A (minha) vida na Suíça em tempos de corona virus

No fim de fevereiro eu comentei por alto algumas mudanças trazidas pelo corona para a Suíça. Mas ainda falávamos de 20 e poucos casos, e uma situação sob controle. Eu tinha alguns planos para março e tava tudo mantido. Encontrar uma casa em Zurich, passar um fim de semana em Paris, me preparar para receber a minha mãe aqui para comemorar meu aniversário. Tinha também um banheiro em obras me tirando do sério. Pois bem. De lá pra cá foram 3 semanas bem doidas, então vamos lá:

1a semana de março
Muita preocupação com a vizinha Italia, mas no geral a vida aqui caminhando bem "normal". Tirando a prateleira de macarrão e molho de tomate, que estava mais desfalcada, o mercado estava abastecido. No trabalho  rolou um "ensaio" de home office coletivo. Cada dia da semana algumas funções se revezeram trabalhando de casa. Para quem não estava acostumado, a ideia era testar VPN, ferramentas, e ver se estávamos todos preparados caso tivéssemos que trabalhar de casa full time. A minha função ficou em casa na terça, e eu fiquei meio descaralhada das idéias que ninguém da obra do banheiro apareceu. Mandei um email bem puto tipo "e ai galera, faz só um mês que eu to de quebra quebra no banheiro e vocês ai se dando ao luxo de disperdiçar um dia?!?!?!". Spoiler: eles disperdiçaram a semana inteira e não apareceram aqui nenhum dia. Senti que meus nervos estavam esquentando rs. Naquela sexta-feira os casos da Suíça foram de 80 para 180 e a empresa anunciou um rodízio para a próxima semana. Falei com minha mãe, que precisávamos ficar de olho na situação, e que talvez não fosse possível voar. Fomos passar um fim de semana em Zurich e fomos a restaurantes, esquiamos, visitamos apartamentos, e tudo que fazíamos era caprichar no álcool em gel e lavagem de mãos.
Corona, que corona? 
2a semana de março 
A segunda-feira começou passando dos quatrocentos casos e o aumento exponencial de uma chacoalhada na galera. Eu fui ao escritório três vezes na semana, e as pessoas estavam realmente espalhadas, inclusive na cantina. Galera se evitando rs. Nos dois dias que trabalhei de casa quase fui a loucura com o quebra quebra, bate bate e poeira voando. Essa obra precisa acabar, era tudo que eu conseguia pensar.
5 semanas de obra e o banheiro assim...
Eu ainda visitei apartamentos em Zurich, e já comecei a me incomodar de estar na casa de pessoas estranhas, com tanta gente. Na quinta-feira fiz um happy hour com as amigas (e no bar tinha bastante gente sem noção como a gente), e no fim nos despedimos: sabíamos mesmo que não nos veríamos nas próximas semanas. Eu conversei com a minha irmã, pra ela começar a me ajudar na missão de convencer a minha mãe que não seria uma boa vir pra cá messe momento. Ela é teimosa, e não estava afim de desmarcar não.
Eu, minhas amigas e minha mãe rs
Na sexta-feira tínhamos passagens de trem para passar o fim de semana em Paris, e deixamos até o último minuto pra resolver se íamos ou não, mas o juízo (e o medo de ficar quarentenados num hotel, ou de fronteiras fecharem e não conseguir voltar pra casa) falou mais alto e ficamos em casa. A semana terminou com os membros do Conselho Federal da Suíça decretando o fechamento das escolas até o dia 3 de abril. No sábado eu ainda fui dar uma volta na cidade, e lojas, bares, todos lotados num dia ensolarado. No mercado no entanto o medo do suíço deu as caras: prateleiras vazias de tudo. Domingo fomos a um parque natural para fazer uma trilha e começar nosso pseudo isolamento: isolados na natureza.

