Março 2022

O tempo está voando, é oficial rs. E nesse momento, isso não é um problema pra mim, já que eu quero mesmo que o tempo voe e tão aguardado verão chegue logo. Março foi um mês que se desenrolou do jeito que eu precisava: depois de tanto tempo falando aqui que to trabalhando igual uma camela, foi um mês em que o trabalho entrou num ritmo bem mais favorável. Tive mais descanso, tempo e vivemos dias lindos de uma primavera cada vez mais próxima. Veja bem, enquanto escrevo esse texto, 2 de abril, está nevando cântaros lá fora. Mas todo ano é assim: a primavera aparece, da um belíssimo teaser do que está por vir, a neve e o inverno voltam para seu BIS antes de irem de vez pra trás das cortinas rs. Estamos vivendo esse momento, e sigo otimista. 


Comecei março indo encontrar uma amiga da faculdade em Davos. Ela mora na Alemanha e estava passando uma semana aqui com amigos. Foi meio uma excentricidade, porque Davos fica a 2h da Zurich e eu fiz bate e volta, mas valeu a pena demais pra colocar o papo em dia, pois não nos víamos desde outubro de 2019. E pra compensar o esforço, ainda fez um dia pra lá de lindo, ensolarado, com neve ótima, perfeito. Esquiamos bastante, conversamos muito e voltei pra casa acabada e dormindo de boca aberta no trem rs. E pra encerrar a temporada de esqui, em meio de março fomos passar um dia em Andermatt, uma estação bem famosa da Suíça, no cantão de Uri. De carro em 1:20h se chega lá, e o resort é IMENSO. Da pra passar muitos dias explorando as várias montanhas, mas fomos num dia de bastante vento e ficamos na montanha mais desafiadora, só de pista vermelha. E assim, encerrei minha temporada com muita superação. Se me contassem que eu terminaria num dia só de pista vermelha eu teria duvidado. 

Dia lindo em Davos

Chegando em Andermatt, pra encerrar a temporada

Mas nem só de esqui vive essa pessoa. Com os dias esquentando e o sol saindo com força, passeei bastante por Zurich, já tive minha primeira tarde de tomar sol na beira do rio, e tivemos um fim de semana delícia no Porto. Aproveitando um dos vouchers que tínhamos com a EasyJet dos problemas pandemicos, escolhemos ir ao Porto porque é um dos poucos destinos saindo de Zurich (EasyJet voa mais de Basel e Genebra), e que, por ser cidade pequena, seria mais fácil de aproveitar em pouco tempo. E realmente, conhecemos Porto praticamente inteira, fomos a vários bares, restaurantes, comemos muito bem, aproveitamos uma festinha em rooftop, e principalmente: reencontrei mais uma amiga. A Ju é uma amiga de infância, nos conhecemos há pelo menos 30 anos, e mora em Portugal. Não nos víamos também desde novembro 2019, então foi delícia demais passar um tempo com ela. Também fui a um ballet, e que saudade que eu estava desse tipo de evento. É tão bom ver a vida voltando ao normal... Aqui ficam umas fotos desses momentos felizes, nevados e ensolarados de março. 






E como vão as metas? 

Bom... nem de todo mal. Se por um lado sigo sem aprender alemão, e não fiz nenhum hike, por outro fiz mais exercícios, li dois livros e conheci vários lugares novos em Zurich. Voila: 

- Ler dois livros por mês: pois li três. 

Elke, Mulher Maravilha, do Chico Felitti. Eu admiro demais o Chico, um jornalista pra lá de sensível, que viralizou com seu texto do Fofão da Augusta. Tudo que ele toca vira poesia. Seu podcast "Além do meme" é engraçado e tocante, seu perfil no instagram é fofo, e o livro da Elke não poderia ser nada além de um fiel e respeitoso retrato dessa mulher maravilha que foi ela. Eu amei o livro, amei conhecer mais da Elke, dessa parte do showbizz que era tão presente na minha infância. 


Marron e Amarelo, do Paulo Scott: mais um livro brasileiro, mais uma paulada. Livraço, que tem o racismo como pano de fundo, e toca em vários temas importantes e atuais. Ao fim do livro me senti conhecedora de uma Porto Alegre que nem sei se existe. É uma narrativa diferente, um texto contínuo, fluído, você vai lendo numa velocidade, é uma coisa... quando vê, acabou e você ta ali com aquele caminhão de sentimentos pra digerir. Bom demais. 


