05/12: Maio

Eu comecei a escrever esse post e depois de umas linhas eu percebi que eu tava de pura esculhambação com maio. Va lá que choveu pra porra, que foi o maio mais frio dos ultimos 30 anos na Suíça, que eu trabalhei feito uma condenada, que passei uns nervoso, etc etc.. Mas meu povo, EU FUI VACINADA. Como esculhambar um mês que me deu vacina, heim? E que me deu dois feriados prolongados (e chuvosos, mas divago...)? E que acabou em verão? 


É gente... a gente tem que saber olhar o lado positivo das coisas, e taí um exemplo na prática rs. Passei o mês puta da vida, xingando tudo, reclamando de tudo, trabalhando até 11 da noite vários dias, desejando a hérnia pilonidal de muitos, mas aííí a gente tem que respirar e se lembrar dos privilégios, e bancar a poliana, e por aí vai.  


Falei feriado, né? Sim, maio é o mês dos feriados nesse país alpino. Na ascenção, feriadão de quatro dias, fomos para Thun. Eu muito da otimista, tinha reservado um hotel na beira do lago, cheio de espreguiçadeira, crente que ia tomar um bronze. Tomei foi chuva. Mas nem ligo (mentira, ligo sim rs)... relaxei um monte, me enruguei todinha num spa delicioso, encontrei umas amigas debaixo de chuva mesmo, e de quebra ainda tivemos um dia em Berna. No pentecoste, feriadinho de segunda que rende mais um fim de semanão, fomos para Leukerbad, no Wallis - ou Valais, dependendo se você fala alemão ou francês. Já falei desse vilarejo alpino aqui: de babar, uma cidade rodeada de rochas dramáticas, sobre águas termais. Fizemos hike, comi fondue, e mais uma vez, me enruguei num spa de águas quentinhas. Madame demais essa menina. 


Agora as metas do ano? Vixeee.. pior mês. Mas vamos lá:

- cuidar do corpo e saúde: ih povo, comi o mundo, não malhei nada. Mas ao menos segui indo na terapia pra exorcizar toda a raiva que passei. Até poderia postar fodo do prato fitness que comi UM DIA nesse mês todo, mas né... não to aqui pra mentir pra ninguém, muito menos pra mim mesma. Então é isso aí, maio nadinha de cuidar de corpo. 


- ler um livro por mês: meta cumprida porque comecei a ler um livro dia 1 e terminei dia 29 rs. Li Motherhood, da Sheila Heti. Eu estava intrigada pra ler esse que é quase um ensaio sobre uma mulher nos seus late thirties, decidindo se quer ou não ser mãe. Qualquer semelhança com essa que vos escreve é coisa da sua cabeça porque eu to no mid thirties rs. O livro tem hora que arrasta, tem hora que da vontade de chacoalhar essa mulher, mas traz sim uma boa reflexão. 


- ser menos procrastinadora: maio infelizmente não me deu a opção de ser ou não ser procrastinadora. Não em restou alternativa a não ser ser produtiva demais, e eu me senti como a otária do capitalismo que sou. Mas enfim, meta cumprida, contra minha vontade.  


- visitar os cantões ainda não visitados: zero. 


- Girls trip: terminamos o mês com uma girls trip bookada. R A P A Z vai sair do papel. 


E com essa, deixo aqui umas ilustrações desse mês que passou e não fará falta rs:

Retrato de família nas duas horas sem chuva em Leukerbad

Um fim de semana chuvoso na beira do lago de Lucerna

Uma nesga de sol em Berna

E acabou em verão :)

Seealpsee: primeira trilha da temporada

Outro dia fomos pela primeira vez ao cantão de Appenzell Innerrhoden, o interior do interior que é a Suíça rs. Appenzell é bem a Suíça idílica: montanhas com grama verde, vaquinhas, e vilas minúsculas no meio do nada, e nossa trilha da vez foi ao Seealpsee, um lago alpino deslumbrante, cercado pelo maciço de Alpstein. A gente foi pelo caminho mais feijão com arroz, facinho, saindo da estação de trem de Wasserauen, uma vila micro, há cerca de uma hora e meia de Zurich. 


