tempo, e estava além de super ensolarado, com uma temperatura incrível para essa época do ano. Passamos o dia andando por todas as ruazinhas, sentando na beira de canais, tomando um sol, comendo bem, entrando em lojinhas e enlouquecendo com a beleza colorida de Annecy. A cidade é maravilhosa demais! Fica no meio dos Alpes do Ródano, tem um lago babado, tem seus primeiros registros datados do século X, pontes e canais, flores, é um presente pros olhos.


Surra de canal porque eles são maravilhosos demais

E aos domingos rola mercado sobre as pontes. É incrível!
O canal até o lago <3
No domingo não tínhamos muito plano, e embora seja impossível enjoar de passear pela cidade, resolvemos tentar algo diferente. Andamos até o Castelo d'Annecy, uma construção do século XVI que fica no topo de uma pequena colina e hoje abriga um museu, porém estava fechado pra almoço rs. Fica essa dica: quem for visitar, evite as 12-14h, porque ele fecha. E foi aí que paramos numa loja de aluguel de bike e perguntamos se rolava dar a volta no lago. O cara nem prestou atenção na minha cara de mocoronga, no meu outfit não apropriado, na bike nada a ver que ele estava prestes a alugar pra gente, nada.. só disse, sim, é sim. E pronto.. la saímos nós felizinhas andando pelo lago. Depois de uma hora e meia e uma descida absurda, resolvi olhar no mapa e tomei um susto: tínhamos pedalado 16km, e ainda faltava 24 pra terminar a volta ao lago. Eu meio que paniquei. Mas depois daquela descida imensa, fazer meia volta não era uma opção. E foi assim que pedalei 40km de calça jeans e sapatilha rs. Mas olha, devo dizer que apesar da dor nas pernas, I regret nothing. A vista foi linda por 40km, e não teve um minutinho que não babei na paisagem. 
Sem saber ainda o tranco que nos aguardava rs...
Depois de uma subida poderosa, olha essa vista!
A cara de morta feat. destruída, porém feliz
E como não estar, né?
Chegamos de volta na cidade com tempo de pegar nossas coisas no apartamento, tomar um café, sentar na beira dos canais pela última vez, e nos despedir de Annecy com vontade de voltar. Não tenham dúvidas de que eu voltarei :) 

Procurando emprego na Suíça

Não é porque recebi umas propostas que virei expert no assunto rs, mas agora pelo menos consigo dizer o que pode funcionar mais ou menos. E de quebra, as always, tentar ajudar alguém que precise. 

* * *
CV
O currículo por aqui é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. De cara, quando fui ao trabalho de Mati pedir à RH dele para dar uma olhada no CV, ela já lançou: falta foto, ta enxuto demais. Eu acho um absurdo gigantesco ter que botar foto no currículo, pois é uma baita ferramenta de discriminação. Mas o mundo a gente muda aos poucos, e pro emprego eu tinha pressa rs. Então tirei uma foto estilo profissional, com fundo branco, com roupas de trabalho (nada de cortar aquela foto que você saiu bonita numa viagem rs) e, muito braba, botei no currículo. Além disso, se no Brasil menos é mais, aqui mais é mais mesmo haha. Aparentemente, o currículo deve explicar de forma mais detalhada as experiências profissionais, e se isso resultar num CV de até 2 ou 3 páginas, tudo bem. Então fiz isso. A ideia é que fique mais ou menos assim:
Obviamente, essa não sou eu. Esse CV é um template do site http://genericrevia.club/
Onde procurar? 
A internet, meus queridos, é um mundo de oportunidade. A minha principal fonte de busca foi o LinkedIn, desde sempre. Perfil atualizado, e busca diária. Mesmo quando eu não tinha o visto de trabalho, estava sempre olhando por lá. No total, consegui quase umas 10 entrevistas pelo site e uma virou proposta. As empresas estão cada vez mais usando o Linkedin, e vale gastar tempo lá (e se comportar, Linkedin não é Facebook). Também usei bastante o Indeed e lá tem muuuuita coisa, muita mesmo. Tem ainda os sites de agências, como a Hays, a Page Personal (do Grupo Michael Page), Adecco, Randstad, etc. Se você entrar nisso tudo, vai ter um range bem grande de vagas, indo de trabalhos manuais até grande diretoria de empresas rs. 