Retratos do passado, do meu pai. Meu pai, aposentado, aos quase 70 anos, resolveu que queria escrever livros. E escreveu. Dois. O Retratos é seu segundo livro, e conta a história da infância que ele viveu, da vida na roça, dos acontecidos com uma pessoa da família. Como eu disse, esse livro é escrito pelo meu pai, e por isso, se por um lado talvez seja um livro que em outras circunstancias eu não amasse, por serem as circunstâncias que são, me deixou emotiva em vários momentos. Eu sei exatamente de onde vem cada história que está lá. Eu sei exatamente o que ele quer escrevendo sua história e deixando livros que vão viver para muito além dele. Eu reconheci muitas pessoas da família em várias passagens. E eu senti muita saudade. 


E sobre os novos lugares em Zurich. 

Urban Fork: a três quadras de casa, oferece brunch BEM americanão. Panquecas, ovos beneditinos, chicken & waffles, mimosas, avocado toast, tudo. Cervejas artesanais também. É bem delicinha, bem aconchegante, e bem lento rs. Tem que ir sem pressa, porque senão passa nervoso. Alias, eles são parentes do Fork & Bottle, um brunch bem famoso aqui em Zurich, na beira do Sihl, e que é igualmente americano e igualmente caótico, só que numa escala bem maior. Preferi o pequeno aqui da vizinhança. 

Nosso pedido no Urban Fork

Nooba: em Europaallee, a área revitalizada próxima a estação central, tem vários restaurantes, bares e afins, e o Nooba é o mais bonito deles. Eu sempre passo na frente, mas ainda não tinha ido. E fui, e digo: é mais bonito que gostoso rs. A cozinha é fusion, e tem uma mistura de pratos indianos, tamil, thai e ramen japones. Eu fui com mais 3 amigas, cada uma pediu uma coisa diferente, e ninguém achou nada demais. Resumindo, só volto pra tomar drinks, porque o ambiente é bonito mesmo rs. 


Cartell: uma taqueria descolada na área mais coxinha da cidade. Tinha tudo pra dar errado, mas não é que é boa? Gostei bastante dos tacos, a michelada estava muuuito boa, e também comi uma quesadilla bem boa. Voltarei!


Eu já desisti de achar que vou voltar a postar entre um mês e outro. Mas pelo menos a função diário ta em dia rs. 

02/12

 Oi gente, meu nome é Gabriela e eu vim aqui contar que em fevereiro eu esculhambei minhas metas. Não li, não comi direito, não estudei nada, não nada. E sabe de uma coisa? Foda-se. 


E com essa intro que eu venho aqui falar de fevereiro. Eu nem sei o que aconteceu, mas a real é que entre trabalho, férias, inverno, dias cinzas, eu simplesmente joguei a toalha e foquei em não endoidar. Sério. Eu gosto muito do meu trabalho, da empresa em que trabalho, e estou feliz. Mas esse começo de ano foi punk. Algumas mudanças deram uma chacoalhada no ambiente, e eu acabei ganhando mais responsabilidade e exposição do que planejado. É bom e estou feliz de, numa nova área, ter chegado tão rapidamente ao nível que eu tinha no Brasil na minha área de formação. Mas é bem natural que isso que tudo isso tenha gerado bastante estresse, e eu me senti completamente esgotada ao fim de cada dia. Para piorar, o pólen chegou com força em Zurique, e desde o dia 10 de fevereiro que eu to completamente entupida, sem conseguir abrir o olho e a base de anti alergico. Isso normalmente acontece comigo em março, mas esse ano chegou mais cedo. E com covid essa situação fica 3x mais desagradável, já que os sintomas da alergia são como de gripe e eu acabei me testando quase que diariamente nessas últimas semanas, por precaução e medo. 


Mas para além de estresse, teve 5 dias de férias na montanha, teve um fim de semana delícia em Freiburg na Alemanha para comemorar aniverśario do bofe, teve hike em uma paisagem incrível. Um pouco desses momentos: 

- Flumserberg: saindo de carro de Zurich, em 1:20h você chega nessa montanha, onde no inverno se esquia e no verão da pra fazer hikes lindos. Eu gosto bastante pra passar o dia na montanha, esquiar e voltar pra dormir em casa. Acaba também saindo um um rolê mais em conta (o esqui pass de um dia sai CHF 67, e não precisa gastar com hospedagem e jantar). Tem área pra iniciantes, pistas mais de boa, pistas mais desafiadoras, e umas pretas das quais não chego perto. De alguns pontos a gente esquia olhando o Walensee, que é um lago maravilhoso de lindo. Até agora só fui até Flumserberg pra esquiar, mas esse verão quero ir fazer uma trilha. 

