Procurando emprego na Suíça

Não é porque recebi umas propostas que virei expert no assunto rs, mas agora pelo menos consigo dizer o que pode funcionar mais ou menos. E de quebra, as always, tentar ajudar alguém que precise. 

* * *
CV
O currículo por aqui é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. De cara, quando fui ao trabalho de Mati pedir à RH dele para dar uma olhada no CV, ela já lançou: falta foto, ta enxuto demais. Eu acho um absurdo gigantesco ter que botar foto no currículo, pois é uma baita ferramenta de discriminação. Mas o mundo a gente muda aos poucos, e pro emprego eu tinha pressa rs. Então tirei uma foto estilo profissional, com fundo branco, com roupas de trabalho (nada de cortar aquela foto que você saiu bonita numa viagem rs) e, muito braba, botei no currículo. Além disso, se no Brasil menos é mais, aqui mais é mais mesmo haha. Aparentemente, o currículo deve explicar de forma mais detalhada as experiências profissionais, e se isso resultar num CV de até 2 ou 3 páginas, tudo bem. Então fiz isso. A ideia é que fique mais ou menos assim:
Obviamente, essa não sou eu. Esse CV é um template do site http://genericrevia.club/
Onde procurar? 
A internet, meus queridos, é um mundo de oportunidade. A minha principal fonte de busca foi o LinkedIn, desde sempre. Perfil atualizado, e busca diária. Mesmo quando eu não tinha o visto de trabalho, estava sempre olhando por lá. No total, consegui quase umas 10 entrevistas pelo site e uma virou proposta. As empresas estão cada vez mais usando o Linkedin, e vale gastar tempo lá (e se comportar, Linkedin não é Facebook). Também usei bastante o Indeed e lá tem muuuuita coisa, muita mesmo. Tem ainda os sites de agências, como a Hays, a Page Personal (do Grupo Michael Page), Adecco, Randstad, etc. Se você entrar nisso tudo, vai ter um range bem grande de vagas, indo de trabalhos manuais até grande diretoria de empresas rs. 

Networking
É fundamental. Li um dado de que quase 70% das vagas na Suíça não são postadas (e desconfio que esse número seja similar mundo afora), e ter uma rede de contatos pode ser fundamental para você se colocar no mercado. Chegando num país novo é bem difícil construir essa rede e por conta disso eu comecei a frenquentar MeetUps, entrei em grupos de facebook, fui à palestras e isso foi até um dos fatores decisivos para eu optar pelo curso que estou fazendo. Num encontro de um grupo do facebook, acabei conhecendo uma mulher cujo marido era advogado, e recebi um email para realizar um projeto com ele. Na época era um projeto de um mês, e eu estaria 15 dias desse mês no Brasil, além da questão do visto, então não rolou. Mas olha só.. um drink no bar virou um possível projeto temporário, que poderia ter virado uma vaga permanente. Através da rede de contatos da Universidade de St. Gallen, onde estou fazendo meu curso, consegui o estágio que estou realizando no momento (sim, virei estagiária, e irei explorar esse ponto logo abaixo). É muito importante conhecer pessoas que possam te informar de vagas não postadas, que possam te recomendar para amigos, que possam ao menos passar o seu CV para o topo da pilha. Inclusive, eu coloquei o networking aqui, embaixo de onde procurar, porque uma coisa complementa a outra: você pode achar uma vaga no Linkedin, por exemplo, e achar um contato que trabalhe na mesma empresa, que possa botar o seu CV na mão certa.

