03/12

Março foi um mês comprido DE MA IS. Arrastou, demorou. O winterblues me pegou de jeito: completamente de saco cheio de frio, bota, casaco, incomodo. Pra piorar, o começo de março trouxe uma frente fria desgraçada, e foi assim que a minha energia foi escorrendo pelos poros até bater no chão. Em um dado momento eu achei que ia deitar no sofá e dormir por 3 meses. Mas infelizmente não deu tempo de fazer nada disso rs. Tive que segurar o carão, engolir o choro, e trabalhar feito uma camela. Espero que o universo tenha notado meu esforço e me reserve algo bem bom :) 

Praticamente não saímos de Zurich esse mês. Durante a semana, eu basicamente passeio o cachorro pelo bairro, e troco o quarto pelo escritório, o escritório pela sala, a sala pelo quarto. Esses são os meus dias. E nesse mês que a gente não saiu da cidade, não saí dessa rotina. Certamente isso contribuiu para a fadiga monstra. 
Eu e Carlito na nossa vida interessante rs

O máximo que fizemos, num domingo, foi esquiar numa das estações no entorno de Zurich. Eu imaginava que a estação seria bem pequena, mas surprise surprise, não é! É bem gostosa, com paisagens lindas, pistas de todo tipo, e encerrei a temporada num dia de muita pista vermelha e sensação de superação!
Olha elaaaa

Um outro highlight de março: ganhei uma sobrinha. Meu irmão teve uma baby girl no Brasil, e eu fiquei muito, muito feliz! Eu já perdi a conta de quantos bebês eu deixei de abraçar, de carregar no colo, quantas mãe amigas eu deixei de acolher nesse momento tão sensível. Mas confesso que esse doeu ainda mais. Não vejo a hora de ir ao Brasil e conhecer a pequena Olívia <3 Por fim, março acabou com meus pais, ambos, vacinados. Eu nem sei explicar o alívio, a anestesia que tomou conta do meu corpo. Parece que uma mala pesada que eu tava carregando há um ano (cheia de medo e angústia) ficou pro meio do caminho e eu segui sem ela, finalmente. Não acabou, ta longe de acabar, mas a vacinação dos meus preciosos foi uma lufada de esperança. 

Agora vamos lá, o mês e as metas: 

- Cuidar do corpo e da saúde: em março eu escorreguei mais na dieta, mas fiz mais exercício, então ainda vejo como um bom equilíbio. Pela primeira vez em quase dois anos corri 5 km rs. Mas o principal mesmo foi: fiz um curso meio fora da minha zona comum rs. Um curso focado em meditação, ioga e mindfulness. Falo que é fora da minha zona comum, porque eu sou hiperativa, prática, e minha paciência é bem limitada. Então ficar sentada ali na meditação é um exercício I M E N S O. Mas foi muito bom. Confesso que ainda não virei adepta da meditação, mas foi gostoso fazer algo diferente, com pessoas diferentes, e nos dias de curso, ficar completamente absorta naquela uma hora, e sentir que, além do corpo, estou cuidando do lado de dentro também. 
Comidinhas fit: ta tendo

- Ler um livro por mês: Presente. Esse mês foram alguns. 

Rita Lee: Uma autobiografia foi o primeiro. AMEI! O livro é bem leve, ela desanca um monte de desafeto com uma pitada de bom humor, fala com muito amor da família, dos filhos, do Roberto, conta umas histórias bem doidas, e eu tracei ele em dois dias rs. Depois fui ver que a crítica caiu de pau nela. Entendi que ela não escreveu um livro que o povo da música queria ler, mas escreveu o livro que ela queria escrever.  













Também li The Midnight Library. Um romance bem bonitinho. Confesso que vi tanta gente falando do livro, que achei que ele ia ser mais "adulto", num sentido de maturidade mesmo. E ele é quase bobinho. Mas foi uma leitura muito boa! 

