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Zermatt parte 1: quando tudo deu errado

Sexta-feira, 26 de setembro de 2020. Parei o carro debaixo de uma nevasca absurda, e aliviada por finalmente estar parada, me deu vontade de chorar. A viagem de fim de semana estava sendo um grande perrengue chique e mal tinha começado rs... Se minha vida fosse um filme, era essa hora aí que eu quebrava a quarta parede e falava: você deve estar se perguntando como eu vim parar aqui? Pois bem, vamos lá. 

Eu falei aqui que a gente tinha uma viagem de fim de semana, aqui na Suíça mesmo, marcada pro fim de agosto. Cancelamos por causa de chuva, e remarcamos pro começo de setembro. Mais chuva, mais um adiamento. E chegando esse fim de semana, a bomba: a previsão era de neve em Zermatt, nosso destino. A ideia principal era fazer uma trilha. Mas como neve é BEM melhor que chuva, resolvemos manter os planos. Esse rolê inclui cruzar a Suíça de norte a sul, e o trem de Zurich para Zermatt, ida e volta, são absurdos 280 francos por pessoa, que a gente pagaria meia por termos o cartão. Ainda assim, duas pessoas, 280 no total. Caro. O plano era dirigir. A viagem dura coisa de 3 horas e meia, tal qual o trem, e sairia coisa entre 70 e 120 francos, dependendo de como cruzássemos a montanha. Bem melhor, né? Pois é. 

Eu já sai de casa com uma hora de atraso por conta do trabalho, e fui pegar Mati na escola. Antes de chegar no trabalho dele, que fica em outra cidade, me dei conta que estava na reserva do combustível. Parei pra abastecer, e enquanto fui la dentro da casinha pagar, Carlito ficou sozinho no carro. Voltei 2 minutos depois, pra achar um cachorro que no desespero (sim, ele tem ansiedade de separação nivel hard) se enrolou inteiro no cinto de segurança, se sufocou e quase quebrou uma pata. Dois minutos. Eu fiquei muito nervosa, desenrolei ele, a patinha, examinei ele, e parecia estar tudo bem, mas ele estava muito nervoso e inconsolável, tremendo. Enfim, não tinha muito tempo pra perder, fui embora e peguei Mati, que deu um carinho do doguinho.  

De lá seguimos viagem debaixo de chuva, até que o trânsito parou. Por completo. Sem andar NADA. Eu estava no banco do motorista e me deu o estalo que debaixo daquela chuva toda, não cruzariamos o furkapass por cima, ainda mais porque, com o atraso do trânsito, ia ficar escuro antes de chegamos lá (os passos são as estradas que cruzam a montanha pelo alto, estradas simples e com curvas vertiginosas, enfim, estradas em que me sinto mais segura pra dirigir de dia e sem chuva, né). A opção é pegar o furkatunnel, um túnel que cruza a base da montanha, mas que só é acessível de trem. Você sobe no trem com o carro, como se fosse uma balsa, e cruza nele. Com a idéia do túnel, eu consegui relaxar e fiquei ali, curtindo a paisagem rs. 

Depois de mais de meia hora sem sair do lugar, resolvi checar a hora do último trem pra cruzar o túnel: 21h. Foi aí que me acendeu um alarme amarelo nervoso. Já era 19h, e a gente estava há uma hora e meia do lugar de onde saia o trem, e completamente parados. Nessa hora eu comecei a amaldiçoar a idéia de ir de carro, e de não ter feito outro caminho mais comprido. Mas tentando manter a calma, fiquei repetindo que ia dar tudo certo. Às 20h estava escuro, tínhamos andado pouquíssimo, e o Google estava mostrando um caminho alternativo por uma estradinha lateral. Quando chegamos no acesso a ela, eu só fui. Google estava mostrando 1h pra chegamos lá, e era esse o tempo que tínhamos. A estrada era simples, a gente estava começando a subir, tudo bem sinuoso, e da-lhe chuva... eu não sou nenhuma pilota, mas dirijo bem, porém desgosto bastante de dirigir de noite debaixo de chuva por estradas que não conheço rs. Resumindo: tava tensa. 

