Malta

Eu percebi que, além da família e da comida, eu sinto falta de poucas coisas do Brasil. A espontaneidade é sem dúvidas, a principal delas. Mas outra que veio comendo as beiradas é bem menos óbvia: água salgada. Aqui tem muita piscina, tem muito lago, e em alguns lagos tem até umas marolinhas rs, mas não tem água salgada, não tem cabelo duro, sobrancelha salgada, alma lavada. Não tem. Por essas e outras eu decidi que, esse verão, a gente ia passar uns dias a beira mar. Já tínhamos dado uns mergulhos em Cinque Terre, mas não tinha sido suficiente, então nas buscas de passagens a preços não obcenos, apareceu Malta, e lá fomos nós. 

Malta é uma ilha muuuito pequena, porém muito densamente povoada. São várias pequenas cidadinhas, cada uma com sua característica. Apesar de ser um país com cidades, digamos que Malta é uma grande cidade e essas cidadinhas são como bairros. A gente acabou ficando em St. Paul's Bay, uma área mais turistona, mas onde foi possível encontrar hotéis bons com preços decentes um pouco em cima da hora. E passamos nosso primeiro dia inteirinho curtindo um beach club ali em St. Pauls Bay mesmo, o Cafe Del Mar, que tem seu primo ryco em Ibiza. Eu queria passar meu primeiro dia fazendo NADA, só descansando, nadando e tomando bons drinks. E assim foi. Chegamos lá por volta das 11h da manhã, e só saímos passando das 10 da noite rs, quando a criançada avançou pra uma espécie de baladinha. 
O beach club
A pose
O por do sol
E os bons drinks
Nosso segundo dia foi um pouco mais produtivo rs. Antes de falar o que fizemos, um parenteses necessário: apesar de Malta ser pequena, e as distâncias entre os lugares ser pequena, tem MUITO trânsito. O taxista que nos pegou no aeroporto disse que em dois anos Malta terá mais carros que habitantes, e isso dá o tom das coisas. Pequenas distâncias de 10 km entre uma vila e outra leva coisa de meia hora, 45 minutos. Os ônibus vão pra todos os lugares e custam só dois euros, mas demoram um pouco mais que os taxis.

Enfim, pegamos o busão pra Mdina, a cidade silenciosa, uma das mais famosas de Malta. E foi ali que a coisa começou a ficar interessante... porque Malta tem seu próprio idioma, mas também fala inglês como língua oficial. Malta tem uma culinária bem misturada, que tem muito do italiano. Mas quando se olha pra arquitetura, Malta é bem árabe. E Mdina, uma cidade pequena, linda, amuralhada, da toda essa pinta, parece uma cidade perdida no deserto. Mas é bem cheia de turista, tem bastante ônibus chegando, então tem hora que o charme se perde. Mesmo assim, se embocando pelas ruazinhas você reencontra o charme perdido. 
Pelas ruas de Mdina


De lá eu queria ir pra praia, mas meio na dúvida de onde ir, onde daria menos trânsito, e morrendo de calor, acabamos entrando num busão achando que estávamos indo pra um lugar, e estávamos indo pra outro. Demoramos uns bons 20 minutos pra perceber, e aí resolvemos ajustar o roteiro e conhecer Vittoriosa (ou Birgu, em maltês), uma das três cidades fortificadas de Malta. Birgu é uma das cidades mais antigas do país, já foi capital, e onde os cavaleiros da ordem de São João se estabeleceram na idade média. É uma área portuária, e também tem uma vista pra Valetta, a capital. Agora o charme de Vittoriosa está mesmo nas ruelas, tão belas quando as de Mdina, mas completamente vazias. 
Olha essa comida, Brasél... Muita inflência italiana, frutos do mar, deliciosidades mil
Pelas ruas de Vittorisa, sendo aterrorizada por uma fera
Sério, olha essas ruazinhas
E a área do porto
Por ali seguimos andando pelo porto, e acabamos achando uma prainha, onde dei um mergulho e ficamos só curtindo o sol. 
E nadamos olhando pra Valetta
De lá pegamos um barquinho e fomos até Valetta. Acabamos não entrando na cidade porque tínhamos separado um outro momento pra explorá-la, e voltamos pro hotel pra curtir o mar lá na frente. Eu adoro nadar no mar a noite, e fico muuuuito feliz quando é possível.