E por fim, comecei The Year of Yes, da Shonda Rhimes. To achando um PORRE. Completamente surpreendida pela xaropisse da Shonda! Mas to terminando. 

- Ser menos procrastinadora: falhei quase miseravelmente rs. Procrastinei bastante nesse mês de merda. Mas ok, aqui vamos nós, tentar mais uma vez. 

Como eu disse, não saímos de Zurich, então não teve cantão novo, e muito menos girl trip. 

E assim seguimos. Um dia de cada vez. Um mês de cada vez. 

Morar na Suíça: o que mais gosto

 Esses dias estava eu na minha bicicleta, indo para uma consulta médica, quando me dei conta de que eu adoro essa vida: ter a bike como meu efetivo meio de transporte. E ai pensei em outras coisas, e cheguei a conclusão que, morando na Suíça há quase 5 anos, tendo mudado de cidade, tendo enfrentado várias coisas, tava na hora de por num papel o porquê que eu gosto tando de morar aqui. 

1- Viver A cidade

Isso é na verdade algo bem europeu, e não exclusivo da Suíça. As cidades são planejadas para ser vividas e aproveitadas pelos cidadãos: muito comércio de rua, pouco shopping center, muitos predinhos individuais com lojinhas embaixo, poucos complexos residenciais. Fazer muito da vida a pé, ou de bicicleta, ou ainda de tram, olhando o que acontece em volta. Descobrir lojinhas de rua, cafés novos, sentar pra tomar sol numa calçada. Eu adoro isso demais. Gostava muito de ter um pouco disso em São Paulo, sempre morei em lugares propícios a essa vida "de bairro", como Vila Mariana e Pinheiros, mas elevar isso num nível maior, sair do bairro, e ter essa vida como o normal, é algo que eu valorizo demais. Aproveitar os espaços, e parque,  congregar em torno de rios e lagos limpos. A relação com o entorno é MUITO diferente de quando se faz tudo de carro e se frequenta lugares herméticos. 



2- Grandes acidentes geográficos em pequenas distâncias 

A Suíça tem 350 km de largura por 280 km de altura rs. Mas nesse pequeno espaço, tem MUITO acidente geográfico, o que proporciona uma surra de paisagens incriveis: Alpes, placa tectonica, lagos, formações geológicas. E tudo isso é relativamente fácil de ver, visitar e aproveitar. Muitas belezas estão há menos de uma hora de onde quer que você more. E mesmo quando algo é "longe", não será mais do que 3 horas dentro do carro (é o que se demora por exemplo pra cortar o país de norte a sul, passando por lugares muito cenográficos). Então é muito fácil sair pra um rolêzinho de domingo e se deparar com paisagens de cair o queixo, se admirar e voltar pra casa renovado. 

Um passeio de domingo com essas vistas...

3- Qualidade de vida 

Nesse momento pandemico, qualidade de vida ta meio comprometida em qualquer lugar do mundo, inclusive na Suíça, mas a real é que a qualidade de vida aqui é sim bem alta: um respeito maior da vida profissional para com a pessoal, incidência solar, saláros dignos, segurança, civilidade. O fato de trabalho ser uma parte da vida, e não a razão dela (traumas de ex faria limer rs), me permite ter tempo para viver e cuidar de mim. Eu consigo sair de bicicleta na hora do almoço para um mergulho no lago, ou terminar o dia mais cedo para tomar um sol. A segurança me permite andar por qualquer lugar a qualquer hora. Não gastar horas de vida num trânsito lascado diminui o stress. Ter uma rede de seguridade social que, mesmo num momento tenso como o que vivemos, me assegura certos benefícios, tudo isso traz paz. E viver em paz não tem preço.