Candidatura
O famoso application, rs.  No Brasil, quando me candidatava pra alguma vaga, era só escrever um email falando que estava interessada na vaga e anexar o CV. Aqui é beeem diferente. O CV deve ser acompanhado primeiramente de uma bendita cover letter, a carta de motivação. Eu detesto escrever cover letter, mas é necessário. Não vou dar receita de cover letter aqui porque quem sou eu na fila do pão, né... mas acho que é importante manter princípio básicos de redação: introdução, exposição, conclusão, tudo de forma coesa, e sem se alongar muito porque os caras tem sabe-se lá quantas candidaturas pra ler. Fale da sua experiência, do seu interesse pela vaga, e pronto, seja profissional. Além dela, devem acompanhar o CV o diploma (SIM, o DIPLOMA) e cartas de recomendação de antigos empregadores. Então é bom ir atrás desses documentos se vocês, assim como eu, não tem eles em mão rs. Eu me formei em 2010 e nunca tinha buscado meu diploma, olha a vergonha hahaha.. Fui quando me informaram que sem apresenta-lo aqui não ia rolar. Mesma coisa para carta de recomendação, eu nunca pedi. Mas graças a deusa sempre tive bom relacionamento com chefes, e ai fui atrás delas com um c e r t o delay, e resolvido. Ai pega CV, cover letter, diploma, recomendação, faz um tudo um PDF só e pronto, ta pronto seu application :) 

Aceite que talvez uns passos pra trás sejam necessários
Aqui acho que é um ponto crucial dessa busca. Já comentei em algum post do blog de como foi "dolorido" ver a minha experiência sendo diminuída. A verdade é que chegar num país novo é abrir mão de muitas coisas, inclusive de muitas conquistas. Eu fiz uma faculdade de Direito que no Brasil tem certo prestígio. Aqui ninguém N U N C A ouviu falar. Eu trabalhei num escritório de advocacia de ponta, com o cara que escreve livros que a gente usa na Universidade. Aqui? É isso mesmo, nunca ninguém ouviu falar. Trabalhei em multinacionais relativamente grandes, porém dessas que eu nunca tinha ouvido falar antes de entrar, e nunca mais ouvi falar depois que saí. Empresas que empregam 20 mil pessoas pelo mundo, cujo serviço passa dentro das nossas casa algumas vezes por dia, mas que não conhecemos, e que não trazem um pingo de atenção pro meu CV. Resumindo, aqui, no meio de tantos CVs com Sorbonne, LSE, St. Gallen e afins, eu sou ninguém. E se eu era gerente no Brasil, rapidinho aceitei numa boa que não seria aqui. Tentei expor a minha experiência da forma mais rica possível, e apliquei para vagas que condiziam com ela, mas também para vagas bem mais juniores. Tracei como estratégia conseguir uma vaga, qualquer que fosse ela, numa empresa grande, respeitada, que sobressaísse no meu CV pra sempre. E foi aí que, mesmo tendo recebido uma oferta de emprego fixo (também para um cargo mais baixo do que eu tinha no Brasil), bem remunerada, numa empresa grande, resolvi aceitar uma vaga de estágio numa empresa Fortune 500. Pra quem não ganhava nada, o salário de estagiário já estava bom rs, e eu entendi essa oportunidade como um investimento a longo prazo para a minha carreira. Vejam bem, eu recebi duas ofertas, as duas para vagas mais júniores que a minha experiência permite. Mas tudo bem. Entendi que esse vai ser o passo pra trás que me permitirá dar dois pra frente. Por isso, se abra para outras possibilidades. Mudar de país é um eterno exercício de humildade, em vários aspectos. 

Esses são os pontos que eu acho mais fundamental. Se alguém tiver como complementar esse post, será muito bem vindo :) 

A cara da gente

Num post lá nos idos de 2015 eu contei a relação com meu cabelo crespo e meu retorno às origens depois de mais de uma década de alisamento. Na época eu estava deixando o cabelo ao natural, e queria ver no que ia dar. A verdade é que deu muito certo. Eu fui deixando o cabelo crescer, fui cortando, fui tirando a química, fui tratando. Cheguei no ponto que eu queria. E foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