Networking
É fundamental. Li um dado de que quase 70% das vagas na Suíça não são postadas (e desconfio que esse número seja similar mundo afora), e ter uma rede de contatos pode ser fundamental para você se colocar no mercado. Chegando num país novo é bem difícil construir essa rede e por conta disso eu comecei a frenquentar MeetUps, entrei em grupos de facebook, fui à palestras e isso foi até um dos fatores decisivos para eu optar pelo curso que estou fazendo. Num encontro de um grupo do facebook, acabei conhecendo uma mulher cujo marido era advogado, e recebi um email para realizar um projeto com ele. Na época era um projeto de um mês, e eu estaria 15 dias desse mês no Brasil, além da questão do visto, então não rolou. Mas olha só.. um drink no bar virou um possível projeto temporário, que poderia ter virado uma vaga permanente. Através da rede de contatos da Universidade de St. Gallen, onde estou fazendo meu curso, consegui o estágio que estou realizando no momento (sim, virei estagiária, e irei explorar esse ponto logo abaixo). É muito importante conhecer pessoas que possam te informar de vagas não postadas, que possam te recomendar para amigos, que possam ao menos passar o seu CV para o topo da pilha. Inclusive, eu coloquei o networking aqui, embaixo de onde procurar, porque uma coisa complementa a outra: você pode achar uma vaga no Linkedin, por exemplo, e achar um contato que trabalhe na mesma empresa, que possa botar o seu CV na mão certa.

Candidatura
O famoso application, rs.  No Brasil, quando me candidatava pra alguma vaga, era só escrever um email falando que estava interessada na vaga e anexar o CV. Aqui é beeem diferente. O CV deve ser acompanhado primeiramente de uma bendita cover letter, a carta de motivação. Eu detesto escrever cover letter, mas é necessário. Não vou dar receita de cover letter aqui porque quem sou eu na fila do pão, né... mas acho que é importante manter princípio básicos de redação: introdução, exposição, conclusão, tudo de forma coesa, e sem se alongar muito porque os caras tem sabe-se lá quantas candidaturas pra ler. Fale da sua experiência, do seu interesse pela vaga, e pronto, seja profissional. Além dela, devem acompanhar o CV o diploma (SIM, o DIPLOMA) e cartas de recomendação de antigos empregadores. Então é bom ir atrás desses documentos se vocês, assim como eu, não tem eles em mão rs. Eu me formei em 2010 e nunca tinha buscado meu diploma, olha a vergonha hahaha.. Fui quando me informaram que sem apresenta-lo aqui não ia rolar. Mesma coisa para carta de recomendação, eu nunca pedi. Mas graças a deusa sempre tive bom relacionamento com chefes, e ai fui atrás delas com um c e r t o delay, e resolvido. Ai pega CV, cover letter, diploma, recomendação, faz um tudo um PDF só e pronto, ta pronto seu application :) 

Aceite que talvez uns passos pra trás sejam necessários
Aqui acho que é um ponto crucial dessa busca. Já comentei em algum post do blog de como foi "dolorido" ver a minha experiência sendo diminuída. A verdade é que chegar num país novo é abrir mão de muitas coisas, inclusive de muitas conquistas. Eu fiz uma faculdade de Direito que no Brasil tem certo prestígio. Aqui ninguém N U N C A ouviu falar. Eu trabalhei num escritório de advocacia de ponta, com o cara que escreve livros que a gente usa na Universidade. Aqui? É isso mesmo, nunca ninguém ouviu falar. Trabalhei em multinacionais relativamente grandes, porém dessas que eu nunca tinha ouvido falar antes de entrar, e nunca mais ouvi falar depois que saí. Empresas que empregam 20 mil pessoas pelo mundo, cujo serviço passa dentro das nossas casa algumas vezes por dia, mas que não conhecemos, e que não trazem um pingo de atenção pro meu CV. Resumindo, aqui, no meio de tantos CVs com Sorbonne, LSE, St. Gallen e afins, eu sou ninguém. E se eu era gerente no Brasil, rapidinho aceitei numa boa que não seria aqui. Tentei expor a minha experiência da forma mais rica possível, e apliquei para vagas que condiziam com ela, mas também para vagas bem mais juniores. Tracei como estratégia conseguir uma vaga, qualquer que fosse ela, numa empresa grande, respeitada, que sobressaísse no meu CV pra sempre. E foi aí que, mesmo tendo recebido uma oferta de emprego fixo (também para um cargo mais baixo do que eu tinha no Brasil), bem remunerada, numa empresa grande, resolvi aceitar uma vaga de estágio numa empresa Fortune 500. Pra quem não ganhava nada, o salário de estagiário já estava bom rs, e eu entendi essa oportunidade como um investimento a longo prazo para a minha carreira. Vejam bem, eu recebi duas ofertas, as duas para vagas mais júniores que a minha experiência permite. Mas tudo bem. Entendi que esse vai ser o passo pra trás que me permitirá dar dois pra frente. Por isso, se abra para outras possibilidades. Mudar de país é um eterno exercício de humildade, em vários aspectos. 