Nosso terceiro dia começou com Gabriela fazendo a madame e gastando duas horas no spa pra fazer uma massagem que olha... saudades massagem. Que coisa maravilhosa que deve ser aquelas moça ryca que vão no spa toda semana. 

Depois de volta o pé no mundo dos mortais, nos encaminhamos pra Gozo, uma ilha que faz parte de Malta. Ir até lá é bem fácil: tem um porto de onde saem ferries o dia inteiro pra Gozo, ida e volta. A viagem dura somente 20 minutos e custa menos de 5 euros, bem tranquilo. Ali é também o porto de onde as pessoas vão para a Lagoa Azul, um passeio super famoso de Malta, se não o mais famoso. Mas eu tinha visto vídeos nas semanas anteriores, todo mundo relatando super lotação, água viva, e eu preferi valorizar meu tempo rs. Pulei essa parte, mas enfim, o porto chama Mgarr. 

Nosso plano para Gozo era curtir uma praia, e depois dar um rolê pela cidade, onde estava rolando uma festa (e eles falam assim mesmo, a Festa) tipo aquelas festa de São João, de Santo Antonio, sabem?! Barraquinhas, procissão, etc. As Festas são bem grandes em Malta, um país muito católico. E teve Festa durante toda a nossa estada, mas dado o rebuliço, a gente acabou entrando no meio da de Gozo somente.
Ramla Bay, uma das praias lindas de Gozo



Eu, se um dia voltar pra Malta, ficarei em Gozo. Achei bem mais tranquila, menos gente, menos trânsito, menos grupo de estudantes, menos bagunça. É um atestado de que to velha? Talvez, mas eu gostei muito. A ilha tem a mesma pegada de Malta, uma vibe meio desértica, com construções brancas, rodeada de mar azul, mas o sossego... ahhh o sossego. De quebra ainda fomos no melhor restaurante da viagem, chama Maldonado. Gastronomia fina, mas num lugar bem fofinho, despretencioso. Recomendo.

Nosso quarto e último dia em Malta era pra ser totalmente dedicado a Valetta. Acordei e fui tomar um sol na beira do mar, quando resolvo olhar o voo e PUTAQUEPARIU eu achei que o voo era as 19h, mas é as 15h rs... Aconteceu isso. Sai correndo e fui acordar Mati, e de mochila nas costas fomos correndo tentar dar uma olhada em Valetta. Nos sobrou somente duas horas pra passar na capital, mas apesar da correria, acabou sendo suficiente. Valetta é abarrotada de gente.. tipo, ABSURDO. É onde os navios de cruzeiro param, onde a turistagem em massa acontece, e sério... vuco-vuco, principalmente na rua central. Demos um giro por lá, fomos até um jardim, o Barrakka Garden, de onde tem-se uma vista incrível das três cidades (Vittoriosa, Cospicua e Senglea), tomamos um café, o último spritzer, e partimos. Fiquei remoendo não termos parado em Valetta com calma quando tivemos a oportunidade, e evitado esse estresse, mas acontece... ao menos deu tempo de ver um pouquinho, e amem que não perdemos o voo rs. 
The calm before the storm: 2 minutos antes de eu perceber que estávamos com o horário de voo errado na cabeça
Pelas ruas de Valetta
Valetta vista do Barrakka Gardem
E as Three Cities vistas de Valetta
Por fim: vale a pena ir pra Malta? Vale sim. É um lugar compacto, com belezas naturais, arquitetônicas, com preços bem justos. Mas ta massificado sim. O trânsito enche o saco sim. Mas eu voltaria? Voltaria sim.