Claro que nessas horas tudo começa a acontecer né... semáforo móvel que fecha por 3 minutos, rotatória esquisita sem sinalização, etc. E quando entramos na parte mais punk do trajeto, com curvas muito acentuadas, inclinação e tal, o que acontece? Claro, a chuva vira neve. PESADA. Anotem aí: atrasadíssimos, de noite, debaixo de neve, com pneus de verão, numa estradinha sinuosa. Pois bem. Virei pro marido: você tem alguma ideia de como põe corrente no pneu? Ele olha pra mim: mas é claro que não. Eu tive que rir, porque grazadeus ainda não tinha sinal mandando a gente por rs (a gente comprou correntes no começo do ano quando dirigimos pra Courchevel, mas nunca usamos e acho que precisamos aprender, né?). Em dado momento, o carro deu uma patinada numa subida mais nervosa, e eu acabei soltando uma vozinha chorosa: to com medo. Mas segui ali com cuidado, usando o trilho deixado pelo carro da frente. É o jeito mais fácil de evitar escorregar na neve. Nessa hora, o telefone toca. Era o hotel de Zermatt. A gente não tinha nem condições de atender. Eu precisava de toda a minha atenção e a de Mati na estrada. 

Chegamos finalmente em Realp, as 21:18. É claro que o trem já tinha saído. A gente estava ali, no meio do nada, numa vila alpina minúscula, inteira fechada, a 1500 metros de altitude, com a neve na altura das canelas, e sem ter pra onde ir. Dar a volta e ir pra casa não era uma opção, com aquela estrada toda nevada e perigosa. Eu estacionei na frente da estação do trem e entramos no booking.com. Nenhuma opção aparecendo na cidade, e a idéia de dirigir 10 km que fosse pra outro lugar me apavorou. Olhamos em volta, e tava lá: Hotel des Alpes. Google. Liguei com meu alemão bem porco e cansado. Moço, você tem um quarto? Pra hoje? Pra hoje. Tenho. Quanto custa? 160 francos. Engole o prejuízo a seco. Aceita cachorro? Se for grande não. Podemos ir praí então? Que horas. To aqui parada no seu estacionamento. Ele dá um tchauzinho lá de dentro. 

Enquanto Mati fazia o check in e carregava nossas coisas, levei Carlito pra finalmente fazer seu xixi. A neve caindo em flocos grandes na cabeça, cabelo molhando, o casaco fino que eu botei pra viajar não tava dando conta. Carlito estranhando tudo. 10 minutos de caminhada e nada de xixi. Depois de muito cheirar, ele se aliviou. Eu voltei correndo pro hotel, congelada. A temperatura estava -2. Cheguei no quarto, e atrás de mim o rapaz bateu na porta: dois sanduiches e duas cervejas. Eu fechei a porta e caí na gargalhada... perrengue chique é apelido. 

Moral da história: 
- na Suíça tem trânsito 
- tem economia que não vale a pena 
- por trás de stories bonitos do instagram tem muito drama 

Novembro Intenso

Eu ainda to me beliscando que novembro ta acabando e meu deus do céu, é natal...
Oi bininas, tutu bom?
Novembro foi um mês intenso, cansativo, dramático, babaaaaado nessa minha vida hahaha, e eu vou fazer recap sim porque to eu mesma ficando meio de boca aberta com tanta coisa que aconteceu rs. 

Começamos o mês numa viagem do vôlei da escola de Mati. Não sei se já comentei por aqui, mas além de professor, ele é técnico de vôlei do time feminino da escola e quando há viagens, é necessário sempre que uma mulher acompanhe e eu normalmente me voluntario para fazer esse serviço rs (me voluntariava, porque ao fim dessa viagem rolou um mini drama, teve um email mega mal criado de um pai, e eu resolvi que num sou nem paga nem treinada pra lidar com essa patifaria, portanto encerrei minha carreira de chaperon voluntária rs). Mas voltemos a Lausanne, rs. Mati conseguiu que um colega dividisse o trabalho com ele, ficando com as meninas até as 15h do primeiro dia de torneio, e por isso a gente conseguiu passear por Lausanne, cidade que adoro, abrir a temporada de fondue, curtir um pouquinho, e foi delícia demais! Acabei só fazendo uns stories e nada de fotos, mas pra fins de ilustração, vai foto de stories mesmo (e lembrem: visitem Lausanne, é linda :)
No fim de semana seguinte fomos para Budapeste, numa viagem que não pensei muito e agendei uns meses atrás numa promoção da Easy Jet. Eu morria de vontade de conhecer a cidade, sempre li maravilhas sobre. Budapeste é linda mesmo como todos dizem, tem hora que até te tira o fôlego. Mas devo dizer que me lembrou bastante Praga, e mais, acho que uma Praga com ainda mais resquícios de comunismo. Acho que Budapeste foi o lugar (tirando a Rússia, claro) em que essa lembrança do comunismo se fez mais presente . Foram dois dias inteiros, intensos, em que conseguimos fazer quase tudo que queríamos sem ter que correr por aí. Comemos bem, curtimos a cidade e ficamos cheios de  boas lembranças <3 
E como nem só de viagens e programinhas românticos é feita a vida, novembro teve seu lado bem bandido. Contei no começo do ano que comecei uma pós graduação. As aulas do curso acabaram sexta-feira, e agora só me falta entregar um paper, cujo prazo é fevereiro. MAS... antes de acabar, deve um bendito estudo de caso em grupo. Apesar de termos dois meses pra fazer, é claro que foram nas últimas semanas que o bicho pegou. Teve colega folgadésima não entregando nada, teve choro, teve noites mal dormidas, mas no fim, teve apresentação, uma sabatina feroz, e teve aprovação. Ta mais do que bom. 