Eu vivia com o cabelo desarranjado antes, e achava que era porque ainda precisava crescer, que ainda não tava "no ponto". Eis que, depois de 3 anos, eu não tinha mais  que pensar, o cabelo estava no tal do ponto. E no dia que eu lavava, ele ficava LINDO. Em todos os outros dias, era um ninho de cobra embaraçado que eu prendia em coque. O meu cabelo cacheado é seco, não se deve lavar com muita frequência, o que significa que eu passava muito mais tempo com um cabelo que não me agradava do que o contrário. E as vezes eu tinha aquelas vontades doidas de alisar, mas ai lembrava dos dias bons e passava... 
Cachos maravilhosos no dia da lavagem
Além dos "good hair days", uma coisa que ficava me martelando muito era essa de aceitação. Eu queria muito participar dessa tomada nossa pelos nossos corpos, desse amadurecimento que a mulherada está passando na relação com a própria imagem refletida no espelho. Eu queria ficar confortável com o cabelo que nasci. Então por mais que tivesse uma pulga atrás da orelha me atormentando, eu achava que era resultado de uma vida de imposição de cabelo liso como o modelo de beleza. E vamos combinar que de certa fora era sim. 

Mas a real é que toda vez que o facebook me trazia uma lembrança das antigas, eu e meu cabelo liso, eu tinha uma sensação de nostalgia muito profunda. Mas muito profunda MESMO. Me dava uma tristeza, e eu ficava "quero meu cabelo de volta". Só que perai, agora é que eu tinha o meu cabelo, né?! E eu não tentei reprimir essas ideias não, mas fiquei atrás de tentar entender o sentimento. E eu entendi que ter alisado meu cabelo dos 15 até quase os 30 moldou minha auto imagem. Eu acabei percebendo que essa pessoa de cabelo encaracolado, por mais bonito que fosse, não representava bem a imagem que eu tinha de mim mesma. Não era "a minha cara", sabe?!

E aí que nessa eu resolvi fazer uma viagem no tempo, e vou compartilhar aqui umas imagens antigas aqui:
2005
2006

(pausa dramática para a invenção e popularização do smartphone)
2012
2013
2014
2015

Não é que meu cabelo esteja f a b u l o s o em todas essas épocas, mas é assim que eu me reconheço. Demorei algum tempo pra entender que, qualquer que tenha sido o estrago do tal padrão de beleza, meio que já ta feito, porque eu simplesmente não consigo me identificar com o meu cabelo natural. E na boa?! Tudo bem. Eu acho que o grande ponto dessa revolução toda é que a gente se sinta bem. É desencanar de achar que tem um "jeito certo". E sim, hoje em dia não cabe mais induzir alguém a mudar algo do próprio corpo para se enquadrar em padrão. Assim como não cabe a gente ficar forçando numa coisa que não ta funcionando. Eu queria fazer muito parte do movimento de ode aos cachos, tentei até onde deu. Mas a prioridade sou eu. 

E foi assim que eu cheguei no Brasil disposta a voltar no meu mago dos cabelos (rysos) e retornar ao meu antigo visual. Peguei várias dessas fotos aí e mostrei pra ele. E depois de algumas horas (que seguem atormentando o meu saco), eu saí de lá me estranhando, mas me reconhecendo. Depois de umas horas eu já tava beeeem a vontade com a minha nova cara antiga. E rolou um negócio bizarro rs... Eu do nada me notei mais vaidosa, querendo me arrumar mais, e me achando muito, mas muito mais bonita. É aquilo que a gente meio que já sabe: beleza vem de dentro, de auto confiança, de felicidade. E eu posso dizer com bastante tranquilidade que há muito tempo não me sentia tão bonita, tão eu :) 
Me achando tanto que até fiz selfie no elevador pra ilustrar <3

Meu processo migratório na Suíça - troca de visto

Um pouco depois de me mudar fiz esse post explicando como foi feito nosso visto, o que é o visto L e as limitações que ele me impunha. Também expliquei aqui como tivemos que proceder para receber o nosso permit. Digamos que a minha vida estava on hold: tudo dependia do bendito visto B, que deveria chegar depois de 2 anos da gente aqui. Vamos só dar uns passos pra trás, rs...