Um resumo de dicas: 
- passe um tempo em Gozo
- separe tempo pra gastar em trânsito
- a Lagoa Azul pode ser um tourist trap, se você não gosta desse conceito, evite
- visite Vittoriosa <3
- se você mora na Suíça e gosta de massagem, é um bom lugar pra visitar um spa por preços módicos :)   

Verão, o fim


Entra ano e sai ano, e eu não consigo superar o fim. E esse ano, pra aumentar o sentimento de que todo verão é pouco, ele foi intenso porém curto. Vejam só... eu tinha 3 cm de neve na minha varanda em maio, sabe. Mas ok, os meses que se seguiram foram de muito sol, calor, suor, lago, rio, spritzer, chinelo, e tudo que o verão tem a proporcionar. 

E fazendo aqui uma retrospectiva dos melhores momentos, o que que teve?

Teve churrasco na varanda.. 

E teve festival, muito festival! 
Começamos com um festival pequeninho de bairro aqui em Berna, que teve silent party, adoro

E fomos pra Montreux... no famoso festival de jazz
Experiência incrível, a repetir <3
E terminamos vivendo cenas lamentáveis no Zurich Open Air hahaha
Teve também muito rio. Todos os dias tentei ir mais cedo pro trabalho, pra sair mais cedo e vir correndo me refrescar no rio em Berna, esse daí que abre o post. Mas aos finais de semana, gosto mesmo foi ir pros lagos. Aqui tem lagos lindíssimos, rodeados de montanha, de água as vezes gelada, mas onde é maravilhoso passar o dia e recarregar as baterias. Esse verão eu tava mais na pegada dos lagos mesmo, e curti o máximo que deu!
Fazendo SUP no lago de Thun

E curtindo o lago de Zurich
E falando em Zurich, eu já falei aqui que tava dando conta do commute pra lá todos os dias numa boa, e o jogo virou. O trabalho intensificou, e eu comecei a ficar muito cansada. Estou muito balançada e pensando por quanto tempo mais ainda vale a pena fazer esse rolê quase todos os dias... Pra ajudar na reflexão, teve também um fim de semana em Zurich, curtindo a cidade, pra se, no futuro, quisermos fazer uma decisão, que seja mais informada. 
Zurich me cortejando, cada vez mais

Também teve cinco dias em Malta, mas essa maravilha vai ficar pra um post próprio (e pra garantir que esse post vai existir, vou escrever assim que soltar esse aqui rs). 
Mas olha se isso não é vida?!
Por fim, o grande highlight do verão: 
Teve Baby, muito Baby <3 Foram duas semanas deliciosas com esse Baby que de Baby não tem mais nada. Duas semanas de muitas brincadeiras, de muita bola, muito baralho, muitas perguntas, muita piscina e muito amor. De matar saudades, de abraçar, beijar e apertar, enquanto ele ainda gosta disso rs... porque ele já ta quase mais perto de ser um adolescente do que ser meu bebezinho. Foram duas semanas que preencheram meu coração! 


E agora, ficam só lembranças desses meses maravilhosos. O dia já está ficando mais curto, já estou saindo de casa no escurinho, as temperaturas já caíram, e jajá é hora de entrar no clima de montanha. Mas estarei aqui, vivendo o inverno com a resiliência de quem saber que o verão vem, ainda que seja atrasado, mas sempre vem, e é sempre maravilhoso!!!

Reflexões de Twitter

Esse foi um dos twits que mais me fizeram pensar nesses meus 10 anos de twitter rs. Ao ler, comecei a tentar lembrar meus sonhos de criança. A verdade é que não consegui lembrar de nada rs, talvez ir pra Disney era um. Ai mudei pros sonhos de adolescência, e lembro basicamente de "ser juíza, ser diretora jurídica da Votorantin, viajar". Lembrei nessa ordem e já fiquei incomodada... tipo, que saco, uma adolescente já sonhando com carreira rs. 

