Zermatt parte 1: quando tudo deu errado

Sexta-feira, 26 de setembro de 2020. Parei o carro debaixo de uma nevasca absurda, e aliviada por finalmente estar parada, me deu vontade de chorar. A viagem de fim de semana estava sendo um grande perrengue chique e mal tinha começado rs... Se minha vida fosse um filme, era essa hora aí que eu quebrava a quarta parede e falava: você deve estar se perguntando como eu vim parar aqui? Pois bem, vamos lá. 

Eu falei aqui que a gente tinha uma viagem de fim de semana, aqui na Suíça mesmo, marcada pro fim de agosto. Cancelamos por causa de chuva, e remarcamos pro começo de setembro. Mais chuva, mais um adiamento. E chegando esse fim de semana, a bomba: a previsão era de neve em Zermatt, nosso destino. A ideia principal era fazer uma trilha. Mas como neve é BEM melhor que chuva, resolvemos manter os planos. Esse rolê inclui cruzar a Suíça de norte a sul, e o trem de Zurich para Zermatt, ida e volta, são absurdos 280 francos por pessoa, que a gente pagaria meia por termos o cartão. Ainda assim, duas pessoas, 280 no total. Caro. O plano era dirigir. A viagem dura coisa de 3 horas e meia, tal qual o trem, e sairia coisa entre 70 e 120 francos, dependendo de como cruzássemos a montanha. Bem melhor, né? Pois é. 

Eu já sai de casa com uma hora de atraso por conta do trabalho, e fui pegar Mati na escola. Antes de chegar no trabalho dele, que fica em outra cidade, me dei conta que estava na reserva do combustível. Parei pra abastecer, e enquanto fui la dentro da casinha pagar, Carlito ficou sozinho no carro. Voltei 2 minutos depois, pra achar um cachorro que no desespero (sim, ele tem ansiedade de separação nivel hard) se enrolou inteiro no cinto de segurança, se sufocou e quase quebrou uma pata. Dois minutos. Eu fiquei muito nervosa, desenrolei ele, a patinha, examinei ele, e parecia estar tudo bem, mas ele estava muito nervoso e inconsolável, tremendo. Enfim, não tinha muito tempo pra perder, fui embora e peguei Mati, que deu um carinho do doguinho.  

De lá seguimos viagem debaixo de chuva, até que o trânsito parou. Por completo. Sem andar NADA. Eu estava no banco do motorista e me deu o estalo que debaixo daquela chuva toda, não cruzariamos o furkapass por cima, ainda mais porque, com o atraso do trânsito, ia ficar escuro antes de chegamos lá (os passos são as estradas que cruzam a montanha pelo alto, estradas simples e com curvas vertiginosas, enfim, estradas em que me sinto mais segura pra dirigir de dia e sem chuva, né). A opção é pegar o furkatunnel, um túnel que cruza a base da montanha, mas que só é acessível de trem. Você sobe no trem com o carro, como se fosse uma balsa, e cruza nele. Com a idéia do túnel, eu consegui relaxar e fiquei ali, curtindo a paisagem rs. 

Depois de mais de meia hora sem sair do lugar, resolvi checar a hora do último trem pra cruzar o túnel: 21h. Foi aí que me acendeu um alarme amarelo nervoso. Já era 19h, e a gente estava há uma hora e meia do lugar de onde saia o trem, e completamente parados. Nessa hora eu comecei a amaldiçoar a idéia de ir de carro, e de não ter feito outro caminho mais comprido. Mas tentando manter a calma, fiquei repetindo que ia dar tudo certo. Às 20h estava escuro, tínhamos andado pouquíssimo, e o Google estava mostrando um caminho alternativo por uma estradinha lateral. Quando chegamos no acesso a ela, eu só fui. Google estava mostrando 1h pra chegamos lá, e era esse o tempo que tínhamos. A estrada era simples, a gente estava começando a subir, tudo bem sinuoso, e da-lhe chuva... eu não sou nenhuma pilota, mas dirijo bem, porém desgosto bastante de dirigir de noite debaixo de chuva por estradas que não conheço rs. Resumindo: tava tensa. 