Pista vermelha de cara pro Walensee

- Lenzerheide: na Suíça tem muitos resorts de esqui bem famosos, como Davos, Gstaad, St. Moritz, Zermatt, etc. Esses lugares são bem legais e icônicos, mas por conta do hype, são ainda mais caros do que os preços já absurdos desse país. Por isso que eu gosto muito de Lenzerheide. É zero hypado, quase não tem turista internacional, é uma área bem suíça raiz rs. Fica no Graubünden, o maior e mais antigo cantão Suíço, e da pra chegar lá de Zurich em menos de 2h. Hospedagem, restaurante, é tudo mais pé no chão e mais em conta. E tem muuuuuita pista em Lenzerheide, que ainda é conectada com Arosa. O ski pass da acesso as duas regiões, mas nunca nem chegamos a ir pra Arosa, e isso porque nos dias que passamos lá esquiamos mais de 100km. Fomos ano passado, fomos esse ano, e voltaremos. Ou seja, recomendo demais pra quem quiser fazer férias de esqui na Suíça. 



- Freiburg im Breisgau, Alemanha: passamos um fim de semana para comemorar o aniversário de Mati, e fiquei me perguntando porque demoramos tanto para conhecer. Freibrug é a cidade mais ensolarada da Alemanha, fica a menos de 2h de Zurich, é agitada, com muita vida cultural e gastronômica. A cidade é a entrada da Floresta Negra, dos contos dos Irmãos Grimm (e daquele bolo rs), mas fica também bem perto da fronteira com a França, mais precisamente da região de Alsace, então tem também bons vinhos e gastronomia. Chegamos lá na sexta de noite em tempo de correr pra um jantar, e curtir um bar de vinho. Passamos nosso sábado passeando pela cidade antiga, sentando pra tomar sol, fazendo algumas compras, e finalizamos o dia com um belíssimo jantar de 6 courses num restaurante bem legal. No domingo andamos mais um pouco pela cidade, subimos uma motanha urbana que tem lá pra ter uma vista mais ampla, antes de seguir pra casa.



Mas pra não dizer que não fiz nada de nada em termos de meta, teve duas que eu consegui cumprir rs. Vamos lá: 

"fazer 12 hikes": fizemos então o primeiro hike do ano. A idéia era dar a volta no Wägitalersee, um lago pequeno no cantão de Schwyz, coisa de meia hora de Zurich com o carro. Fomos num dia muito ensolarado, e apesar do frio, tava gostoso de tirar o casaco. Um dos lados do lago estava completamente na sombra rs.. e por isso acabamos indo até uma de suas pontas e voltamos, num total de 11 km de caminhada fácil. Foi muito gostoso! 

Quando saímos do sol e entramos na parte de floresta

E fim de hike

"conhecer um lugar por mês em Zurich": quando achei que essa meta também ficaria descumprida em fevereiro, quase no último dia do mês acabei indo encontrar amigas para jantar no Miki, um bar de rámen. Fica em Lochergut, uma área da cidade que eu gosto muito: zero turista, mais descolada, muitos bares, muitos restaurantes pequenos, e bastante comércio de imigrante. O rámen em si não foi o melhor que já comi, mas tava gostoso sim. Valeu a visita!


Vale lembrar que as metas não cumpridas foram: voltar a estudar alemão, ler dois livros por mês e rotina saudável rs. Mas ok, vida que segue. E esse post foi escrito no começo do mês, e sabe-se lá porque, esqueci de publicar. Antes tarde do que nunca, né?

Seria janeiro o novo agosto?

Temos ai um novo mês mais longo do ano rs? Pode ser que sim. Janeiro teve uns 60 dias dentro deles. E isso porque os primeiros 10 eu passei de férias rs. Comecei o ano no Brasil, tomando sol, curtindo a casa e o colo da mãe, sendo filha, sendo mimada, e foi ó.. M A R A V I L H O S O. Morri de saudade de casa, do marido, do cachorro... mas foi bom demais aproveitar meus pais, não ter que me preocupar com nada, ser meio folgada. Foi um gás de energia que eu nem sonhei em que me daria. Foram férias bem atípicas, porque não fiz um passeio, não vi uma coisa diferente, não fiz nada. Fiquei na casa dos meus pais, saí de lá pra ir pra casa dos meus avós, voltei pra casa dos meus país, fui pro aeroporto. De vez em quando é muito bom simplesmente desintonizar do mundo, das coisas que te deixam alerta, do mundo e seu excessos de informação. E eu voltei renovada, bronzeada, cheia de vitamina D, de afeto, e feliz. Recomendo.