Mas logo comecei a pensar por que, tendo nascido onde nasci, eu entendi bem cedo que precisava "ganhar dinheiro" pra realizar outros sonhos. Acabou sendo o campo onde eu projetei mais coisas sobre o futuro. Eu nasci e cresci em Pariquera-Açu. Fui à melhor escola que poderia, mas segue sendo a região mais pobre do Estado de São Paulo, com poucos recursos, poucas empresas, poucas indústrias. Até a conselheira vocacional da escola não sabia explicar o que certas profissões faziam. Design por exemplo, só fui entender o que era depois dos 20 já na faculdade. Relações Públicas? Idem. Ali, naquele ambiente limitado, quem era de humanas fazia direito, quem era de exatas engenharia, e quem era rico medicina rs. Claro que tinha a galera da adminitração, e tal. Mas assim, tudo bem tradicional, você nem consegue vizualizar outras carreiras. E foi assim que eu, de humanas né haha.. fui parar (e odiar) o Direito. 

Lá pro terceiro ano de faculdade eu queria muito largar o curso, porque já odiava o rolê, mas não sabia bem o que fazer. Meus pais insitiram pra eu terminar, porque eu nem sabia o que fazer depois, e porque "agora que começou termina, se forma, vai ganhar dinheiro e depois paga você mesma pra estudar outra coisa". E foi aí que eu achei que a vida era essa merda  de acordar, ir lá fazer um troço que você odeia, ganhar um salário no fim do mês, e ir sobrevivendo. Os meus dois últimos anos de faculdade foram um suplício. Fui muito infeliz, e acho que por isso que, do Mackenzie, só sinto saudade das minhas amigas mesmo. A galera é toda saudosista, vai lá passear na Maria Antonia, e eu quero é distância dessa época que eu chorava no busão. 

Pois bem. Hoje eu tenho uma visão completamente diferente. Eu hoje gosto do que faço, curto meu trabalho e tal, mas assim... Eu trabalho mesmo pra ganhar um salário no fim do mês, e com ele bancar o que realmente me faz feliz. E se lá pra 2008 essa possibilidade de "trabalhar só pelo salário" me deprimia, hoje vejo as coisas com outras lentes. Em algum momento do fim da minha adolescência, eu sonhava com aquela vida de mulher mega ultra bem sucedida sem tempo pra nada, correndo pra lá e pra cá, "diretora jurídica da Votorantim". Hoje eu olho pra essa vida aí, e deus me dibre. 

E é aí que entra a reflexão maior: eu percebi que essa caída na minha "ambição" se deu com a minha vinda pra Europa. Eu percebi que muitas das minhas aspirações de criança e adolescente eram focadas onde eu precisava chegar pra ser alguém na vida, ser respeitada, pra poder viajar, pra poder ter conforto, poder devolver um pouco dos meus pais me proporcionaram. Aqui eu não preciso ser gerente, nem diretora, nem nada, pra ter um salário digno, uma vida confortável e fazer tudo isso, inclusive investir no que me faz feliz fora do horário comercial.

Uma vez conversando com um executivo da empresa onde trabalho, ele disse que o filho dele queria ser jardineiro. E não disse isso com nenhuma conotação, ou julgamento. Era um fato. O menino de 16 anos quer ser jardinheiro. E ele pode ser que não vai passar fome, não vai ser tratado como subalterno ou alguém menor na sociedade, nada disso. E ai fico pensando que em dado momento da nossa vida no Brasil, a gente já nem consegue mais saber qual é o nosso sonho genuíno. Eu lembro que láááá nos idos da minha infância, falava de ser professora, e todo mundo, inclusive meus pais (que são educadores), falavam que é uma profissão muito bonita mas que não da dinheiro. Você logo cedo aprende a nortear suas escolhas pelo que paga as contas, e começa a esquecer quais são os seus reais sonhos.

Então o que aconteceu é que esse twit, e todas as reflexões a que ele me levou, me mostraram de maneira clara que o Brasil mal deixa a gente sonhar rs... Não gosto da ideia de que sonhos sejam resumidos a trabalho. E ai fico pensando na tristeza que é ver crianças, adolescentes, que quando podem escolher o que fazer, acabam escolhendo a partir do que pode dar dinheiro, do que põe comida na mesa.