Teve também trabalho, muito trabalho. Eu contei que estou fazendo um estágio, né? E por mais valiosa que esteja sendo a experiência, não vou ser besta, a verdade é que eu quero um emprego fixo, um salário compatível com minha experiência, um sossego pra minha vida. E como já é sabido, no pain, no gain. Eu to trabalhando que nem doida, tentando mostrar pra essa galera que, apesar de toda a loucura envolvida, eu sou um belo asset pro time rs. Eu estou trabalhando com coisas muito interessantes, mas que são novidades pra mim, então além do esforço natural que é mostrar serviço, eu to tendo que estudar bastante, aprender, dar com a cara na parede, enfim... ta sendo uma experiência interessante, mas exaustiva. 

Por fim, estamos de mudança. Olha que maravilha? Hahaha.. na verdade, só nos mudamos em fevereiro. Mas desde o fim de setembro estávamos procurando um novo lar pra chamar de nosso, e isso na Suíça é quase um emprego integral rs. Quando chegamos por aqui queríamos morar no centro da cidade, mas não sabíamos quando eu iria trabalhar, e optamos por um bairro um pouco mais afastado e por isso mais em conta. Gosto muito de de Ostermundigen, o bairro em que moro, mas depois de dois anos, estamos com saudades de viver na "muvuca" (bem entre aspas, porque em Berna não tem muvuca, rs). Isso aliado à minha rotina de viajar pra Zurich todos os dias facilitou a decisão de começar a procurar. Foram uns 45 dias visitando apartamentos quase todos os dias, preparando papelada pra application, escrevendo cartinhas, quase se humilhando e pedindo pelamordedeeeeeusss me deixa morar aí, encaixando essas visitas na nossa rotina louca. Se você me segue no instagram e viu várias casinhas fofinhas pelos stories, era eu explorando possíveis bairros haha. Mas enfim, achamos um canto pra chamar de nosso, finalmente. Agora é hora de começar a planejar essa mudança. 
Mas sabe o que é melhor mesmo? É que a vida ta tão, mas tão agitada, ando tão ocupada, que não deu tempo pra sentir depressão de inverno. Me lembro bem que desde que cheguei aqui, acaba o verão e  nessa altura do ano eu estava imprestável, chorosa, deprimida e derrubada. Os dias curtos, cinzas, cheios de névoa, sugavam minha energia e tudo era muito difícil. Esse ano, pelo menos por enquanto, não tive nem tempo de me deprimir. E sim, essa sou eu tentando olhar o lado bom das coisas, porque no fim, eu descobri que sou essa pessoa haha.. 

E novembro foi isso daí. Agora é hora de encher a banheira, botar uma músiquinha, acender uma vela, descansar as pernas e começar a pensar no que que eu fiz de 2018, e o que eu quero pra 2019. No fim, a gente tira um sarro da Simone, mas convenhamos que chega fim de novembro, a gente fica assim mesmo, né... então é Natal e o que você fez?!

March Madness

Quem vê o título desse post pensa até que rolou muita loucuraaaaa em março hahaha.. e nem foi tanta assim. Mas devo dizer que há tempos a vida não ficava tão agitada, e eu fiquei como?! Isso mesmo, felizona, porque é disso que a gente gosta, de agitação rs. 