Dia 4 pousei na gelada Suíça, ao mesmo tempo que Matinho rs. Coordenados que somos, chegamos em casa com meia hora de diferença. E das outras coisas boas que arrumei pra mim nesse começo de ano: voltar do Brasil e continuar mais uma semana de férias em casa. Organizei a vida, entrei no fuso, curti a cidade, fui esquiar, fui em médico, e quando voltei ao trabalho estava realmente pronta pra encarar o novo ano. E daí pra frente foi tiro, porrada e bomba rs. O trabalho andou exigindo demais de mim, da minha paciência, e da minha cútis. Acabou que demorei a entrar num ritmo de comida, de exercício, de leitura, de tudo. Some-se à vida dura do proletario o tempo tenebroso que é janeiro por aqui. Frio do caramba, escuridão, dias cinzas... energia andou baixa. Mas ok. 


Em termos de metas, vejamos: 

- "ler ao menos dois livros por mês": Li dois mto bons. "O Lugar", um livro auto biográfico da Annie Ernaux. Foi muito impactante ler esse livro, sobre a relação dela com o pai, no meu voo de volta do Brasil. Me impactou, mexeu, chorei, e o livro ficou reverberando em mim por uns dias.  Também li "A Pediatra", um livro de ficção da Andrea del Fuego, e sério.. leiam hahaha. É uma história bem doida, uma protagonista tão má, tão vilã, que é caricada, a leityra vai que vai porque você vai sugada pras maluquices. 


- "continuar na rotina saudável": esse mês foi aquela coisa, um pouco de droga, um pouco de salada rs. Não tive constância, nem consistência, e na boa... nem ligo. Acho que o importante é focar no equilíbrio, e se contentar com a não perfeição, desde que o resultado seja positivo. E foi. 


- "voltar a estudar alemão": o ano nem começou direito e eu já estou me perguntando que diabo de resolução é essa rs... 


- "fazer 12 hikes": conforme esperado, não fizemos nenhum hike no meio do frio e da neve que nos acompanha. 


- "conhecer um lugar por mês em Zurich": Essa foi a tal da meta que eu bati com força rs. Fui em alguns restaurantes que não conhecia aqui, alguns nos bairros de sempre, mas outros em áreas da cidade que visito pouco. Entre bares, cafés e restaurantes, foram 7 lugares novos. UAU! 

Osso: esse bar e restaurante abriu faz uns 9 meses e fica a 50m de casa, sempre comentávamos de ir, nunca tínhamos ido, e em janeiro acabamos indo duas vezes rs. O ambiente é bem legal, o cardápio é enchuto, sazonal, de execução bem boa, mas o que gostei mesmo foi do bar.. vinho bom com preço camarada pros padrões suíços. 

The Caribbean Restaurant: um restaurante caribenho, claro rs. Pratos generosos, de cozinha creolle, que tem semelhanças com a brasileira. Tudo delícia. Servem até caipirinha rs. O ambiente é aquela coisa... uma zona sensorial, Luis Miguel na tv, e nada sofisticado. Mas na boa? Não va lá pra isso. Va pra comer bem. 

Stubä: barzinho descolado que vira baladinha lá pras tantas da noite. Dj legal, mas fomos, intencionalmente num dia que estava vazio de tudo. Moral da história: pista pra mim, minhas amigas, e outros 3 caras avulsos, sem zoeira. Pista pra de dança pra 6 pessoas em tempos pandemicos: 10/10. 

Kafi Freud: cafézinho hipster, estilozinho, no Kreis 6. Comida delícia, serviço meio caótico, café DELÍCIA. Lugar perfeito pra tomar um sol da tarde. 

Bohemia: um restaurante que muuuita gente já me falou sobre o brunch ser bom demais. Tomara que seja, porque fui jantar e achei bem meia boca rs. 

Pur Pur: mais um bar vazio em que me meti. Mas esse achei DJ chato, ambiente cafona, drinks caros, e eu heim... 

Collective Bakery: Café bem gostoso - barista inclusive é mega premiado. Pastries muito bons também! Vale a visita. 


Além das metas desse ano, eu não esqueci de alguns objetivos do ano passado. Principalmente, nossa meta de conhecer todos os cantões da Suíça. Com ela em mente, fomos ao Klöntalersee, em Glarus. Um lugar liiiindo, um lago congelado, rodeado de montanhas. Aproveitamos pra passear pela cidade de Glarus (spoiler: não tem nada) rs. Mas ta aí, menos um cantão. 