A trilha é num caminho bem demarcado, de cascalho, bem fácil. Tinha muitas famíilas com crianças e muitos idosos também com seus pauzinhos. A única questão mesmo é condicionamento físico, já que tem uns pedaços bem íngremes. Mas com tempo, qualquer um faz. E o caminho em si já é bem bonito, vai animando. A caminhada no nosso ritmo foi de uma hora, mas pode variar de acordo com cada um. Tinha gente correndo rs, e tinha muita gente dandoumas paradinhas aqui e ali pra observar a paisagem e pegar fôlego.

Uma foto estourada, mas a única que eu fiz do caminho

Chegando lá em cima, o prêmio: surra de beleza alpina. O Seealpsee é cercado de montanhas, sendo a Säntis, um dos picos mais famosos da suíça, uma delas. Ainda tinha muita neve, mas ainda assim foi possível fazer a volta toda do lago. Tinha muita gente fazendo churrasco nas margens, tomando um solzinho. O dia tava lindo demais, e acabamos a nossa volta sentando no terraço do Forelle, um restaurante de frente pro lago. 

Uma outra possibilidade é pegar a gôndola para Ebenalp e começar a trilha por cima, parando no Äscher, um restaurante pitoresco encravado numa rocha, e descer passando pelo Seealpsee e descendo até Wasserauen. Essa trilha, restaurante também, fica fechada nos meses de inverno, e abriu somente agora no primeiro fim de semana de maio. Seremos obrigados a repetir a dose :) 


Questões práticas: o rolê da forma que fizemos não tem nenhum custo de entrada/lift, nada. O custo mesmo fica por meio do transporte: de Zurich até Wasserauen de carro foi 1:20, de trem demora 2h e os tickets custam em torno de 40 francos (20 para quem tem halbtax) cada perna. O não é direto, e as melhores conexões são Zurich-Gossau-Appenzel-Wasserauen, mas sai de meia em meia hora. A gôndola para Ebenalp custa 22 francos ida, 34 ida e volta. Com halbtax, metade disso. O funcionamento é diário, e as horas dependem do período do ano: no auge do verão, vai das 7 30 às 19h (mais infos aqui).

Abril

Abril começou bem legal: um feriadão bem animado, com aniversário, churrasco, feijoada, amigos, bagunça, amor chegando de baldada. Logo no primeiro dia pós feriado, mais uma coisa boa: recebi, finalmente, meu contrato permanente de trabalho na empresa onde estou (como temporária rs) já há bastante tempo, e onde eu queria muito desenvolver minha carreira. O melhor de tudo: numa área nova, que tem sido meu objetivo desde o começo da minha trajetória profissional na Suíça. Mais comemorações! 

Esta pessoa ai fez 35 anos e realizou um monte de coisa em abril :)

Também lá pro meio de abril o governo federal permitiu aos bares e restaurantes abrir as mesas externas, terraços e afins, e foi uma delícia ver a cidade se enchendo de vida de novo. Os dias de primavera chegaram, as temperaturas esquentaram, e sério... Abril aqui é bom demais! É um mês que traz esse despertar de tudo, inclusive da minha disposição, vontade de viver, vontade de me vestir bem, e eu fico puro gás e energia rs 


Bares, sol, calor e uma menina colorida e filtrada passeando pro Zurich

Pra finalizar, Abril também é o mês do meu aniversário de casamento. Sempre terminamos o mês numa nota muito positiva, com esse dia 30 festivo. Cinco anos de um dos dias mais felizes da minha vida <3 

***

Agora vamos de mês e metas: 

- Cuidar do corpo e saúde: os primeiros 10 dias do mês foram de puro pé na jaca and I regret nothing! Bebi, comi e me excedi em tudo, mas fui muito feliz. E saber voltar pra uma rotina mais regrada depois de uma jacada é também uma das minhas metas de bem estar, saber me equilibrar. E assim foi. Foi também um mês onde estive muito ativa, e fiz exercícios pelo menos 3 vezes por semana, o que pra mim é algo incrível rs. Aos poucos estou quase chegando na minha meta, que é a de voltar pro peso que eu tinha quando cheguei na Suíça. E sim, estou muito feliz com isso, não nego. Mas estou mais feliz ainda com as mudanças que eu fiz nos meus hábitos para criar uma rotina mais saudável e sustentável. Não sei sei já comentei aqui, mas um dos meus gatilhos pra correr atrás desse cuidado foi achar que tava tendo um ataque cardíaco no meio de uma aula de kickbox ano passado rs. Meus batimentos cardíacos passaram dos 200 por minuto naquela aula e eu tive que sair depois de 10 minutos achando que tava entrando no purgatório. Sem condições... 