A volta dos que não foram

Tem hora que eu não sei nem por onde começar. Tenho vindo super pouco aqui no blog, e não é por falta de assunto. É mesmo que a vida real anda tomando muito do meu tempo, da minha energia, da minha criatividade. Eu sabia que quando começasse a trabalhar e entrasse no modo automático, essa coisa do ócio criativo ia dar uma sumida rs... Embora não ande conseguindo nem pensar em assunto pra escrever, confesso que sinto falta do blog, da interação com gente interessante que conheci por aqui, de registrar coisas da minha vida. E por isso, achei de bom tom dar uma passada de leve pelos acontecimentos dos últimos meses rs.

Italia
Esse, sem dúvidas, foi o semestre italiano. Fui pra Italia 3 vezes dentro de poucas semanas. Ao Lago de Como com meus pais, depois para Cinque Terre e Milão para feriados. E gente.. ESSE PAÍS! Por que tão maravilhoso?! Comi comidas deliciosas, vi paisagens incríveis, me senti em casa com gente muito boa, e também dei risada do mal humor de certos italianos rs. Além de tudo, quem mora na Suíça aproveita visitas aos países vizinhos pra fazer comprinhas, e eu não fiz diferente. Pra coroar tudo, ainda encontrei uma grande amiga por algumas horas. E foi excelente! Eu vou sentar pra escrever aqui sobre Como e Cinque Terre, porque acho que vale a pena em tem umas dicas boas pra dar. Agora Milano, se fala tanto sobre ser capital da moda, do luxo, e não sei que mais, que eu esperava uma cidade podre de chique. E não é. Tem sujeira, gente demais, carros demais, não achei fácil de gostar. Mas curti Milão numa vibe diferente, meio que de cidade grande, que por mais que não seja a mais bela de todas, tem muito a oferencer. E fica ainda mais interessante quando você vive a vida na regradinha Suíça rs. Daqui de Berna são só 3h no trem, portanto, Milão que me aguarde. Voltarei. 
Navigli em Milão
Die Länggasse
Nos mudamos em fevereiro e a cada dia que passa eu amo mais esse bairro. Além da conveniência de estar pertíssimo da estação de trem, do centro da cidade, de fazer tudo andando, ainda é cheio de restaurantes, bares e vida. Tem rua fechada pra picnic no fim do dia, tem as casinhas mais fofas dessa Berna, muitas jovens famílias, estudantes universitários, uma filial da melhor sorveteria. Eu poderia passar um bom tempo falando das coisas boas que encontro por aqui, porque mesmo depois de quatro meses de intensa exploração, seguimos encontrando coisinhas novas. Sinto que encontrei nosso lugar: nosso apartamento, nossa vista da janela, e o entorno. Tenho amigos morando aqui, a gente se encontra sem combinar pela rua, fazemos jantares noite a dentro porque ninguém precisa pegar transporte na saída, encontramos festinhas aleatórias espalhadas pelo bairro. Não ligo de viajar 1h por dia para Zurich, porque fico feliz demais de voltar pra cá todos os dias.

Não é fofo demais?!

Trabalho
Falando em viajar pra Zurich... Pra morar onde eu moro, e trabalhar onde trabalho, eu tenho que viajar. E viajo feliz, porque da mesma forma que estou amando o bairro, estou amando meu trabalho. Mesmo com todas as complexidades, dificuldades e frustrações, tem sido um grande aprendizado, uma super expriência, e eu estou me desenvolvendo em várias direções. Estou trabalhando muito, mas quase todo dia termino feliz, exausta mas feliz. Mas ainda to longe de ter sossego: trabalho sob um contrato temporário que acaba em 31 de dezembro. Agora começa a luta para ser efetivada.