E no quesito passeio, além de Glarus, fomos também passar um fim de semana em Davos, uma das famosas vilas alpinas. Davos fica no Graubünden, o maior cantão suíço, e onde já estivemos muitas outras vezes. Mas ainda não conhecíamos Davos, e fomos lá esquiar uns dias. Todo mundo conhece Davos pelo Fórum Economico Mundial, pela atmosfera de poder e dinheiro que ronda o local. Verdade seja dita, não ta nem no top 30 de belas vilas alpinas rs. Davos não é bonita. Massss, veja bem, MASSSS.. é uma delícia pra esquiar. Tem muita pista, pista grande, muitos bares de montanha, agito.. sério.. virou um dos meus lugares favoritos. Voltarei. 


E ficam aqui mais umas imagens de dias lindos de janeiro. 





O que eu quero pra 2022?

Mais um ano, mais uma lista de resoluções. Encerrei 2021 de forma bem positiva, tendo cumprido quase todas as metas que me propus. Isso dá um bom gás pra começar um ano novo, mas como eu disse no post anterior, eu preciso focar em algumas poucas e certeiras metas. Ficar criando listas extensas é uma armadilha: no início de janeiro parece tudo lindo, fácil e motivante, mas ao longo do ano, é só mais uma forma da gente se sentir vagal, pouco comprometido e tal. Então prefiro focar aqui em algumas poucas coisas. E voilà.


Em 2022 eu quero... 

- ler ao menos dois livros por mês: manter o hábito da leitura, no ritmo que li em 2021

- continuar minha busca por uma rotina saudável, com alimentação balanceada, exercício, e pouca neura: cuidar do lado de dentro, do lado de fora, ser constante. E nessa, eu resolvi ser bem ousada: quero, em todos os dias úteis (de segunda a sexta) tirar pelo menos cinco minutos para cuidar de mim. Seja 5 minutos de exercício, de ioga, de meditação, de respiração. Claro que se puder ser mais, ainda mais em se falando de exercício, seria ótimo. Mas o ponto é: todos os dias, pelo menos 5 minutos. Valendo. 

- voltar a estudar alemão: no verão de 2021 larguei as aulas. Agora quero voltar, quem sabe tirar um certificado? Sem grandes pressões... voltando a estudar já está de bom tamanho 

- fazer 12 hikes: a princípio a idéia era um hike por mês, mas considerando o foco em não me auto sabotar, eu sei que não vai rolar fazer hike no inverno, então vamos botar a média anual como meta

- conhecer um lugar novo por mês em Zurich: alguns anos atrás fiz essa meta com Berna e foi muito legal. Hoje moro num bairro que tem muita coisa, é central, e acabo ficando muito por aqui. Voltemos a explorar! 

Por fim, deixo aqui uma foto minha prestes a descer uma pista vermelha... Em 2017 eu tracei uma meta de terminar a temporada descendo pista vermelha. Na época não rolou rs... Mas 2 anos depois, lá estava eu descendo pista vermelha abaixo. E acho que é importante me lembrar que a gente faz o que dá, o importante é seguir na jornada. 



E comecemos 2022!

12/12: e o que você fez? Eu fiz o que deu!

E é assim que a gente vai ficando velho... sem nem me dar conta direito, mais um ano se passou. Não precisa dizer muito que, no contexto global, 2021 foi um ano horroroso. Mas se eu resolver focar no meu umbigo, 2021 foi um ano bem bom. Eu e minha família passamos ilesos de covid, todos com saúde. Concluí a mudança de carreira com a qual venho sonhando há pelo menos 6 anos. Consegui uma posição permanente na empresa em que eu gosto de trabalhar, depois de três anos de dedicação. Voltamos a fazer algumas viagens, e pude até nadar no mar. Consolidamos amizades, e nossa vida em Zurich. Entre dias bons, dias ruins, momentos incríveis e choros inevitáveis, me senti feliz. Principalmente: eu realmente entendo, aceito e me sinto cada vez mais confortável com a idéia de que a vida não é, e não será perfeita. Que a felicidade plena reside justamente em reconhecer e aproveitar os bons momentos e passar pelas merdas da vida sem perder a esperança, sabendo que não há mal que dure para sempre. 