- Ler um livro por mês: mais uma vez, não somente eu cumpri a meta, como dobrei a meta e cumpri a meta dobrada e triplicada rs. No começo do mês me arrastei terminando o livro da Shonda que comentei em março. O livro é cheio das mensagens importantes, mas a escrita não é meu estilo, e eu me arrastei.


Depois, catei um livro da minha lista que eu não sabia do que se tratava, não fazia idéia da historia, mas sabia que eu adorava a escrita da autora: Meio Sol Amarelo, da Shimamanda Ngozi Adichie. Disparado, um dos melhores livros que já li na vida. Devorei em alguns dias, me controlando pra não acabar ele de uma vez. Daquele livro que deixa saudades dos personagens, que é forte demais, que mostra a nossa ignorância para com o mundo que existe na África. Recomendo muito. 
Por fim, li também The Woman I Wanted to Be, da Diane von Furstenberg. Como o Meio Sol Amarelo é um livro também pesado, segui para uma leitura que imaginei ser leve, de uma figurona da moda. No começo, bateu um arrependimento rs... ao falar de sua mãe e da infância, a escrita da Diane deixa bem a desejar, assumindo quase uma construção infantil. Frases curtas, batidas, noohhh quamorri de preguiça. Mas a vida dela é muito interessante, os causos, os personagens, os panos de fundo, e foi me envolvendo. Quando ela entra no business, que ela se aprofunda mais na construção do império dela, que você vê que é ali que ta a potência da mulher. O livro fica muito bom! 

- Ser menos procrastinadora: já evolui de uma procrastinadora de todo dia para uma procrastinadora as segundas-feiras rs. Eu sofro demais nas segundas, demoro a pegar no tranco, rendo pouco, e depois passo a semana pagando meus pecados rs. Mas convenhamos que entre procrastinar todo dia, e um dia por semana, já melhorei bem né? Isso na vida profissional rs... Na vida pessoal, tem uma planta aqui esperando pra trocar de vaso há mais de mês. Ou seja, to vacilando nesse objetivo. 


- Visitar os cantões ainda não visitados: em abril fomos fazer uma trilha em Appenzell Innerroden, um dos cantões que ainda não conhecíamos. Foi um domingo lindo de sol, e a paisagem de cair o queixo. Com esse poder todo, acabei escrevendo um post separado pra esse rolê, que vai entrar daqui uns dias. Mas sim, trabalhamos pra entregar essa meta no fim do ano rs. 


- Girls trip:  ainda não saiu, massss entramos em fase de planejamento e já é um avanço rs. Vamos acompanhar! 


35 anos

Mais um aniversário pandemico, dessa vez num domingo de Páscoa. Com um feriadão a vista, tínhamos planos de comemorar na Suíça italiana, mas uma frente fria chuvosa que ia chegar por lá deu uma desanimada e resolvi fazer do limão uma limonada caseira rs. Ficamos em casa, e no fim, tive um aniversário feliz, cercado das pessoas queridas que fazem parte da minha vida aqui. Teve churrasco festivo, com direito a muita dança e champagne até as 4 horas da manhã, teve café da manhã de hotel feito pelo marido, teve parabéns surpresa com balões de hélio, teve feijoada e caipirinha, e teve muito amor e carinho chegando do mundo inteiro. 