Começamos o mês no frio siberiano, com a chegada da ultra frente fria glaciar haha. Berna amanheceu no dia 1o de março enterrada em neve, no maior caos, com trens e ônibus parados, e suíços desesperados. Embora eu tenha demorado uma hora pra chegar na escola (trajeto que normalmente leva 20 minutos), eu achei foi graça da situação. Acho que eu estava sentindo falta de bagunça, e confesso que me deu certo prazer ver, finalmente, a suíça - e os suíços - perdendo a linha. E além da zona, a nevasca trouxe também paisagens lindas <3 



Mas quando o frio aperta, a gente se diverte, né? Fui ver uma cachoeira congelada em Thun, fui com as amigas fazer sleding em Grindelwald, esquiar em Zweisimmen e também fomos fechar a estação em Saas Fee. Alias, sobre o esqui, uma observação: ano passado eu consegui ver muita melhora, afinal de contas, fui de não saber esquiar a conseguir parar em pé e descer a montanha em cima do troço. E eu estava com muita expectativa pra esse ano, de que eu ia evoluir muito, se bobear conseguir esquiar "bonito", em paralelo, descer pista vermelha, etc e tal. E rolou toda uma decepção, porque honestamente, não evolui em nada. Mas tudo bem, quem sabe ano que vem, né?


Fechando a temporada a 3.500m de altitude 
Teve também o fim de semana da esbórnia haha. Duas amigas fizeram aniversário no mesmo fim de semana. Na sexta, uma amiga fazia 25 anos e tinha uma missão: tomar um porre de aniversário. Como amiga que é amiga, em vez de tirar a ideia errada da cabeça da novinha, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Só que a outra amiga fazia aniversário sábado, e tinha outra missão: correr 5 km de aniversário. E como amiga que é amiga em vez de tirar a idea errada da cabeça da musa fitness, mergulha na zoeira com força, lá fui eu. Moral da história: pela primeira vez na vida, corri 5 km. E de ressaca. E debaixo de chuva. E estou aqui, viva pra contar e dar um conselho pra vocês: evitem. 
Na farra como se não houvesse amanhã...
... mas tinha
E depois dessa loucura toda, na segunda-feira começaram minhas aulas na Universidade. Em paralelo, tive várias reuniões do projeto em que eu sou voluntária. Por outro lado, entrei numa nova pausa no curso intensivo de alemão. Eu realmente não estava dando muita conta do B2, não estava tirando todo proveito que a aula poderia dar. É muito difícil porque eu quase não pratico fora da escola, então estava rendendo menos do que poderia. E pra piorar, eu não estava curtindo minha turma, então estava bem desmotivada. Em abril voltarei para um curso de conversação, pra praticar um pouco, antes de voltar e terminar o B2. 

Pra finalizar, é spring break. Terminaremos março na estrada, viajando, passeando, e aproveitando. Mas o melhor de tudo, é que é S*P*R*I*N*G break. A primavera está, timidamente, começando a dar as caras por aqui, e pouca coisa me deixa mais feliz. Ver os dias ficando mais longos, o colorido das flores começando a aparecer, a temperatura começando a subir. Dá um novo ânimo pra mim, pessoa do verão e do calor. Não vejo a hora de me esticar na grama, de nadar no rio, de ver essa Berna ainda mais linda <3 Primavera, chega mais!



Phuket - Kata Beach

Chegamos em Phuket de avião, e mal sabíamos que estávamos prestes a tomar uns tombos rs. Nossa estadia em Phuket foi de 4 noites, divididas em dois extremos da ilha. Passamos as duas primeiras noites em Kata Beach, e as duas últimas em Mai Khao Beach, onde tivemos um dos casamentos mais lindos <3  O post de dicas vem depois, mas anotem: Mai Khao Beach. Para quem quiser ir à Phuket, esse é o lugar. 

Como teríamos que estar em Phuket para o casamento, resolvemos passar uns dias a mais em outra área da ilha para conhecer. Eu só escutava falar mal de Patong, onde o turismo de massa (e sexual) é brutal, e por isso nem cogitei ficar na área. Li que cada uma das praias de Phuket tem um perfil, e optei por Kata Beach, pois li que ali era uma área menos "atacada" pelos turistas, mas ainda com infra estrutura e tal. Kata Beach fica bem ao sul da Ilha, e chegando lá eu até tive a impressão de que a coisa era mais suave. Ledo engano: se aquilo é suave, eu não quero imaginar o que acontece em Patong. Digamos que Kata Beach é toda tomada por turistas de maioria russa, e alguns suecos, na maioria em família. Há prostitutas nas ruas da avenida principal, mas nada agressivo. Agora o que me irritou mesmo foi aquela sensação de "pega turista", sabe? Os tuktuks queriam cobrar 300 bahts pra andar 5 minutos, os passeios que eu ia olhando pareciam extremamente caros, e eu só fui ficando irritada... 