Saúde
Há uns dois meses eu comecei a fazer aula de Body Pump. To meio chocada com a gravidade que atingiu meu corpo de uns 2 anos pra cá, e resolvi fazer algo a respeito. Pra falar a verdade, nem sei se vi algum resultado no físico, mas no psicologico ta sendo ótimo hahaha.. saber que eu tenho tentado fazer alguma coisa além de reclamar já me acalma. Hoje também corri a Frauenlaufen, uma corrida só de mulheres em Berna. É um evento super legal. São mais de 10 mil mulheres que participam, em algumas diferentes modalidades: 10km, 5km, ambos corrida e nordic walk (que é aquela caminhada rápida com os pauzinhos de apoio). Tem gente de todas as idades, crianças correndo com suas mães, senhoras bem mais velhas, amigas vestidas em grupo. A organização é toda feita por voluntários, e no dia da corrida mesmo, a maioria dos voluntários são crianças e adolescentes. Eles entregam água nos pontos de apoio, entregam os brindes, acodem quem precisa de ajuda, é uma graça de ver. A cidade vai toda pra varanda, pra calçada, incentivar e torcer pela mulherada. Tem bandas, e é uma energia incrível. Esse ano eu não treinei, só me inscrevi e fui. Acabou sendo bem difícil, mas terminei os 5k sem caminhar no meio, e com um tempo ainda melhor que do ano passado rs. Vai entender... enfim, minha breve carreira de musa fitness é essa daí. E to feliz com ela rs.

A vida ta assim... e acho que lendo assim, elencadinho, tudo que tem me ocupado, deu pra perceber porque ta faltando tempo pro blog. Mas antes devagar do que parado, né?! 

As dores da partida

Meus pais estiveram aqui pela segunda vez. Foram dez dias maravilhosos... conversamos sobre tudo, mostrei a eles alguns dos meus lugares favoritos em Berna, fomos pro Ticino e também pra Italia, eles viram a primavera explodindo por aqui, e deram sorte com dias lindos e ensolarados. Foi tudo bem gostoso. Mas foi também melancólico. 

Melancólico porque mais uma vez percebi que, ao deixar o Brasil, deixei também a convivência próxima com eles, o contato frequente, um dia a dia que, mesmo distante, é mais perto, e que nos matem acostumados uns com os outros. Além disso, meus pais não são muito jovens, alias, já passam dos setenta. E com a idade, vem manias, teimosias, que talvez sempre estivessem lá, mas que eu nunca me dei conta. Me peguei em vários momentos irritada com besteiras, os criticando por coisas que eu nunca tinha dado atenção, e indo dormir todos os dias mortificada por culpa de não ser uma filha melhor.

São coisas que talvez, se eu ainda vivesse no Brasil, sentiria também. Mas que por não viver, ficam martelando culpa na minha cabeça. Uma culpa que nunca imaginei sentir. Culpa por estar longe, por ter escolhido viver distante, por ser feliz aqui tão longe, por não ser mais presente, e por ter me tornado tão diferente. Por ficara querendo que eles sejam milimetricamente igual à imagem que eu tenho na minha cabeça, por não dar a eles a folga que eu pedi a vida inteira.

De todas as dificuldades de morar fora, essa é a mais difícil. Porque todo o resto é sobre minha minha vida e minha felicidade. Mas essa é também sobre a deles. E apesar de todas as implicâncias, dos cutucões e das diferenças, o que eu tenho de mais forte e profundo dentro de mim, é o amor por eles. Sentir que, ao colocar um oceano entre nós, deixei com que tantas outras coisas entrassem no caminho, é difícil pra mim. No fim, acho que a gente sempre espera que, na relação de pais e filhos, os culpados por tudo sejam eles. Ao me pegar tão culpada por tudo, senti mais que nunca a responsabilidade pelas escolhas que fiz. E tal qual a criança que sempre serei aos olhos deles, não sei lidar com ela. 

TAG - Personalidade

A Ana me indicou pra responder uma TAG, e eu adoro TAG, estilinho caderno de perguntas. Além de tudo, não ando com muita inspiração pra escrever, então é um ótimo jeito de dar movimento nesse blog caído. Voilà.

1. Qual o motivo da tua maior alegria, actualmente? Dias ensolarados. E meus pais, que chegam amanhã <3

2. Qual o motivo da tua maior ansiedade, actualmente? Trabalho, trabalho, trabalho. Eu não sei brincar... Começo a gostar de um emprego e deixo ele dorminar minha vida, meus sonhos de noite, meu estômago, tudo.