3a semana de março 
No domingo a noite chegou mensagem do CEO: todos os funcionários de home-office. O desespero bateu. Eu ficando todos os dias em casa não iria conseguir visitar apartamentos em Zurich, e a gente tem data pra saír daqui (aqui falo mais de como é o processo de alugar casa na Suíça e como você TEM que visitar pessoalmente os apartamentos). Além de tudo, a M A L D I T A obra. Fui ao mercado e o abastecimento estava de volta.
Escritório montado
Logo na segunda-feira teve mais uma coletiva do governo, e eles decretaram o fechamento de todas as lojas, bares, restaurantes e tudo mais que não fosse essencial, taté o dia 19 de abril. Remarcamos a viagem da minha mãe para novembro, e eu fiquei bem arrasada. Fui a uma loja comprar uns acessórios pra fazer exercício em casa, e acabamos indo no bar favorito de Mati porque eles estavam vendendo as cervejas que já estavam na pressão com desconto. Nessas alturas, eu já tava olhando todos os desconhecidos na rua e pensando: será que eles me contaminam ou eu contamino eles?! Paranóia crescendo.
Paranóica porém bem linda pra ir no único programa possível: mercado
A semana foi horrível, pra ser bem sincera. O banheiro que não ficava pronto, a sujeira, a crescente tensão e ansiedade de estar vivendo uma pandemia, a preocução com os meus no Brasil. Pra piorar: o pedreiro lacrou o banheiro e não avisou. Para cada xixi, mesmo no meio da noite, teríamos que descer pro terceiro andar (moramos no quinto), onde tinha um banheiro pra gente usar. Foi o dia que eu comecei a duvidar da minha sanidade rs. Chorei pencas, o dia inteiro. Eu entrava em video call com os colegas, e quando saia só fazia chorar. Foi quando senti o isolamento pesando na minha. Outra coisa que me deixou meio desnorteada foi a ideia das fronteiras fechando. É muito simbolismo na minha cabeça e eu fiquei triste. Na sexta-feira eles finalmente terminaram a obra do banheiro, SEIS SEMANAS depois. A casa foi completamente limpa, e ao acordar no sábado, eu percebi que mais da metade do meu sofrimento vinha da casa estar completamente zoneada, zero aconchegante e suja. Saímos dirigindo por aí, e mais de 300km depois, eu estava bem feliz. Dirigir me deu uma sensação de normalidade, e por uns momentos eu meio que esqueci de tudo. Mas em nossas paradas mantivemos distância de tudo e todos. Encerramos a semana com sete mil casos de corona na Suíça.
A serenidade de quem sobreviveu ao caos inicial
Iniciamos a quarta semana de março, a segunda de quarentena. Aqui ainda é permitido sair de casa para caminhar, correr, pedalar, desde que mantendo distância mínima de 2 metros de outras. Sendo a Suíça um país de tantos espaços verdes, é possível manter uma distância muito maior. É o que tem me segurado bem: poder sair uma vez por dia e correr, pedalar. Voltar pra minha casa agora arrumadinha e aconchegante também ajuda rs. Compramos um quebra cabeça de mil peças, livros de colorir, estamos assistindo séries, fazendo facetime com amigos, falando com Baby com maior frequência. Sigo procurando apartamentos, mas ainda estamos vendo como vai ser a questão das visitas. A real é que com o fim da obra, eu já nem vejo mais problema em ficar aqui, e estou considerando conversar com o landlord pra gente ficar mais tempo, até a situação normalizar. A Suíça no momento tem mais de 8 mil casos confirmados. Os testes só são feitos em pacientes graves ou grupo de risco, o que significa que são muito mais do que isso. Embora seja o segundo maior índice de contaminação per capita, a mortalidade segue baixa. Vamos acompanhar o que vai acontecer daqui pra frente.

Februar

Se janeiro foi um mês arrastado, fevereiro voou. Entre dias corridos de trabalho, dias longos de férias, o mês passou e eu mal percebi. Vamos a mais um resumão de como vai a vida rs. 