E aí, rolou então a maior merda da viagem, e eu vou abrir aqui um parênteses pra contar sobre a minha primeira grande arapuca viajante rs. 
"Eu tinha feito uma reserva pelo booking num hostel para essas duas noites em Kata Beach. O hostel era todo bonitinho, o quarto era privado, simples, porém gracinha nas fotos e tal. Chegamos lá no horário combinado, já passando das 22h, e a recepcionista, super simpática, falou que no segundo dia teríamos que mudar de quarto. Então pedimos a ela que nos acomodasse diretamente no segundo quarto, pois não queríamos ter que fazer a mudança. Ela falou ok, e que esse segundo quarto era numa "second building" do hostel. A coisa já ficou esquisita quando uma menina veio de carro nos buscar. Que merda é essa?! Que second building longe é essa?! Mas beleza... Chegando lá, o lugar era uma bomba, sério. Eu fiquei bem incomodada, mas estava cansada, pensei ok, vamos dormir aqui duas noites, no big deal. Saímos para jantar, quando voltamos quase meia noite e eu precisei tomar banho no banheiro, comecei a chorar. Sério, o lugar dava nojo, tinha um buraco no chão do banheiro. O lençol da cama estava sujo, tinha um vazamento de água na parede, e naquelas alturas da madrugada sobrou me enrolar na minha canga e dormir chorando, já me coçando pelos bedbugs que eu tinha certeza que iriam se impregnar em mim. Pior, eu fui na recepção pedir papel higiênico, e acabei percebendo que second building o cacete, eles botaram a gente em outro hostel. Acordamos no dia seguinte e tinha sangue jorrando do meus olhos, eu queria guerra. Fizemos as malas e fomos lá pro hostel onde deveríamos estar hospedados. Ou vocês me acomodam no quarto que eu reservei, dentro do hostel que eu reservei, ou quero meu dinheiro de volta. Eu já estava pra lá de puta, porque tinha planejado fazer um passeio de barco nesse dia, e ao invés disso, estava lá armando barraco na recepção do hostel. O cara tentou me enrolar, porque tinha feito overbooking, não tinha como me acomodar, e não queria devolver meu dinheiro. Pensem numa nega saindo do corpo, essa nega era eu. Eu gritei, berrei, chorei, metade do hostel ficou sabendo do babado, tamanha era minha ira. Aquele cara ficou se arrependendo da carniça que ele cutucou. Mati estava incrédulo diante das minhas feições distorcidas, rs. Long story short, eu peguei meu dinheiro de volta, achei outro lugar pelo booking, e saímos de lá. Fim da tragédia, certo?"

Errado. A gente precisando chegar nesse outro lugar, que era bem perto porém um morro e complicado de chegar a pé com malas, e os caras olhando a situação e querendo cobrar uma fortuna de tuktuk. Taxi pelo taxímetro, nem pensar: "500 baht". Eu mandei uns cinco caras tomar no c*, assim mesmo, em português, porque as minhas entranhas barraqueiras já estavam todas ali pra fora mesmo.

Mas aí chegamos no nosso lugar novo e ele era lindo, xuxu, bonito, cheiroso, no meio da mata e ainda com uma vista pro grande Buda, que é tipo uma estátua do Cristo, só que do Buda rs. Nosso passeio de barco já era, já passava das 13 horas, e pra não deixar a hérnia raivosa explodir dentro de mim, comemos um belíssimo curry e fomos pra praia. A nuvem negra começou a se dissipar, pero no mucho. Porque a praia tava bem da cheia, porque tinha criança jogando areia pra todo lado, porque eu queria aquelas praias maravilhosas tailandesas só pra mim, a real é que eu queria que Kata Beach explodisse com todo mundo dentro rs.

Mas ok, eu mergulhei, eu tomei uma cerveja, eu deixei aquele grande Buda começar a agir sobre meu espírito, rs. Vimos um por do sol lindíssimo, tomamos um mojito delícia, preparado por um tailandês muito, mas muito gentil, que nos lembrou de todas as outras pessoas simpáticas da viagem, de todas as coisas bacanas que tínhamos visto, e nos ajudou a esquecer o bando de filho da puta que povoou o nosso dia. Jantamos uma comidinha gostosa, e fomos para nosso bungalow na floresta.
A praia em Kata Beach... nada mal, né?
E esse arroz frito no abacaxi, que lindeza?
Eu e o por do sol maravicherry que Kata nos deu de presente, suponho que tentando fazer as pazes com a gente
E Gabriela lavadeira "lava rooooupa todo diiia que agoniiia"
Eu queria ter tirado mais fotos desse lugar incrível em que fomos parar na nossa segunda noite. Se alguém for a Kata Beach tome um banho de sal grosso antes lembre-se de ficar Kanya Cozy Bungalows. Salvou o nosso dia.
A vista da nossa varanda <3
E como esse post ta muito raivoso, ele não combina com todo o amor que rolou depois em Mai Khao. Por isso Phuket vai der duas partes: a parte Ruth e a parte Raquel. Raquel ficou aqui, encalacrada em Kata Beach. Próximo post é Rutinha <3