Claro que nessas horas tudo começa a acontecer né... semáforo móvel que fecha por 3 minutos, rotatória esquisita sem sinalização, etc. E quando entramos na parte mais punk do trajeto, com curvas muito acentuadas, inclinação e tal, o que acontece? Claro, a chuva vira neve. PESADA. Anotem aí: atrasadíssimos, de noite, debaixo de neve, com pneus de verão, numa estradinha sinuosa. Pois bem. Virei pro marido: você tem alguma ideia de como põe corrente no pneu? Ele olha pra mim: mas é claro que não. Eu tive que rir, porque grazadeus ainda não tinha sinal mandando a gente por rs (a gente comprou correntes no começo do ano quando dirigimos pra Courchevel, mas nunca usamos e acho que precisamos aprender, né?). Em dado momento, o carro deu uma patinada numa subida mais nervosa, e eu acabei soltando uma vozinha chorosa: to com medo. Mas segui ali com cuidado, usando o trilho deixado pelo carro da frente. É o jeito mais fácil de evitar escorregar na neve. Nessa hora, o telefone toca. Era o hotel de Zermatt. A gente não tinha nem condições de atender. Eu precisava de toda a minha atenção e a de Mati na estrada. 

Chegamos finalmente em Realp, as 21:18. É claro que o trem já tinha saído. A gente estava ali, no meio do nada, numa vila alpina minúscula, inteira fechada, a 1500 metros de altitude, com a neve na altura das canelas, e sem ter pra onde ir. Dar a volta e ir pra casa não era uma opção, com aquela estrada toda nevada e perigosa. Eu estacionei na frente da estação do trem e entramos no booking.com. Nenhuma opção aparecendo na cidade, e a idéia de dirigir 10 km que fosse pra outro lugar me apavorou. Olhamos em volta, e tava lá: Hotel des Alpes. Google. Liguei com meu alemão bem porco e cansado. Moço, você tem um quarto? Pra hoje? Pra hoje. Tenho. Quanto custa? 160 francos. Engole o prejuízo a seco. Aceita cachorro? Se for grande não. Podemos ir praí então? Que horas. To aqui parada no seu estacionamento. Ele dá um tchauzinho lá de dentro. 

Enquanto Mati fazia o check in e carregava nossas coisas, levei Carlito pra finalmente fazer seu xixi. A neve caindo em flocos grandes na cabeça, cabelo molhando, o casaco fino que eu botei pra viajar não tava dando conta. Carlito estranhando tudo. 10 minutos de caminhada e nada de xixi. Depois de muito cheirar, ele se aliviou. Eu voltei correndo pro hotel, congelada. A temperatura estava -2. Cheguei no quarto, e atrás de mim o rapaz bateu na porta: dois sanduiches e duas cervejas. Eu fechei a porta e caí na gargalhada... perrengue chique é apelido. 

Moral da história: 
- na Suíça tem trânsito 
- tem economia que não vale a pena 
- por trás de stories bonitos do instagram tem muito drama 

Bares e Restaurantes em Berna

Como ainda chega gente nesse blog procurando pela Suíça, eu achei que valia a pena fazer um post recomendação. Em primeiro lugar, devo dizer que tem muito blog de turismo na Suíça por aí, e eles fazem um bom serviço. Por outro lado, queria deixar aqui umas dicas que meus 4 anos de andança por Berna me permitem fazer com certa autoridade rs. Voilà. 

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Para ter uma vista linda

Esse é um dos restaurantes mais fomosos e turísticos de Berna, e merece cada turistinha que aparece lá. Não é um turist trap. A comida é boa, o preço é bom para os padrões suíços, eles produzem a própria cerveja, que é também boa, e a vista meus senhores.. a vista é um desbunde. Berna todinha aparecida no skyline. Se for entre primavera e outono, vista a roupa adequada a temperatura, e sente fora. Se for um dia lindo de verão, uma reserva garante uma boa mesa. Vale MUITO a pena. O cardápio é todo bem honesto, mas meus preferidos são o Rösti (a tal batata suíça) e Kalbsgeschneltzeltes (um picadinho de vitela com cogumelos e um molho que parece de strogonoff). 