Lenk
Começamos o mês em Lenk, uma cidade alpina aqui nas montanhas do cantão de Berna. Lenk oferece muitas opções pra quem ta querendo dar uma escapada da realidade: tem boas montanhas pra esquiar, fica em cima de águas termais, e tem muita natureza. É também um lugar popular entre os suíços do cantão de Berna, mas nem tanto com os turistas gringos, o que significa preços mais convidativos. De Berna até Lenk com o transporte público é coisa de 1:40, pegando um trem direto até Zweisimmen e lá trocando pra Lenk. Fomos com um amigo, na idéia de dar uma esquiada, e também curtir um fim de semana diferente. O tempo não ajudou muito: as temperaturas não estavam muito baixa, e em vez de nevar, estava chovendo nas montanhas. Mas conseguimos esquiar e aproveitar! Ficamos num hotel com águas termais, e deu pra relaxar. Um ótimo lugar pra uma pequena escapada de fim de semana! 
Quem vê a pose não imagina os tombos, mas enfim, ta bonita né?
A tortura do banheiro
Como nem só de neve se vive o ser humano, estamos há um mês sem chuveiro em casa. Rolou um vazamento no banheiro, e na hora de arrumar, a coisa mostrou-se muito pior do que se imaginava. Resumindo: tiraram a banheira, o chão, a parede. O que era pra durar 15 dias já dura um mês, e se deus quiser, se resolverá em mais 15 dias. Estamos tomando banho num apartamento vazio aqui do prédio, a casa está uma bagunça, cheia de poeira, com pedreiro andando aqui o dia inteiro. Sério, uma merda! E o pior foi ver como o "perfeccionismo" Suíço é ineficiente rs. Eu aposto dinheiro que no Brasil uma dupla de pedreiros tinha resolvido esse banheiro em 5 dias. Mas aqui é uma empresa que cuida do piso, outra da parede, outra do cano, outra da secagem do cano, outra de não sei o que... Resumindo, é um entra e sai de 10 pessoas aqui todo santo dia, e no fim, nada se resolve rs. A conferir o fim dessa novela. 
O banheiro ta nessa situation, é mole?!
Trois Vallees
Ano passado fomos esquiar na França e gostamos muito, então esse ano resolvemos repetir. Procurando opções de hospedagem (no post do ano passado contei que ficamos em Meribel, mas que não gostei do hotel), encontramos algo melhor em Courchevel. Fomos e pegamos dias muito bons. Foi uma delícia, e eu confirmo que é a melhor região pra esquiar pra quem não é super desenvolto no esporte (pra quem é também deve ser, mas não posso opinar rs). Em um dos dias lá, esquiamos 32 km só de pista azul. Isso é impensável na Suíça. Então vale muitooo a pena! 


Quero mais nada da vida não...
MASSS.. um porém. Eu preferi me hospedar em Meribel do que Courchevel. Meribel é bem pé no chão, e embora seja uma cidade alpina de esqui, ainda é bem despretenciosa e descomplicada. Galera andando vestida de esportista, restaurantes sem grande afetação, etc. Courchevel é O lugar da badalação, de ver e ser visto. Só olhar no instagram, e ver que tudo que é blogueira famosa ta por lá. Num dias dias sentamos numa mesa ao lado do David Guetta no bar da montanha. E se tem gente que adora essas coisas, pra mim é curioso e divertido até a página dois. Me dá preguiça ter que sair toda emperequetada pra jantar depois de passar o dia esquiando, na maior friaca. Alias, a galera se monta MUITO pra esquiar, rs... E aí pra me dar mais preguiça, porque tudo bomba muito, os restaurantes todos precisam ser reservados com antecedência, coisa que eu não gosto de fazer em viagem rs. Resumindo: voltaremos? Sim, mas pra nossa querida Meribel :) 

O inverno que era pra ter sido e não foi
Fevereiro coroou um inverno assustador. Por aqui, pela primeira vez, tivemos um inverno praticamente sem neve. Em dezembro tivemos uma neve que durou 45 minutos, super fraquinha. E até poucos dias atrás, tinha sido a única. As temperaturas estão muito altas pra época do ano, e a gente vê as flores brotando por aí, como se primavera fosse. Acho que eu nunca senti tanto medo dos efeitos do aquecimento global como nesse inverno. Vimos estações de esqui que não conseguiram abrir por falta de neve - e levando famílias cuja renda vem de restaurantes na montanha, de dar aulas de esqui, etc, passarem muito aperto. Vimos as geleiras registrarem um nível super baixo em pleno inverno. É muito preocupante. Essa semana que passou, finalmente, caiu uma neve como o inverno suíço pede. No momento, no entanto, faz 12 graus. 
A primeira, e única, neve de 2020
Em busca da casa perfeita
Esse mês também entregamos a carta de aviso prévio do apartamento em Berna. No mais tardar, mudamos daqui 31 de maio. Mas agora começa a pressão pra encontrar um lugar pra morar rs. Nesse mês visitei vários apartamentos, andei por muitos bairros, mas ainda não senti o coração bater mais forte rs. Não vai ser fácil substituir uma varanda com uma vista dessa, né? 