3. Como lidas com as criticas? Gostaaaaaar assim, a gente não gosta. Mas tento sempre refletir e ver se faz algum sentido. 

4. Cita duas pessoas que tu ames muito. Tem quatro que eu queria falar. Como manda falar só duas, não vou falar nenhuma hahaha

5. Cita um defeito teu. Ansiosa, impaciente.

6. Cita uma qualidade tua. Lealdade

7. Poucos amigos ou muitos amigos. Tenho bastante amigos.

8. que te faz sentir raiva de verdade. Gente malvada. Ver a maldade tomando forma ali, de propósito.

9. Doce ou salgado? Primeiro salgado e depois doce e depois salgado e depois doce

10. Vingança ou meditação. Tenho preguiça das duas coisas, mas acho que seria mais fácil eu me vingar que meditar hahaha

11. Conta algo obscuro sobre a tua personalidade.  Eu tento fingir que não sou azeda, mas ai vou guardando o azedume, e a hora que ele explode, Mel Dels. Sai de baixo. 

12. Relembre uma surpresa boa que te fizeram. Minha despedida de solteira

13. Esta semana estarias grata pelo quê? Por ter a oportunidade de receber meus pais em casa, mais uma vez. 

14. Um medo que assombra a tua vida... morte, acidente, desgraça. 

15. Tens algum vicio? açúcar e internet

16. Fazes coleção de alguma coisa? Não

17. És sonhadora ou vives apenas o momento? As duas coisas. Adoro ficar viajando na maionese, porém não me descolo da realidade.

18. És calma ou nervosa? hahaha pergunta pro povo que me atura.. vão dizer que sou calmíssima rs.
Meu espírito animal rs
19. Coisas que mudarias na tua personalidade? Mais paciência, com os outros, comigo, com a vida

20. Marca 5 pessoas que gostarias que respondessem a esta TaG: 
Quem queira responder  :)

E la nave va

Já contei aqui um monte de merda que acontece comigo rs... Contei do roubo do carro na primeira semana, do roubo do apartamento na segunda semana na casa nova. Já contei que fui comprar uma lasanha congelada no mercado e voltei com 4 pontos na perna. E tem um monte de coisinhas que vão acontecendo e eu sempre penso "tinha que ser comigo, né...". E toda vez tem alguém pra me chamar de azarada. E toda vez eu fico meio contrariada.

Amanhã eu faço 33 anos, e nessa minha curta existência, eu nasci numa família estruturada, que me deu muito amor e possibilidades. Fiz amigas maravilhosas em todas as fases da minha vida, e mantenho o laço com muitas delas até hoje. Fui bem privilegiada, apesar de só ter me dado conta disso há poucos anos. Mas sim, pude me dedicar aos estudos sem trabalhar, frequentar uma boa faculdade, aprender línguas, fazer um intercâmbio. Tive um irmão que conheceu uma menina numa rave, e ela me indicou pra uma vaga de estágio que abriu, direta ou indiretamente, todas as portas da minha carreira. Fui num Lolapalooza, e naquele mar de gente se achando e mal vestida, encontrei o amor da minha vida e casei com ele.

Entre uma coisa e outra rolou um cóccix quebrado, um assalto a mão armada, um coração partido. Mas azarada? Eu diria que não. Sei que tive sorte em muitos momentos da minha vida, mas em todos os outros tinha eu e minha vontade de ser feliz, ou mais ainda, minha falta de paciência pra ficar pra baixo. Eu sempre tive meus momentos de chorar, descabelar, desopilar, e pronto... bola pra frente. Porque é isso, eu gosto de estar tranquila, sem drama, sem estresse, de viver despreocupada. Felicidade pra mim é isso, é poder viver sem complicação. E acho que posso dizer que, no momento, vivo uma vida bem descomplicada. Estou feliz. Então, parabéns pra mim.

E segue o baile.

Follow @ Instagram

Back to Top