Do ponto de vista mais prático, me sinto vencedora com relação às minhas metas - e eis aí mais uma coisa que aprendi nesses 35 anos bem vivids rs: ser realista, justa e generosa comigo mesma. Ficar fazendo lista de 30 resoluções é receita certa pra decepção e auto depreciação. Em 2021 me propus a cumprir 5 metas, algumas mais focadas em mudança de hábitos, e outras mais pragmáticas: 

"cuidar mais do meu corpo e da minha saúde: em 2021 quero perder os kilos encontrados em 2020, quero me exercitar ao menos três vezes por semana, e quero me alimentar de forma saudável de segunda a sexta.":  adotei uma dieta mais saudável e balanceada, fiz exercício com certa frequência, e esse combo, além de me dar uma sensação de bem estar, me fez perder sim uns quilos. Posso considerar essa meta 100% cumprida.

"ler um livro por mês: eu leio muito em férias, e quase nada no resto do ano. Mas é isso, em 2021 eu quero ler um livro por mês (e não é média, mas acumulativo).": mais uma meta 100% cumprida. Em todos os meses do ano eu li pelo menos um livro, mas cumulativamente, eu dobrei a meta rs. Terminei 25 livros em 2021, e deixei 3 não terminados pelo caminho. A minha idéia era retomar o hábito de ler mais romance e menos noticiário rs, e me deixa muito satisfeita ver que incorporei mais leitura no meu dia a dia. 
E para não deixar de fora, aqui vão os dois livros lidos em Dezembro: 
- Vulgo, Grace, da Margaret Atwood: a autora é bem conhecida pelo Handmaid's Tale, e esse livro é mais uma excelente obra. Conta a história de Grace Marks, uma assassina do século 19 no Canadá. Eu não conhecia a história, então a leitura ficou ainda mais interessante. É baseado em fatos verídicos, mas devidamente romanceado pra ficar ainda mais envolvente. 
- A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da Martha Batalha: mais um delicioso romance brasileiro. Alias, fiquei bem satisfeita com o tanto de autores brasileiros que li esse ano. A história se passa num Rio de Janeiro lá pros anos 50, e é muito gostosa de ler. Impossível não identificar nossas avós, tias e mães nessa história de mulheres maravilhosas. 

"conhecer os cinco cantões que ainda não conheço na Suíça: Nidwalden, Glarus, Appenzel Aussernhoden, Appenzel Innerhoden e Thurgau": Pois foi a meta não cumprida do ano rs. Mas conhecemos Thurgau e Appenzel Inner. Ficam aí 3 cantões para 2022. 

"ser menos procastinadora: não deixar nenhum email sem resposta de um dia para o outro. Isso aqui é um problema específico das coisas que eu não quero fazer. E eu HEI de ser maior que a minha preguiça.": Até que fui maior que minha preguiça sim. Acho que saio de 2021 bem menos procrastinadora. E pro que sobrou de procrastinação em mim, não acho que tenha (e nem que precise ter) solução. Ta tudo bem deixar pra amanhã alguma das coisas que poderíamos fazer hoje né? O importante é não deixar tudo hahaha e esse balanço acho que encontrei. 

"fazer uma girls trip: em quase todos os últimos anos, rolou alguma viagem bacana com amigas. Já teve os carnavais da vida, já teve Cartagena, Paris, Amsterdam. Em 2020, o mais próximo que cheguei de uma girls trip foi passar um dia em Lugano com uma amiga querida rs. Em 2021, nem que seja num chalé aqui em Zurichberg, eu quero passar uns dias só mulherada.": Mais uma meta devidamente dobrada. Fiz duas girl trips, com a mesma turma. Comentei aqui de amizades consolidadas, né? Hoje sinto que tenho alguns poucos grupos de bons amigos na Suíça, e entre eles, uma turma ponta firma de amigas queridas, e com elas fui à praia, e fui ao frio. Passamos 5 dias em Mallorca no verão, e um fim de semana prolongado em Copenhagen. Dias de muita risada, presepada, histórias engraçadas e a sensação de que a gente segue muito jovem na vida. 

Não tenho do que reclamar, né? Metas cumpridas, dobradas e no geral, uma sensação de que Yes, I Can :) Ou seja, 2021 foi mesmo um ano bom pra mim. E eu quero mesmo é que 2022 seja bom não só pra mim, mas pro mundo. 

Encerro com alguns highlights do ano, e desejando a todo mundo um 2022 M A R A V I L H O S O! 