O corona
Em fevereiro também a conversa sobre corona vírus intensificou. Com a explosão de casos na Italia, a Suíça entrou em alerta máximo. E dada a proximidade dos países, não demorou a pipocar casos aqui. No momento são mais de 20 casos confirmados, e mais de 100 pessoas em quarentena. Começou a rolar um certo pânico na galera, e já vi prateleiras vazias no mercado. A minha empresa suspendeu todas as viagens internacionais, e cancelou todos os eventos. Pra mim foi um banho de água fria, porque eu tinha uma viagem MUITO legal a trabalho, e melou tudo. Eu, particularmente, não estou muito preocupada. É uma gripe. Mas tem sido curioso estar vivendo uma situação como essa tão de perto. 

E isso foi mas ou menos o meu fevereiro: trabalhar, esquiar, passear, passar raiva, sentir medo e explorar, tudo rodeada de belíssimas paisagens haha. Vamos ver o que março me reserva!

As mudanças da vida


Até janeiro de 2016 eu nunca tinha pensado em morar na Suíça. Alias, era bem pelo contrário: por ser um país que meu pai adora, minha cabeça automaticamente o rotulou como país chato. Mati inclusive algumas vezes comentou que tinha amigos morando aqui, e eu sempre fui categórica: não saio do Brasil para ir morar na Suíça. RYSOS. 

Eu só tinha estado na Suíça pra fazer conexão no aeroporto, e Berna eu só conhecia de nome por uma convenção de direito. Sabia que era capital, e mais, sabia que era pequena. Era um "no go" pra mim e quando ele recebeu um convite para entrevista o acordo foi que ele faria a entrevista "só pra praticar". MAIS RYSOS. Há 4 anos ele recebeu essa proposta de emprego em Berna, e eu fiquei muuuuito contrariada. Inclusive teve muita lágrima, sofrência, ligações pra casa da mãe no meio da noite rs... Mas a proposta era atraente, tínhamos outras questões familiares acontecendo, eu conversei com umas amigas que moravam em cidades europeias de proporções similares, e resolvi encarar o desafio. 

E além da minha eterna vontade de ser feliz (que me faz tirar o melhor de qualquer lugar que eu vá), Berna mostrou-se muito, mas muito acolhedora. Confesso que, dia após dia, essa cidade só se fez crescer no meu coração. E eu virei uma Bern lover. Assim, com força. Nos meus anos "sabáticos" (mais rysos aqui porque eu to saudosa e piadista rs) eu aproveitei muito a cidade: andei de bicicleta por ela inteira, entrei em tudo que é café, procurei coisas novas para fazer a cada mês, curti os sábados de museu de graça em agosto, fui em quase todas as piscinas públicas, nadei nesse rio diariamente em meses quentes, piz picnic em muitos parques, fiz trilhas pela cidade, e principalmente, conheci gente muito maravilhosa. Berna me mostrou, mais uma vez, que eu posso dizer até que eu sou bixo de cidade grande, mas eu sou mesmo bixo de onde eu quiser. 