Ano passado o trabalho de Mati deu entrada na renovação do nosso visto, e disse que "tentaria" pedir um visto B, mesmo a legislação dizendo que não europeus devem manter um L por dois anos. Eu não dei muita bola. Porém, quando fomos dar entrada nos papeis na comuna, a moça lá disse que nós deveríamos receber um B sim. Pois é claro que esse B não veio, e esse rolo todo só me fez criar expectativas e ficar ainda mais decepcionada. Mas ok, depois de ficar bem puta, segui normalmente com a minha vida, na esperança desse ano as coisas finalmente se encaixarem. O que quero dizer com esse parágrafo é: o processo migratório é tão confuso que até as autoridades responsáveis se confundem e passam informações desencontradas. Dar conta dele sem enlouquecer não é pra fracos. 

Como esse ano o nosso visto vencia em meados de julho, lá pro começo de junho eu fui me informar na imigração, na comuna, etc, qual a melhor forma de proceder para garantir que a gente recebesse um B. Ninguém quis se comprometer e dizer que receberíamos esse visto com 100% de certeza, mas falaram que tudo indicava que sim. Um detalhe importante: cada cantão tem uma cota de vistos para não europeus, então mesmo que a lei determine que um L não pode ser renovado por mais de 24 meses, se a cota do cantão já tiver se exaurido, a autoridade migratória pode emitir um novo L sim. E esse era meu maior pesadelo. Além de tudo, nesse dia eu recebi uma informação na imigração, outra na comuna, e quase abri a boca a chorar lá, tamanho o desespero de achar que ninguém sabe o que está falando. Eu precisava que as coisas saíssem redondas, mas fiquei com a impressão de que nossa única chance era a sorte. Uma senhora que trabalha lá, vendo a minha cara de choro preso se compadeceu, me ajudou muito e foi fundamental para o desenrolar rápido do visto depois.  

Em meados de junho o empregador de Mati preencheu o formulário e enviou. Ficamos aguardando resposta por um bom tempo, e nada. Já quando nosso permit tinha vencido o empregador confirmou que o visto havia sido processado, e ele havia recebido um B. Como eu vim para a Suíça com base na "reunião familiar", uma vez que o visto de Mati foi concedido, eu então preenchi um formulário de reunião familiar, pedindo o visto para mim. Como estamos nesse esquema da reunião familiar, eu o acompanho. Quando ele tinha um L, eu recebia L. Agora que ele tem B, eu recebo B. E como nessas alturas eu já tinha um contrato de trabalho assinado, enviei uma cópia para eles, para pedir que fosse processado em tempo de eu começar na data acordada com o meu empregador. E assim foi... o visto chegou 3 dias úteis antes de eu começar a trabalhar rs.

O visto B para não europeu é anual, o que significa que ano que vem teremos que renova-lo de novo. A taxa que o empregador de Mati pagou pelo processamento do visto é de 500 francos, e depois pagamos 123 cada um para a emissão do cartão. Imagino que quem esteja fazendo isso por conta própria arque com esses custos pesados sozinho - mas eu não conheço outros processos, como por exemplo, de quem vem pra cá por matrimônio com suíço, então não sei os valores e tramites exatamente. Essa é a minha experiência.

Eu acho esses posts quase chatos rs... Mas faço porque lembro de eu mesma, uns anos atrás, procurando por informações na internet e encontrando muito pouca coisa. Prefiro deixar registrado e assim, possivelmente ajudar a esclarecer coisa para quem está no processo infernal de mudar de país :)

E a vida, heim?

A vida vai muito bem, obrigada. Depois de dois anos de sofrência, chegou o tão desejado visto, o tão desejado emprego, e a vida segue aqui tomando novos contornos. Hoje em dia tenho uma rotina completamente diferente dos meus dois primeiros anos em solo suíço, e devo dizer que ainda não estou 100% adaptada. Mas ok, imagino que deve ser normal o corpo tomar um tranco com tanta mudança depois de tanto tempo numa maciota, né?!