Mais uma lista

Sabe essas listas do que fazer antes de morrer? Antes de casar? Antes dos 30? Que lugares conhecer? Adoro ler e ver como eu me saio. Não pauto minha vida por isso, mas sempre dou umas risadas. 

E aí que esses dias alguém postou uma lista engraçada no FB, de coisas a se fazer na vida, para o bem ou para o mal. Aquela coisa "da vida bem vivida". E eu fui lá olhar, e resolvi compartilhar aqui, porque a maioria dessas coisas me lembra histórias engraçadas. 

Bares e Restaurantes em Berna

Na esteira dos roteiros que fiz aqui pra Berna (veja aqui e aqui), achei legal falar também dos meus lugares favoritos para comer e bebericar. Uma das coisas que eu mais gosto aqui é que não tem "área turística", daquelas onde você vai achar restaurantes de qualidade duvidosa por preços altos, tipo Las Ramblas em Barcelona ou Little Italy em NYC. A parte turística de Berna está no coração da cidade, onde todo mundo faz tudo, e onde os locais transitam o tempo todo. Resolvi listar aqui os bares e restaurantes que, hoje, são os meus favoritos. Eu ainda tenho muito o que conhecer nessa cidade, tenho uma lista de bares e restaurantes para ir, mas como é caro, a gente vai indo devagarinho, rs...  

Sobre amores e amigas

Andei sumida, mas é porque eu estava respirando amor por aí... Acabo de chegar do Brasil. Como assim, mal vim e já voltei? Isso mesmo. Tem algumas coisas na vida da qual não dá pra não participar. E se não dava pra eu não estar presente nesse primeiro mês em Berna, ao lado de Mati, descobrindo nossa nova cidade e novo lar, também não dava pra não estar ao lado dela no dia do sim. 

Já falei aqui sobre o quanto prezo minhas amizades, o bem mais valioso que cultivei na vida. E ela está na minha vida desde os 5 anos de idade, desde o fatídico aniversário do Paulo Victor. Desde aquele dia, nos acompanhamos nos primeiros dias de aula, ela me viu beijar pela primeira vez, eu a consolei no primeiro término. Nós planejamos dominar o mundo, e assim fizemos. Começamos conquistando São Paulo, a USP e a Maria Antonia. Fomos pra França e pro Wisconsin. Voltamos espalhando nosso domínio pela Faria Lima, festas da GV e bares da Vila Madalena. Voamos alto, levamos o encanto pra Bahia, Rio de Janeiro, Ilha Grande. E então ela foi pra NYC. Mas seguimos comandando a conquista por Chicago, Brooklyn, Chelsea, Cartagena. Como a gente fala, fizemos um grande mosh na vida.










E todas essas conquistas nos levaram pra Praia do Forte, pro dia 27 de agosto, o dia em que mais uma vez, estávamos lado a lado, no altar, no dia mais lindo da vida dela, um dia lindo pra mim, um dia lindo pra nós. A assessora disse que nunca viu madrinhas tão unidas, tão amigas. E eu acho que é verdade mesmo... Porque poucas pessoas no mundo tem essa sorte, de ter há quase 30 anos a companhia de amigas, irmãs, parceiras na riqueza e no puxadinho com rato de São Luis do Paraitinga. E é por isso tudo que eu viajaria o mundo quantas vezes precisasse pra estar ao lado dela nesse dia. E viajarei pra sempre, pra trocar aquele olhar que só a gente entende, aquele abraço que como poucos acolhe, e pra olhar pra ela e saber que ela é a pessoa mais feliz do mundo.

Causos de uma viajante

Já li alguns relatos de histórias engraçadas - ou nem tanto - que rolaram em viagens. O último foi esse aqui da Taís, e dei altas risadas. E quando ela mencionou uma peripécia num hostel em Köln, foi inevitável lembrar uma situação que aconteceu comigo e uma amiga também num hostel em Köln. E daí fui pulando de galho em galho e lembrando das coisas engraçadas que já me aconteceram em viagens e resolvi contar aqui.