Convenhamos que não é nenhuma missão impossível amar esse lugar, né?
Mas teve uma coisa que Berna não conseguiu me dar: um trabalho. Berna é uma cidade que gira em torno da administração pública, de embaixadas, e de negócios focados na Suíça. Ou seja, Berna é focada no mercado interno e por isso exige um nível bem elevado de alemão pra quem quer trabalhar num escritório. Claro que deve ter uma vaga ou outra aí que facilita, mas eu não as encontrei. E desde agosto de 2018 eu acordo todo dia em Berna, pego um ônibus, depois um trem, depois outro trem, e uma hora e meia depois, sento num escritório em Zurich, de onde só saio depois das 6 da tarde pra fazer o caminho inverso. Ou seja, há um bom tempo eu não vivo Berna :( 

Nesse tempo eu nunca deixei de procurar emprego aqui, mas não rolou. E começou a ficar insustentável. Não só a canseira de viajar 3 horas e 200 quilômetros por dia, mas a falta de perspectiva de reverter essa situação. Todos os currículos que já enviei, todas as vagas que já me interessei (e que tenho qualificações), são fora daqui. 95% em Zurich e arredores, algumas em Basel, e outras espalhadas na área francesa. São cidades mais internacionais, onde é possível trabalhar em inglês. Então, apesar de todo meu carinho por Berna, era questão de tempo. 

Desde que comecei a trabalhar em Zurich é claro que a cidade começou a me conquistar. Conforme eu fui passando mais tempo lá, eu fui vendo mais e mais dela, principalmente fora da rota turística. Além disso, fui conhecendo mais gente por lá, passando mais tempo com gente que eu já conhecia, e fui ficando muito mais interessada na possibilidade de mudar pra lá. Nesse verão, principalmente, o commute foi muito pesado pra mim: muitos trens atrasados, estações cheias, vagões sem ar condicionado, e um nível crescente de insatisfação pro meu lado. Tivemos muida conversa e chegamos a conclusão de que seria melhor pra nós. Inclusive passamos um fim de semana por lá pra dar aquela animada. Foi no verão, com dias lindos, com festival de música, Zurich se mostrando toda pra nós. 
Nosso primeiro "chega mais" em Zurich, em agosto
E foi assim que começamos a planejar nossa mudança, que vai acontecer em algum momento da primavera. Eu estou muito animada com o que vem pela frente, em explorar uma cidade nova, em encarar uma mudança e tudo que vem com ela. Estou começando a busca por um lar, conhecendo bairros, prestando atenção em cada cantinho e ansiosa pela fase nova. Estou cada dia mais interessada em Zurich, e na contagem regressiva pra chamar ela de lar! 


O próximo verão vai ser assim :)

Janeirão

Eu resolvi que esse ano eu vou fazer resumo mês a mês aqui. Assim, se nada mais acontecer nesse blog, pelo menos as memórias ficam em dia rs. E foi só ontem, dia 5 de fevereiro, que eu me dei conta que o primeiro mês do ano já acabou, e que se janeiro se arrastou, fevereiro ta voando. Comecei Janeiro na Bahia, e foi a melhor coisa que eu fiz. Inclusive já falei da viagem com mais detalhe aqui. Mas ai tudo que é bom acaba, e eu voltei pra realidade gelada da Suíça, e logo comecei a trabalhar. 
Look trabalho em dia frio e cinza
E se por um lado tudo se resumiu a entrar no fuso, lavar roupa suja, se recuperar de doença, por outro teve uns belíssimos momentos. Tipo esse domingo aqui, que fomos até Brienz num dia beeem ensolarado. Eu adoro Brienz! É uma cidade bem pequena, no finzinho do cantão de Berna. Acho que já falei dela em outro post do blog. Basicamente o que eles tem é o lago, mas QUE LAGO! É azul demais, rodeado de montanhas lindas, chalés charmosos! Tem uma promenade que só de andar ali repõe minha energia, e de quebra tem uns restaurantes onde é gostoso sentar no terraço e aproveitar o sol. E a estrada pra ir de Berna pra lé cheia de paisagens, então eu curto muito, e pra mim é sempre uma opção pra sair de casa no domingo. 

Em janeiro também fui tirar o pó dos esquis, e fui descer a primeira montanha do ano. Eu gosto de fazer aula nessa primeira esquiada, que é pra dar uma lembrada na tecnica e reganhar confiança. Essa coisa de aprender um esporte nessas alturas da vida é tenso, porque mais que do corpo, você precisa da cooperação da mente rs. A minha trava de medo as vezes. Então começar a temporada com aula é sempre uma ajuda pra mim, e eu devo dizer que eu dei um super salto na performance rs. Acho que, no meu quarto inverno, finalmente posso dizer que sei esquiar.