11/12: Novembro

Comecei Novembro em Amsterdam, vendo amigos e pensando que a vida estava voltando ao normal, e terminei atordoada com a tal da Omicron e todo o stress que ela trouxe. Mas enfim, apesar dessa lufada de bad news, Novembro foi um mês bem legal: teve jantares gostosos com amigos queridos, caminhadas no sol, Thanksgiving, um fim de semana em Copenhagen com as amigas, e a chegada da neve em Zurich. Teve também uma gripe demoníaca, que me fez, pela primeira vez nesse rebosteio todo, realmente achar que eu estava com covid. Fiz o PCR e me aliviei com o negativo, mas fiquei derrubada em casa enquanto o escritório fechava novamente por conta da pandemia, a Omicron aparecia e o mundo entrava novamente em modo de alerta. 

 Esse ano acabei não entrando no clima de Natal. Não montamos árvore, não estamos fazendo calendário do advento, e to morrendo de preguiça de me jogar nas compras de fim de ano. Por outro lado, resolvi ir ao Brasil no Natal, e por isso eu mal posso esperar. Estou muito ansiosa para ver minha família, conhecer minha sobrinha, abraçar meu pai, e fofocar infinitamente com minha mãe. Quando ela veio visitar em setembro eu me dei conta de quanto tempo passou, do medo que eu senti de perde-los, e resolvi que, embora o nosso combinado fosse esse ano passar o Natal com a família de marido, eu iria mudar a rota. Pela primeira vez em 7 anos eu e Matt passaremos o fim de ano separados, e isso me deixa sim um pouco triste, mas estou também bem animada pra passar um fim de ano 100% dedicado a minha familia. Não nego também que estou bem doida pra fugir do frio e curtir umas semanas de verão :)

Novembro sempre vem como uma pancada na minha vida europeia: os dias escuros, curtos, o tempo cinza, o frio que chega pra valer, tudo isso me da uma deprê danada. Nos primeiros anos eu demorei a entender que a minha confusão mental vinha do tempo, hoje já estou sabendo melhor e me preparo um pouco mais. Começo a tomar minha vitamina D, me organizo para ter uma programação leve mas cheia de afeto, estar rodeada de pessoas queridas, fazer caminhadas quando o tempo permite. E mesmo assim, é pesado e eu sinto o poder do clima sobre a minha vida. E esse ano, apesar da preparação e das coisas legais, não foi muito diferente. 

01.11, um por do sol lindo em Amsterdam para começar o mês


Jantar em família


Copenhagen

Das esquisitices: adoro pedalar no frio

Nova foto de perfil

A primeira neve do ano


Em termos de metas, foi mais um mês que não conheci um novo cantão - acho que a ideia de matar os cantões que faltava esse ano já pode ser considerada um fail rs... temos ainda três cantões suíços para conhecer. Esse mês voltei para a academia, então tivemos progresso na área de cuidado e bem estar, e apesar de ter enfiado o pé na jaca nas viagens, quando voltei pra casa sempre consegui voltar pra rotina e me alimentar melhor. E li 3 livros, e todos interessantes: 


 - Stay with me, da Ayobami Adebayo, mais uma escritora nigeriana que descobri amar. É um romance muito bom, muito forte, que faz a gente dar um mergulho não só na história que ele conta, mas na cultura em que está inserido. Recomendo muito. 

 - E se eu parasse de comprar? Da Joanna Moura, a blogueira que eu gosto rs. Sigo a Joanna nesse mundo virtual desde 2011, lá pelo segundo mês do desafio de um ano sem compras que ela se propôs (Quem conhecia o Um Ano Sem Zara?). O livro é bem legal, porque ela foca menos na auto ajuda, e mais em contar a história mesmo. Chega uma hora que você ta ali acompanhando um romance, torcendo pelo prêmio de Cannes rs. Li rapidinho num dia só, e foi uma leitura bem da boa. 

 - O fio da trama, da familia Pascolatto. Saindo da leitura da Joanna, eu tava na pegada de ler coisas leves, ler em português, e achei que a história da família da Costanza Pascolatto seria interessante. E é. Principalmente a primeira parte, que conta a história da Gabriella Pascolatto, a mãe da Costanza, que fugiu da Italia no pós guerra. Tem passada de pano pra vovô fascista? Tem. Tem white people problem das netas já nascidas em berço de ouro no Brasil? Tem também. Mas o livro é bem gostoso de ler, e foi uma boa companhia por uns dias.


Feliz dezembro e boas festas pra vocês! Quem sabe eu volto antes do fim do ano, mas se não voltar, já aproveito para desejar um excelente fim de ano :)

10/12: Outubro

Mais um mês, e dessa vez teve até um post entre um resumo e outro rs. Nem acredito. Mas bora lá pra mais um resumo do mês, porque infelizmente Novembro, o mês mais cinza e deprê do ano nessa Suíça, chegou. E quem sabe ficar aqui resmungando que o tempo voa faça ele passar mais rápido rs. 