Eu levanto 6h da manhã todo dia, às 7h pego o trem pra Zurich, entro no trabalho 8:15, saio às 17:15 e chego de volta em casa às 18:30. Duas vezes por semana tenho feito tandem de alemão, pois só uso inglês no trabalho e não quero enferrujar. Na próxima semana voltarei ao ballet, que eu tinha parado para as férias e acabei adiando a volta por conta das mudanças todas. E algumas vezes por mês tenho aula da minha pós graduação, que são dias inteiros e por isso não vou trabalhar. Aos finais de semana me sobra tempo pra dar aquela limpada na casa com Mati, encontrar os amigos, dormir até mais tarde e passear. Vai dizer que não é outra vida? Estou penando, me sinto muito cansada, mas estou feliz. Não reclamo de jeito nenhum :) 

Desde que cheguei das férias fiz bastante coisa, além de dar uma baita reviravolta na vida hahaha.. Vejamos: 

Recebi amigos em casa para um domingo de café na varanda e mergulho no rio
Passei um sábado fazendo picnic na beira do lago e explorando Lausanne, minha cidade favorita da parte francesa
Fizemos nossa primeira caminhada com ares outonais na floresta
Fui pra Paris <3
Pedalei 20 km, o melhor jeito de descobrir os cantinhos perdidos de Berna
Passei três dias em Vevey, à beira do Lago de Genebra, em aulas da pós
Ou seja... A vida anda agitada pra caramba. 

Um fim de semana em Paris

Não tem jeito, eu sou mesmo uma grande fã de voltar a lugares que já conheço. E se for em boa companhia, então... eu nem preciso pensar muito. Quando minha amiga Emilia resolveu passar um feriado em Paris, rapidinho eu dei um jeito de me enfiar na viagem dela haha. Eu adoro a ideia do trem pra Paris, porque ele é rápido e prático - em 4h você está lá, no meio da cidade - mas ele é também caro, e se não comprar com bastante antecedência, fica meio inviável. Mas tem a HOP!, low cost da família da Air France, que viaja de Basel, e mesmo com pouca antecedência é possível encontrar com eles passagens pagáveis. Voilà, tínhamos um plano. Sexta-feira depois do trabalho peguei o avião e ~EMOÇÃOOO~ jantei com minhas amigas de infância em Paris. Quem via a gente comendo barro juntas com 5 anos de idade jamaaais imaginaria que a gente estaria bem phynas em Paris um dia, nénon?
Ficamos no Ibis na região da L'Opera e eu indico muito. Primeiro porque Ibis é Ibis, não tem surpresa, é um padrãozão e você sabe o que vai encontrar em qualquer lugar do mundo. O preço era bom, e a localização, ótima. Saímos andando de lá para muitos lugares, e para ir e voltar do Charles de Gaule também é bem fácil usando o Roissy Bus, um ônibus que sai do aeroporto e para direto lá na L'Opera, na frente das chiquérrimas Galeries Lafayette. O ônibus funciona desde as 6h da manhã até meia noite, e sai de 20 em 20 minutos. Custa 12 euros. 
A vista da nossa janela :)
E sabe qual é a beleza de voltar? É ter zero compromisso com "turistagens pesadas". Nós três já conhecíamos Paris e pudemos nos dedicar a conhecer um lado menos badalado e mais francês da cidade. A Emília achou um guia muuuito legal, que dá umas dicas interessantes e menos batidas, e resolvemos seguir um dos passeios de lá, na região do Canal de St. Martin. Passamos a manhã inteira andando por vielas, encontrando lojinhas fofinhas, parando para fazer people watch e tomar uns drinks nuns lugares fofinhos. O dia estava ensolarado bem lindo, e somado a esse slow pacing, é minha definição de alegria nas férias <3
Canal de St. Martin