Aos 35, me sinto mais jovem que nunca (apesar do corpo mandar uns recados em outro sentido rs): recomecei a vida 5 anos atrás, fiz novos amigos, aprendi uma nova língua, me inseri numa nova cultura, tive que aprender novas regras de etiqueta, a expressar meus sentimentos em outros idiomas, desenvolvi uma nova carreira. Tudo isso veio cheio de medo e inseguranças, mas é nessas horas que as experiências e aprendizados dos trinta e poucos fazem muita diferença. A gente ta aprendendo, mas não cai numas ciladas, sabe por limites, sabe do que gosta e do que não gosta. Hoje, onde não há amor, onde não há cuidado, e onde não há amizade sincera, nem me demoro. Hoje, consigo perceber onde me sinto confortável, e o que me estremece as bases, consigo sentir o terreno, e saber onde pisar com força, e onde mudar a rota. Tenho uma segurança que nunca imaginei ter pra fazer escolhas, pra me expor, pra ser o que sou. Mas ainda assim, esse sentimento de recomeço traz a energia e o gás da juventude, e a verdade é essa: me sinto muito jovem! E só desejo que esse sentimento, essa juventude de espírito, me acompanhe pela vida. 


Esse aniversário foi mais social do que ano passado. As coisas por aqui estão um pouco mais tranquilas, e já podemos encontrar pequenos grupos. Entro nesse novo ano de vida feliz demais por ter me cercado de tanta gente maravilhosa, sempre disposta a dividir essa capirinha da vida comigo <3 


Brunch: course 1

and 2

Eu que fiz <3

35 anos bem vividos

E cheios de amor

03/12

Março foi um mês comprido DE MA IS. Arrastou, demorou. O winterblues me pegou de jeito: completamente de saco cheio de frio, bota, casaco, incomodo. Pra piorar, o começo de março trouxe uma frente fria desgraçada, e foi assim que a minha energia foi escorrendo pelos poros até bater no chão. Em um dado momento eu achei que ia deitar no sofá e dormir por 3 meses. Mas infelizmente não deu tempo de fazer nada disso rs. Tive que segurar o carão, engolir o choro, e trabalhar feito uma camela. Espero que o universo tenha notado meu esforço e me reserve algo bem bom :) 

Praticamente não saímos de Zurich esse mês. Durante a semana, eu basicamente passeio o cachorro pelo bairro, e troco o quarto pelo escritório, o escritório pela sala, a sala pelo quarto. Esses são os meus dias. E nesse mês que a gente não saiu da cidade, não saí dessa rotina. Certamente isso contribuiu para a fadiga monstra. 
Eu e Carlito na nossa vida interessante rs

O máximo que fizemos, num domingo, foi esquiar numa das estações no entorno de Zurich. Eu imaginava que a estação seria bem pequena, mas surprise surprise, não é! É bem gostosa, com paisagens lindas, pistas de todo tipo, e encerrei a temporada num dia de muita pista vermelha e sensação de superação!
Olha elaaaa

Um outro highlight de março: ganhei uma sobrinha. Meu irmão teve uma baby girl no Brasil, e eu fiquei muito, muito feliz! Eu já perdi a conta de quantos bebês eu deixei de abraçar, de carregar no colo, quantas mãe amigas eu deixei de acolher nesse momento tão sensível. Mas confesso que esse doeu ainda mais. Não vejo a hora de ir ao Brasil e conhecer a pequena Olívia <3 Por fim, março acabou com meus pais, ambos, vacinados. Eu nem sei explicar o alívio, a anestesia que tomou conta do meu corpo. Parece que uma mala pesada que eu tava carregando há um ano (cheia de medo e angústia) ficou pro meio do caminho e eu segui sem ela, finalmente. Não acabou, ta longe de acabar, mas a vacinação dos meus preciosos foi uma lufada de esperança. 

Agora vamos lá, o mês e as metas: 

- Cuidar do corpo e da saúde: em março eu escorreguei mais na dieta, mas fiz mais exercício, então ainda vejo como um bom equilíbio. Pela primeira vez em quase dois anos corri 5 km rs. Mas o principal mesmo foi: fiz um curso meio fora da minha zona comum rs. Um curso focado em meditação, ioga e mindfulness. Falo que é fora da minha zona comum, porque eu sou hiperativa, prática, e minha paciência é bem limitada. Então ficar sentada ali na meditação é um exercício I M E N S O. Mas foi muito bom. Confesso que ainda não virei adepta da meditação, mas foi gostoso fazer algo diferente, com pessoas diferentes, e nos dias de curso, ficar completamente absorta naquela uma hora, e sentir que, além do corpo, estou cuidando do lado de dentro também. 
Comidinhas fit: ta tendo

- Ler um livro por mês: Presente. Esse mês foram alguns. 