O Rosengarten é um landmark de Berna. Um parque lindo de doer, do qual já falei muitas vezes aqui, e com uma vista de chorar de emoção. Lá também tem um café e restaurante. Confesso que nunca fiz uma refeição inteira lá, então não sei dizer se a comida vale a pena, mas para tomar uns bons drinks ou um café, eu recomendo demais. 
A vista do Rosengarten, que é maravilhosa em qualquer estação do ano. O Altes Tramdepot fica a 5 minutos, descendo a ladeira, e tem uma vista tão linda quanto 

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Para tomar umas cervejas boas 

Esse bar é uma delícia! Fica na cidade antiga, num dos tradicionais cellars de Berna, onde alguns séculos atrás era estocado o carvão para aquecimento das casas, o que já garante um super charme ao lugar. Mas além de tudo eles tem uma carta de cervejas artesanais, suíças e importadas, muito da boa. O cardápio de comidas é bem limitado, mas a Flamme Küche lá é de chorar de boa (é uma pizza de massa bem fina, típica das terras germânicas). 

Esse aqui é tipo achado local. Fora do centro, fica em Brentenrain, um bairro muito gostoso há poucos minutos da cidade velha. Acho que de tram é uns 6 minutos, e a pé uns 15. A carta de cervejas do Barbieri é mais enxuta, mas ainda assim, tem coisa boa, e é um ambiente gostoso, as vezes bem animado, com música ao vivo e tal. Gosto muito! A comida deixa bem a desejar, então deixe pra comer em outro lugar rs. 

O Tramdepot entra nessa categoria aqui também ;) 

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Para comer comida Suíça

No meio da Barenplatz, a praça mais turística de Berna, de frente pro Parlamento, tem um monte de restaurantes. Eu confesso que sempre fiquei meio ressabiada por achar que era comida cara que atrai turista mas não entrega qualidade. Na real em Berna tem pouco disso, e o Le Mazot, no meio desse fuá, tem comida suíça incrível. Eu gosto MUITO do rösti com raclette rs.. É pesado? Sim. É maravilhoso? Demais. Recomendo. 
A Bärenplatz, onde fica o LeMazot. Andando menos de 5 minutos chega no Lotschberg

Mais um clássico bernense. Aqui o ambiente é bem legal, o restaurante vive cheio, e no inverno é possível até sentar numa cabine de esqui na calçada rs. Eu fui poucas vezes, mas sempre pra comer o fondue, e ó: recomendo. Eles tem também rösti, queijos, sanduiches, e todo o cardápio suíço. Mas ele é bem concorrido, então vale fazer uma reserva se der tempo. 

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Comidas de outros lugares 

Acho que já comentei em um post que em Berna tem muita comida boa feita por imigrantes. E aqui vão meus favoritos: 

Esse restaurante fica escondido, não tem uma decoração de babar, mas a comida... YUM. É boa demais. Os donos são um casal suíço-tailandes, muito gentis, e que tocam tudo na maior simplicidade, mas com muita qualidade. Pegando o tram 6 direção Worb, é só descer em Gümligen Bahnhof, e ele ta há 2 minutos. Tudo é gostoso, mas eles tem um prato de degustação de petiscos que é delícia, e de principal eu gosto mesmo é da sopa de coco com lemon grass, que é maravilhosa. 

Também em Brentenrain, esse libanês é muito bom. As comidas são bem feitas, e o Mezze teller, um prato que vem um pouquinho de tudo, é ótimo pra experimentar bastante coisa. O dono fica sentado lá dentro fumando shisha e ouvindo umas músicas bem típicas, haha.. eu adoro o ambiente, e mais ainda no verão sentar no terracinho. 

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Badalação

Taí algo que não é o forte de Berna rs... Mas tem alguns bares que são garantia de burburinho. 