E esse guia, além de nos apresentar essa área linda, ainda deu a melhor ideia haha... Na Bassin de la Villete, uma bacia na sequência do Canal de St. Martin, há uma pequena marina onde é possível alugar barcos elétricos e você mesmo dirigir e fazer um mini cruise. Você pode alugar por hora, ou fazer um passeio maior saindo da bacia. Optamos por comprar uns queijos e vinhos e ficar pela bacia mesmo, só na curtição e sem preocupação. Foi um dos pontos altos do fim de semana, porque a gente se divertiu muito com o conceito, dirigindo o barco, passando pelas outras pessoas. É bem fácil, não é perigoso, e eu recomendo muito. A Marina chama Marin D'Eau Douce

Tremidas porém felizes
A área ali é bem legal, cheia de bares, restaurante, gente fazendo atividades ao ar livre. Passamos o fim do nosso dia fazendo picnic na beira do canal e pingando de bar em bar. Não poderia ter sido mais perfeito :)


Nosso domingo começou beem devagar e cheio de ressaca rs. Ninguém peregrina de bar em bar até as 2h da manhã impune, não é? Resolvemos fazer um tour por Montmartre, e começamos com um belíssimo café da manhã no Cafe Marlette. Recomendo muito também. Um ambiente super fofinho, bolos deliciosos, um café realmente bom. De lá seguimos andando pelas ruazinhas do bairro, passamos pelo Café des 2 Moulines, o Café da Amelie Poulain e seguimos até chegarmos na Sacre C'Ouer, pra mim um dos pontos mais belos da já muito bela Paris. 
Café Marlette

As ruazinhas de Montmartre

Terminamos o nosso dia, e a nossa viagem, passando pelo Trocadero e beira do Sena. Eu nunca tinha ido ao Trocadero, e achei que seria uma boa ter uma vista diferente da Torre Eiffel. Caminhamos por quase três horas só curtindo um sol, apreciando a cidade, com algumas paradinhas para comer, para beber, e para se curtir, até chegar no hotel, onde nos despedimos. Foi uma viagem muito, mas muito gostosa mesmo, que só me faz querer repetir mais e mais. Lugares, fins de semana com pessoas queridas, tudo que é bom e faz bem. Recomendo. 





Ps - faço esses posts de viagens no esquema bem diário mesmo, que é pra ficar de recordação pra mim. Mas no meio do texto faço questão de botar nomes, links e outras informações que possam ser úteis, assim além de recomendação, o post fica informativo pra quem tem interesse :)

Advogada na Suíça?

Esse post pode ser bem chato para quem não tem interesse no assunto. Mas resolvi mexer nesse vespeiro porque essa é uma pergunta que escuto com certa constância. Voilà. 

Para quem é de fora da área, o Direito ainda segue parecendo um tema muito pouco transferível de um país pro outros. Já vi em vários blogs, canais e afins, quando estão falando sobre exercer profissão fora do país, que "em algumas áreas, como o Direito, é impossível". Essas pessoas sempre são de outras áreas, e tem em mente um Direito bem antigo. Aquele em que só existia família, criminal, tributário, trabalhista e previdenciário. Aquele em que advogado ou ta trabalhando na porta de cadeia ou fazendo divórcio, e que precisa recitar a letra da lei. Bom, há muito tempo o Direito é bem mais amplo do que isso. Sempre foi, claro, mas há uns bons 20 anos, com globalização e afins, o Direito também se globalizou. E é aí que as portas podem ter se aberto um pouco para quem pensa em exercer a profissão fora do país de origem.