Esses são os pontos que eu acho mais fundamental. Se alguém tiver como complementar esse post, será muito bem vindo :) 

A cara da gente

Num post lá nos idos de 2015 eu contei a relação com meu cabelo crespo e meu retorno às origens depois de mais de uma década de alisamento. Na época eu estava deixando o cabelo ao natural, e queria ver no que ia dar. A verdade é que deu muito certo. Eu fui deixando o cabelo crescer, fui cortando, fui tirando a química, fui tratando. Cheguei no ponto que eu queria. E foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

Eu vivia com o cabelo desarranjado antes, e achava que era porque ainda precisava crescer, que ainda não tava "no ponto". Eis que, depois de 3 anos, eu não tinha mais  que pensar, o cabelo estava no tal do ponto. E no dia que eu lavava, ele ficava LINDO. Em todos os outros dias, era um ninho de cobra embaraçado que eu prendia em coque. O meu cabelo cacheado é seco, não se deve lavar com muita frequência, o que significa que eu passava muito mais tempo com um cabelo que não me agradava do que o contrário. E as vezes eu tinha aquelas vontades doidas de alisar, mas ai lembrava dos dias bons e passava... 
Cachos maravilhosos no dia da lavagem
Além dos "good hair days", uma coisa que ficava me martelando muito era essa de aceitação. Eu queria muito participar dessa tomada nossa pelos nossos corpos, desse amadurecimento que a mulherada está passando na relação com a própria imagem refletida no espelho. Eu queria ficar confortável com o cabelo que nasci. Então por mais que tivesse uma pulga atrás da orelha me atormentando, eu achava que era resultado de uma vida de imposição de cabelo liso como o modelo de beleza. E vamos combinar que de certa fora era sim. 

Mas a real é que toda vez que o facebook me trazia uma lembrança das antigas, eu e meu cabelo liso, eu tinha uma sensação de nostalgia muito profunda. Mas muito profunda MESMO. Me dava uma tristeza, e eu ficava "quero meu cabelo de volta". Só que perai, agora é que eu tinha o meu cabelo, né?! E eu não tentei reprimir essas ideias não, mas fiquei atrás de tentar entender o sentimento. E eu entendi que ter alisado meu cabelo dos 15 até quase os 30 moldou minha auto imagem. Eu acabei percebendo que essa pessoa de cabelo encaracolado, por mais bonito que fosse, não representava bem a imagem que eu tinha de mim mesma. Não era "a minha cara", sabe?!

E aí que nessa eu resolvi fazer uma viagem no tempo, e vou compartilhar aqui umas imagens antigas aqui:
2005
2006

(pausa dramática para a invenção e popularização do smartphone)
2012
2013
2014
2015

Não é que meu cabelo esteja f a b u l o s o em todas essas épocas, mas é assim que eu me reconheço. Demorei algum tempo pra entender que, qualquer que tenha sido o estrago do tal padrão de beleza, meio que já ta feito, porque eu simplesmente não consigo me identificar com o meu cabelo natural. E na boa?! Tudo bem. Eu acho que o grande ponto dessa revolução toda é que a gente se sinta bem. É desencanar de achar que tem um "jeito certo". E sim, hoje em dia não cabe mais induzir alguém a mudar algo do próprio corpo para se enquadrar em padrão. Assim como não cabe a gente ficar forçando numa coisa que não ta funcionando. Eu queria fazer muito parte do movimento de ode aos cachos, tentei até onde deu. Mas a prioridade sou eu. 

E foi assim que eu cheguei no Brasil disposta a voltar no meu mago dos cabelos (rysos) e retornar ao meu antigo visual. Peguei várias dessas fotos aí e mostrei pra ele. E depois de algumas horas (que seguem atormentando o meu saco), eu saí de lá me estranhando, mas me reconhecendo. Depois de umas horas eu já tava beeeem a vontade com a minha nova cara antiga. E rolou um negócio bizarro rs... Eu do nada me notei mais vaidosa, querendo me arrumar mais, e me achando muito, mas muito mais bonita. É aquilo que a gente meio que já sabe: beleza vem de dentro, de auto confiança, de felicidade. E eu posso dizer com bastante tranquilidade que há muito tempo não me sentia tão bonita, tão eu :) 
Me achando tanto que até fiz selfie no elevador pra ilustrar <3

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