Um antigo colégio no centro de Berna, cujo ginásio foi transformado numa casa de show. O ambiente é super descolado, dentro e fora: se pra dentro é um bar/casa de show com uma decoração mais inimista, o jardim é um típico biergarten hipster rs... No verão é um dos melhores lugares pra ouvir música, ver gente, tomar birita, e até comer um kebab, já que o Pita Kebab, um foodtruck famoso de Berna, estaciona por lá. Em dia de shows a entrada é paga, mas caso contrário, é só chegar... 
O jardim da Turnhalle visto de dentro, num dia calmo (foto do site próprio)

Aqui é a maloqueirice de Berna rs. Debaixo dos trilhos do trem, tem ali quase que uma cristiânia suíça rs... um espaço onde drogas são praticamente legalizadas, a polícia não é bem vinda, a palavra de ordem é de anarquismo, e rola muita bagunça, mas tem balada, tem bar, tem restaurante, e te bastante gente. No verão então, é um fervo. Eu to meio velha pra Reitschule, mas confesso que de vez em quando gostava de passar por lá e ver a suíça ser menos certinha. 

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Para tomar bons drinks 

Mais uma gema dos cellars da cidade velha. O abflug é pequeninho, só aceita cash (não sei no pós pandemia) e faz os melhores drinks que já tomei na Suíça. Achar um lugar pra se acomodar lá pode demorar um pouquinho, mas vale se encostar no bar, pedir sugestão pro bar man, e se fechar o olho com gosto, se imagina até em New York rs. 
Drinks no Abflug (foto do guia GaultMillau)

Num dos hotéis 5 estrelas de Berna fica um bar muito gostoso, elegante, e que me fazia sentir RYCA. Os drinks são maravilhosos, acompanhados de um mix de nuts e amendoins variados. Se por um lado a chiqueza do hotel pode parecer intimidadora, não se acanhe.. Berna é bem relax e o pessoal lá não está mais arrumado que em outros lugares. Digo isso porque eu mesma demorei a ter coragem de entrar, mas depois que entrei, adorei e voltei. 

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Rooftops 

O rooftop mais badalado de Berna, mas longe de ser realmente badalado haha.. É uma graça. Fica quase em frente a estação central, no topo do outro hotel 5 estrelas da cidade. Oferece drinks gostosos, mas nada extraordinário ou inovador. Ali a graça mesmo é a vista linda da cidade. Também tem uns petiscos, mas eu nunca comi, então não sei. É um dos melhores lugares para estar no fim do dia, vendo a luz dourada atingindo os telhadinhos da cidade velha. 
Os telhadinhos de Berna vistos do Sky Terrace

Manora 
Pois bem, se de um lado tem dica de hotel 5 estrelas, de outro tem dicas economicas porque aqui a gente vai de hi-low. A Manor é uma loja suíça de departamento. Tem bastante coisa, e em quase todas elas, tem o Manora, um restaurante self service. Pois o de Berna tem um salão no rooftop que é bem na muvuca, vista linda, energia lá em cima e o melhor: drinks baratos. Ouso dizer que dessa lista inteira de bares e restaurantes, é o lugar mais barato pra comer. Só vai! Claro que, por estar na loja, é fechado a noite, e tal.. mas se tiver batendo perna de dia por Berna, vai com força.  

Os meus queridinhos - de categorias variadas

Esse é um bar pequeninho no meu antigo bairro, mas que está sempre cheio. Ambiente aconchegante, vinhos, cervejas, chás gostosos, tábuas de frio, nada de especiaaal. Mas é um lugar bacaninha pra se aconchegar numa mesa, conversar com os amigos, e ver mais gente. No verão as pessoas se espalham pela calçada, e no inverno ficam ali pra dentro a luz de vela. Nos 15 meses em que morei na Länggasse, foi um dos meus lugares favoritos para sentar e conversar, e eu recomendo pra quem quiser tomar um vinho numa vibe mais local. 
O Sattler, que de quebra vem com uma Gelatteria di Berna no fundo 

Também no meu bairro favorito - e também na Mittelstrasse, a rua badalada da vizinhança rs - esse lugar é perfeito pra um brunch: os bagels são de chorar, o café é delicioso, os bolos e tortas nem se fala. Um lugar muito fofo, tocado por um casal que além de talentoso, combina os looks e o penteado. Todas as vezes que eu fui lá - e foram muitas - senti o coração quentinho. 