* * *

Em 2012, eu e minha amiga paramos pra algumas horas em Köln. Chegamos de trem às 10h da manhã e saímos de trem às 5h da manhã do dia seguinte. A idéia era deixar as malas no locker da estação de trem, mas elas eram grandes e não entravam. Então achamos o hostel mais barato da cidade, pagamos uma noite cada e deixamos as malas lá. Andamos o dia todo, e quando era umas 9h da noite não tinha mais o que fazer, não íamos pra balada, era uma terça-feira, voltamos pro hostel. Ficamos lá na sala de convivência, e fizemos um amiguinho britânico. Ficamos de papo os três, e em algum momento minha amiga resolveu fazer uma crítica a um hábito dos americanos, e achou que estava falando baixo. Só que não estava. E um americano IMENSO (tipo guarda roupa, 2x2 sabe) que estava do outro lado da sala - e que não tínhamos nem visto - veio, e começou a xingar muito. Mas muito mesmo. Então perguntou de onde éramos e começou a xingar a gente de brasileiras putas, e daí pra baixo. Sério... Saímos fugidas do hostel às 3h da manhã mortas de medo. E depois desse dia eu achei que não queria nunca mais saber de americanos, rs... Mati que o diga.
Moral da história: sejam meigas em Köln e não falem merda nas áreas de convivência dos hostels
* * *

Nessa mesma viagem, nossa última parada foi em Londres. Fiquei num dos piores hostels que já fiquei na vida, e num quarto misto compartilhado com mais 5 pessoas - uma delas uma outra amiga. Como ficamos uma semana, passou muita gente por esse quarto, gente que roncava alto, gente que não tomou banho nem uma vezinha, gente que vomitou pós balada. No penúltimo dia chegou uma dupla de amigos muito simpáticos, ambos alemães. Fiquei até aliviada com a gentileza, higiene e simpatia dos dois. No dia de ir embora, pela manhã, eu sentei no quarto e fiquei arrumando a minha mala, enquanto conversava com os dois belezinhas. Estávamos só nos quatro, eu, minha amiga e os dois. Fui guardando as roupas e deixando meu ipod do lado da mala. Quando fechei a mala, percebi que o ipod não estava onde eu deixei. Pensei que eu, distraída, tivesse botado ele dentro da mala, então não esquentei. Pois é, gente.. Um dos dois belezinhos usou a mão leve pra furtar meu ipod na minha frente enquanto eu falava pelos cotovelos, querendo ser simpática com eles.
Moral da história: não seja trouxa (e essa foto não tem nada a ver com nada, mas gosto dela, rs)
* * *

Ano passado eu e Mati fomos pra Argentina, e como o valor do peso pro real ainda estava a farra do boi, conseguimos ficar num hotel delicinha. Chegando no check in do hotel tinha dado um problema no nosso quarto, e nos deram um quarto maior, desses que tem uma salinha com cozinha e o quarto reservado. Deixamos nossas malas na salinha, e nelas tinha basicamente tudo nosso. Na primeira manhã, estamos nós dormindo no quarto quando escuto um barulho na sala. Dei um pulo e sussurrei: Matt, tem alguém dentro do quarto. Ai ele todo sossegadão: nããão, o barulho é no andar de cima. Ai ouvi outro barulho, falei tem siiiim, e já comecei a imaginar meus dinheiros todos indo embora com o ladrão. E então, alguém abre a porta do quarto. Gente, o desespero foi tamanho que meu corpo travou todo, e quando consegui gritar foi algo fino, sem sentido, tipo um uivado, rs. Nisso Mateus pulou da cama e saí gritando hey, hey, heeeeeeeey. Cômico. Era a camareira, que entrou no quarto por engano, hahaha. Ficou toda sem graça, pedindo desculpas, e eu morta de vergonha do meu grito desafinado.
Moral da história: confie no seu ouvido (e don´t cry for me Argentina)
* * *