Para quem tem experiência com M&A (ou fusões e aquisições), compliance, operações cross border, tributação internacional, contratos internacionais, direito migratório, é bem mais fácil trabalhar em outros países (e veja bem, digo trabalhar, porque arrumar emprego é sempre difícil né). Nos últimos quatro anos da minha carreira no Brasil eu trabalhei em multinacionais, participando da negociação global de contratos e depois adaptando esses contratos globais para a legislação brasileira. Também trabalhei com a implementação de controles de compliance seguindo padrões europeus e de FCPA (e aqui, para quem não é da área, num resumo bem resumidinho, compliance é conformidade e hoje em dia as empresas tem departamento específico que atua para garantir que a empresa segue à risca todas as regras internas e externas. Há procedimentos de padrão internacional de compliance, que podem certificar uma empresa. Já o FCPA que mencionei é a lei americana anti corrupção. Empresas americanas colocam em contrato que a outra parte deve seguir controles de compliance para obediência da FCPA). Em menor escala, fiz trabalhos voltados para M&A. Ou seja, tenho alguma experiência que torna meu perfil mais internacional. 

É claro que ter uma faculdade no país em que se quer trabalhar, tirar a OAB local, vai aumentar a sua chance de encontrar algo em muitos porcentos, pois é qualificação extra, e ainda por cima aumenta seu campo de procura, certo?! Você abre suas possibilidades para além das multinacionais. Mas eu cheguei na Suíça sem intenção de, a princípio, me qualificar. Primeiro porque são anos de estudo e eu precisava trabalhar, e segundo porque tem a questão da língua. Sabe-se lá quando eu teria condições de prestar uma prova técnica como a "OAB"(que aqui chama SAV) em alemão, francês ou italiano, as línguas oficiais do país. Além do mais, aqui na Suíça tem muitas, mas MUITAS, multinacionais. A minha ideia era, desde o princípio, encontrar uma posição em que eu pudesse usar o conhecimento que tenho, me apoiar na minha experiência, para aprender mais e evoluir. 

E aí a pergunta... MAS E NÃO PRECISA DA OAB? Não necessariamente. Vou resumir novamente de forma bem simplista. Para quem quer atuar como advogado com poderes para atuar em Cortes, para representar legalmente clientes diante de autoridades e afins, é necessária a OAB sim. Mas há uma outra infinidade de possibilidades dentro da área: analista/gerente de contratos ou de compliance, consultor em qualquer das áreas que mencionei, auditoria, paralegal (que é uma posição abaixo de advogado, mas que mexe com contratos, com documentos corporativos, etc), etc. São posições nas quais você usa o seu conhecimento jurídico, mas não necessariamente irá assinar como advogado. E deixo um exemplo: estou trabalhando no departamento de contratos de uma empresa, e não no departamento jurídico. Quando é necessário o sign off de um advogado, eu encaminho a questão para o jurídico. 

E tem bastante vaga nesse perfil. Claro que tem também muita vaga que pede a OAB local. Mas honestamente, o mercado é bem mais aberto aqui do que eu esperava. Nesses dois anos que não trabalhei, não foi por causa de vaga. Já comentei por aqui que eu tinha um problema de visto, e em todas as entrevistas que fiz, a conversa acabava aí. Mas veja só... tinha vaga, tinha entrevista. Portanto, se você é da área e acha que vai ser impossível encontrar algo aqui na Suíça, não é não. Tampouco é fácil, é verdade. Mas em outra hora eu escrevo aqui sobre como funciona a busca por emprego aqui.

Enfim, esse texto é zero profundo, e não tinha a intenção de inventar a roda com ele. Mas sei que é uma dúvida frequente das pessoas da área, uma curiosidade das pessoas fora da área, e já cansei de revirar os olhos vendo informação errada por aí. 

A internet, a exposição e o que vem depois

Uns tempos atrás deixei o blog fechado por dez dias, e o motivo me fez refletir bastante sobre o quanto nos expomos voluntariamente na internet. Não estou falando de exposição como se fosse algo ruim, mas simplesmente como um fato. É isso, hoje em dia a gente mostra muito mais de nós, a gente se expõe, e isso tem impactos de várias formas. 