Esse restaurante meio fusion, meio mistureba, fica também no Hotel Bellevue, mas tem uma entrada independente quase na Casinoplatz. A comida é variada, tem muita coisa de lugares interessante, e entrou na minha lista de queridos porque, pasmem, foi lá que eu comi uma moqueca de camarão com farofa MA RA VI LHO SA. Pois é. O ambiente é todo moderninho, tem um DJ mandando músicas legais, e uma vibe meio sofisticada meio farofa que me deixou muito feliz! Adoro Noumi e recomendo para um jantar em dias felizes e especiais :) 
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Espero que essa lista, se não ajudar ninguém em Berna, ajude alguém a pensar nos restaurantes da própria cidade, e como em tempos de pouca viagem, é possível ser feliz com a grama do nosso quintal!

O agosto mais rápido da história

Acho que já rolou piada de monte internet afora de como, nesse ano tão atípico, até agosto passou rápido rs. A real é que passou rápido mesmo, e eu desconfio que ter passado 1/3 do mês em férias contribuiu pra isso. Mas foi um mês muito gostoso de verão, sol e calor nessa Suíça, com a vida ainda normalizada apesar do corona. 

Eu contei aqui um pouco dos nossos dias no Ticino, que foram pura delícia. Mas chegando de volta em Zurich ainda tinha férias sobrando, e  a gente ainda ta com aquele olhar de morador novo, então fomos aproveitar a cidade e arredores, explorar cantos desconhecidos. Um dos programas mais legais que fizemos foi subir a Uetliberg, a montanha que tem aqui na cidade. É um programa bem tranquilo, e da pra chegar lá em cima de trem ou a pé por várias trilhas. Nós subimos por uma trilha mais tranquila, bem sinuosa e por isso menos íngreme, e decemos por outra bem mais pauleira rs. O rolê todo durou umas 3 horas porque fomos beeem tranquilos, sem pressa. As vistas da Zurich pelo caminho são bem bonitas, e chegando lá no topo além de uma super vista da cidade e do lago, ainda é possível ver as montanhas do cantão de Zug. Eu recomendo muito a trilha, porque é fácil e uma das poucas coisas pra se fazer absolutamente de graça nessa Suíça rs. 

Subindo

As vistas pelo caminho

E lá em cima com o carneirinho cansado

Uma coisa que eu fiz acho que em todos os dias que o sol permitiu, foi ir pra beira da água. Uns dias no lago, uns dias no rio, mas todos os dias debaixo do sol. Agosto é um mês que se por um lado é puro verão e calor, tem aquela lembrança de que o fim está próximo e eu fico muito louca querendo aproveitar todo e qualquer raio de sol. 
A beira do lago em Enge, com as montanhas ao fundo. Uma das minhas áreas de banho favoritas aqui em Zurich

Para curtir nosso último dia de férias, um domingo super quente, pegamos o trem e fomos pra Rapperswil, uma vila super fofinha quase na outra ponta do lago de Zurich, já no cantão de St. Gallen. A nossa ideia era almoçar por lá, curtir na beira do lago e voltar de barco, mas acabamos desistindo do barco porque estava calor demais, e a viagem que dura 40 minutos de trem, leva 2h com o barco. Debaixo de 38 graus ia ser tenso. Combinamos de retomar esse plano no outono, com o sol menos a pino. Rapperswil tem um centro medieval muito bonito, e uma das atrações principais por lá é um castelo, hoje convertido no Museu Polonês (embora a cidade não tenha uma forte imigração polonesa, um dos últimos donos do castelo era de lá e construiu esse museu, que dizem ser bem legal, porém a gente não entrou). Outra coisa é um jardim de rosas. O dia estava tão, mas tão quente, que a gente meio que desencanou de tudo e foi direto se refrescar na água.
Os telhadinhos de Rapperswil