Rita Lee: Uma autobiografia foi o primeiro. AMEI! O livro é bem leve, ela desanca um monte de desafeto com uma pitada de bom humor, fala com muito amor da família, dos filhos, do Roberto, conta umas histórias bem doidas, e eu tracei ele em dois dias rs. Depois fui ver que a crítica caiu de pau nela. Entendi que ela não escreveu um livro que o povo da música queria ler, mas escreveu o livro que ela queria escrever.  













Também li The Midnight Library. Um romance bem bonitinho. Confesso que vi tanta gente falando do livro, que achei que ele ia ser mais "adulto", num sentido de maturidade mesmo. E ele é quase bobinho. Mas foi uma leitura muito boa! 

E por fim, comecei The Year of Yes, da Shonda Rhimes. To achando um PORRE. Completamente surpreendida pela xaropisse da Shonda! Mas to terminando. 

- Ser menos procrastinadora: falhei quase miseravelmente rs. Procrastinei bastante nesse mês de merda. Mas ok, aqui vamos nós, tentar mais uma vez. 

Como eu disse, não saímos de Zurich, então não teve cantão novo, e muito menos girl trip. 

E assim seguimos. Um dia de cada vez. Um mês de cada vez. 

Morar na Suíça: o que mais gosto

 Esses dias estava eu na minha bicicleta, indo para uma consulta médica, quando me dei conta de que eu adoro essa vida: ter a bike como meu efetivo meio de transporte. E ai pensei em outras coisas, e cheguei a conclusão que, morando na Suíça há quase 5 anos, tendo mudado de cidade, tendo enfrentado várias coisas, tava na hora de por num papel o porquê que eu gosto tando de morar aqui. 

1- Viver A cidade

Isso é na verdade algo bem europeu, e não exclusivo da Suíça. As cidades são planejadas para ser vividas e aproveitadas pelos cidadãos: muito comércio de rua, pouco shopping center, muitos predinhos individuais com lojinhas embaixo, poucos complexos residenciais. Fazer muito da vida a pé, ou de bicicleta, ou ainda de tram, olhando o que acontece em volta. Descobrir lojinhas de rua, cafés novos, sentar pra tomar sol numa calçada. Eu adoro isso demais. Gostava muito de ter um pouco disso em São Paulo, sempre morei em lugares propícios a essa vida "de bairro", como Vila Mariana e Pinheiros, mas elevar isso num nível maior, sair do bairro, e ter essa vida como o normal, é algo que eu valorizo demais. Aproveitar os espaços, e parque,  congregar em torno de rios e lagos limpos. A relação com o entorno é MUITO diferente de quando se faz tudo de carro e se frequenta lugares herméticos. 



2- Grandes acidentes geográficos em pequenas distâncias 

A Suíça tem 350 km de largura por 280 km de altura rs. Mas nesse pequeno espaço, tem MUITO acidente geográfico, o que proporciona uma surra de paisagens incriveis: Alpes, placa tectonica, lagos, formações geológicas. E tudo isso é relativamente fácil de ver, visitar e aproveitar. Muitas belezas estão há menos de uma hora de onde quer que você more. E mesmo quando algo é "longe", não será mais do que 3 horas dentro do carro (é o que se demora por exemplo pra cortar o país de norte a sul, passando por lugares muito cenográficos). Então é muito fácil sair pra um rolêzinho de domingo e se deparar com paisagens de cair o queixo, se admirar e voltar pra casa renovado. 

Um passeio de domingo com essas vistas...

3- Qualidade de vida 

Nesse momento pandemico, qualidade de vida ta meio comprometida em qualquer lugar do mundo, inclusive na Suíça, mas a real é que a qualidade de vida aqui é sim bem alta: um respeito maior da vida profissional para com a pessoal, incidência solar, saláros dignos, segurança, civilidade. O fato de trabalho ser uma parte da vida, e não a razão dela (traumas de ex faria limer rs), me permite ter tempo para viver e cuidar de mim. Eu consigo sair de bicicleta na hora do almoço para um mergulho no lago, ou terminar o dia mais cedo para tomar um sol. A segurança me permite andar por qualquer lugar a qualquer hora. Não gastar horas de vida num trânsito lascado diminui o stress. Ter uma rede de seguridade social que, mesmo num momento tenso como o que vivemos, me assegura certos benefícios, tudo isso traz paz. E viver em paz não tem preço.