Em 2011 fiz uma viagem de uma semana pela Polônia. Passei somente um dia e duas noites em Varsóvia. Fiquei na casa da minha amiga Anna, que trabalhava durante o dia, então só me fez companhia à noite. Por isso, passei um dia passeando sozinha. Eu já contei essa história nesse post aqui, mas ela é tão boa, que vou colar ela aqui, pra quem não quiser ler os meus contos ébrios poloneses: "De lá, segui o conselho da Anna, e segui para o museu Copérnico. Desci do tram na paradinha indicada - uma antes do rio, onde dava pra ver o estádio que estava sendo erguido pra Eurocopa 2012. Pra ir do ponto do tram até o museu, eu precisava descer uma escadaria e atravessar uma avenida. E aí que no meio da escadaria eu fui surpreendida por um mendigo com a bunda de fora, que virou seu esguicho de xixi em minha direção. Graças a dio, tive o reflexo de correr antes de ser atingida e, limpinha, decidi que aquilo era um sinal divino pra eu sair fora de museu e ir bater pernocas pela cidade velha. No tram de volta, um cara puxou papo comigo, e me disse que era ator, que a Polônia era só o começo, e logo eu veria ele em Hollywood. Quando eu desci, ele desceu comigo, e fomos batendo papo ao longo da principal avenida da cidade. Lá pelas tantas, coisa de 5 quadras e 10 minutos depois, ele me ofereceu cocaína. Eu demorei 1 minuto pra entender a oferta, e assim que a ficha caiu, bati rapidamente em retirada. Confesso que meu amor pela Polônia era mais forte que nunca... tenho um certo fascínio por gente genuinamente doida, e o país não estava deixando a desejar". Preciso nem dizer que nunca vi esse sujeito em Hollywood, né? 
Moral da história: a Polônia é linda, mas não é para principiantes - este Rei cansado que o diga
* * *
E se continuar cavando, sai mais lembrança da minha cabeça. Quem sabe uma hora faço a parte dois desse post, porque tem história que merece. Como é bom relembrar viagem, né? Alguém me conta uma história por favor?

#chasurpresadagabi

Semana passada uma das minhas amigas de infância, que mora fora de SP, avisou que vinha na sexta participar de um curso e chamou pra jantar. Eu sempre topo. Só que chegou na sexta, eu estava com uma preguiça monstra. Super cansada, com o corpo dolorido até. Fui tirar um cochilo e não queria levantar nunca mais. Aí começou: minhas amigas mandando mensagem, me chamando pra ir por favor comer uma pizza na casa de uma delas, Mati tentando me por pra fora de casa, porque ele ia encontrar os amigos. Juro que não vi nada anormal na movimentação. 

Depois de muito enrolar, tomei banho e fui. A hora que abriu a porta da casa da minha amiga:
SURPRESAAAAA!
Pois é. Caí na pegadinha. Há 15 dias do casamento, minhas amigas de infância, da faculdade, da vida, se juntaram pra me fazer a melhor surpresa da vida. Uma despedida de solteira com direito à tiarinha de noiva, corações, drinks, presentes, bandeirinhas da Suíça - e os Alpes, vejam lá no mural - música boa, shot de gelatina com vodka, gargalhada e diversão. 

Varalzinho das memórias

A Suiça de giz

Bexigas e bandeirinhas <3

E shot de gelatina 
Mas vocês lembram que eu sou bagaceira, né? Então, já que estava na chuva, arrastei todo mundo pra Javali, minha balada favorita. Dançamos Justin Bieber, Madonna, rainha Bey, e teve ainda o momento Titanic:
Neaaaar, faaaaaar, whereeeeeeeever you aaaare


Suadas, desfocadas e no chão
No auge da balada, a polícia baixou lá pela primeira vez, e tivemos que encerrar mais cedo. Mas né... encerrar a Javali, minha gente. Porque já que me tiraram de casa, eu não estava pra brincadeira. E estávamos na Liberdade. E eu já disse por aqui que queria participar do X Factor, né? Pois é. 
Si aun piensas algo en miiiiiii... Sabes que sigo esperando teeee!

All the Single Ladies 

Tina e os Turners
É isso mesmo, fomos pra um karaokê. Eu me esbaldei de cantar tudo e mais um pouco, altas performances, danças sincronizadas. Tendo em vista o grau em que chegamos lá às 3h da manhã, devo dizer que garantimos a diversão do fim de noite do pessoal da casa. 
E pela diversão proporcionada, eles me deram um troféu (de prástico, na minha mão, rs)
E foi assim que cheguei em casa quase junto com o sol. Passei o sábado agonizando, porque não tenho mais saúde pra essas presepadas - e nem pra shot de gelatina com vodka - mas feliz da vida. Feliz pela comemoração, feliz pelas amigas maravilhosas que tenho, que não se furtam à passar vergonha comigo, que me amam com toda a força, mesmo diante da minha rabugisse, pelas mensagens de amor que chegaram até mim, por esse momento único que estou vivendo na minha vida.

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