Eu e a bike, rodando a cidade toda

E voltando pra casa a pé, depois da meia noite, pra lá de bagda rs, e sem me sentir insegura 

4- Simplicidade

Se por um lado aqui a vida custa caro, e faz achar que todo mundo que mora na Suíça é rico, por outro, acho que é de longe o lugar menos ostentação onde já morei. Sim, as pessoas consomem coisas caras, mas num país em que os salários são dignos e o poder aquisitivo da população é relativamente alto, ninguém precisa "mostrar" que tem dinheiro. As pessoas aqui são bem casuais, e é muito comum você ver gente vestida de forma bem simples frequentando lugares tidos como chiques. Alias, Berna era ainda mais casual do que Zurich. Mas as pessoas não tem que se envolver num certo símbolo para demonstrar poder aquisitivo, não tem que ostentar, não tem que deixar claro a sua classe social, para ser respeitadas, tratadas com dignidade. Eu lembro que nos longinquos anos de Daslu em SP, saíram várias reportagens falando como não havia uma entrada para pedestre, e como toda a high society chegava lá de motorista. Aqui eu estaciono a minha bicicleta na frente do Jelmoli, uma loja de departamento do mesmo estilo no centro da cidade. Entro lá de havaiana e shorts, e sem a menor vergonha de ficar olhando as coisas. Não sou olhada com desdem ou "curiosidade" pelo staff da loja. Da mesma forma, num dia ensolarado, é super normal ver o povo sentado comendo marmita nas calçadas. Nas pistas de esqui, comendo sanduiche trazido de casa na área de picnic de restaurantes - sim, os restaurantes tem mesas em que você pode comer a comida levada de casa, no maior estilo farofa, e todo mundo faz. Uns anos atrás eu postei um texto aqui de como no Brasil as pessoas tem pavor de parecer pobre. Aqui, num país mais igualitário, isso não é um assunto, e eu acho maravilhoso. 


5- As estações do ano bem marcadas 

Não é segredo que eu sou um bicho do verão rs. Sou apaixonada por sol, calor, e foi uma agradável surpresa chegar aqui e descobrir que a Suíça tem um verão de respeito, com temperaturas passando constantemente dos 25 graus, inclusive chegando aos 40 rs. A gente curte demais os dias longos na beira dos rios, dos lagos. Eu finalmente tenho a vida de praia que eu sempre quis. AQUI, num país sem oceano. Depois dos melhores dias do ano vem o outono com seu festival de cores: as árvores vão avermelhando, mudando de cor, a luz vai ficando cada vez mais dourada, as paisagens ficam aina mais lindas. Tudo isso devidamente acompanhado de uma sopa de abóbora, risotto de abóbora, doce de abóbora, tudo de abóbora rs. Quando chega o inverno, vem o frio, vem a neve, e vem os dias de esqui na montanha. O melhor do inverno é justamente curtir a parte mais gelada dele, pro lado de fora, na natureza. Deus me livre morar num lugar em que só me resta o frio e a chuva, sem a neve. E então a primavera, MUITO florida, as vezes demais e cheia de alergias rs. Mas o crescente do dia, das temperaturas. A gente efetivamente vive as quatro estações do ano e eu adoro isso. 

Verãozão maravilhoso

Outono colorido

Esse inverno <3

E a primavera

Esses, como eu disse, são os highlights PRA MIM. Uma coisa bem pessoal mesmo, e as pessoas tem necessidades e prioridades diferentes. Não sei se eu tenho leitoras (porque isso aqui ta bem morno rs), e muito menos leitoras da Suíça. Mas se tiver alguém aí, e tiver opinião diferente, adoraria ouvir. 

02/12

Teve um ano dentro do meu mês. Aconteceu tanta coisa, a gente passeou bastante, muitas emoções no trabalho, Zurich indo de temperaturas polares até um início precoce de primavera. Teve foi de tudo! 

No primeiro dia do mês, saí cedo para dar uma voltinha com o dog, e me deparei com isso aqui na essquina. Impossível ser brasileiro e viver em paz nesse momento. 
No pulmão do muldo tem gente morrendo sem ar

Dispensa tradução
Mas a gente segue tentando. 