Eu e a bike, rodando a cidade toda

E voltando pra casa a pé, depois da meia noite, pra lá de bagda rs, e sem me sentir insegura 

4- Simplicidade

Se por um lado aqui a vida custa caro, e faz achar que todo mundo que mora na Suíça é rico, por outro, acho que é de longe o lugar menos ostentação onde já morei. Sim, as pessoas consomem coisas caras, mas num país em que os salários são dignos e o poder aquisitivo da população é relativamente alto, ninguém precisa "mostrar" que tem dinheiro. As pessoas aqui são bem casuais, e é muito comum você ver gente vestida de forma bem simples frequentando lugares tidos como chiques. Alias, Berna era ainda mais casual do que Zurich. Mas as pessoas não tem que se envolver num certo símbolo para demonstrar poder aquisitivo, não tem que ostentar, não tem que deixar claro a sua classe social, para ser respeitadas, tratadas com dignidade. Eu lembro que nos longinquos anos de Daslu em SP, saíram várias reportagens falando como não havia uma entrada para pedestre, e como toda a high society chegava lá de motorista. Aqui eu estaciono a minha bicicleta na frente do Jelmoli, uma loja de departamento do mesmo estilo no centro da cidade. Entro lá de havaiana e shorts, e sem a menor vergonha de ficar olhando as coisas. Não sou olhada com desdem ou "curiosidade" pelo staff da loja. Da mesma forma, num dia ensolarado, é super normal ver o povo sentado comendo marmita nas calçadas. Nas pistas de esqui, comendo sanduiche trazido de casa na área de picnic de restaurantes - sim, os restaurantes tem mesas em que você pode comer a comida levada de casa, no maior estilo farofa, e todo mundo faz. Uns anos atrás eu postei um texto aqui de como no Brasil as pessoas tem pavor de parecer pobre. Aqui, num país mais igualitário, isso não é um assunto, e eu acho maravilhoso. 


5- As estações do ano bem marcadas 

Não é segredo que eu sou um bicho do verão rs. Sou apaixonada por sol, calor, e foi uma agradável surpresa chegar aqui e descobrir que a Suíça tem um verão de respeito, com temperaturas passando constantemente dos 25 graus, inclusive chegando aos 40 rs. A gente curte demais os dias longos na beira dos rios, dos lagos. Eu finalmente tenho a vida de praia que eu sempre quis. AQUI, num país sem oceano. Depois dos melhores dias do ano vem o outono com seu festival de cores: as árvores vão avermelhando, mudando de cor, a luz vai ficando cada vez mais dourada, as paisagens ficam aina mais lindas. Tudo isso devidamente acompanhado de uma sopa de abóbora, risotto de abóbora, doce de abóbora, tudo de abóbora rs. Quando chega o inverno, vem o frio, vem a neve, e vem os dias de esqui na montanha. O melhor do inverno é justamente curtir a parte mais gelada dele, pro lado de fora, na natureza. Deus me livre morar num lugar em que só me resta o frio e a chuva, sem a neve. E então a primavera, MUITO florida, as vezes demais e cheia de alergias rs. Mas o crescente do dia, das temperaturas. A gente efetivamente vive as quatro estações do ano e eu adoro isso. 

Verãozão maravilhoso

Outono colorido

Esse inverno <3

E a primavera

Esses, como eu disse, são os highlights PRA MIM. Uma coisa bem pessoal mesmo, e as pessoas tem necessidades e prioridades diferentes. Não sei se eu tenho leitoras (porque isso aqui ta bem morno rs), e muito menos leitoras da Suíça. Mas se tiver alguém aí, e tiver opinião diferente, adoraria ouvir. 

02/12

Teve um ano dentro do meu mês. Aconteceu tanta coisa, a gente passeou bastante, muitas emoções no trabalho, Zurich indo de temperaturas polares até um início precoce de primavera. Teve foi de tudo! 