Mais um mês intenso, com muito stress de segunda a sexta, e muita diversão de fim de semana. Fizemos caminhadas pelo mato, pela cidade, encontramos amigos, voltamos a viajar, e fomos acometidos pelo começo oficial de um inverno pesado. E inverno combina com o que? Com feijoada rs. Teve também feijoada, mas tirando uma foto no stories, só sobrou imagens da mesa pra postar aqui. Teve também férias, e sem dúvida, a viagem que contei melhor em outro post, e um fim de semana prolongado em Amsterdam, foram os highlights do mês. 

É maravilhosa essa sensação de voltar a sair da toca, agendar voos, ver outras paisagens. Tem ainda medo de covid? Tem. Mas eu realmente estou me sentindo a vontade pra encarar essa vida que agora é assim: com medo, com máscara, e com vacina. Por outro lado, agora a gente tem um cachorro, né? E fazemos de tudo pra deixar ele bem cuidado e confortável, na creche que ele já conhece e tal, mas gente... eu fico morrendo de acabada de saudade do cachorro. Em dado momento das férias, me dei conta conta que tava falando muito dele rs... A vida tem dessas. Mas é bom demais voltar, ir buscar e ter ele todo feliz de volta em casa. De qualquer forma, temos agendados vários voos que foram cancelados no último ano e meio, e tirando eles, eu resolvi que qualquer outra viagem há de ser de carro pra levar o Carlitinho rs. 

E vamos de balanço? Vamos também! 
Vou ser bem honesta... nesse mês não teve exercício, não teve dieta, não teve cantão novo, não tem nada. Sabe o que teve? Livro rs. Pois eu li cinco, isso mesmo, CINCO livros nesse outubro movimentado. Alguns livros eram mais curtos, mas tudo livro bom, ta? Quer dizer... um eu gostei mais ou menos, mas vamos lá. 

Noite em Caracas: esse é uma porrada. Uma escrita boa, uma história que tem um quê de não ficção, uma mulher forte, e uma Venezuela em ruínas. Recomendo demais. 
Tudo é Rio: de repente eu comecei a ver o nome desse livro em todo canto, e resolvi me aventurar. Curtinho, que eu li muito viciada num domingo chuvoso. Comecei pela manhã, e acabei aos prantos quando fui dormir. Livro lindo, história que prende, personagens cativantes, sério... Maravilhoso. 
Descobri que estava morto: empolgada com os autores nacionais, fui pra esse que tinha ouvido falar bem. Não morri de amores, porque o carioca esquerdomacho não é algo que faz muito minha cabeça. Mas a leitura flui, a história intriga, e mesmo quando eu tava é de saco cheio do protagonista, ainda deu fôlego pra continuar rs. Recomendo? Médio, se você estiver meio sem idéia do que ler e querendo impulsionar a literatura nacional hahaha. 
Manual da Faxineira: sendo bem sincera, eu não li sobre o que era o livro. A autora chama Lucia Berlin, um nome que bem podia ser brasileiro. Achando que ia ler aí umas histórias óbvias de como a classe média brasileira é podre, acabei surpreendida ao me deparar com um livro de contos de uma escritora americana celebrada (e que eu claramente não conhecia rs), cheio de histórias interessantes, envolventes, mulheres fortes, problemáticas, gente esquisita, tem hora que o livro fede tamanha a precisão das descrições da mulher rs. Gostei muito, e é o tipo de livro que daqui uns anos eu vou querer ler de novo. 
Laços: não me lembro quem me indicou, mas me disse que era uma história muito boa. E que história, meu povo... pra começar que eu amo história baseada na Italia, porque o imaginário da gente é cheio de referência e a gente vai longe na viagem. Gosto de criar personagens com traços definidos na minha idéia, casas com decoração que eu visualizo rs. Uma história muito bem contada, uma porrada sobre relacionamento, maternidade, paternidade, machismo, casamento. Tudo isso dentro de um livrinho cativante e uma história singela, e quando você vê, te deixa com a cara no chão. Leia. 

E foi isso.. agora vamos de fotos? 

Pelo mato, e Carlito mostrando o caminho

Trabalhando num café num dia chuvoso

Bem endiabrada de drinks no primeiro dia das férias

E fingindo finesse na Italia

Mesa posta

Terminando o mês em Amsterdam

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