Fevereiro teve duas viagens muito gostosas, ambas focadas em esquiar: fomos, pela primeira vez, esquiar no Graubünden, o maior cantão suíço. Escolhemos Lenzerheide, um resort mais low profile, bastante frequentado por suíços, e eu adorei, porque conseguimos esquiar somente usando chair lift, aquele de cadeirinhas, o que significa ficar sempre ao ar livre, e não sentar em ambiente fechado onde passou gente. Também tem muitas pistas azuis - detalhe importante para uma pessoa de habilidades, digamos, limitadas - e os preços não são exagerados. Foi uma delícia ir pra um hotelzinho, sair de casa, mudar a paisagem, e não me preocupar em cozinhar por uns dias rs. Além de tudo, fomos presenteados com dias lindíssimos de muito sol, o que nessa época do ano é uma benção. 

Pleníssimos no topo

E chegando de volta na vila de Lenzerheide

Também fomos comemorar o aniversário do digníssimo em Zermatt, vila alpina famosa babado e que dispensa muitas aprensentações. Esse rolê foi maravilhoso inteiro, porque Zermatt é linda, os dias foram ensolarados, acabamos encontrando com amigos na montanha, esquiamos olhando o Matterhorn o dia inteiro, e ainda tivemos um upgrade de hotel, e passamos o fds na maior chiqueria da vida. Foi demais! 

Zermatt, sempre magnífica

Agora vamos lá, um balanço das metas da vida: 

- Cuidar mais do meu corpo e saúde: esse mês tive umas escapadas em termos de nutrição, por motivos de férias e viagens. Mas estou muito satisfeita em estar, no dia a dia, me alimentando melhor, de forma mais balanceada. Também eu definitivamente engrenei numa rotina de atividade física e tenho me movimentado bastante, seguido um plano com exercícios em casa e corrida na rua. Também fui ao médico no começo do mês para um check up, coisa que não fazia há mais de dois anos. Descobri algumas deficiências em vitaminas, e estamos fazendo as reposições necessárias. 

Pratos coloridos viraram uma constante na vida, finalmente

- Ler um livro por mês: esse mês eu mais uma vez li um livro, e comecei outro que não terminei rs. Li o Pequeno Manual Antiracista da Djamila Ribeiro, e gostei bastante. É curtinho, mas poderoso em despertar reflexões importantes sobre o nosso comportamento. Eu ganhei esse livro, e um outro - O Mito da Beleza, de amigo secreto do Brasil. Descobri que to tendo muito problema em ler livro físico, depois de me acostumar tanto com o kindle. Acabou que ainda não terminei o Mito, mas terei sim um livro pra março. 

- Ser menos procrastinadora: esse mês teve seus momentos difíceis, mas no geral tenho procrastinado menos. Encontrei algumas ferramentas que me ajudam também, e acho que essa parte é essencial. Entender o que funciona pra você. Eu tenho algumas coisas manuais, como fazer lista de prioridades todo dia de manhã e tentar chegar no fim do dia com esses itens finalizados. As outras coisas que não são prioridades podem esperar. E essa dinâmica tem me ajudado a procrastinar menos. Viva! 

- Novos cantões: num domingo ensolarado, porém GE LA DO, fomos passar o dia de São Valentin em Romanshorn, cantão Thurgau. A cidade fica na beira do lago de Konstanz, na fronteira com a Alemanha. Tirando a beira do lago, que é belíssima, não achei a cidade muito digna de visita rs. Mas o lago vale demais. A água azul, o gelo se formando sobre as pedras, congelando a vegetação, tudo bonito demais, mas o frio doía nos ossos. Passeamos por algumas horas, e depois de comer uma salsicha em pé no meio da rua rs, voltamos pra casa. De Zurich até Romanshorn é coisa de 1 hora de carro, ou de trem. 



E assim se passou mais um mês nessa nossa vida pandêmica. Alors, Março! 

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