E por fim, o mês acabou com um dia bem ensolarado de home office, que é mais um dos privilégios que eu tenho. Em Janeiro tivemos uma grande conquista, e com ela vem mais uma mudança: no verão, depois de quatro anos, iremos embora de Berna. E mesmo com meses pela frente, eu já estou sentindo saudades desse lar, que é, de longe, o lugar mais bonito onde já morei. Nem fui, mas já sou só saudades!
O home office mais bonito <3
Eu espero aparecer aqui logo, mas caso não aconteça, até o resumo de Fevereiro rs!

Caraíva meu amor...

Desde que começamos a falar de fim de ano no Brasil, eu decidi que queria passar uma semana em algum lugar do Nordeste. A idéia era uma praia, com sossego, com uma festa de ano novo (porque mesmo querendo sossego eu sou da bagunça rs), e com sol, muito sol. Eu amo o litoral de SP, e amo ainda mais o Rio, mas eu já passei reveillons chuvosos nesses lugares e dessa vez eu queria fugir do frio e encarar dias ensolarados. No entanto, não é de hoje que a coxinhada paulistana se debanda pro nordeste nessa época, inflando preços e levando toda uma aura topzeira que não é bem meu esquema rs. Então tentei achar algum lugar que fosse o menos gentrificado possível. E logo de cara pensei em Caraíva, e assim foi. 
Caraíva é uma vila que fica próxima de Porto Seguro, encravada numa área de reserva Pataxó. O turismo por lá evoluiu bem depois de 2007, quando chegou a energia elétrica, mas ainda assim, o vilarejo não comporta taaanta gente (como Trancoso ou Jeri, por exemplo), e mesmo na alta temporada, é relativamente tranquilo e low profile.

Como ir? 
Fomos de avião até Porto Seguro, e de lá tem algumas opções de transfer, tem uma opção bem budget e roots que é balsa e ônibus. Eu fechei com um taxista que nos esperou lá no desembarque, e de carro são duas horas até o Rio Caraíva, uma hora em pista simples mas asfaltada, e uma hora na terra. Chegando no Rio, você pega uma canoa num trajeto de cinco minutinhos até o outro lado e voilà, bem vindo a Caraíva. 
Travessia do Rio Caraiva
Onde ficar? 
A vila tem muitas pousadinhas, a maioria bem simples, mas algumas opções de luxo, e também vários campings. A gente ficou na Corais do Sul, uma pousada de quartos simples (mas com ar condicionado, senão o gringo pira rs), e com um café da manhã cinco estrelas. Sério, eu quero café da manhã de lá todo dia... tapioca, bolos deliciosos, pão de queijo, ovos, tortas, frutas fresquinhas, sucos. De babar. Bem pertinho do centro da vila e da praia. Acho que a maioria das pousadas é ali pertinho do centro mesmo, mas sei que tem uns campings mais afastados, e é bom prestar atenção caso não queira caminhar longas distâncias, porque lá em Caraíva não tem entra carro, só carroça rs. 

O que fazer? 
A minha grande idéia era fazer NADA e Caraíva é bem boa pra isso rs. Confesso que nem pesquisei programas por lá, porque eu não queria ter FOMO e eu realmente não queria ter compromisso com programa nenhum. Mas lá pro terceiro dia resolvemos variar a praia e ai fizemos um passeio de buggy até a Ponta do Corumbau. Os índios Pataxó que fazem esse passeio, porque é área de reserva. Eles são beeem organizadinhos, tem controle de quem entra e sai, achei ótimo. E aí chegando no Rio Corumbau você atravessa ele (pode ser até a nado, ou dependendo da maré, a pé, mas a gente foi de canoa por motivos de preguiça) e chega na Ponta do Corumbau e depois na vila. 
Nós, o buggy e o Monte Pascoal ao fundo
Trajeto, com céu e mar de Bahia
Travessia do Rio Corumbau
Curtindo uma praia em Corumbau
Em nosso último dia pegamos um barco e fomos até a Praia do Espelho, em Trancoso. É uma área de falésias, em que pela formação de corais no mar, acaba com uma praia beeem tranquila de águas claras que formam espelhos d'água bem lindos. 
Praia do Espelho

Praia do Amor, a passos de distância
No barco...