No primeiro dia do mês, saí cedo para dar uma voltinha com o dog, e me deparei com isso aqui na essquina. Impossível ser brasileiro e viver em paz nesse momento. 
No pulmão do muldo tem gente morrendo sem ar

Dispensa tradução
Mas a gente segue tentando. 

Fevereiro teve duas viagens muito gostosas, ambas focadas em esquiar: fomos, pela primeira vez, esquiar no Graubünden, o maior cantão suíço. Escolhemos Lenzerheide, um resort mais low profile, bastante frequentado por suíços, e eu adorei, porque conseguimos esquiar somente usando chair lift, aquele de cadeirinhas, o que significa ficar sempre ao ar livre, e não sentar em ambiente fechado onde passou gente. Também tem muitas pistas azuis - detalhe importante para uma pessoa de habilidades, digamos, limitadas - e os preços não são exagerados. Foi uma delícia ir pra um hotelzinho, sair de casa, mudar a paisagem, e não me preocupar em cozinhar por uns dias rs. Além de tudo, fomos presenteados com dias lindíssimos de muito sol, o que nessa época do ano é uma benção. 

Pleníssimos no topo

E chegando de volta na vila de Lenzerheide

Também fomos comemorar o aniversário do digníssimo em Zermatt, vila alpina famosa babado e que dispensa muitas aprensentações. Esse rolê foi maravilhoso inteiro, porque Zermatt é linda, os dias foram ensolarados, acabamos encontrando com amigos na montanha, esquiamos olhando o Matterhorn o dia inteiro, e ainda tivemos um upgrade de hotel, e passamos o fds na maior chiqueria da vida. Foi demais! 

Zermatt, sempre magnífica

Agora vamos lá, um balanço das metas da vida: 

- Cuidar mais do meu corpo e saúde: esse mês tive umas escapadas em termos de nutrição, por motivos de férias e viagens. Mas estou muito satisfeita em estar, no dia a dia, me alimentando melhor, de forma mais balanceada. Também eu definitivamente engrenei numa rotina de atividade física e tenho me movimentado bastante, seguido um plano com exercícios em casa e corrida na rua. Também fui ao médico no começo do mês para um check up, coisa que não fazia há mais de dois anos. Descobri algumas deficiências em vitaminas, e estamos fazendo as reposições necessárias. 

Pratos coloridos viraram uma constante na vida, finalmente

- Ler um livro por mês: esse mês eu mais uma vez li um livro, e comecei outro que não terminei rs. Li o Pequeno Manual Antiracista da Djamila Ribeiro, e gostei bastante. É curtinho, mas poderoso em despertar reflexões importantes sobre o nosso comportamento. Eu ganhei esse livro, e um outro - O Mito da Beleza, de amigo secreto do Brasil. Descobri que to tendo muito problema em ler livro físico, depois de me acostumar tanto com o kindle. Acabou que ainda não terminei o Mito, mas terei sim um livro pra março. 

- Ser menos procrastinadora: esse mês teve seus momentos difíceis, mas no geral tenho procrastinado menos. Encontrei algumas ferramentas que me ajudam também, e acho que essa parte é essencial. Entender o que funciona pra você. Eu tenho algumas coisas manuais, como fazer lista de prioridades todo dia de manhã e tentar chegar no fim do dia com esses itens finalizados. As outras coisas que não são prioridades podem esperar. E essa dinâmica tem me ajudado a procrastinar menos. Viva! 

- Novos cantões: num domingo ensolarado, porém GE LA DO, fomos passar o dia de São Valentin em Romanshorn, cantão Thurgau. A cidade fica na beira do lago de Konstanz, na fronteira com a Alemanha. Tirando a beira do lago, que é belíssima, não achei a cidade muito digna de visita rs. Mas o lago vale demais. A água azul, o gelo se formando sobre as pedras, congelando a vegetação, tudo bonito demais, mas o frio doía nos ossos. Passeamos por algumas horas, e depois de comer uma salsicha em pé no meio da rua rs, voltamos pra casa. De Zurich até Romanshorn é coisa de 1 hora de carro, ou de trem. 



E assim se passou mais um mês nessa nossa vida pandêmica. Alors, Março! 

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