O impacto imediato - e o melhor - é a rede de conexões que criamos. Aqui pelo blog conheci várias pessoas - várias que também tem blogs - e por ler seus comentários aqui (bem como seus blogs), criei uma identificação. Segui-las em outras redes acabou revelando ainda mais coisas em comum, ou coisas que acho interessante, relevante, o que me fez gostar muito delas, pessoas essas que nunca nem vi. Alias, algumas até conheci :) Enfim, resultado é que conheci pessoas incríveis e fiz algumas amizades, laços esses que são puro impacto da exposição, minha e delas, na internet. E isso é fantástico!

Por outro lado, veja só... Eu me candidatei pra uma vaga de emprego bem interessante aqui na Suíça, o processo começou a andar e, depois de algumas entrevistas por telefone, fui convidada a ir à sede da empresa fazer uma entrevista pessoalmente com quatro pessoas. Quando me passaram os nomes, rapidamente, notei que um deles era brasileiro. Ao vivo percebi que uma das outras três pessoas, um gringo, era MUITO "xereta". Ele foi checando meio ao vivo tudo que eu ia falando. Abriu o site das empresas em que eu trabalhei ali na lata, fez perguntas sobre, abriu o google maps para discutir o meu commute, até o site do projeto onde faço voluntariado ele abriu e notou que eu não estava na foto de capa. Ao sair de lá me deu um certo pânico de que o cara achasse o blog e desse pro brasileiro traduzir. E veja bem, eu não falo nada demais aqui, não há nada de que eu me envergonhe, mas falo da minha vida, deixo claras algumas opiniões políticas, falo palavrão, falo merda, enfim... sou quem eu sou fora do horário comercial (e dentro dele quando acho que cabe rs). A real, é que eu não sei qual é a das pessoas, e não quero que elas saibam qual é a minha antes da hora, sabe?! 

Enfim, por isso fechei o blog enquanto esse processo se desenrolava, e a ideia era deixar fechado até que acabasse. Depois de uns dias eu comecei a relaxar, porque é isso, o blog mostra em estado bruto o que sou, não tem muito como fugir. Se for pra me negarem um emprego por causa disso, paciência. Reabri o blog antes de saber o que tinha rolado com o emprego (confesso que ter pintado outra vaga no horizonte ajudou nessa relaxada). 

Nessa reflexão sobre minha auto exposição, percebi que hoje em dia é meio que inevitável ter um extenso footprint na internet. Por exemplo: isso tudo aconteceu na mesma semana que uns imbecis fizeram um vídeo ultra misógino na Rússia assediando uma moça, vocês devem se lembrar. Os caras foram super expostos, alguns perderam emprego, enfim... E não postaram o vídeo no instagram, nem facebook, nada. Esse vídeo foi enviado para amigos "do mundo real" por whatsapp, e vejam a proporção que tomou. Quantas vezes isso não aconteceu? A nossa vida hoje em dia não se divide mais entre on e offline. Ta tudo junto, ações do mundo offline reverberam no online para então sofrer consequências na vida offline. 

Não consegui chegar à uma conclusão, mas pensei muito e tenho certeza que não tenho vontade de fechar o blog e deixa-lo somente para "convidados". Nos últimos meses eu recebi vários emails de pessoas que se mudaram, ou que moram na Suíça, e que tinham algumas dúvidas. Achei muito legal poder ajudar de alguma forma, tirar dúvidas, dar umas ideias. Alias, mais engraçado: um parente distante me encontrou aqui enquanto procurando subsídios para a cidadania italiana dele, e eu pude ajudar também. Não é muito bacana?!

Por essas e outras, por hora tenho sim consciência de que devo prestar atenção no "oversharing" (aqui, em todas as redes e na vida), mas que a experiência no geral é muito positiva. O blog é meu hobby favorito, é onde eu registro as mudanças da vida, o que meus olhos veem, e muito do que meu coração sente. De quebra, é onde conheci pessoas muito legais, e onde nesses dois anos de Suíça ainda me senti fazendo alguma diferença. Não quero nem vou abrir mão disso aqui por uma privacidade online que acho que nem existe mais. 

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