E a chegada de volta em Caraíva
Deve ter outras coisas pra fazer por lá, mas eu realmente não sei dizer. 

O que levar? 
Quase nada rs. Caraíva é bem low profile, e a galera não anda montada não. Além disso, o chão lá é de areia bem fofa, e eu que levei umas rasteiras acabei usando só havaianas mesmo porque na paior parte do tempo é mais fácil andar descalça. Eu não sabia qual é que era então levei shampoo, cremes e afins tudo de SP, mas lá tem mercadinhos bem abastecidos (com um preço um pouco maior, claro). 

Vale a pena? 
DEMAIS. Sério, gente... que lugar. É uma paz imensa. Mesmo no vuco vuco da alta temporada, era possível curtir uma praia bem vazia, coisa impensável nessa época do ano no Brasil. A comida é incrível (Bahia né mores), as pessoas são muito simpáticas, solícitas, e há todo um senso de preservação, de integração com a natureza, a vontade de manter tudo simples.
A principal rua de Caraíva, na beira do Rio
Praça da Igreja
A comida baiana <3

Caraíva não tem iluminação nas ruas, e é lindo de doer andar por lá olhando pra cima, vendo um céu estrelado deslumbrante (e ainda te permite tropeçar num burro dormindo no meio da rua, aconteceu não sei com quem rs). Caraíva tem forró, tem banquinho e violão. Tem banho de mar, tem banho de rio. O rio muda de cor de acordo com a maré. Quando a maré ta baixando, a água do rio desce pro mar, levando um tom acobreado pro oceano. Quando a maré enche, o mar entra pro rio, que fica bem azulzinho. É lindo de viver, ficar acompanhando as horas, a paisagem que muda, o vento que sopra, a paz que não acaba. 



E tem os índios. Andar por Caraíva é ver a comunidade Pataxó em tudo. Eles estão por lá trabalhando nas pousadas, dirigindo os buggys, pilotando os barcos, vendendo artesanato. Me deu um aperto no coração ver que aos Pataxós, donos da terra, sobrou somente a sobrevivência. Os donos das pousadas? Brancos do sul. Os funcionários? Pataxós. Mas por outro lado, fiquei com a impressão de que quem chegou lá, quem está lá em Caraíva, ao menos aprendeu com eles. A preservar a natureza, a cultivar a terra, a manter as hordas longe, a respeitar a nação e a lutar pela preservação dos Pataxós. 



E assim foi nossa semana em Caraíva. Lugar que levarei no coração com um carinho imenso, e que, ao longo dessa vida, espero poder reencontrar. 

Its a new dawn, its a new day...

... I am feeling good!

Quer dizer, feeling médio good. Cheguei das férias com o corpo pedindo arrego de tantos excessos. Mas sabe do que me arrependo? DE NADA! 

Foram quinze dias de Brasil, intesos e felizes, como o Brasil sempre será. Comi bem demais, bebi muita coisa boa (entre água de coco e caju amigo, foi só hit), passei um tempo muito bom com a família e tiramos uma semana pra desconectar de tudo e todos e curtir a maravilhosa Caraíva, na Bahia. Infelizmente, a gente não tem tempo pra tudo. Dessa vez quase não vi amigos, não passei tempo em SP. Mas é isso, a gente tem que fazer escolhas, e dessa vez eu escolhi descansar. 

Deixo aqui uma pequena coleção de bons momentos dessas férias tão maravilhosas, que já me deixam muito saudosas! 
O jardim da Vó <3
O parquinho em que mais me diverti na vida
Noite em família
Ensaio do Rosas de Ouro, porque eu tinha que viver um tiquinho de Carnaval
E então, Caraíva...
Esse lugar, tão, mas tão maravilhoso <3 Vai ter post só dela, porque Caraíva merece!
Chegando no Ano Novo
Saindo do Ano Novo rs
Com ele, sempre! 
Desejo a todos vocês um 2020 maravilhoso, cheio de coisas boas pra viver, histórias pra contar, risada pra dar, e gente querida pra abraçar! 

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