My happy place

Uma outra descoberta aqui em Zurich foi o Katzensee, um lago pequenino nos arredores da cidade. Fomos um dia para conhecer, porém não pudemos entrar na área de banho por conta de Carlito (nesse post aqui falo sobre os locais que aceitam cachorro ou não). A gente já sabia que ele não entraria na badi (os banhos públicos), mas fomos mesmo assim achando que ia rolar entrar no lago em outros pontos. A real é que não rolou rs... Na área da badi eles preencheram o lugar com grama, tem pedra no chão e é mais "limpo". Na área em que sentamos pra fazer picnic, embora a vista fossem bem agradável, o chão do lago era pura lama e eu não curto. Mas mesmo assim, valeu o passeio, e principalmente, porque foi a primeira vez que fizemos um rolê mais longo com Carlito na cestinha. Ele está super adaptado. 

A melhor idéia que tivemos: podemos continuar nossos rolês de bike e Carlito fica super confortável 

A única foto que fizemos no Katzensee

Nesse dia, na volta do lago (que é uma pedalada de mais ou menos 40 minutos até a área central de Zurich), achamos um pop up bar muito legal, o Guggach Gärtli. O bar fica numa área enorme que está aguardando permissão para ser construída. Eles montaram vários food trucks de restaurantes e bares queridos da cidade por lá, e as pessoas ficam espalhadas numa vibe bier garten, tudo aberto. Acabamos indo lá mais uma vez depois disso, mas o pop up teve sua última noite ontem. Alias, essa é uma dica: ficar de olho nesses pop ups, a Suíça adora. No verão tem muito, quase sempre em lugares abertos, pra sentar pra fora e tal. Mas no inverno também tem, as vezes com foco no vinho quente e fondue :) 

No último fim de semana do mês, o nosso plano era ir para Zermatt, uma das vilas alpinas mais icônicas da Suíça, com o Matterhorn (a montanha do Toblerone rs) enfeitando a paisagem. Tem umas trilhas por lá que queremos fazer há anos (não sei se contei aqui, mas fomos pra lá uma vez no fim de abril crente que íamos fazer as trilhas e a neve ainda estava com mais de 2 metros de altura rs), e a idéia era ir antes do inverno chegar. Mas o fim de semana chegou com uma frente fria daquelas, com muita chuva na Suíça inteira, e pasmem, neve em algumas partes de Zermatt. Cancelamos tudo, e ficamos curtindo a chuva em casa. Pelo menos um plano de 2020 que não foi cancelado pelo vírus maldito hahaha

Agosto, além de sol e calor, veio também com o tal do novo normal, do qual tanto se fala mas que ninguém sabe bem o que é. Pra mim, o novo normal é voltar a ir ao escritório duas vezes por semana, num plano que deve se manter pelo menos até o fim do ano. Mati começou seu emprego novo aqui na região de Zurich, e ele está dando aulas presenciais, ou seja, vai pro trabalho todos os dias. E com a nossa vida profissional esquematizada, o novo normal também incluia encontrar boas soluções para Carlito nesses dias que estou fora de casa. Ele começou a ir numa "creche" às terças, uma fazenda onde ele brinca com uns 15 cachorros. Às quintas ele passa o dia em casa, e uma amiga querida vem fazer as vezes de pet sitter e anda com ele na hora do almoço. Deu tudo certo, está dando.
Um dia normal na Maison Milan Reynolds

E assim vamos indo: olhando o copo meio cheio. Os passeios feitos, os dias ensolarados, as pequenas vitórias. Tem coisa ruim aí no meio? Sempre tem. Mas eu tenho tentado focar no que há de bom, porque esse ano não tem sido fácil. Então assim seguimos... que setembro seja gentil e que o outono venha bem mansinho pra eu não assustar. 

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